A girl at my door (Dohee-ya) July Jung (2014) Coreia do Sul


FILME NÚMERO 200
Uma jovem comandante da polícia com um passado atribulado, é destacada para capitanear uma esquadra localizada numa remota região da Coreia do Sul onde os costumes ainda não acompanharam as leis modernas e onde qualquer estranho nunca é bem recebido pelos locais.
Ao chegar depara-se com uma miuda de 14 anos que pela vila piscatória é diáriamente abusada, espancada e torturada não apenas pelo padrasto como também pela avó perante o olhar impávido da população local que prefere ignorar o óbvio a reconhecer que um dos seus será capaz de tais actos.
Uma noite esta miuda bate à porta da jovem comandante da polícia pedindo-lhe ajuda.
E é tudo o que vocês precisam saber sobre [“A girl at my door”].

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[“A girl at my door”] inesperadamente foi um dos melhores dramas deste género que vi em muito, muito tempo e como tal, o filme que eu tinha planeado recomendar agora em comemoração da review número 200 aqui neste blog, acabou de ficar para depois. Sim, já escrevi sobre 200 filmes no “Cinema ao Sol Nascente”.
[“A girl at my door”] é o filme número 200 de que falo aqui neste blog e é a recomendação certa para comemorar duas centenas de reviews.

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É um daqueles filmes que nos agarra por completo e ao início não percebemos bem porquê, até porque visualmente ou em termos de narrativa nem parece ter muito de original para lá do que estamos acostumados a ver neste tipo de histórias sobre criancinhas espancadas pela família.
Acontece que [“A girl at my door”] tem um trunfo na manga. Não é bem um twist, mas trata-se do rumo que o argumento segue a partir de um determinado momento.
Quando percebemos o que vai acontecer isso ainda cria mais tensão na história pois agora somos nós que estamos á frente dos personagens.
A partir de uma certa cena, o espectador dá-se conta que este filme ou irá ter uma história espectacular até ao fim ou irá afundar-se por completo se não a souber aproveitar.
Tem uma história espectacular até ao fim.

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E mais uma vez é impossível para mim agora comentar este título da forma que gostaria pois para o poder fazer teria que revelar-lhes precisamente aquilo que os irá apanhar em choque frontal quando virem [“A girl at my door”].
E não, não é um filme de terror com um twist surpreendente. O twist aqui está no tom que a história segue e quando damos por nós já não conseguimos mais sair de frente do ecran; até porque nunca temos bem a certeza de como os personagens irão acabar. E os personagens são o grande trunfo deste filme, muito para lá da história propriamente dita.

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[“A girl at my door”] conta com interpretações fantásticas e incrívelmente intensas que nos deixa constantemente com os nervos à flor da pele e com vontade de roer o sofá de uma ponta a outra a todo o instante.
O trio de protagonistas é do melhor; ganhou com todo o mérito o direito à ovação em pé com que foi aclamado no festival de Cannes e merece por completo todos os prémios de representação arrecadados entretanto por onde o filme tem passado.

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Isto para além dos prémios que o filme ganhou tanto pela realização como pelo argumento.
Tudo merecido.
Mais uma vez o pequeno cinema independente dá cartas na qualidade e [“A girl at my door”] é um dos melhores exemplos de que se calhar cinema que nos prende do inicio ao fim  nem precisa de grandes orçamentos para nada quando tem uma equipa criativa por detrás de uma boa história.

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O elenco é perfeito para isto e nem nos lembramos que são actores. A miudinha é notável na forma como é ao mesmo tempo frágil e perturbante reagindo ao trauma da constante violência sem sentido na sua vida torturada; o padrasto vai dar-lhes cabo dos nervos (e este actor até então só tinha sido o heroi de comédias românticas ligeiras, o que não deixa de ser surpreendente); mas o grande destaque vai para a actriz Bae Doona (que provavelmente reconhecerão como Doona Bae no ocidente) e que já tinha aparecido naquele que é um dos meus filmes favoritos e para mim um dos melhores filmes (e história) de FC de todos os tempos – “Cloud Atlas” (dos irmão Washowski criadores de Matrix) – onde a actriz brilhou e fez vários personagens inesperados; tendo aparecido depois também mais recentemente no mediano –“Jupiter Ascending”– do mesmo par de realizadores ocidentais.
Curiosamente Bae Doona participou de graça em [“A girl at my door”] o que causou inclusivamente grande burburinho lá pela Coreia do Sul na altura da estreia.

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[“A girl at my door”] é também o filme de estreia da realizadora Sul Coreana, July Jung
e se este é o primeiro, mal posso esperar pelo segundo, pois o argumento agora também é dela e como estreia isto não podia ter corrido melhor.
A realização é fantásticamente invisível; a tal ponto que no início o filme nos parece simples demais e sem grandes qualidades por aí além. Toda a história é filmada de uma forma algo claustrofóbica por vezes, previligiando os espaços fechados e o vazio dos ambientes. Talvez para fazer com que o espectador também se sinta encurralado com os personagens. O que ao início parece uma fraqueza, na verdade vem depois a revelar-se precisamente o oposto.

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A verdade é que este é um daqueles filmes que não se nota que a câmera está lá.
Ao espreitarmos o making of com tanta gente atrás da câmera o tempo todo nas filmagens ainda nos deixa mais fascinados pelo ambiente solitário e angustiante que é captado à frente da lente, quando os bastidores do filme são absolutamente simpáticos.
Apesar de [“A girl at my door”] ser um filme essencialmente de actores, isto não quer dizer que de vez em quando também não se abra em escala para mostrar brevemente a atmosfera do bonito local onde a história é filmada. [“A girl at my door”] passa-se numa pequena vila piscatória com imensas ilhas no horizonte e todo o ambiente edílico ainda dá mais força dramática aos acontecimentos que o argumento retrata.

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Outro pormenor curioso é a maneira como a música é usada. Vão esquecer que lá está alguma coisa na banda sonora. Ela está lá, mas está nos pontos certos e portanto não esperem a típica banda sonora constante a que estamos habituados a ver nas produções americanas. Aqui a música complementa as emoções, não nos diz como nos devemos sentir. Ponto positivo que pouca gente irá notar mas que é também uma das mais valias desta pequena produção independente Sul Coreana, já multi-premiada.

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Se procuram um drama intenso, com uma história verdadeiramente bem pensada e que os fará ficar constantemente na incerteza de como se irá desenrolar, trocando-lhes as voltas um par de vezes (não pelas surpresas mas pelo rumo da história), então é este.
No entanto [“A girl at my door”] não é para todos os espíritos, como a única crítica negativa que está no imdb bem exemplifica. Haverá gente que de certeza irá odiar o filme só pela temática; portanto eu gostava de lhes dar um melhor aviso, mas não posso senão estrago-lhes o filme.

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Pessoas de moralidade sensível, abstenham-se. Se não suportam ver histórias de violência cruel contra crianças se calhar eu passava à frente e ia ver o filme com gatos que recomendei no post anterior em vez deste.
[“A girl at my door”] não será um filme de terror mas poderá assustar mais que todos os filmes de terror feitos em Hollywood com teenagers nos últimos anos. Ah e não esperem remake americano deste pois jamais passaria num cinema dos states.

