Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal (Zhong Kui fu mo: Xue yao mo ling) Peter Pau / Tianyu Zhao (2015) China


Quem diria que por detrás deste festival de maus efeitos digitais estava um filme de fantasia tão interessante…

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é o tipo de cinema de fantasia que é imediatamente atacado por todos os lados pelo público ocidental apenas porque os seus efeitos CGI não prestam. Está portanto visto que para muita gente actualmente, mau CGI = mau filme porque provavelmente para muito público, o Cinema não deve ter mais nada para além disso.

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Este filme geralmente é atacado na net em muitas opiniões ocidentais apenas por causa dos seus efeitos especiais mediocres, como se os efeitos especiais tivessem alguma coisa a ver com a qualidade do cinema enquanto arte.
Se vocês também são daquelas pessoas que acham que um os efeitos especiais definem o que é um bom filme, então é melhor passarem à frente e ignorarem [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”]. Porque sim, os efeitos neste filme são do pior. Às vezes as animações estão mesmo ao nível de um mau jogo para a Playstation One , o que  é tecnicamente trágico.

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Por outro lado, se pensarmos nisto enquanto filme no sentido mais tradicional e esquecendo por momentos os efeitos; será realmente tão mau assim ? Será que a realização é má ? A montagem não presta ? Será que a fotografia é amadora ? Será que não tem actores de jeito o que a história é banal ?
Bem, na verdade não.
Tirando os efeitos especiais, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] foi uma boa surpresa e um filme que se torna verdadeiramente agradável e cativante a cada minuto que passa.

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Percebi logo que não ia ser verdadeiramente insuportável como por exemplo foi “Warriors of the Zu Mountain (versão2)“, mas esperava que fosse uma espécie de fantasia em tom algo pimba (-brega- para o pessoal no Brasil) ao estilo de um “A Chinese Tall Story“; (outro filme onde os atrozes efeitos CGI são reis) mas que acaba por ser um filme simpático se o virmos por um contexto WTF. 😉

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Quanto muito esperava que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] fosse divertido nos primeiros minutos mas depois se tornasse apenas em mais uma extravaganza de porrada digital e animações de computador como aconteceu ainda em “The Monkey King” por exemplo que deu um tiro no pé ao tornar-se tão repetitivo e histérico em termos de porradaria digital.
Resumindo, apesar da má onda inicial em termos técnicos, a verdade é que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] parecia ter ali algo mais.

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E felizmente não me enganei, embora quando o filme acabou duas horas depois eu estivesse realmente surpreendido com o resultado final. Os efeitos digitais não melhoram (até pioram), mas este filme surpreendeu em tudo o resto.
Para quem não gosta de cinema de fantasia, esqueçam, vão ver outra coisa. Para quem gosta de cinema de fantasia mas apenas a vê como sendo aquele molde Dungeons & Dragons inspirado pelo trabalho de Tolkien, então também não é o filme para vocês.

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Agora…quem gosta de cinema de fantasia e percebe a lógica e o contexto do género dentro do estilo chinês e da cultura do conto de fadas na china; ou seja, do conto popular chinês, então [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é um filme a não deixar de ver até ao fim, mesmo que o início lhes pareça algo desinteressante ou pouco original.

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Esta é a história de três reinos: o reino dos céus onde moram os deuses, o plano terrestre onde vivem os humanos e por fim, o inferno onde habitam os demónios.
É a história de um jovem caçador de demónios (treinado por um dos Deuses) que um dia se apaixona por uma bonita “princesa” que na verdade é ela própria um demónio que habita no inferno.

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Enquanto o plano terrestre considera o reino dos céus como o lado bom da origem da sua existência e o reino do inferno como o lado mau que é preciso evitar a todo o custo a verdade é um pouco diferente.

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é na sua essência uma história sobre o Yin Yang e portanto muito espectador ocidental (nomeadamente evangélicos fundamentalistas) irá ficar chocado quando nesta história o Inferno não é retratado como sendo um lugar de sofrimento (ou um sítio mau) mas sim apenas como um reino diferente do reino dos céus, cujo o único pecado é se calhar não ter tido um bom decorador.

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As diferenças entre esses dois planos espírituais, são apenas artificialmente e culturalmente assinaladas pelos humanos no plano terrestre que essencialmente funciona como sendo a dimensão onde se joga o equílibrio entre as forças divinas; equílibrio esse que é fundamental para a harmonia do próprio universo.
Ou seja, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é uma história onde os demónios só aparentam ser maus porque o lado do reino dos céus para a população terrrestre está conotado como sendo o -BEM-; por isso, como diz um dos personagens a certa altura, se o Reino dos Céus representa o Bem, o que sobra então para o Reino do Inferno ser ?!…

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Portanto toda a história é sobre o permanente equílibrio entre o Yin e o Yang e sobre os acontecimentos que um dia colocam em causa a própria existencia do universo quando a luta pelo poder é comum a todos os planos independentemente da conotação cultural ou religiosa atribuída pelos humanos a cada um deles.

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Portanto meus amigos, já perceberam que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é filosóficamente mais complexo do que parece à primeira vista. E sabe muito bem como desenvolver essa complexidade no desenrolar da história. Até o final é particularmente diferente do que esperariamos ver se isto fosse uma produção de Hollywood.

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Curiosamente o início do filme não indica que este se irá tornar em algo mais do que apenas um filme de porradaria fantasiosa com maus efeitos CGI em modo histérico. Os primeiros vinte minutos ou coisa asssim, como já disse não são particularmente interessantes, mas deixem-se ficar e serão recompensados com vários pormenores que irão ficando cada vez mais interessantes.
E por favor, esqueçam os efeitos especiais, eu sei que não valem um corno. Get over it !

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] pelo meio de tudo isto, consegue uma coisa que por exemplo o excelente e algo semelhante em tom “The Promise” não conseguiu; ou seja, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] contém realmente uma história romântica com carísma. O heroi pode parecer um bocado estúpido e grunho, mas a química com a “princesa” da história é tudo aquilo que faltava à parte emocional em “The Promise” e que ficou muito aquém nesse filme.
Aqui a partir de certo momento começamos a gostar de acompanhar a história de amor, pois ela acaba por centralizar todos os acontecimentos dramáticos de uma forma que nem parece particularmente forçada e resulta bem.

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A realização também é muito boa. Tivesse este filme tido bons efeitos digitais e já ninguém do público das pipocas falaria tão mal dele.
A razão porque os efeitos são tão maus é porque eles foram criados por mais de oito companhias diferentes espalhadas pelo mundo, inclusivamente até pela Weta Digital que criou os efeitos para o Lord of The Rings/(Gollum)/The Hobbit; por exemplo.
Como não podia deixar de ser, visualmente os melhores efeitos são precisamente aqueles que têm a ver com o ambiente e com as paisagens mais naturais da história pois o trabalho digital da Weta é sempre de qualidade.

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Pena é que as animações de criaturas não tenham ficado também na mesma companhia, porque na verdade o trabalho das empresas chinesas no que toca à animação dos monstros e até do heroi quando transformado em demónio, é absolutamente inacreditávelmente MAU !
Por outro lado, isso é compensado com uma excelente montagem, pois durante as sequências de acção por exemplo, o editor faz o melhor possível para esconder todas as fraquezas técnicas da coisa e em muitos momentos, principalmente lá para o final do filme até nos consegue fazer esquecer que estamos a ver animações do pior e dotar a aventura de bastante adrenalina e muita dinâmica, até em termos dramáticos surpreendentemente.

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] no que toca a efeitos e paisagens digitais, varia entre o extraordinário e o inacreditávelmente mau ! Alguns cenários são absolutamente incriveis, (os prácticos e reais, são excelentes) mas outros são do pior. As cenas no inferno não conseguem esconder que tudo é filmado em estúdio contra fundo verde pois todos esses cenários estão realmente mesmo mal integrados nas extensões digitais dos mesmos e nota-se à distância.

