Still the water (Futatsume no mado) Naomi Kawase (2014) Japão/França


Imaginem… … … que… … … … … eu … … … escrevia… … … … … cada … … … … … uma das minhas… … … … … … … … sugestões … … … … … … de … … … … … … … … … … … … cinema … … … … … … … oriental… … … … … … deste … … … blog … assim … … … … desta … … … … … forma … … … … … … onde … … … … … … pau … sa … da … men … t … e… … … … … … descrevia … a … … … … minha … … opini … ão … … … … sobre … … … … os … … filmes … que … … … aqui … apresento… muito… … … … devagarinho…

Pois…

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Não se deixem enganar pela beleza do poster. Isto pode parecer imediatamente apelativo especialmente para quem adora filmes como The Big Blue mas as aparências iludem.
Para começar ainda bem que me apareceu [“Still the Water”] na frente precisamente  a  seguir a eu lhes ter recomendado o excelente “Bread of Happiness“.
Dois filmes japoneses, dois filmes dentro do chamado cinema de autor, dois filmes bem calmos e sem pressa de ir qualquer lado.
Um é bonito, cheio de poesia e deixa-nos a pensar no final. Outro é chato como o raio e pretencioso a um nível que já há muito tempo não encontrava.
Adivinhem qual.

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[“Still the Water”] além de ter um dos trailers mais enganadores dos últimos tempos, teve o condão de me conseguir irritar profundamente e há muito que um filme não me provocava tamanha reacção a um ponto de decidir esperar um dia para descomprimir depois de ter visto tamanha –obra prima– antes de vir aqui falar sobre ela.
Dentro do cinema oriental, a última “obra de génio” que me tinha aparecido pela frente antes tinha sido o inenarrável “Visage“; curiosamente outra co-produção com o ministério da Cultura de França, portanto há por aqui um padrão que se começa a adivinhar no que toca a cinema com pretenções a –instalação artística– inteligente. Nota mental: começar a evitar cinema oriental produzido com dinheiro “cultural” francês…porque provavelmente são os únicos a patrocinar estas … obras …

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O que se pode dizer de uma –obra- que abre com um grande plano de vários minutos em câmera fixa em que se vê um senhor a cortar a garganta a uma cabra com uma navalha de fazer a barba ? E não, não é um efeito especial.
Depois ainda temos o prazer de assistir ao sangramento do bicho para um balde durante um bom bocado, até que depois a “história” avança… para a … história … própriamente … dita.
E querem saber o mais cómico ? [“Still the Water”] Está censurado !!
Deixam-nos assistir por duas vezes à degolação de um animal e ao seu sangramento; (sim aparece novamente a meio … “da história” … porque sim); em grande plano, mas depois [“Still the Water”] censura a sequência final onde os protagonistas nadam nús no oceano , colocando estratégicamente “zonas de névoa” no corpo dos actores para disfarçar as zonas genitais !!

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O que retira logo por completo qualquer suposta atmosfera da sequência, pois é tão evidente aquela censura gráfica que como espectadores nem conseguimos prestar atenção a mais nada.
Portanto, para [“Still the Water”], – degolar cabras com navalhas de barbear – (para efeitos “artísticos” (vou fazer de ti uma estrela, cabra); tudo bem ! Adolescentes a nadarem sem roupa debaixo de água é melhor censurar pois não queremos cá chocar a sensibilidade das audiências.
Ehm ?!!

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E não meus amigos, contrariamente a algumas opiniões extasiadas que poderão encontrar no imdb sobre esta obra que atacam quem detestou o filme, desta vez não se trata aqui da eterna guerra entre o estilo comercial de Hollywood em modo socos e pontapés nas trombas a cem explosões por segundo versus a realização de cinema com qualidade.

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O facto deste [“Still the Water”] estar a ser apontado como uma seca absoluta no que toca à escolha do estilo narrativo, (vão por mim), não tem nada a ver com isso, porque acima de tudo o que irrita não é o ritmo ultra pausado dos diálogos no filme por si só, mas principalmente a extensão dos takes onde se filmam cenas absolutamente vazias; pior ainda, sem qualquer importância para a história principal em sequências de nada absoluto onde parece que alguém se esqueceu de dizer, corta !
E olhem que um dos meus filmes favoritos de todos os tempos é o clássico soviético “Solaris” de Tarkosvky (um dos meus filmes favoritos de ficção-científica); portanto quem sabe do que estou a falar, já perceberam que não ia ser um filme -parado- como agora este vazio absoluto japonês avec dinheiro francês que me iria intimidar.

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[“Still the Water”] tem duas horas mas poderia perfeitamente funcionar como curta metragem. Se isto tivesse menos uma hora muito provavelmente seria um bom titulo.
Na verdade sente-se que há por aqui um bom filme a querer reaparecer à superfície mas as pretenções a “auteur” da realizadora parecem insistir em fazer com que esta história seja forçada a ser obrigatoriamente a instalação artística que não precisava de ter sido de todo.
Há aqui alguns pontos bons. Os actores parecem excelentes, a história poderia ter sido muito bem usada para fazer aquela ligação com a espiritualidade do oceano e a cinematografia é excelente , contando o filme até com algumas imagens particularmente inspiradas. Mas tudo vai literalmente … por agua abaixo.

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E não é pelo ritmo calmo da história ou por ser algo dentro do cinema de autor. Meus amigos, o facto de ser classificado pela crítica inteligente como –cinema de autor– não significa que seja garantia de qualidade, como este título bem prova. Isto é tão mau quando o mais desinspirado filme de porrada do Michael Bay. Se o blockbuster hollywoodesco sem cérebro abusa da velocidade e do vazio absoluto a todos os níveis, uma obra com pretenções a cinema de autor ao nível de [“Still the Water”] tem precisamente o mesmo efeito; apenas em vez de pipocas tem pretenções a obra muito profunda quando é simplesmente um vazio narrativo.

