“Feng shen bang” ( “League of Gods” ) Koan Hui (2016) China


O cinema de fantasia Chinês como [“LEAGUE OF GODS”] tem dois grandes problemas para conseguir vingar no ocidente; o primeiro problema está no total desconhecimento do público ocidental do que são os contos populares chineses de pura fantasia e da sua própria importância na história deste género. Isto porque quem conhece a literatura de fantasia chinesa que chegou cá ao longo dos anos essencialmente na forma de livros de contos sabe o quanto esta é incrivelmente rica em detalhes, ambientes, acontecimentos, acção e até bastante aventura onde não faltam “quests” variadas ao melhor estilo moderno.
[“LEAGUE OF GODS”] apesar de estar longe de ser um exemplo perfeito de uma certa maneira de ver o género da Fantasia, tem no entanto alguns pontos positivos dentro do cinema imaginativo Chinês.

league-of-gods-banner_03

[“LEAGUE OF GODS”] o filme é novamente , ( tal como “A CHINESE TALL STORY” ou “THE MONKEY KING II” já tinham sido ) mais uma representação visual de outra narrativa épica da literatura clássica Chinesa e encontrará o seu público por cá no ocidente principalmente nos espectadores que tiveram a sorte de crescer lendo algumas boas lendas naqueles objectos que costumavamos chamar de livros e que as crianças dantes tinham nas mãos antes dos tablets.
Esse público não estranhará o facto do moderno cinema de Fantasia Chinês parecer andar sempre em modo histérico no que toca ao seu visual e á sua estrutura narrativa, pois só agora com a democratização do CGI é possível tornar “reais” muitas daquelas coisas que dantes só podíamos imaginar lendo as descrições nos contos populares porque estes eram tão detalhados que até há bem pouco tempo nem Hollywood se quisesse os conseguiria reproduzir fielmente. Foi preciso mesmo o digital ter surgido pois isto com matte paintings tradicionais e cenários de madeira nunca iria lá.
Mas este é também o segundo problema…

league-of-gods-banner_01

O segundo problema está precisamente na estrutura deste tipo de versões cinematográficas que aos olhos do público ocidental parecerão sempre exageradas e totalmente sem nexo porque assentam numa narrativa levada ao extremo por cenas de acção e efeitos digitais num modo incrivelmente histérico que se tornará verdadeiramente insuportável numa questão de segundos para quem não estiver de todo habituado ao género.
E sim, o género da Fantasia Chinesa tem regras muito próprias.
Totalmente diferentes das da Fantasia ocidental bem mais contida mas também muito mais formulática em termos de conceitos visuais e por isso bem menos imaginativa.
No entanto pode até dizer-se que o cinema de Fantasia Chinês actualmente é tão rápido que faz coisas como a série “Transformers” do Michael Bay ( verdadeiramente um dos meus ódios de estimação ) parecerem cinema de autor para intelectuais de café.
[“LEAGUE OF GODS”] é no entanto um festival ( de “fake” )  CGI apresentado á velocidade da luz que poderá assustar muita gente que tentar ver este filme sem preparação contextual prévia.

league-of-gods-banner_09

Curiosamente recentemente também o americano “GODS OF EGYPT”, um ( excelente ) filme de fantasia ocidental (neste género ) mas totalmente Hollywoodesco foi trucidado na crítica e na maior parte da opinião pública ( que como carneiros se limitaram a seguir a moda de ódio do momento na internet )  precisamente por apresentar um estilo bem longe daquele encontrado na Fantasia ocidental e muito, muito semelhante ao estilo Chinês; coisa que poucos compreenderam e muitos menos ainda conseguiram apreciar.
“GODS OF EGYPT” com aquele argumento só podia ter sido mesmo adaptado como se fosse um verdadeiro livro ilustrado oriental, mas muito pouca gente percebeu isso.
Na realidade “GODS OF EGYPT” na sua essência foi precisamente uma tentativa uma tentativa de descolar o género – Fantasia – produzido no ocidente da já muito cansada e estereotipada fórmula americana Dungeons & Dragons. Uma fórmula que há décadas não passa de uma cópia muito simplificada das estruturas narrativas originais que Tolkien popularizou nos seus livros; grupo de heróis, anão, feiticeiro, hobbits ou semelhantes, elfos e afins, rapariga mercenária, etc, etc, etc…
“GODS OF EGYPT” em vez disso optou por uma estrutura bem típica do conto de fadas oriental , longe de todos os clichés ocidentais e bem próximo da representação visual das Mil-e-Uma-Noites  numa representação moderna. Uma estrutura onde a acção é por demais acelerada a todo o instante porque só podia ser assim para resultar enquanto livro ilustrado cinematográfico no estilo oriental.
Não resultou, pois nem os críticos perceberam a origem da inspiração do realizador Alex Proyas, nem o público tinha qualquer referência que lhe permitisse perceber que um caos visual não tem necessariamente que ser um caos mal controlado, tal como se demonstra de certa forma até mesmo agora em [“LEAGUE OF GODS”] e já tinha ficado bem claro em “THE MONKEY KING II” ou “THE PROMISE”; ambos exemplos fabulosos de como o conto de fadas oriental pode também traduzir-se em excelentes propostas dentro da aventura de Fantasia.

league-of-gods-banner_02

E ninguém controla melhor o caos cinematográfico actualmente dentro do cinema de Fantasia do que os Chineses que já se estão a tornar verdadeiros mestres num estilo de Fantasia ultra plástica ( em total modo “fake” verdadeiramente assumido ) mas com grande inventividade visual. Um estilo que não faz mais do que reproduzir finalmente todos aqueles ambientes esplendorosos e extravagantes que habitaram as páginas dos seus contos durante séculos sem fim e só agora finalmente graças ao ( excessivo ) uso de CGI podem finalmente ver a luz do dia em toda a sua glória.

league-of-gods-banner_48 league-of-gods-banner_15

Os mesmos contos que, curiosamente inventaram o conceito que temos hoje dos super-heróis modernos.
Os “X-Men” podem ter aparecido nos Estados Unidos , mas a sua fórmula estava presente da forma moderna que conhecemos hoje em dia já nos contos populares da China de há muitos séculos atrás, mais precisamente no seu épico de fantasia “Journey to the West” que é assim uma espécie de “Lusíadas” Chinês e que engloba não só a narrativa central como também muitos contos paralelos dos quais [“LEAGUE OF GODS”] faz inclusivamente parte como se fosse uma lua orbitando um planeta.
Não é [“LEAGUE OF GODS”] que se parece com um filme dos X-MEN, são os X-MEN que muito provavelmente sem querer foram imaginados segundo arquétipos heróicos pertencentes a lendas tradicionais que inclusivamente já contam com muitas e muitas centenas de anos. Milhares até, no caso oriental.

league-of-gods-banner_21 league-of-gods-banner_30

Uma das características mais fascinantes na literatura de Fantasia Chinesa, especialmente evidenciada nos seus contos, é o facto de em muitos momentos se parecer verdadeiramente com uma space-opera totalmente moderna ao melhor estilo Star Wars.
Por exemplo o clássico da literatura chinesa, “Journey to the West” está carregado de aventuras no espaço, naves espaciais que combatem com raios laser, criaturas mecânicas, “Vimanas” que percorrem os céus, cidades flutuantes que desafiam a gravidade e tudo o que vocês possam imaginar de mais tecnológico hoje em dia.
Tudo escrito há muito tempo atrás numa China totalmente distante.

league-of-gods-banner_37 league-of-gods-banner_43

Muito público ocidental quando olha para um título como [“LEAGUE OF GODS”] não consegue mesmo passar para além do ataque sensorial que este provoca com visuais que não dão descanso aos olhos e sequências de acção que não dão descanso ao cérebro; tudo acompanhado com efeitos digitais que vão do pior ao melhor do que se faz hoje em dia numa questão de décimos de segundo não dando sequer tempo ao cérebro para processar o que está a ver.
Mas será isto um ponto negativo do cinema de Fantasia Chinês actual ?…
Porque é que o mesmo público que aguenta o pior de filmes como “Transformers” ou vazios absolutos e formuláticos como “X-Men” e pimbalhadas da Marvel ( até mesmo em Comics ) depois é o primeiro a acusar filmes como [“LEAGUE OF GODS”] de serem maus filmes ?
Apenas porque aparentam fazer o mesmo… mas com o triplo da velocidade, já são insuportáveis ?…
Ou será porque não são falados em inglês ?…

league-of-gods-banner_28 league-of-gods-banner_16

Pode parecer insuportável mas contrariamente ao que acontece no cinema americano onde se encenam intermináveis cenas de lutas com robots gigantes em cenários quotidianos e desinspirados onde não há mais nada para ver a não ser porrada, filmes como [“LEAGUE OF GODS”] compensam plenamente a sua histérica estrutura com uma criatividade visual absolutamente excepcional.
[“LEAGUE OF GODS”] não é de todo tão bom quanto “THE MONKEY KING II” ou “THE PROMISE” foram e pede realmente que o espectador perceba as regras deste tipo de cinema ou chegue até ele sem ideias pré-concebidas para poder ser devidamente apreciado; mas pelo meio do seu “vazio” narrativo estão um conjunto de excelentes ideias que irão agradar a quem procura uma aventura de Fantasia com ambientes absolutamente inéditos. O que hoje em dia não é tão comum quanto isso.
[“LEAGUE OF GODS”] acima de tudo consegue uma coisa que o torna vencedor logo á partida.Consegue transportar-nos verdadeiramente para um outro mundo.