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Também não é um drama nos moldes do fabuloso “Hope” que recomendei há dias. Enquanto esse é uma espécie de –“feel good movie”– [“A girl at my door”] insiste em ser um  verdadeiro –“feel like shit”, mas no melhor dos sentidos. Mais uma vez tenho que estar calado para não lhes estragar a história toda.
Se pretendem ver o filme, lembrem-se, afastem-se de tudo o que existe sobre ele na internet e vejam-no como eu vi. Sem saberem o que vão ver.
Podem ver o trailer à vontade pois está muito bem montado e define bem a ideia da história. Também podem ver o mini-making-of no final deste texto, pois é muito interessante e não contém qualquer spoiler.

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[“A girl at my door”] no entanto não é perfeito. Quanto a mim concordo com algumas reviews e também acho que falha mesmo um bocado na explicação da motivação para que o padrasto da miuda seja um animal tão grande para com a criança.
O argumento insere algumas razões mas sabem a pouco e parecem algo forçadas contrariando toda a imaginação do resto do argumento, pois na verdade não explicam a razão para tanta violência sobre a rapariga.
Por outro lado o filme mesmo assim já tem duas horas e muito provávelmente uma história paralela desenvolvida iria quebrar o ritmo dos acontecimentos dramáticos centrais por isso não é grave.

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Até porque o fica a menos na história pessoal da familia da miuda, sobra na intensidade cruel e completamente grunha da personalidade do seu padrasto; (não esquecer também a -avó-) e o actor dá muito bem conta do recado “preenchendo” algumas lacunas com a intensidade da sua prestação incrivelmente natural, assustadora e ao mesmo tempo totalmente credível e carismática.

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CLASSIFICAÇÃO:

Os dramas Sul Coreanos começam a surpreender-me (pela forma como trabalham velhos temas com uma estrutura muito actual e criativa) mas deste não estava nada à espera, especialmente quando os primeiros minutos pareceram tão simples e tudo indicava um drama curioso mas mediano. Enganei-me.

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Portanto [“A girl at my door”] leva sem sombra de dúvida também a classificação mais alta neste blog pois a história é do melhor para quem gosta de vibrar com temas intensos que agitam consciências.
Não irão rever isto muitas vezes, mas enquanto dura é de nos deixar em estado de trepidação até ao último minuto.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque só os actores valem o filme.

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A favor: as actrizes e o actor principal são excelentes, alguns secundários idem, a história começa de forma simples mas depois desenvolve-se de uma forma que nos agarra até ao minuto final, o local onde filmaram isto é muito bonito, a realização é excelente e nem damos por ela, o filme tem duas horas e nem damos por o tempo passar.
Contra: falta desenvolvimento na motivação da crueldade contra a rapariga por parte do padrasto pois a explicação presente não parece suficiente para que o tipo e o resto da família sejam umas bestas, contém um par de histórias muito terciárias que não encaixam também muito bem pela mesma razão de saberem a pouco em termos de pormenores para a motivação dos personagens ou acontecimentos (ver, o emigrante indiano por exemplo).

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

MAKING OF

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3661798

E agora passemos ao filme 201 , a ver quando chegamos por aqui aos 300.
Este blogo começou em 2008 e levou 8 anos para atingir 200 filmes, embora na verdade tenha estado parado mais de um ano por vários motivos.
Portanto vamos seguir em frente pois bons títulos para recomendar parecem não faltar ultimamente.

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Se gostou da intensidade deste , poderá gostar de:

capinha_failan capinha_bedevilled

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Hello, Schoolgirl (Soon-jeong-man-hwa) Jang-ha Ryu (2008) Coreia do Sul


Não. Isto não é um thriller sobre pedófilos babados que fazem esperas às miudas das escolas para lhes oferecerem chupa-chupas.
Mas podia…
No entanto, eu sei que [“Hello, Schoolgirl”] soa um bocado … creepy em estilo pedófilo… ou pelo menos indica logo que o filme vai ser daqueles fofinhos de meter vómito. Pois é…

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Acontece que este é mais do que isso também, sendo uma pequena surpresa e portanto tinha mesmo que o recomendar aqui. Não é obrigatório, mas é um excelente complemento se já viram tudo o que tenho recomendado de melhor neste género romantico oriental.
Além disso pertence àquele tipo de cinema típicamente sul-coreano que nem é comédia, nem é drama pois na verdade é quase um estilo à parte e quando é bem feito tem imenso charme o que é o caso.

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Vocês não sabem, mas eu vejo muitos mais filmes do que aqueles que normalmente até recomendo aqui neste blog. Inclusivamente tenho bastantes que já vi mas que por uma razão ou outra ainda não me apeteceu falar deles.
Pelo meio de tanto filme de vez em quando a minha procura por bom cinema romântico oriental para satisfazer os pedidos reflectidos nas estatísticas deste blog, faz com que me depare com bastantes filmes genéricos do género, pois a Coreia do Sul está cheia de produções assim e à partida parecem todas iguais, pois no oriente também se faz cinema banal.

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Já tenho visto muita coisa de que simplesmente nem vale a pena falar por aqui. Ás vezes nem são maus de todo, mas simplesmente não têm nada que me faça gastar tempo para falar bem ou mal desses títulos.
Por outro lado, este é mais um daqueles que me pedem para recomendar , pois a procura por filmes românticos continua em alta neste blog e sendo assim não podia deixar de passar este título. Simples mas que se recomenda.

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À primeira vista este [“Hello, Schoolgirl”] parecia mais do mesmo e o título não prometia muito também. No entanto deparei-me com alguns comentários pela net que o recomendavam pois parece que o trailer não transmitia a verdadeira essência da história. Sendo assim, fui espreitar e fiquei agradávelmente surpreendido.
Na verdade a principal razão porque estou agora aqui a falar de [“Hello, Schoolgirl”] é porque este é mais um excelente exemplo de um filme muito simpático e cheio de personalidade, mas que jamais seria produzido pelo cinema americano.
É mais um título daqueles que demonstra bem a diferença entre aquilo que são histórias românticas escritas no oriente e os enlatados produzidos a metro sem alma que passam por romance no habitual cinema saído do Hollywood comercial onde tudo tem que ter uma fórmula reconhecível e testada.

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Imagino os autores desta história a tentar encontrar financiamento para
[“Hello, Schoolgirl”] em Hollywood:

– Então e a vossa história é sobre o quê ?…
– Bem na verdade é sobre nada.
– Hm ?
– É sobre dois pares de protagonistas que se apaixonam, sobre guarda-chuvas, estações de metro e máquinas fotográficas.
– E sexo, mete tensão sexual ?
– Bem, o nosso protagonista tem 30 anos e apaixona-se por uma estudante de 18 anos e…
– Isso é  bom, isso é bom…já estamos a ver, máquinas fotográficas, estudantes de liceu, internet…sexo online.
– O senhor não está a perceber a ideia…Também temos um rapaz de de 22 que mente na idade para se aproximar de uma rapariga de 29 anos pois apaixonou-se por ela no metro e…
– Ah, vai ter triângulos amorosos com adolescentes já vi, sexo e…
– Não mete sexo.
– E traições ? Rivalidades , cornos…
– Bem, não… não há conflito entre os personagens de espécie alguma…temos a mãe da rapariga que fica um bocado incomodada por um homem de 30 anos gostar da sua filha e vai lá a casa para f…
– Ah… e esse gajo come a mãe da miuda ! Já estou a ver, a pita chega a casa  e encontra a mãe debaixo do trintão…já estou a ver , isto poderia chamar-se as… 30 Sombras da Traição … é bom, é bom…isto filma-se… já estou a ver a Natalie Portman…
– Mas… ela vai lá a casa só para falar com ele, porque…
– E depois têm a outra de 29 anos que também está desejando de saltar para cima do outro puto, não é ? Já estou a ver as bilheteiras … a polémica…
– Na verdade não. Não se passa nada disso…não há intrigas de qualquer espécie, apenas personagens que passeiam, vão ao cinema, tiram fotos, apanham chuva…
– Vão ao cinema ? Passeiam ?…
– … ehm…de mãos dadas…
– Está a brincar comigo… e accção, porrada, tecnologia ?!
– … e depois eles tiram bonecos de peluche de máquinas de jogos…
– Alguém que me chame o Michael Bay por favor !!!

