Runway Cop (Cha hyung-sa) Terra Shin (2012) Coreia do Sul


Se calhar não devia, mas não resisto dar a [“Runway Cop“] a excelente classificação que lhe dou. Se calhar não vale nem metade mas na verdade tenho que admitir que este filme me divertiu à brava e não estava nada à espera disto.

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Esperava algo divertido mas ao mesmo tempo apenas mediano. Nunca pensei que [“Runway Cop“] fosse mau, mas também não esperava que fosse melhor do que a habitual comédia tresloucada produzida na Coreia do Sul naquela fórmula habitual em que todas as comédias acabam por parecer iguais.
No entanto, achei piada ao estilo chunga do trailer e neste caso a apresentação representa bem o tipo de filme que depois encontramos; o que é bom, pois desta vez o trailer não engana. Quem não gostar do trailer salte este filme. Quem gostar, o filme é isto mas mais chunga ainda.

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Este tipo de comédia totalmente alucinada é realmente um estilo à parte e normalmente esgota o espectador ocidental ainda um filme não chegou ao meio da história pois sinceramente penso que nós por cá não estamos de todo culturalmente programados para aguentar tanta adrenalina excêntrica por segundo ou tanta piada por frame em tom histérico como acontece nestas produções daquela parte do mundo.
[“Runway Cop“] encaixa-se neste tipo de comédia típicamente Sul Coreana em modo ultra comercial, mas para minha surpresa, deixou-me realmente muito bem disposto do inicio ao fim.

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Eu que tenho total desprezo pelo mundo da Alta Costura e da Moda em geral, não resisto a espreitar qualquer coisa que ataque esse meio que eu não suporto; mas até agora acho que nunca tinha visto um filme tão divertido passado nesse universo de excesso e futilidade.
Até o conhecido “Zoolander” de Ben Stiller me decepcionou em grande e nunca lhe achei grande piada pois sempre achei que se esforçava demais para ter graça (a sequela é do pior) e portanto para mim não resultou. Não há pior coisa numa comédia do que aquele estilo de realização que parece indicar ao espectador quando é para rir como se as piadas tivessem obrigatoriamente que ter graça. Vá, agora é para rir !

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Para mim uma boa sátira ao mundo da moda teria de ser algo que passasse subjectivamente essa ideia e é isso que [“Runway Cop“] na minha opinião faz muito bem.
Não é abertamente uma sátira àquele mundo apesar de ser ambientada no meio, mas usa uma história supostamente policial para ao mesmo tempo apontar  aquilo que a Alta Costura tem de rídiculo sem no entanto ser um ataque gratuíto porque enche toda a trama com personagens cativantes e caristmáticos quanto baste, tanto no mundo “real” como no mundo das passerelles, sem esquecer um par de boas caricaturas histéricas ao extremo muito bem inseridas nos momentos de humor certos.

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Eu diverti-me realmente muito com isto; por muitas vezes conseguiu arrancar-me algumas gargalhadas inesperadas e não me lembro da última vez que uma comédia conseguiu colocar uma sucessão de piadas que me tivessem mantido permanentemente em modo de boa disposição e interessado em ver o que iria acontecer a seguir em termos de gags humorísticos criativos.
Quanto a mim este filme tem alguns dos melhores momentos de humor dos últimos tempos pois acima de tudo é um filme muito boa onda.

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[“Runway Cop“] é um filme em duas metades. Na primeira parte acompanhamos as desventuras do policia mais porco, mal cheiroso e javardo que alguma vez deve ter aparecido no cinema e na segunda metade da história vemos o que acontece quando este é obrigado a transformar-se à força num Top Model masculino para se infiltrar num esquema de tráfico de droga que supostamente se passará nos bastidores de uma passagem de moda. Inevitávelmente a estilista envolvida é uma antiga colega de escola do bófia imundo e por isso já estão a ver onde a parte romântica irá funcionar. E funciona.

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Por causa desta estrutura [“Runway Cop“] será ao mesmo tempo dois filmes num só. O primeiro acto para mim é o mais hilariante, pois toda a caracterização do heroi mais porco do mundo é plenamente divertida pelo ritmo non-stop com gags que utilizam a sua javardice profissional de forma criativa e às vezes inesperada para nos fazer rir sem nunca se tornar verdadeiramente repetitivo. Há um par de sequências absolutamente hilariantes que aposto lhes ficarão na memória; a cena do interrogatório “desumano” e a parte em que o heroi “segue” o carro do vilão guiando na verdade à frente deste sem querer.

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A primeira metade usa as piadas para introduzir personagens e portanto tudo está muito bem integrado na narrativa. Ou seja, [“Runway Cop“] não é aquele tipo de comédia que pàra para nos fazer rir com gags e depois logo mete uma história pelo meio porque tem que ser ; (contráriamente ao que acontece em “Zoolander”); aqui os gags são usados para fazer sempre avançar a história e tudo resulta de forma muito organica e que surpreendentemente não parece de todo forçada apesar de acontecerem cenas totalmente alucinadas a todo o instante.

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E nota-se que os actores estão a divertir-se por completo com este argumento. Os personagens secundários são hilariantes ou cativantes, a história é divertida e tudo em [“Runway Cop“] funciona porque tudo é simples.
Há ainda uma boa história romântica secundária particularmente inesperada e que curiosamente ainda dota este filme de uma certa humanidade que se calhar nem precisaria de ter para resultar; por outro lado, isto é cinema oriental e mais uma vez demonstra muito bem como se criam personagens de que se fica a gostar sem às vezes nos apercebermos.