feng-shen-bang54 league-of-gods-banner_10

Um mundo de Fantasia tão diferente do que estamos habituados e que irá fazer as delícias de quem procura uma aventura que se passe em geografias imaginárias onde cada cenário é uma surpresa e onde cada surpresa está carregada de tantos detalhes que só a uma segunda visão conseguirão saborear tudo o que a produção imaginou e colocou no écran.
Visualmente [“LEAGUE OF GODS”] é absolutamente um espanto e só por isso vale a pena espreitarem. Tem também um certo sabor a “THE NEVERENDING STORY” pois algumas paisagens poderiam pertencer ao mundo de “Fantasia” onde Bastian mergulhou, sem destoar de todo, o que só lhe fica bem. Será verdadeiramente um dos melhores “livros ilustrados” que já vi no cinema oriental.

league-of-gods-banner_52 league-of-gods-banner_53

Está carregado de paisagens fabulosas, é muito variado nos cenários e inclusivamente tem uma das melhores fortalezas que alguma vez vi onde no segundo acto acontece uma das batalhas mais originais entre uma armada de naves espaciais invasoras e os defensores do castelo pela forma como as defesas da fortaleza actuam para destruir os invasores. Será talvez até a melhor parte da história e só é pena não durar mais.
É uma ideia fantástica carregada de imaginação na forma como está executada mas não posso revelar nada aqui para não estragar o filme a quem consiga chegar até essa parte sem desistir a meio.
Isto porque [“LEAGUE OF GODS”] pode ter muitas mais valias em termos criativos, mas é um filme que cansa !
Cansa mesmo !

league-of-gods-banner_47 league-of-gods-banner_44

Até eu que adoro este estilo oriental de filmar Fantasia fiquei exausto de olhar para isto só na primeira hora.
Aliás, há muito tempo que isto não acontecia mas quando eu julgava que já tinham passado pelo menos duas horas de filme, descobri que [“LEAGUE OF GODS”] ainda nem sequer tinha chegado a meio !!
Neste aspecto faz lembrar tanto o primeiro “THE MONKEY KING” quanto o original “A CHINESE TALL STORY” que sofrem exactamente do mesmo mal.
É que acontece tanta coisa, mas tanta coisa , mas tanta, tanta coisa só na primeira hora que dava para encher toda a trilogia do THE HOBBIT e ainda sobrava.
O que cria uma estranha sensação no espectador pois parece que já estamos a ver o filme há séculos quando ainda nem sequer passaram 60 minutos desde que tudo começou.
Filmes como [“LEAGUE OF GODS”] são definitivamente a prova de que o tempo é mesmo relativo e quase que se podem realizar experiências de física quântica com eles.

league-of-gods-banner_45 feng-shen-bang59

Portanto para mim é muito difícil classificar este filme.
Por um lado divertiu-me por completo em muitos aspectos, por outro é um filme dificil de recomendar a toda a gente pois muito público irá ficar bastante chocado ou extremamente exausto só nos primeiros dez minutos quando a aventura abre com uma cena de invasão e batalha a trezentos à hora e nos baralha por completo. Tudo se passa á velocidade da luz e o espectador não tem qualquer contexto para perceber bem onde raio está a história daquilo !! É como se tivessemos entrado a meio de um filme de Star Wars sem conhecer absolutamente nada sobre aquele universo e levar com sequências intermináveis de efeitos visuais sem contexto.
Habituem-se, pois o resto de [“LEAGUE OF GODS”] é ainda muito, muito pior neste campo. Se procuram por uma narrativa que lhes dá momentos para respirar e absorverem o que estão a ver, esqueçam. Não está nisto.
Se me perguntarem qual é  a história do filme neste momento não sei responder. Não me lembro absolutamente nada do que vi. Mete uma feiticeira e um tipo que voa, uns monstros e é isso…

league-of-gods-banner_42 league-of-gods-banner_11

[“LEAGUE OF GODS”] sofre de uma gritante falta de ritmo narrativo porque se calhar tem ritmo a mais. Terá porrada a mais e exposição a menos. Bem que eles tentam explicar coisas ao mesmo tempo que entram por desenfreadas sequências de acção mas tudo é tão caótico que nem conseguimos prestar atenção nem á acção, nem á história, nem aos detalhes. A nada.
Por exemplo “GARM WARS: THE LAST DRUID” também recorreu à ideia de usar as cenas de porrada para contar bocados da história, mas ao menos nesse filme a coisa até resultou mais ou menos.  [“LEAGUE OF GODS”] bem tenta, mas não chega lá. São coisas a mais a acontecerem, ao mesmo tempo que o filme tenta contar uma história pelo meio de intermináveis efeitos CGI.
É aqui que [“LEAGUE OF GODS”] falha redondamente.
Está bem que isto tem a ver com o estilo Chinês de filmar Fantasia mas desta vez é por demais, pois até eu achei que esticaram a corda ao máximo. Se vocês não gostaram de “GODS OF EGYPT” por o considerar vazio, plástico e rápido demais é melhor nem sequer tentarem ver [“LEAGUE OF GODS”].
Mesmo.
Em certas alturas faz lembrar o pior de “WARRIORS OF ZU MOUNTAIN“, um dos primeiros filmes de Fantasia que modernizou o género, anos atrás.

league-of-gods-banner_36 league-of-gods-banner_23

[“LEAGUE OF GODS”] tem outro problema…
Há por ali um dos personagens mais enervantes desde Jar-Jar-Binks… o bébé.
Este boneco é absolutamente insuportável e praticamente não serve para nada a não ser para depois “quando cresce”,  representar mais um “dos X-Men” nas sequências de acção.
Ainda por cima é protagonista de uma das cenas de porradaria digital mais inúteis alguma vez filmadas.
Trata-se de uma sequência de pancadaria passada no fundo do mar em que o bébé luta , usando peidos e bufas contra um exército de homens-sereia e caranguejos gigantes.
Eu disse, luta usando peidos e bufas.
A sério.

league-of-gods-banner_50 league-of-gods-banner_46

É este o grande problema de [“LEAGUE OF GODS”].
Não está no facto de ser mau porque é um filme a duzentos á hora dentro do estilo do cinema de Fantasia Chinês. É mau porque apesar de controlar bem o caos no que toca ás partes de acção ( algumas são mesmo um espectáculo de adrenalina ), depois não sabe o que fazer com a história e com as cenas que deveriam ter servido para nos fazer interessar pelos personagens mas que na verdade não servem para nada.
Não há um único personagem interessante nesta história a não ser a feiticeira vilã que é um espectáculo !

league-of-gods-banner_19 league-of-gods-banner_12

O resto são bonecos com tanto carisma quanto um gráfico da PS2 num daqueles jogos que mais ninguém joga.
Ou são inúteis e não servem para nada ou são simplesmente irritantes e não servem para nada; ( os dois bébés digitais… só á estalada por exemplo )…
Excepção para a planta faladora que é engraçada e poderia ter salvo o filme mas não lhe dão suficiente destaque.

league-of-gods-banner_34 feng-shen-bang55

Outra coisa curiosa nesta aventura é a constante mudança de tom. Ora estamos a ver um filme de acção e Fantasia em modo -sério- ora entra por um estilo de desenho animado que mais parece saído de um cartoon Warner Bros com o Road Runner.E quando o melhor personagem de [“LEAGUE OF GODS”] é a centopeia do deserto que aparece a meio da história tentando mastigar os herois quando estes cruzam um deserto, algo está realmente errado com este argumento.

league-of-gods-banner_18 league-of-gods-banner_06

Essencialmente estamos na presença de uma aventura que até dentro do próprio género a que pertence poderia ter saído melhor.
Tem muita coisa excelente mas depois o resto complica um bocado o resultado e como tal não é mesmo tão bom quanto deveria ter sido. Ou se calhar é… estou totalmente confuso.
Ainda por cima o filme termina com a história a meio e vamos ter sequela para completar a aventura que fica completamente pendurada precisamente no melhor.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO



[“LEAGUE OF GODS”] por um lado é divertido e se vocês gostam do estilo Chinês de filmar Fantasia é imperdível; por outro se não gostam, ou não conhecem, se calhar eu começaria antes por “THE MONKEY KING II” ou “THE PROMISE” antes de passarem a este…
Pessoal com epilepsia é melhor nem tentarem ver isto…
ou qualquer filme de Fantasia Chinês…

league-of-gods-banner_47 feng-shen-bang57

Parece-se bastante com uma versão moderna de “A CHINESE TALL STORY”; o estilo é semelhante, o caos também; apenas tem efeitos digitais superiores.
Quem detestou “GODS OF EGYPT” abstenha-se por completo.
Não irá encontrar qualquer coisa positiva neste título e muito menos irá compreender porquê precisa deste estilo para se enquadrar bem no género que representa.