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Por outro lado o filme é incrivelmente rico em detalhes. O design de produção é fabuloso, os cenários estão inundados de texturas, pormenores e detalhes fascinantes e a própria cinematografia contribui para a qualidade visual em termos gerais, fazendo milagres para se integrar com o mau Cgi constante.

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Em relação aos personagens, este argumento balança um bocado. Há uns muito interessantes, o par romântico e alguns demónios têm carisma, mas depois há personagens secundários que parecem não servir para nada a não ser para compor o cenário e as sua cenas parecem sempre estar a mais ; (por exemplo a irmã e o “cunhado” do heroi). Se calhar por isso [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] também poderá ter um bocadinho de duração a mais, apesar da boa montagem estar sempre presente para tentar limar estas arestas e manter um ritmo coerente em toda a narrativa ao longo das duas horas de filme.

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Como cinema de acção, fantasia e aventura, é realmente divertido. Quem gosta de cinema de super-herois ou em estilo Dragon Ball onde “super-herois” lutam contra “super-vilões” em combates épicos por cenários muito variados; e conseguir abster-se dos maus efeitos, irá divertir-se com este filme certamente.

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Se gostaram de “The Promise” ou de “The Restless“, curtiram os estilos excêntricos de “A Chinese Tall Story” ou até de “The Sorcerer and the White Snke” este [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] está algures entre os dois embora com mais carisma romântico.
Se virem o filme em 3D vale a pena, pois alguns efeitos tridimensionais fazem-nos entrar mesmo dentro das paisagens (neve e cinza a cairem para fora do nosso televisor, por exemplo).

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] supreendentemente é mais do que apenas a típica aventura de porrada CGI. A questão filosófica sobre a natureza do céu/inferno é muito bem usada para potenciar a parte romântica da história e questionar todo o dilema moral sobre o que é ser bom ou mau afinal, num contexto mais cósmico da nossa existência. E não é todos os dias que uma aventura com maus efeitos especiais ainda consegue a nossa atenção pelas questões que levanta e pelos personagens a que consegue dar vida apesar dos problemas técnicos que contém.

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Gostei e surpreendeu-me.
Não é o melhor filme de fantasia do mundo, não é um grande drama e muito menos é cinema romântico indispensável, mas tudo o que faz (exceptuando os efeitos) faz bem e acima de tudo diverte quem gosta de um bom conto de fadas chinês nos moldes mais clássicos.
Quatro tigelas e meia de noodles porque saiu melhor do que parecia ser no inicio.

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A favor: visualmente em termos de design tem momentos fantásticos, excelentes interiores, muitas paisagens são espectaculares e cheias de ambiente, a parte romântica da história resulta, mesmo com maus efeitos especiais algumas cenas de acção são excelentes e muito dinâmicas, a realização é boa e supera as coisas menos boas, boa montagem também, banda sonora épica agradável, o final é diferente e algo subjectivo, se virem a versão 3D vão gostar dos flocos de neve por exemplo.
Contra: os personagens podiam ser mais cativantes no geral, alguns não servem mesmo para grande coisa a não ser fazer parte do cenário, alguns dos cenários não resultam tão bem quanto outros, as animações CGI das criaturas e personagens são absolutamente uma desgraça técnicamente falando e parecem coisas dos primórdios do 3D Studio por volta de 1995 ou saidas de um jogo da Playstation One, algum exagero num par de combates CGI entre super-herois e super vilões.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3585004

Comprar Blu-Ray (atenção- região 3/A apenas)
http://www.play-asia.com/zhong-kui-snow-girl-and-the-dark-crystal-3d2d/13/709pxr

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The Arti: The Adventure Begins (The Arti: The Adventure Begins) Huang Wen Chang (2015) China


Quem se está sempre a queixar de que o cinema nunca mais traz nada de novo, ou que o género da Fantasia precisa de mostrar mais frescura após tanto clone do Lord of the Rings aparecer no mercado tem aqui em [“The Arti: The Adventure Begins”] uma excelente opção. A não ser que achem que os filmes de bonecos são apenas para crianças, porque desta vez isto nem sequer é um desenho animado. A sério…

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[“The Arti: The Adventure Begins”] é um live-action, completamente produzido com fantoches.
Não com marionetas de fios mas com tradicionais fantoches de madeira (controlados por pau e luva), parte de uma técnica tradicional de contar histórias muito enraizada na cultura popular da China e que actualmente tem o seu expoente máximo (segundo dizem os entendidos),  no trabalho da familia Huang que há várias gerações não deixa morrer esta arte e continua a entreter plateias com os seus espectáculos pelo oriente.

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Parece que a familia Huang, já no início dos anos 2000 produziu um outro filme de aventuras com a mesma técnica que correu vários festivais (“Legend of the Sacred Stone“) e destacou-se pela positiva, mas em 2015 com [“The Arti: The Adventure Begins”] regressou em força naquela que já é considerada pelos especialistas na matéria como a melhor demonstração de que a arte da manipulação de fantoches tradicionais está bem viva pelas bandas da China e recomenda-se vivamente; especialmente a quem não a conhece. Nomeadamente, nós aqui no ocidente.

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[“The Arti: The Adventure Begins”] é por isso um espectáculo visual único e que surpreendentemente resulta plenamente em filme por muito estranho que pareça. Inicialmente estranhamos estar a ver uma história onde os personagens falam mas não mexem a boca mas logo ultrapassamos essa barreira passados alguns minutos.
Curiosamente, eu até nem acho que a história seja particularmente criativa, pois vai buscar a tradicional aventura de contornos ecológicos que practicamente toda a gente já viu ultimamente em “Avatar” de James Cameron, pois em muitos momentos sentimos uma semelhança total nos temas, na abordagem às forças da natureza, etc. Agora onde [“The Arti: The Adventure Begins”] realmente brilha é na sua execução.

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Tanto na parte técnica como na forma como já a meio do filme conseguiu humanizar aqueles bonecos de madeira sem o espectador se dar conta [“The Arti: The Adventure Begins”] é notavel. A partir de certa altura, logo adivinhamos o que irá acontecer na história mas mesmo assim o filme lá para o final depois de se arrastar um bocado ao início consegue com fantoches, criar mais tensão dramática do que muito suposto cinema sério em estilo live-action, embora não esteja livre de falhas narrativas, (mas já lá vamos).

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[“The Arti: The Adventure Begins”] tem deixado de boca aberta muito crítico de cinema de artes marciais. Não por conter algo de novo no género em termos de estrutura mas por ser absolutamente fascinante que alguém tenha conseguido criar com fantoches de madeira e luva sequências de acção tão surpreendentes. Isto porque os bonecos não só executam coreografias dinâmicas (saltando e rodopiando pelo ar) como ainda por cima interagem fisicamente com o cenário de uma forma que nunca vimos num espectáculo de fantoches ou marionetes (quando aterram por exemplo no chão rachando tudo em redor).

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Os cenários são absolutamente perfeitos para o desenrolar da acção sem perder aquele tom “artesanal” de uma produção teatral tradicional, os ambientes onde decorre a história são extremamente variados e as paisagens épicas conseguem surpreender por completo; tudo complementado com uma boa fotografia e acima de tudo uma montagem frenética absolutamente perfeita nas cenas de acção onde não se perde um fotograma de pormenor.
Eu nem consigo imaginar como será o storyboard deste filme pois cada cena de acção é uma sucessiva montagem de pequenos segmentos editados com a precisão de um relógio suíço, só comparável talvez ao pormenor encontrado nas partes de artes-marciais do filme “The Grandmaster” de Wong Kar Wai. E acreditem que isto é dizer muito quando se trata de um filme baseado em bonecos de madeira, manipulados por debaixo dos cenários pela familia Huang segurando em paus que estão colados a cada personagem ou através de luva.