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[“Hello, Schoolgirl”] distingue-se precisamente por isto. Mais uma vez estamos na presença de uma história romântica que não segue qualquer cliché que estamos habituados a ver no cinema americano; muito menos no cinema sobre adolescentes. [“Hello, Schoolgirl”] apesar do título teen, é mais um daqueles pequenos filmes que se calhar irá agradar muito mais aos mais crescidos, pelos sub-tópicos que aborda sem nunca nos atirar coisas à cara.

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[“Hello, Schoolgirl”] é uma história sobre diferença de idades, mas não da forma melodramática que vocês esperam, faz-nos pensar no assunto sem no entanto pregar qualquer moral ou manipular opiniões; é também um filme sobre o isolamento e a solidão que pode ocorrer na rotina das grandes cidades; ao mesmo tempo é sobre saudade e sobre a forma como esta se pode tornar numa prisão e impedir que coisas boas aconteçam porque não estamos a prestar atenção quando elas aparecem. E é um filme sobre o amor na forma mais simples, sem dramas, preconceitos ou convenções sociais.

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Tudo filmado por entre um argumento que parece nem existir. [“Hello, Schoolgirl”] não tem realmente qualquer tensão dramática da forma que estamos habituados a ver no cinema ocidental e no entanto consegue passar muitas das mesmas mensagens sem precisar de recorrer à tipica cena que já estamos fartos de ver. Aqui não há cruzamentos, mal-entendidos, separações por ciúmes, brigas adolescentes e teen angst ao estilo ocidental.

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[“Hello, Schoolgirl”] é uma história sobre crescer. Sobre o que isso acarreta, sobre o que traz de bom e sobre o que aquilo que parece bom na liberdade de sermos adultos também pode traduzir-se em solidão e incompatibilidade com o mundo em redor.
O filme tem uma duração muito anómala para este tipo de filmes. [“Hello, Schoolgirl”] parecia ser à partida uma daquelas comédias juvenis românticas Sul Coreanas que não chegam aos 90 e no entanto tem practicamente duas horas que passam a correr.
Quando damos por nós, estamos agarrados pelos personagens.

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Curiosamente contêm algumas surpresas, nomeadamente no que toca à resolução das histórias de amor…rapaz de 30, miuda de 29, rapaz de 23, miuda de 18… pronto, está visto onde elas se vão cruzar. Bem, na verdade como boa história de amor sul-coreana, também aqui há um twist. Não é nada do outro mundo, não esperem surpresa, mas justifica o coração emocional do filme e liga vários personagens secundários à trama principal…ou à aparente falta dela.
[“Hello, Schoolgirl”] é realmente um bom exemplo de como podem ser simples as histórias de amor orientais sem nos darem aquilo que sempre esperamos enquanto espectadores.

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Sendo assim, é mais um pequeno grande filme muito simpático que se recomenda vivamente. Os actores são carismáticos, a sua realidade é perfeitamente credível, as suas histórias criam empatia e é um daqueles filmes com alguns momentos fofinhos de meter vómito mas que no entanto resultam e nos fazem entrar para aquele mundo.

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É também um exemplo perfeito daquilo que eu costumo chamar “cinema telemóvel” e que só existe no oriente. Estamos mais uma vez na presença de uma história que só existe nestes moldes porque se inventaram as redes móveis, o wifi e as comunicações móveis. Sub-género em que os Sul Coreanos e os Japoneses são mestres, pois muitos dos diálogos cativantes são precisamente trocados gráficamente com sms no ecran entre os protagonistas em estilo pop-up colorido.

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CLASSIFICAÇÃO

Segundo li, parece que [“Hello, Schoolgirl”] é a adaptação de um Manga ou de um Anime televisivo de segunda linha mas de sucesso e pelo que consta é bastante fiel ao espírito do trabalho original em termos de personagens.
Independentemente de tudo é um título simpático que agradará a quem quiser mais um filminho romântico oriental, daqueles que é um prazer seguirmos até ao fim.
É melhor,  mais adulto e mais profundo do que aparenta no trailer.

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Trés tigelas e meia de noodles sem qualquer problema.

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A favor: é uma história com um sub-texto mais complexo do que aparenta, bons personagens, evita um par de clichés de forma excelente, boas interpretações, tudo muito simpático e duas boas histórias de amor que evoluiem de forma algo diferente do costume, agradará não apenas aos adolescentes mas talvez faça pensar um adulto ou dois.

Contra: o trailer faz o filme parecer mais adolescente do que na realidade é, a história muito simples com uma duração tão longa por vezes equivale a um ou dois momentos desnecessários que quebram um bocado o ritmo a meio do filme.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt1210837

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Outros títulos românticos de que poderá gostar:

Be With You Il Mare The Classic

Love Phobia cyborg_she_capinha_73x

concerto_capinha_73x My Sassy Girl

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Cinema_oriental_no_facebook

 

Wong Ka Yan /Wang jia xin (Wong Ka Yan) Wai-Hang Lau (2015) China


Não parece pelo trailer, mas  [“Wong Ka Yan”] é um filme menos adolescente do que aparenta ser na apresentação. Ou pelo menos não trata os adolescentes como burros.
É verdade que tudo gira à volta de uma paixão adolescente, de uma busca por um amor ideal mas este curioso pequeno filme chinês vai mais além do que se calhar precisaria ter ido para levar o público alvo às salas.

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[“Wong Ka Yan”] é uma daquelas histórias de amor muito simpáticas e há muito tempo que não via uma história aparentemente tão simples conter tantos pormenores emocionais significativos; os mesmos que se calhar só serão verdadeiramente interiorizados pelo público mais adulto pois a história aborda temas mais maduros sem nunca se fazer notar o seu peso.
Daí [“Wong Ka Yan”] ser um pequeno produto que irá agradar tanto a quem procura uma simples história de amor adolescente como quem admira o cinema romântico oriental pela forma como humaniza personagens e situações a um nível de simplicidade que nunca encontramos nos enlatados pseudo-românticos formuláticos saídos de Hollywood.

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É precisamente na humanização das pessoas que [“Wong Ka Yan”] brilha enquanto argumento romântico. Parte de uma simples história de amor adolescente para depois contar uma boa mão cheia de pequenas histórias paralelas que dão verdadeira alma aquilo que supostamente seria o centro do filme. Troca-nos as voltas com personagens que supostamente parece que vamos odiar e depois humaniza-os quando o espectador está desprevenido por exemplo. Tudo à volta de uma história central muito simples mas muito bem executada e cheia de carisma.