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O filme “Bread of happiness” também tem um ritmo narrativo semelhante, também é uma reflexão profunda sobre a vida, a morte e o sentido de tudo o que nos rodeia, mas nem por um instante atira qualquer coisa à cara do espectador. E também é um filme bem calminho, por isso não me venham dizer que [“Still the Water”] tem sido apontado por ser tão irritante apenas porque as pessoas que o viram apenas queriam ver um filme pipoca nos moldes blockbuster de Hollywood. Desta vez não têm razão.

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O facto de se armar em cinema-de-autor em jeito de contrariar o pior de Hollywood não significa que tenha resultado; [“Still the Water”] é simplesmente mau e acima de tudo torna-se insuportável a límites que testam verdadeiramente a nossa paciência, o que como nem podia deixar de ser culmina num final que se alonga também por demais e totalmente inconsequente para a história que supostamente acabou de ser contada.

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O filme é pretencioso como tudo, está cheio de takes extendidos de conteúdo totalmente irrelevante e como resultado não cria qualquer empatia com o espectador.
Pelo menos, pessoalmente custa-me bastante sentir qualquer emoção pelo que quer que seja quando de vez em quando alguém se lembra de abrir a goela a um bicho em grande plano só porque sim e durante o resto do tempo os … personagens … falam … muito … pausadamente … em … longos … takes … completamente … irrelevantes… numa … história … que … poderia …. ter … resultado … não … fosse … esse … pequeno … detalhe.
E a censura é mesmo irritante. Até a cena romântica de sexo parece decalcada do velho “A Lagoa Azul” na forma como os personagens são enquadrados.

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Ao ver o trailer de [“Still the Water”] fiquei plenamente convencido que isto ia ser o meu tipo de filme. Um dos filmes da minha vida, é o “The Big Blue / Le Grande Bleu” de Luc Besson com Jean Marc Barr e Jean Reno e pelo trailer de [“Still the Water”] parecia que iamos estar na presença de algo semelhante.
Um filme espiritual, sobre a própria vida e morte tendo por base o misticismo do próprio oceano com uma história simples mas de personagens humanos complexos com uma atmosfera muito própria.
Com um trailer assim (e tanta aclamação europeia em Cannes) o que poderia falhar ?
Bem … … …



TUDO !

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos filmes mais irritantes que alguma vez vi dentro do cinema oriental (e não só); ao pior nível de “Visage” ou tão inconsequente quanto “Himalaya: Where the wind dwells“.
Tão pretenciosamente mau, que podia ser na boa Cinema Português.

Não leva zero só porque as cinematografia das cenas debaixo de água é absolutamente fantástica.
Meia tigela de noodles.

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A favor: excelente cinematografia, algumas imagens muito atmosféricas ao longo de todo o filme, bom par protagonista.
Contra: o trailer engana por completo (o trailer tem o ambiente e o ritmo narrativo que o filme deveria ter tido mas não tem; não se deixem eganar), a história dramática perde-se pelo meio de tanta pausa narrativa no ritmo dos diálogos, torna-se um filme insuportávelmente irritante e só apetece enfiar um estalo nos personagens a ver se acordam, a violência gráfica com degolações de animais em grande plano é absolutamente inaceitável porque não serve em absoluto para a história e se a ideia era servir de metáfora sobre a inevitabilidade da morte e coisa e tal lamento muito mas é simplesmente estúpido, mostra degolações e sangramentos em grande plano mas depois censura todas as cenas com nudez de uma forma absolutamente inacreditável, o final não serve para nada mas também a história não tem qualquer carísma por isso tudo o que seria supostamente metafórico já se foi há muito antes do filme chegar ao fim, tem duas horas e poderia ter uma hora a menos que certamente só lhe faria bem.

Se procuram por cinema de autor oriental hà muito melhor (e muito menos pretencioso) à escolha até mesmo neste blog: “In the mood for love” ; “2046” ;  “Days of being wild” ; “My Blueberry Nights” ; “The Place Promised on our early days” ; “Goodbye Dragon Inn” ; “Rent a Cat” ; “Bread of hapiness” ; “5 Cm per second” ; “Bedevilled” ; “Citizen Dog” ; “Confessions” ; “Failan” ; “The Floating Landscape”  ; “The Grandmasters” ; “Kamome Dinner” ; “Sweet Rain” ; “Tears of the Black Tiger” ; “Ashes of Eden” ; “All about Lily Chou Chou” ; “Black coal thin ice” ; “The furthest end awaits” ; “A girl at my door” ; “Il Mare”  … por exemplo. 😉

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3230162

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Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_himalaya-where-the-wind-dwels capinha_Visage

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Bread of Hapiness (Shiawase no pan) Yukiko Mishima (2012) Japão


Há um certo tipo de cinema que só os Japoneses conseguem fazer bem.
Aquele tipo de filmes extremamente simpáticos que nos mostram locais onde adorariamos viver ou passar longas temporadas e onde não se passa absolutamente nada.
[“Bread of Hapiness”] é um excelente exemplo de mais um título assim transportando-nos para um mundo absolutamente mágico e que nos deixa a pensar sobre ele muitos dias depois de ver esta história. Nada mal para um filme sobre… nada…

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[“Bread of Hapiness”] conta a história de uma rapariga que um dia deixou a grande cidade e  abriu uma padaria em jeito de hostel na remota margem de um dos grandes lagos do Japão. Embora contente por viver na pequena localidade Rie Mizushima não consegue evitar sentir um vazio na sua vida; sentimento esse que acaba por tentar colmatar quando juntamente com o seu marido Nao cozinha os mais deliciosos pãezinhos que serve a todos aqueles que passam pelo local tentando através da sua culinária, colmatar nos outros também o vazio interior de cada uma dessas pessoas.

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Ambos funcionam como uma espécie de anjos da guarda para todos aqueles que chegam até à sua casa com algo em falta nas suas vidas; amenizando problemas através da culinária e fazendo com que nesse instante contemplativo cada pessoa descubra por si própria um rumo a seguir que irá mudar a sua vida apenas porque um dia passou por aquela padaria.