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[“The Arti: The Adventure Begins”] tem também outra coisa surpreendente e que raramente se vê no cinema moderno de grande espectaculo actualmente. [“The Arti: The Adventure Begins”] tem uma boa dose de animação CGI mas usada de uma forma absolutamente contida e muito inteligente.
Este filme poderia ter descambado facilmente em mais um exagero de animação de computador e efeitos digitais, o que iria desviar por completo a atenção dos personagens, mas tal nunca acontece.
Há bastante CGI em [“The Arti: The Adventure Begins”] , mas apenas está usado para complementar pequenos pormenores da manipulação tradicional dos fantoches de madeira.

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Ou seja, o CGI é usado para por exemplo, adicionar água, rios, cascatas aos cenários construidos em maquetas de verdade, adicionar vento às tempestades de areia, fazer chover ou em pequenos efeitos de magia quando essa parte acontece na história. Em nenhum desses momentos o CGI chama a atenção para si e logo esquecemos que ele lá está, o que não deixa de ser fantástico pois tudo está planeado para fazer brilhar a milenar técnica de manipulação de fantoches. O CGI não substitui nada, não está ali para impressionar, está ali para complementar e nada mais.

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Aqui e ali é usado para animar um par de personagens secundários num estilo mais cartoon e mesmo nesses momentos a integração com os seus “colegas” actores de madeira é perfeita e nunca se sente a intrusão desnecessária da animação de computador onde não deveria estar.
[“The Arti: The Adventure Begins”] foi filmado em 3D mas ainda não vi essa versão. Quem já a viu diz que é perfeitamente desnecessária neste caso, pois o próprio 3d nem sequer estará muito explorado e portanto por mim pouco importa.

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Apesar de tudo isto me ter surpreendido, [“The Arti: The Adventure Begins”] também tem algumas coisas que não me cativaram e por isso não lhe dou uma classificação mais alta.
Para começar a história é realmente desinteressante em termos de estrutura, pois já vimos aquilo antes tanto em Avatar como mais rencentemente na animação “Epic”. Não há nada de supreedente a acontecer no filme inteiro e a imaginação não brilha particularmente no que toca ao argumento. Um filme como este com uma história realmente inovadora ou original teria sido extraordinário, assim como está perde muitos pontos porque acaba por se arrastar numa narrativa que não deslumbra ninguém.
Curiosamente já tinha acontecido o mesmo a outro filme com marionetes europeu que saiu há alguns anos, “Strings“, que cometeu a parvoíce de adaptar Shakespeare em vez de criar a sua própria história e portanto também nesse a coisa falhou por tudo ser absolutamente e aborrecidamente previsível em termos de argumento.

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Pessoalmente [“The Arti: The Adventure Begins”], também tem uma coisa que não gosto. Com excepção do próprio “Arti”, o “robot” de madeira e do fabuloso pássaro CGI em estilo cartoon vermelho muito divertido, eu não gosto nada do estilo visual dos bonecos. Em termos de design seguem exactamente aquele visual espampanante muito estilizado que se costuma ver principalmente em mmorpgs chineses onde cada guarda roupa está cheio de floreados em exagero, os personagens usam joias e acessórios “de moda” por todo o lado e os penteados parecem saídos de uma qualquer passagem de modelos espampanantes.
Isto é apenas uma opinião pessoal, mas detesto mesmo o aspecto destes fantoches.

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Por exemplo o estilo Anime ou Manga japonês é mais contido e simplificado até mesmo quando os seus herois têm um visual extravagante. O estilo japonês parece mais baseado na simplicidade e no design pensado para ser único e parte da personalidade de cada personagem. Já o estilo chinês presente em [“The Arti: The Adventure Begins”] e em muitos produtos saídos da China, parece apenas contar com o exagero e ser baseado no exibicionismo over the top como se este fosse suficiente para criar personagens com boa identidade visual.  Não funciona. Acho eu. Pessoalmente irrita-me.

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[“The Arti: The Adventure Begins”] depois também desperdiça um dos melhores bonecos que criou; precisamente o cómico pássaro vermelho que a partir de certa altura parece vir a ser um dos pontos fortes da aventura, mas depois raramente é usado para qualquer coisa para além de um par de piadas engraçadas e que sabem a pouco.
Talvez porque o personagem é produzido em CGI alguém decidiu cortar-lhe o protagonismo pois destoaria demasiado do resto. Talvez por falta de orçamento para animação, até porque o heroi “Arti” em algumas sequências é substituído por breves segundos de animação digital e portanto muita da verba deve ter ido para esse fim também.
Curiosamente este filme falha onde por exemplo “Dragon Nest: Warriors Dawn” acerta em cheio. Falta carísma a estes personagens na aventura de Arti.

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E pronto, não há muito mais para comentar sobre este titulo que vale a pena ser visto.
Em relação à história segue o habitual. Depois da morte do seu pai o jovem Mo pretende cumprir o seu ultimo desejo e encontrar a fonta do poder mágico que este um dia usou para criar “Arti-C”, uma espécie de robot sentiente feito de madeira (num excelente estilo steampunk) pois a energia deste está a esgotar-se e há que evitar que morra. Com a sua irmã a espadachim, Tong o grupo viaja por enumeros reinos e paisagens, encontra exércitos, monstros, vilões, deusas e poderes mágicos e no fim quando a Origem do poder é localizada têm de tomar uma decisão que poderá colocar em causa toda a razão da sua demanda.

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CLASSIFICAÇÃO:

Em termos técnicos é um triunfo que o torna de visão obrigatória, especialmente para quem gosta de cinema de fantasia ou até mesmo de artes-marciais cinematográficas.
É tudo tão bem feito que quase se desculpa o pouco carisma ou interesse que a maioria das personagens tem durante quase toda a história. A tensão do segmento final acaba por redimir um pouco essa fragilidade mas mesmo assim [“The Arti: The Adventure Begins”] merecia ter tido uma história espectacularmente original que fizesse justiça ao excelente aspecto técnico de toda esta produção e não tem.
É mesmo um filme muito bom e supreendente mas uma narrativa algo arrastada e desinteressante  nos momentos em que não conta com cenas de acção no ecran retira-lhe alguns pontos que merecia ter tido. Esperemos que isto seja corrigido na sequela que de certeza irá ter.
Por agora, quatro tigelas de noodles, pois é muito bom naquilo em que acerta em cheio.

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A favor: Extremamente bem feito no que toca à manipulação de fantoches de madeira, óptimos cenários e paisagens de fantasia, excelentes e surpreendentes cenas de acção, excelente montagem nas sequências de acção, excelente uso contido de efeitos CGI para complementar tudo o resto, o personagem do passaro vermelho tem potencial que espero venha a ser explorado na sequela. Sente-se que é um produto “artesanal” a todo o instante e não tentam esconder isso. Como filme de fantasia é uma abordagem bastante interessante. Gosto que tenha um sabor steampunk também no visual dos mecanismos, rodas dentadas e tecnologia do mundo de fantasia em geral.
Contra: a história não é particularmente cativante por ser previsivel demais e os próprios diálogos não ajudam os personangens a criar grande empatia com o espectador, talvez o filme tenha duração a mais e uns minutos a menos iriam torná-lo bem mais dinâmico certamente, pessoalmente detesto o estilo visual dos bonecos exceptuando Arti (e o pássaro vermelho) que estão fantásticos, o pássaro tinha potencial mas não tem o destaque que parecia ir ter ao início.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER 1

TRAILER 2

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4839422

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The Drumer – O Coração da Montanha (Zhan. gu) Kenneth Bi (2007) China-Hong Kong


Gosto quando me aparecem pela frente filmes orientais de que eu nunca tinha ouvido falar e em particular quando encontro esses filmes à venda em dvd selado por apenas 1€.
Ainda mais surpreendido fico quando encontro edições portuguesas com cinema oriental que não é apenas cinema de porrada. Alguém deve-se ter enganado ao editar isto por cá…

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Este [“The Drummer”], foi realmente uma surpresa a vários níveis. Primeiro por ter encontrado à venda em Portugal aqui mesmo ao lado de casa um filme oriental que não era de Kung-Fu (embora como se demonstra bem na história não deixe de ser sobre uma arte-marcial de pleno direito também); depois por não ser um filme de Kung-Fu quando inclusivamente o actor principal curiosamente é filho do Jackie Chan.