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Um dia um rapaz conhece uma rapariga que vende bilhetes num cinema de Hong Kong e apaixona-se por ela. Quando tenta contactá-la novamente descobre que esta já não trabalha no local e a partir daí , o nosso heroi (com a ajuda de uma amiga) entra numa demanda pessoal para tentar reencontrar a sua paixão com todos os meios ao seu dispor.
A rapariga que ele procura chama-se Wong Ka Yan, o que logo dificulta as coisas, pois aparentemente este é um nome comum tanto para raparigas como para rapazes lá pelas bandas de Hong Kong, o que o leva a cruzar-se inevitávelmente com essas pessoas “erradas” e sem querer a sua presença pelos motivos errados, muda as vidas de muita gente pelos motivos certos.

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O que há partida seria mais uma história de amor adolescente sem chama extremamente aborrecida para o público adulto, ganha vida quando de repente percebemos que a cruzada pessoal do heroi não é mais que um motivo para mostrar como pessoas de todos os estratos sociais com histórias de vida individuais podem ser tocadas e unidas por um acontecimento exterior às suas próprias vidas. [“Wong Ka Yan”] é um filme simpático com muitos momentos bonitos que nos deixa a pensar e nos faz ponderar se também a história pessoal de alguém que não conhecemos ainda algum dia poderá mudar as nossas próprias vidas no momento certo. É um filme sobre encruzilhadas e principalmente sobre o tempo certo para que as coisas aconteçam.

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[“Wong Ka Yan”] está cheio de personagens fantásticos mas muito simples mesmo.
No entanto, é fascinante como até mesmo aqueles que apenas têm um par de minutoso de tempo de ecran conseguem cativar-nos pela sua personalidade e nunca nos lembramos que por detrás daquelas pessoas estão actores; (inclusivamente grandes actores populares dos tempos aureos do cinema de Hong Kong que (dizem os entendidos) neste filme têm breves cameos).

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São essas pequenas histórias que depois nos agarram. Temos o senhor do cinema que se tornou porteiro do mesmo, um dia 35 anos atrás só porque também se apaixonou por uma miúda nessa época e espera até hoje que ela regresse para verem mais um filme juntos (um toque de argumento que irá agradar a todos os fãs do Cinema Paradiso), temos a rapariga desencantada com o mundo e que se limita a gerir um restaurante familiar tradicional agora ameaçado pela abertura de um restaurante de luxo mesmo em frente, temos o guitarrista que sonhou ser uma estrela dos Beatles e agora finge-se de estrangeiro para poder cobrar mais dinheiro como professor de guitarra e mais um par de pequenas histórias que serão ligadas quando o jovem heroi do filme se cruza com os seus protagonistas durante a sua própria busca pessoal por um amor sonhado.

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Mas não se pense que a história principal sai a perder no meio de tanto pormenor secundário interessante; [“Wong Ka Yan”] brilha também porque nos consegue manter agarrados à busca do heroi utilizando um pormenor que nos faz passar todo o filme sem sabermos se desejamos que ele encontre a rapariga por quem está apaixonado, ou não.
Isto porque entre as pessoas que o decidem ajudar na busca, está a outra miuda; também chamada Wong Ka Yan e que imediatamente se apaixona pela preserverança do nosso heroi. [“Wong Ka Yan”] o filme, joga muito bem com essa dinâmica para criar empatia com o espectador. Se por um lado desejamos que o filme acabe bem…por outro lado… a partir de certa altura já não sabemos bem… o que será o filme acabar…bem. Damos por nós sem saber por que lado torcer e nada parece forçado no argumento.

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Até nos esquecemos que [“Wong Ka Yan”] é apenas uma história. Embora conste que isto foi baseado num popular caso real que aconteceu em Hong Kong precisamente lá pelo início dos anos 90 precisamente o que contribui para dotar este filme de um charme especial que só lhe fica bem.

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Isto pode parecer um mecanismo de argumento simples já visto várias vezes, mas é aqui que o cinema oriental sabe brilhar. Tudo funciona de uma forma tão natural que nos esquecemos que estamos a ver um filme ou um grupo de actores. Mais uma vez a humanização dos personagens é aquilo que torna outra love story como esta absolutamente cativante. Tem uns pózinhos de Cinema Paradiso e em muitas alturas poderia ser um Anime de Makoto Shinkai pois faz inclusivamente lembrar alguns dos melhores momentos de “5cm per second” não visualmente mas na forma como o argumento está delineado, especialmente lá pelo final da história.

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Precisamente [“Wong Ka Yan”] para mim só tem um problema. O final.
Não pelo que acontece pois acho que mais uma vez temos um argumento que evita todo o cliché a que estamos habituados a ver no cinema romântico ocidental, mas pela forma como o realizador escolheu filmar e montar a forma como tudo acaba.
Se [“Wong Ka Yan”] tem uma falha, eu por mim concordo com grande parte da crítica que apontou também este pormenor e também acho que “técnicamente” o segmento final deste filme não deveria ter sido resolvido assim. Especialmente porque toda esta história assenta na empatia que o espectador cria com a busca pessoal do heroi e portanto o desenlace da história poderia ter sido abordado de uma forma mais consistente com a empatia que o fime soube criar  quase até ao desenlace quando chega aos minutos finais.

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Essa “falha” prejudica até o pequeno (e inevitável)twist” presente na história quando algumas pontas soltas se juntam. Isto porque a estrutura do filme parece de repente já não ser a mesma e nós enquanto espectadores sentimos isso, o que nos retira do filme e anula um pouco da empatia que tinhamos sentido até então para com os personagens.

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Mas não deixem que isto os afaste de [“Wong Ka Yan”].
Se procuram bom cinema romântico oriental este é um título a ver obrigatóriamente. Nunca estará no topo da minha lista de recomendações, mas é uma pequena grande história de amor que vale mesmo a pena verem, especialmente se procuram cinema do género e já viram tudo o que tenho recomendado nos últimos anos.
Curiosamente também, é um filme chinês e não japonês ou sul coreano, o que é de registar. Raramente o cinema chinês produz histórias de amor que ficam na memória quando comparado com a quantidade de titulos fabulosos que existem no cinema do Japão ou da Coreia do Sul e portanto este é um titulo a ver quanto mais não seja para poderem comparar (e se procuram outros titulos românticos chineses bastante especiais, não percam “Love in Space“, “A time to love“,”Fly me to Polaris” entre outros filmes que podem encontrar no meu top de cinema romântico oriental ).

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[“Wong Ka Yan”] passa-se em 1992 e em 2015 e os dois períodos estão fotografados de forma diferente o que resulta plenamente em termos visuais.
O filme tem uma boa realização, excelente ambiente e cenários  (a ilha onde mora o protagonista) e cada frame está carregado de pormenores que tornam algumas das imagens desta história em verdadeiros quadros urbanos com uma atmosfera muito poética e extremamente nostálgica.
Uma coisa muito curiosa, está no facto de apesar de [“Wong Ka Yan”] contar uma história de adolescentes com personagens supostamente adolescentes, eu ia caindo para o lado quando li que o actor protagonista já tinha na verdade 32 anos de idade quando filmou esta historia no ano passado !! E o restante elenco “adolescente” apesar de parecer bastante novinho também conta com actrizes  muito mais velhas do que aparentam ser nos seus personagens, o que é absolutamente notável pois todos os actores têm em média mais dez anos do que aquilo que aparentam ter no filme.

