Hello, Schoolgirl (Soon-jeong-man-hwa) Jang-ha Ryu (2008) Coreia do Sul


Não. Isto não é um thriller sobre pedófilos babados que fazem esperas às miudas das escolas para lhes oferecerem chupa-chupas.
Mas podia…
No entanto, eu sei que [“Hello, Schoolgirl”] soa um bocado … creepy em estilo pedófilo… ou pelo menos indica logo que o filme vai ser daqueles fofinhos de meter vómito. Pois é…

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Acontece que este é mais do que isso também, sendo uma pequena surpresa e portanto tinha mesmo que o recomendar aqui. Não é obrigatório, mas é um excelente complemento se já viram tudo o que tenho recomendado de melhor neste género romantico oriental.
Além disso pertence àquele tipo de cinema típicamente sul-coreano que nem é comédia, nem é drama pois na verdade é quase um estilo à parte e quando é bem feito tem imenso charme o que é o caso.

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Vocês não sabem, mas eu vejo muitos mais filmes do que aqueles que normalmente até recomendo aqui neste blog. Inclusivamente tenho bastantes que já vi mas que por uma razão ou outra ainda não me apeteceu falar deles.
Pelo meio de tanto filme de vez em quando a minha procura por bom cinema romântico oriental para satisfazer os pedidos reflectidos nas estatísticas deste blog, faz com que me depare com bastantes filmes genéricos do género, pois a Coreia do Sul está cheia de produções assim e à partida parecem todas iguais, pois no oriente também se faz cinema banal.

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Já tenho visto muita coisa de que simplesmente nem vale a pena falar por aqui. Ás vezes nem são maus de todo, mas simplesmente não têm nada que me faça gastar tempo para falar bem ou mal desses títulos.
Por outro lado, este é mais um daqueles que me pedem para recomendar , pois a procura por filmes românticos continua em alta neste blog e sendo assim não podia deixar de passar este título. Simples mas que se recomenda.

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À primeira vista este [“Hello, Schoolgirl”] parecia mais do mesmo e o título não prometia muito também. No entanto deparei-me com alguns comentários pela net que o recomendavam pois parece que o trailer não transmitia a verdadeira essência da história. Sendo assim, fui espreitar e fiquei agradávelmente surpreendido.
Na verdade a principal razão porque estou agora aqui a falar de [“Hello, Schoolgirl”] é porque este é mais um excelente exemplo de um filme muito simpático e cheio de personalidade, mas que jamais seria produzido pelo cinema americano.
É mais um título daqueles que demonstra bem a diferença entre aquilo que são histórias românticas escritas no oriente e os enlatados produzidos a metro sem alma que passam por romance no habitual cinema saído do Hollywood comercial onde tudo tem que ter uma fórmula reconhecível e testada.

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Imagino os autores desta história a tentar encontrar financiamento para
[“Hello, Schoolgirl”] em Hollywood:

– Então e a vossa história é sobre o quê ?…
– Bem na verdade é sobre nada.
– Hm ?
– É sobre dois pares de protagonistas que se apaixonam, sobre guarda-chuvas, estações de metro e máquinas fotográficas.
– E sexo, mete tensão sexual ?
– Bem, o nosso protagonista tem 30 anos e apaixona-se por uma estudante de 18 anos e…
– Isso é  bom, isso é bom…já estamos a ver, máquinas fotográficas, estudantes de liceu, internet…sexo online.
– O senhor não está a perceber a ideia…Também temos um rapaz de de 22 que mente na idade para se aproximar de uma rapariga de 29 anos pois apaixonou-se por ela no metro e…
– Ah, vai ter triângulos amorosos com adolescentes já vi, sexo e…
– Não mete sexo.
– E traições ? Rivalidades , cornos…
– Bem, não… não há conflito entre os personagens de espécie alguma…temos a mãe da rapariga que fica um bocado incomodada por um homem de 30 anos gostar da sua filha e vai lá a casa para f…
– Ah… e esse gajo come a mãe da miuda ! Já estou a ver, a pita chega a casa  e encontra a mãe debaixo do trintão…já estou a ver , isto poderia chamar-se as… 30 Sombras da Traição … é bom, é bom…isto filma-se… já estou a ver a Natalie Portman…
– Mas… ela vai lá a casa só para falar com ele, porque…
– E depois têm a outra de 29 anos que também está desejando de saltar para cima do outro puto, não é ? Já estou a ver as bilheteiras … a polémica…
– Na verdade não. Não se passa nada disso…não há intrigas de qualquer espécie, apenas personagens que passeiam, vão ao cinema, tiram fotos, apanham chuva…
– Vão ao cinema ? Passeiam ?…
– … ehm…de mãos dadas…
– Está a brincar comigo… e accção, porrada, tecnologia ?!
– … e depois eles tiram bonecos de peluche de máquinas de jogos…
– Alguém que me chame o Michael Bay por favor !!!

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[“Hello, Schoolgirl”] distingue-se precisamente por isto. Mais uma vez estamos na presença de uma história romântica que não segue qualquer cliché que estamos habituados a ver no cinema americano; muito menos no cinema sobre adolescentes. [“Hello, Schoolgirl”] apesar do título teen, é mais um daqueles pequenos filmes que se calhar irá agradar muito mais aos mais crescidos, pelos sub-tópicos que aborda sem nunca nos atirar coisas à cara.

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[“Hello, Schoolgirl”] é uma história sobre diferença de idades, mas não da forma melodramática que vocês esperam, faz-nos pensar no assunto sem no entanto pregar qualquer moral ou manipular opiniões; é também um filme sobre o isolamento e a solidão que pode ocorrer na rotina das grandes cidades; ao mesmo tempo é sobre saudade e sobre a forma como esta se pode tornar numa prisão e impedir que coisas boas aconteçam porque não estamos a prestar atenção quando elas aparecem. E é um filme sobre o amor na forma mais simples, sem dramas, preconceitos ou convenções sociais.