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A primeira hóspede é uma rapariga em busca de um rumo pois foi abandonada pelo namorado e acabou por vir parar àquela margem do lago, ela própria à deriva.
Depois temos a história da miuda cujo a mãe fugiu com outro homem tendo abandonado o seu pai e finalmente a história do velho casal que chega um dia ao local para morrer.
Todos estes pequenos fios condutores aparentemente isolados são aquilo que vão solidificando aos poucos a história do casal central e sem o espectador se aperceber conduzem até àquele final perfeito que dá um carísma muito especial a [“Bread of Hapiness”].

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Basicamente é isto o que se passa neste filme absolutamente simpático durante duas horas;  onde nem falta um pequeno twist nos segundos finais que muita gente certamente nem irá notar, mas que me apanhou completamente de surpresa e deu uma enorme magia ao desenlace desta história.
[“Bread of Hapiness”] é um daqueles filmes episódicos onde os vários segmentos isolados estão unidos pelos personagens principais e pela interacção destes para com cada um dos protagonistas de cada uma das pequenas histórias que no final acabam por dar um sentido à própria história do casal protagonista.

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[“Bread of Hapiness”] está dividido por estações do ano e cada estação corresponde não apenas a uma história mas também evoca uma emoção particular ou um estado de espírito para aquilo que se passa na alma de cada personagem.
Pode parecer uma coisa muito filosófica ou ultra-pretenciosa mas não se preocupem, o grande trunfo deste filme está precisamente na forma simples como aborda questões profundas sobre a própria vida sem nunca se parecer com um daqueles títulos pretenciosos ao pior estilo cinema de autor.

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[“Bread of Hapiness”] pode ser cinema independente, pode ser cinema de autor, mas nunca se impõe como tal ao espectador. É tão simples que parece ser realmente um filme onde não se passa nada até que de repente, este acaba e percebemos o quanto esta história falou realmente de muita coisa. É esta simplicidade que dá uma grande originalidade a este tipo de cinema que só podia ser mesmo Japonês; contemplativo quanto baste mas carregado de emoção contida e muito significado.

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Em [“Bread of Hapiness”] em termos de acção , temos essencialmente cenas em que as pessoas comem pãezinhos, cenas em que as pessoas passeiam pelo campo, cenas em que as pessoas vão à praça comprar ingredientes para fazer mais comidinhas, cenas em que as pessoas conversam sobre a vida e “pouco mais”.

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A grande magia do filme no entanto está na sua atmosfera. A cinematografia é absolutamente luminosa (demasiado luminosa dizem alguns) e para mim é precisamente a escolha perfeita para da a este pequeno mundo isolado o ar encantado que precisa para que a história do casal e principalmente o pequeno micro-twist final resulte de uma forma tão mágica. É como se esta padaria se localizasse numa dimensão paralela onde apenas a calma e a contemplação fizessem parte daquele mundo.

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A cor deste filme é simplesmente fantástica e é um daqueles que em bluray vibra com toda a energia que o formato pode proporcionar em termos de imagem. As cenas de verão com toda a luminosidade de um fim do dia ou de uma manhã de sol são absolutamente perfeitas e dão a este filme uma certa característica de Anime filmado em live-action.
Aliás, a todo o instante este filme me fez lembrar de “O Meu Vizinho Totoro” de Hayao Myiazaki; a começar pela banda sonora -feliz- em tom “desafinado” que adorei. Estava sempre à espera de ver Totoro aparecer numa árvore qualquer, mas infelizmente este filme não tem qualquer criatura mágica.

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Pessoalmente penso que [“Bread of Hapiness”] tem apenas um encalhe. Penso que uma das histórias não resulta plenamente porque dá um tom diferente ao conjunto central até porque a acho desnecessáriamente longa. Não se arrasta por demais, mas acho que [“Bread of Hapiness”] não precisava ter duas horas de duração para passar o mesmo tipo de mensagem que passa.
Por mim, aqui e ali poderia ter-se cortado algum tempo excessivo e se este título tivesse meia hora a menos teria sido absolutamente perfeito.

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Alguns personagens secundários não parecem ter nada para fazer na história a não ser preencher espaços físicos nos cenários e penso que algumas cenas poderiam ter sido realmente um bocadinho reduzidas que não fazia mal nenhum.
Por outro lado, a atmosfera do local é realmente encantada e [“Bread of Hapiness”] é um daqueles filmes bonitos, simples e que não pretendem armar-se em inteligentes mesmo em última análise sendo bem mais do que parece à primeira vista.
E a canção disonante da banda sonora é muito fixe !

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CLASSIFICAÇÃO:

Se procuram um filme muito simpático, daqueles muito calminhos e em total espírito Zen sem qualquer pretenção a obra prima do cinema de autor, [“Bread of Hapiness”] é um título perfeito a não perder. Aliás, é realmente uma boa introdução a certo tipo de cinema independente (ou de Autor) pois não assusta ninguém e é uma excelente alternativa para quem está farto de filmes com tiros e explosões e quer encontrar algo para relaxar mas que ao mesmo tempo transporte o espectador para um mundo muito próprio.
Se gostaram de “O Meu Vizinho Totoro” em Anime, vão gostar disto.

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Pode não ser para toda a gente, mas se entrarem no espírito da coisa vão gostar. E mesmo que não estejam absolutamente rendidos aos personagens ou às histórias, garanto-vos se procuram um toque de magia, o pequeno twist dos segundos finais quando entra a última narração vai deixá-los plenamente satisfeitos e ainda a gostar mais deste filme. Foi esse final “mágico” que acrescentou agora mais uma tigela de noodles à minha classificação.

Cinco tigelas de noodles. Não é um filme sem falhas, mas é muito, muito simpático.

