Kiki’s Delivery Service – Majo no takkyûbin – Takashi Shimizu (2014) Japão


[“Kiki´s Delivery Service”] logo à partida é um daqueles filmes de que me apetecia gostar mesmo muito !
Practicamente tal como aconteceu com toda a gente que conhece o filme animado original, também eu fiquei absolutamente surpreendido quando descobri que alguém tentou passar esta história para live-action.

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Mais surpreendido fiquei, quando descobri que a pessoa que o tentou fazer foi precisamente Takashi Shimizu que é bem mais conhecido por provocar ataques cardíacos a quem pensa que não tem medo de filmes de terror através dos seus excelentes JU-ON.
Portanto encontra-lo agora por detrás das câmeras naquela que é provavelmente uma das histórias japonesas mais emblemáticas e fofinhas de todos os tempos é algo com que eu não contava de todo.

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Para quem não sabe [“Kiki´s Delivery Service”] na sua origem é um dos mais populares (e esgotados) romances para crianças Japoneses publicado em 1985. Apesar de ser algo praticamente desconhecido aqui pelas bandas do ocidente, o livro original lá pelo Japão é quase uma espécie de Harry Potter muuuuuuito antes de Harry Potter, isto em termos tanto de popularidade como de criatividade.
No entanto, [“Kiki´s Delivery Service”] por cá ficou bastante popular não pelo livro mas pelo trabalho de Hayao Miyazki que em 1989 adaptou pela primeira vez o romance original Kiki ao cinema tendo produzido a obra prima que é a sua versão anime “Kiki´s Delivery Service” que não só na minha opinião mas de muita gente é simplesmente um dos melhores desenhos animados e filmes para todas as idades de todos os tempos; só comparado a outras produções do realizador, como “My Neighbour Totoro” ou “Laputa Castle in the Sky”, talvez.

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Por isso quando se soube que iria haver um remake em live-action para [“Kiki´s Delivery Service”], toda a gente ficou em enorme expectativa, pois com uma história destas a coisa tanto poderia ser brilhante como dar seriamente para o torto.
O que ninguém esperava é que ficasse a meio termo e isso é quase pior do que ter realmente dado para o torto.
Estranhamente esta nova versão é verdadeiramente decepcionante em muitos aspectos, enquanto que noutros nos dá um breve vislumbre da magia que poderia e deveria ter tido !

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Logo do início apetece-nos mesmo gostar muito de [“Kiki´s Delivery Service”]. Eu próprio nos primeiros 15 minutos achei que lhe iria atribuir sem sombra de dúvida pelo menos cinco tigela de noodles na minha apreciação final. Mal podia esperar que o filme acabasse para dizer ao mundo o quão genial esta nova versão era.
Infelizmente passados mais quinze minutos percebi que algo estava sériamente errado com este filme.

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Comecemos pelo que tem de positivo.
Embora não tente adaptar de forma óbvia o mundo desenhado por Hayo Miyazaki é perceptível que este foi inevitávelmente uma inspiração inicial para o design de produção desta adaptação live-action. E ainda bem. Infelizmente não podemos contar com aquela maravilhosa cidade em estilo steampunk victoriano que nos deslumbrou a partir do meio da adaptação Anime, até porque duvido que houvesse orçamento para recriar algo assim, mas a verdade é que apesar da ausência de balões e dirigiveis no céu, continua a sentir-se algo de especial nos cenários que representam a ilha para onde Kiki vai trabalhar.
Se esta versão ainda consegue ter alguma magia, muito deve à cenografia de certas pequenas sequências em que Kiki voa ou interage com as pessoas da cidade para onde vai viver.

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Incialmente as cenas passadas na aldeia onde Kiki nasceu também são visualmente muito bonitas, mágicas e atmosféricas. Sente-se um ambiente demasiado plástico por causa do óbvio CGI de alguns cenários que depois não ligam bem com o set design interior, mas nem isso quebra a primeira boa impressão que temos com o visual da história.

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Também gostei da escolha para interpretar a Kiki. Esta actriz tem sido algo atacada pela sua caracterização decepcionante de um personagem que toda a gente estava habituado a ver em animação, mas na minha opinião penso que não é por causa dessas óbvias diferenças que [“Kiki´s Delivery Service”] se torna um filme muito mais decepcionante do que deveria ter sido.
Esta Kiki, também é apontada como sendo demasiado velha para o papel. Nisso é verdade, a rapariga não parece própriamente ter 12 anos e está um bocadinho demasiado madura para um papel tão infantil, mas penso que é algo que enquanto espectadores acabamos por ultrapassar porque acho que a jovem actriz trouxe muita vida e frescura a este personagem. A alma do personagem está lá.

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Uma coisa que é absolutamente fabulosa nesta produção são as paisagens naturais que este filme mostra e para mim só peca não terem mostrado ainda mais. Não sei até que ponto estes locais apresentados existem realmente, mas se existirem com esta beleza eu por mim mudava-me já para aqui hoje mesmo, pois isto em termos de inspiração para o meu trabalho de ilustração seria absolutamente fantástico.
Curiosamente na internet não se encontram imagens destes bocados do filme e portanto não lhes posso demonstrar como são realmente bonitas e mágicas todas as localizações naturais por onde Kiki voa na sua vassoura de bruxinha.

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O que me leva a coisas menos boas…ou talvez não.

Os efeitos especiais em [“Kiki´s Delivery Service”] oscilam entre o excelente em pequenos breves segundos que mostram Kiki a voar por cima de algumas paisagens fabulosas e o atroz ! Mas atroz mesmo !!!
Inicialmente os cenários CGI medianamente produzidos já tinham sido um pequeno alerta de que este filme provavelmente não teria tido um bom orçamento para coisas desta, mas nada me preparava para montagens contra ecran verde dignas de um filme do inicio dos anos 90 numa produção de 2014. Muito menos ainda numa produção como [“Kiki´s Delivery Service”] que pedia acima de tudo um orçamento bem generoso para bons efeitos especiais !!

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E não é porque os efeitos especiais orientais sejam regra geral obrigatoriamente piores do que o que se faz em Hollywood. Muito pelo contrário. O que não faltam por aí são excelentes exemplos de óptima animação CGI em cinema japonês contemporâneo (este blog está cheio deles) e portanto não se percebe porque precisamente um filme como [“Kiki´s Delivery Service”] que depende realmente muito de excelente efeitos para ser eficaz se espalha ao comprido mesmo onde deveria ter brilhado mais.

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Filmar [“Kiki´s Delivery Service”] sem dinheiro para efeitos especiais é quase como tentar produzir os novos Star Wars com um orçamento de série-B caseiro.
Algumas cenas em que Kiki voa na sua vassoura são absolutamente péssimas e o problema é que isso retira imediatamente o espectador adulto de dentro daquela atmosfera mágica que nos deveria conseguir iludir do principio ao fim.
Aliás, tal como muita gente já comentou, o grande problema desta nova versão de [“Kiki´s Delivery Service”] é que na sua essência é um produto que só conseguirá agradar verdadeiramente a crianças pequenas; enquanto que a versão anime de 1989 é uma adaptação realmente para todas as faixas etárias apesar de ser um produto animado.
Esta nova versão de [“Kiki´s Delivery Service”] está imediatamente datada e ainda nem sequer tem um ano.
As sequências de acção na aventura final são completamente desinteressantes porque por esta altura já o espectador não aguenta ver mais CGI e montagens amadoras e só pensa em ir rever o desenho animado original para recuperar.