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[“Runway Cop“] não tem pretenções a ser mais do que uma boa comédia e quanto a mim resulta plenamente na sua simplicidade. Está cheio de lugares-comuns, personagens tipo, mas sabe cozinhar tudo de uma forma que resulta muito bem. Até algum defeito, porventura estará no facto de que a primeira metade enquanto o heroi é um porco imundo é bem mais divertida do que a segunda, quando o filme entra mais pela comédia de acção, mas nem por isso deixa de ser um produto simpático e com alguns momentos realmente hilariantes com gags muito bem pensados e criativos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se calhar não merece, pois em termos de cinema propriamente dito não há por aqui nada que seja realmente único ou brilhante, mas a verdade é que é uma comédia eficaz e se calhar isso é quanto basta para que um filme simples seja bem melhor do que aparenta à primeira vista; isto porque fazer comédia com fôlego e alguma criatividade não é para todos e quanto a mim tudo neste caso resulta plenamente para nos dar um par de horas divertidas com personagens cativantes e divertidos quanto baste metidos em situações por vezes hilariantes e onde tudo se passa num ritmo endiabrado que muitas vezes nos deixa completamente cansados só de olhar para tanta correria.

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Cinco tigelas de noodles porque é um daqueles filmes simpáticos que é um antidoto perfeito para quando temos um dia complicado e só queremos descontraír um pouco sem pensar muito.

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A favor: o actor principal é fantastico nas partes em que faz de porco imundo chunga, os personagens secundários são excelentes e muito carismáticos (com destaque para o capitão do heroi), é uma história que não tem medo de ser politicamente incorrecta até na abordagem romântica em relação a certos personagens, contem alguns gags muito criativos e por vezes hilariantes, é uma boa comédia de acção e bem melhor estruturada do que o típico filme do género que habitualmente encontramos aos montes no cinema de humor sul coreano.
Contra: o facto de ter duas metades em registro diferente fragmenta um bocado o ritmo narrativo e perde algum fôlego no meio, até mesmo em termos de humor… mas não é grave.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2182095

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Comédias “semelhantes”:

My Sassy Girl capinha_iron_ladies capinha_sex-is-zero

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The Terror Live (Deu tae-ro ra-i-beu) Byeong-woo Kim (2013) Coreia do Sul


Já ando para falar deste filme há um par de anos mas queria voltar a vê-lo antes de escrever sobre ele para me certificar de que isto era realmente tão bom quanto me pareceu da primeira vez.
É !

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Agora que ainda nem passaram duas semanas após os atentados bem reais na Bélgica aqui na Europa em Março de 2016, um filme como [“The Terror Live“] não poderia ser mais actual, especialmente quando estamos na presença de um título absolutamente fantástico que acima de tudo sabe como tratar a questão do terrorismo sem a banalizar mesmo sendo um produto plenamente comercial enquanto cinema.
Independentemente do tema, se procuram um thriller com suspense de cortar à faca e um estilo muito pouco politicamente correcto, é este.

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[“The Terror Live“] não é apenas a habitual história de um psicopata que resolve explodir com coisas por tudo e por nada, mas principalmente é um verdadeiro estudo sobre o poder dos media para manipular audiências e formar opiniões sobre as pessoas. Independentemente da verdadeira história por detrás de acontecimentos que muitas vezes ficam por contar, porque simplesmente para os rates de audiencia não terão importância e o que importa no mundo das notícias televisivas que lucram com directos dramáticos ao vivo, é acima de tudo não apresentar a verdade mas sim manter a capacidade de gerar patrocinadores e publicidade para cada canal aproveitando-se da catástrofe do momento enquanto oficialmente passa tudo por –informação.

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[“The Terror Live“] é sobre isto e muito mais. É sobre a corrupção do Estado, sobre chantagem política e não tem medo de ser um filme que analisa as próprias razões por detrás de um acto terrorista mostrando também o lado de quem espalha o terror. Não escolhe lados, apenas mostra-nos a posição de todas as partes envolvidas de uma forma crua e realista sem tomar partido ao mesmo tempo que envolve o espectador numa verdadeira montanha russa de emoções, pois a certa altura já nem sabemos por quem estamos a torcer, ou se todos serão culpados num sistema podre que não tem salvação a não ser que alguém expluda com isto tudo e o mundo comece realmente do zero.

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Muita gente tem comentado na internet que este é um daqueles filmes que parece um thriller americano à primeira vista mas por muitas razões que só serão perceptíveis por quem vir [“The Terror Live“], imediatamente se destaca como uma produção há parte; que pelo menos actualmente não seria filmada nestes moldes por Hollywood de certeza. Pelo menos , não com este argumento e colocando as questões da forma que as coloca. Um argumento onde para lá da habitual história de suspense que poderia ter sido filmada da forma mais formulática se encontra no entanto um argumento que nos deixa a pensar e a discutir sobre tudo o que vimos muito para lá da duração do filme. Vejam [“The Terror Live“] , depois espreitem qualquer canal de noticiários na TV e garanto-vos que os mais distraídos irão começar a prestar atenção a pormenores que se calhar nunca tinham pensado antes.

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[“The Terror Live“] tem sido comparado ao americano “A Cabine Telefónica/Phonebooth”, mas enquanto o filme de Joel Schumacher é realmente eficaz enquanto thriller, este filme Sul Coreano, até porque tem maior duração consegue ir muito mais além. Na verdade o atentado terrorista da história é apenas uma desculpa para que alguém tenha escrito um dos melhores argumentos politicamente incorrectos dos últimos anos, dentro deste estilo de cinema que envolve jornalismo. E a uma primeira visão quase que isso nem se nota.

