“CITY OF LIFE AND DEATH” ( “Nanjing! Nanjing!”) Chan Lu (2010) CHINA


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“Warning: This film hurts”

Começa assim uma review no IMDb para [“City of Life and Death”] e provavelmente deveria ter sido esta a tagline oficial do filme, pois essencialmente a frase resume tudo.
Não podia ter havido melhor filme para eu regressar aqui ao blog depois de alguns meses de pausa e também para comemorar ter ultrapassado as 400.000 leituras; mas [“City of Life and Death”] está a revelar-se ser uma das reviews mais difíceis de escrever que já coloquei aqui nestes anos todos, pois é realmente um daqueles filmes que tem que ser visto.

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Se espreitarem abaixo a minha classificação final para este título vão encontrar uma nota máxima excedida com mais um Gold Award do que costumo atribuir quando um filme para mim rebenta a escala.
Tenho a certeza que não irão voltar a encontrar uma nota assim por aqui tão cedo pois não me deparo todos os dias com filmes assim.
Na verdade acho que nunca tinha visto nada como isto e já perdi a conta aos dramas sobre guerra que me passaram pela frente. Aliás tendo em conta que isto é um filme de 2010 ainda me pergunto como raio [“City of Life and Death”] me passou completamente ao lado. Só o vi agora porque encontrei o bluray na amazon Uk bem baratinho e resolvi espreitar sem saber nada sobre o filme. Mal sabia eu o que me ia cair em cima.

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[“City of Life and Death”] é para mim o melhor filme que até hoje recomendei neste blog sem qualquer sombra de dúvida. Se eu medir a minha admiração pelo cinema através do impacto que um título me provoca, (seja pela parte técnica, pela história e tudo mais), então este terá sido o filme que mais me marcou talvez nas últimas décadas e não estava nada á espera disto.
Não me lembro da última vez que vi um filme que tivesse transmitido uma empatia tão grande e criado uma tensão tal, a ponto de a meio eu ter que fazer uma pausa para poder respirar e aconteceu agora com [“City of Life and Death”].

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O filme narra os acontecimentos que levaram á devastação da cidade de Nanking em 1937 quando o sul da China foi invadido por tropas Japonesas com intenções expansionistas e é apenas baseado em relatos de sobreviventes, nos diários deixados pelos protagonistas da verdadeira história e na recriação das imagens documentais mais importantes que se conhece dos filmes contrabandeados na época para fora da região por membros do partido Nazi chocados com o massacre que ocorreu. Sim, Nazis chocados com o que viram.
Se nunca ouviram falar no tema, aposto que só com esta, ficaram curiosos.

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[“City of Life and Death”] recria umas boas dezenas de momentos dramáticos e de horror que se sucediam em Nanking quando um par de comandantes Japoneses decidiram exterminar toda a população com requintes de tortura que, dizem os Historiadores nem os próprios Nazis conseguiram igualar; isto porque os Alemães criaram um sistema de extermínio sistematizado enquanto que os Japoneses mataram tudo o que lhes aparecia pela frente sem qualquer critério e com requintes de tortura inimagináveis até para o III Reich na altura.

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Curiosamente a história do massacre de Nanking não é de perto nem de longe tão conhecido como tudo o que envolveu os campos de concentração Alemães, talvez porque a realidade inacreditável do que por lá se passou tenha chegado primeiro aos olhos de Hitler; mas isto são pormenores que recomendo vivamente que se interessem por conhecer vendo pelo os bons documentários que existem sobre o assunto ( e mais um par de filmes de que irei falar em breve também por aqui).

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[“City of Life and Death”] tem a intenção de recriar apenas os relatos dos sobreviventes (vítimas e agressores) concentrando a narrativa num grupo de personagens baseados em pessoas reais sempre que possível embora juntando também alguns testemunhos compostos noutros mais secundários de forma a poder reproduzir o mais fielmente possível visualmente toda a tragédia absolutamente inacreditável que se passou em seis semanas de terror que tenho a certeza fará até muito adepto de cinema de horror se afundar na cadeira quando vir o que foi conseguido neste filme em termos de crueldade. Especialmente se depois compararem algumas das imagens recriadas em [“City of Life and Death”] com as imagens filmadas na altura; isto porque inclusivamente os Japoneses tinham por hábito filmar tudo o que faziam e portanto filme da época para recriar é coisa que nunca faltou. O problema foi mesmo decidir o que incluir no filme.

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Por causa disso [“City of Life and Death”] é uma história com uma narrativa que inicialmente se estranha mas depois já não conseguimos largar. [“City of Life and Death”] é essencialmente contado sempre que possível por imagens, pela recriação dos eventos e só quando mesmo necessário é que os diálogos são usados.
Desenganem-se quem pensar que isto é um qualquer exercício estilístico de cinema de autor armado em inteligente. [“City of Life and Death”] apenas não segue uma estrutura comum para uma história de cinema porque não se quer parecer com uma história de cinema. Muito menos quer ser cinema americano.

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[“City of Life and Death”] quer parecer-se com uma máquina do tempo.
Quer chocar o espectador até à medula.
Não pelo choque gratuito apenas porque sim mas para nos fazer prestar uma atenção diferente daquela que teríamos prestado se estivéssemos apenas a ver um dos bons documentários que há sobre o tema e distanciados no conforto do sofá de algo que aconteceu há mais de meio século.
[“City of Life and Death”] quer quebrar a distância que há entre o espectador e um produto visual.

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[“City of Life and Death”] quis transformar-nos a todos em testemunhas.
Como se tivéssemos viajado no tempo e estivéssemos lá presentes em Nanking quando o Japão cometeu atrocidades que fazem um filme do SAW parecer um conto da Disney, mas sem podermos fazer nada para mudar a história.
Se o cinema é uma máquina do tempo provavelmente [“City of Life and Death”] será uma das mais incríveis viagens que realizou em muitos anos no que toca a colocar o espectador no local do acontecimento.

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E consegue. Nas suas duas horas e meia faz-nos esquecer por completo que estamos a ver cinema. Para começar foi todo filmado a preto e branco com vários níveis de grão e tratamento de imagem dependendo do que pretendia mostrar para de uma forma subliminar criar no espectador todo o tipo de reacções viscerais aquilo que mostra sem pudores.
Depois apesar de ter uma estrutura aparentemente episódica consegue ligar cada personagem de uma forma absolutamente notável o que nos transmite uma perspectiva global sobre tudo o que aconteceu sempre com a intenção de ser o mais fiel aos documentos e testemunhos em que se baseia, mesmo quando usa um par de personagens “fíciticios” para poder condensar os acontecimentos num momento ou dois.

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Talvez por isso [“City of Life and Death”] ao contrário do que muita gente na China esperava e apesar do horror inacreditável que os personagens Japoneses infligem em toda a cidade, estes não são apresentados apenas como monstros. Os Japoneses aqui não são vilões de um filme de guerra ou tortura; [“City of Life and Death”] apresenta os monstros que há na humanidade mas também joga com a humanidade que pode haver num monstro. O que não caiu nada bem, tendo inclusivamente o realizador e família sido alvo de ameaças de morte na China por ter tido a coragem de mostrar todos os personagens como seres humanos e não apenas como heróis ou vilões.
O filme quase que foi impedido de estrear mas foi salvo por um próprio membro do Partido Comunista que o apoiou dentro do Governo.
O filme saiu e segundo li foi um sucesso incrível de bilheteira por todo o lado.
Todo o lado excepto no ocidente claro, pois não foi distribuído por Hollywood, então não existiu claro. Muito menos em Portugal.
Muita gente na China ficou chocada pelo filme mostrar Japoneses com sentimentos quando a ferida Nanking ainda é algo totalmente contemporâneo no país.