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Eu não conheço o livro mas sei que também Miyazaki em 1989 não adaptou o romance de forma integral ou particularmente fiel ao texto do romance. O que me leva a pensar que se calhar ele estava muito certo.
Isto porque se esta nova versão live-action estiver bem mais próxima do conteúdo do livro, então foi bom a versão animada ter ignorado toda a parte da história que aparece agora nesta produção moderna. Pessoalmente depois de ver este filme fiquei sem vontade nenhuma de ler o livro…

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A partir do momento em que Kiki chega à sua cidade adoptiva, toda a história deixa de se parecer com o que vimos no Anime de Miyazaki e entra por uma série de sequências episódicas absolutamente desinteressantes, com vários sub-plots que aparentemente pretendem mostrar a evolução e amadurecimento emocional da personagem mas só aparecem no écran como cenas dramáticas absolutamente falhadas, pois o filme nunca se decide o que quer ser; se um drama se uma história de magia.
O sub-plot sobre a antiga bruxa que perdeu a vontade de cantar é absolutamente de nos colocar a dormir a meio por exemplo. Se isto está no romance original, ainda bem que a versão Anime ignorou esta sequência pois quebra o ritmo da narrativa de uma forma que simplesmente não resulta em filme. Para agravar a actriz que faz de bruxa ex-cantora não tem qualquer carisma e parece inclusivamente estar a fazer um frete por ter entrado nesta produção para crianças.

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Para piorar as coisas, [“Kiki´s Delivery Service”] a partir do meio parece ser também sobre o salvamento de um hipopótamo noutro sub-plot que não lembra ao diabo e onde ainda por cima encontramos um dos grandes exemplos do pior CGI animado nesta produção. É de ver para não querer crer no que vemos.
Mau, mau, mau !

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E por falar em  diabo; pior ainda é o gato da Kiki !!!
Aquele que era um dos personagens que mais alma tinham no desenho animado e um dos bonecos mais fofinhos de sempre no cinema japonês ( a par com Totoro ), aqui em [“Kiki´s Delivery Service”] a gata Jiji, é nos apresentada como uma espécie de gato dos infernos. Um bichano que só pode estar possuído pelo demónio, feio como o raio, inesperadamente antipático e totalmente incapaz de criar qualquer empatia com o espectador, o que na minha opinião é verdadeiramente o grande tiro no pé deste filme.
Comparem só o gato do filme com a sua versão cute do Anime. Qual destes gatos é que vocês usariam no vosso ritual satânico preferido ?

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[“Kiki´s Delivery Service”] até poderia ter tido os efeitos mais foleiros de sempre (quase); os sub-plots até poderiam ser desinteressantes (são), mas agora o que nunca, nunca deveria ter tido era uma total ausência de carisma nos personagens ! Muito menos ter representado a gata Jiji da forma que é caracterizada neste filme !!
E é melhor nem me perguntarem a opinião também sobre a animação deste boneco…

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Tirando Kiki, todos os personagens em [“Kiki´s Delivery Service”] ou são irritantes como o raio, ( o idiota marido da padeira não serve para nada; a padeira idem ), ou são absolutamente desinteressantes e um total vazio dramático ( as adolescentes da cidade ) ou pior ainda estão lá para criar drama forçado sem qualquer razão ( a sobrinha da bruxa cantora, o tratador de animais do zoo ).
[“Kiki´s Delivery Service”] falha enquanto filme, não por todas as suas fraquezas técnicas mas acima de tudo nas suas fraquezas dramáticas, pois nunca por qualquer momento sentimos que Kiki está numa situação que nos interesse seguir; ao contrário do que acontecia no desenho animado.

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Até o personagem do rapaz que quer aprender a voar aqui é absolutamente estéril em termos dramáticos. E pior ainda é apresentado como um convencido sem qualquer empatia com o que o rodeia e nem por um instante nos interessamos por ele enquanto espectadores ou nos importamos com o seu destino.
Depois a história entra por um climax final sem qualquer nexo; a atmosfera muda para uma espécie de aventura na selva envolvendo cientistas e hipopótamos feridos e tudo nos faz perguntar a todo o instante onde está aquele [“Kiki´s Delivery Service”] que toda a gente queria ver numa adaptação moderna para cinema…

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Como muita gente já sabe, o filme conta a história de Kiki, a pequena bruxinha que vem de uma longa linhagem de bruxas que têm por tradição ajudar os humanos. Quando uma bruxinha faz treze anos esta deverá abandonar o lar dos pais, pegar na sua vassoura e ir viver ( e trabalhar ) sózinha durante um ano inteiro numa cidade onde precisem dos seus serviços e é o que acontece. Kiki muda-se para uma bonita vila à beira mar, mas nem tudo corre bem quando tenta ser aceite pela população.

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Entre hipopótamos sem interesse, bruxas que perderam a vontade de cantar e adolescentes irritantes a única coisa que se salva são mesmo os ambientes naturais lindíssimos e algumas breves sequências de vôo que surpreendentemente estão com montes de atmosfera e por momentos nos fazem pensar que o filme irá finalmente descolar e tornar-se absolutamente mágico.
Não vai.

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Portanto, [“Kiki´s Delivery Service”] tinha tudo para ser um filme inesquecível e é realmente um daqueles títulos de que apetece MESMO gostar muito, mas infelizmente passamos o tempo todo à procura de bons momentos que por vezes duram um segundo ou dois em tempo de ecran quando todo o filme deveria ser verdadeiramente mágico tal como o Anime de Myiazaki o foi em 1989.
É com muita pena minha que esta versão não irá ficar para a história e só ficará na minha memória porque adoro a adaptação anterior em desenho animado.

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CLASSIFICAÇÃO

Eu queria mesmo, mesmo gostar disto mas tenho que admitir que o filme é realmente decepcionante, acima de tudo porque um filme sobre magia, com um personagem fantástico como Kiki a bruxinha deveria ser verdadeiramente mágico e não é.

E pior ainda, [“Kiki´s Delivery Service”] nem sequer é verdadeiramente mau. Apenas é desinteressante. Mais valia que fosse insuportável e seria mais fácil cascar nele pelas suas falhas. Assim como está é apenas uma grande desilusão.

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Mesmo assim três tigelas e meia porque enquanto filme para crianças nem é mau de todo. Apenas deveria ter sido mais que um filme para crianças, tal como a versão Anime surpreendentemente consegue ainda ser.

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A favor: as paisagens naturais da ilha são incríveis, as cenas iniciais na aldeia da Kiki são um bom começo para o filme, os cenários da ilha e da vila para onde Kiki vai viver são muito bonitos e atmosféricos, tem uma boa fotografia que consegue tirar bom proveito da luz e da cor bonita que percorre toda a história, em termos de design notam-se algumas boas influências do próprio anime mas consegue ter uma identidade própria, algumas cenas de vôo (por breves segundos) são fantásticamente atmosféricas e entusiasmantes, a protagonista embora um bocadinho velha demais é uma boa Kiki.

Contra: a caracterização dramática de todos os personagens é um vazio, há personagens demasiado inúteis que não servem para nada, os sub-plots de argumento tornam o filme demasiado episódico e nunca o sentimos como sendo uma única história, o sub-plot com a bruxa cantora não tem qualquer interesse, a sequência de aventura envolvendo o hipopótamo é imbecil demais, os efeitos especiais são muito muito fracos com destaque para as péssimas animações CGI e as montagens amadoras com óbvio écran verde, é essencialmente um produto que só agradará mesmo muito a crianças quando deveria ter o mesmo apelo universal do desenho animado.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2865558

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Se gostou deste vai gostar certamente de:

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5 Centimeters Per Second (Byôsoku 5 senchimêtoru) Makoto Shinkai (2007) Japão


Quem conhece o trabalho de Makoto Shinkai compreenderá quando digo que todos os seus filmes se passam em universos verdadeiramente únicos pela sua simplicidade e poesia visual com que as suas histórias são contadas.
[“5cm per second”] é não só um exemplo perfeito, como para mim é o seu melhor filme e uma das melhores histórias de amor que já vi no cinema.
E só tem 57 minutos !