Três tigelas de noodles.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

Provavelmente até merece quatro apesar de tudo ( e dentro de um certo contexto ), mas para já fico por aqui, até porque isto vai ter uma sequela e portanto quando eu tiver oportunidade de conseguir ver a história completa logo repensarei a minha classificação.
Para já se procuram cinema de Fantasia diferente [“LEAGUE OF GODS”] é um bom filme e apesar das suas muitas falhas irá divertir quem procura entrar verdadeiramente num mundo que nunca visitou.

league-of-gods-banner_05 league-of-gods-banner_32

Tem alguns momentos de acção excelentes. Outros nem por isso.
Mas visualmente é realmente um espectáculo.
Quem também julga o cinema pela qualidade dos efeitos especiais não irá gostar disto, pois varia entre o espantoso e o atroz numa questão de segundos e pode baralhar muita gente que não compreenderá que [“LEAGUE OF GODS”] é supostamente um livro ilustrado digitalmente e precisa dessa artificialidade para resultar.

A Favor: transporta-nos mesmo para um mundo que nunca vimos, as geografias imaginárias são fabulosas a fazer lembrar o melhor de “THE NEVERENDING STORY”, algumas sequências de acção e efeitos são geniais, a realização tem alguns momentos fantásticos na forma como gere todo o caos digital e consegue manter um bom espírito de aventura clássica, o design do filme é absolutamente do outro mundo desde o guarda roupa ao adereços tudo é incrível e muito imaginativo, boa banda sonora também, as naves, os palácios, os montes, os vales, tudo o que aparece no écran a todo o instante.

Contra: os personagens são um vazio absoluto, tenta contar uma história com demasiado caos pelo meio e em muitas partes do filme a coisa não funciona de todo, parece três vezes maior do que é porque mete tanta coisa a acontecer que quase nem queremos acreditar no que vemos quando ainda nem passou uma hora de filme, tem personagens absolutamente irritantes como os bebés que não servem para nada, tem pelo menos uma sequência de porrada digital totalmente inútil debaixo de água, o bébé vence um exército utilizando peidos e bufas debaixo de água, fica a meio quando acaba e não conclui absolutamente nada. Sinceramente acho que nem conseguiria resumir a história se me lembrasse dela…

league-of-gods-banner_14

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER CHINES

TRAILER OCIDENTAL

COMPRAR BLURAY
Não o compram pois não está ainda á venda, mas podem encontrá-lo aqui.

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt5481184

——————————————————————————————————————

Se gostou deste irá gostar de:

capinha_Themonkeyking capinha_sorcerer_and_white_snake capinha_restless capinha_snow-girl A Chinese Tall Story
capinha_dragon nest capinha_the monkey king 2 The Promise

——————————————————————————————————————

 

The Monkey King 2 : The Legend Begins (2016) ChinaThe Monkey King 2) Pou-Soi Cheang (


Wow !
Até ao momento [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] foi para mim a surpresa do ano em termos de cinema, pois desta não estava nada à espera.
Apanhar com uma sequela assim principalmente depois do primeiro filme ter sido tão …ehm…inclassificável… foi verdadeiramente um prazer no que toca à descoberta de novos filmes de Fantasia.

the monkey king 2_01

O personagem do –Monkey King– apesar de pertencer à própria cultura popular chinesa, para mim sempre foi absolutamente insuportável. Estas versões modernas, não são a primeira adaptação do conceito que trouxe este heroi para o cinema, mas independentemente de que versão tenha aparecido no mercado desde há décadas, para mim este Rei Macaco sempre foi o equivalente oriental ao Jar-Jar-Binks no Star Wars e portanto quem percebe esta referência já está a imaginar a tragédia e o quanto insuportável se pode tornar um personagem num filme de fantasia. E este ainda conseguiu ser pior, se é que tal lhes parece possível.

the monkey king 2_34

[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] apesar do subtitulo “The Legend Begins” é na verdade a sequela do filme “The Monkey King” de 2014. Ou melhor, por acaso pareceu-me quase uma espécie de -reboot- não assumido desta franchise oriental. [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] está para “The Monkey King” e para a série de adaptações clássicas de filmes Chineses -“Journey to the West”- como o novo Star Wars – The Force Awakens, está para o universo Star Wars.
Apesar de referenciar muitos dos acontecimentos anteriores, [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é muito semelhante ao novo Star Wars na forma como usa tudo o que já foi feito anteriormente em cinema para de certa forma recomeçar a saga de -Journey to the West- e as aventuras de Monkey King com um novo fôlego.
E que fôlego meus amigos !

the monkey king 2_33

Muito raramente se encontra uma sequela que melhore por completo o que foi feito no filme anterior mas [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é definitivamente um verdadeiro manual de como se olha para um primeiro título e se consegue reparar practicamente todos os defeitos e falhas apresentadas na primeira adaptação.
Estava a ver isto e a pensar que quase parecia que o os criadores deste segundo filme tinham lido a minha review do primeiro “The Monkey King“, anotado cada uma das minhas queixas e melhorado tudo o que eu tinha apontado de negativo. Curiosamente, ao ler um par de outras reviews profissionais na internet, notei que também outras pessoas sentiram exactamente o mesmo que eu senti e também pela mesma razão gostaram agora também mesmo muito desta sequela.

the monkey king 2_15

Afinal [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é bom porquê ?
Para dizer a verdade, isto começou e durante os primeiros vinte minutos ou algo assim, eu já pensava – not again – e já me preparava para desancar forte e feio também nesta sequela.
Para quem viu o primeiro capítulo disto (não é obrigatório), certamente também o inicio desta sequela lhes irá parecer mais do mesmo. O personagem continua insuportável, acontecem lutas em animação CGI histérica desde o primeiros segundo sabe-se lá porquê pois não têm grande contexto para nos situar na acção e até se anda à porrada com um típico dragão chinês só porque este tinha mesmo que voltar a aparecer no filme, (pois é realmente muito cool sim senhor) e não havia maneira de certamente o encaixar noutra parte da história.
Portanto, tudo péssimo no início deste filme, sem olharmos para isto em comparação com o que esperávamos que tivesse evoluído desde a primeira aventura.

the monkey king 2_30

No entanto, continuem com o filme e vão descobrir que pouco a pouco irão ficar estranhamente mais interessados em tudo o que se passa no ecran e quando vocês darem por isso já estão a adorar aqueles personagens. Personagens que à partida parecem vir a ser tão rídiculos quanto o heroi mas que quando vocês chegarem ao final deste filme, mal podem esperar para os voltar a ver numa parte 3 que espero sinceramente que seja produzida com a qualidade e identidade deste segundo capítulo.
Atenção, toda a minha review enquadra-se num contexto de cinema de Fantasia. Se vocês não têm qualquer interesse por dragões, feiticeiros, cidades encantadas e montros míticos chineses, então é melhor passarem à frente e irem ver outra coisa qualquer que eu tenha recomendado por aqui.
Se chegaram até aqui, gostam de Fantasia e procuram uma história que se torna absolutamente cativante então estão no sítio certo.

the monkey king 2_20

Aliás, o grande trunfo de [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] está no facto de ir melhorando a cada minuto que passa. Este foi para mim um daqueles raros filmes em que senti que o que ainda estava para vir ia ser melhor e felizmente desta vez não me enganei.
Especialmente a nível de personagens.
Felizmente que alguém percebeu que o “The Monkey King” anterior precisava mesmo de uma renovação e de um grande melhoramento a nível de humanização dos herois para deixar de ser apenas o festival técnico de CGI sem alma que caracterizou o primeiro filme.
E é precisamente na humanização dos herois que [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] desta vez acerta em cheio.

the monkey king 2_22

Não parece ao início; a quantidade de efeitos digitais em modo ultra histérico continua absolutamente elevada a todo o instante mas mais uma vez se demonstra que se calhar um mau filme não está no exagero de efeitos digitais ou num excesso de cenas com efeitos especiais mas sim no facto de muitos filmes suportados em efeitos não os conseguirem mostrar dentro de um contexto concreto com pesonagens de que fiquemos a gostar.
[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] pega em tudo o que falhou no primeiro filme a nível de personagens e exagero de efeitos sem alma, para melhorar tudo isso e desta vez temos uma história que trata tão bem os seus protagonístas que depois o exagero de efeitos já nem parece problemático; isto porque tudo está em perfeito equilíbrio precisamente porque desta vez ficamos mesmo a gostar de acompanhar cada um dos herois sem sentirmos que andam perdidos em intermináveis cenas de ecran verde para nada.

the monkey king 2_28

[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é um filme que sabe quando deve parar. Pelo meio de tanta porrada digital, tanto efeito, tanto design espectacular ainda sobra espaço para um excelente desenvolvimento de personagens. A história está polvilhada de pequenos momentos que humanizam cada heroi (e até a vilã) e ainda consegue arrancar um par de momentos verdadeiramente dramáticos no melhor dos sentidos. É nessa altura que nos apercebemos que se calhar esta filme é bem melhor do que nos parecia pois damos por nós a nos importarmos realmente com a relação entre os personagens.