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Tudo filmado por entre um argumento que parece nem existir. [“Hello, Schoolgirl”] não tem realmente qualquer tensão dramática da forma que estamos habituados a ver no cinema ocidental e no entanto consegue passar muitas das mesmas mensagens sem precisar de recorrer à tipica cena que já estamos fartos de ver. Aqui não há cruzamentos, mal-entendidos, separações por ciúmes, brigas adolescentes e teen angst ao estilo ocidental.

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[“Hello, Schoolgirl”] é uma história sobre crescer. Sobre o que isso acarreta, sobre o que traz de bom e sobre o que aquilo que parece bom na liberdade de sermos adultos também pode traduzir-se em solidão e incompatibilidade com o mundo em redor.
O filme tem uma duração muito anómala para este tipo de filmes. [“Hello, Schoolgirl”] parecia ser à partida uma daquelas comédias juvenis românticas Sul Coreanas que não chegam aos 90 e no entanto tem practicamente duas horas que passam a correr.
Quando damos por nós, estamos agarrados pelos personagens.

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Curiosamente contêm algumas surpresas, nomeadamente no que toca à resolução das histórias de amor…rapaz de 30, miuda de 29, rapaz de 23, miuda de 18… pronto, está visto onde elas se vão cruzar. Bem, na verdade como boa história de amor sul-coreana, também aqui há um twist. Não é nada do outro mundo, não esperem surpresa, mas justifica o coração emocional do filme e liga vários personagens secundários à trama principal…ou à aparente falta dela.
[“Hello, Schoolgirl”] é realmente um bom exemplo de como podem ser simples as histórias de amor orientais sem nos darem aquilo que sempre esperamos enquanto espectadores.

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Sendo assim, é mais um pequeno grande filme muito simpático que se recomenda vivamente. Os actores são carismáticos, a sua realidade é perfeitamente credível, as suas histórias criam empatia e é um daqueles filmes com alguns momentos fofinhos de meter vómito mas que no entanto resultam e nos fazem entrar para aquele mundo.

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É também um exemplo perfeito daquilo que eu costumo chamar “cinema telemóvel” e que só existe no oriente. Estamos mais uma vez na presença de uma história que só existe nestes moldes porque se inventaram as redes móveis, o wifi e as comunicações móveis. Sub-género em que os Sul Coreanos e os Japoneses são mestres, pois muitos dos diálogos cativantes são precisamente trocados gráficamente com sms no ecran entre os protagonistas em estilo pop-up colorido.

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CLASSIFICAÇÃO

Segundo li, parece que [“Hello, Schoolgirl”] é a adaptação de um Manga ou de um Anime televisivo de segunda linha mas de sucesso e pelo que consta é bastante fiel ao espírito do trabalho original em termos de personagens.
Independentemente de tudo é um título simpático que agradará a quem quiser mais um filminho romântico oriental, daqueles que é um prazer seguirmos até ao fim.
É melhor,  mais adulto e mais profundo do que aparenta no trailer.

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Trés tigelas e meia de noodles sem qualquer problema.

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A favor: é uma história com um sub-texto mais complexo do que aparenta, bons personagens, evita um par de clichés de forma excelente, boas interpretações, tudo muito simpático e duas boas histórias de amor que evoluiem de forma algo diferente do costume, agradará não apenas aos adolescentes mas talvez faça pensar um adulto ou dois.

Contra: o trailer faz o filme parecer mais adolescente do que na realidade é, a história muito simples com uma duração tão longa por vezes equivale a um ou dois momentos desnecessários que quebram um bocado o ritmo a meio do filme.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt1210837

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Outros títulos românticos de que poderá gostar:

Be With You Il Mare The Classic

Love Phobia cyborg_she_capinha_73x

concerto_capinha_73x My Sassy Girl

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The Arti: The Adventure Begins (The Arti: The Adventure Begins) Huang Wen Chang (2015) China


Quem se está sempre a queixar de que o cinema nunca mais traz nada de novo, ou que o género da Fantasia precisa de mostrar mais frescura após tanto clone do Lord of the Rings aparecer no mercado tem aqui em [“The Arti: The Adventure Begins”] uma excelente opção. A não ser que achem que os filmes de bonecos são apenas para crianças, porque desta vez isto nem sequer é um desenho animado. A sério…

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[“The Arti: The Adventure Begins”] é um live-action, completamente produzido com fantoches.
Não com marionetas de fios mas com tradicionais fantoches de madeira (controlados por pau e luva), parte de uma técnica tradicional de contar histórias muito enraizada na cultura popular da China e que actualmente tem o seu expoente máximo (segundo dizem os entendidos),  no trabalho da familia Huang que há várias gerações não deixa morrer esta arte e continua a entreter plateias com os seus espectáculos pelo oriente.

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Parece que a familia Huang, já no início dos anos 2000 produziu um outro filme de aventuras com a mesma técnica que correu vários festivais (“Legend of the Sacred Stone“) e destacou-se pela positiva, mas em 2015 com [“The Arti: The Adventure Begins”] regressou em força naquela que já é considerada pelos especialistas na matéria como a melhor demonstração de que a arte da manipulação de fantoches tradicionais está bem viva pelas bandas da China e recomenda-se vivamente; especialmente a quem não a conhece. Nomeadamente, nós aqui no ocidente.

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[“The Arti: The Adventure Begins”] é por isso um espectáculo visual único e que surpreendentemente resulta plenamente em filme por muito estranho que pareça. Inicialmente estranhamos estar a ver uma história onde os personagens falam mas não mexem a boca mas logo ultrapassamos essa barreira passados alguns minutos.
Curiosamente, eu até nem acho que a história seja particularmente criativa, pois vai buscar a tradicional aventura de contornos ecológicos que practicamente toda a gente já viu ultimamente em “Avatar” de James Cameron, pois em muitos momentos sentimos uma semelhança total nos temas, na abordagem às forças da natureza, etc. Agora onde [“The Arti: The Adventure Begins”] realmente brilha é na sua execução.