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[“5cm per second”] desta vez não tem a ver com FC mas demonstra plenamente como sem precisar de ser passado em ambientes alienígenas um filme consegue transportar-nos para um universo muito particular.
Não era para voltar a escrever sobre este título, até porque já falei dele no meu blog sobre cinema oriental mas hoje a minha esposa ofereceu-me um edição espanhola em BLURAY (audio Japonês/legendas Castelhano) e não podia deixar de divulgar [“5cm per second”] aqui também, especialmente continua a ser um daqueles filmes extraordinários que continua a passar despercebidos em Portugal.
Sendo assim…

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Para mim, Makoto Shinkai é actualmente o melhor realizador de cinema do mundo , sendo considerado também por muita gente como um dos maiores cineastas de animação de todos os tempos, já apelidado de – novo Myiazaki – com todo o mérito.
Para mim actualmente supera até Myiazaki.
Para muitos o facto de Makoto Shinkai não trabalhar “com imagem real”, mas sim com animação poderá parecer algo menor. Ainda por cima não é americano e portanto tudo indica que apesar da popularidade dos seus trabalhos no oriente, Makoto Shinkai no ocidente irá continuar a ser (apenas) um realizador de culto que a nível mainstream muito poucos conhecem no ocidente. E claro será também ignorado por outros tantos, especialmente aquele público que ainda acha que a animação é para crianças.
Por tudo isto é também um candidato perfeito para ser divulgado neste blog, até porque alguns dos seus trabalhos assentam em universos de ficção-científica e há que divulgar o trabalho de Makoto Shinkai pois este demonstra por completo que o Anime também pode ser cinema adulto e nem todos os desenhos animados saídos do Japão têm que se parecer com o Dragon Ball ao contrário do que muita gente ainda pensa.

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Quem no entanto gostar de cinema de animação e já tiver empatia com o cinema romântico absolutamente original que se produz no oriente, depois de ver os primeiros 25 minutos de [“5cm per second”] provavelmente irá ficar sem palavras com a simplicidade e beleza da primeira história.
A tal ponto que aposto, até lhe custará ver o segundo conto que vem a seguir nesta grande – pequena metragem – que só dura 57 minutos, mas que vale cada instante da sua duração, pois está carregado de ilustrações lindíssimas que por vezes não têm mais que um décimo de segundo no ecran.

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[“5cm per second”] poderia ter acabado perfeitamente aos 25 minutos e seria genial na mesma. Isto porque a primeira história é absolutamente arrebatadora em todos os sentido e tudo poderia ter ficado por ali.
No entanto porque tem quase uma hora, está dividido em três pequenos segmentos que na verdade contam a história de um relacionamento ao longo do tempo e que garanto-vos, se procuram por cinema romântico com verdadeira alma bem longe dos enlatados americanos em estilo telenovela, têm aqui nesta  história de amor Japonesa algo que não irão esquecer tão cedo. Só o impacto do segundo final, vale todo o filme.

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Sendo uma grande história de amor com uma simplicidade incrível consegue fazer aquilo que todas as histórias de amor deveriam ser obrigadas a fazer. Consegue fazer-nos apaixonar pelos personagens uma e outra vez, não importa que conheçamos o filme de trás para a frente porque mesmo depois de o vermos dezenas de vezes há sempre um pormenor novo a descobrir.
Isto devido á qualidade de detalhes que Makoto Shinkai colocou em cada frame, usando ilustrações incrivelmente pormenorizadas, até quando muitas vezes aparecem apenas uma fracção de segundo no filme.
Eu próprio agora ao procurar imagens para ilustrar este texto deparei-me com dezenas de coisas que nunca tinha sequer notado nas paisagens incríveis que dão alma a esta história de amor.

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Outra coisa absolutamente fascinante em [“5cm per second”]  está em conseguir continuar a ter suspanse mesmo quando já o vimos vezes e vezes sem conta.
Talvez porque consegue criar uma empatia tão grande com o espectador que ficamos a gostar mesmo daquelas pessoas e de cada vez que revemos o filme damos por nós a torcer novamente pelo destino daquele casal sem nos apercebermos disso.

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[“5cm per second”] é de uma aparente simplicidade incrível em termos de história.
A maior parte do pessoal quando ouve a expressão – “história de amor”- torce-se todo pois imagina logo aquelas xaropadas em estilo telenovela que normalmente inundam as nossas televisões e praticamente tudo aquilo que passa por cinema romântico em Hollywood.
Quem pensa que o cinema romântico oriental tem alguma comparação, então [“5cm per second”]  é um bom filme para lhes mostrar o que é uma história de amor bem filmada, com muita alma e onde aqueles bonecos pintados em computador têm mais vida e existência “real” que todos os adolescentes de cartão que vimos ao longo dos anos naqueles supostos dramas românticos cozinhados em piloto automático na américa.

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[“5cm per second”] é mais outra prova saída do cinema oriental de que se podem criar histórias de amor incríveis com personagens adolescentes sem criar qualquer barreira de empatia com o espectador mais velho.
Garanto-vos que se tiverem 80 anos e virem esta história irão emocionar-se tanto como se tivessem 18; precisamente porque não é estereotipada e é uma daquelas raras histórias de amor cinematográficas que acerta em cheio naquilo que há de universal no primeiro amor.
Portanto, não esperem encontrar aqui qualquer drama de pacotilha usual.

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Não há encontros e desencontros da forma que vocês pensam que irá haver, não há traições, não há rivalidades, não há separações e reconciliações e não esperem de todo que aqui o herói tenha aquele amigo cómico que é normalmente o palhaço das histórias ou que a heroína tenha aquela amiga fofoqueira e todas aquelas tretas que já vimos mil vezes. Esqueçam os estereótipos.
[“5cm per second”] é uma história sobre a velocidade a que precisamos de viver as nossas vidas, de que forma essa velocidade faz com que um dia possamos voltar a ter a chance de encontrar algo bom que perdemos e de como o primeiro amor pode conduzir os nossos passos mesmo quando já não está presente.

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O titulo refere-se precisamente á velocidade a que caiem as pétalas desde que são libertadas de uma árvore até que atingem o chão com todas as reviravoltas possíveis que podem ocorrer até chegarem ao seu destino.
Tudo em [“5cm per second”]  tem a ver com velocidade, mas não da forma que imaginam. A “velocidade” a que cruzamos uma porta, a velocidade em que pensamos na outra pessoa, a velocidade em que caminhamos sem destino. Será que duas pessoas afastadas pela distância caminham em sincronia sem o saberem até que os seus passos criam as coincidências da vida que poderão permitir um reencontro ?
Será que se eu me tivesse voltado um segundo mais cedo na fila de um banco teria voltado a encontrar alguém que mudaria a minha vida ? Será que se eu tivesse levado menos um segundo a cruzar uma porta isso teria feito com que tivesse visto alguém que pertenceu ao meu passado ?

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É esta a ideia por detrás da história dos dois personagens. Uma história que está fragmentada em três pequenas partes que duram menos de uma hora mas que vocês não irão esquecer tão cedo. Em particular se procuram por um daqueles títulos românticos indispensáveis.
E desenganem-se aqueles que pensam que isto é um filme para crianças.
Como habitualmente o cinema de Makoto Shinkai está na antítese total do Naruto e do Dragon Ball, por isso se ainda têm esse preconceito para com o cinema de animação japonês [“5cm per second”]  é um bom titulo para os fazer apanhar o queixo do chão em menos de uma hora.

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Não esperem um Anime com sequências de acção a duzentos frame por segundo. Aliás não esperem um Anime de acção.
Isto é essencialmente um drama, apenas está filmado em desenho animado.
Embora não seja um drama comum, pois como já disse não há aqui qualquer cliché a que vocês estejam habituados.
Quem já conhece o cinema de Makoto Shinkai, sabe o que esperar. Tudo tem a ver com ambiente, luz, sombra, atmosfera e poesia visual tendo por base trabalhos de ilustração incríveis.