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Desconhecia por completo a existência deste filme apesar de já datar de 2007 e nem fazia ideia que o Jackie Chan tinha um filho, quanto mais um filho actor; por isso foi com enorme curiosidade que comprei este verdadeiro filme oriental perdido aqui pelo reino de Portugal e dos Algarves. E ainda bem que o fiz, pois [“The Drummer”] foi realmente um achado apesar das suas fragilidades.

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Na net alguém descreve esta história como uma espécie de cruzamento entre o “Karate Kid” e o “Scarface” e penso que acerta em cheio, pois foi exactamente o que eu também pensei.
Na verdade não se pode dizer que o filme seja particularmente original. Já vimos esta história mil e uma vezes, tanto na sua vertente gangster como na sua vertente mais Zen.
Mais uma vez levamos com a velha história do puto rebelde que ao encontrar uma comunidade com que se identifica, vai aos poucos se inserindo naquele mundo, treinando, evoluindo e aprendendo as inevitáveis lições de vida pelo caminho, que de vermos tantos filmes iguais também já todos nós as decoramos.

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Não há mesmo nada de original em [“The Drummer”].
A parte mafiosa então ainda é mais formulática do que a  vertente budista e não fosse tudo isto estar particularmente bem filmado, o filme poderia ser bastante esquecível no seu todo, pois a nível de argumento tudo é por demais mediano e sem particulares surpresas ou grandes pontos de interesse.
No entanto [“The Drummer”] é uma curiosa mistura de dois géneros que funcionam mesmo muito bem como um todo produzindo um filme coerente muito agradável de se ver ao longo dos seus 108 minutos de duração que se suportam facilmente.

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A parte gangster está narrada com bastante energia, intensidade e até consegue sugerir maior violência do que na realidade se calhar tem. Aqui nota alta, para o veterano Tony Leung Ka Fai (não confundir com o Tony Leung dos filmes e Wong Kar Wai), que tem aqui uma das melhores e mais carismáticas interpretações que me lembro de ter visto dele em vários anos. É excelente na pelo do gangster ultra-violento mas nem por isso menos falível e até humano que está no centro de toda a narrativa mafiosa da história.
Aliás se há uma coisa que [“The Drummer”] tem de excelente é todo o casting.  Inclusivamente Chan que dá perfeitamente conta do recado como protagonista.

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Jaycee Chan compõe um bom personagem central e apesar do estereotipo de todo o argumento consegue passar muito para além do típico personagem de cartão que se esperaria. Tenho que procurar trabalhos mais recentes deste tipo com toda a certeza.
Curiosa escolha também em termos de filme, pois pela minha parte esperaria que um filho de Jackie Chan andasse pelo mesmo género de cinema acrobático do pai; neste caso nota-se que o actor provavelmente tentou realmente evitar o estereotipo e em vez disso escolheu um filme como este que propõe uma carga filosófica em vez de distribuir cargas de porrada.
Não que o argumento seja grande maravilha, espiritualmente falando, mas é uma boa tentativa de criar mais uma história do género usando algo que normalmente não se encontra neste tipo de narrativas.

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Em vez de levarmos com mais outro filme de Karaté desta vez temos um filme sobre a milenar arte chinesa do tambor e diga-se de passagem que proporciona momentos empolgantes ao longo da história pois todas as sequências que envolvem o instrumento são interpretadas pela verdadeira banda U-Theater, que pelo visto será bastante popular, mesmo a nível mundial dentro deste género de performances musicais. Aliás quase todos os personagens secundários ligados a essa parte de inspiração budista na história são interpretados pelos verdadeiros membros do grupo e não por actores profissionais e tudo resulta perfeitamente.

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De resto não há grande coisa mais a dizer sobre este filme. Se o encontrarem em dvd a 1€ também é de compra obrigatória pois é um daqueles filmes que faz tudo bem, tem alguns momentos muito intensos e até bastante divertidos e vale mesmo a pena juntarem á vossa colecção de cinema oriental.
Penso que a sua única falha estará apenas na falta de originalidade total do argumento e nem a mistura de géneros, bem feita por sinal, resolve a coisa.
Curiosamente temos aqui um filme que não explora propriamente o inevitável romance entre o “casal” da história. Ao contrário do que eu estava à espera por acaso desta vez toda relação dos protagonístas é tratada de uma forma mais contida do que eu estava à espera de encontrar e nem sequer entra pelo triângulo amoroso do costume que poderia muito bem ter entrado.

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Na verdade ainda não me decidi se a falta de cliché romântico mais exacerbado neste caso será um ponto positivo ou negativo. Por tudo o resto ser tão inconsequente em termos de verdadeira emotividade, se calhar não ficaria nada mal a [“The Drummer”] também ter entrado pelo lado mais comercial da costumeira história de amor ao estilo cinema oriental. Isto porque apesar da coisa neste caso não se ter tornado um cliché, se calhar deveria ter seguido esse caminho também, já que o faz no resto do filme todo mas no que toca à história de amor parece que se conteve demais. Pelo menos eu fiquei com essa ideia. Talvez porque os personagens estão bem caracterizados e de certa forma toda a parte romântica ser tão contida acabou por desperdiçar o trabalho dos actores. Digo eu…na verdade ainda estou a pensar sobre isto. Também não interessa muito para o resultado final.

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Portanto relativamente a coisas menos boas, o único que realmente se pode apontar a [“The Drummer”] será não surpreender, nem ter própriamente grande suspanse em lado nenhum, o que em última análise acaba por descaracterizar um pouco a história e o esforço dos actores em comporem bons personagens que foram algo desperdiçados no meio de tanta mediania.
O filme balança algures entre a intensidade violenta de um “Scarface” e o mais surporífero de um “Karaté Kid”.
Em algumas partes também pisca o olho a cinema mais contemplativo na linha do “Primavera, Verão, Outono, Inverno” do conceituado cineasta-autor Kim Ki Duk embora sem o estilo gélido.
Nota-se isso até na forma como a natureza está filmada muitas das vezes. Apenas está lá. Visualmente nunca é muito trabalhada em termos de filtros e são essencialmente imagens “cruas” dos locais.

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E por falar nisso, apesar de [“The Drummer”] ser algo fechado em termos de ambiente, pois foca-se mais nas personagens do que própriamente nos ambientes, não deixa de se abrir em certos momentos e quando o filme mostra paisagens podemos contar com imagens bastante atmosféricas. Não serão propriamente épicas, mas este também não é um filme que necessite delas. É quase um bonús, mais para evidenciar a carga contemplativa e a própria filosofia budista do que própriamente porque a história necessitaria de imagens assim.

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CLASSIFICAÇÃO

[“The Drummer”]  é um filme muito simpático que se recomenda vivamente.
Já viram isto mil vezes, mas este tem a vantagem de ter um bom par de personagens carismáticas e cativantes.
Não é de todo a maravilha de filme que a publicidade presente nos festivais ocidentais apregoa nos cartazes mas também não tem nada de mau. Podia ser um daqueles que se vê e se esquece rápidamente mas graças a uma boa realização, uma história com alguma energia, boas interpretações e personagens carismáticos consegue ser um daqueles filminhos que ficará bem em qualquer colecção, que se recomenda vivamente para ser visto pelo menos uma vez e quem sabe até nem seja um daqueles que mais tarde ou mais cedo acabaremos por ter vontade de o rever.
Trés tigelas e meia de noodles. Só não leva mais por causa da falta total de originalidade que lhe retira muito do seu brilho e acaba até por embaciar o excelente trabalho que os actores fazem neste filme muito interessante mesmo.