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Não só o realizador na China, como os actores Japoneses foram alvo de ameaças de morte. Isto porque no Japão existe ainda hoje em dia uma corrente ultra-nacionalista que venera os assassinos de Nanking como heróis nacionais e semi-deuses e não gostaram nada de ver um filme como [“City of Life and Death”] ser o sucesso que parece ter sido por toda a ásia, excepto no Japão onde continua ainda proibido, porque oficialmente o massacre de Nanking pelos Japoneses nunca aconteceu e inclusivamente está totalmente banido dos livros de história. Nenhum aluno liceal no Japão alguma vez conhecerá de forma oficial o que o seu país fez décadas atrás porque tudo o que se refere a Nanking está simplesmente apagado da memória popular desde á décadas, excepto nos templos que foram eregidos aos comandantes – herois – que foram elevados a estatuto de semi-deuses no Japão apesar de tudo o que se passou.

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[“City of Life and Death”] levou 4 anos a ser filmado e foi uma verdadeira odisseia em termos de produção. Para começar os actores Japoneses que aceitaram participar no projecto tiveram a sua vida complicada , quase ao ponto de terem sido proibidos de sair do país para trabalharem no filme. A coisa só não se complicou mais porque o governo Japonês teve a inteligência de não agitar muito o assunto publicamente para que o tema Nanking não fosse de repente alvo de atenção dos media locais.
Nenhum actor Japonês de topo aceitou participar no filme; uns porque tiveram medo, outros porque foram proibidos de o fazer pelos próprios agentes.
Todos os actores Japoneses em [“City of Life and Death”] eram até este filme sair, actores de segunda linha, principiantes ou figuras televisivas mais ou menos anónimas. O que não se nota, pois as suas prestações são absolutamente geniais.

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Do lado Chinês, [“City of Life and Death”] tem a particularidade de ter contado com 20.000 voluntários que se prontificaram a entrar no filme. Sim, leram bem.
20.000 voluntários entre estudantes universitários e população anónima que quis entrar na produção em homenagem a tudo o que se passou décadas atrás; o que como imaginam deu ao realizador material humano mais que suficiente para encenar cenas de massacres que não lhes irão sair tão cedo da memória.
Quando em [“City of Life and Death”] virem cenas com milhares de pessoas no écran, não são efeitos especiais, nem é CGI.
É simplesmente incrível e assustador quando nos lembramos que [“City of Life and Death”] recria factos reais que podemos depois comparar nos documentários.
Como por exemplo os três dias em que os Japoneses assassinaram 300.000 pessoas de seguida, fuzilando, decapitando, queimando e enterrando vivos todos os soldados Chineses capturados a quando da invasão inicial da cidade.
E isto foi apenas o começo.
O pior veio mesmo depois. Não em número mas em horror.

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Já vi muito cinema pesado, mas acho que nunca tinha visto cenas de violação como [“City of Life and Death”] nos mostra.
Eu pensava que as cenas de violação em “Ensaio sobre a Cegueira” baseado no livro de Saramago eram potentes até ver isto há dois dias.
Eu que sou essencialmente imune a filmes de terror ultra violentos, tive que fazer uma pausa a meio do filme para tentar assimilar o que via e dizer a mim próprio que isto era apenas cinema. Mesmo baseado numa realidade… apenas cinema…

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Sinceramente não sei se muitas espectadoras aguentarão passar do meio de um filme como  [“City of Life and Death”] a partir do momento em que se foca nas cenas de violações com mulheres e crianças. Não é pela forma explícita do que mostra, mas pelo incrível aspecto psicológico do que envolve essas sequências que são tudo menos cenas politicamente correctas e principalmente porque a história vai construíndo subliminarmente o suspense até rebentar de uma forma ainda mais grotesca do que poderiamos estar á espera.
Não posso explicar isto melhor sem estragar o impacto dessa parte da história, mas quero deixar aqui o aviso ao público feminino pois duvido que alguma vez tenham visto algo no contexto em que [“City of Life and Death”] encena todas as incríveis cenas de violação. Não mostra as 20.000 mulheres que a História registou como vítimas mas também não mostra apenas uma ou duas…
Quem se impressione facilmente, avance com cuidado seja de que género for.

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Aliás quase parece mentira mas [“City of Life and Death”] está censurado.
O Governo Chinês até mais do que proibir , pediu ao realizador que não incluísse tudo o que estava nas filmagens originais da época, pois acharam que se o filme fosse demasiado minucioso politicamente ainda hoje em dia a coisa podia dar para o torto.
Por essa razão [“City of Life and Death”] não inclui o duelo de decapitações que dois comandantes Japoneses fizeram durante dois dias onde decapitaram cada um mais de 100 pessoas; homens, mulheres e crianças  para ver quem matava mais Chineses num curto espaço de tempo.
Essas cenas foram filmadas mas não foram incluídas na montagem final.

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E [“City of Life and Death”] também não inclui as partes de violação das mulheres grávidas que depois foram esquartejadas e cujo as barrigas foram abertas para que os bebés fossem retirados e decepados na hora como se fossem carne para um talho pelos soldados Japoneses.
Essas nem sequer foram filmadas, porque o próprio elenco não aguentava.
Mas não pensem que [“City of Life and Death”] é um filme mais suave por não incluir essas partes.
As sequências em que os soldados vagueiam pelas ruas e invadem as casas à procura de sexo constante sem olhar a meios e ao que fazem ás mulheres e crianças , são suficientes para que muita gente desista pura e simplesmente de acompanhar a história até ao final. [“City of Life and Death”] volto a dizer, acredito ser um filme particularmente duro para o público feminino.

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“Warning: This film hurts” – Acreditem que sim.
[“City of Life and Death”] é duro. Tão duro que mais provavelmente irão estar tão chocados com o que testemunham que mal se lembrarão de respirar; quanto mais ainda ter tempo para derramar lágrimas. Não é um daqueles para chorar baba-e-ranho pela simples razão de que para ter vontade de chorar precisamos de estar a respirar em condições…
O filma magoa de formas como eu não me lembro de ter visto… talvez nunca numa produção de cinema. Precisamente porque não se sente como sendo um filme.
A tal ponto que alguns actores tiveram acompanhamento de psiquiatras no set,  durante as filmagens e tudo teve de ser espaçado a intervalos que permitissem uma descompressão para que os intervenientes na produção pudessem respirar o mundo real por momentos. Inclusivamente houve pessoas que desistiram pois não aguentaram e precisaram simplesmente de se afastar definitivamente.

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Mas se [“City of Life and Death”] é algo tão dificil assim, porque razão deve o leitor querer ver este título ?
Para além do que representa em termos históricos todo o acontecimento, [“City of Life and Death”] visualmente é um filme incrível. Até mesmo representando um horror inimaginável consegue estar cheio de imagens lindíssimas do ponto de vista cinematográfico.
Terá talvez a melhor fotografia a preto-e-branco desde Casablanca ou Manhattan , se não for até melhor e um estilo narrativo que torna o filme numa verdadeira experiência emocional interactiva.
Está cheio de personagens inesquecíveis, momentos humanos fabulosos e ainda um par de histórias de amor a sério sem Hollywoodices à mistura. Além disso tem um final que posso dizer aqui sem spoilers, é positivo e portanto não irão sair de [“City of Life and Death”] chocados apenas porque sim. O filme pode ser negro mas tudo aponta para uma luz ao fundo do túnel que irão sentir plenamente satisfatória quando lerem nos créditos finais sobre o que aconteceu a cada uma das pessoas.

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Irão sair de [“City of Life and Death”] a pensar e irão pensar neste filme e em tudo o que representa por dias e dias a fio. Até porque tendo em conta o que se passa hoje em dia no nosso próprio mundo , isto é tudo menos ficção em muitos aspectos.
Além disso como eu já disse, [“City of Life and Death”] não é um torture-porn de forma alguma. Tudo tem um propósito.
É mil vezes mais assustador do que praticamente tudo o que vocês viram até hoje no suposto cinema de terror gringo sem sombra de dúvida, vão torcer-se todos nas cadeiras mas duvido que consigam tirar os olhos do écran.
Especialmente se já conhecem os documentários ou já leram algo sobre o assunto.