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A favor: toda a atmosfera do local, a fotografia luminosa é fantastica, a cor, algumas das histórias são simples mas têm alguma magia, o micro-twist no final é muito fixe, a banda sonora ( a canção do final em tom disonante), não deixa de ser cinema de autor mas prova plenamente que este tipo de filmes não têm que ser obrigatoriamente chatos ou intelectualoides.
Contra: tem meia hora a mais, alguns personagens não servem para grande coisa (a “artista” é um bocado irritante), pode ser um filme calmo demais para muita gente.

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1726749

Uma das canções:

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Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_the furthest end awaits Be With You Il Mare

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The Promise – Edições BluRay – Qual comprar ?


Faço aqui mais um breve intervalo nas reviews para lhes falar sobre a edição Blu-Ray de [“The Promise”], um dos meus filmes de fantasia favoritos e que recomendo vivamente a quem gosta do estilo conto de fadas chinês.

The Promise (2005)
Ultimamente tenho recebido questões sobre este título pois muita gente parece algo confusa com o que se passa. E com razão.
Até quem procura por este filme na pirataria acaba por se dar mal e não sacar o verdadeiro título mesmo em torrents que o partilham. Por um  simples motivo.

[“The Promise”] é o típico exemplo de mais um título oriental que foi distribuído nos estados unidos mas numa versão completamente mutilada.
E se foi distribuído nos estados unidos, naturalmente é esta a edição lançada na europa.

Tal como aconteceu anos atrás com outro dos meus filmes favoritos de todos os tempos, o fabuloso “The Big Blue/Le Grand Bleu” de Luc Besson, que para ser distribuído na américa (e pela américa) foi obrigado por contrato a ser reduzido, remontado, teve um final ligeiramente alterado (para um final “feliz”) e ainda por cima toda a banda sonora original de Eric Serra foi substituida por música New Age de um tal guru americano chamado Conti;  (senão nunca seria divulgado pela poderosa máquina do marketing de hollywood) ; e tal como ia acontecendo novamente com “Snowpiercer” também recentemente não fosse o realizador ter colocado um travão à brincadeira e recusado as exigências do estúdio americano antes do estrago ser feito pois Hollywood queria distribuir o filme nas salas, mas teria de ser numa versão menor, com inúmeros cortes e mudanças radicais na estrutura original;  também [“The Promise”] tem duas versões muito distintas no mercado dependendo do lado do mundo em que vocês habitem.

Existe este [“The Promise”] que está distribuído no ocidente (em região A e região B (USA e Europa)) e que é a versão mais comentada (e arrassada) no IMDB pela maioria dos utilizadores fora da Ásia com alguma razão.

the promise - br-ocidentalEsqueçam essa !  Não comprem o blu-ray com a capa acima.
Felizmente temos depois a (verdadeira) versão original; integral, bem maior que os míseros 90 minutos da versão “americanizada” mas que muita gente nunca viu pois só esteve disponível no mercado oriental de dvd (numa edição excelente cheia de extras (há muito esgotada)); mas que nunca chegou ao mainstream ocidental (muito menos ao mercado português) ; (apesar de ter sido essa a versão apresentada em festivais de cinema e também a versão que foi candidata a Óscar de melhor filme estrangeiro no ano em que estreou, facto que curiosamente passou completamente despercebido a toda a gente).

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Pois bem, agora que o Blu-Ray anda por aí, deixem-me dizer-vos que se nunca viram este filme, o Blu-Ray é definitivamente a versão a ver.
Não é a melhor edição do mundo mas quando comparada com a edição dvd que já existia (tanto para a versão americana como para a versão original), a mais recente edição de Hong Kong é de uma evolução impressionante, especialmente a nível de imagem.
Estranhamente ainda conta com algum grão, mas a verdade é que num filme que depende tanto de imagens magnificas com paisagens de fantasia absolutamente de tirar o fôlego, ver [“The Promise”] de uma qualquer outra maneira que não seja numa cópia em Blu-Ray (e no maior ecran possível, já agora) para mim não faz qualquer sentido. Muito menos é um filme para se ver num pequeno ecran de computador.

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Este é um daqueles títulos para o qual o formato do Blu-Ray foi inventado sem qualquer sombra de dúvida. Apesar de, repito, não ter a edição perfeita que poderia ter tido nem por isso deixa de ser verdadeiramente estonteante, especialmente quando a história se abre àquelas cenas mais épicas e encantadas ao melhor estilo conto de fadas chinês que curiosamente até o trailer americanizado capta muito bem em termos de atmosfera que poderão depois encontrar no filme. Se gostarem do trailer americanizado (que para mim até é o melhor trailer), vão certamente gostarem do filme.
Se ainda não têm a certeza, leiam a minha review para [“The Promise”].

p.txt

Portanto, se tiverem um leitor de Blu-Ray, tiverem 15€ + 2€ de portes (caso vivam em Portugal) e gostarem de cinema de fantasia nestes moldes, então a única edição que vocês querem comprar (e precisam mesmo comprar) é a edição à venda na China.
Ainda por cima a edição Blu-Ray chinesa é de REGIÃO ZERO/LIVRE (apesar de não dizer no site) e por isso podem comprá-la mesmo vivendo em qualquer parte do mundo (legendas em inglés com boa legendagem).
É aproveitar enquanto não esgota tal como aconteceu ao dvd de edição especial que quem não comprou, já não compra.
Não comprem mais nada a não ser a edição com esta capa !
Esta é a única edição em Blu-Ray do filme original na sua versão integral.
Ao contrário da edição especial que havia antigamente em dvd (carregada de extras fantásticos) nenhuma das edições Blu-Ray traz qualquer extra e é pena , pois o filme merecia mas não deixem que isso os impeça de adquirir este título, especialmente se gostam de cinema de Fantasia, (com uma banda-sonora fabulosa, já agora).

the promise - br-oriental

Eu sei que esta capa da edição chinesa acima é muito pobrezinha e até foleira; especialmente porque não mostra de todo o conteúdo visual extraordinário que está dentro desta história, mas não se deixem enganar por uma capa bonita. Quem vê caras não vê corações.
A capa da edição ocidental (e americana) é muito melhor e bem mais espectacular, mas esconde no interior do disco uma versão reduzida do filme que vocês não querem de todo ver, por mais do que um motivo até.