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Também aqui, podemos contar com uma narrativa que é feita essencialmente de paisagens e fundos absolutamente notáveis e totalmente poéticos, onde por vezes nem animação existe.
Como habitualmente a narrativa avança essencialmente por pequenos pormenores e toda a montagem do filme está assente em desenhos magníficos que por vezes nem focam a acção própriamente dita mas sim o que se passa ao seu redor.
São os detalhes e não as acções que definem a atmosfera de [“5cm per second”] sendo  isso que torna o filme tão especial e o cinema de Makoto Shinkai tão único.

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Por essa razão podemos imediatamente empatizar com o que o personagem sente sem sequer precisar de olhar para ele.
Muitas vezes em vez de nos mostrar um boneco a chorar, Makoto Shinkai anima chuva a cair, o vento simboliza a solidão e a saudade, etc.
Mas fiquem descansados que o cinema de Shinkai não é nenhuma seca intelectualoide ao estilo daquela desgraça pretensiosa chamada “Visage” que comentei há um par de anos no meu blog sobre cinema oriental.
Makoto Shinkai sem qualquer pretensão, poética e artisticamente limpa o chão em 57 minutos com todas a pretensas obras de arte e ” instalações artísticas” que há por aí disfarçadas de cinema com cinco vezes mais tempo de duração; portanto o melhor conselho que posso dar é que espreitem este filme.

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Habitualmente é dificil encontrar boas imagens de alguns títulos para ilustrar os meus textos, mas no caso de [“5cm per second”] acontece precisamente o contrário. Eu podia estar perfeitamente calado e só encher este post com imagens.
Espreitem algumas delas (praticamente todas não estão mais que um par de segundos no écran). Vão perceber o nível da qualidade de ilustração que há também aqui neste titulo e porque já é uma imagem de marca do realizador.

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O que vocês não sabem é que também este filme foi produzido praticamente de forma caseira, o que para mim é outra das grandes razões porque eu considero Shinkai o melhor realizador do mundo actualmente.
Mais uma vez outro filme dele foi produzido em casa e desta vez com uma equipa de 13 pessoas.
Sim leram bem. 13 pessoas !! Três centralmente a desenhar ( Makoto e uma rapariga nos cenários juntamente com um outro amigo nos bonecos ); e o resto a funcionar como uma linha de montagem criativa num processo de colaboração imediata o mais caseiro possível.
Olhem para a qualidade visual de [“5cm per second”]  e depois pensem em 13 pessoas fechadas no apartamento do realizador durante um ano e meio a trabalhar nisto da forma mais amadora que se calhar vocês nunca julgaram ser possível naquilo que será animação profissional altamente conceituada.

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O trabalho mais repetitivo de colorir os trames de animação foi distribuído pelos restantes 1o amigos e colaboradores que Shinkai voltou a contratar como habitualmente e que se separam de novo a cada projecto terminado indo cada um á sua vidinha.
Actualmente de cada vez que vejo aquelas promoções sobre os filmes de animação americanos onde se atiram números para impressionar o espectador eu já me farto de rir. Se Makoto Shinkai com 13 amigos consegue um resultado destes, com tanta alma e poesia pela minha parte ouvir dizer que um filme de animação americano em total regime de blockbuster levou três anos para ser feito, precisou de equipas com mais de 600 pessoas como habitualmente acontece em Hollywood e por isso temos todos que o ir adorar, já não fico particularmente impressionado.

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Se gostarem de [“5cm per second”] recomendo vivamente a entrevista com o realizador que vem no dvd de edição UK ou no Bluray de edição Espanhola, pois lá ele explica em detalhe como costuma produzir o seu cinema e vão poder ver inúmeras fotografias da equipa de amigos a trabalhar fechados em casa dele durante mais de um ano.
Muito curioso, fascinante e divertido.
A única parte do filme que foi produzida profissionalmente foi mesmo a gravação das vozes e claro a banda sonora que foram gravados em estúdio.
Quem não conhece o percurso de Makoto Shinkai recomendo vivamente que espreitem as minhas outras reviews sobre trabalhos dele, pois se calhar irão surpreender-se com a sua origem totalmente autodidacta que detalho numa das minhas outras reviews.
Não deixem de ler os meus textos sobre “Voices of a distant star” ; “The place promised in our early days” e “Journey to Agartha”.
Shinkai tem já outro filme mais recente “Garden of words” de que falarei em breve e que é absolutamente fascinante também.

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[“5cm per second”] conta a história de dois adolescentes que se apaixonam quando o ano lectivo está a terminar e um deles vai viver para milhares de Km de distância. É um filme sobre a saudade e de que forma um amor está presente mesmo quando a distância eliminou a comunicação e separou duas vidas para sempre. Isto só para começar, pois essencialmente é um título não só romântico mas até filosófico, o que lhe dá uma identidade ainda mais marcada, mas nunca pretenciosa.

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A primeira história parece ser simples mas garanto-vos que tem um suspanse de cortar á faca. Vocês vão roer até a almofada torcendo para que os dois personagens se reencontrem e toda a viagem de comboio tem sequências de dar cabo dos nervos.
Também aqui Makoto Shinkai é um mestre em criar suspanse sem nunca utilizar sequer uma cena de acção, uma sequência de perigo ou qualquer outro recurso a que estamos habituados a ver ser usado para criar tensão num argumento mais ao estilo americano.
A primeira história mostra como o menino, resolve um dia meter-se num comboio e viajar até á pequena terra para onde a menina foi viver de modo a conseguirem voltar a encontrar-se por uns momentos na estação.
E garanto-vos que nunca viram nada assim.

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Tudo neste segmento é de uma beleza incrível, tanto na forma como os ambientes estão reproduzidos, como essencialmente na maneira como o tempo e principalmente a velocidade é usada para colocar o espectador em total estado de ansiedade.
Quem costuma acompanhar o cinema romântico oriental, já deve ter notado que ninguém melhor que os japoneses e os sul-coreanos usam as estações de comboio (e muita chuva) para contar histórias de amor impossíveis.
E aqui mais uma vez também Makoto Shinkai demonstra como a poesia deve ser algo entranhado no ADN oriental, pois voltamos a contar com ambientes perfeitamente normais e quotidianos mas mostrados da forma mais poética possível. Tudo através de jogos de luz, sombras e cor refletindo o que se passa no coração dos personagens e transportando o espectador constantemente para dentro daquele universo.

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Se vocês espreitarem o IMDB hão de notar que desta vez o consenso é geral. Depois da história de amor que aparece nos primeiros 25 minutos praticamente toda a gente é de opinião que seria impossível Shinkai ter superado o início do filme nos minutos que faltavam para contar o resto da história e realmente se [“5cm per second”] tem alguma “falha” é apenas essa. Se calhar só deveria ter tido um episódio.

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Por outro lado, a gente não se chateia nada em continuar a acompanhar o destino destes personagens. Infelizmente a história do meio, não é particularmente tocante, mas também depois do que se passou na primeira, como poderia ?…
A segunda história é sobre o menino da primeira parte, agora alguns anos mais velho e sobre uma outra rapariga da sua turma que está totalmente apaixonada por ele e tudo gira novamente á volta do tempo e da velocidade.
Neste caso á volta do conceito de – momento certo. Qual a altura, qual o segundo, qual o momento preciso em que uma declaração de amor poderá mudar a vida de uma pessoa ?…
Não quero contar demais para não estragar. Penso que poderão não ficar particularmente emocionados com esta história, embora os personagens continuem excelentes e a nova personagem feminina é fantástica. Não desmoralizem porque o filme continuará a ser bastante bonito.
Apenas a segunda história não é a primeira.
O que não é nenhum crime.