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Portanto, como a procura por cinema romântico continua a bater recordes de visitantes neste blog, cá vai mais esta recomendação.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se chegaram até este blog procurando por boas sugestões de cinema romântico oriental, [“Wong Ka Yan”] é mais um que podem juntar à vossa lista. Não é fabuloso, mas vale a pena. É um filme mais adulto do que aparenta ser, tem uma boa história e vão gostar muito de certos personagens.
Totalmente recomendável, pois é muito bom e um filme muito simpático com bons desempenhos de todo o elenco.

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Quatro tigelas de noodles, para já, mas aposto que este vai se tornar num daqueles que de vez em quando me vai apetecer rever e por isso não se admirem se a classificação subir futuramente. Há qualquer coisa de especial neste título…

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A favor: boa história que une muitas sub-histórias bonitas à volta de algo que prende a atenção, excelentes personagens onde até o mais secundário tem o seu momento, bom trabalho dos actores, boa realização, boa fotografia e é um filme que nos mantém interessados até ao final.
Contra: logo ao inicio nem parece nada de especial nos primeiros minutos, o desenlace final retira-lhe alguns pontos não pelo que acontece mas pela forma como está estruturado pois não recompensa o espectador por ter investido nos personagens durante 90 minutos da forma que deveria ter feito. A banda sonora não tem grande impacto e um filme fofinho neste estilo se fosse japonês ou sul-coreano teria certamente dado mais importância ao envolvimento musical.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3911074

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Outros títulos românticos totalmente recomendados:

 Be With You My Sassy Girl The Classic Il Mare

 capinha_love_in_space Fly me to Polaris capinha_in-the-mood-for-love capinha_midnight-sun

concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x capinha_my-girl-and-i

Mais sugestões no meu # TOP DE CINEMA ROMÂNTICO Oriental #

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Dragon Nest (Dragon Nest: Warriors’ Dawn) Yuefeng Song (2014) China/EUA


Se espreitarem a minha review para [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] no Imdb, hão de notar que lhe atribuí a incrível classificação máxima de 10 estrelas.

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Muita gente pensará que fiquei maluco, pois o que não faltam por aí são animações muito superiores tecnicamente ou no que quer que seja. Como raio me atrevi a dar uma nota tão alta a este filme no Imdb quando nem sequer aqui lhe irei atribuir a nota máxima ?
Bem, é tudo uma questão de contexto.
Passo a explicar.

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[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] quando comparado com o que de melhor se faz com muito dinheiro, se calhar não vale mesmo uma classificação tão alta. Acontece que a mim surpreendeu-me precisamente porque [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] não é uma produção de orçamento milionário e no entanto consegue atingir alguns patamares de qualidade ao longo de toda a narrativa que se calhar nem precisaria de atingir se o objectivo fosse apenas o de criar um desenho animado para vender aos putos em dvd mais tarde.

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Não só este filme consegue ter momentos de grande adrenalina como consegue o impossível de contar uma história com personagens interessantes de se seguir, sem se desviar um milimetro do típico cliché Dungeons & Dragons que já vimos mil vezes e que normalmente é logo garantia de que o resultado será um lixo.
Surpreendentemente não desta vez, o que na minha opinião torna [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] num excelente exemplo de como se calhar pode haver um bom resultado até mesmo com uma história já vista mil vezes. Está tudo na execução; principalmente na realização e este caso é particularmente interessante, pois a ultima coisa que eu esperava quando comecei a ver isto é que uma animação de segunda linha com um argumento já mil vezes batido e ainda por cima baseado num videogame fosse alguma coisa de jeito. E muito menos fosse apelativo para adultos.

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Sim para quem não sabe, [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é baseado num popular mmorpg chinês chamado precisamente “Dragon Nest” e que eu próprio joguei algumas vezes online durante algum tempo. Não costumo ter tempo ou paciencia para videogames online (e detesto jogar em computador), mas este “Dragon Nest” cativou-me pelo aspecto gráfico, pois desde o início sempre criou um mundo de fantasia bastante baseado num estilo de desenho animado que me atrai particularmente enquanto ilustrador. Foi precisamente esse mesmo estilo visual a fazer lembrar um livro de contos ilustrados, que me fez ir espreitar o filme quando descobri que existia. Isso e o facto de ser uma produção de animação chinesa. Apesar de também contar com capital americano, a execução é essencialmente made-in-china e logo isso deu a [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] um estilo diferente daquilo que estamos habituados a ver no típico cinema de animação ocidental ou saído de hollywood.

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Numa altura em que a maioria das produções de fantasia, particularmente em desenho animado segue sempre a mesma história já vista milhares de vezes, na verdade eu não esperava grande coisa quando comecei a ver o filme, mas logo desde os primeiros minutos houve algo que notei de especial nele.
O que me chamou a atenção foi precisamente o facto de [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] ser um filme de acção intensa e totalmente non-stop desde o inicio. Normalmente isto é logo sinónimo de grande seca e repetição constante, mas desta vez o que achei extraordinário logo desde os primeiros minutos é que a acção não estava lá apenas para impressionar mas serve principalmente como veículo narrativo para contar a história. E isso é muito dificil de se fazer. Mais ainda é haver verdadeiro desenvolvimento de personagens enquanto as cenas de porrada mais caótica acontecem no ecran.

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Resumindo, logo desde o início [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] surpreendentemente não me pareceu de todo um filme vazio, destinado apenas a entreter as crianças.
Havia aqui algo muito interessante para agarrar o adulto que gostasse de cinema e principalmente o adulto que se interessar por ilustração pois o conteúdo visual desta história é particularmente interessante pelo seu estilo storybook ilustrado ao longo de toda a aventura.

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É verdade que a história deste filme é tudo menos original, os personagens são todos sem excepção apenas o típico cliché do D&D ou dos jogos de MMORPG, mas surpreendentemente funcionam muito bem desta vez pois quem dirigiu isto sabe perfeitamente como tirar partido daquilo que parece banal a uma primeira visão. É quase como se esta animação tivesse sido realizada por um bom director de actores que percebe que a magia não está apenas nos efeitos ou nas cenas de aventura mas principalmente nos personagens. Surpreendentemente [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] contém personagens com grande carísma e era a última coisa que eu esperava.

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Cada uma das suas personalidade cliché está muito bem integrada na narrativa central e cada desenvolvimento de personagem marca um ponto importante na história, serve como reviravolta ou apresenta uma revelação importante. Se isto não tivesse sido assim, um filme como este teria sido uma seca infantil descomunal, pois de certeza que teriam apresentado os poderes da cada personagem, apresentavam a missão e depois o resto seria uma sucessão de cenas de porrada estilo D&D intermináveis até ao confronto final com o vilão do costumo e pronto, the end.
Não em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”].

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Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] as cenas de acção são a cola que une toda a estrutura da história. Não só funciona, como  vão evoluindo até se tornarem absolutamente extraordinárias pela adrenalina que conseguem transmitir, especialmente nas cenas de grande batalha. Todas as cenas de acção são diferentes, muito imaginativas em termos de coreografia e acima de tudo muito bem realizadas; tudo ajudado por uma montagem excelente que se calhar passa despercebida.