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Está cheio de actores orientais com prestações incríveis, figurantes absolutamente perfeitos e conta ainda com um pequeno grupo de actores ocidentais que interpretam os médicos, jornalistas, diplomatas e pessoal que rodeava o empresário Nazi que no meio de todo o caos acabou por salvar também a vida a mais de 200.000 chineses; embora  [“City of Life and Death”] não seja exactamente sobre este pormenor pois é algo já bastante focado noutras produções mas nem por isso limita as interpretações daquele pequeno grupo de actores com personagens ocidentais simples mas totalmente carismáticos, com destaque para quem interpreta o empresário Nazi – John Rabe.
Quanto a mim [“City of Life and Death”] deveria ser daqueles filmes obrigatórios desde logo nas escolas pois se o cinema tem o poder de influenciar tudo ao seu redor, este é um título para moldar consciências desde cedo; especialmente na era da informação onde anda tanta gente desenformada. É um daqueles filmes que deveriam ser mostrados aos putos, fechar toda a gente numa sala e á chave e só abrir a porta para levar algum desmaiado para o Hospital ou quando o filme acabasse. Tratamento de choque em termos moldar consciências não deve haver melhor que isto.
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CLASSIFICAÇÃO

Apesar do que procurei descrever acima [“City of Life and Death”] foi um dos raros filmes que na minha vida me deixou sem palavras. Nem ar.
Por isso é para mim o melhor título oriental que já recomendei neste blog e não poderia ter aparecido filme melhor para eu comemorar aqui as 400.000 visitas de Cinema ao Sol Nascente.

Cinco Tijelas de Noodles + um Gold Award + um Gold Award EXTRA como excepção.

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Recomendo vivamente que explorem depois , ou até antes os documentários que existem sobre o tema. Estão cheios de imagens que depois verão recriadas no filme o que ainda lhes causará mais impacto.
É que por incrível que pareça, o filme foi alvo de censura e parece que está bastante suave comparado com o que aconteceu na realidade. Na China foi bastante atacado por ter suavizado demais o que se passou realmente.
Links abaixo.
A favor: a fotografia a preto-e-branco é incrível, a realização não podia ser melhor, os actores idem, as cenas de guerra são espectaculares como habitualmente no cinema de guerra oriental, as cenas de horror vão muito para lá de assustar ou impressionar, a escala épica de tudo o que aparece no écran, a quantidade de figurantes, o final positivo, não tem maus nem bons, poderia ter sido um filme-propaganda muito facilmente e nunca entra por aí, a importância do cinema enquanto guardião de uma memória colectiva em filmes como este.

Contra: haverá cínicos por aí e muito homem de barba rija que irá achar que a exposição dos horrores recriados neste filme são apenas manipulação e exploração de emotividade com toda a certeza. Os nerds picuinhas da História irão apontar este ou aquele detalhe que teve de ser comprimido no filme por questões dramáticas embora a crítica especializada tenha sido unânime no que toca à atmosfera geral e á qualidade da recriação histórica de todo o acontecimento.
O Japão continua oficialmente a negar que tais eventos tenham acontecido.
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NOTAS ADICIONAIS

DOCUMENTÁRIO

TRAILER

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt1124052

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Artigo sobre o filme.

http://english.cri.cn/6666/2009/04/21/1461s477172_1.htm

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Se gostou deste poderá gostar de:

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Baahubali: The Beginning (Baahubali: The Beginning) S.S. Rajamouli (2015) India


Ahhh, “Baahubali – O Começo”; por onde começar…
Há cinema bom e há cinema mau. Há ainda aquele cinema que de ser tão mau se torna automaticamente bom. Depois há o cinema Indiano…

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E como muita gente sabe Bollywood é um caso à parte.
Se a física quântica procura a prova da existência de universos paralelos, não procurem mais, vejam uns filmes de Bollywood porque está lá tudo.
Ainda hoje me pergunto, o que raio é o cinema Indiano e porque razão produções  como este [“Baahubali – The Beginning”] parecem insistir em continuar a contribuir para a minha confusão. Mais espantoso ainda é os filmes de Bollywood serem actualmente o cinema mais rentável do mundo. Para quem pensa que é o cinema americano, recomendo que leiam uns artigos sobre o assunto e irão surpreender-se com o dinheiro que o cinema Indiano faz pois nem irão acreditar. Avatar é para amadores em termos de fazer guito à parva no box-office.

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Como devem ter notado este irá ser o primeiro filme Indiano a figurar neste blog. Na verdade não deixa de ser cinema asiático também, mas é o primeiro que comento porque pura e simplesmente desta vez não consigo deixar de fazê-lo.
[“Baahubali – The Beginning”] não é o primeiro filme Indiano que vi tentando encontrar algo que valesse a pena divulgar aqui, mas é definitivamente o primeiro que na minha opinião vale a pena recomendar.
Mas não se entusiasmem. Eu disse, recomendar.
Não disse para irem vê-lo.
Recomendo que façam qualquer coisa com ele, recomendem-no a amigos que gostem MESMO de cinema Bollywood, podem sacá-lo, gravá-lo e até vê-lo mas estarão por vossa conta e não me responsabilizo pelos danos cerebrais nos leitores que não estão habituados ao estilo Indiano de fazer cinema.

Por outro lado depois de verem este trailer, vocês não vão conseguir escapar por isso nem tentem resistir.

Então ? Dá vontade de ver ou não dá ?
Parece ser um filme de fantasia altamente não é ? Ah pois é.
Este trailer está realmente um espectáculo mas cuidado, toda a adrenalina entusiasmante que aparece nesta montagem promocional está particularmente ausente do filme. O tom do filme não é de todo o tom magnifico que encontram na sua apresentação.
Então isto afinal é o quê ?
Bem, [“Baahubali – The Beginning”], é um filme de fantasia Indiano. Consta que é a produção mais cara de sempre em Bollywood e nota-se.
Se o quiserem classificar será assim o –Lord of the Rings- indiano tendo por base todo o imaginário fabuloso daquele país e nesse aspecto faz um trabalho magnifico ao passar para o grande écran todo aquele sentido épico que sempre imaginamos nas sagas relativas aos textos do Mahabharata e restantes narrativas Vedicas da India.

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Se gostam mesmo muito de filmes Indianos provavelmente nunca viram algo assim no género , podem parar de ler este texto e irem ver isto porque irão adorar.
Para quem não conhece (ou não suporta) cinema Indiano, ainda há muito para dizer. Portanto, vamos começar pelo que este filme tem de bom.
[“Baahubali – The Beginning”] visualmente é tudo o que podem ver no trailer e mais ainda.
Esta história de fantasia tem definitivamente um dos melhores designs de produção dos últimos anos e ainda parece melhor por tudo se passar num universo tão particularmente Indiano e culturalmente muito enraizado nas suas narrativas épicas.
Embora seja um filme incrivelmente colorido, depois de nos acostumarmos ao estilo visual berrante que pode desorientar-nos no inicio, podem ter a certeza que visualmente[“Baahubali – The Beginning”] é um espectáculo e só por isso é de visão obrigatória para quem se interessa não só por fantasia como principalmente para toda a gente que gosta de concept design ou ilustração.

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As paisagens são fabulosas e mesmo apesar de muita coisa tresandar obviamente a photoshop, na sua maioria é trabalho de photoshop do bom. Os matte paintings são lindíssimos em muito dos momentos estendendo paisagens naturais até um nível de fantasia fabuloso que não fica nada a dever ao melhor que se pode ver numa produção americana.
O tom de  [“Baahubali – The Beginning”] é claramente o de um livro ilustrado, uma espécie de iluminura de um veda transposto para o grande écran e nesse aspecto o CGI está particularmente bem usado em quase todo o filme embora não escape também a muitos momentos algo fraquinhos; mas isso acontece igualmente em muito cinema americano e ninguém se queixa, por isso deixem-se de tretas e apreciem o esforço que foi colocado para produzir este universo pois este mundo de fantasia indiano é fascinante e muito real.