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Tanto na parte técnica como na forma como já a meio do filme conseguiu humanizar aqueles bonecos de madeira sem o espectador se dar conta [“The Arti: The Adventure Begins”] é notavel. A partir de certa altura, logo adivinhamos o que irá acontecer na história mas mesmo assim o filme lá para o final depois de se arrastar um bocado ao início consegue com fantoches, criar mais tensão dramática do que muito suposto cinema sério em estilo live-action, embora não esteja livre de falhas narrativas, (mas já lá vamos).

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[“The Arti: The Adventure Begins”] tem deixado de boca aberta muito crítico de cinema de artes marciais. Não por conter algo de novo no género em termos de estrutura mas por ser absolutamente fascinante que alguém tenha conseguido criar com fantoches de madeira e luva sequências de acção tão surpreendentes. Isto porque os bonecos não só executam coreografias dinâmicas (saltando e rodopiando pelo ar) como ainda por cima interagem fisicamente com o cenário de uma forma que nunca vimos num espectáculo de fantoches ou marionetes (quando aterram por exemplo no chão rachando tudo em redor).

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Os cenários são absolutamente perfeitos para o desenrolar da acção sem perder aquele tom “artesanal” de uma produção teatral tradicional, os ambientes onde decorre a história são extremamente variados e as paisagens épicas conseguem surpreender por completo; tudo complementado com uma boa fotografia e acima de tudo uma montagem frenética absolutamente perfeita nas cenas de acção onde não se perde um fotograma de pormenor.
Eu nem consigo imaginar como será o storyboard deste filme pois cada cena de acção é uma sucessiva montagem de pequenos segmentos editados com a precisão de um relógio suíço, só comparável talvez ao pormenor encontrado nas partes de artes-marciais do filme “The Grandmaster” de Wong Kar Wai. E acreditem que isto é dizer muito quando se trata de um filme baseado em bonecos de madeira, manipulados por debaixo dos cenários pela familia Huang segurando em paus que estão colados a cada personagem ou através de luva.

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[“The Arti: The Adventure Begins”] tem também outra coisa surpreendente e que raramente se vê no cinema moderno de grande espectaculo actualmente. [“The Arti: The Adventure Begins”] tem uma boa dose de animação CGI mas usada de uma forma absolutamente contida e muito inteligente.
Este filme poderia ter descambado facilmente em mais um exagero de animação de computador e efeitos digitais, o que iria desviar por completo a atenção dos personagens, mas tal nunca acontece.
Há bastante CGI em [“The Arti: The Adventure Begins”] , mas apenas está usado para complementar pequenos pormenores da manipulação tradicional dos fantoches de madeira.

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Ou seja, o CGI é usado para por exemplo, adicionar água, rios, cascatas aos cenários construidos em maquetas de verdade, adicionar vento às tempestades de areia, fazer chover ou em pequenos efeitos de magia quando essa parte acontece na história. Em nenhum desses momentos o CGI chama a atenção para si e logo esquecemos que ele lá está, o que não deixa de ser fantástico pois tudo está planeado para fazer brilhar a milenar técnica de manipulação de fantoches. O CGI não substitui nada, não está ali para impressionar, está ali para complementar e nada mais.

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Aqui e ali é usado para animar um par de personagens secundários num estilo mais cartoon e mesmo nesses momentos a integração com os seus “colegas” actores de madeira é perfeita e nunca se sente a intrusão desnecessária da animação de computador onde não deveria estar.
[“The Arti: The Adventure Begins”] foi filmado em 3D mas ainda não vi essa versão. Quem já a viu diz que é perfeitamente desnecessária neste caso, pois o próprio 3d nem sequer estará muito explorado e portanto por mim pouco importa.

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Apesar de tudo isto me ter surpreendido, [“The Arti: The Adventure Begins”] também tem algumas coisas que não me cativaram e por isso não lhe dou uma classificação mais alta.
Para começar a história é realmente desinteressante em termos de estrutura, pois já vimos aquilo antes tanto em Avatar como mais rencentemente na animação “Epic”. Não há nada de supreedente a acontecer no filme inteiro e a imaginação não brilha particularmente no que toca ao argumento. Um filme como este com uma história realmente inovadora ou original teria sido extraordinário, assim como está perde muitos pontos porque acaba por se arrastar numa narrativa que não deslumbra ninguém.
Curiosamente já tinha acontecido o mesmo a outro filme com marionetes europeu que saiu há alguns anos, “Strings“, que cometeu a parvoíce de adaptar Shakespeare em vez de criar a sua própria história e portanto também nesse a coisa falhou por tudo ser absolutamente e aborrecidamente previsível em termos de argumento.

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Pessoalmente [“The Arti: The Adventure Begins”], também tem uma coisa que não gosto. Com excepção do próprio “Arti”, o “robot” de madeira e do fabuloso pássaro CGI em estilo cartoon vermelho muito divertido, eu não gosto nada do estilo visual dos bonecos. Em termos de design seguem exactamente aquele visual espampanante muito estilizado que se costuma ver principalmente em mmorpgs chineses onde cada guarda roupa está cheio de floreados em exagero, os personagens usam joias e acessórios “de moda” por todo o lado e os penteados parecem saídos de uma qualquer passagem de modelos espampanantes.
Isto é apenas uma opinião pessoal, mas detesto mesmo o aspecto destes fantoches.