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Pode-se dizer que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um verdadeiro filme de acção e muito cinema live-action deveria aprender aqui como se usam cenas de porrada pura e dura para fazer avançar uma história sem precisar de ser uma parvalheira sem qualquer conteúdo ao pior estilo Michael Bay por exemplo. Tomara muito cinema de Hollywood saber usar a acção como esta quase anónima produção de médio orçamento chinesa o sabe fazer. Nenhum fotograma se perde e tudo tem um propósito na narrativa da aventura mais estereotipada que vocês alguma vez poderão ver tão bem estruturada.

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Isto é um filme muito bem planeado meus amigos. Pode parecer apenas mais outro filme para criancinhas mas [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é realmente um produto comercial muito bem realizado. A última coisa que eu esperaria de um filme animado obscuro baseado num videogame que nem sequer é particularmente popular por estas bandas.
Foi um dos melhores filmes de acção que vi no ano passado e não estava nada á espera disto. Na verdade já ando para recomendar esta aventura há muitos meses por aqui, mas queria voltar a ver o filme para ter a certeza que não tinha imaginado coisas. Desde lá já o revi quatro vezes e continua a divertir-me plenamente com as suas qualidades. Sendo assim estava na altura de o recomendar por cá.

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Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] todos os personagens criam uma empatia com o espectador e realmente nos importamos com eles em todas as cenas de batalha em que se envolvem pois nada nos garante que não morram a seguir e isso foi uma das coisas que mais gostei nesta produção animada. Ainda estou a tentar perceber como os criadores desta animação que mal tem 80 minutos conseguiram encontrar forma de dotar os bonecos com tanta vida. Especialmente quando em pelo menos 85% do filme temos cenas de acção e aventura carregadas de adrenalina e humor. Àprimeira vista não haveria espaço para desenvolvimento de personagens no sentido mais tradicional, onde normalmente a acção pára para que aconteçam momentos de exposição e no entanto não é pelos personagens que este filme iria afundar. Quem filmou isto sabe como contar uma história.

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[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é mais um bom exemplo de como o cinema oriental sabe criar personagens realmente humanos que criam verdadeira empatia com o espectador e contam com um carísma absolutamente natural até quando não passam de bonecos animados como é o caso. O cinema oriental mostra bem como se criam personagens com que nos importamos, até mesmo quando estes são um dragão que mal tem um par de linhas de diálogo para dizer.

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No seu todo, acho que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia. Não tem um pingo de originalidade no que toca ao conceito ou a sua história, mas o que faz, faz mesmo muito bem e a sua originalidade está em conseguir fazer tudo resultar de uma forma que nos diverte e surpreende pela qualidade que foi aqui atingida mesmo quando tudo parece não passar de mais um daqueles desenhos animados destinados aos dvds de promoção no fundo das prateleiras em supermercados.
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] devia ser um versadeiro case study de como se cria cinema de acção com alma independentemente de ser animação ou não.

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Os personagens são variados, os ambientes são perfeitos e apesar de não ter muita variedade ou mostrar um mundo muito grande, ainda conta com um par de boas paisagens de fantasia que ficam no olho e na memória pois em termos de design [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] soube ir buscar o melhor do estilo visual do jogo e expandir os melhores elementos o melhor que o seu orçamento o permitiu certamente.
No entanto em termos de geografia, sente-se alguma limitação, isto porque o seu mundo de fantasia parece muito bonito mas na maioria das vezes sentimos que estamos apenas a ver alguns vislumbres de um universo mais vasto que merecia ter sido mostrado e nunca nos é aberto como deveria ou merecia ter sido. Restrições de orçamento certamente.
De qualquer forma, eu adorei.
Só há uma coisa neste filme que eu detestei.
O final abrupto.

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Estava a divertir-me à brava com isto, esperando por um epílogo final realmente impactante que tivesse a ver com todo o tom do filme quando de repente…ACABOU !
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] acaba de uma forma tão repentina que sinceramente pensei que isto seria o primeiro episódio de uma série televisiva qualquer.
Soube agora ao preparar-me para esta review, que vai sair, ou já existe uma sequela, pois o filme parece ter sido um sucesso lá pela China e parece que já há continuação. Óptimo !

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Muito provavelmente se procurarem por este filme irão apenas a versão dobrada em Inglés quando o seu original é em Mandarim. Na verdade a versão inglesa não me chateou particularmente. É diferente da original, mas ambas têm os seus pontos altos e baixos e ambas funcionam melhor numas alturas do filme do que outras. Neste caso será portanto uma questão de escolha. Se encontrarem a versão chinesa original , óptimo; se virem apenas a versão dobrada em inglés também não será por aí que deixarão de apreciar este pequeno filme que provavelmente passou ao lado de muita gente.

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Até porque lembrem-se , [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é uma produção chinesa e não é anime japonês. Embora contenha óbvias influências de vários sitios , o facto deste filme não ser nem japonês nem americano, faz com que tenha um estilo diferente daquele que estamos habituados a ver e quanto a mim isso é excelente.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia para quem procura cinema do género, independentemente de ser desenho animado ou não e independentemente de ter a história menos imaginativa de todos os tempos. Consegue superar tudo isso para nos dar uma aventura de animação que não irá aborrecer os adultos de morte (se se interessarem por fantasia) e ao mesmo tempo irá agradar às crianças.

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Cinco tigelas de noodles porque tudo o que faz, faz muito bem e não precisava de ter feito para ser um produto comercial rentável.

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A favor: usa a acção para criar desenvolvimento de personagens e fazer avançar a história, os personagens são excelentes e criam grande empatia com o espectador, a história parece básica como o raio mas contém bons momentos de humor (até para adultos) que a fazem destacar-se da comum banalidade que encontramos neste tipo de aventura para crianças.
Boa animação (num estilo diferente), adoro o estilog gráfico e a cor, bons cenários, aventura divertida e um filme muito boa onda em todos os aspectos.
Contra: acaba de repente, algumas pessoas no imdb parecem não perceber que animação de qualidade não tem que ser sempre igual ao que a Pixar faz e não há mal nenhum por o estilo visual de um filme se parecer com o que existe no videogame original. Se para vocês o bom cinema não pode passar sem uma história original esqueçam este pois não tem um pingo de originalidade no seu argumento. Sente-se que o mundo de fantasia poderia ter sido mais mostrado no ecran e no entanto as paisagens grandiosas são sempre algo limitadas talvez devido à falta de orçamento para criar mais detalhes para este mundo.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2911342

Comprar em DVD
http://www.amazon.co.uk/Dragon-Nest-Warriors-Dawn-DVD/dp/B00W5AVE9Y/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1457288499&sr=8-1&keywords=dragons+nest

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Kiki’s Delivery Service – Majo no takkyûbin – Takashi Shimizu (2014) Japão


[“Kiki´s Delivery Service”] logo à partida é um daqueles filmes de que me apetecia gostar mesmo muito !
Practicamente tal como aconteceu com toda a gente que conhece o filme animado original, também eu fiquei absolutamente surpreendido quando descobri que alguém tentou passar esta história para live-action.