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Em termos de design, fica aqui também o meu destaque para uma das melhores cidades de fantasia que apareceram no cinema do género desde Minas Tirith nos filmes de Peter Jackson. Temos aqui um caso em que uma complexa maqueta CGI foi criada para o cenário deste filme e parece ter sido explorada até ao último pixel. Quero com isto dizer que  [“Baahubali – The Beginning”] parece a todo o momento querer mostrar que o dinheiro que gastaram está todo no écran e nota-se. A maqueta da cidade parece que foi filmada de todos os ângulos e todo o filme está cheio de pequenos segmentos introdutórios de cenas que se iniciam cheios de ambiente porque começam sempre com uma visualização de um qualquer pormenor do cenário que termina onde começa a acção.
A arquitectura e a as cores em particular são fabulosas.

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O mesmo vale para o guarda roupa que como seria impensável num filme indiano não podia ser outra coisa senão espectacularmente colorido e imaginativo.
Como bom épico de fantasia que se preze também  [“Baahubali – The Beginning”] tinha que ter uma batalha com milhares de guerreiros à espadeirada no final e neste aspecto, embora não resulte particularmente bem em termos de adrenalina por razões que explicarei mais adiante, a verdade é que em termos de design, uso de cgi e ambiente geral o conflito final também é um dos pontos altos do filme, pois tecnicamente também não fica atrás do que se faz actualmente no cinema épico fora da India.

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E perguntam vocês…mas então  [“Baahubali – The Beginning”] é bom ?
Sim ou não ?
Bem… “nim”…

O cinema indiano é realmente algo à parte. Ou temos estômago para tanto estilo kitsh em modo “azeiteiro” e entranhamos tudo aquilo como uma experiência cultural e seguimos em frente ou então está tudo perdido e a coisa torna-se verdadeiramente secante , especialmente quando a coisa dura duas horas e meia que mais parecem quatro.
No que me toca, estou a meio termo. Normalmente tento entrar em “modo indiano” mas a verdade é que depois lá pelos 50 minutos de filme já começo a pensar que se calhar não me apetece ver aquilo tudo. Aconteceu mais uma vez neste filme também e estava com muita esperança que desta vez fosse diferente por causa de ter gostado tanto do trailer.
Mas mais uma vez também  [“Baahubali – The Beginning”] conta com certos pormenores que me irritam por demais no cinema Indiano e que sinceramente custo muito a ultrapassar.
E não, não estou a falar das cantilenas pindéricas azeiteiras dos moçoilos de bigode e das raparigas roliças que cantam e dançam por tudo e por nada nos filmes indianos.

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Isto porque surpreendentemente, desta vez  [“Baahubali – The Beginning”] é um filme indiano atípico. Talvez porque os produtores querem mesmo tentar projectar esta aventura no circuito de distribuição ocidental, as cantigas para o ar foram reduzidas apenas a dois momentos musicais ao longo do filme inteiro, o que não deixa de ser inesperado. Eu estava à espera de encontrar pelo menos umas 15 canções com dança ao longo do filme e isso não acontece de todo. A música está presente, mas está mais a servir de banda sonora nalguma montagem que faz avançar a narrativa do que propriamente encalha a história parando tudo para que os actores cantem e dancem como de costume. Desta vez a coisa é diferente para melhor.

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A primeira cantoria irritante (com uma canção pimba do mais kitsh e foleiro que possam imaginar), só aparece aos 50 minutos de filme e mesmo essa cena está bastante bem contextualizada dentro de um sonho do herói, o que na verdade alarga o tempo do filme mas não interfere na narrativa principal. Agora meus amigos, preparem o cérebro e o saco de vómito para o “videoclip” em estilo Jardim do Éden que lhes irá aparecer pela frente. Não digam que não avisei. Só as roupinhas do heroi valem o clip.

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A segunda cantoria com dança, acontece quase uma hora depois da primeira e tem lugar numa cena que mostram as bailarinas do palácio do vilão do filme. É uma breve cena musical que na verdade parece maior do que é porque é uma seca para quem como eu não suporta estas coisas no cinema Indiano, pois esta é longa demais e encalha a narrativa sem necessidade nenhuma.
E pronto em cantorias ficamos por aqui.

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Para minha surpresa neste filme, o problema desta vez não está em conseguirmos suportar os intermináveis números musicais. O problema agora tem mais a ver com a história e com os personagens.
Ou melhor, mais uma vez um filme como  [“Baahubali – The Beginning”] falha nas suas pretensões de se ocidentalizar porque não consegue fugir do estilo (pseudo) “dramático” em permanente estado de “overacting” em modo trágico dos actores/personagens.
Ou seja, o problema em  [“Baahubali – The Beginning”] é que os personagens não têm qualquer interesse porque não existe qualquer suspense e muito menos tensão dramática nesta aventura.
Os actores bem se esforçam, permanentemente aos berros, a chorar baba e ranho, a sofrerem imenso ao melhor estilo “Floribela”, ou então no registo oposto; em total modo de “comédia” azeiteira com gags de humor forçado onde inclusivamente os personagens parecem estar a dizer para o espectador … agora é para rir. Ou pior … a ser charmosos para o ecran !! Tipo, sou podre de bom !

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Não resulta. Mais uma vez o tradicional tom Indiano de caracterizar personagens e situações em modo ultra-melodramatico, versão esteroide não resulta fora da India.
Aquilo que para o público indiano será drama intenso, para um ocidental é uma verdadeira anedota.
Não tenho duvidas nenhumas que é esse tom que o público na India procura encontrar nos seus “dramas”, mas aos olhos do publico ocidental toda a carga dramática que deveria criar interesse na história pura e simplesmente desaparece para quem não tiver qualquer ligação com a cultura Indiana, porque o suposto dramatismo é tão extremo e ridiculo que anula por completo qualquer personagem ou situação que deveria ser de tensão.
Por exemplo, imagino o publico indiano a vibrar de ódio e suspense para com o vilão e a bater palmas com o herói , mas acreditem-me, para o público ocidental aquilo será humor involuntário do mais pindérico.

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O problema de  [“Baahubali – The Beginning”] está nos personagens. Simplesmente não resultam dramaticamente, são de uma piroseira total em termos cómicos e depois as suas histórias pessoais no decurso da própria narrativa principal são completamente sem nexo. Mais uma vez, tenho a certeza que isto resultará plenamente na India, mas por cá, meus amigos , certas cenas chegam a atingir momentos insuportáveis em que só apetece ligar para o argumentista e perguntar qual era a ideia. E eu nem costumo ser muito picuínhas com estas coisas. Acontece que em  [“Baahubali – The Beginning”] tudo parece desconexo, ilógico ou simplesmente piroso, o que destrói por completo qualquer carga dramática que a história pedia para ser minimamente interessante de seguir.
Não é. Esta história não tem qualquer interesse porque o tom de piroseira constante anula qualquer empatia com um publico que não tenha afinidades com a cultura indiana.

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[“Baahubali – The Beginning”] não cria qualquer empatia com o espectador em termos de personagens e até naquilo que costuma ser o forte no cinema oriental (pelas bandas do Japão ou da Coreia do Sul), as suas boas histórias de amor muito humanizadas e cheias de carísma, no caso deste filme Indiano, esqueçam. É pior que todos os filmes do Twilight juntos. Eles amam-se porque são muito giros e gostam um do outro e tá feito.
Não é este o caminho para a ocidentalização do cinema Indiano.
O excelente design e bons efeitos digitais não servem de nada se depois não conseguem sair do estereotipo Indiano na forma como desenham personagens de cartão em qualquer interesse pois nunca sentimos que aquelas pessoas estão em perigo, ou a viver um drama real.