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O filme conta a história de uma antiga estrela televisiva do jornalismo que caiu em desgraça, acabando despedido e a ter que trabalhar numa rádio local ao mesmo tempo que ainda tem que lidar com o seu divórcio; nunca deixando no entanto de ser um crápula arrogante para com toda a gente. Mantendo uma ambição desmedida para voltar ao topo da apresentação televisiva não olha a meios para pisar seja quem for para atingir os seus objectivos.

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Um dia numa das suas emissões de linha aberta, alguém liga para o programa afirmando que irá fazer explodir uma das principais pontes da capital Sul Coreana se o presidente não vir a público pedir desculpas pela forma como alguns trabalhadores que a construiram foram tratados pelo Estado muitos anos antes.

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Naturalmente o jornalista não o leva a sério e desafia-o a ir para a frente com a explosão. O que acontece de verdade  e a partir desse momento desencadeia-se uma verdadeira corrida às audiências por parte dos canais de notícias que tudo fazem para suplantar a concorrência cobrindo em directo o acontecimento. Mas só o nosso jornalista tem o terrorista em directo na outra ponta da linha telefónica e vê nisso acima de tudo o seu bilhete de regresso ao topo da informação televisiva.

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[“The Terror Live“] joga incrivelmente bem com a linguagem televisiva. A realização é extraordinária e a montagem deste filme não perde um fotograma. Aliás tudo nesta história é cronometrado ao segundo e cada cena é cortada ao milímetro para nos deixar constantemente em tensão como se estivessemos a assistir a um acontecimento real; a forma como está filmada alterna entre o habitual para este género e a própria linguagem televisiva. E é nesses momentos em que como espectadores parece mesmo que estamos a assistir a um drama em directo na televisão que o filme brilha.

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As interpretações são fantásticas e esquecemo-nos por completo que estamos a ver uma ficção passados alguns minutos. O argumento é o ponto alto do filme também, não apenas pela história em si, pelo politicamente incorrecto no seu conteúdo, mas principalmente porque sabe enredar toda a sua vertente mais politica em personagens com substância.
Todos os secundários nesta história têm um papel importante, todas as personalidades estão muito bem definidas e nem notamos que [“The Terror Live“] conta na verdade com imensos personagens-tipo, que noutro tipo de filme se calhar seriam óbvias e algo artificiais, mas que aqui são absolutamente indispensáveis para que o suspense resulte.

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Acima de tudo, tal como acontece com o protagonista, são personagens intensamente credíveis e que fazem por completo desaparecer os actores por detrás delas. Inclusivamente o terrorista que passa practicamente todo o filme apenas sendo uma voz no telefone tem uma prestação absolutamente cativante e toda a sua química com o protagonista do filme é aquilo que os irá deixar por muitas vezes à beira de um ataque cardíaco com o desenrolar dos acontecimentos.

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Desenrolar de acontecimentos que ainda por cima culminam num final absolutamente perfeito e até algo inesperado. Embora na minha opinião [“The Terror Live“] só peque no momento em que nos atira com um pequeno “twist” à boa e velha maneira do cinema Sul Coreano. Estranhamente, desta vez nem resulta particularmente bem, pois na verdade pelo menos a mim não me causou propriamente grande impacto.

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Se calhar porque tudo o resto já tem até tensão a mais durante o filme todo, mas achei realmente que desperdiçaram uma ligação que poderia ter havido no contexto da história. Essencialmente para mim só “falha” mesmo o twist do filme. Não porque não seja eficaz, mas porque deveria ter sido um murro no estômago e não foi; isto porque até ocorrer a revelação nada no contexto do argumento apontava para algo assim tão anónimo (até porque todos os diálogos com o terrorista são por telefone) e por isso quando esta “surpresa” surge de repente , pelo menos eu achei que foi algo metida a martelo para introduzir o inevitável twist.

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Mas não deixem que isto os afaste de [“The Terror Live“]. É apenas uma opinião pessoal.
De resto tudo nesta história é do melhor. Vão ficar agarrados até ao último segundo e não se irão esquecer deste filme tão cedo; especialmente tendo em conta tudo o que se tem passado no mundo actualmente e se costumam acompanhar noticiários televisivos.

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CLASSIFICAÇÃO:

É impossível não dar a nota máxima a isto. Mesmo já conhecendo a história acho que da segunda vez que vi o filme ainda gostei mais dele; talvez porque pude reparar no resto à volta das cenas de suspense de uma forma mais descontraída e observar como este [“The Terror Live“] é realmente um produto muito bem feito e que prova que o cinema comercial também pode ser inteligente sem deixar de ser cinema espectáculo.

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Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque este é daqueles se revê inúmeras vezes e a intensidade nunca se perde.

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A favor: o argumento, os actores, a realização, a montagem, o politicamente incorrecto da mensagem, os efeitos especiais.
Contra: o “twist” poderia ter tido mais impacto se tivesse sido integrado num contexto envolvendo algum personagem presente no estúdio ou nos directos talvez, pois aparece algo de pára-quedas só para –surpreender– e quanto a mim destoa da estrutura do filme até então.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2990738

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E se gostaram deste não vão querer perder:
capinha_Midnight_FM 
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Black Coal Thin Ice (Bai ri yan huo) Yi’nan Diao (2014) China


Pensava que era desta que ia aqui escrever uma recomendação para um excelente policial em estilo oriental mas fui enganado. Tudo indicava que [“Black Coal Thin Ice“] ia ser realmente um bom título para um género de que ainda pouco falei por aqui na cinematografia oriental, mas afinal ainda não é desta.
As “iludências aparudem” meus amigos.

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Estou cá com a impressão de que a crítica ocidental que diz maravilhas deste filme só deve ter visto mesmo apenas o trailer e nada mais.
Isto porque tudo o que tem sido escrito sobre [“Black Coal Thin Ice“] em tom exacerbado por alguns críticos iluminados em puro extase de intelectual de café, realmente está absolutamente certo se apenas virmos o trailer.