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A favor: alterna bem entre dois estilos de cinema, tem um par de personagens carismáticos, o trabalho de todos os actores globalmente é excelente pois raramente esta história contém um personagem desinteressante, a parte gangster tem momentos bem violentos e intensos que contrastam totalmente com a parte Zen, o lado mais filosófico  não deixa de ter o seu carísma, a história consegue contornar alguns clichés e segue por pequenos rumos agradáveis de seguir, todas as sequência que envolvem tambores são fascinantes e apetece-nos ir bater num tambor a seguir a isto.
Mal ou bem, é mil vezes melhor que o remate gringo do Karaté Kid. Na verdade é bem melhor que qualquer Karaté Kid original até. E de certa forma até mais educativo.

Contra: já vimos isto mil vezes e quem já não pode mais com o cliché do “Karaté Kid” sobre o puto que vai treinar artes marciais com velhos mestres então é melhor evitar isto. Os dois estilos de filme também podem irritar tanto quem procura apenas um filme de gangsters como quem procura apenas algo mais contemplativo porque neste caso estão os dois em momentos alternados.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=fV-66ZoKVjY&feature=kp

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Comprar
No ocidente não existe, no oriente está esgotado, em Portugal se ainda econtrarem o dvd provavelmente estará no cesto das promoções esquecidas de qualquer shopping ou casa dos penhores (onde eu descobri o meu, selado ainda).

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0831386

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Outro filme que cruza o género gangster com um segundo estilo:

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Hk Forbidden Hero (HK: Hentai Kamen) Yûichi Fukuda (2013) Japão


Ainda há poucas semanas atrás atribuí pela primeira vez a classificação de zero tigelas de noodles a um filme neste blog e portanto depois de “Visage” eu pensei que pior que aquela desgraça não podia haver.
Bem-vindos a [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”].
Um filme de Cock-Fu.

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Sim, eu disse cock-fu. Não conhecem esta arte marcial milenar ?
Quando eu pensava que já tinha visto tudo no que toca a cinema inacreditável saído do oriente eis que o Japão decide mostrar-me mais uma vez que se calhar eu ainda não vi foi nada !
[“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] é um daqueles filmes que nem merece sequer zero tigelas de noodles, porque na verdade este filme não tem classificação possível.
Se calhar eu deveria arranjar por aqui uma outra escala de valor  para títulos como este pois uma obra assim é quase um género de cinema à parte !
Até eu que pensava que já tinha visto tudo o que havia para ser visto dentro do cinema chunga hilariante fiquei surpreendido.
Ao pé disto, coisas como “Sex is Zero“, “Sexual Parasite Killer Pussy” e “Sars Wars” parecem inocentes filmes da Disney.

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Na verdade eu estava a ver o raio do filme e só me perguntava se uma coisa como [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] não poderá ser também classificada como cinema de autor…
Quer dizer, isto à primeira vista está nos antípodas do género, porque cinema mais ultra comercial penso que seria impossível alguém conseguir fazer; mas pessoalmente eu acho que o filme, está tão à frente mas tão à frente que ainda tudo o resto ainda vai atrás e já isto deu a volta a todos os géneros possíveis e imaginários da história do cinema, acabando inevitávelmente por tocar no estilo de cinema de autor…mas de uma forma totalmente diferente.

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Senão vejamos, [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] é um série B japonês que mais parece um série Z a maior parte do tempo, tem um estilo tão alucinado e tão comercial que acaba por criar uma assinatura pessoal. Uma marca única. Um novo género cinematográfico por si só. E isto é dizer muito, considerando que eu já vi coisas como “Sars Wars” por exemplo…
Este é o tipo de filme que fica cravado na nossa memória, não só por tudo o que contém de genialmente inacreditável mas pelo próprio estilo de realização. Que na verdade não tem estilo nenhum. Ou tem…
Mau.
Ou se calhar é de génio. Ou genialmente mau.

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Aposto com vocês que eu quando vir a próxima…ehmobra…deste realizador eu nem precisarei de ler o nome de quem o fez para perceber que se trata de mais um filme de Yûichi Fukuda pois este desgraçado para o mal e para o bem já não me sai da cabeça tão cedo.
Portanto a partir do momento em que um gajo consegue um estilo tão demarcado e um produto tão genialmente mau (?) que se torna brilhante…para mim é um – autor – e quero lá saber dos génios da 7º arte que ganham festivais.
Este gajo é um génio.

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Eu não sou própriamente fã de filmes de super-herois mas abro uma excepção para  [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] mesmo sem fazer a mínima ideia do que acho sobre ele. Não sei se isto será o pior filme que alguma vez vi, porque por outro lado é um sério candidato ao melhor filme lixo que me passou pela frente em muitos anos e um verdadeiro filme de culto á espera de ser descoberto. Perfeito para um destes dias também aparecer mencionado no meu blog de cinema de culto e FC, o esquecido… “Universos Esquecidos”…
Pelo que me apercebi, é a adaptação de um Manga já com um grande culto lá pelo Japão e se a BD for metade do que o filme conseguiu mostrar, então só pode ser absolutamente genial.

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[“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] tem a maior colecção de cenas parvas e inacreditáveis que vi em anos. Possivelmente um dos filmes com as piadas mais estúpidas que vi em muito tempo mesmo.
Mas por outro lado praticamente tudo nisto funciona à brava e consegue divertir o espectador porque quando pensamos que a história não pode descer mais baixo o filme entra por patamares de ver para crer.

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O que deve querer dizer que não vamos ver o remate americano deste filme tão cedo. A não ser que o Nicholas Cage aceite passear pelo set de cueca e meia de liga sexy e aí eu pagava para ver.
[“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] é o super heroi mais genial de todos os tempos. É uma espécie de Homem Aranha japonês que vai buscar os seus poderes quando coloca na cara cuecas usadas de colegiais e se transforma no Panties-Man o super-heroi mais ehm … sexy (?) de todos os tempos ?…

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Nada falta neste filme. Desde as poses hilariantes do personagem até aos piores super-vilões que alguma vez apareceram no género; tudo em  [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”]  parece estar feito para nos provocar estupefacção constante. Passamos o filme todo sem acreditar no que estamos a ver e se calhar é esse o grande truque do realizador para nunca percebermos como o raio do filme é do piorio. Ou será que não é ?… As cenas de luta são do mais rasca e amador possível, o suspanse não é para aqui chamado e tudo parece orquestrado para nos destruir o cérebro. Ah, e já agora se pensam que isto é uma cena gay qualquer, esqueçam, isto é muito mais à frente do que tudo aquilo em que vocês possam pensar.

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E quem pensa que o personagem do Panties-Man bate todos os recordes de qualquer coisa para lá de indiscritível então é porque ainda não viu a mãe do herói que é striper-sado-maso e ao mesmo tempo uma séria candidata ao personagem mais inútil de todos os tempos. Por outro lado é mais um boneco genial que dá ao filme uma estranha aura de qualquer coisa que eu também não consigo definir.
Cromos é que não faltam em  [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] , o vilão usa trancinhas à Willie Nelson e come pernas de galinha como um porco javardo, os super vilões que aparecem a desafiar o jovem herói são de ver para crer e claro não podia faltar a miúda fofinha que está perdidamente apaixonada pelo Panties-Man.

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Eu estou para aqui a escrever mas na verdade estou a inventar coisas em modo automático para dizer, porque o cérebro ainda não recuperou e portanto esta review um dia destes ainda irá sofrer uma qualquer revisão radical quando eu me aperceber realmente do que acabei de ver.
[“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] não tem classificação possível.
O mesmo se pode dizer do uniforme deste super-heroi.

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É muito divertido, mas por outro lado também tem coisas menos boas…por exemplo, depois do choque inicial que apanhamos e do divertimento que provoca pela surpresa, a partir da primeira meia hora, o estilo é mais do mesmo e sofre inclusivamente de alguma falta de ritmo a meio da história quando o herói defronta pela primeira vez o herói-bizzaro seu arqui-super-inimigo. A coisa arrasta-se por tempo demais e o filme perde algum do seu fôlego (e imaginação) o que é pena.
Por outro lado nota-se claramente que isto não teve orçamento nenhum e ás vezes ficamos com a ideia de que o argumentista foi inventando à medida que se iam filmando cenas. A montagem é amadora, as cenas de luta são uma anedota e os efeitos digitais são os piores que alguma vez vi numa produção profissional; mas isso não importa de todo pois tudo faz parte do charme do próprio filme que parece estar em esforço constante para nos provar que ainda consegue ser pior do que aquilo que nós julgamos.