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Temos o herói que em estilo moisés foi salvo de morrer afogado num rio e criado por camponeses até que se torna um bigode com pernas muito óleoso em termos de carisma azeiteiro com tiques de mandar olhares charmosos para a camera, temos o vilão que é mau porque sim e que usurpou o trono do monarca bom, temos a ex-raínha que vive prisioneira na praça da cidade acorrentada há mais de 25 anos à espera do filho que perdeu um dia, temos o escravo que por motivos de honra contribui mais para a desgraça de toda agente quando podia ter resolvido a situação e ter escapado há muito tempo, temos personagens árabes que não servem para nada (pelo menos para já), temos grupos de rebeldes que podiam estar num filme dos Monty Python e temos a Keira Knightley… ooops, perdão, a pirata das caraíbas… quer dizer a –princesa guerreira– que é uma psicopata do caraças e não tem problemas em decapitar soldados que se renderam ao melhor estilo radical islâmico (mas é boa moça).

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E por falar em decapitar, sangue visceras e tudo o que gostariamos de ver numa batalha.

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[“Baahubali – The Beginning”] tem montes de sangue, gargantas cortadas, decapitações e coisas assim ao longo de todo o filme. Isto até chegar à batalha final.
Depois estranhamente no conflito entre os dois exércitos… há lâminas por todo o lado mas nem uma gota de sangue. Os soldados levam espadeiradas e apenas saltam no ar em estilo banda desenhada do Asterix ou total modo cartoon da Warner Bros.
Em vez do filme continuar com gore sangrento como seria de esperar, isso não acontece de todo e de repente a batalha do final, que já tinha pouco suspense, fica ainda menos interessante pois o filme resolve entrar em auto-censura (?) precisamente nesse momento no que respeita a gente cortada aos bocados e ao sangue que (não) mostra.

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E já lhes falei do – “CGI” ?…
Não ?
Bem me parecia.
Mas não vão acreditar nesta.

Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais (estes são todos criados em animação digital renderizada).
Até aqui tudo bem, certo ?
Errado.
Em  [“Baahubali – The Beginning”] sempre que aparece uma cena com animais, de repente surge no canto inferior esquerdo um pequeno logotipo a dizer precisamente “CGI” !!!!
Juro !!!

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Acontece primeiro numa cena em que o vilão mata um touro numa arena em estilo tourada Indiana e depois volta a acontecer precisamente no meio das cenas de batalha no final do filme !! Ora se estas já não têm qualquer adrenalina por tudo se parecer tão politicamente correcto e “infantil”, (além dos personagens sem interesse), imaginem agora que de cada vez que a camera muda de ângulo, se o breve take mostrar um cavalo, um touro, ou outro bicho qualquer no meio da batalha de repente lá está ao canto do écran “CGI” !!!
Parece anedota !!!

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Ah, depois o filme acaba a meio.
Ok, está bem, chama-se  [“Baahubali – The Beginning”], mas não pensei que fosse literalmente o inicio e nos deixasse pendurados.
A segunda parte sai ainda este ano.

Ah, mas acaba com um bom twist.
Eu fiquei com vontade de ver o resto e ainda não sei bem porquê. Muito provavelmente porque preciso recuperar do choque pindérico que esta produção provoca.
Sendo assim, vamos a conclusões.

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CLASSIFICAÇÃO para quem gosta de cinema Indiano:

Se gostam de cinema Indiano mesmo a sério e conseguem suportar todos aquele clichés tradicionais, acho que vão adorar [“Baahubali – The Beginning”] pois contém todas as formulas de Bollywood mas com menos canções desta vez.
De qualquer forma se gostam de cinema daquela parte do mundo, acho que nunca viram nada nesta escala e irão gostar pois é capaz de ser realmente a maior produção de sempre em Bollywood e nota-se bem a todo o instante no ecran.
Se aguentam a piroseira oleosa reinante, esta produção valerá mesmo a classificação de excelente.

Cinco tigelas de noodles.
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Para os outros… 😉

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CLASSIFICAÇÃO para quem não gosta ou não conhece cinema Indiano

Se não têm paciência para cinema Indiano…  [“Baahubali – The Beginning”] é apenas uma boa tentativa Indiana de criar um espectáculo de fantasia que só falha porque ter bom design e bons efeitos especiais não chega quando o estilo dramático continua a ser culturalmente restrito ao que o público indiano considera desenvolvimento de personagens. Com muita pena minha leva apenas três tigelas de noodles, porque é (subjectivamente) bom e vale a pena tentarem vê-lo pelo menos uma vez se gostam de cinema de fantasia; mas só é “bom” porque nota-se no écran o esforço da produção para criar um bom espectáculo de aventura a nível visual.
Infelizmente depois falha por completo a nível dramático.

Tres tigelas de noodles.
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Avancem com cuidado. [“Baahubali – The Beginning”] se calhar nem sequer merecerá três tigelas de noodles, mas por agora fica assim e vamos ver o que acontece na segunda parte um dia destes. Não será um filme que irei rever tão cedo, provavelmente nunca.

A favor: O ambiente visual do filme, o design da cidade de fantasia e as paisagens matte painting em geral. Não tem momentos musicais aos montes ao contrário do que costuma acontecer nos filmes indianos onde cantam e dançam por tudo e por nada. Algumas cenas de acção são divertidas. Se gostam de cinema kitsh vão adorar.

Contra: A carga dramática não existe (no “melhor” estilo exagerado do cinema indiano), os personagens são na sua maioria um vazio absoluto ilógicos e sem qualquer carisma, sem personagens a história cai por terra e perde o interesse porque toda a gente que aparece no écran está em permanente modo de –overacting– ao pior estilo cinema indiano numa historia onde os maus são muito maus e os bons são muito bons. Por causa disto, a batalha final não tem qualquer impacto ao contrário do que aparenta no trailer. Anda muita gente à porrada de um lado para o outro mas falta adrenalina às sequências pois é tudo muito anónimo em termos de acção (os vilões não nos interessam porque não os conhecemos o suficiente; os herois são um vazio absoluto). O desiquilibrio entre as varias cenas gore ao longo do filme; muito sangue inesperado na primeira metade do filme mas depois na guerra do final não há sangue em lado nenhum e tudo parece um cartoon sem chama. Mete “orcs” indianos… Sempre que aparecem animais no filme aparece também um logotipo ao canto do écran a dizer “CGI” o que se torna não só ridículo mas distrai a atenção de tudo o resto nesse momento. Sem tem uma banda sonora orquestral, nem me lembro. Os (poucos) momentos musicais são uma piroseira ao pior estilo Bollywood. A história de amor que supostamente seria um dos pontos centrais da narrativa não tem qualquer emotividade, carisma ou interesse. Parece um filme ainda maior do que já é. O trailer é melhor que o filme pois tem a adrenalina e o ambiente de aventura entusiasmante que depois não existe em [“Baahubali – The Beginning”].

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

Trailer da segunda parte:

Comprar Blu-ray
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-Subtitles-Regions/dp/B0156J9O8I/ref=sr_1_2?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-2&keywords=bahubali

Comprar Dvd
http://www.amazon.co.uk/Bahubali-Hindi-English-subtitles-Blockbuster/dp/B015TUBDME/ref=sr_1_1?s=dvd&ie=UTF8&qid=1456006658&sr=1-1&keywords=bahubali
IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2631186/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise The Myth Shinobi

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Cinema_oriental_no_facebook

 

Zhan Guo (The Warring States) Chen Jin (2011) China


Eu deveria ter suspeitado que [“The Warring States“] teria qualquer coisa errada quando a primeira coisa que notei no trailer desta produção foi que o guarda roupa era estranhamente parecido com o que se pode ver no excelente , “An Empress and the Warriors“.

Aquelas armaduras pareciam-me familiares e sinceramente pensei que alguém teria aproveitado alguns restos desse outro filme para poupar uns cobres no design e não liguei muito. Na verdade até me deixou mais curioso pois pelo trailer até parece  um filme com potencial a um primeiro olhar.
Não se enganem.
É mau, mas mau mesmo e nem consegue entrar naquele nível do tão-mau-que-se-torna-genial, pois a partir de certa altura torna-se absolutamente insuportável pois [“The Warring States“] é um daqueles filmes para o qual o botão de fast-forward foi inventado.