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A terceira parte, tem apenas uns  dez minutos de duração e mostra o que aconteceu ao menino e á menina uns doze anos depois quando ambos já são jovens adultos.
Embora pequenino este segmento fecha em beleza a história pois conta com um videoclip que em jeito de montagem final narra brilhantemente tudo o que se passou e consegue de forma fantástica resumir por completo todas as emoções do filme.
Pode parecer deslocado á primeira vista mas é brilhante na forma como de repente consegue fazer ver ao espectador que se calhar a segunda parte do filme até foi bastante mais emocional do que pensávamos e este nunca seria o mesmo se esta não existisse.

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A cena final é absolutamente arrebatadora e atinge o espectador com um verdadeiro murro no estômago que acabou por ser a sequência mais comentada de todo o filme, pois a sua simplicidade é incrível e demonstra claramente como se usa o poder da montagem para criar emoção.
“5cm per second”] é uma daquelas histórias de amor fantásticas que parece ter-se tornado inesquecível à conta de dois segundos de animação final mas é verdade.
Não procurem saber nada de adicional sobre este filme antes de o verem, mas depois visitem o IMDb e irão reparar na quantidade de pessoas que mencionam os segundos finais como sendo a cena mais inesquecível de toda a história.

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[“5cm per second”] termina com um sabor nostálgico que vai deixar muita gente a pensar, outros a chorar, outros emocionados pela beleza de todo o conjunto, mas nunca indiferentes e isto é o melhor que se pode dizer de uma história de amor sobre adolescentes que á partida nas mãos erradas tinha tudo para ter descambado na piroseira borbulhenta do costume mas nas mãos de Makoto Shinkai na minha opinião transformou-se numa das mais bonitas e filosóficas histórias de amor que já vi no cinema oriental (e não só).

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CLASSIFICAÇÃO

Bem, depois de tudo o que eu escrevi, não há muito mais para dizer. Se gostam de cinema romântico oriental, este é de comprar. Se não gostam, muito provavelmente passarão a gostar. A não ser que estejam a fingir que não se fartaram de chorar com isto.

Cinco Tigelas de noodles e um Gold Award a rebentar a escala por todos os lados.

 

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Acima de tudo porque é outra daquelas histórias de amor orientais absolutamente fascinantes, muito humanas e totalmente poéticas a um nível que nunca pensamos encontrar num filme de animação.
Absolutamente notável em todos os sentidos.

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 A favor: a primeira história é uma obra prima, está cheio de suspanse sem precisar de disparar um tiro sequer, tem três personagens extraórdinariamente humanos, os desenhos são do outro mundo, um dos melhores filmes românticos de sempre, consegue um final que recupera o mesmo nível de emoção da primeira parte, adoro a banda sonora toda composta á volta da melodia da canção final. E depois há o segundo final da história que ficou na memória de toda a gente…
Essencialmente uma obra-prima do Cinema.
Em termos românticos, no cinema ocidental, comparado a isto só mesmo Cinema Paradiso.

Contra: Depois da carga emocional da primeira história o que vem a seguir nem se compara (embora o videoclip final seja fabuloso).

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

COMPRAR DVD

MANG3081 Inlay
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B0037B2WP0/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B0037B2WP0&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

 

COMPRAR BLURAY edição ESPANHOLA ( audio Japonês / legendas Castelhano)
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Clip
Contém *Spoilers*
Por outro lado, se não viram o filme, também não irão notar. Estão por vossa conta. 😉

Com legendas
https://www.youtube.com/watch?v=egCHrY_gHGg

O filme também está disponível numa copia legendada no youtube mas não vejam o filme num simples ecran de computador.

5cm_per_second_17

E por falar em música.
https://www.youtube.com/watch?v=lilLEaKJfic
https://www.youtube.com/watch?v=O5hiqmjtJbg
https://www.youtube.com/watch?v=MIDj-Gtnelk

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0983213

5cm_per_second_36

Está aqui uma pequena review em video, que vale a pena espreitarem se ainda não estiverem convencidos por tudo o que eu já escrevi.

BANDA DESENHADA
Quem gostar do filme e quiser reviver a magia de uma forma diferente, esta história foi editada no formato Manga com uma versão bem mais longa e pormenorizada, contendo inclusivamente um final mais extenso onde se percebe em detalhe o que aconteceu a cada personagem depois do fim do filme.
manga

LEIAM A MINHA REVIEW EM DETALHE AQUI:

RECOMENDO VIVAMENTE pois é uma verdadeira novela gráfica com QUASE 500 PÁGINAS que valem cada momento.

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COMPREM-NA AQUI EM ESPANHOL
https://www.amazon.es/Cm-Por-Segundo-Makoto-Shinkai/dp/8416476454/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1479487364&sr=8-1&keywords=5cm+por+segundo

COMPREM-NA AQUI EM INGLÉS
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Heung joh chow heung yau chow (Turn Left Turn Right) Johnnie To/Ka-Fai Wai (2003) China


Desde o início deste blog que ando para falar neste filme asiático mas até agora nunca me apeteceu verdadeiramente escrever sobre ele e nunca percebi bem porquê.
Sendo assim, agora é que é e portanto bem-vindos a [“Turn Left, Turn Right“], provavelmente uma das histórias de amor mais – simpáticas – que encontrarão no cinema oriental.

Simpática, é mesmo a palavra certa para descrever esta história. É que o filme na verdade nem tem nada que o destaque pela negativa e talvez a pior coisa que se pode dizer de [“Turn Left, Turn Right“] é que podia ser um filme americano e não se notaria grande diferença.
Na verdade, agora que penso nisso, é bastante semelhante até ao posterior “Serendipity” com John Cusak…será coincidência ?

É complicado falar desta obra pois a descoberta dos seus pormenores é uma das grandes mais-valias deste filme oriental e não gostaria de revelar demais.
Acima de tudo, [“Turn Left, Turn Right“] tem mesmo muito boa onda e esse sentimento está sempre presente ao longo da sua duração o que lhe dá um charme muito especial e o distingue de tantas outras tantas histórias de amor que poderão encontrar no mercado.

A ideia para o argumento é extremamente simples mas está mesmo muito bem aproveitada e todo o filme tem uma estrutura milimétrica no desenvolvimento da narrativa que é absolutamente fascinante pela forma como usa os pequenos detalhes para nos agarrar, conseguindo manter um suspanse de roer as unhas  de cada vez que o destino troca mais uma vez as voltas aos protagonistas das formas mais imaginativas e inesperadas evitando novamente o seu reencontro até um ponto em que o espectador já nem sabe quando (ou se) este irá mesmo acontecer.

Á medida que a história avança, os pormenores divertidos multiplicam-se e os inúmeros caminhos cruzados que dão vida ao argumento tornam-se cada vez mais hipnotizantes não nos deixando tirar os olhos da história até ao seu desenlace final.
A maneira como duas pessoas vivem duas vidas semelhantes absolutamente paralelas chega até a dar que pensar se alguma vez  não nos terá acontecido algo semelhante naquele sentido em que se calhar já nos cruzamos com uma pessoa importante na nossa vida mas que nunca nos tocou por nunca termos sequer reparado nela.

Depois temos um final completamente alucinado ao melhor estilo oriental que só não estraga o filme porque quando tudo acontece o espectador já nem se importa com o que vê pois nessa altura só desejamos poder entrar para dentro do filme e juntar de uma vez por todas o par de protagonistas depois de acompanharmos tantos desencontros sucessivos.

Sem revelar muito disto, [“Turn Left, Turn Right“] conta a históra de duas pessoas, um rapaz e uma rapariga que vivem paredes meias em dois apartamentos contiguos mas nunca se encontram pois ambos saiem sempre de casa por portas diferentes e em direcções diferentes.
Um dia encontram-se num jardim, apaixonam-se trocam números de telefone e cada um vai á sua vida.

Entretanto o destino intervém e ambos perdem os contactos um do outro, nunca suspeitando que na realidade sempre foram vizinhos durante o tempo todo e continuam inclusivamente a dormir com a cabeça encostada á mesma parede todas as noites.
O tempo passa e após tentarem individualmente voltar a encontrar o outro sem qualquer resultado eis que surgem nas suas vidas duas novas pessoas.