the monkey king 2_16

E suspense. Este filme consegue ter suspense ! Até mesmo numa história de fantasia algo formulática em termos de estrutura consegue criar um par de momentos de tensão bastante bons que só contribuem para o espírito de aventura geral. E consegue isto até mesmo em cenas completamente afundadas em animação de CGI, o que não deixa de ser um feito notável.
Da mesma forma que os personagens vão ficando mais complexos, também a animação digital vai ficando mais espectacular e as cenas de acção vão se tornando mais histéricas. Só que desta vez tudo resulta, porque todo o filme já encontrou o seu equílibrio à muito.
Deixem-se levar por este universo e vão encontrar um dos melhores mundos de fantasia dos últimos tempos.

the monkey king 2_32

Em termos de acção nota-se um esforço evidente para que cada cena de porrada apresente algo diferente. Nem sempre resulta, mas percebe-se que o filme está cheio de boas tentativas de nos divertir com cenas de luta o mais variadas possível.
[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é um filme de artes marciais dentro daquele estilo –Fantasia– muito assente em acrobacias com fios (que muita gente não gosta), passado num mundo algo semelhante ao de “The Promise” ou “The Restless” e é tudo o que por exemplo o ultra-decepcionante “Monk comes down the mountain” não conseguiu ser no que toca à criação de um universo de fantasia único envolvendo lutas de artes marciais.

the monkey king 2_27

É certo que em [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] os efeitos especiais continuam a ser por demais, mas desta vez como tudo está bastante bem equílibrado quanto a mim isso só contribui mais para nos transportar para um verdadeiro mundo encantado, numa China mítica que tem algo a ver também com o espírito das Mil e Uma Noites…e…macacos me mordam se não há por aqui neste filme um par de piscadelas de olho aos filmes de aventuras arábicas do clássico criador de efeitos especiais Ray Harryhausen (filmes de Sinbad dos 50,60,70s); pois a cena da luta contra os esqueletos neste filme parece ser uma verdadeira homenagem à cena clássica do filme com as aventuras de Sinbad que muita gente interessada pelo cinema de Fantasia clássico, conhece.

the monkey king 2_24

Adoro quando um filme de fantasia me consegue realmente transportar para um mundo imaginário e há muito que não via algo que tivesse tido esse efeito da forma como [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] o fez agora. Nem os recentes -The Hobbit- de Peter Jackson tiveram esse efeito em mim na sua totalidade e muito menos tinha encontrado qualquer título oriental recente que tivesse conseguido criar um mundo realmente único dentro do género da Fantasia desde “The Promise” há dez anos atrás; talvez com excepção do divertido “Dragons Nest: Warrior´s Dawn” no que toca ao puro cinema de animação.

the monkey king 2_18

[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] acerta em cheio na criação de um mundo imaginário. Apesar de ser assumidamente –cinema de Photoshop– essencialmente, consegue no entanto abrir-se a uma escala épica que tinha faltado em absoluto ao primeiro “The Monkey King“. Desta vez já tudo não se passa apenas num único ambiente e os nossos herois fazem realmente uma veradeira viagem por um mundo de fantasia onde encontramos as paisagens mais variadas e imaginativas que para mim são absolutamente essenciais quando se pretende transportar o espectador para um outro universo.

the monkey king 2_31

Os herois viajam por desertos, florestas, vales, montanhas sem neve, montanhas com neve, cidades em ruínas, capitais épicas (com sabor a Mil e Uma Noites), templos perdidos, torres demoníacas, masmorras e todo um sem numero de locais que adorei percorrer e que contribuiram totalmente para solidificar aquele mundo de fantasia que mesmo construído em CGI sente-se no entanto como real; (essencialmente porque assenta em bons personagens).
Em vários momentos parece que estamos  a ver um excelente livro ilustrado com um qualquer conto de fadas muito imaginativo visualmente e portanto nota alta para o concept-design desta aventura.

the monkey king 2_23

E por falar em personagens, o filme pode chamar-se [“The Monkey King 2: The Legend Begins“], mas desta vez, felizmente já tudo não precisa de girar à volta do protagonísta. Na verdade senti que os criadores deste filme perceberam que o -“sindroma Jar-Jar-Binks”– poderia realmente continuar a dar cabo desta saga e desta vez o próprio Monkey King mesmo apesar de continuar histérico com o raio e com um riso absolutamente irritante está no entanto mais contido. Não só tem momentos de pausa muito bons em que podemos vislumbrar uma verdadeira humanização por detrás do personagem, como este faz parte de um grupo mais vasto e funciona mais como complemento central onde toda a história assenta do que própriamente tem o papel central.

the monkey king 2_35

A haver um heroi se calhar é o personagem do monge que tem a missão de viajar para Oeste em busca dos escritos sagrados do Budismo, mas mesmo este não resultaria se não estivesse apoiado pelos restantes membros do grupo de herois e portanto temos aqui um verdadeiro -ensamble cast- em vez da história ser apenas uma desculpa para cenas de acção histéricas com o Monkey King. Todos os personagens importam e tudo resulta por causa dessa química que há entre eles e que nos fazem gostar de acompanhar o seu destino.

the monkey king 2_25

[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é também um filme sobre o vilão da história. Ou melhor, sobre a vilã. Uma verdadeira feiticeira completamente inspirada na bruxa má da história da Branca de Neve (ou pelo menos parece) e que acaba por ser o coração emocional do filme, até na forma como a sua história está depois ligada ao próprio destino do monge e irá afectar toda a acção e desenvolvimento dramático no segmento final da aventura que resulta em pleno.

the monkey king 2_17

Este personagem da feiticeira é um espectáculo. Não só a caracterização e o design são perfeitos, como depois tudo o que envolve efeitos especiais em torno da sua Magia é absolutamente cativante. [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] contém realmente muito boa animação CGI e se calhar não se nota, mas é nos momentos mais calmos envolvendo o personagem da vilã que nos damos conta como bons efeitos digitais quando resultam realmente contribuem para nos transportar para um mundo imaginário e nem por um instante nos lembramos que estamos a ver um persoangem de fantasia.

the monkey king 2_26

Já falei sobre a origem desta história noutras reviews, mas para quem não sabe “Journey to the West” é assim uma espécie de saga da literatura clássica chinesa com uma forte tradição budista e em termos de comparação com Portugal é quase o equivalente aos “Lusíadas” só que com muito mais imaginação como podem ver pelos filmes se já os conhecem.
O Rei Macaco é apenas um dos persongens dessa saga mas é um dos herois míticos mais populares da China.
Curiosamente esta nova franchise do “Monkey King” é quase uma sequela (e prequela também) de um dos títulos orientais que já comentei por aqui, chamado “A Chinese Tall Story” e que na verdade é outra adaptação de mais um bocado desse texto clássico chinés (texto por demais enorme para ser adaptado num único título mas com material para aventuras inesgotáveis que certamente ainda iremos continuar a ver muito pelo cinema de fantasia chinês).

the monkey king 2_29

De resto, o que mais dizer sobre este filme ? Falha no quê ?…
Bem, se calhar muitos cenários digitais são exageradamente digitais, se calhar tem alguma acção demasiado exagerada; mas a verdade é que desta vez isso não é de todo um problema. Só o facto de eu estar aqui a tentar esforçar-me para encontrar algo de verdadeiramente mau sobre este filme para postar aqui, é sinónimo de que se calhar achei [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] ainda melhor do que eu pensei.

the monkey king 2_19

Ah, e a banda sonora não se nota à primeira, mas é excelente e absolutamente perfeita para este tipo de história. Só me apercebi o quanto a música deste filme tem personalidade quando a estava ouvir nos créditos e fiquei com  vontade de comprar o cd  e tudo.
E por falar em créditos, vejam o filme até ao fim. 😉

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Ainda pensei atribuír-lhe “apenas” cinco tigelas de noodles porque isto afinal não será própriamente o Casablanca e é apenas um filme de efeitos especiais bastante bom, mas a verdade é que eu realmente adorei [“The Monkey King 2: The Legend Begins“].

the monkey king 2_14

Como cinema de Fantasia foi dos títulos que mais gostei nos últimos anos e acima de tudo gostei do facto de não ter gostado dele no início mas depois ao acabar só me apetecia ver uma terceira aventura e é muito raro encontrar cinema de efeitos especiais num modo histérico que me consigam cativar tanto.
Este vou comprar mesmo em Blu-Ray pois aposto que a versão 3D vai ser realmente fantástica, até porque o filme está cheio de momentos visuais que irão resultar muito bem de certeza absoluta nesse formato. Normalmente nem tenho grande curiosidade pelo 3D mas abro uma excepção concerteza para esta aventura.