Por exemplo “The Sorcerer and the White Snake” também de 2011, pode não ser própriamente uma obra-prima e ter efeitos especiais atrozes mas ao menos compensa na imaginação e na própria realização. Coisa que não acontece de todo em [“The Warring States“] pois é um bom exemplo de como um mau realizador, aliado a uma má montagem nem sequer pode ser salvo por alguns efeitos especiais interessantes e por paisagens estonteantes muito bem fotografadas.

Raramente concordo com muitas das reviews de cinema oriental no IMDB mas desta vez faço minhas as palavras de todas aquelas pessoas que perderam duas horas das suas vidas a tentar encontrar algo de realmente bom em [“The Warring States“] e tiveram que  ventilar as suas frustrações online quando acabou; talvez a jeito de aviso para que mais pessoas não caiam na tentação de pensar que o filme até poderá ser menos mau do que o pintam.

Mas afinal o que há de tão mau nesta produção ? Bem…tudo.
Começa como épico de guerra com uma batalha supostamente espectacular mas que logo cedo se torna num imenso catálogo de tudo o que vai ser mau no resto do filme.
A realização é atroz, a montagem é completamente caótica e o esforço para meter estilo quase Anime é constante e constantemente se espalha ao comprido em tudo o que supostamente seria sequência que emocionasse o espectador.
As coreografias são , diria…amadoras, o estilo do filme varia quase de frame para frame, os inserts gore com decepações de membros são ridiculos, a montagem em slow-motion (e ás vezes quase que diria “stop-motion“), tudo parece uma atabalhoada produção televisiva mal definida e desde início se nota que o realizador parece ter perdido o rumo ao projecto.

[“The Warring States“] é um épico sem ponta por onde se lhe pegue. Os personagens parecem sofrer de uma gritante falta de casting e o filme nunca se decide em que género se insere. Começa por pretender ser um épico de guerra ao estilo “Red Cliff” ou “Three Kingdoms“, mas logo entra por um registo de comédia sem graça absolutamente nenhuma , muito graças ao personagem principal que deve ser dos gajos mais irritantes que apareceu num filme recente. O personagem não se define e se durante a maior parte da história protagoniza uma série de gags sem piada nenhuma com momentos em total estilo slapstick , noutros parece pretender ser um protagonísta dramático a sério e o filme alterna entre qualquer coisa que se parece com um épico de guerra, a comédia parva sem graça nenhuma, o filme de intriga palaciana protagonizado pelo maior número de personagens sem qualquer carísma que já se viu num filme destes e uma love-story sem qualquer chama, muito prejudicada por tanta indefinição no argumento central que se ramifica demasiado em vários tipos de filmes sem nunca seguir um rumo concreto.

[“The Warring States“] parece um filme feito com restos de todos os outros filmes que vocês já viram, não só a nivel de guarda-roupa, mas principalmente no que toca á história. E mesmo aí, o seu grande problema é precisamente parecer-se com algo escrito a partir de bocados deitados fora por outros argumentistas. Como se alguém tivesse ido escavar o balde do lixo dos argumentistas de “Red Cliff“, “An Empress and the Warriors” e “Three Kingdoms” e acabasse por colar o melhor-do-pior que teria sido rejeitado por esses filmes. É esta a sensação que percorre o espectador durante toda a duração deste filme e é pena.

É que, mas que raio….nem Ben-Hur escapa !! Sim, esse !!
Gostam de filmes com corridas de quadrigas ao melhor estilo clássico ? [“The Warring States“] tem talvez a pior, mais desinteressante, previsível e sem qualquer pingo de suspanse corrida de cavalos algumas vez filmada.
Não só a falta de personagens realmente interessantes retira logo metade do interesse de toda a sequência, como mais uma vez, também estas supostas cenas de acção voltam a ser um catálogo de como não se deve filmar ou montar este tipo de sequências de aventura. Simplesmente não funciona e em vez de entusiasmo só provoca bocejos.

O mesmo vale para a suposta história de amor. Não tem piada nenhuma. Não por ser previsivel mas porque tudo o que há de errado no resto se reflete demasiado  também aqui.
Além disso, só de olharmos para o ar de carneiro mal morto em estilo reencarnação oriental do Lionel Richie com que o heroi se passeia pelo filme desejamos que ele nunca consiga tocar com um dedo na princesa da história, o que não abona muito para a necessária química romântica do suposto drama.

Portanto com tudo isto não deixa de ser extraordinário como raio é que [“The Warring States“] teve honras de ser lançado inclusivamente nas salas de cinema nos Estados Unidos este ano !!!?!
Mas que raio ?!!!
Com tanto cinema épico chinés semelhante e realmente bom a pedir uma internacionalização como deve de ser, alguém tem uma boa cunha para meter isto no mercado ocidental ?!
São filmes como este que dão mau nome ao cinema oriental e o facto de ser logo esta obra a ser distribuida no ocidente não vai contribuir de todo para alterar as opiniões de muitos daqueles que ainda pensam que o oriente nunca poderá competir com Hollywood. É pena.
E pior ainda…se esta coisa foi distribuída por uma major americana, aposto que [“The Warring States“] irá mais tarde ou mais cedo chegar aos cinemas aqui de Portugal…de repente até me sinto uma pessoa religiosa. Por outro lado, isto é a prova que Deus não existe.

[“The Warring States“] salva-se de ser um vazio absoluto apenas por causa das fascinantes paisagens e geografias que percorrem toda a história. O que ainda torna tudo isto mais deprimente; a fotografia é luminosa, o ambiente cénico é muito bom e nota-se que houve um esforço para que tudo se parecesse mais épico do que se calhar poderia ser.
Tudo no sitio certo portanto. Enganaram-se no casting, no realizador e no gajo que fez a montagem.
E a banda sonora também alterna entre o adequado e o estranhamente eléctronicamente contemporâneo como se o próprio compositor também não tivesse percebido muito bem que raio de filme é que estaria a tentar ilustrar musicalmente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma história com um potencial interessante completamente desperdiçada por uma realização ineficaz e totalmente desorientada, uma escolha de elenco algo duvidosa e uma montagem péssima, especialmente no que toca a cenas de batalha.
Gostaria de dizer que estamos na presença de um filme interessante, mas nem isso. Começa logo mal com todos os tiques negativos e continua até ao final a desenvolver esses defeitos. Nem a história de amor se salva porque não podemos com o palhaço do protagonista ao fim de vinte minutos de o estarmos a ver e só desejamos que lhe caia uma pedra em cima.
Sendo assim, uma tigela e meia de noodles, porque é uma verdadeira desilução e um verdadeiro desperdicio de algo que poderia ter sido uma boa ideia, pois por incrível que pareça [“The Warring States“] tem a ver com o célebre clássico oriental conhecido como “A Arte da Guerra” e esta base não poderia ter sido mais desperdiçada.

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A favor: excelente fotografia e está cheio de paisagens naturais e em CGI muito bem filmadas que pediam um filme extraordinário que nunca acontece.
Contra: o elenco não tem qualquer química, as batalhas épicas são tão mal filmadas e com tanto CGI da treta + gore mal feito metido a martelo só para impressionar que o efeito é precisamente péssimo, a montagem é péssima especialmente nas partes de acção, tenta meter estilo a todo o momento e nota-se demasiado o esforço, a história tem sub-plots a mais e ramifica-se por pormenores sem grande interesse, não se decide se quer ser um épico de guerra, uma comédia completamente imbecil e sem graça nenhuma, um drama palaciano ou uma história de amor. Essencialmente resume-se a ser apenas um mau wuxia com um visual extraordinário a maior parte das vezes e tem duração a mais pois 2 horas disto é uma verdadeira prova de resistência a quem como eu viu o trailer e tem o azar de tentar ver este filme.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1u5eB5F0M6o

Comprar
http://www.amazon.com/Warring-States-Zige-Fang/dp/B005BJ7XIW

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1885448

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Pohwasogeuro (71: Into the Fire) John H. Lee (2010) Coreia do Sul


Um par de amigos meus costumam dizer-me que não têm interesse nenhum em conhecer cinema oriental porque este nunca se comparará em escala e espectacularidade com o que sai de Hollywood e por isso os filmes nunca terão grande interesse.
[“71: Into the FIre“] é mais um bom exemplo de um daqueles títulos que poderia contrariar esta ideia na cabeça de muitas pessoas se muita gente não insistisse em ver apenas o que lhes é vendido nos centros comerciais, até porque prova uma coisa; não é necessário um orçamento megalómano de centenas de milhões de dólares para se produzirem filmes de acção numa escala épica.