A versão remontada para americano ver, não só contêm quase menos meia hora de filme, como ainda por cima muda algumas cenas de lugar e pior ainda; o espectador ocidental tem de comer com uma nova introdução (feita especialmente a pensar no público americano) onde logo (!) nos créditos iniciais explica muito bem explicadinho, onde fica o reino dos bons, onde fica o reino dos maus, quem são os personagens, o que são, o que farão dentro do contexto da história, etc, etc, etc.
Tudo muito bem explicadinho de forma detalhada e onde não faltam inclusivamente uns desenhos feitos á pressa que mostram logo o aspecto de personagens que aparecem ao longo da história e que deveriam pelo menos manter um efeito de mistério, pois o seu visual detém também um impacto dramático na versão original.
Não na versão (americana) ocidental.
Nessa versão explica-se logo tudo muito bem explicadinho não fosse depois o público das pipocas não conseguir distinguir os maus dos bons mais tarde, porque este filme é realmente muito complicado, pois até temos de prestar atenção à história e tudo.

A propósito, já agora fica aqui o aviso… [“The Promise”] foi também editado em Portugal em dvd há alguns anos pelas edições do Fantasporto que são simplesmente o exemplo de como não se edita cinema em video !! A edição dvd Portuga, não só tem uma qualidade de imagem absolutamente inacreditávelmente má, como ainda por cima está num estranho formato semelhante ao 4:3 (que só pode ser invenção portuguesa) cortando toda as paisagens do lado da imagem e destruindo por completo os enquadramentos do filme.
Estas e muitas mais outras desgraças estão descritas neste meu artigo mais antigo sobre as piores edições de filmes orientais alguma vez lançadas em Portugal; inexplicávelmente pelo festival do Fantasporto que deveria ser o primeiro a exigir qualidade e no entanto tem um historial de lançamentos abaixo de cão aqui em Portugal que não tem explicação.

Resumindo, se gostam de cinema de fantasia, gostam do estilo conto de fadas chinês e nunca viram [“The Promise”] não sabem o que perdem.
Se nunca o viram antes, vejam-no em Blu-Ray no maior televisor que encontrarem.

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Mas certifiquem-se que compraram e estão a ver o Blu-Ray de edição chinesa e não compraram por engano a aparentemente mais bonita mas verdadeiramente asquerosa edição ocidental desta filme americanizada à força pelos distribuidores de Hollywood.

Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal (Zhong Kui fu mo: Xue yao mo ling) Peter Pau / Tianyu Zhao (2015) China


Quem diria que por detrás deste festival de maus efeitos digitais estava um filme de fantasia tão interessante…

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é o tipo de cinema de fantasia que é imediatamente atacado por todos os lados pelo público ocidental apenas porque os seus efeitos CGI não prestam. Está portanto visto que para muita gente actualmente, mau CGI = mau filme porque provavelmente para muito público, o Cinema não deve ter mais nada para além disso.

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Este filme geralmente é atacado na net em muitas opiniões ocidentais apenas por causa dos seus efeitos especiais mediocres, como se os efeitos especiais tivessem alguma coisa a ver com a qualidade do cinema enquanto arte.
Se vocês também são daquelas pessoas que acham que um os efeitos especiais definem o que é um bom filme, então é melhor passarem à frente e ignorarem [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”]. Porque sim, os efeitos neste filme são do pior. Às vezes as animações estão mesmo ao nível de um mau jogo para a Playstation One , o que  é tecnicamente trágico.

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Por outro lado, se pensarmos nisto enquanto filme no sentido mais tradicional e esquecendo por momentos os efeitos; será realmente tão mau assim ? Será que a realização é má ? A montagem não presta ? Será que a fotografia é amadora ? Será que não tem actores de jeito o que a história é banal ?
Bem, na verdade não.
Tirando os efeitos especiais, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] foi uma boa surpresa e um filme que se torna verdadeiramente agradável e cativante a cada minuto que passa.

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Percebi logo que não ia ser verdadeiramente insuportável como por exemplo foi “Warriors of the Zu Mountain (versão2)“, mas esperava que fosse uma espécie de fantasia em tom algo pimba (-brega- para o pessoal no Brasil) ao estilo de um “A Chinese Tall Story“; (outro filme onde os atrozes efeitos CGI são reis) mas que acaba por ser um filme simpático se o virmos por um contexto WTF. 😉

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Quanto muito esperava que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] fosse divertido nos primeiros minutos mas depois se tornasse apenas em mais uma extravaganza de porrada digital e animações de computador como aconteceu ainda em “The Monkey King” por exemplo que deu um tiro no pé ao tornar-se tão repetitivo e histérico em termos de porradaria digital.
Resumindo, apesar da má onda inicial em termos técnicos, a verdade é que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] parecia ter ali algo mais.

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E felizmente não me enganei, embora quando o filme acabou duas horas depois eu estivesse realmente surpreendido com o resultado final. Os efeitos digitais não melhoram (até pioram), mas este filme surpreendeu em tudo o resto.
Para quem não gosta de cinema de fantasia, esqueçam, vão ver outra coisa. Para quem gosta de cinema de fantasia mas apenas a vê como sendo aquele molde Dungeons & Dragons inspirado pelo trabalho de Tolkien, então também não é o filme para vocês.

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Agora…quem gosta de cinema de fantasia e percebe a lógica e o contexto do género dentro do estilo chinês e da cultura do conto de fadas na china; ou seja, do conto popular chinês, então [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é um filme a não deixar de ver até ao fim, mesmo que o início lhes pareça algo desinteressante ou pouco original.