anim

Transportou-me verdadeiramente para um mundo imaginário que não questionei de todo e só por isso vale cinco tigelas de noodles e um Golden Award.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: corrigiram tudo o que estava mal no primeiro filme da saga, desta vez temos personagens de que gostamos, a vilã é fantástica, é muito variado em termos de ambientes e criaturas imaginárias, tenta variar também  nas cenas de luta, consegue criar um mundo de fantasia sólido mesmo com todo o cgi à mistura, excelentes paisagens, parece um livro ilustrado em muitos momentos, bom sentido épico, boa banda sonora, muito divertido, deixa-nos com vontade de continuar a acompanhar aqueles personagens

Contra: os primeiros vinte minutos são algo caóticos e tudo parece banal e mais do mesmo em relação ao primeiro título de 2014, é cinema photoshop e portanto se são alérgicos a efeitos especiais deste género podem não gostar disto, se não gostam de cinema de fantasia em jeito de conto popular chinês esqueçam este título.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4591310

Outra review:
http://www.hollywoodreporter.com/review/monkey-king-2-film-review-860996

——————————————————————————————————————

the monkey king 2_10
the monkey king 2_11
the monkey king 2_06
the monkey king 2_07
the monkey king 2_05
the monkey king 2_09

Mtime.com

the monkey king 2_12
——————————————————————————————————————

COMPRAR BLURAY [várias opções à venda no Oriente]

the monkey king 2_13

COMPRAR BLU-RAY REGIAO ZERO/LIVRE na YesAsia
http://www.yesasia.com/us/the-monkey-king-2014-blu-ray-3d-2d-taiwan-version/1035437909-0-0-0-en/info.html

COMPRAR BLU-RAY REGIAO ZERO/LIVRE na DDHouse
http://www.dddhouse.hk/products/monkey-king-2-the-3d2d-blu-ray-2016

(Em Hong Kong na Play Asia, sai em Maio de 2016 – várias opções)
BLURAY [região zero]
3D e 2D – http://www.play-asia.com/the-monkey-king-3d2d/13/707qw5
3D apenas – http://www.play-asia.com/the-monkey-king-3d/13/707qvt
2D apenas – http://www.play-asia.com/the-monkey-king-2d/13/707qvx

DVD [região zero(?) por confirmar ainda…]
http://www.play-asia.com/the-monkey-king/13/707qvp

——————————————————————————————————————

Se gostou deste irá gostar de:

A Chinese Tall Story capinha_Themonkeyking capinha_sorcerer_and_white_snake capinha_restless capinha_snow-girl

capinha_vikingdom capinha_dragon nest The Promise

——————————————————————————————————————
Cinema_oriental_no_facebook

 

 

The Assassination Classroom (Ansatsu kyôshitsu) Eiichirô Hasumi (2015) Japão


Se são daqueles que sempre pensaram que o que faltava no filme “Dead Poets Society/O Clube dos Poetas Mortos” eram umas pistolas e uns assassinatos então , [“The Assassination classroom“] é para vocês !

the assassination classroom 01

Quando eu pensava que já tinha visto tudo, eis que o Japão volta à carga com mais um titulo absolutamente indiscritível e verdadeiramente inclassificável.
Por falta de tempo não costumo acompanhar o que se passa no mundo das séries Anime ou dos Manga, mas consta que este filme é a adaptação live-action de uma das mais populares séries animadas do momento em termos de objecto de culto.
Depois do filme, acho que vou ter mesmo que ver a série…

the assassination classroom 20

Para aqueles que andam sempre a dizer que já não existem conceitos originais, tomem lá este.
Um extraterrestre que se parece com um polvo gigante amarelinho e com o rosto sorridente do -smile- um dia destroi mais de metade da lua (esculpindo-a para sempre em forma de meia-lua) e dirige-se para o nosso planeta Terra para voltar a fazer o mesmo, porque sim.
Para evitar que tal tragédia aconteça o governo do Japão faz um acordo com o alienígena e na troca deste poupar a Terra por mais uns meses, aceita dar-lhe emprego como professor de liceu.

the assassination classroom 14 copy

Sim, leram bem.
Mas não é um professor qualquer. É um professor de –assassinato– num liceu que treina os adolescentes para serem assassinos profissionais porque sim.
O objectivo na sala de aula, é por isso, assassinar o professor. Se não o conseguirem fazer até um determinado prazo, o extraterrestre amarelinho irá destruir também o planeta Terra porque lhe apetece.
Ainda está alguém aí ?… … …

the assassination classroom 21

E mais; tudo isto parece passar-se numa espécie de Japão alternativo, ou pelo menos num futuro próximo onde a sociedade e o mundo escolar está dividido entre aqueles que têm boas notas nos estudos e por isso irão pertencer à elite e aqueles que são medianos mas que estão para sempre condenados a servir os ricos , um pouco como nas castas indianas.
Esses alunos são remetidos para a turma-E onde são treinados como assassinos para servir o governo.
Ah e a professora de Inglés chama-se “miss Bitch”.
Vic Bitch.

the assassination classroom 13

E pronto, a partir daqui o que mais se pode dizer…
[“The Assassination classroom“] poderia ter sido um dos mais geniais filmes de…qualquer coisa…desde…ehm…qualquer outro…
O problema é que este filme tem pelo menos meia hora a mais e isso retira-lhe logo muito do divertimento que parece ir gerar à partida quando apanhamos com o conceito de tudo isto.

the assassination classroom 17

Talvez porque tem a necessidade de apresentar inúmeras personagens ao mesmo tempo que tenta fundamentar este universo totalmente alucinado, [“The Assassination classroom“] acaba por gastar muito tempo naqueles momentos de exposição em que se fala muito sobre coisas em vez dessas coisas nos serem mostradas. Curiosamente isto parece ser a típica praga que assola grande parte do cinema live-action Japonês quando entra por este tipo de histórias mais Anime e [“The Assassination classroom“]  ressente-se disso, pois não fosse tão repetitivo na sua estrutura e tudo poderia ter sido fantástico. Algo me diz que a sequela (e sim vai ter sequela), irá ser bem mais consistente precisamente porque já não tem de apresentar personagens.

the assassination classroom 22

É também um filme em termos geográficos muito restrito e tudo practicamente se passa ou dentro da sala de aula ou no recreio do liceu. Raramente abre a acção ou o drama para outro sitio qualquer salvo um par de breves momentos. Pessoalmente estou sempre á espera de ambientes épicos neste tipo de filme que se cola de certa forma ao estilo -super herois- de uma maneira ou de outra e quando isso não acontece sinto sempre que falta algo. Mas isto é uma opinião pessoal mesmo. De qualquer forma practicamente toda esta primeira história se passa dentro da sala de aula e pouco mais.

the assassination classroom 16

Por outro lado, personagens completamente loucos é o que não falta por aqui. Desde o super-puto tipo Dragon Ball que voa e luta com os cabelos, até à colega de turma que é assim uma espécie de super computador em versão monólito do 2001 mas num estilo teenager fofinha; tudo em [“The Assassination classroom“] parece existir para desorientar o espectador apanhado de surpresa. Mas resulta ?
Por acaso até resulta. Até o puto esquisito tem pinta.

the assassination classroom 07

Tirando a repetição constante das situações, algumas cenas que não levam a lado nenhum (os rapazes irem espreitar o dormitório das raparigas) e o excesso de diálogos de exposição, a verdade é que ainda sobra muita coisa realmente divertida que nos faz ficar hipnotizados sem conseguir sair de frente do ecran só para saber o que raio nos vai parecer pela frente de seguida.

the assassination classroom 03

[“The Assassination classroom“] tem também a vantagem de contar com efeitos especiais fantásticos no seu geral. Algumas cenas de acção mais digitais resultam plenamente, a estética visual é totalmente Anime mas reproduzida em live-action e nada se pode apontar de negativo em termos técnicos a esta produção. Simplesmente esquecemo-nos muitas vezes que estamos a ver efeitos especiais e isso é o melhor que se pode dizer deste trabalho nesse aspecto.
A animação digital do personagem alienígena Kersensei é simplesmente espectacular e não conseguimos distinguir quando foi usada animação digital ou um efeito práctico com um boneco insuflável real no set.

the assassination classroom 02

Todas as aventuras alucinantes do alien sorridente são acompanhadas por animação fabulosa, fluída e absolutamente notável, sendo este filme um bom exemplo para mostrar aquele pessoal que ainda pensa que só em Hollywood se fazem efeitos especiais a sério.
Quem gosta daquelas sequências de acção em estilo Dragon Ball ou Pokemon, vai delirar com algumas das cenas deste filme pois devem ser das mais fieis ao estilo Manga que vi até agora.

the assassination classroom 10

[“The Assassination classroom“] é um filme de efeitos especiais, mas ao contrário de coisas como por exemplo “Transformers”, aqui os efeitos são sempre usados para complementar a história e não apenas para exibir o boneco (e ficamos a gostar muito do boneco sorridente também (apesar do riso irritante)). Teria sido muito simples terem entrado por esse caminho, mas felizmente que o argumento ainda se preocupa com os personagens. Infelizmente nem sempre resulta, pois são personagens a mais para duas horas de filme, mas pelo menos (embora algo vazios) nunca sentimos que estejam apenas por ali à deriva, pois alguns até têm momentos importantes, principalmente nas tentativas de assassinato do professor.