Na vida do rapaz, entra agora uma entregadora de pizzas viciada em futebol completamente alucinada que imediatamente se apaixona por ele uma noite quando vai a sua casa e depois desse dia parece nunca mais descolar do local para desespero do jovem.
Na vida da rapariga surge um médico de sucesso que claro se interessa por ela romanticamente e que é capaz de tudo para a conquistar.
As coisas complicam-se ainda mais quando a entregadora de pizzas e o médico descobrem o interesse mútuo do par romântico um pelo outro e é aqui que o filme ganha um novo ângulo quando eles resolvem unir-se para se certificarem que os dois protagonistas nunca se possam mesmo encontrar.

Como se o destino já não fosse suficientemente cruel quando encena os mais geniais desencontros do par ao longo do filme, os dois eternos desencontrados ainda têm que contar com a verdadeira sabotagem romântico-terrorista dos seus respectivos obcecados pretendentes que não olham a meios para evitar que os dois apaixonados descubram que afinal vivem no prédio contíguo um do outro.

Obviamente que já estão a ver como tudo isto vai acabar; no entanto não imaginam os pormenores que os levarão até ao inevitável (?) final e que conseguem fazer com que [“Turn Left, Turn Right“] mantenha um suspanse absolutamente delirante até ao ultimo segundo quando tudo se resolve da maneira mais inesperada e completamente fora do contexto de uma forma que os irá surpreender e divertir.

Aliás, um pormenor curioso deste divertido filme oriental, é também o facto de mesmo a uma segunda ou terceira visão quando já sabemos de cor tudo o que acontece, damos no entanto por nós novamente em suspanse como se o estivessemos a ver pela primeira vez.
Isto só valoriza o discreto mas muito eficaz trabalho do realizador pois a sua gestão de todos os pormenores da história e a maneira como filma o argumento é absolutamente perfeita e resulta plenamente para divertimento do espectador.

Uma nota final para os actores e personagens. O par romântico embora não se afastando muito do habitual é totalmente cativante e credível no seu desespero apaixonado e isto ainda fica melhor quando como contraponto tem o par secundário de sabotadores-românticos num registo cartoon-Manga e que impede que o filme caia numa repetitição em que facilmente poderia ter resvalado tendo em conta a própria base labirintíca do argumento que assenta essencialmente no mesmo tipo de desencontros.

[“Turn Left, Turn Right“] não tem pontos negativos dignos dessa conotação.
Não é um filme asiático brilhante, falta-lhe algo para se tornar imprescindível pois talvez tenha tentado ser demasiado internacional para apelar ao mercado americano, mas não se pode negar que é um filme cativante e se calhar não precisa mais do que isso para ser mais uma história de amor totalmente recomendável e que fica muito bem em qualquer colecção romântica oriental.

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CLASSIFICAÇÃO:

Falta-lhe algo para ser inesquecivel mas é uma excelente comédia romântica cheia de personalidade e totalmente recomendável a quem procura algo do género e já viu tudo o que tenho recomendado.
Quatro tigelas e meia de noodles pois de certa forma é mais uma história de amor imprescindível.

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A favor: o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, os personagens da entregadora de pizzas+médico alucinados e os seus planos para evitarem o reencontro dos protagonistas, mantém o suspanse até ao final e agarra-nos mesmo que já tenhamos visto o filme muitas vezes antes, o desenlace é completamente estúpido pela falta de contexto na história que até então vimos mas resulta de uma forma genial e até hilariante por ser tão inesperada, é uma comédia romântica com muito charme e excelentes personagens não só secundários como até terciários se contarmos com a história de amor paralela envolvendo os senhorios dos protagonistas.
Contra: não tem nada que lhe dê uma identidade particularmente oriental e esforça-se demasiado por se parecer com um filme comercial americano dentro do estilo romântico. Não havia necessidade mesmo a produção estando ligada a uma Major americana como está.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=bDP85dOe9BM
http://www.youtube.com/watch?v=8WyO77qW79A

Comprar
Infelizmente neste momento parece que o dvd está esgotado em todo o lado e já não vão encontrar á venda a edição que eu tenho. Cuidado com a edição japonesa do filme que ainda se encontra á venda pois não tem legendas em inglés.
Podem no entanto ver o filme se o forem buscar aqui. E a sua banda sonora também.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0367174/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

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Bu neng shuo de. mi mi (Secret) Jay Chou (2007) China


Se espreitarem mais abaixo a minha classificação, vão notar que não atribuo uma nota por aí além a este filme chinês, no entanto não deixem que a minha opinião os afaste dele. Não é um daqueles filmes orientais inesquecíveis mas é uma história sólida que irá agradar bastante, principalmente a quem gostar de piano, de música ou composição musical.

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Então porque não lhe dou uma nota mais alta ?
É complicado explicar isto sem lhes estragar o que o filme tem de melhor e que é precisamente a “surpresa” final. Especialmente porque para o poder fazer bem eu teria de comparar o filme com outras obras; o que lhes daria imediatamente a pista para esse desenlace e portanto é melhor eu estar calado.

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É mais habitual encontrarmos este tipo de cinema oriental relacionado com os produtos da Coreia do Sul, ou até mesmo do Japão, do que na cinematografia Chinesa,(neste caso de Taiwan). Os Sul Coreanos especialmente na minha opinião são mestres a ilustrar este estilo de histórias que dependem muito de uma carga românticamente assombrada e como tal talvez a principal grande fraqueza de [“Secret“] está no facto de não ser um filme Sul Coreano, pois  falta-lhe aqui aquela sensibilidade que normalmente humaniza bastante este tipo de histórias.

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Senti que este filme asiático era uma espécie de “peixe fora de água”, ou seja senti muito forçada a colagem ao estilo Sul Coreano ao mesmo tempo que parecia não querer abandonar a sua identidade Chinesa, o que o tornou num produto algo ambiguo e o que ficou a perder foi precisamente a parte emocional pois nunca transmite ao espectador aquele sentimento que nos devia prender ao ecran com esta história de amor, previsível mas nem por isso menos interessante.

Secret15

O facto do final ser ultra previsível também lhe retira alguns pontos, pois a partir de certa altura percebe-se logo que tipo de história estamos a ver. E o pior é que quando isso acontece ainda os personagens não nos agarraram por completo, muito por culpa da própria indefinição do estilo do próprio filme e pena pois faz com que a narrativa se arraste um bocado pelo meio, especialmente quando para o espectador já se torna óbvia qual o rumo da história e para os personagens tudo ainda permanece um enigma.

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No entanto, isto não quer dizer que o filme seja mau. Apenas não provoca surpresas suficientes para agarrar a quem já viu outros filmes do estilo no cinema Sul Coreano ou Japonês e como tal não tem força para competir com a concorrência que já ficou para trás com muitos melhores resultados, tanto no que toca a twists como na parte romântica da história.
Embora não me admire nada que muita gente tenha gostado, (ou possa vir a gostar muito) de [“Secret“] se se der o caso deste ser o primeiro filme do género que viram ou irão ver, por isso todo o meu pouco entusiasmo pode ser contextualizado de uma forma relativa.

Secret14

Realmente pelo trailer, o filme parece bem melhor do que na verdade eu achei que fosse.
Se tivesse que escolher eu daria melhor nota ao trailer do que ao filme, até porque o estilo de montagem cativante que nos aparece na apresentação não é de forma nenhuma o mesmo que está presente em [“Secret“] e se calhar teria sido melhor que fosse e este se tivesse assumido como um filme mais comercial do que (não) tenta ser.
O toque cinema-de-autor aqui retira-lhe algum do brilho que deveria ter tido mas se calhar é compreensível.