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Mais surpreendido fiquei, quando descobri que a pessoa que o tentou fazer foi precisamente Takashi Shimizu que é bem mais conhecido por provocar ataques cardíacos a quem pensa que não tem medo de filmes de terror através dos seus excelentes JU-ON.
Portanto encontra-lo agora por detrás das câmeras naquela que é provavelmente uma das histórias japonesas mais emblemáticas e fofinhas de todos os tempos é algo com que eu não contava de todo.

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Para quem não sabe [“Kiki´s Delivery Service”] na sua origem é um dos mais populares (e esgotados) romances para crianças Japoneses publicado em 1985. Apesar de ser algo praticamente desconhecido aqui pelas bandas do ocidente, o livro original lá pelo Japão é quase uma espécie de Harry Potter muuuuuuito antes de Harry Potter, isto em termos tanto de popularidade como de criatividade.
No entanto, [“Kiki´s Delivery Service”] por cá ficou bastante popular não pelo livro mas pelo trabalho de Hayao Miyazki que em 1989 adaptou pela primeira vez o romance original Kiki ao cinema tendo produzido a obra prima que é a sua versão anime “Kiki´s Delivery Service” que não só na minha opinião mas de muita gente é simplesmente um dos melhores desenhos animados e filmes para todas as idades de todos os tempos; só comparado a outras produções do realizador, como “My Neighbour Totoro” ou “Laputa Castle in the Sky”, talvez.

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Por isso quando se soube que iria haver um remake em live-action para [“Kiki´s Delivery Service”], toda a gente ficou em enorme expectativa, pois com uma história destas a coisa tanto poderia ser brilhante como dar seriamente para o torto.
O que ninguém esperava é que ficasse a meio termo e isso é quase pior do que ter realmente dado para o torto.
Estranhamente esta nova versão é verdadeiramente decepcionante em muitos aspectos, enquanto que noutros nos dá um breve vislumbre da magia que poderia e deveria ter tido !

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Logo do início apetece-nos mesmo gostar muito de [“Kiki´s Delivery Service”]. Eu próprio nos primeiros 15 minutos achei que lhe iria atribuir sem sombra de dúvida pelo menos cinco tigela de noodles na minha apreciação final. Mal podia esperar que o filme acabasse para dizer ao mundo o quão genial esta nova versão era.
Infelizmente passados mais quinze minutos percebi que algo estava sériamente errado com este filme.

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Comecemos pelo que tem de positivo.
Embora não tente adaptar de forma óbvia o mundo desenhado por Hayo Miyazaki é perceptível que este foi inevitávelmente uma inspiração inicial para o design de produção desta adaptação live-action. E ainda bem. Infelizmente não podemos contar com aquela maravilhosa cidade em estilo steampunk victoriano que nos deslumbrou a partir do meio da adaptação Anime, até porque duvido que houvesse orçamento para recriar algo assim, mas a verdade é que apesar da ausência de balões e dirigiveis no céu, continua a sentir-se algo de especial nos cenários que representam a ilha para onde Kiki vai trabalhar.
Se esta versão ainda consegue ter alguma magia, muito deve à cenografia de certas pequenas sequências em que Kiki voa ou interage com as pessoas da cidade para onde vai viver.

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Incialmente as cenas passadas na aldeia onde Kiki nasceu também são visualmente muito bonitas, mágicas e atmosféricas. Sente-se um ambiente demasiado plástico por causa do óbvio CGI de alguns cenários que depois não ligam bem com o set design interior, mas nem isso quebra a primeira boa impressão que temos com o visual da história.

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Também gostei da escolha para interpretar a Kiki. Esta actriz tem sido algo atacada pela sua caracterização decepcionante de um personagem que toda a gente estava habituado a ver em animação, mas na minha opinião penso que não é por causa dessas óbvias diferenças que [“Kiki´s Delivery Service”] se torna um filme muito mais decepcionante do que deveria ter sido.
Esta Kiki, também é apontada como sendo demasiado velha para o papel. Nisso é verdade, a rapariga não parece própriamente ter 12 anos e está um bocadinho demasiado madura para um papel tão infantil, mas penso que é algo que enquanto espectadores acabamos por ultrapassar porque acho que a jovem actriz trouxe muita vida e frescura a este personagem. A alma do personagem está lá.

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Uma coisa que é absolutamente fabulosa nesta produção são as paisagens naturais que este filme mostra e para mim só peca não terem mostrado ainda mais. Não sei até que ponto estes locais apresentados existem realmente, mas se existirem com esta beleza eu por mim mudava-me já para aqui hoje mesmo, pois isto em termos de inspiração para o meu trabalho de ilustração seria absolutamente fantástico.
Curiosamente na internet não se encontram imagens destes bocados do filme e portanto não lhes posso demonstrar como são realmente bonitas e mágicas todas as localizações naturais por onde Kiki voa na sua vassoura de bruxinha.

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O que me leva a coisas menos boas…ou talvez não.

Os efeitos especiais em [“Kiki´s Delivery Service”] oscilam entre o excelente em pequenos breves segundos que mostram Kiki a voar por cima de algumas paisagens fabulosas e o atroz ! Mas atroz mesmo !!!
Inicialmente os cenários CGI medianamente produzidos já tinham sido um pequeno alerta de que este filme provavelmente não teria tido um bom orçamento para coisas desta, mas nada me preparava para montagens contra ecran verde dignas de um filme do inicio dos anos 90 numa produção de 2014. Muito menos ainda numa produção como [“Kiki´s Delivery Service”] que pedia acima de tudo um orçamento bem generoso para bons efeitos especiais !!

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E não é porque os efeitos especiais orientais sejam regra geral obrigatoriamente piores do que o que se faz em Hollywood. Muito pelo contrário. O que não faltam por aí são excelentes exemplos de óptima animação CGI em cinema japonês contemporâneo (este blog está cheio deles) e portanto não se percebe porque precisamente um filme como [“Kiki´s Delivery Service”] que depende realmente muito de excelente efeitos para ser eficaz se espalha ao comprido mesmo onde deveria ter brilhado mais.

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Filmar [“Kiki´s Delivery Service”] sem dinheiro para efeitos especiais é quase como tentar produzir os novos Star Wars com um orçamento de série-B caseiro.
Algumas cenas em que Kiki voa na sua vassoura são absolutamente péssimas e o problema é que isso retira imediatamente o espectador adulto de dentro daquela atmosfera mágica que nos deveria conseguir iludir do principio ao fim.
Aliás, tal como muita gente já comentou, o grande problema desta nova versão de [“Kiki´s Delivery Service”] é que na sua essência é um produto que só conseguirá agradar verdadeiramente a crianças pequenas; enquanto que a versão anime de 1989 é uma adaptação realmente para todas as faixas etárias apesar de ser um produto animado.
Esta nova versão de [“Kiki´s Delivery Service”] está imediatamente datada e ainda nem sequer tem um ano.
As sequências de acção na aventura final são completamente desinteressantes porque por esta altura já o espectador não aguenta ver mais CGI e montagens amadoras e só pensa em ir rever o desenho animado original para recuperar.