the assassination classroom 04

O filme falha no entanto quando tenta dramatizar algumas situações, por exemplo no final. Há tanto personagem no filme que quando a história precisa de tentar meter alguma emoção para criar empatia com o espectador no que toca ao destino de certos personagens a coisa não resulta de todo e tudo parece metido a martelo porque era preciso e mais nada.
E não resulta porque precisamente não há grande desenvolvimento de personalidades ao longo da história. Todo o filme é focado no alien e como resultado o personagem mais humanizado acaba mesmo por ser ele. O que nem é particularmente negativo.

the assassination classroom 15 copy

Este é um filme muito estranho, não só pelo tema, mas pela estrutura. Na verdade não se passa grande coisa nele a não ser assistirmos constantemente às inumeras tentativas de assassinato do professor. Algumas divertidas, outras espectaculares, outras nem por isso.
Ha por aqui algures uma sátira politica e um comentário social, mas perde-se um bocado porque o que importa é mesmo o boneco amarelo. Por outro lado nem é grave, pois o que importa mesmo é mesmo o boneco amarelo e sendo assim…venha ele.

the assassination classroom 05

Portanto [“The Assassination classroom“] recomenda-se a quem ? Bem, a quem conhece o Anime original talvez. Também se recomenda a quem quer ver um filme completamente alucinado pois a verdade é que é realmente uma ideia original muito bem executada técnicamente. Só pela originalidade vale a pena espreitarem.
Tem algum humor, é fofinho quanto baste e apesar da enorme quantidade de armas , não é propriamente um filme violento, embora tenha aqui e ali umas pitadas de politicamente incorrecto muito bem colocadas, o que só lhe fica bem.

the assassination classroom 06

A verdade é que senti que há por aqui algo com um enorme potentencial, mas que fica a meio caminho precisamente porque isto é essencialmente um filme introdução.
Este universo tem de ser explicado, deixa pontas soltas no ar no final e tudo aponta para que a sequela resolva tudo o que fica a pairar nesta primeira parte.
Por outro lado, tem momentos divertidos e a sua originalidade é totalmente cativante.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Estava a pensar dar uma classificação menor a [“The Assassination classroom“] porque tem realmente meia hora a mais e as cenas de exposição tornam a história algo maçadora e repetitiva quando a história chega a meio; no entanto ninguém poderá negar a originalidade deste filme e só por isso merece ser destacado. Ainda por cima tecnicamente está fantástico e portanto é um daqueles que se recomenda a toda a gente que pensa que já viu tudo.

the assassination classroom 19

Quatro tigelas de noodles porque sinto que a sequela deverá ser melhor, mas este vale pela originalidade acima de tudo.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: a originalidade e a loucura de todo o conceito, o personagem do alien amarelo é genial, os efeitos especiais digitais são de alta qualidade, boa fotografia, torna-se num filme verdadeiramente hipnótico a partir de certa altura.
Contra: deveria ser mais curto e ter menos momentos de exposição redundantes, é algo repetitivo quando passa a novidade do conceito, são duas horas onde não acontece grande coisa para além do que se repete constantemente e o final fica no ar.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt3853452

——————————————————————————————————————

Se gosta de filmes alucinados e originais:

capinha_the-great-yokai-war capinha_Mr-Go capinha_attack_the_gas_station capinha-happiness-of-the-katakuris capinha_20th

——————————————————————————————————————

Cinema_oriental_no_facebook

Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal (Zhong Kui fu mo: Xue yao mo ling) Peter Pau / Tianyu Zhao (2015) China


Quem diria que por detrás deste festival de maus efeitos digitais estava um filme de fantasia tão interessante…

Snow Girl01

[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é o tipo de cinema de fantasia que é imediatamente atacado por todos os lados pelo público ocidental apenas porque os seus efeitos CGI não prestam. Está portanto visto que para muita gente actualmente, mau CGI = mau filme porque provavelmente para muito público, o Cinema não deve ter mais nada para além disso.

Snow Girl02

Este filme geralmente é atacado na net em muitas opiniões ocidentais apenas por causa dos seus efeitos especiais mediocres, como se os efeitos especiais tivessem alguma coisa a ver com a qualidade do cinema enquanto arte.
Se vocês também são daquelas pessoas que acham que um os efeitos especiais definem o que é um bom filme, então é melhor passarem à frente e ignorarem [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”]. Porque sim, os efeitos neste filme são do pior. Às vezes as animações estão mesmo ao nível de um mau jogo para a Playstation One , o que  é tecnicamente trágico.

Snow Girl27

Por outro lado, se pensarmos nisto enquanto filme no sentido mais tradicional e esquecendo por momentos os efeitos; será realmente tão mau assim ? Será que a realização é má ? A montagem não presta ? Será que a fotografia é amadora ? Será que não tem actores de jeito o que a história é banal ?
Bem, na verdade não.
Tirando os efeitos especiais, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] foi uma boa surpresa e um filme que se torna verdadeiramente agradável e cativante a cada minuto que passa.

Snow Girl17

Percebi logo que não ia ser verdadeiramente insuportável como por exemplo foi “Warriors of the Zu Mountain (versão2)“, mas esperava que fosse uma espécie de fantasia em tom algo pimba (-brega- para o pessoal no Brasil) ao estilo de um “A Chinese Tall Story“; (outro filme onde os atrozes efeitos CGI são reis) mas que acaba por ser um filme simpático se o virmos por um contexto WTF. 😉

Snow Girl19

Quanto muito esperava que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] fosse divertido nos primeiros minutos mas depois se tornasse apenas em mais uma extravaganza de porrada digital e animações de computador como aconteceu ainda em “The Monkey King” por exemplo que deu um tiro no pé ao tornar-se tão repetitivo e histérico em termos de porradaria digital.
Resumindo, apesar da má onda inicial em termos técnicos, a verdade é que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] parecia ter ali algo mais.

Snow Girl30

E felizmente não me enganei, embora quando o filme acabou duas horas depois eu estivesse realmente surpreendido com o resultado final. Os efeitos digitais não melhoram (até pioram), mas este filme surpreendeu em tudo o resto.
Para quem não gosta de cinema de fantasia, esqueçam, vão ver outra coisa. Para quem gosta de cinema de fantasia mas apenas a vê como sendo aquele molde Dungeons & Dragons inspirado pelo trabalho de Tolkien, então também não é o filme para vocês.

Snow Girl11

Agora…quem gosta de cinema de fantasia e percebe a lógica e o contexto do género dentro do estilo chinês e da cultura do conto de fadas na china; ou seja, do conto popular chinês, então [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é um filme a não deixar de ver até ao fim, mesmo que o início lhes pareça algo desinteressante ou pouco original.

Snow Girl20

Esta é a história de três reinos: o reino dos céus onde moram os deuses, o plano terrestre onde vivem os humanos e por fim, o inferno onde habitam os demónios.
É a história de um jovem caçador de demónios (treinado por um dos Deuses) que um dia se apaixona por uma bonita “princesa” que na verdade é ela própria um demónio que habita no inferno.

Snow Girl06

Enquanto o plano terrestre considera o reino dos céus como o lado bom da origem da sua existência e o reino do inferno como o lado mau que é preciso evitar a todo o custo a verdade é um pouco diferente.

Snow Girl14

[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é na sua essência uma história sobre o Yin Yang e portanto muito espectador ocidental (nomeadamente evangélicos fundamentalistas) irá ficar chocado quando nesta história o Inferno não é retratado como sendo um lugar de sofrimento (ou um sítio mau) mas sim apenas como um reino diferente do reino dos céus, cujo o único pecado é se calhar não ter tido um bom decorador.

Snow Girl25

As diferenças entre esses dois planos espírituais, são apenas artificialmente e culturalmente assinaladas pelos humanos no plano terrestre que essencialmente funciona como sendo a dimensão onde se joga o equílibrio entre as forças divinas; equílibrio esse que é fundamental para a harmonia do próprio universo.
Ou seja, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é uma história onde os demónios só aparentam ser maus porque o lado do reino dos céus para a população terrrestre está conotado como sendo o -BEM-; por isso, como diz um dos personagens a certa altura, se o Reino dos Céus representa o Bem, o que sobra então para o Reino do Inferno ser ?!…

Snow Girl05

Portanto toda a história é sobre o permanente equílibrio entre o Yin e o Yang e sobre os acontecimentos que um dia colocam em causa a própria existencia do universo quando a luta pelo poder é comum a todos os planos independentemente da conotação cultural ou religiosa atribuída pelos humanos a cada um deles.

Snow Girl31

Portanto meus amigos, já perceberam que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é filosóficamente mais complexo do que parece à primeira vista. E sabe muito bem como desenvolver essa complexidade no desenrolar da história. Até o final é particularmente diferente do que esperariamos ver se isto fosse uma produção de Hollywood.