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Esta é a história de três reinos: o reino dos céus onde moram os deuses, o plano terrestre onde vivem os humanos e por fim, o inferno onde habitam os demónios.
É a história de um jovem caçador de demónios (treinado por um dos Deuses) que um dia se apaixona por uma bonita “princesa” que na verdade é ela própria um demónio que habita no inferno.

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Enquanto o plano terrestre considera o reino dos céus como o lado bom da origem da sua existência e o reino do inferno como o lado mau que é preciso evitar a todo o custo a verdade é um pouco diferente.

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é na sua essência uma história sobre o Yin Yang e portanto muito espectador ocidental (nomeadamente evangélicos fundamentalistas) irá ficar chocado quando nesta história o Inferno não é retratado como sendo um lugar de sofrimento (ou um sítio mau) mas sim apenas como um reino diferente do reino dos céus, cujo o único pecado é se calhar não ter tido um bom decorador.

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As diferenças entre esses dois planos espírituais, são apenas artificialmente e culturalmente assinaladas pelos humanos no plano terrestre que essencialmente funciona como sendo a dimensão onde se joga o equílibrio entre as forças divinas; equílibrio esse que é fundamental para a harmonia do próprio universo.
Ou seja, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é uma história onde os demónios só aparentam ser maus porque o lado do reino dos céus para a população terrrestre está conotado como sendo o -BEM-; por isso, como diz um dos personagens a certa altura, se o Reino dos Céus representa o Bem, o que sobra então para o Reino do Inferno ser ?!…

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Portanto toda a história é sobre o permanente equílibrio entre o Yin e o Yang e sobre os acontecimentos que um dia colocam em causa a própria existencia do universo quando a luta pelo poder é comum a todos os planos independentemente da conotação cultural ou religiosa atribuída pelos humanos a cada um deles.

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Portanto meus amigos, já perceberam que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é filosóficamente mais complexo do que parece à primeira vista. E sabe muito bem como desenvolver essa complexidade no desenrolar da história. Até o final é particularmente diferente do que esperariamos ver se isto fosse uma produção de Hollywood.

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Curiosamente o início do filme não indica que este se irá tornar em algo mais do que apenas um filme de porradaria fantasiosa com maus efeitos CGI em modo histérico. Os primeiros vinte minutos ou coisa asssim, como já disse não são particularmente interessantes, mas deixem-se ficar e serão recompensados com vários pormenores que irão ficando cada vez mais interessantes.
E por favor, esqueçam os efeitos especiais, eu sei que não valem um corno. Get over it !

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] pelo meio de tudo isto, consegue uma coisa que por exemplo o excelente e algo semelhante em tom “The Promise” não conseguiu; ou seja, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] contém realmente uma história romântica com carísma. O heroi pode parecer um bocado estúpido e grunho, mas a química com a “princesa” da história é tudo aquilo que faltava à parte emocional em “The Promise” e que ficou muito aquém nesse filme.
Aqui a partir de certo momento começamos a gostar de acompanhar a história de amor, pois ela acaba por centralizar todos os acontecimentos dramáticos de uma forma que nem parece particularmente forçada e resulta bem.

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A realização também é muito boa. Tivesse este filme tido bons efeitos digitais e já ninguém do público das pipocas falaria tão mal dele.
A razão porque os efeitos são tão maus é porque eles foram criados por mais de oito companhias diferentes espalhadas pelo mundo, inclusivamente até pela Weta Digital que criou os efeitos para o Lord of The Rings/(Gollum)/The Hobbit; por exemplo.
Como não podia deixar de ser, visualmente os melhores efeitos são precisamente aqueles que têm a ver com o ambiente e com as paisagens mais naturais da história pois o trabalho digital da Weta é sempre de qualidade.

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Pena é que as animações de criaturas não tenham ficado também na mesma companhia, porque na verdade o trabalho das empresas chinesas no que toca à animação dos monstros e até do heroi quando transformado em demónio, é absolutamente inacreditávelmente MAU !
Por outro lado, isso é compensado com uma excelente montagem, pois durante as sequências de acção por exemplo, o editor faz o melhor possível para esconder todas as fraquezas técnicas da coisa e em muitos momentos, principalmente lá para o final do filme até nos consegue fazer esquecer que estamos a ver animações do pior e dotar a aventura de bastante adrenalina e muita dinâmica, até em termos dramáticos surpreendentemente.

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] no que toca a efeitos e paisagens digitais, varia entre o extraordinário e o inacreditávelmente mau ! Alguns cenários são absolutamente incriveis, (os prácticos e reais, são excelentes) mas outros são do pior. As cenas no inferno não conseguem esconder que tudo é filmado em estúdio contra fundo verde pois todos esses cenários estão realmente mesmo mal integrados nas extensões digitais dos mesmos e nota-se à distância.

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Por outro lado o filme é incrivelmente rico em detalhes. O design de produção é fabuloso, os cenários estão inundados de texturas, pormenores e detalhes fascinantes e a própria cinematografia contribui para a qualidade visual em termos gerais, fazendo milagres para se integrar com o mau Cgi constante.

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Em relação aos personagens, este argumento balança um bocado. Há uns muito interessantes, o par romântico e alguns demónios têm carisma, mas depois há personagens secundários que parecem não servir para nada a não ser para compor o cenário e as sua cenas parecem sempre estar a mais ; (por exemplo a irmã e o “cunhado” do heroi). Se calhar por isso [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] também poderá ter um bocadinho de duração a mais, apesar da boa montagem estar sempre presente para tentar limar estas arestas e manter um ritmo coerente em toda a narrativa ao longo das duas horas de filme.

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Como cinema de acção, fantasia e aventura, é realmente divertido. Quem gosta de cinema de super-herois ou em estilo Dragon Ball onde “super-herois” lutam contra “super-vilões” em combates épicos por cenários muito variados; e conseguir abster-se dos maus efeitos, irá divertir-se com este filme certamente.