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Por exemplo o estilo Anime ou Manga japonês é mais contido e simplificado até mesmo quando os seus herois têm um visual extravagante. O estilo japonês parece mais baseado na simplicidade e no design pensado para ser único e parte da personalidade de cada personagem. Já o estilo chinês presente em [“The Arti: The Adventure Begins”] e em muitos produtos saídos da China, parece apenas contar com o exagero e ser baseado no exibicionismo over the top como se este fosse suficiente para criar personagens com boa identidade visual.  Não funciona. Acho eu. Pessoalmente irrita-me.

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[“The Arti: The Adventure Begins”] depois também desperdiça um dos melhores bonecos que criou; precisamente o cómico pássaro vermelho que a partir de certa altura parece vir a ser um dos pontos fortes da aventura, mas depois raramente é usado para qualquer coisa para além de um par de piadas engraçadas e que sabem a pouco.
Talvez porque o personagem é produzido em CGI alguém decidiu cortar-lhe o protagonismo pois destoaria demasiado do resto. Talvez por falta de orçamento para animação, até porque o heroi “Arti” em algumas sequências é substituído por breves segundos de animação digital e portanto muita da verba deve ter ido para esse fim também.
Curiosamente este filme falha onde por exemplo “Dragon Nest: Warriors Dawn” acerta em cheio. Falta carísma a estes personagens na aventura de Arti.

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E pronto, não há muito mais para comentar sobre este titulo que vale a pena ser visto.
Em relação à história segue o habitual. Depois da morte do seu pai o jovem Mo pretende cumprir o seu ultimo desejo e encontrar a fonta do poder mágico que este um dia usou para criar “Arti-C”, uma espécie de robot sentiente feito de madeira (num excelente estilo steampunk) pois a energia deste está a esgotar-se e há que evitar que morra. Com a sua irmã a espadachim, Tong o grupo viaja por enumeros reinos e paisagens, encontra exércitos, monstros, vilões, deusas e poderes mágicos e no fim quando a Origem do poder é localizada têm de tomar uma decisão que poderá colocar em causa toda a razão da sua demanda.

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CLASSIFICAÇÃO:

Em termos técnicos é um triunfo que o torna de visão obrigatória, especialmente para quem gosta de cinema de fantasia ou até mesmo de artes-marciais cinematográficas.
É tudo tão bem feito que quase se desculpa o pouco carisma ou interesse que a maioria das personagens tem durante quase toda a história. A tensão do segmento final acaba por redimir um pouco essa fragilidade mas mesmo assim [“The Arti: The Adventure Begins”] merecia ter tido uma história espectacularmente original que fizesse justiça ao excelente aspecto técnico de toda esta produção e não tem.
É mesmo um filme muito bom e supreendente mas uma narrativa algo arrastada e desinteressante  nos momentos em que não conta com cenas de acção no ecran retira-lhe alguns pontos que merecia ter tido. Esperemos que isto seja corrigido na sequela que de certeza irá ter.
Por agora, quatro tigelas de noodles, pois é muito bom naquilo em que acerta em cheio.

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A favor: Extremamente bem feito no que toca à manipulação de fantoches de madeira, óptimos cenários e paisagens de fantasia, excelentes e surpreendentes cenas de acção, excelente montagem nas sequências de acção, excelente uso contido de efeitos CGI para complementar tudo o resto, o personagem do passaro vermelho tem potencial que espero venha a ser explorado na sequela. Sente-se que é um produto “artesanal” a todo o instante e não tentam esconder isso. Como filme de fantasia é uma abordagem bastante interessante. Gosto que tenha um sabor steampunk também no visual dos mecanismos, rodas dentadas e tecnologia do mundo de fantasia em geral.
Contra: a história não é particularmente cativante por ser previsivel demais e os próprios diálogos não ajudam os personangens a criar grande empatia com o espectador, talvez o filme tenha duração a mais e uns minutos a menos iriam torná-lo bem mais dinâmico certamente, pessoalmente detesto o estilo visual dos bonecos exceptuando Arti (e o pássaro vermelho) que estão fantásticos, o pássaro tinha potencial mas não tem o destaque que parecia ir ter ao início.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER 1

TRAILER 2

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4839422

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Dragon Nest (Dragon Nest: Warriors’ Dawn) Yuefeng Song (2014) China/EUA


Se espreitarem a minha review para [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] no Imdb, hão de notar que lhe atribuí a incrível classificação máxima de 10 estrelas.

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Muita gente pensará que fiquei maluco, pois o que não faltam por aí são animações muito superiores tecnicamente ou no que quer que seja. Como raio me atrevi a dar uma nota tão alta a este filme no Imdb quando nem sequer aqui lhe irei atribuir a nota máxima ?
Bem, é tudo uma questão de contexto.
Passo a explicar.

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[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] quando comparado com o que de melhor se faz com muito dinheiro, se calhar não vale mesmo uma classificação tão alta. Acontece que a mim surpreendeu-me precisamente porque [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] não é uma produção de orçamento milionário e no entanto consegue atingir alguns patamares de qualidade ao longo de toda a narrativa que se calhar nem precisaria de atingir se o objectivo fosse apenas o de criar um desenho animado para vender aos putos em dvd mais tarde.

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Não só este filme consegue ter momentos de grande adrenalina como consegue o impossível de contar uma história com personagens interessantes de se seguir, sem se desviar um milimetro do típico cliché Dungeons & Dragons que já vimos mil vezes e que normalmente é logo garantia de que o resultado será um lixo.
Surpreendentemente não desta vez, o que na minha opinião torna [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] num excelente exemplo de como se calhar pode haver um bom resultado até mesmo com uma história já vista mil vezes. Está tudo na execução; principalmente na realização e este caso é particularmente interessante, pois a ultima coisa que eu esperava quando comecei a ver isto é que uma animação de segunda linha com um argumento já mil vezes batido e ainda por cima baseado num videogame fosse alguma coisa de jeito. E muito menos fosse apelativo para adultos.