Snow Girl21

Curiosamente o início do filme não indica que este se irá tornar em algo mais do que apenas um filme de porradaria fantasiosa com maus efeitos CGI em modo histérico. Os primeiros vinte minutos ou coisa asssim, como já disse não são particularmente interessantes, mas deixem-se ficar e serão recompensados com vários pormenores que irão ficando cada vez mais interessantes.
E por favor, esqueçam os efeitos especiais, eu sei que não valem um corno. Get over it !

Snow Girl10

[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] pelo meio de tudo isto, consegue uma coisa que por exemplo o excelente e algo semelhante em tom “The Promise” não conseguiu; ou seja, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] contém realmente uma história romântica com carísma. O heroi pode parecer um bocado estúpido e grunho, mas a química com a “princesa” da história é tudo aquilo que faltava à parte emocional em “The Promise” e que ficou muito aquém nesse filme.
Aqui a partir de certo momento começamos a gostar de acompanhar a história de amor, pois ela acaba por centralizar todos os acontecimentos dramáticos de uma forma que nem parece particularmente forçada e resulta bem.

Snow Girl07

A realização também é muito boa. Tivesse este filme tido bons efeitos digitais e já ninguém do público das pipocas falaria tão mal dele.
A razão porque os efeitos são tão maus é porque eles foram criados por mais de oito companhias diferentes espalhadas pelo mundo, inclusivamente até pela Weta Digital que criou os efeitos para o Lord of The Rings/(Gollum)/The Hobbit; por exemplo.
Como não podia deixar de ser, visualmente os melhores efeitos são precisamente aqueles que têm a ver com o ambiente e com as paisagens mais naturais da história pois o trabalho digital da Weta é sempre de qualidade.

Snow Girl23

Pena é que as animações de criaturas não tenham ficado também na mesma companhia, porque na verdade o trabalho das empresas chinesas no que toca à animação dos monstros e até do heroi quando transformado em demónio, é absolutamente inacreditávelmente MAU !
Por outro lado, isso é compensado com uma excelente montagem, pois durante as sequências de acção por exemplo, o editor faz o melhor possível para esconder todas as fraquezas técnicas da coisa e em muitos momentos, principalmente lá para o final do filme até nos consegue fazer esquecer que estamos a ver animações do pior e dotar a aventura de bastante adrenalina e muita dinâmica, até em termos dramáticos surpreendentemente.

Snow Girl36

[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] no que toca a efeitos e paisagens digitais, varia entre o extraordinário e o inacreditávelmente mau ! Alguns cenários são absolutamente incriveis, (os prácticos e reais, são excelentes) mas outros são do pior. As cenas no inferno não conseguem esconder que tudo é filmado em estúdio contra fundo verde pois todos esses cenários estão realmente mesmo mal integrados nas extensões digitais dos mesmos e nota-se à distância.

Snow Girl18

Por outro lado o filme é incrivelmente rico em detalhes. O design de produção é fabuloso, os cenários estão inundados de texturas, pormenores e detalhes fascinantes e a própria cinematografia contribui para a qualidade visual em termos gerais, fazendo milagres para se integrar com o mau Cgi constante.

Snow Girl32

Em relação aos personagens, este argumento balança um bocado. Há uns muito interessantes, o par romântico e alguns demónios têm carisma, mas depois há personagens secundários que parecem não servir para nada a não ser para compor o cenário e as sua cenas parecem sempre estar a mais ; (por exemplo a irmã e o “cunhado” do heroi). Se calhar por isso [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] também poderá ter um bocadinho de duração a mais, apesar da boa montagem estar sempre presente para tentar limar estas arestas e manter um ritmo coerente em toda a narrativa ao longo das duas horas de filme.

Snow Girl37

Como cinema de acção, fantasia e aventura, é realmente divertido. Quem gosta de cinema de super-herois ou em estilo Dragon Ball onde “super-herois” lutam contra “super-vilões” em combates épicos por cenários muito variados; e conseguir abster-se dos maus efeitos, irá divertir-se com este filme certamente.

Snow Girl08

Se gostaram de “The Promise” ou de “The Restless“, curtiram os estilos excêntricos de “A Chinese Tall Story” ou até de “The Sorcerer and the White Snke” este [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] está algures entre os dois embora com mais carisma romântico.
Se virem o filme em 3D vale a pena, pois alguns efeitos tridimensionais fazem-nos entrar mesmo dentro das paisagens (neve e cinza a cairem para fora do nosso televisor, por exemplo).

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] supreendentemente é mais do que apenas a típica aventura de porrada CGI. A questão filosófica sobre a natureza do céu/inferno é muito bem usada para potenciar a parte romântica da história e questionar todo o dilema moral sobre o que é ser bom ou mau afinal, num contexto mais cósmico da nossa existência. E não é todos os dias que uma aventura com maus efeitos especiais ainda consegue a nossa atenção pelas questões que levanta e pelos personagens a que consegue dar vida apesar dos problemas técnicos que contém.

Snow Girl04

Gostei e surpreendeu-me.
Não é o melhor filme de fantasia do mundo, não é um grande drama e muito menos é cinema romântico indispensável, mas tudo o que faz (exceptuando os efeitos) faz bem e acima de tudo diverte quem gosta de um bom conto de fadas chinês nos moldes mais clássicos.
Quatro tigelas e meia de noodles porque saiu melhor do que parecia ser no inicio.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg 

A favor: visualmente em termos de design tem momentos fantásticos, excelentes interiores, muitas paisagens são espectaculares e cheias de ambiente, a parte romântica da história resulta, mesmo com maus efeitos especiais algumas cenas de acção são excelentes e muito dinâmicas, a realização é boa e supera as coisas menos boas, boa montagem também, banda sonora épica agradável, o final é diferente e algo subjectivo, se virem a versão 3D vão gostar dos flocos de neve por exemplo.
Contra: os personagens podiam ser mais cativantes no geral, alguns não servem mesmo para grande coisa a não ser fazer parte do cenário, alguns dos cenários não resultam tão bem quanto outros, as animações CGI das criaturas e personagens são absolutamente uma desgraça técnicamente falando e parecem coisas dos primórdios do 3D Studio por volta de 1995 ou saidas de um jogo da Playstation One, algum exagero num par de combates CGI entre super-herois e super vilões.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3585004

Comprar Blu-Ray (atenção- região 3/A apenas)
http://www.play-asia.com/zhong-kui-snow-girl-and-the-dark-crystal-3d2d/13/709pxr

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar de:

The Promise capinha_restless A Chinese Tall Story capinha_Themonkeyking capinha_sorcerer_and_white_snake

capinha_vikingdom capinha_dragon nest

——————————————————————————————————————

Cinema_oriental_no_facebook

 

Chronicles of the Ghostly Tribe (Jiu ceng yao ta) Chuan Lu (2015) China


Se há uma coisa que me irrita por demais no actual cinema blockbuster, seja de aventuras, ficção-científica ou super-herois, é esta nova moda de que um filme fica sempre em continuação. Parece que hoje em dia já ninguém filma aventuras fechadas, são sempre tudo trilogias, séries, episódios e fimes que acabam em cliffhangers que só se resolverão com sorte 1 ano depois se a primeira parte do filme tiver sido um sucesso.
[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] sofre do mesmo mal…

Ghostly Tribe_01

Pensava que isto seria um mal americano, mas agora também parece estar a alastrar ao cinema oriental, muito em particular ao cinema chinês.
Posto isto…agora que já reclamei…
[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é o filme de aventuras que “Indiana Jones & The Crystal Skulls” tinha a obrigação de ter sido.
Não está particularmente bem cotado no Imdb, mas isso já começa a ser tradição naqueles filmes que tentam ser algo mais do que apenas cumprir a norma.

banner

[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é baseado num romance de ficção-científica/aventura chinês de sucesso e nota-se. Tem aquela coisa especial de uma aventura que se sente não ter sido inventada ou escrita apenas para cinema mas que teve tempo para ser bem pensada, imaginada e estruturada, daquela forma que só os bons livros conseguem fazer. Como adaptação não faço ideia se estará correcta ou não, mas se isto é um exemplo do tipo de literatura escapista de aventura que se escreve actualmente pela china eu bem que gostaria agora de aprender a ler chinês pois os livros são exclusivos daquele país até ao momento.

Ghostly Tribe_32

Não é a coisa mais original do mundo, vai buscar muitas influências e arquétipos do género a várias fontes (que não é o mesmo que imitar o que quer que seja), mas o seu ponto forte está na forma como mistura todos esses elementos e atira cá para fora um daqueles blockbusters de aventura com um sabor clássico, que Hollywood tinha o dever de voltar a lançar mas parece ser incapaz de o fazer há vários anos.

Ghostly Tribe_23

[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] está tão cheio de pormenores, sequências variadas de aventura e estilos de cinema, que na américa poderia perfeitamente ter sido retalhado em quatro ou cinco sub-plots e depois dariam certamente origem a um bom número de sub-blockbusters de médio orçamento produzidos a metro, sem alma, apenas baseados nos efeitos especiais e pouco mais; ou pior ainda, num estilo comics.
Algo que na minha opinião, esta aventura chinesa, apesar de toda a parafernália tecnológica que a envolve soube no entanto evitar muito bem. Embora se calhar não pareça.