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Compreensivel, porque esta é a primeira obra do realizador (pianista profissional muito famoso por aquelas bandas), que além de ser o produtor do filme, criador da história, actor principal é ainda o compositor da musica e como tal se calhar era inevitável que este tentasse criar um produto bem mais pessoal e não quisesse apenas fazer mais um filme comercial igual a tantos outros.

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Se calhar esse toque pessoal desta vez foi precisamente aquilo que impede [“Secret“] de aproveitar todo o seu potencial, pois se vermos bem as coisas não é a falta de originalidade do conceito ou da própria história aquilo que impede o filme de ser mais cativante, mas sim algo na sua atmosfera melancólica que nunca conseguimos bem identificar e torna os personagens sempre em algo distante do espectador quando deveriam cativar-nos por completo como normalmente acontece no cinema Sul Coreano.

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Mas se vocês gostarem mesmo muito de piano não vão mais longe, este é o filme para vocês. Tudo gira á volta de uma melodia muito especial e o filme está cheio de momentos em que os actores demonstram as suas qualidades também (e principalmente) como pianístas fantásticos (digo eu que não percebo nada daquilo).
É precisamente nessas cenas que o filme tem os seus melhores momentos e o espectador mais ganha empatia com os personagens. A maneira como realizador usa a música para enquadrar o mistério da história é muito entusiasmante e só é pena ele não ter consigo o mesmo resultado nas cenas em que o filme não envolve um piano.

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Como já disse, não há nada de verdadeiramente mau em [“Secret“] apesar do mistério ser tudo menos misterioso e a sua estrutura nem ser particularmente criativa.
Aliás, achei-a até um pouco forçada, como se a partir de certa altura fosse preciso resolver as coisas e como tal as explicações surgem quase de repente , mais porque estava na altura de concluir o filme e passar á sequência com o “twist” final do que por ser a conclusão orgânica mais natural para a narrativa.
Foi aqui que mais senti a tentativa falhada de se colar ao estilo Sul Coreano e isso desiludiu-me um pouco, embora a sequência final seja muito boa mesmo.

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A maneira como visualmente o mistério e os seus efeitos nos é revelado, através de uma caótica sequências de efeitos especiais que ganham vida ao som da banda sonora no final do filme é uma das melhores partes de toda a narrativa e só é pena que o que ficou para trás não tenha alcançado a mesma eficácia.
Apesar da previsibilidade, o fim do filme tem um bom ritmo e prova que este realizador sabe contar histórias e como tal aguardo com interesse um novo trabalho seu.

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[“Secret“] tem bons personagens embora nem sempre particularmente cativantes. Quanto a mim, a parte romântica só funciona mesmo na sequência final. O que é pena, mas a verdade é que ao longo de todo filme senti sempre uma distância enorme entre mim e aquelas pessoas no ecran. E isso quanto a mim é o que faz a diferença entre uma boa história de amor e apenas mais um filme romântico de contornos sobrenaturais.
Neste caso é apenas uma boa história de contornos sobrenaturais com alguns minutos a mais. Se calhar cortavam-se quinze minutos e seria um filme muito mais cativante.

Secret24

Curiosamente, os personagens mais cativantes de todo o filme são o pai do protagonísta e um par de colegas de liceu que embora sejam personagens  sem grande dimensão, são no entanto os que dão mais vida á narrativa quando aparecem no ecran e acabam por ter os papeis mais importantes no desenrolar do mistério ao mesmo tempo que contribuem para momentos divertidos numa narrativa por vezes é demasiado melancólica e sombria sem haver necessidade para isso.

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CLASSIFICAÇÃO:
Apesar de tudo é uma boa história de contornos romântico-sobrenaturais.
Não há muito mais a dizer para além daquilo que já referi no texto acima e sendo assim só posso dizer que é um bom filme oriental  e recomenda-se.
Não sugiro que o vão logo ver a correr e muito menos sugiro que comprem o dvd sem ver primeiro, mas como eu sei que muitos de vocês chegam até este blog á procura de sugestão para filmes românticos orientais, estejam á vontade para espreitar este também porque preenche bem o tempo até aparecer por aí mais um daqueles realmente inesqueciveis.
[“Secret“] é apenas bom.
Nem mais nem menos, trés tigelas de noodles.

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A favor: as cenas com os pianos são excelentes e cativantes, a envolvência da música e a sua importância na narrativa, o estilo alucinado de alguns personagens, a sequência final em que o “mistério” é revelado, bons efeitos especiais, é mais uma história romântica de contornos sobrenaturais.
Contra: já viram esta história antes várias vezes e o filme não tem suficientes atractivos adicionais que nos façam não nos importarmos com esse facto, o mistério é completamente óbvio para quem já viu um par de filmes Sul Coreanos conhecidos, o par romântico não cria grande empatia com o espectador, o filme tem um tom demasiado assombrado e melancólico quando deveria ter sido mais romântico e se calhar até mais comercial que não lhe fazia mal nenhum, nota-se que é um produto inspirado no cinema Sul Coreano e que se esforça para ser uma obra no mesmo estilo mas falta-lhe alguma emotividade e nunca consegue criar uma empatia com espectador, nunca nos importamos muito com o destino dos personagens pois já sabemos qual será bem antes das coisas acontecerem, só ganha alguma emoção no final e o resto do filme perde-se um pouco.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=85wDDjaPFd0

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Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-70-2xpv.html

Download
http://asianspace.blogspot.com/2009/10/secret-2007.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1037850/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Parang-juuibo (My Girl & I) Yun-su Jeon (2005) Coreia do Sul


Hoje está a apetecer-me estragar-lhes um filme todo.
Vamos então começar esta review de uma maneira diferente.

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[“My Girl & I“] conta a seguinte história. Dois pontos:
Algures num liceu da Coreia do Sul um rapaz apaixona-se por uma colega de turma e vivem dias de felicidade até ao momento em que a rapariga adoece gravemente com leucemia e morre, fazendo com que o rapaz mesmo passados muitos anos nunca consiga esquecer aquele primeiro amor até aos dias de hoje.
Acabou o filme.

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Agora que já lhes estraguei todas as surpresas da história e lhes revelei a parte central do seu argumento, já podemos deixar para trás esse pequeno pormenor pois como dizia a outra senhora – isso agora não interessa nada.
Se procurarem pela net, irão ver que muita gente ficou decepcionada com [“My Girl & I“], acusam o filme de não ter um pingo de imaginação e de ser o habitual pastel lacrimejante formulático dentro do género romântico-teen Sul Coreano onde nem falta o final com a rapariguinha a morrer de leucemia para fazer chorar as plateias.
Até podem ter razão mas, na minha opinião penso que o facto de apenas terem olhado o filme por esse prisma os impediu de perceber (e sentir) que na realidade [“My Girl & I“] apesar dos clichés tem no entanto algo mais para dar ao espectador.

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Tal como em “Fly Me to Polaris“, também aqui este realizador conseguiu criar um produto com muita identidade e cheio de personalidade usando apenas material do mais piroso e previsivel que lhe caiu nas mãos.
Nas mãos de outra pessoa, um argumento tão vazio quanto este poderia ter dado origem a mais um filme oriental banal mas penso que isso não aconteceu de forma alguma, pois tudo aquilo que tem em falta no seu argumento, é plenamente compensado pelos detalhes do mesmo.
Este não é um filme oriental para ser visto pela história, embora esta nem seja má de todo pois está bem executada mas é uma obra para ser disfrutada pela atmosfera.

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Tal como um bom poema se pode definir pela sua alma, construção frásica e uma boa dose de emoção genuína que toque o leitor nos locais certos mesmo que o texto tenha por tema uma aparente banalidade qualquer, também em [“My Girl & I“] o que conta são os pequenos pormenores que lhe dão aquilo que falta na história, como se esta fosse apenas uma tela onde o que conta são os detalhes e não o que aparenta lá estar á primeira vista.
Isto é dificil de explicar, mas esta história sente-se precisamente pelos pequenos toques de magia aqui e ali ao longo do filme e que compensam plenamente a banalidade e previsibilidade do que se passa na vida dos personagens.