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Sim para quem não sabe, [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é baseado num popular mmorpg chinês chamado precisamente “Dragon Nest” e que eu próprio joguei algumas vezes online durante algum tempo. Não costumo ter tempo ou paciencia para videogames online (e detesto jogar em computador), mas este “Dragon Nest” cativou-me pelo aspecto gráfico, pois desde o início sempre criou um mundo de fantasia bastante baseado num estilo de desenho animado que me atrai particularmente enquanto ilustrador. Foi precisamente esse mesmo estilo visual a fazer lembrar um livro de contos ilustrados, que me fez ir espreitar o filme quando descobri que existia. Isso e o facto de ser uma produção de animação chinesa. Apesar de também contar com capital americano, a execução é essencialmente made-in-china e logo isso deu a [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] um estilo diferente daquilo que estamos habituados a ver no típico cinema de animação ocidental ou saído de hollywood.

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Numa altura em que a maioria das produções de fantasia, particularmente em desenho animado segue sempre a mesma história já vista milhares de vezes, na verdade eu não esperava grande coisa quando comecei a ver o filme, mas logo desde os primeiros minutos houve algo que notei de especial nele.
O que me chamou a atenção foi precisamente o facto de [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] ser um filme de acção intensa e totalmente non-stop desde o inicio. Normalmente isto é logo sinónimo de grande seca e repetição constante, mas desta vez o que achei extraordinário logo desde os primeiros minutos é que a acção não estava lá apenas para impressionar mas serve principalmente como veículo narrativo para contar a história. E isso é muito dificil de se fazer. Mais ainda é haver verdadeiro desenvolvimento de personagens enquanto as cenas de porrada mais caótica acontecem no ecran.

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Resumindo, logo desde o início [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] surpreendentemente não me pareceu de todo um filme vazio, destinado apenas a entreter as crianças.
Havia aqui algo muito interessante para agarrar o adulto que gostasse de cinema e principalmente o adulto que se interessar por ilustração pois o conteúdo visual desta história é particularmente interessante pelo seu estilo storybook ilustrado ao longo de toda a aventura.

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É verdade que a história deste filme é tudo menos original, os personagens são todos sem excepção apenas o típico cliché do D&D ou dos jogos de MMORPG, mas surpreendentemente funcionam muito bem desta vez pois quem dirigiu isto sabe perfeitamente como tirar partido daquilo que parece banal a uma primeira visão. É quase como se esta animação tivesse sido realizada por um bom director de actores que percebe que a magia não está apenas nos efeitos ou nas cenas de aventura mas principalmente nos personagens. Surpreendentemente [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] contém personagens com grande carísma e era a última coisa que eu esperava.

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Cada uma das suas personalidade cliché está muito bem integrada na narrativa central e cada desenvolvimento de personagem marca um ponto importante na história, serve como reviravolta ou apresenta uma revelação importante. Se isto não tivesse sido assim, um filme como este teria sido uma seca infantil descomunal, pois de certeza que teriam apresentado os poderes da cada personagem, apresentavam a missão e depois o resto seria uma sucessão de cenas de porrada estilo D&D intermináveis até ao confronto final com o vilão do costumo e pronto, the end.
Não em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”].

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Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] as cenas de acção são a cola que une toda a estrutura da história. Não só funciona, como  vão evoluindo até se tornarem absolutamente extraordinárias pela adrenalina que conseguem transmitir, especialmente nas cenas de grande batalha. Todas as cenas de acção são diferentes, muito imaginativas em termos de coreografia e acima de tudo muito bem realizadas; tudo ajudado por uma montagem excelente que se calhar passa despercebida.

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Pode-se dizer que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um verdadeiro filme de acção e muito cinema live-action deveria aprender aqui como se usam cenas de porrada pura e dura para fazer avançar uma história sem precisar de ser uma parvalheira sem qualquer conteúdo ao pior estilo Michael Bay por exemplo. Tomara muito cinema de Hollywood saber usar a acção como esta quase anónima produção de médio orçamento chinesa o sabe fazer. Nenhum fotograma se perde e tudo tem um propósito na narrativa da aventura mais estereotipada que vocês alguma vez poderão ver tão bem estruturada.

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Isto é um filme muito bem planeado meus amigos. Pode parecer apenas mais outro filme para criancinhas mas [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é realmente um produto comercial muito bem realizado. A última coisa que eu esperaria de um filme animado obscuro baseado num videogame que nem sequer é particularmente popular por estas bandas.
Foi um dos melhores filmes de acção que vi no ano passado e não estava nada á espera disto. Na verdade já ando para recomendar esta aventura há muitos meses por aqui, mas queria voltar a ver o filme para ter a certeza que não tinha imaginado coisas. Desde lá já o revi quatro vezes e continua a divertir-me plenamente com as suas qualidades. Sendo assim estava na altura de o recomendar por cá.

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Em [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] todos os personagens criam uma empatia com o espectador e realmente nos importamos com eles em todas as cenas de batalha em que se envolvem pois nada nos garante que não morram a seguir e isso foi uma das coisas que mais gostei nesta produção animada. Ainda estou a tentar perceber como os criadores desta animação que mal tem 80 minutos conseguiram encontrar forma de dotar os bonecos com tanta vida. Especialmente quando em pelo menos 85% do filme temos cenas de acção e aventura carregadas de adrenalina e humor. Àprimeira vista não haveria espaço para desenvolvimento de personagens no sentido mais tradicional, onde normalmente a acção pára para que aconteçam momentos de exposição e no entanto não é pelos personagens que este filme iria afundar. Quem filmou isto sabe como contar uma história.

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[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é mais um bom exemplo de como o cinema oriental sabe criar personagens realmente humanos que criam verdadeira empatia com o espectador e contam com um carísma absolutamente natural até quando não passam de bonecos animados como é o caso. O cinema oriental mostra bem como se criam personagens com que nos importamos, até mesmo quando estes são um dragão que mal tem um par de linhas de diálogo para dizer.