Tudo no trailer indica que isto vai ser um excelente policial noir sim senhor. O trailer tem mistério, puxa-nos para dentro da história e tem um ritmo que parece perfeito para um filme policial nestes moldes.
Depois vemos o filme e parece que alguém se enganou na montagem.
[“Black Coal Thin Ice“] contém realmente todos os elementos que estão na apresentação, mas este é um caso típico de como uma montagem pode determinar o tom e o estilo de um filme, para bem ou para o mal.

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[“Black Coal Thin Ice“] tinha tudo para ser o thriller intenso, estilizado e emocionante que aparenta ser no trailer, mas na realidade é um filme muito diferente.
É uma pena, mas este filme é um daqueles que até irrita porque o potencial é absolutamente fantástico, a história é boa, o ambiente visual está lá mas depois deita tudo a perder quando entra por um estilo pretencioso nos moldes do pior cinema de autor.
Não que [“Black Coal Thin Ice“] seja chato como o raio, mas sinceramente deveria ter sido o filme que aparenta no trailer e não o filme que na realidade é.

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Estou sinceramente convencido que muita gente deve ter escrito reviews à pressa para entregar ao editor no último minuto apenas tendo olhado para o trailer sem ter visto o filme.
[“Black Coal Thin Ice“] dispensava por completo aquelas pausas narrativas, aqueles enquadramentos longos e momentos contemplativos que parecem durar minutos a fio quando na verdade até só duram alguns segundos.
Não há nada de errado num realizador querer criar um ambiente intimista, criar uma atmosfera desencantada para basear a sua história numa realidade urbana em vez de a filmar numa espécie de versão da realidade num tom cinematográfico habitual, mas sinceramente bastava estabelecer essa premissa num par de cenas só para o espectador perceber onde está e depois deveria ter seguido em frente.

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Em muitos momentos o tom narrativo de [“Black Coal Thin Ice“] parece o equivalente àquela velha piada que nunca mais acaba porque quem a conta repete a história sucessivamente minutos a fio antes da punchline final que deveria ter graça mas que depois perde todo o impacto.
São assim todos os bons momentos que acontecem na história deste título policial.
Quando a narrativa parece que finalmente vai reproduzir o filme que vimos no trailer, o realizador resolve entrar novamente em modo “artístico” e encalhar a montagem com mais uma daquelas pausas contemplativas de qualquer coisa, takes com segundos a mais que perpetuam momentos vazios (e nunca mais ninguém diz – “corta”); ou então inserindo cenas que na verdade não servem absolutamente para nada na história, mas parecem estar lá porque o realizador está mais preocupado em ser considerado – um autor – do que em contar uma história noir pura e simples nos moldes clássicos.

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Há algures um excelente filme noir pelo meio de [“Black Coal Thin Ice“], visualmente é muito atmosférico, baseado numa realidade urbana fria e desencantada e a história no seu todo é muito boa.
A história gira à volta de um crime inicial que depois se ramifica por mais uns quantos e tinha um potencial fantástico para nos surpreender. Começa com o facto misterioso de que vários bocados de um cadáver apareceram ao mesmo tempo em várias regiões distantes da China mas logo se torna numa história mais intimista que leva a conclusões relativamente inesperadas. Tivesse [“Black Coal Thin Ice“] sido realmente o filme que parece ser no trailer, estariamos na presença de um excelente policial noir.

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[“Black Coal Thin Ice“] falha pura e simplesmente porque todo o mistério, mas principalmente todos os twists e revelações da história são completamente diluídos por tantos momentos em modo -cinema de autor- que insistem em fazer com que o impacto da narrativa se perca constantemente.
Quando acontece algo que deveria ser um twist ou uma reviravolta na história, o espectador practicamente nem sente o impacto da revelação ;(nem notamos às vezes) e isso é o pior que para mim pode acontecer naquilo que supostamente seria uma história policial.

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O problema de [“Black Coal Thin Ice“] é que nunca se define se quer ser cinema de entretenimento com uma boa história policial ou um título iluminado no cinema de autor cheio de metáforas pessoais sobre o isolamento, a depressão, vidas vazias, etc, mas num tom algo pretencioso.
Toda essa vertente estraga por completo o que deveria ter sido um excelente policial chinês.
Por um lado continua a ser. Se vocês conseguirem abstrair-se dos tiques -auter- da história e terem presença de espírito para se concentrarem apenas no mistério policial, se calhar irão gostar bastante.
O filme tem um enorme potencial. Mas na verdade são dois filmes colados num só e não resultam como um todo numa análise final.

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Visualmente tem momentos excelentes e é um daqueles títulos que me recordou constantemente  Blade Runner. Estava a ver [“Black Coal Thin Ice“] e a imaginar que se o ambiente disto tivesse uns carros voadores pelo meio e uns edificios épicamente tecnológicos como background nos cenários, este seria uma argumento fantástico para uma espécie de sequela não oficial made in china para Blade Runner.

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Todo o ambiente está cheio de neons, viela escuras contrastando com as luzes da cidade e é um filme essencialmente nocturno cheio de contrastes de cor e jogos de iluminação muito bem pensados. Os personagens parecem também ser absolutamente perfeitos para Blade Runner, o detective desencantado (que não detectiva por aí além), a femme fatale num estilo Rachel mas em tom urbano contemporâneo, um “vilão” que num mundo futuristico poderia muito bem ter sido um excelente replicant e todo um conjunto de referências actuais orientais que o próprio Blade Runner utilizou com uma estética futurista trinta anos atrás.
Até o anti-heroi tem qualquer coisa a fazer lembrar Rick Deckard.