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Não há nada aqui que não tenha já sido visto antes no cinema asiático, pois parece um cruzamento entre “The Classic” com “Il Mare“, “Fly Me to Polaris” e mais um bocadinho da tristeza e melancolia de “The Floating Landscape” visto que “rouba” cenas a todos eles. No entanto consegue apesar de tudo ter uma identidade própria por estranho que pareça, muito graças a sua excelente fotografia e atmosfera juvenil contagiante.
Para começar, quem gosta de filmes passados á beira-mar vai adorar o ambiente de [“My Girl & I“].
As paisagens costeiras fazem lembrar a atmosfera de filmes como “The Big Blue/Le Grand Bleu” o fabuloso épico aquático-intimista de Luc Besson e todo o filme tem paisagens naturais absolutamente lindissimas. Estranhamente não se encontram fotografias nenhumas dessas imagens de [“My Girl & I“]  na net por isso terão de confiar no que lhes digo. Se gostam de mar, têm aqui o filme com o fundo perfeito para vocês.

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Aliás atmosféricamente falando, macacos me mordam se [“My Girl & I“] também não faz lembrar o melhor de coisas como “O Verão Azul” pelo seu ambiente juvenil muito natural e onde o drama e a comédia se equilibram perfeitamente por entre paisagens junto ao mar, farois e pores-do-sol quanto baste.
Para este resultado muito contribui também o trabalho do realizador que entre um estilo câmara na mão quase documental e o mais tradicional nos dá alguns dos melhores enquadramentos de paisagens naturais no cinema comercial Sul Coreano, talvez desde “Il Mare” onde cada detalhe da natureza é usado para criar autênticos retratos em movimento.

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Portanto quando temos um filminho Sul Coreano tão simpático assim e ainda por cima, este nos dá belíssimas imagens muito bem enquadradas a todo o instante quanto a mim é absolutamente redutor atirar pedras a [“My Girl & I“] só por causa da sua história previsível e por ser um romance teen.
Afinal o cinema não é só a história de cada filme e neste caso quanto a mim, estamos na presença de mais um daqueles raros produtos ultra-ultra-ultra comerciais que no entanto funcionam plenamente não só enquanto história de amor para e com  adolescentes mas também para quem procura um pequeno filminho cheio de alma e onde a poesia está onde menos se espera.

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E mais uma vez, estamos na presença de uma história de amor que acaba por nos tocar sem precisar de meter “i love you” a todo o instante na boca dos personagens.
Curiosamente vocês provavelmente não sabem, mas [“My Girl & I“] é um remake de outro filme. Um filme japonês intitulado “Crying Out Love in the Center of the World” e que segundo consta foi um êxito estrondoso no Japão, também por adaptar um dos livros românticos mais famosos por aquelas bandas.
Por isso…não deixa de ser interessante, agora o remake ser acusado de falta de originalidade quando no fundo parece que a fórmula Sul Coreana para cinema romântico, também parece ter ido beber ao mesmo texto japonês anos atrás.

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Irei em breve falar aqui também de “Crying Out Love in the Center of the World” e só não o fiz ainda porque preferi começar pelo remake Sul Coreano. Na verdade acho que ainda não cheguei a conclusão nenhuma sobre o original pois ao contrário deste [“My Girl & I“], pareceu-me ter demasiados tiques de cinema de autor que seriam excusados e por isso apesar de agora o seu remake Sul Coreano ter aligeirado o tom e tornado toda a história mais comercial, penso que ganhou pontos em relação ao original que na minha opinião parece levar-se demasiado a sério.

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Onde este remake fracassa em absoluto é naquilo que é o coração de “Crying Out Love in the Center of the World“. Quase no final da história um dos momentos altos é uma simples cena de um beijo dos protagonistas através de uma cortina de plástico transparente. No filme original essa sequência subitamente dá vida a um filme que até aí nos parecia demasiado estéril e consegue fazer-nos gastar lenços de papel, fronhas de almofada e rolos de cozinha em breves segundos.

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Coisa que não acontece minimamente em [“My Girl & I“] e deveria ter acontecido. Essa importante cena no remake que supostamente seria o ponto alto do filme nem sequer é particularmente tocante e achei isso muito surpreendente, sendo a única coisa que realmente me decepcionou. Especialmente porque ao contrário do original japonês, [“My Girl & I“] tem dezenas de pequenos momentos poéticos e emotivos espalhados ao longo das imagens e por isso esperava  mais da cena mais importante em toda a história, porque toda essa envolvência ao longo do filme parecia estar a conduzir o espectador até esse momento.

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No entanto, apesar desse pormenor, [“My Girl & I“] compensa plenamente essa falha em tudo o resto e sendo assim na minha opinião é mais um daqueles filmes orientais que deve fazer parte da dvdteca de quem gosta de cinema romântico sul coreano e onde os adolescentes não são mostrados como imbecis a todo o instante.
Não é Cinema com “C” grande, não vai mudar o mundo, não anda a ser recomendado por toda a gente, mas é um pequeno (quase grande) filme cheio de poesia visual e com uma atmosfera fantástica completamente recomendável a todos vocês que parecem triplicar-me as visitas ao blog sempre que eu coloco aqui uma review de um filme romântico oriental.
Por isso, meus amigos se quiserem mais um filminho asiático bonito pura e simplesmente, na melhor tradição do novo cinema comercial oriental SuL Coreano sem mais nem menos nem pretenções a grande obra,  atirem-se a este também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais um daqueles filmes orientais aparentemente banais na sua forma, embora cheios de pequenos momentos com muita  alma e como tal recomenda-se em absoluto apesar de ser um auténtico plágio dos melhores e mais conhecidos filmes românticos Sul Coreanos. Mas não é que resulta ?
Não será um grande filme asiático e é cinema ultra comercial por isso se tiverem algum problema com isso não irão gostar deste.
Curiosamente não gostei muito do filme quando o vi pela primeira vez, mas fiquei sempre com vontade de lhe dar uma segunda oportunidad e ainda bem que o fiz pois cada vez que o revejo parece que descubro nele mais um pormenor que me agrada. Pessoalmente recomendo-o sem qualquer reserva, pois este é um daqueles tão simples e ingénuos que se torna absolutamente cativante.

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A favor: a atmosfera visual é máginifica, excelentes enquadramentos e um uso perfeito das paisagens naturais, está cheio de pequenos pormenores poeticos apesar dos clichés, tem um sabor a Anime apesar de não ser um desenho animado pois alguns dos personagens parecem bonecos de um Manga, a banda sonora é fofinha e por isso perfeita (apesar das músicas em inglés no trailer (?!)), é um remake quase fiel ao original japonês e na minha opinião o facto de ser bem mais comercial enquanto filme só lhe faz bem.
Contra: A história de amor secundária envolvendo o avô do protagonista parece um plágio de “The Classic” onde nem falta a cena da despedida no comboio, o filme deveria ter tido mais dez minutos para desenvolver esse segmento secundário pois sente-se ali a força que deveria ter tido e não foi utilizada (mas não se deixem desmoralizar por isto pois essa parte dá imensa vida ao filme apesar de tudo), a sequência do beijo através da cortina de plástico não tem nem sequer metade do impacto e da emoção presente no filme original japonês de que este é um remake.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=2xv8v1eNk5Y

my_girl_and_i_01

COMPRAR
Podem comprá-lo também na Play-Asia como de costume numa edição também baratinha.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-49-en-15-my+girl+%26+i-70-1czl-43-9.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0488177/

Podem vê-lo online neste site que contém alguns filmes para verem na net de borla.
No entanto, não recomendo que o façam pois este filme tem muito a ganhar quando visto num ecrã a sério e não deve ser de forma alguma visto num browser.
http://www.koreanmovie.com/My_Girl_and_I_movie_videos280/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

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