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No seu todo, acho que [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia. Não tem um pingo de originalidade no que toca ao conceito ou a sua história, mas o que faz, faz mesmo muito bem e a sua originalidade está em conseguir fazer tudo resultar de uma forma que nos diverte e surpreende pela qualidade que foi aqui atingida mesmo quando tudo parece não passar de mais um daqueles desenhos animados destinados aos dvds de promoção no fundo das prateleiras em supermercados.
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] devia ser um versadeiro case study de como se cria cinema de acção com alma independentemente de ser animação ou não.

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Os personagens são variados, os ambientes são perfeitos e apesar de não ter muita variedade ou mostrar um mundo muito grande, ainda conta com um par de boas paisagens de fantasia que ficam no olho e na memória pois em termos de design [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] soube ir buscar o melhor do estilo visual do jogo e expandir os melhores elementos o melhor que o seu orçamento o permitiu certamente.
No entanto em termos de geografia, sente-se alguma limitação, isto porque o seu mundo de fantasia parece muito bonito mas na maioria das vezes sentimos que estamos apenas a ver alguns vislumbres de um universo mais vasto que merecia ter sido mostrado e nunca nos é aberto como deveria ou merecia ter sido. Restrições de orçamento certamente.
De qualquer forma, eu adorei.
Só há uma coisa neste filme que eu detestei.
O final abrupto.

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Estava a divertir-me à brava com isto, esperando por um epílogo final realmente impactante que tivesse a ver com todo o tom do filme quando de repente…ACABOU !
[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] acaba de uma forma tão repentina que sinceramente pensei que isto seria o primeiro episódio de uma série televisiva qualquer.
Soube agora ao preparar-me para esta review, que vai sair, ou já existe uma sequela, pois o filme parece ter sido um sucesso lá pela China e parece que já há continuação. Óptimo !

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Muito provavelmente se procurarem por este filme irão apenas a versão dobrada em Inglés quando o seu original é em Mandarim. Na verdade a versão inglesa não me chateou particularmente. É diferente da original, mas ambas têm os seus pontos altos e baixos e ambas funcionam melhor numas alturas do filme do que outras. Neste caso será portanto uma questão de escolha. Se encontrarem a versão chinesa original , óptimo; se virem apenas a versão dobrada em inglés também não será por aí que deixarão de apreciar este pequeno filme que provavelmente passou ao lado de muita gente.

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Até porque lembrem-se , [“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é uma produção chinesa e não é anime japonês. Embora contenha óbvias influências de vários sitios , o facto deste filme não ser nem japonês nem americano, faz com que tenha um estilo diferente daquele que estamos habituados a ver e quanto a mim isso é excelente.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Dragon Nest: Warriors´Dawn”] é um excelente filme de fantasia para quem procura cinema do género, independentemente de ser desenho animado ou não e independentemente de ter a história menos imaginativa de todos os tempos. Consegue superar tudo isso para nos dar uma aventura de animação que não irá aborrecer os adultos de morte (se se interessarem por fantasia) e ao mesmo tempo irá agradar às crianças.

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Cinco tigelas de noodles porque tudo o que faz, faz muito bem e não precisava de ter feito para ser um produto comercial rentável.

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A favor: usa a acção para criar desenvolvimento de personagens e fazer avançar a história, os personagens são excelentes e criam grande empatia com o espectador, a história parece básica como o raio mas contém bons momentos de humor (até para adultos) que a fazem destacar-se da comum banalidade que encontramos neste tipo de aventura para crianças.
Boa animação (num estilo diferente), adoro o estilog gráfico e a cor, bons cenários, aventura divertida e um filme muito boa onda em todos os aspectos.
Contra: acaba de repente, algumas pessoas no imdb parecem não perceber que animação de qualidade não tem que ser sempre igual ao que a Pixar faz e não há mal nenhum por o estilo visual de um filme se parecer com o que existe no videogame original. Se para vocês o bom cinema não pode passar sem uma história original esqueçam este pois não tem um pingo de originalidade no seu argumento. Sente-se que o mundo de fantasia poderia ter sido mais mostrado no ecran e no entanto as paisagens grandiosas são sempre algo limitadas talvez devido à falta de orçamento para criar mais detalhes para este mundo.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2911342

Comprar em DVD
http://www.amazon.co.uk/Dragon-Nest-Warriors-Dawn-DVD/dp/B00W5AVE9Y/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1457288499&sr=8-1&keywords=dragons+nest

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Mr Go (Mi-seu-teo Go) Yong-hwa Kim (2013) China / Coreia do Sul


À partida [“Mr.GO”], tinha tudo para ser um daqueles filmes que eu iria odiar. Senão vejamos…
Mete Circos…check !
Mete criancinhas orfãs e animais fofinhos…check !
Mete macacos….check ! (Podia ser pior, podia ter metido galinhas…)
Mete (BLARGH) desporto…check !
E pior de tudo é um filme sobre Baseball …pior só se fosse sobre futebol mesmo.

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Portanto com isto tudo porque raio é que se tornou definitivamente no melhor filme que vi este ano até agora ?!!
Não só já o revi três vezes em menos de uma semana como ainda por cima ando feito estúpido a recomendá-lo a toda a gente; e passo a explicar porquê…
Não que isto seja verdadeiramente importante, mas começo por dizer que [“Mr.GO”] é um dos melhores filmes em 3D que já me passaram pela frente (e já vi muitos). Não só a cópia em 1080p blu-ray tem uma resolução e qualidade de imagem estonteantes, como todas as imagens estão extremamente bem conseguidas em vários planos de profundidade como raramente tinha visto até hoje.