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A verdade é que este é um daqueles filmes que ou se odeia de morte ou nos divertimos totalmente com ele enquanto dura, apesar de se calhar também ter duração a mais. Se em vez de 1h45m tivesse tido apenas uns 80 minutos teria sido perfeito.
Como comédia sexual eu diria que se calhar seria genial, se a gente conseguisse ter tempo para rir.
Pela minha parte passei mais tempo estupefacto a olhar para o que aparecia no écran do que a achar graça ao suposto humor da história.  Mas fartei-me de rir à parva e não sei bem do quê.
O filme é hilariante porque é parvo como o raio mas para dizer a verdade eu nem me lembro dos gags que supostamente deveriam ser para rir…

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De qualquer forma é impossível não curtir um filme assim e eu pela minha parte mal posso esperar pela sequela.
Quem parece ter-se divertido muito a fazer isto foram os actores e aqui nota alta para o gajo que faz de super-heroi pois é preciso realmente ter tomates para se expor fisicamente da forma que o faz num filme como este.
E tomates acompanhados do resto são essencialmente a temática desta história e parte fundamental nos combates de Kung-Fu… ou Bolas-Fu… ou Dick-Fu ?…

Karaté com pilas !

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Hollywood suck on this !

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CLASSIFICAÇÃO

O que dizer de um filme inclassificável ?…
Se aguentarem o estilo, é imperdível. Se gostarem de super-herois e pensam que já não havia mais nenhum super-heroi que pudesse ser inventado, pensem duas vezes.
Três tigelas de noodles porque é bom demais, sendo mau como o raio mas provávelmente será o melhor filme de super-herois de todos os tempos e com todo o mérito. Por outro lado…não tentem fazer isto em casa…

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A favor: o conceito do personagem é genial, o uniforme é de ver para crer, o actor principal faz um trabalho excelente com um material potencialmente destruidor de carreiras, tem espírito de série B genuíno, é de ver para crer.

Contra:
é de ver para crer, a partir do meio sofre de várias quebras no ritmo narrativo e perde muita da piada pela repetição.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=TozprFrnn10

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gif

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2708764

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Se gostou, vai gostar certamente dos seguintes filmes abaixo.

capinha_sex-is-zero capinha_sars-wars capinha_killer_pussy   

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Cinema_oriental_no_facebook

 

The Monkey King (Xi you ji: Da nao tian gong) Pou-Soi Cheang (2014) China


Quando em dois minutos de trailer não se vê uma única referência a qualquer história e apenas levamos com intermináveis sequências ultra mega cool de porradaria digital em estilo carton a gente sabe que isto só pode ser…
Não faço ideia…

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Aviso já que esta review vai ser totalmente esquizofrénica por isso não se espantem com as contradições.
Se há uma coisa que eu detesto mais do que galinhas são macacos. Especialmente macacos em filme.
Deve ser um trauma dos seriais do Tarzan dos anos 30 com a célebre Chita que vi em pequeno mas qualquer filme com chimpanzés, macacos e afins faz-me imediatamente mudar de canal. Especialmente documentários.
Portanto, um filme chamado [“The Monkey King”] não estaria propriamente na minha lista de prioridades cinematográficas.
O problema é que eu não resisto a filmes de fantasia chineses e as cores deste cativaram-me por completo no trailer. Como tal lá fui eu ver o filminho porque não podia continuar a ignorá-lo…apesar do macaco…

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Também me chamou logo a atenção por se tratar de mais outra adaptação de um texto clássico oriental que me fascina desde há muito quando li a primeira história baseada nele em criança.
O personagem do Rei Macaco, tem uma razão de ser e apesar de eu continuar a acha-lo absolutamente irritante e ridículo por outro lado percebo qual é a sua base o que me faz apreciar este filme de uma forma diferente do espectador comum que desconhece totalmente o contexto cultural em que um blockbuster chinês como este se insere.
Portanto, a minha relação com um filme como [“The Monkey King”] é algo confusa por vários motivos.
Se por um lado o acho insuportável e totalmente secante pelo excesso de acção a todo o instante, por outro lado o seu universo cativa-me. Especialmente o universo visual que conseguiram desencantar para esta nova versão cinematográfica.

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[“The Monkey King”] para quem não sabe assenta naquilo que é um dos grandes clássicos da literatura na China. Uma espécie de poema épico tradicional que narra os feitos mais incríveis de alguns heróis míticos dentro da cultura chinesa, entre os quais o popular –Monkey King.
Esta já é uma de entre várias versões que ao longo dos anos foram produzidas mas é definitivamente a mais cativante…ao mesmo tempo que nos consegue aborrecer de morte também.
Tal como já acontecia com um filme semelhante, o imensamente popular lá pela china, “A Chinese Tall Story” que também é baseado no mesmo texto épico e do qual eu já falei por aqui no meu blog alguns anos atrás.

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Se quiserem fazer uma comparação e me estiverem a ler em Portugal, esta aventura em [“The Monkey King”] é apenas um segmento de uma história bem mais épica ainda (se é que tal parece possível), pertencente a uma história conhecida como “Journey to the West” e que segundo consta pelas bandas da China toda a gente sabe de cor porque é ensinada ás crianças tal como nós aqui pelo ocidente ensinamos histórias como a branca de neve, o capuchinho vermelho, a bela adormecida, etc, etc, etc.
Acontece que neste caso, “Journey to the West” não é apenas uma história infantil mas pertence desde logo á própria literatura máxima dentro da cultura chinesa e em muitos locais é inclusivamente tida como um relato histórico e até religioso.
Imaginem que nós aqui em Portugal em vez de contarmos histórias infantis ás nossas crianças lhe contávamos aventuras retiradas de “Os Lusíadas” de Luis de Camões e não andarão muito longe do conceito.

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Com a diferença que em termos de imaginação “Journey to the West” limpa o chão com qualquer canto lusitano por mais imaginativo que possa parecer aos olhos de qualquer portuga patriota, pois o nosso –Adamastor– levaria uma carga de porrada até do personagem mais insignificante que se pode encontrar no épico de fantasia chinês.
Ainda por cima macacos me mordam, se “Journey to the West” não terá qualquer coisa a ver com os épicos indianos no estilo Marabahata, epopeias vedicas e narrativas idênticas saídas dos primórdios do tempo na India. Isto porque a quantidade de elementos de “fantasia” e “ficção-científica” é semelhante em muitas das narrativas e ao contrário do que por exemplo acontece com os Lusiadas em Portugal, “Journey to the West” está cheio de referências a mundos exteriores, civilizações avançadas e todo um manancial de pormenores que não destoariam do próprio Star Wars.

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Essas referências foram muito bem evidenciadas também no ultra histérico “A Chinese Tall Story” (que em português significa algo como “Um conto chinês exagerado”) que contém sequências espaciais e tecnológicas que não destoariam de uma qualquer space-opera moderna apesar de tudo ter sido baseado nas ideias já presentes nos textos clássicos da cultura chinesa há mais de mil anos.
Se “A Chinese Tall Story” em grande parte assenta também bastante em civilizações técnologicamente avançadas, onde não faltam “Vimanas” ao melhor estilo indiano (talvez a justificar a sequência totalmente Bollywood do inicio daquele filme e ligando culturalmente a base das suas histórias tradicionais); em [“The Monkey King”] o destaque vai mais para o lado de pura fantasia ao melhor estilo conto popular chinês onde nem falta um genial dragão oriental e grandes paisagens épicas.