[“71: Into the FIre“] foi produzido apenas por 10 milhões de dolares na Coreia do Sul, o que técnicamente quer dizer que não passa de um verdadeiro série-B quando comparado com o que costumam ser as centenas de milhões que se gastam em Hollywood para produzir o mesmo efeito.
Mas se isto foi produzido por 10 milhões de dólares eu nem quero imaginar como o filme seria se pudesse ter contado com um orçamento ao estilo Avatar !

Nunca tive grande fascínio por filmes de guerra. Quando era pequeno curtia aqueles clássicos americanos mas depois desinteressei-me do género. Não gostei particularmente do Saving Private Ryan de Spielberg pelo seu tom de panfleto patriótico e portanto durante alguns anos não prestei muita atenção ao que saia dentro desse tipo de filmes pois pensei que seria tudo mais do mesmo.
Até que me apareceram para frente dois filmes orientais que da noite para o dia mudaram a minha perspectiva sobre o cinema de guerra. Os fantásticos, “Brotherhood of War” e “Assembly” que foram provavelmente os filmes de guerra mais espectaculares que me passaram pela frente e com um nível de violência politicamente incorrecta que fez com que o filme de Spielberg de repente parecesse menos inovador do que se calhar realmente pareceu ser no ocidente.

Além disso, tanto “Brotherhood of War” como “Assembly” tinham uma alma no que toca a personagens humanos que ainda não tinham encontrado no típico filme de guerra. Não tiveram apenas as cenas de batalha mais impressionantes que alguma vez vi (também com orçamentos reduzidos) como acima de tudo contaram histórias personagens com que me importei e onde tudo não se resumia apenas aos bons-contra-os-maus.

[“71: Into the FIre“] é mais outro titulo Sul-Coreano que segue a mesma fórmula, o que não quer dizer que seja algo negativo. Poderá ser visto talvez como apenas mais um filme de guerra porque na verdade não contém nada que vocês não tenham visto antes, especialmente se já viram os dois titulos Sul-Coreanos que referi atrás, mas por outro lado foi buscar o melhor desses filmes e aquilo que perde em grandiosidade por força de ser um titulo de baixo orçamento, conseguiu compensar em personagens com que o espectador se vai identificando ao longo do filme.

Desde os herois cercados de inimigos por todo o lado, até inclusivamente ao excelente vilão do filme tudo contribui para que [“71: Into the FIre“] comece de uma forma entusiasmante e depois vá ganhando suspanse quanto baste até ao seu dramático e muito sangrento acto final.
O filme essencialmente conta a história de um grupo de alunos de uma escola Sul-Coreana que décadas atrás resistiram ao invasor Norte-Coreano barricados na sua escola á espera de uma ajuda que tardou em chegar.

Não há muito que se possa dizer mais sobre este título. Os personagens são excelentes, as cenas de acção conseguem ser espectaculares e muito sangrentas e dramáticamente funciona bastante bem pois aqueles personagens vão ganhando a nossa admiração.
Não posso deixar de destacar o personagem do general Norte-Coreano. Além de ter um carisma fantástico que rouba a atenção em todas as cenas que protagoniza, é caracterizado de uma forma bastante interessante e até algo ambigua, o que o humaniza quando se calhar para o filme resultar até nem precisava de ser mais que um bom boneco de cartão.

Quem gosta do cinema de Samuel Fuller ou Sam Pekinpah vai curtir muito o estilo politicamente incorrecto e o desenlace desta história. As cenas de batalha disfarçam muito bem o baixo-orçamento do filme e não há nada de verdadeiramente negativo em [“71: Into the FIre“].
Se gostam de cinema de guerra este é mais um título obrigatório. Se ainda não viram “Brothers of War” e “Assembly”, provavelmente vão ficar até impressionados com o realísmo das cenas de violência. Caso já tenham visto os outros filmes no entanto, tal como acontece comigo provavelmente não ficarão particularmente entusiasmados com esta obra, mas tenho a certeza que os irá divertir bastante se gostam do género.

Além disso consegue ser um filme político sem o parecer e pelo menos pelo que me apercebi trata bastante bem o tema da divisão da Coreia sem tomar realmente partido por qualquer um dos lados. Ás vezes parece ser um documentário de um qualquer reality-show pois a excelente realização consegue apagar-se por entre as cenas que são fcaptadas de uma forma perfeitamente natural e totalmente realística e por mais do que uma vez faz-nos esquecer de que estamos a ver apenas uma recriação histórica de um evento já com várias décadas.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram muito cinema de guerra Sul Coreano ou Chinés moderno, não irão ficar particularmente impressionados com  [“71: Into the FIre“]. No entanto é um excelente filme de guerra que devem adicionar obrigatóriamente á vossa lista de filmes a ver se gostam muito do género.
Quatro tigelas de noodles porque é muito bom. Não deslumbra, mas tudo o que faz, faz mesmo muito bem.

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A favor: é impressionante aquilo que se consegue fazer com um baixo orçamento que nos estados unidos nem chegaria para pagar a uma estrela de Hollywood, as cenas de guerra parecem mais épicas do que na realidade até são e todas as limitações técnicas estão muito bem contornadas para apresentar ao espectador mais um excelente filme de guerra, é muito sangrento e politicamente incorrecto quanto baste, contém um grupo de personagens que cria empatia com o espectador e inclusivamente o vilão é bem melhor do que precisaria de ser para que o filme funcionasse perfeitamente na mesma, tiros bombas e socos nas trombas com muito sangue e tripas quanto baste.
Contra: se já viram outros títulos de guerra produzidos recentemente pelo cinema oriental este filme poderá não os impressionar por aí além.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Ud5g_aGxIEo

Comprar
Em DVD e em BluRay

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1587729

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Saam gwok dzi gin lung se gap (Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon) Daniel Lee (2008) China


Se procurarem saber alguma coisa sobre este filme pela web, irão descobrir que não é particularmente apreciado.
Por outro lado, também não é particularmente odiado e mesmo quem lhe atribui uma crítica negativa geralmente também lhe dá algum valor em certos aspectos, o que torna [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] num daqueles filmes algo ambiguos que poderá agradar muito a muita gente ao mesmo tempo que desagrada também bastante a outra metade.

Já conhecia este titulo há anos desde que ele foi lançado, mas nunca lhe tinha prestado grande atenção precisamente por causa da sua reputação algo tosca. Pela mesma razão também nunca o cheguei a comprar ou sequer sacá-lo de algum torrent para espreitá-lo pois estava mesmo convencido de que seria bem fraquinho por todas as razões que as várias reviews apontavam ao longo destes anos.
Bom, fiquem já a saber que esta review vai ser outra daquelas bem contraditórias porque eu gostei muito deste filme, precisamente pelas suas fraquezas.

Eu explico.
Supostamente [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] será a adaptação cinematográfica de um daqueles clássicos da literatura épica chinesa e por essa razão é considerado uma adaptação bem fraquinha. Isto porque só tem 98 minutos de duração e segundo muita gente entendida no assunto, resumir em pouco mais de 90 minutos uma obra literária como aquela tem o mesmo efeito que teria uma adaptação do Lord of the Rings se este tivesse tentado adaptar a trilogia de Tolkien num único filme com pouco mais de hora e meia.