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Aliás, começo já por isto; a realização deste filme é extraordinária e dentro do cinema comercial este deve ser o melhor trabalho de um realizador que encontrei no cinema “infantil” do género “desportivo” até hoje, por um motivo muito simples.
É totalmente evidente que cada enquadramento foi pensado e que sequência de acção foi planeada com a intenção de ser vista precisamente em 3D.
[“Mr.GO”] conta com sequências de movimento de câmera únicas e se calhar muita gente nem reparará no excelente trabalho de quem filmou e montou cuidadosamente tudo isto, precisamente porque estas são tão orgânicas e naturais que apesar de impressionantes por vezes nunca sentimos que o realizador está lá, ou que nos atira planos à cara só para meter estilo em 3D a todo o instante.

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Quero com isto dizer que o 3D em [“Mr.GO”] é parte integrante do estilo narrativo do filme e se não existisse 3D moderno como temos hoje em dia, não teria havido necessidade do filme ter sido planeado e filmado como está agora filmado pois teríamos tido certamente um trabalho de realização muito mais seguro e corriqueiro do que nos é apresentado neste fantástico filme para a família, naquela que é a maior co-produção entre a China e a Coreia do Sul até à data.
Ah, mas se virem isto em 3D preparem-se para passar o filme todo a desviar-se das bolas que saltam do écran na vossa direcção. É do outro mundo.

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Portanto como aposto que muita gente nem irá notar, nota alta para o realizador e para a própria realização do filme que sendo espectacular na forma como nos apresenta sequências de acção também sabe criar uma dinâmica narrativa sem tempos mortos em tudo aquilo que não são as partes de acção desportiva.
Aliás, outra coisa que [“Mr.GO”] faz muito bem é precisamente equilibrar os vários géneros de filme que inevitavelmente se cruzam este argumento.

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Aquilo que superficialmente nos parece apenas mais um filme desportivo com os clichés do costume, é na realidade também não só um bom drama (embora bastante simples) com excelentes caracterizações de personagens, como ainda por cima tem momentos de humor (negro) bem conseguidos que irão surpreender e divertir muita gente (de todas as idades).
As cenas com os mafiosos são particularmente divertidas na forma como fazem evoluir os personagens e nos levam a interessarmo-nos muito também pelo seu destino.
Supreendentemente, enquanto filme para crianças não tem grande problema em conter algumas cenas até particularmente violentas e mostrar algum sangue pelo meio, coisa que num filme americano jamais aconteceria. Portanto mais um ponto positivo.

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Curiosamente apesar de [“Mr.GO”] estar categorizado como cinema infantil…ou filme para a familia…o argumento até entra por areas que mal desenvolvidas poderiam ter-se tornado absolutamente chatas e terem destruído o filme se calhar logo de inicio.
[“Mr.GO”] para além de toda a parte humana e…símia…é também uma história sobre negociatas e esquemas politicos de bastidores, um filme onde grande parte do argumento é passado em longas cenas sobre contratações de jogadores, política de federações e tudo aquilo que à partida seria a ultima coisa que pensaríamos poderia resultar numa história supostamente para crianças.
O surpreendente é que funciona, não é aborrecido; o espectador mais crescido não se perde pelo meio e se calhar até achará interessante. Além disso toda essa parte é usada para o desenvolvimento dramático de um dos personagens principais e resulta plenamente.

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Não esperem no entanto, drama profundo, comédia hilariante ou até o cliché típico do cinema de desporto levado a extremos. Quem pensa encontrar em [“Mr.GO”] o típico filme americano sobre desporto se calhar irá surpreender-se com este titulo. Se calhar nem irá saber bem porquê, mas chegará ao fim do filme pensando que realmente viu algo diferente do que estaria à espera.
A mim pelo menos surpreendeu-me muito mesmo.
Muito menos como filme de bichinhos fofinhos entra a fundo pelo que esperamos encontrar neste tipo de argumentos. Aqui o bichinho não irá sofrer muito, não será abandonado para depois voltar, etc, etc, etc.

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O gorila Mr Go é não só uma criação CGI absolutamente extraordinária ao melhor nível de um Gollum ou do melhor que se faz habitualmente em Hollywwod, como ainda por cima a meio do filme já nem nos lembramos que estamos a ver uma história sobre bichinhos fofinhos.
Esquecemos por completo que estamos a ver trabalho de animação compturizada e não fosse a presença do próprio Mr.Go ser tão óbvia aposto que também nos esqueceríamos que o filme metia animais. Esta história aparentemente visualmente espectacular é bem subtil no entanto precisamente na forma como integra tudo o que é humano e CGI.
[“Mr.GO”] faz um excelente trabalho em contar uma história aparentemente habitual de uma forma que muita gente irá notar ser diferente mas não irá conseguir apontar bem porquê.

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Mais uma vez nota alta para a realização. [“Mr.GO”] começa logo de forma onde se nota que se calhar isto não irá ser o típico filme que esperamos. Todos os minutos iniciais sobre a vida no circo, a introdução de Mr Go e a sua relação com toda a gente que o envolve é narrada na forma de breves segmentos que parecem retirados de peças jornalísticas em telejornais televisivos e logo aqui notamos que a montagem deste filme tem muita energia.
Quando entra por uma narrativa visual mais tradicional percebemos que nem nos demos conta da transição mas a história continua com um ritmo que não dá descanso e capta a nossa atenção sem parar.