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Por este prisma [“Black Coal Thin Ice“] é um filme fascinante, pois sente-se que poderia ter sido realmente um Blade Runner a todo o instante. Inclusivamente o tom intimista e a história de amor melancólica estão lá também, (só falta Vangelis); apenas tudo leva com um estilo de realização que é por demais pretencioso para que os ingredientes certos resultem como deveriam ter resultado mesmo neste cenário contemporâneo.

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[“Black Coal Thin Ice“] é também um filme algo deprimente. Uma coisa que contribui imenso para isso é a banda sonora clássica por vezes em tom de Adágios sucessivos (algum Richard Strauss), ou então entra pela música pimba chinesa mais atroz. Isto até nem teria sido problemático; o problema é que aliado àquele estilo de realização pretencioso em modo -instalação artística- por vezes, isso ainda contribui mais para que a sua história de mistério se perca por completo.
E o final também não ajuda. O mistério resolve-se mas depois há minutos a mais na conclusão quando o filme fecha assim com mais uma espécie de metáfora visual e que era perfeitamente desnecessária, até porque parece que irá levar a qualquer lado e não leva a lado nenhum. E o filme acaba. The end.

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CLASSIFICAÇÃO:

Há por aqui em [“Black Coal Thin Ice“] um excelente filme noir a querer saltar para fora a todo o instante. Precisamente aquele filme noir com que o trailer engana toda a gente mas não existe de todo nesta produção e não é de todo o que aparenta ser se vocês forem pelas críticas entusiasmantes que aparentemente tem recebido por todo o lado.

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Todas as excelentes qualidades que ninguém nega a este título, são no entanto diluídas pela pretenção a cinema extremamente sério num tom de autor que era perfeitamente dispensável, pois neste caso só serviu para colocar em terceiro plano aquilo que deveria ter sido o seu maior atractivo; o argumento. Em [“Black Coal Thin Ice“] filma-se muito para lá do que o argumento pedia para resultar e tudo o que é adicional torna-se pretencioso como o raio e em alguns momentos secante também pois faz com que a história perca todo o impacto.

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Duas tigelas e meia de noodles, porque é um filme extremamente interessante mas nem de perto ou de longe é a obra prima que certa crítica parece ter visto neste título. E podia ter sido.
Quanto a mim os críticos só viram o trailer mesmo. Esse sim, contém o filme que isto deveria ter sido e que aparenta ser nas reviews ocidentais.

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A favor: a história é boa, o ambiente visual é excelente, boa fotografia, bons actores e bons personagens, o trailer é fantástico.
Contra: não se deixem enganar pelo trailer, tem cenas que se alongam por demais, o tom de cinema de autor torna-se pretencioso e é totalmente dispensável num titulo que não pedia mais do que ser aquilo que parecia ser quando vemos o trailer mas não é.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3469910

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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“Hope”/Wish (So-won) Joon-ik Lee (2013) Coreia do Sul


Ora bem, vamos lá simplificar isto.
Review: [“Hope”] é um drama Sul Coreano sobre uma criança violada a caminho da escola numa manhã de chuva.

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CLASSIFICAÇÃO:
Cinco tigelas de noodles e um Gold Award na classificação e é porque não posso dar mais.
Este rebenta a escala por todos os lados.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg!!!

Agarrem-se bem nas cadeiras.
Não percam tempo.
Até à próxima sugestão de cinema.

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Ainda está alguém aí ?..
Querem saber mais ?

Bem, para começar NÃO VEJAM OS TRAILERS LEGENDADOS EM INGLÊS que inundam o Youtube !!! Contêm o final do filme e montanhas de *spoilers* inacreditáveis. Mais uma vez a distribuição americana precisa de uma apresentação que explique muito bem o filme todo sabe-se lá porquê…
Vejam apenas este videoclip  (no lugar do trailer) e depois sigam para o filme.
Melhor ainda, sigam já para o filme e não vejam nem leiam mais nada.

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Já que insistem em continuar aqui…
[“Hope”]
foi um daqueles filmes que me atingiu como um tijolo e acho que ainda estou zonzo do embate !
Sinceramente nunca tinha ouvido falar dele e felizmente não tinha visto o trailer todo, porque gostei imediatamente do estilo visual nos primeiros segundos e senti que seria um bom título a ver sem saber demasiado sobre ele. O meu instinto estava certo.
[“Hope”] é certamente um dos melhores filmes Sul-Coreanos que vi até hoje e sem sobra de dúvida o melhor drama neste estilo que alguma vez me passou pela frente em muito tempo.

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E é também um manual visual que demonstra ponto por ponto tudo aquilo que eu costumo referir a propósito da forma natural como se humanizam personagens no cinema oriental. E desta vez não sou apenas eu que o digo, mas também muito crítico profissional que teve o prazer de também ter levado com este filme em cima desprevenidamente; citando precisamente esse aspecto dos personagens como ponto central que distingue o que vemos actualmente no cinema oriental e o plástico formulático que sai de Hollywood até em termos de “caracterização de personagens” dentro do cinema comercial.

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[“Hope”] se tivesse sido um filme americano, teria sido um dos dramas neste estilo mais premiados de sempre. Teria levado pilhas de Oscares para casa, estaria por todas as salas de Portugal disribuído pela máquina publicitária de Hollywood e seria falado até hoje apesar de já contar com três anos desde que foi produzido.
Como é cinema oriental, ninguém por cá ouviu falar dele, óbviamente.
E segundo rezam as crónicas foi não só um dos maiores sucessos de sempre lá pelo oriente a nível de público quando estreou, como inclusivamente uniu a crítica profissional e a popular numa aclamação geral, o que não deixa de ser um feito surpreendente.