Ghostly Dragon_05

Apesar de ser uma amálgama quase non-stop de sequências de acção, cliffhangers tradicionais e mistérios sci-fi quanto baste nunca perde a noção de cinema espectáculo no melhor dos sentidos; daquele cinema cheio de efeitos especiais, mas que nunca esquece que os efeitos e as cenas de porrada não podem deixar de ter personagens e uma boa história  por detrás. Neste caso, se calhar mais elaborada do que propriamente original ou imaginativa no sentido mais tradicional mas nem por isso menos divertida.

Ghostly Tribe_31

Este foi um daqueles que que me divertiu do principio ao fim pelo seu espírito de série-b mas criado com muitos meios e por nunca se levar a sério. É uma aventura clássica e pronto. Quem gosta de BD clássica nos moldes de um Blake & Mortimer a atmosfera visual disto por vezes faz lembrar bocadinhos dos albuns de banda desenhada, “O Enigma da Atlântida” ou “O Segredo do Espadão”, salvo as devidas diferenças entre o estilo moderno e o antigo de se narrar uma história.
Em alguns momentos tem um sabor a Indiana Jones da trilogia original, embora com estética moderna a piscar o olho ao Tomb Raider no bom sentido; pois [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é tudo o que aquele vazio baseado num dos meus jogos favoritos de todos os tempos alguma vez conseguiu ser.

Ghostly Tribe_16

Quem gosta de cinema de aventuras clássico, com mundos perdidos, arqueologia proíbida e alguns monstros quanto baste tem em [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] um dos melhores títulos do género que sairam em muito tempo.
Costumo queixar-me bastante que o cinema oriental produz excelentes histórias imaginativas em animação , mas depois quando entra pela live-action mostra-se totalmente incapaz de reproduzir a mesma magia. Não desta vez.
Isso acontece em particular no cinema japonês e se calhar este filme agora conseguiu evitar essa sina, porque estamos na presença de uma produção chinesa.

Ghostly Tribe_25

Parece que o know-how acumulado por décadas a produzir épicos históricos de larga escala começa também a dar frutos noutro tipo de cinema “mais simples” saído da china e [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] é o perfeito exemplo de uma mega-produção oriental que não fica a dever absolutamente nada ao melhor do que se faz técnicamente nos estados unidos actualmente.
Boa animação digital em muitas sequências e excelentes matte paintings compõem a escala épica desta aventura que vale a pena seguir só pela viagem que proporciona.

Ghostly Tribe_04

No que toca a efeitos especiais está realmente muito bem servida, pois conta com algumas sequências absolutamente fantásticas em termos de acção mas também anima um par de monstros muito divertidos e impressionantes.
Óbviamente que nem tudo resulta e há alguns efeitos digitais melhores que outros, mas isso também acontece no cinema de Hollywood e ninguém parece queixar-se.
Neste caso embora tenha um par de sequências medianas, o resto da fasquia no que toca a efeitos é bastante elevada e se vocês gostam de cinema espectáculo apenas para verem efeitos especiais, vão ter muito com que se entreter aqui também.

Ghostly Tribe_28

Curiosamente, não é um filme sobre Dragões embora possa parecer no poster, nem é uma espécie de Godzilla. Na verdade a história disto surpreendeu-me.
É passado na China entre 1978 e 1985, começa com uma sequência absolutamente fantástica de aventura arqueológica e exploração, transforma-se num filme de monstros, passa para algo que lembra os X-Files em estilo retro, entra pelo filme de viagem, transforma-se em filme de super-herois e acaba em cinema de acção e porrada com muitos efeitos especiais; não sem esquecer a inevitável história de amor oriental e algum humor muito bem colocado.

Ghostly Tribe_15

Em termos de cenários é fabuloso. Aliás, não só contém paisagens fantásticas, como a variedade de localizações parece um nunca mais acabar de coisas a explorar o que num filme deste género só fica bem, pois enquanto espectadores nunca sabemos ver o que a história nos vai mostrar a seguir e isso é perfeito para criar aquele ambiente de aventura que nos faz sentir exploradores juntamente com os herois do filme.

Ghostly Tribe_29

O design de produção é excelente, contém inumeros ambientes cheios de imaginação que demonstram que o concept design disto deve ter sido fascinante de se seguir.
Falha num cenário ou dois, daqueles mais digitais mas não é de todo grave pois a diferença não é suficiente para estragar a imersão do espectador na história. De resto nota alta para tudo o que envolve a parte técnica no que toca à criação de ambientes, design, guarda-roupa, atenção aos detalhes e pormenores incríveis por todo o lado na cenografia.
Aliás um dos pontos altos deste filme é precisamente estar cheio daqueles pormenores visuais que 99% daquele pessoal que emite opiniões sobre cinema no imdb nem repara.

Ghostly Tribe_11

No que toca a localizações reais, quando o filme entra pela parte de viagem, as paisagens naturais são incrivelmente bem captadas pela magnifica fotografia que também está presente neste [“Chronicles of the Ghostly Tribe”]. Quem gosta de paisagens com desertos vai adorar. Aliás grande destaque mesmo para o detalhe que encontramos também nos cenários reais. Não só nos desertos como nas cidades (em ruínas ou não), este é um daqueles filmes que pede uma segunda visão só para admirar-mos a atenção dada ao detalhe em cada enquadramento.

Ghostly Tribe_08

Hão de notar que apesar de tudo isto não lhe vou atribuir classificação máxima por uma simples razão.
Ou melhor, duas.
Como já disse, irrita-me isto ser outro daqueles filmes que nos deixa pendurados à espera da sequela, por outro lado se calhar o livro disto é enorme e portanto tinha mesmo que ser assim, mas no entanto como espectador não gosto nada desta moda das continuações.
A segunda razão tem a ver com aquilo que para mim é o ponto fraco do filme. Não que seja trágico ou muito mau, mas quando comparado com o resto devia ter estado à mesma altura, tendo em conta que isto supostamente será mesmo a adaptação de um livro.

Ghostly Tribe_09

Os personagens não são muito interessantes.
E pelo facto dos personagens não criarem grande ligação com o espectador, isso faz até com que o filme pareça ter uma história mais banal do que na realidade até não tem.
[“Chronicles of the Ghostly Tribe”] pode parecer cinema mais plástico e formulático do que merecia parecer precisamente porque os personagens não resultam muito bem e pouco nos importamos com eles. Se calhar o mais carismático ainda é o comic-relief na pessoa do amigo do heroi quando o coração do filme deveria estar na relação dos protagonistas e nunca se sente isso.

Ghostly Tribe_14

Os personagens, são muito variados, percorrem todos os clichés do género, heroi, miuda, cientista excentrico, amigo do heroi, agente dos serviços secretos, etc; mas nenhum deles cria grande empatia connosco enquanto espectadores. Por causa disto, a inevitável história de amor não tem propriamente grande tensão dramática e tinha o dever de ter tido, afinal estamos a falar de cinema oriental.
Muitos dos personagens parece estarem ali ou para serem carne para canhão, ou para servirem de comédia mas no conjunto geral uma aventura como esta pedia um grupo de herois carismáticos que não tem de todo.

Ghostly Tribe_13

Talvez na segunda parte [“Chronicles of the Ghostly Tribe”] emende esta “falha”, pois afinal ainda vamos a meio da história e portanto é esperar para ver.
Por agora é apreciar o que o filme tem de bom enquanto cinema espectaculo em estilo pipoca comercial mas não menos divertida.
É um excelente filme de aventuras live-action a fazer lembrar um bocado os melhores romances de aventuras de Clive Cussler para quem sabe do que estou a falar. É assim uma espécie de romance que Cussler nunca escreveu nos moldes do seu livro de aventuras “Inca Gold” mas poderia ter muito bem escrito.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Como habitualmente nem vou contar nada da história pois podem ter uma ideia desta no trailer e eu defendo que um filme deve sempre ser visto sem sabermos absolutamente nada sobre ele. Se gostam de cinema de aventuras vejam [“Chronicles of the Ghostly Tribe”].
Eu diverti-me à brava. Só senti falta de uma ligação emocional aos personagens e isso retira-lhe logo bastantes pontos à classificação que deveria ter tido.

Ghostly Tribe_24

Quatro tigelas e meia de noodles, pois é um óptimo filme de aventuras com reinos perdidos, arqueologia e monstros feios quanto baste nos moldes de Hollywood mas com identidade oriental própria quanto baste.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg 

A favor: a estética do filme em termos de uso da cor, bom sentido de aventura, história criativa, uma pitada de ficção cientifica curiosa, nunca sabemos ver o que nos irá mostrar a seguir, bons efeitos especiais no geral, excelente cinematografia e cenários fantásticos, muito divertido do início ao fim.
Contra: os personagens não são tão cativantes como tinham a obrigação de ter sido, alguns cenários digitais são apenas medianos. O filme fica em continuação.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4819498

——————————————————————————————————————

Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

capinha_the-good-the-bad-the-ugly  The Myth

——————————————————————————————————————

Cinema_oriental_no_facebook