Tudo em [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] passa a correr.
E nota-se !!!
Os seus criadores tentaram remendar a coisa, recorrendo a uma constante narração em voz-off de um dos personagens mas sente-se constantemente a artificialidade desse truque narrativo, embora não me tenha chateado particularmente e penso que até resulta muito bem dramáticamente quando a história chega ao fim.

Durante toda a sua duração o filme anda perigosamente na corda-bamba entre o épico chinês cheio de personalidade e o desastre cinematográfico que vai descambar a qualquer momento, isto devido á própria estrutura com que o argumento é alinhavado para fazer caber tudo (?) o que é importante realçar da obra original na sua adaptação ao grande ecran.

Ainda mal nos habituamos aos personagens, já se passaram vinte anos nas suas vidas e de repente todo o filme parece mudar de rumo. E isto acontece várias vezes ao longo da história o que leva muita gente a considerar que uma das grandes falhas de [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] é ser um filme com personagens desprovidas de qualquer alma e portanto desinteressantes.
Ora bem…Eu discordo.

Não só discordo bem alto, como digo mais, eu não estava nada á espera que um filme com uma estrutura tão acelerada quanto esta conseguisse ter tempo para dotar tantos personagens com tanta humanidade.
Pessoalmente aquilo de que acusam [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] como sendo a sua grande falha, é na minha opinião a sua grande mais valia.
Não sei como foi possivel num argumento  tão alinhavado quanto este o realizador ter conseguido espaço para fazer com que nos importassemos com os personagens.

O filme acabou e estas pessoas com o seu percurso de vida  ficaram-me na memória, o que para mim é logo motivo suficiente para atribuir uma boa classificação a este pequeno grande épico falhado.
Pode ter falhado em muita coisa, mas na minha opinião é completamente errado dizer-se que [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] falha porque não permite ao espectador criar empatia com os personagens.
Não posso discordar mais deste argumento, pois em 90 minutos estas pessoas ficaram-me mais na memória do que todos os personagens das quase seis horas de “Red Cliff”, supostamente aquela obra-prima dos épicos chineses, mas do qual neste momento já nem me recordo de um único personagem com que me tenha importado.

Sendo assim, acima de tudo penso que [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] é um bom filme sobre os caminhos da amizade e além disso contém dois personagens principais que ligam toda a história e que não podiam ser mais diferentes, o que contribui bastante para que a carga dramática da história funcione bem na minha opinião, nos momentos em que tem oportunidade de ter espaço no filme por entre tanta batalha e saltos cronológicos no argumento.

Não esperava mais do que encontrar um filme de porrada com uns bonecos de cartão e surpreendeu-me mesmo muito encontrar um filme onde até os personagens secundários com pouco tempo de exposição conseguem ser apresentados com uma abordagem muito humana e ainda gostei mais desta ser uma história sem bons nem maus. Apenas sobre governantes e soldados.

Outra das críticas negativas que apontam a esta obra está no facto de conter muito pouca estratégia nas cenas de batalha. Parece que o coração do texto clássico original está precisamente no facto de se centrar bastante nos aspectos técnicos das campanhas militares e muita gente ficou muito decepcionada porque  [“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] não se parece com “Red Cliff” onde esse aspecto é central no desenvolvimento dramático.
Como o filme de John Woo não me disse grande coisa mesmo com excelentes cenas de estratégia militar, eu por mim prefiro uma história com personagens cativantes e portanto, o facto deste filme de Daniel Lee ter pelo visto falhado por completo na representação cinematográfica das cenas de batalha que deveria ter encenado de outra forma, a mim não me chateou minímamente.

Aliás, adorei as cenas de acção deste filme e também não entendo as críticas negativas que lhe são feitas.
É um facto que tudo é muito rápido e todas as sequências são muito breves. E sim, o estilo visual é ligeiramente inspirado no que Wong-Kar-Wai fez em “Ashes of Time” como referiram algumas reviews, mas que raio, onde está o problema ? A violência neste filme não só resulta como é totalmente crua e até bastante realística no que toca a pessoas cortadas aos bocados e baldes de sangue quanto baste, onde nem faltam braços decepados, cavalos espetados e gargantas abertas a jorrar sangue em grande plano para divertimento de todos os sádicos cinematográficos que como eu adoram batalhas medievais com intensidade. Se têm alguma falha, está mesmo no facto de tudo se passar demasiado rápido e nem a utilização do slow-motion atenua essa realidade.

O filme começa como cinema de aventuras e contém um par se sequências verdadeiramente divertidas e emocionantes, com destaque para o momento em que o heroi parte para salvar o herdeiro real e assistimos a uma sequência absolutamente inclassificável que envolve espadas, cavalos, soldados, acrobacias quanto baste e bébés reais. Vão adorar.
A segunda metade do filme é bem mais contida e a tom torna-se mais dramático até nos combates. Para isso muito contribuem os “vilões” da história que equilibram muito bem toda a narrativa e tornam o filme ainda mais humanizado, o que só lhe fica bem no meio de tanto balde de sangue.

[“Three Kingdoms: Resurrection of the Dragon“] agradou-me imenso e não estava nada á espera disto. Não será o meu épico chinês favorito dentro deste estilo, mas ganhou um lugar de destaque na minha colecção.
Visualmente tem momentos fantásticos e cheios de atmosfera com uma boa fotografia que ajuda imenso a tornar ainda mais épicos os cenários naturais que abundam nesta história.

Sendo assim, para mim é um verdeiro feito, alguém ter conseguido realizar um filme deste género, nestes moldes, tão rápido, tão resumido e mesmo assim conseguir chegar ao fim e deixar o espectador a pensar naqueles herois.
A sua ambiguídade para mim não deverá ser motivo para comentários depreciativos mas sim aquilo que lhe dá muita personalidade e alma quanto baste. Coisa que épicos muito maiores, mais perfeitos e com menos falhas se calhar raramente conseguem atingir.

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CLASSIFICAÇÃO:

Contém muitas falhas é certo. Talvez o seu maior defeito seja mesmo a sua narrativa acelerada que tenta condensar em 90 minutos um texto que precisaria pelo menos de trés horas só para adaptar em condições a primeira metade desta versão. No entanto, esta sua fraqueza, na minha opinião é também aquilo que lhe dá muita força pois o realizador nunca perde o pulso ao trabalho e tudo aquilo que poderia ter descambado numa tragédia cinematográfica, acaba por se transformar num pequeno filme medieval, muito divertido e cheio de personalidade.
Se calhar não vale esta excelente classificação que lhe dou, mas a verdade é que fiquei com vontade de o rever e mesmo pela sua duração deverá ser um daqueles filmes do género que me irá acompanhar ainda muitas vezes nos anos que virão.
É um filme de aventuras medievais simpático e cativante.
Cinco tigelas de noodles portanto sem qualquer reserva de maior.

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A favor: consegue ser mais do que apenas um filme de porrada, tem uma surpreendente humanização de personagens que não esperava encontrar aqui de todo, não tem “maus” nem “bons”, óptimo trabalho dos actores, até os secundários têm carisma, excelente utilização das paisagens naturais da China e cenários épicos cheios de atmosfera, óptima fotografia e excelente guarda-roupa também, baldes de sangue nas cenas de combate, boas cenas de acção e um par de momentos de grande aventura muito divertidos, excelente banda-sonora que embora não fique na memória contém alguns momentos que ilustram perfeitamente tanto as cenas de aventura como os momentos mais emotivos dos personagens.
Contra: tinha potencial para ser um épico absolutamente brilhante e inesquecível mas a sua curta duração e velocidade narrativa acelerada impede-o de ser realmente grande, quem não gosta de histórias narradas em voz-off irá achar este filme algo irritante, falta-lhe um bom desenvolvimento para a história de amor que se vislumbra por breves minutos no início..

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=PQ6Ah_Mu8Sk&feature=related

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Download aqui
com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0882978

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