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Ainda hoje, curiosamente até mesmo sites e publicações americanas recomendam [“Hope”]  como um dos dramas mais obrigatórios que surgiram nos últimos anos e eu nem sabia que o filme tinha sequer sido lançado no ocidente, quanto mais nos estados unidos. Foi num par desses sites que descobri este titulo; (aqui e aqui (pequenos spoilers included nas reviews em ingles)).

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[“Hope”] pelo oriente, arrecadou prémios em tudo o que foi festival de cinema por onde passava, ao mesmo tempo que devastava milhares de plateias desprevenidas que sairam certamente do cinema como se tivessem sido atropeladas por um camião-Tir em hora de ponta.
Pessoalmente nada me preparava para este título. Sinceramente estava à espera que fosse bom, mas que não fugisse muito àquilo que já vimos mil vezes naqueles telefilmes americanos sobre –“a desgraça do dia”-, que em Portugal costumavam passar a toda a hora nas televisões generalistas.
A coisa, não prometia de todo, pois [“Hope”] é a história de uma miudinha de 8 anos que é violada a caminho da escola e de todo o frenesim mediático que se gera à volta da familia até que o culpado é julgado em tribunal.

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Vêem ? Não vimos já isto mil vezes ?
Aposto que até já estão a adivinhar o filme todo. Certo ?
Errado.
[“Hope”] parece, mas não é esse tipo de filme, mesmo sendo.
Confusos ? É simples.

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[“Hope”] é baseado num caso real ocorrido há alguns anos na Coreia do Sul e pelo que li o filme é fiel aos acontecimentos. Acontece que sendo uma história baseada num caso assim, que quase parece um manual para como se inventa uma história com uma criancinha, que sofre muito , coitadinha, etc… a verdade é que esta obra tem um pormenor a destacar.
Este filme tem o fantástico mérito de não fugir daquilo que é normamente o típico cliché neste género de drama, mas contorna-o de uma forma extraordinária; precisamente fazendo aquilo que só o cinema oriental sabe fazer bem e nunca, nunca teria a mesma abordagem simples se isto fosse um produto de Hollywood, podem ter a certeza.
[“Hope”] não está baseado na captura do criminoso, o seu julgamento nem sequer é o principal do filme, não é sobre o sofrimento atroz que a criança tem que carregar (da forma que vocês pensam), não tem vilões no sentido em que vocês imaginam mas é um filme sobre a aproximação entre um pai e uma filha. Tudo construído através de uma espantosa naturalidade e humanização de cada um dos personagens que integra cada acontecimento.

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[“Hope”] é sobre a esperança de recuperação e consegue o feito de ser um dos melhores -“Feel Good Movies“- de todos os tempos , mesmo tendo por base uma violação de uma criança mais um par de twists devastadores que são um verdadeiro murro no estômago e que levam ao desenlace da história sobre o futuro da vítima.
Estou aqui a tentar descrever isto, tentando transmitir-lhes a originalidade de [“Hope”]  mas o problema é que para poder detalhar-lhes o que realmente é extraordinário na execução deste argumento, automáticamente eu estaria a estragar-lhes os melhores momentos da história. Por isso meus amigos, se procuram uma boa história dramática não percam mais tempo. Esta não vão esquecer tão cedo.

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Consegue também o feito de ser um dos dramas com mais adrenalina que alguma vez vi. Não é um filme de acção, não é um drama de tribunal no sentido americano mas tem uma tensão fantástica, o que faz de [“Hope”] um daqueles títulos que nos fazem estar constantemente – “on the edge of your seat” – no sentido mais literal. Agarrem-se bem às cadeiras, sofás e principalmente travesseiros. Não digam que não avisei.
[“Hope”] é com todo o direito um verdadeiro -thriller- dramático sem nunca perder o humanismo e a naturalidade. Nunca por algum momento nos lembramos que estamos a ver um filme e muito menos um grupo e actores.

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A realização é excelente e nem notamos que lá está, pois dez minutos depois de começar nem nos lembramos que estamos a ver um filme. A direcção de actores só pode ter sido incrível, especialmente no que toca à prestação das criancinhas.
O pessoal que fez o casting deste filme está absolutamente de parabéns. As crianças são absolutamente perfeitas, com um carisma e uma empatia extraordinárias; isto para nem falar da forma como vivem também todo o drama que centraliza a história.
A miudinha principal é notável num papel que nem imagino como se planeia isto com uma criança que tinha apenas 7 anos quando a rodagem começou. Não fica nem um milimetro atrás do par de actores veteranos que interpretam os seus pais em termos de prestação convicente e absolutamente dramática.

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Aliás, a empatia entre ela e o actor que interpreta o seu pai no filme é absolutamente incrível !
Idem para o jovem rapazinho que interpreta o menino que gosta da menina violentada. Não sei o que metem na água dos miudos na Coreia do Sul, mas se o resultado for a produção de pequenos actores deste nível espero que continuem.

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Aliás [“Hope”] arrecadou prémios para actores por todo o lado, o que demonstra claramente que estamos na presença de um daqueles titulos com um casting de sonho em termos de qualidade dramática. Não só os protagonistas são excelentes como todo o elenco secundário brilha em pequenos momentos; o amigo do pai da miuda, a amiga da mãe, a terapeuta, os policiais, etc. Absolutamente perfeito em termos de composição dramática. E um grande destaque para o actor que faz de violador pois tem um dos melhores momentos deste filme, numa cena que os irá arrepiar até à medula e fazer com que vocês atirem pedras de calçada ao televisor num dos pontos de maior tensão dramática na história.