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Se gostaram de “The Promise” ou de “The Restless“, curtiram os estilos excêntricos de “A Chinese Tall Story” ou até de “The Sorcerer and the White Snke” este [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] está algures entre os dois embora com mais carisma romântico.
Se virem o filme em 3D vale a pena, pois alguns efeitos tridimensionais fazem-nos entrar mesmo dentro das paisagens (neve e cinza a cairem para fora do nosso televisor, por exemplo).

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] supreendentemente é mais do que apenas a típica aventura de porrada CGI. A questão filosófica sobre a natureza do céu/inferno é muito bem usada para potenciar a parte romântica da história e questionar todo o dilema moral sobre o que é ser bom ou mau afinal, num contexto mais cósmico da nossa existência. E não é todos os dias que uma aventura com maus efeitos especiais ainda consegue a nossa atenção pelas questões que levanta e pelos personagens a que consegue dar vida apesar dos problemas técnicos que contém.

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Gostei e surpreendeu-me.
Não é o melhor filme de fantasia do mundo, não é um grande drama e muito menos é cinema romântico indispensável, mas tudo o que faz (exceptuando os efeitos) faz bem e acima de tudo diverte quem gosta de um bom conto de fadas chinês nos moldes mais clássicos.
Quatro tigelas e meia de noodles porque saiu melhor do que parecia ser no inicio.

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A favor: visualmente em termos de design tem momentos fantásticos, excelentes interiores, muitas paisagens são espectaculares e cheias de ambiente, a parte romântica da história resulta, mesmo com maus efeitos especiais algumas cenas de acção são excelentes e muito dinâmicas, a realização é boa e supera as coisas menos boas, boa montagem também, banda sonora épica agradável, o final é diferente e algo subjectivo, se virem a versão 3D vão gostar dos flocos de neve por exemplo.
Contra: os personagens podiam ser mais cativantes no geral, alguns não servem mesmo para grande coisa a não ser fazer parte do cenário, alguns dos cenários não resultam tão bem quanto outros, as animações CGI das criaturas e personagens são absolutamente uma desgraça técnicamente falando e parecem coisas dos primórdios do 3D Studio por volta de 1995 ou saidas de um jogo da Playstation One, algum exagero num par de combates CGI entre super-herois e super vilões.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3585004

Comprar Blu-Ray (atenção- região 3/A apenas)
http://www.play-asia.com/zhong-kui-snow-girl-and-the-dark-crystal-3d2d/13/709pxr

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Se gostou deste vai gostar de:

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Hello, Schoolgirl (Soon-jeong-man-hwa) Jang-ha Ryu (2008) Coreia do Sul


Não. Isto não é um thriller sobre pedófilos babados que fazem esperas às miudas das escolas para lhes oferecerem chupa-chupas.
Mas podia…
No entanto, eu sei que [“Hello, Schoolgirl”] soa um bocado … creepy em estilo pedófilo… ou pelo menos indica logo que o filme vai ser daqueles fofinhos de meter vómito. Pois é…

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Acontece que este é mais do que isso também, sendo uma pequena surpresa e portanto tinha mesmo que o recomendar aqui. Não é obrigatório, mas é um excelente complemento se já viram tudo o que tenho recomendado de melhor neste género romantico oriental.
Além disso pertence àquele tipo de cinema típicamente sul-coreano que nem é comédia, nem é drama pois na verdade é quase um estilo à parte e quando é bem feito tem imenso charme o que é o caso.

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Vocês não sabem, mas eu vejo muitos mais filmes do que aqueles que normalmente até recomendo aqui neste blog. Inclusivamente tenho bastantes que já vi mas que por uma razão ou outra ainda não me apeteceu falar deles.
Pelo meio de tanto filme de vez em quando a minha procura por bom cinema romântico oriental para satisfazer os pedidos reflectidos nas estatísticas deste blog, faz com que me depare com bastantes filmes genéricos do género, pois a Coreia do Sul está cheia de produções assim e à partida parecem todas iguais, pois no oriente também se faz cinema banal.

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Já tenho visto muita coisa de que simplesmente nem vale a pena falar por aqui. Ás vezes nem são maus de todo, mas simplesmente não têm nada que me faça gastar tempo para falar bem ou mal desses títulos.
Por outro lado, este é mais um daqueles que me pedem para recomendar , pois a procura por filmes românticos continua em alta neste blog e sendo assim não podia deixar de passar este título. Simples mas que se recomenda.

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À primeira vista este [“Hello, Schoolgirl”] parecia mais do mesmo e o título não prometia muito também. No entanto deparei-me com alguns comentários pela net que o recomendavam pois parece que o trailer não transmitia a verdadeira essência da história. Sendo assim, fui espreitar e fiquei agradávelmente surpreendido.
Na verdade a principal razão porque estou agora aqui a falar de [“Hello, Schoolgirl”] é porque este é mais um excelente exemplo de um filme muito simpático e cheio de personalidade, mas que jamais seria produzido pelo cinema americano.
É mais um título daqueles que demonstra bem a diferença entre aquilo que são histórias românticas escritas no oriente e os enlatados produzidos a metro sem alma que passam por romance no habitual cinema saído do Hollywood comercial onde tudo tem que ter uma fórmula reconhecível e testada.

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Imagino os autores desta história a tentar encontrar financiamento para
[“Hello, Schoolgirl”] em Hollywood:

– Então e a vossa história é sobre o quê ?…
– Bem na verdade é sobre nada.
– Hm ?
– É sobre dois pares de protagonistas que se apaixonam, sobre guarda-chuvas, estações de metro e máquinas fotográficas.
– E sexo, mete tensão sexual ?
– Bem, o nosso protagonista tem 30 anos e apaixona-se por uma estudante de 18 anos e…
– Isso é  bom, isso é bom…já estamos a ver, máquinas fotográficas, estudantes de liceu, internet…sexo online.
– O senhor não está a perceber a ideia…Também temos um rapaz de de 22 que mente na idade para se aproximar de uma rapariga de 29 anos pois apaixonou-se por ela no metro e…
– Ah, vai ter triângulos amorosos com adolescentes já vi, sexo e…
– Não mete sexo.
– E traições ? Rivalidades , cornos…
– Bem, não… não há conflito entre os personagens de espécie alguma…temos a mãe da rapariga que fica um bocado incomodada por um homem de 30 anos gostar da sua filha e vai lá a casa para f…
– Ah… e esse gajo come a mãe da miuda ! Já estou a ver, a pita chega a casa  e encontra a mãe debaixo do trintão…já estou a ver , isto poderia chamar-se as… 30 Sombras da Traição … é bom, é bom…isto filma-se… já estou a ver a Natalie Portman…
– Mas… ela vai lá a casa só para falar com ele, porque…
– E depois têm a outra de 29 anos que também está desejando de saltar para cima do outro puto, não é ? Já estou a ver as bilheteiras … a polémica…
– Na verdade não. Não se passa nada disso…não há intrigas de qualquer espécie, apenas personagens que passeiam, vão ao cinema, tiram fotos, apanham chuva…
– Vão ao cinema ? Passeiam ?…
– … ehm…de mãos dadas…
– Está a brincar comigo… e accção, porrada, tecnologia ?!
– … e depois eles tiram bonecos de peluche de máquinas de jogos…
– Alguém que me chame o Michael Bay por favor !!!

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[“Hello, Schoolgirl”] distingue-se precisamente por isto. Mais uma vez estamos na presença de uma história romântica que não segue qualquer cliché que estamos habituados a ver no cinema americano; muito menos no cinema sobre adolescentes. [“Hello, Schoolgirl”] apesar do título teen, é mais um daqueles pequenos filmes que se calhar irá agradar muito mais aos mais crescidos, pelos sub-tópicos que aborda sem nunca nos atirar coisas à cara.

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[“Hello, Schoolgirl”] é uma história sobre diferença de idades, mas não da forma melodramática que vocês esperam, faz-nos pensar no assunto sem no entanto pregar qualquer moral ou manipular opiniões; é também um filme sobre o isolamento e a solidão que pode ocorrer na rotina das grandes cidades; ao mesmo tempo é sobre saudade e sobre a forma como esta se pode tornar numa prisão e impedir que coisas boas aconteçam porque não estamos a prestar atenção quando elas aparecem. E é um filme sobre o amor na forma mais simples, sem dramas, preconceitos ou convenções sociais.

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Tudo filmado por entre um argumento que parece nem existir. [“Hello, Schoolgirl”] não tem realmente qualquer tensão dramática da forma que estamos habituados a ver no cinema ocidental e no entanto consegue passar muitas das mesmas mensagens sem precisar de recorrer à tipica cena que já estamos fartos de ver. Aqui não há cruzamentos, mal-entendidos, separações por ciúmes, brigas adolescentes e teen angst ao estilo ocidental.

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[“Hello, Schoolgirl”] é uma história sobre crescer. Sobre o que isso acarreta, sobre o que traz de bom e sobre o que aquilo que parece bom na liberdade de sermos adultos também pode traduzir-se em solidão e incompatibilidade com o mundo em redor.
O filme tem uma duração muito anómala para este tipo de filmes. [“Hello, Schoolgirl”] parecia ser à partida uma daquelas comédias juvenis românticas Sul Coreanas que não chegam aos 90 e no entanto tem practicamente duas horas que passam a correr.
Quando damos por nós, estamos agarrados pelos personagens.

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Curiosamente contêm algumas surpresas, nomeadamente no que toca à resolução das histórias de amor…rapaz de 30, miuda de 29, rapaz de 23, miuda de 18… pronto, está visto onde elas se vão cruzar. Bem, na verdade como boa história de amor sul-coreana, também aqui há um twist. Não é nada do outro mundo, não esperem surpresa, mas justifica o coração emocional do filme e liga vários personagens secundários à trama principal…ou à aparente falta dela.
[“Hello, Schoolgirl”] é realmente um bom exemplo de como podem ser simples as histórias de amor orientais sem nos darem aquilo que sempre esperamos enquanto espectadores.

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Sendo assim, é mais um pequeno grande filme muito simpático que se recomenda vivamente. Os actores são carismáticos, a sua realidade é perfeitamente credível, as suas histórias criam empatia e é um daqueles filmes com alguns momentos fofinhos de meter vómito mas que no entanto resultam e nos fazem entrar para aquele mundo.

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É também um exemplo perfeito daquilo que eu costumo chamar “cinema telemóvel” e que só existe no oriente. Estamos mais uma vez na presença de uma história que só existe nestes moldes porque se inventaram as redes móveis, o wifi e as comunicações móveis. Sub-género em que os Sul Coreanos e os Japoneses são mestres, pois muitos dos diálogos cativantes são precisamente trocados gráficamente com sms no ecran entre os protagonistas em estilo pop-up colorido.

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CLASSIFICAÇÃO

Segundo li, parece que [“Hello, Schoolgirl”] é a adaptação de um Manga ou de um Anime televisivo de segunda linha mas de sucesso e pelo que consta é bastante fiel ao espírito do trabalho original em termos de personagens.
Independentemente de tudo é um título simpático que agradará a quem quiser mais um filminho romântico oriental, daqueles que é um prazer seguirmos até ao fim.
É melhor,  mais adulto e mais profundo do que aparenta no trailer.

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Trés tigelas e meia de noodles sem qualquer problema.

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A favor: é uma história com um sub-texto mais complexo do que aparenta, bons personagens, evita um par de clichés de forma excelente, boas interpretações, tudo muito simpático e duas boas histórias de amor que evoluiem de forma algo diferente do costume, agradará não apenas aos adolescentes mas talvez faça pensar um adulto ou dois.

Contra: o trailer faz o filme parecer mais adolescente do que na realidade é, a história muito simples com uma duração tão longa por vezes equivale a um ou dois momentos desnecessários que quebram um bocado o ritmo a meio do filme.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt1210837

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Be With You Il Mare The Classic

Love Phobia cyborg_she_capinha_73x

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