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O que dá num cruzamento bastante feliz entre algo como o velhinho “The Neverending Story/A Historia Interminavel”, o cinema Wuxia oriental e um design digital semelhante ao que se tornou popular pelo ocidente com “Avatar”, (embora este tenha ido inspirar-se em conceitos orientais já existentes para definir a sua identidade gráfica) e portanto isto é como um ciclo onde tudo volta a casa.

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Portanto [“The Monkey King”] é essencialmente um filme de fantasia oriental. Com tudo o que tem de típicamente exagerado dentro deste género de filmes que só os chineses parecem saber como cozinhar com sucesso.
Talvez por isso, por ter uma identidade e um estilo tão marcadamente chinês, o filme seja totalmente trucidado no ocidente, acusado de total falta de coerência, exageros sem nexo, história sem ponta por onde se lhe pegue, etc.
Na verdade concordo com tudo.
Por outro lado, para conseguirmos apreciar devidamente este tipo de cinema há que deixar não só o cérebro à porta como toda a nossa bagagem cultural e referências ocidentais têm que ser momentaneamente colocadas de parte.
E é isto que 99% do público pura e simplesmente não consegue fazer ainda e como tal é totalmente incapaz de apreciar o que há de bom neste género de filmes verdadeiramente únicos pelo que eles são. Um conto popular chinês na melhor tradição daquela parte do mundo.

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O que se passa com o público ocidental é que devido à popularidade do estilo “Dungeons & Dragons” cozinhado pelos americanos a partir do modelo inventado por Tolkien nos anos 30 e 40, este não consegue conceber outra fórmula de fantasia que não seja a habitual – quest- com um grupo de heróis, um feiticeiro, um elfo, um anão, etc.
Dê por onde der, por mais que remisturem os ingredientes, no ocidente toda a fantasia de consumo popular vai sempre beber á mesma fórmula. As pessoas estão totalmente formatadas para olharem apenas para o estilo Tolkien com sendo o único género de fantasia que pode existir; da mesma forma que há alguns anos atrás devido ao sucesso do Star Wars original, muita gente pensava que o género da Space-Opera era a única ficção-científica que devia existir e tudo o que não encaixasse na fórmula popularizada (e não inventada) por George Lucas não era digno de consideração popular.

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Actualmente o desprezo pela fantasia chinesa no ocidente é total, apenas porque ela não assenta nas fórmulas ocidentais. As pessoas querem ver –quests– com elfos e anões e nem conseguem perceber que existe um outro género de fantasia bem mais antigo e que até já foi bem popular gerações atrás através de livros; – o conto de fadas chinês.
Só a expressão –conto de fadas– é suficiente para fazer logo metade dos espectadores –muito machos– argumentarem imediatamente que não vêem filmes para crianças e só querem é X-Men e Transformers porque isso é que Hollywood lhes dá permissão gostarem sem correrem o risco de serem apontados como esquisitos pelos amigos ao lado que fingem ser tão homens quanto eles.
Como tal, o conto popular chinês actualmente no ocidente não só é completamente ignorado e desconhecido como depois quando aparece um produto como [“The Monkey King”] é simplesmente atacado e ridicularizado porque não imita os filmes do Peter Jackson.

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O que é pena, pois finalmente como está plenamente demonstrado em [“The Monkey King”] a técnologia chegou a um ponto onde a reprodução dos universos de fantasia dos contos de fada chineses finalmente é totalmente possível.
Só é pena que o espectador ocidental já não tenha referências que lhe permitam dar valor a produtos como este apenas porque nada do que podem ver no écran se encaixa na ideia pré-definida que Hollywood selou há muito na cabeça das últimas gerações sobre o que deverá ser um filme de fantasia.

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O que não quer dizer que muita da culpa desta situação também não seja dos chineses.
Por exemplo, filmes como [“The Monkey King”] são uma verdadeira oportunidade perdida para a china tentar penetrar no mercado de cinema de fantasia cá pelo ocidente. É são uma oportunidade perdida porque os filmes não fazem qualquer tentativa para – ensinar – as modernas audiências a gostar de novo da magia que se pode encontrar nos contos populares chineses. Ou seja, eu não digo que transformassem este tipo de cinema de fantasia nos Avengers, mas penso que pelo menos poderiam tentar incluir referências suficientes nas histórias de forma a que houvesse algo que o moderno público ocidental pudesse imediatamente identificar para conseguir criar uma empatia com o filme. Tanto a nível de argumento como no próprio estilo das cenas de acção. Essencialmente acalmar um bocadinho o CGI histérico à velocidade da luz…talvez ajudasse a que os espectadores ocidentais conseguissem até ver o filme e tudo…

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Eu compreendo que o estilo de cinema de fantasia em versão conto de fadas chinês tenha as suas regras mas por outro lado é essa pureza que os chineses mantêm neste tipo de filmes que os prendem ainda no ghetto dos épicos de fantasia chineses isolados do mundo que se calhar teria muito a ganhar em redescobrir a incrível imaginação que existe nos contos tradicionais do oriente.
[“The Monkey King”] é bem o exemplo disso.
Na verdade o raio do filme pode-se dizer que é do pior !
São duas horas em velocidade ultra acelerada e em total regime visual histérico que uma pessoa quase que tem um colapso nervoso. Epilépticos mantenham-se afastados.
Tudo aquilo que vocês podem ver no trailer, é o filme.
Mais nada.

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Imaginem que o trailer durava duas horas.
Aí têm o filme.
Ao fim de meia hora vocês já estão com vontade de clicar no botão de fast-forward e só com muita força de vontade é que a maioria de vós não o irá fazer. Ou então porque já estarão a dormir.
O que é um contrasenso total. Como raio é que um filme com tanta acção pode dar tanto sono ?!
Quando o virem vão entender. Se ainda estiverem acordados.
Aliás, se já viram o “A Chinese Tall Story”, percebem perfeitamente o que estou a tentar dizer agora.
[“The Monkey King”] tem tanta porrada, mas tanta porrada, tanto efeito especial digital mas tanto efeito especial digital que peca por excesso. Aliás, na verdade não há mais nada a não ser CGI histérico durante as duas horas deste filme, o que quer dizer que em duas horas de “história” devemos ter 110 minutos de cenas de acção.
Volto a dizer, vejam o trailer. O filme é o trailer durante duas horas sem parar.
Nem mais, nem menos.

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Insuportavel ?
Horrivel ?
Ridiculo ?
Mau como o raio com CGI do pior ?
Claro que sim !
E história tem ?
Claro que não !

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Ou melhor, tem.
Mas sofre do pequeno problema de mais uma vez ser baseada naquilo que na sua forma original é um épico literário gigante e como tal, se “A Chinese Tall Story” cometeu o erro de tentar incluir centenas de sequências diferentes de forma a conseguir reproduzir pelo menos as primeiras partes da história original e falhou redondamente por tentar encaixar á força tudo num curto espaço de tempo, também [“The Monkey King”] se espalha ao comprido mas pelo motivo contrário.
Essencialmente [“The Monkey King”] adapta apenas um bocadinho da odisseia épica. Talvez a parte mais “intimista” da coisa o que retêm a acção praticamente no mesmo sitio o tempo todo.

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Enquanto em “A Chinese Tall Story” o espectador viajava por mundos e cenários sem conta, aqui em [“The Monkey King”] limitado-nos a acompanhar as intermináveis cenas de acção praticamente nos mesmos três ou quatro sítios. Montanhas, céu, floresta dos macacos, reino celestial, inferno e pouco mais. Pode parecer muito, mas acreditem-me, não é suficiente para dar variedade á história. Ou manter-nos acordados a partir do meio do filme.
Uma história que praticamente não existe, pois todo o filme gira á volta do Monkey King, da forma como cresce, como é treinado, como desafia os deuses, como lida com os demónios e pouco mais. O resto é CGI a duzentos á hora durante os restantes 110 minutos ou algo assim.
Verdade seja dita que o CGI evoluiu bastante no cinema chinês.
[“The Monkey King”] já não se parece com um enorme jogo da Playstation ONE…
Agora parece-se com um enorme jogo da Playstation 4 !
Volto a repetir; nada do que eu possa descrever aqui lhes poderá dar ideia do quanto este filme se torna verdadeiramente insuportável, sendo um verdadeiro teste à nossa paciência enquanto espectadores.