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Por falar em tensão, nunca vemos a violação da criança em [“Hope”], mas vemos o seu resultado imediato e por isso, pessoas impressionáveis preparem-se psicológicamente, pois este não é o telefilme da HBO que estão habituados a ver passar nas tardes da TVI para entreter as avózinhas.
Não estamos em Hollywood e se isto é para ser dramático a um nível realístico mesmo, podem ter a certeza que vai ser , pois aqui pelas bandas da Coreia do Sul ninguém se preocupa muito em ser politicamente correcto nas histórias de cinema; o que só lhes fica bem; (e eu nem lhes vou mostrar a fotografia da caracterização inicial da miuda após a violação). Se calhar é por isso que depois conseguem atirar cá para fora títulos com a qualidade de um filme assim.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores e mais consistentes filmes dramáticos que sairam do oriente em vários anos. Nomeadamente da Coreia do Sul.
Dentro deste estilo de história nunca vi nada que chegasse aos pés deste filme pelas razões que referi já no texto mais atrás.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award (ao cubo) porque é absolutamente inesquecível e um daqueles filmes que apetece rever só para voltar a acompanhar aqueles personagens e admirar cada interpretação.

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A favor: história muito bem planeada cheia de momentos insqueciveis e que são usados para mais uma vez humanizar cada personagem a um nível que só o cinema oriental parece conseguir fazer, os actores têm prestações incríveis a todos os níveis, está cheio de personagens excelentes, as crianças-actores são notáveis, a realização é invisivelmente perfeita, tem um ritmo frenético e em certos momentos mais parece um thriller do que um drama apesar de não ser própriamente um filme de acção, cria uma empatia notável com o espectador até nos momentos que envolvem o violador, dá-nos cabo dos nervos, tem momentos fantasticamente fofinhos ao melhor estilo do cinema sul coreano que já conhecem, todo o argumento está fantásticamente bem escrito e manipula o espectador emocionalmente de uma forma extraordinária com pausas nos sitios certos e murros no estômago de cair para o lado nos pontos chave.
Contra: ehm… nada ?!… Ok, pronto…deixa cá ver…hmmm….espera, deixem-me pensar…hmmm…ah, olha, se calhar o epílogo está a mais e o filme poderia ter acabado um par de minutos antes na sequência final realmente emblemática entre o pai e a filha…

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER – AVISO !
NÃO VEJAM O TRAILER que está espalhado pelo youtube legendado em Inglês pois está cheio de *SPOILERS* inacreditáveis. Esse é o trailer da distribuição americana e conta o filme todo de uma ponta à outra !!! Inclusivamente revela o final !!!

VIDEOCLIP (substituindo o trailer)
Se quiserem espreitar algumas cenas do filme vejam isto aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3153634

COMPRAR DVD (legendas em Inglés apenas no filme e não nos extras).
http://www.yesasia.com/us/hope-2013-dvd-korea-version/1035288953-0-0-0-en/info.html

E agora que escrevi tudo isto, vou rever o filme.

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Outros títulos dramáticos de que poderá gostar:

Be With You Il Mare The Classic

Love Phobia cyborg_she_capinha_73x

concerto_capinha_73x My Sassy Girl

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Cinema_oriental_no_facebook

Hôrudo appu daun (Hold Up Down) Hiroyuki Tanaka (2005) Japão


Não fora a quantidade de piadas com Jesus Cristo presentes nesta divertida comédia japonesa e este [“Hold Up Down“] seria um sério candidato a remake americano.
Assim como está, dúvido que alguma vez vejam esta história em versão Hollywood pois o seu humor blasfemo teria certamente bastantes problemas com muito do público evangélico por terras do Uncle Sam com toda a certeza.

O que quer dizer que também não será própriamente um filme recomendado a pessoas mais religiosas ou que se ofendam facilmente com gags envolvendo o Jota Cê mais popular do planeta.
Quanto a mim contém algum do melhor humor blasfemo dos últimos tempos e só tenho pena que mesmo assim não seja tão ofensivo merecia ter sido, pois havia aqui material para ter sido ainda mais engraçado.

Na verdade apesar de conter algumas das melhores piadas com Jesus Cristo talvez desde “A Vida de Brian” dos Monty Python estas são na verdade até bem inofensivas para minha desilusão, pois muitos dos gags só teriam a ganhar se [“Hold Up Down“] tivesse tido coragem de ser menos politicamente correctos apesar de tudo, embora contenha gags hilariantes quanto baste envolvendo todas as situações inimagináveis com padres, psicopatas, policias malucos, ladrões azarados e Jesus deslizantes…

Este é um daqueles filmes que justifica plenamente a minha intenção original ao criar este blog para divulgar propostas cinematográficas originais daquelas que não se costumam encontrar nas salas com muita frequência; isto porque na verdade não se percebe bem que raio de filme é este.
Começa como sendo uma típica comédia de assaltos; uma espécie de – heist movie – em versão anárquica, estilo Pulp Fiction oriental em esteroídes algo contidos, mas logo entra por territórios completamente inesperados, tanto em estilo de argumento como em visual, o que levará a um par de bons momentos inesperados na segunda metade do filme quando entra por caminhos completamente parvos e totalmente inesperados.
O que torna [“Hold Up Down“] num daqueles titulos que nos agarra a partir do momento em que percebemos que na verdade não estamos a perceber o que raio estamos a ver e por isso precisamos mesmo de continuar a olhar para o ecran. Especialmente quando entra em cena o “Jesus Cristo” estilo picolé sobre rodas…

Mas [“Hold Up Down“] não vive apenas do humor blasfemo. Na verdade desde cedo se percebe que o seu estilo visual vai ser fundamental para que muitos dos gags tenham piada não pelo que se passa mas pela forma como muitas vezes os acontecimentos são filmados.
A sequência incial da esquadra de policia com todos os queixosos é um bom exemplo de como se pega em algo que no papel não passaria de um conjunto de personagens sem grande coisa para fazer e no entanto cria um momento de humor único envolvendo um turista perdido, um cidadão agredido, uma gaja boa vitima de assédio sexual, uma velhinha que perdeu um gato, um psicopata com um bastão e um “Jesus Cristo” assaltado frente a um par de policias totalmente ineptos.