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Eu não conheço o livro mas sei que também Miyazaki em 1989 não adaptou o romance de forma integral ou particularmente fiel ao texto do romance. O que me leva a pensar que se calhar ele estava muito certo.
Isto porque se esta nova versão live-action estiver bem mais próxima do conteúdo do livro, então foi bom a versão animada ter ignorado toda a parte da história que aparece agora nesta produção moderna. Pessoalmente depois de ver este filme fiquei sem vontade nenhuma de ler o livro…

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A partir do momento em que Kiki chega à sua cidade adoptiva, toda a história deixa de se parecer com o que vimos no Anime de Miyazaki e entra por uma série de sequências episódicas absolutamente desinteressantes, com vários sub-plots que aparentemente pretendem mostrar a evolução e amadurecimento emocional da personagem mas só aparecem no écran como cenas dramáticas absolutamente falhadas, pois o filme nunca se decide o que quer ser; se um drama se uma história de magia.
O sub-plot sobre a antiga bruxa que perdeu a vontade de cantar é absolutamente de nos colocar a dormir a meio por exemplo. Se isto está no romance original, ainda bem que a versão Anime ignorou esta sequência pois quebra o ritmo da narrativa de uma forma que simplesmente não resulta em filme. Para agravar a actriz que faz de bruxa ex-cantora não tem qualquer carisma e parece inclusivamente estar a fazer um frete por ter entrado nesta produção para crianças.

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Para piorar as coisas, [“Kiki´s Delivery Service”] a partir do meio parece ser também sobre o salvamento de um hipopótamo noutro sub-plot que não lembra ao diabo e onde ainda por cima encontramos um dos grandes exemplos do pior CGI animado nesta produção. É de ver para não querer crer no que vemos.
Mau, mau, mau !

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E por falar em  diabo; pior ainda é o gato da Kiki !!!
Aquele que era um dos personagens que mais alma tinham no desenho animado e um dos bonecos mais fofinhos de sempre no cinema japonês ( a par com Totoro ), aqui em [“Kiki´s Delivery Service”] a gata Jiji, é nos apresentada como uma espécie de gato dos infernos. Um bichano que só pode estar possuído pelo demónio, feio como o raio, inesperadamente antipático e totalmente incapaz de criar qualquer empatia com o espectador, o que na minha opinião é verdadeiramente o grande tiro no pé deste filme.
Comparem só o gato do filme com a sua versão cute do Anime. Qual destes gatos é que vocês usariam no vosso ritual satânico preferido ?

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[“Kiki´s Delivery Service”] até poderia ter tido os efeitos mais foleiros de sempre (quase); os sub-plots até poderiam ser desinteressantes (são), mas agora o que nunca, nunca deveria ter tido era uma total ausência de carisma nos personagens ! Muito menos ter representado a gata Jiji da forma que é caracterizada neste filme !!
E é melhor nem me perguntarem a opinião também sobre a animação deste boneco…

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Tirando Kiki, todos os personagens em [“Kiki´s Delivery Service”] ou são irritantes como o raio, ( o idiota marido da padeira não serve para nada; a padeira idem ), ou são absolutamente desinteressantes e um total vazio dramático ( as adolescentes da cidade ) ou pior ainda estão lá para criar drama forçado sem qualquer razão ( a sobrinha da bruxa cantora, o tratador de animais do zoo ).
[“Kiki´s Delivery Service”] falha enquanto filme, não por todas as suas fraquezas técnicas mas acima de tudo nas suas fraquezas dramáticas, pois nunca por qualquer momento sentimos que Kiki está numa situação que nos interesse seguir; ao contrário do que acontecia no desenho animado.

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Até o personagem do rapaz que quer aprender a voar aqui é absolutamente estéril em termos dramáticos. E pior ainda é apresentado como um convencido sem qualquer empatia com o que o rodeia e nem por um instante nos interessamos por ele enquanto espectadores ou nos importamos com o seu destino.
Depois a história entra por um climax final sem qualquer nexo; a atmosfera muda para uma espécie de aventura na selva envolvendo cientistas e hipopótamos feridos e tudo nos faz perguntar a todo o instante onde está aquele [“Kiki´s Delivery Service”] que toda a gente queria ver numa adaptação moderna para cinema…

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Como muita gente já sabe, o filme conta a história de Kiki, a pequena bruxinha que vem de uma longa linhagem de bruxas que têm por tradição ajudar os humanos. Quando uma bruxinha faz treze anos esta deverá abandonar o lar dos pais, pegar na sua vassoura e ir viver ( e trabalhar ) sózinha durante um ano inteiro numa cidade onde precisem dos seus serviços e é o que acontece. Kiki muda-se para uma bonita vila à beira mar, mas nem tudo corre bem quando tenta ser aceite pela população.

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Entre hipopótamos sem interesse, bruxas que perderam a vontade de cantar e adolescentes irritantes a única coisa que se salva são mesmo os ambientes naturais lindíssimos e algumas breves sequências de vôo que surpreendentemente estão com montes de atmosfera e por momentos nos fazem pensar que o filme irá finalmente descolar e tornar-se absolutamente mágico.
Não vai.

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Portanto, [“Kiki´s Delivery Service”] tinha tudo para ser um filme inesquecível e é realmente um daqueles títulos de que apetece MESMO gostar muito, mas infelizmente passamos o tempo todo à procura de bons momentos que por vezes duram um segundo ou dois em tempo de ecran quando todo o filme deveria ser verdadeiramente mágico tal como o Anime de Myiazaki o foi em 1989.
É com muita pena minha que esta versão não irá ficar para a história e só ficará na minha memória porque adoro a adaptação anterior em desenho animado.

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CLASSIFICAÇÃO

Eu queria mesmo, mesmo gostar disto mas tenho que admitir que o filme é realmente decepcionante, acima de tudo porque um filme sobre magia, com um personagem fantástico como Kiki a bruxinha deveria ser verdadeiramente mágico e não é.

E pior ainda, [“Kiki´s Delivery Service”] nem sequer é verdadeiramente mau. Apenas é desinteressante. Mais valia que fosse insuportável e seria mais fácil cascar nele pelas suas falhas. Assim como está é apenas uma grande desilusão.

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Mesmo assim três tigelas e meia porque enquanto filme para crianças nem é mau de todo. Apenas deveria ter sido mais que um filme para crianças, tal como a versão Anime surpreendentemente consegue ainda ser.

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A favor: as paisagens naturais da ilha são incríveis, as cenas iniciais na aldeia da Kiki são um bom começo para o filme, os cenários da ilha e da vila para onde Kiki vai viver são muito bonitos e atmosféricos, tem uma boa fotografia que consegue tirar bom proveito da luz e da cor bonita que percorre toda a história, em termos de design notam-se algumas boas influências do próprio anime mas consegue ter uma identidade própria, algumas cenas de vôo (por breves segundos) são fantásticamente atmosféricas e entusiasmantes, a protagonista embora um bocadinho velha demais é uma boa Kiki.

Contra: a caracterização dramática de todos os personagens é um vazio, há personagens demasiado inúteis que não servem para nada, os sub-plots de argumento tornam o filme demasiado episódico e nunca o sentimos como sendo uma única história, o sub-plot com a bruxa cantora não tem qualquer interesse, a sequência de aventura envolvendo o hipopótamo é imbecil demais, os efeitos especiais são muito muito fracos com destaque para as péssimas animações CGI e as montagens amadoras com óbvio écran verde, é essencialmente um produto que só agradará mesmo muito a crianças quando deveria ter o mesmo apelo universal do desenho animado.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2865558

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