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Para esse efeito também muito contribui os ambientes e as paisagens naturais que podemos ver em [“Mr.GO”]. Não só as imagens do circo perdido algures num descampado da China são fantásticas, como o set design de interiores é do melhor e isto para nem falar das cenas nos estádios de baseball que são absolutamente notáveis e entusiasmantes, até para quem como eu odeia desporto.
Mas e então a parte do Baseball ?…
Não é [“Mr.GO”] um filme sobre Baseball ?…

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Bem, não necessariamente. É um filme sobre pessoas que se passa no mundo do Baseball e onde inclusivamente o desporto está no argumento não apenas para meter estilo ou criar falso suspense (com o típico jogo que toda a gente já sabe como irá acabar), mas principalmente para servir a história e acima de tudo nesta história o centro não está no desporto mas sim nos personagens. Nota alta logo aqui nesse detalhe,  pois (pelo trailer) eu esperava apenas o típico filme desportivo onde o realizador estaria mais interessado em filmar os jogos do que as pessoas mas em [“Mr.GO”] isso nunca acontece, pois as pessoas são o jogo !

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[“Mr.GO”] tem sido algo criticado por isso. Por parecer um filme de Baseball e depois não dar qualquer tempo de antena ao que se passa nas equipas, não ter qualquer interesse nos jogadores e parecer usar esses ambientes apenas para se centrar nos personagens principais.
Se percorrerem o IMDB há muita gente que não percebeu que [“Mr.GO”] não é um filme desportivo. É uma história sobre uma miúda de 15 anos que precisa de salvar o seu Circo, sobre um solitário empresário mercenário que nunca se preocupou com nada além de dinheiro, sobre um mafioso que tenta por demais ser mau mas tem bom coração e sobre dois gorilas que se tornaram no centro de todas estas vidas e as fazem mudar.
Eu disse dois gorilas.
Querem saber mais, vejam o filme. pois [“Mr.GO”] não é apenas sobre Mr Go e muito menos é um filme desportivo.

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Quem pensar que isto é uma espécie de “Any Given Sunday” de Oliver Stone em versão para crianças mas sobre Baseball, irá ficar muito decepcionado.
Não só [“Mr.GO”] conseguirá agradar a um público muito mais vasto do que apenas às crianças como ainda por cima consegue o feito de ser uma história com base desportiva que não se torna uma seca absoluta para quem como eu tem total desprezo pelo mundo desportivo.

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Se não perceberem nada de Baseball não se preocupem. Eu também não percebo a ponta de um corno daquilo e no entanto vibrei com cada jogada que este filme retrata mesmo sem saber porquê estava literalmente -on the edge of my seat – por muitas e muitas vezes.
Aliás, [“Mr.GO”] foi um daqueles raros filmes onde me apeteceu bater palmas feito um idiota.

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Uma coisa absolutamente extraordinária está na forma como usa a musica nas suas sequências desportivas.
Depois deste filme vai ser totalmente impossível voltar a ouvir, “The Walk of Life” dos Dire Straits sem pensar imediatamente nas sequências desportivas com [“Mr.GO”] em acção.
Esta canção surpreendentemente torna-se na alma do filme e este não seria o mesmo com outra música qualquer, pois toda a sua candência contribui a 100% para a própria montagem de muitas sequências absolutamente entusiasmantes que compõem esta história.
Idem para o resto da banda sonora que não fica na memória mas complementa extraordinariamente to do trabalho visual do filme.

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Uma nota final para o elenco, pois o seu trabalho é fantástico. Desde a miudinha protagonista que é uma escolha de casting excelente, passando pelo empresário e até aos vilões, tudo em [“Mr.GO”]  a nível de personagens e actores que os encarnam funciona perfeitamente e é um daqueles filmes que ganha a cada nova visão quando podemos mais tarde focarmo-nos nos actores para além das cenas mais movimentadas.

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CLASSIFICAÇÃO

Contrariamente ao que se passou em “Kiki´s Delivery Service” aqui em [“Mr.GO”] temos surpreendentemente um verdadeiro filme de família , para a família e que irá agradar a uma enorme faixa etária, independentemente de gostarem de desporto ou de baseball em particular, ou não.
Só posso mesmo dar a minha classificação máxima a isto pois pode não ser uma obra prima do cinema mundial, mas é do melhor cinema “juvenil” que me passou pela frente em muitos, muitos anos. É assim que se faz um filme destes e Hollywood devia tomar notas.

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Se o puderem ver numa SmartTV pelo menos com uns 55´´ em 3D vão adorar !! A versão 2D também resulta fantásticamente num écran enorme. Este é o tipo de filme que foi feito mesmo para cinema e não irá resultar de todo em ecrans pequenos. Quem só o vir num ecran de computador ou num TV pequeno sem grande qualidade de som, não irá ficar muito impressionado. [“Mr.GO”] é um daqueles filmes feitos MESMO para ser visto em cinema ou no maior ecran que conseguirem encontrar pela frente e com o melhor sistema de som possível. Este é um daqueles filmes para qual o Blu-ray 3D foi inventado.

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Cinco tigelas de Noodles e um Gold Award sem qualquer sombra de dúvida, pois já o revi 3 vezes, (duas em 2D e uma em 3D) e nunca perdeu a força e o poder de divertir, talvez muito graças á forma como está filmado.

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A favor: Embora a versão 3D seja fantástica o filme funciona perfeitamente bem na sua versão normal em 2d também, Os actores, Os gorilas em CGI são fantásticos, a alma dos personagens, é uma história sobre pessoas e não apenas um filme desportivo, a forma como a musica “Walk of Life” dos Dire Straits está integrada é do melhor, excelente realização, excelente montagem, excelente cenografia e fotografia, esquecemo-nos que é um filme sobre macacos o que não deixa de ser notável num titulo assim. Poderá agradar até a pessoas que como eu detestam desporto.
O 3D é fabuloso !!!!

Contra: As partes sobre contratações e política de bastidores poderá aborrecer os espectadores mais jovens por instantes, pelo trailer parece ser um filme bem menos interessante e original do que na realidade é. O CGI parece muito pior no trailer do que na verdade é no filme. Se calhar é  o tipo de filme que pede um ecran o maior possível e que só o vir num ecran pequeno não irá ficar nada impressionado.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2969458

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