Tudo numa sequência criativa que dura largos minutos em total plano fixo ao melhor estilo cinema-de-autor mas que aqui resulta num gag que essencialmente define o estilo visual que o filme irá tomar na forma como trata o humor da história.
[“Hold Up Down“] é por isso visualmente um filme muito estranho.
Para começar tem uma estrutura completamente imprevisível suportada por uma história daquelas que faz o espectador pensar a todo o instante que sabe o que vai acontecer , para de seguida lhe trocar as voltas  a todo o instante. É este um dos seus grandes trunfos para agarrar o espectador, isto porque se assim não fosse, o filme seria até demasiado estranho para poder ser considerado um comum filme comercial nos moldes a que estamos habituados devido á sua realização estilizada que nos lembra algo… a todo o instante…

Este é o tipo de filme que se tivesse sido produzido em Hollywood a máquina publicitária iria ter bastantes dificuldades em vendê-lo com um rótulo apontado a um target de audiências específico.
[“Hold Up Down“] tem um estilo visual e um ritmo tão estranho que não se enquadra própriamente no que estamos habituados a ver neste estilo de comédias totalmente anárquicas. Tem algumas semelhanças com “Men Suddenly in Black” mas se calhar consegue ir mais longe tanto nos momentos de humor como no próprio conceito.
Mas há mais.

Curiosamente o filme fazia-me lembrar aquele estilo “frio” do cinema de Stanley Kubrick mas em versão tresloucada a todo o instante. Até que percebi o porquê , o que me deixou bem surpreendido por não ter sido apenas impressão minha. E mais não posso dizer pois garanto-vos se conhecerem bem os filmes emblemáticos do realizador de Shinning vão curtir muito o que lhes vai aparecer pela frente na segunda metade da história pois se pensam que piadas com um Jesus Cristo seria o cúmulo da loucura nem imaginam o rumo que esta história toma a partir de certa altura com a sequência do casamento…

[“Hold Up Down“] é um daqueles titulos que valem mesmo a pena ser vistos pelo menos uma vez. Poderão não conseguir entrar fácilmente no seu estilo algo indefinido devido aos vários rumos que o argumento consegue tomar sem perder o fôlego e poderão até nem gostar do filme no final ou até achar-lhe grande piada. No entanto tenho a certeza que ficará na memória precisamente por ser tão diferente ao mesmo tempo que parece uma comédia de assalto típica.

Não procurem qualquer lógica na história. Não é para ter. É um daqueles filmes para curtir mesmo e não é para fazer sentido. Podia ser intitulado – “Mil e uma coisas para fazer com Jesus” – e vai agradar a toda a gente que tiver sentido de humor negro, gostar de filmes com policias, ladrões e … coisas do outro mundo em todos os sentidos.
Pode ser estípido como o raio, mas a ser alguma coisa poderá ser uma espécie de comédia dos Monty Python se alguma vez tivesse sido filmada pelo Stanley Kubrik e escrita pelo Quentin Tarantino, produzida no Japão.
Se estas referências lhes dizem alguma coisa não percam porque vale a pena.
Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma comédia cheia de momentos inesperados que muitas vezes até nem parece ter grande graça até que nos acerta com mais um gag totalmente inesperado para nos fazer rir á parva.
É um daqueles filmes para deixar o cérebro á porta e simplesmente curtir tudo o que de inesperado acontece nesta história que não tem ponta por onde se lhe pegue mas tem um grande sentido de humor negro de caríz biblico e até kung-fu sobrenatural. Além de ser uma história de policias e ladrões que também gostam de brincar com modelos de comboios e padres que de repente encontram Jesus na sua vida. E também mete um psicopata que ataca pessoas com bastões. E mais coisas inimagináveis…
Um filme bastante original que na verdade nem se consegue enquadrar em qualquer género, pois por vezes até parece cinema-de-autor para logo no momento a seguir se calhar até não.
Divertido quanto baste, inofensivo, braindead e muito criativo na forma como mistura géneros diferentes para um resultado que merece na boa cinco tigelas de noodles e só não leva um Gold Award também porque nem sei…

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A favor: a originalidade da estrutura da história, as piadas com “Jesus”, o inesperado de muitos gags, a realização que alterna entre o Kubrick pastilhado e o Tarantino na ganza, tem um argumento totalmente imprevisível, personagens alucinantes e completamente ilógicos, mistura uma quantidade de géneros num argumento que não tem ponta por onde se lhe pegue e faz tudo resultar num produto bem divertido.
Contra: na verdade não tem nada de negativo…poderá ser demasiado estranho para quem está habituado a um tipo de comédia mais comercial ao estilo ocidental, as piadas religiosas poderiam ter sido muito mais ácidas pois quanto a mim ficaram ainda demasiado politicamente correctas para o que eu gostaria que tivessem sido, a cena de acção com kung-fu parece demasiado longa, é original mas provavelmente não ficará na memória.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
NOTA: Não vejam o trailer antes de verem o filme pois vai quebrar muitas das surpresas visuais que fazem grande parte das piadas resultar pelo seu inesperado quando se vê o filme sem sabermos nada dele.
http://www.youtube.com/watch?v=h4tTAvgcGhs

Comprar
http://www.cdjapan.co.jp/detailview.html?KEY=JABM-8003

Download aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0461523

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