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Isto pode querer parecer que eu estou a concordar com tudo o que os ocidentais dizem quando atacam o filme pela net, mas não é bem assim. Isto porque por outro lado [“The Monkey King”] tem coisas absolutamente fascinantes.
Para começar anda sempre na corda bamba entre o – vou mas é desligar esta porcaria – e o – pá, eu tenho mesmo que ver o que vai acontecer a seguir !
É que visualmente se alguma vez houve um conto de fadas plenamente bem ilustrado esse conto de fadas é esta versão de [“The Monkey King”].

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O filme conta com imagens absolutamente incríveis e verdadeiras obras primas da ilustração digital para cinema.
Se a ideia foi a de criar um livro ilustrado cinematográfico, [“The Monkey King”] acerta em cheio pois independentemente de algum CGI ser do pior, a verdade é que em termos de design de produção será provavelmente o filme de tantasia oriental mais bem desenhado que alguma vez vi. E já vi muitos.
E também não perde nada em comparação com que se se faz em fantasia no ocidente. Apenas lembrem-se, isto é um conto de fadas chinês e tem uma estética própria totalmente tradicional. Isto é suposto ter este visual !

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As cores neste filme são absolutamente incríveis. O design dos cenários, o guarda roupa e até alguns efeitos de maquilhagem fazem com que mais do que um filme [“The Monkey King”] seja um dos melhores livros ilustrados que alguma vez vi no écran.
Tivesse este filme uma história a condizer e poderia ter sido o melhor filme de fantasia dos últimos anos competindo na boa com o melhor da fantasia ocidental como o Lord of the Rings/Hobbit, independentemente das diferenças de estilo.
Infelizmente a história disto é não só, muito pouca como é totalmente desinteressante e se calhar mais uma vez a culpa está na sua pureza pois é apenas um bocadinho muito pequenino de um imenso conto popular chinês e como tal deixará o público ocidental de olhos em bico sem dúvida nenhuma.
O filme pressupõe demasiado que o espectador já conhece o poema épico “Journey to the West” e confia que este preencha na sua imaginação tudo aquilo que não é mostrado ou referido. Ora isto pode funcionar muito bem na China pois toda a gente conhece o conto de trás para frente, mas [“The Monkey King”] apresentado ao público ocidental nunca se aguentaria de todo pois as pessoas não irão conseguir apreciar o que tem de bom por detrás de todo o estilo histérico que nos deixa sem conseguir respirar a todo o momento e muito menos mostra qualquer indício de que [“The Monkey King”] faz na realidade parte de um épico tão grande que precisaríamos pelo menos de mais uns 20 filmes como este para o abranger de uma ponta a outra.
A Chinese Tall Story” tentou fazê-lo em duas horas. [“The Monkey King”] nem tentou.

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Ao contrário do que também vem sendo habitual agora no cinema de fantasia, [“The Monkey King”] mantêm-se também essencialmente como um conto de fadas infantil.
Nunca se nota um esforço para fazer com que esta história possa apelar também aos mais crescidos e por isso muito do que falha aqui, falha porque além do excesso de porrada e efeitos, também não há muita coisa interessante para ver a nível de desenvolvimento de personagens e nunca agarra o público adulto como deveria.
O filme é claramente um filme para crianças, mas se calhar mais uma vez esta é a minha percepção enquanto ocidental, pois aposto que muito adulto na china ao ver isto ficou absolutamente maravilhado com o resultado, simplesmente porque cresceu com esta história e de certeza que acompanhou as suas várias versões cinematográficas e televisivas ao longo dos anos. Das quais esta é definitivamente a melhor.
Não há como fugir. Goste-se ou não, a verdade é que técnicamente o filme é um espectáculo e em IMAX 3D deve ter sido do outro mundo mesmo.

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Quem gosta de coisas como o Dragon Ball ou o Naruto, provavelmente vai amar este filme para o resto da vida, pois [“The Monkey King”] tem os melhores combates áereos em estilo anime que alguma vez vi num filme de “imagem real”…embora isto de imagem real seja discutível neste caso…
No entanto, as batalhas são totalmente imaginativas, absolutamente impressionantes e as sequências de porrada finais são verdadeiramente épicas e entusiasmantes, mesmo apesar do vazio dos personagens.
O problema não está nas cenas de acção, mas sim no facto de o filme nunca dar descanso e portanto tudo o que deveria ser do outro mundo, passa muito rápidamente a cansar se não fizermos um intervalo para ir beber um café a meio do filme só para recuperar o cérebro e trazer os olhos de volta.

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E os ouvidos.
[“The Monkey King”] fez-me lembrar porque razão eu detesto macacos. É uma sorte o meu televisor ainda estar intacto pois este filme tem sem sombra de dúvida o protagonista mais irritante que alguma vez vi num filme de fantasia. Sim, ainda pior, muito pior que o Jar-Jar-Binks nos asquerosos Star Wars modernos. Se acharam Jar-Jar-Binks insuportável nada os irá prepararar para os guinchos e tiques macacoides infantis do Monkey King !
De jogar o televisor ao rio.
Ah e a suposta –love story– com a “raposa” também não ajuda…eu adoro filmes fofinhos mas com macacos destes sinceramente não há pachorra. Mal empregada raposa…

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Portanto afinal o que dizer disto ?
Pá, adorei.
Eu sei.
Eu sei que isto tem tudo para ser do pior. E é.
Eu sei que não se consegue aguentar muito tempo sem entrar em stress total.
E sim, o CGI nota-se que é CGI !!
Este filme ou levava uma das piores classificações de sempre aqui ou levava a nota máxima se calhar pelos mesmos motivos. Por isso se calhar é melhor ficarmos pelo meio.

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É que eu nos momentos em que estava acordado adorei tudo o que está visualmente representado neste filme e tenho que admitir que [“The Monkey King”] não me sai da cabeça desde que o vi portanto se calhar devo ter gostado mais do que estou preparado para admitir.
Se calhar foi porque fechou em grande. Adorei o último minuto do filme !
Sim, o último minuto. E porquê ?
Porque [“The Monkey King”] termina exactamente da mesma forma que “A Chinese Tall Story”.
Até parecem imagens do mesmo filme. O que faz com que [“The Monkey King”] seja uma espécie de prequela ou pelo menos mostre o que aconteceu em simultâneo com o outro filme sobre  “Journey to the West” unificando este universo de fantasia que ainda será inspiração para muito cinema, desta vez em mais dois filmes totalmente separados e sem qualquer relação entre si mas que ligam as duas histórias numa só de forma que quase parece combinada. Recomendo portanto que antes de verem [“The Monkey King”] vejam sem sombra de dúvida “A Chinese Tall Story”.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente o pior filme de fantasia oriental que já vi, (se não contarmos com o “Zu Warriors” ou  “Shinobi“) o que o torna automáticamente eventualmente também no melhor que vocês poderão ver. Confusos ? Eu não. Ou talvez sim…
Se já viram o antigo “A Chinese Tall Story” e gostaram, então este é de visão obrigatória pois não só é mais do mesmo como técnicamente é bastante superior embora não menos plástico ou artificial.
Como podem constatar no IMDB, ou se ama ou se odeia.

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Trés tigelas de noodles que certamente irão aumentar de futuro pois eu ainda não sei se adorei isto ou detestei porque o raio do filme não me sai da cabeça e apetece-me revê-lo…acho… É um bom filme, ou se calhar até não. Estão por vossa conta.

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A favor: é o filme de fantasia mais colorido que alguma vez vi, parece um livro ilustrado em movimento e nesse aspecto é uma obra prima visual, o design de produção é excelente e até o guarda roupa tem identidade, a caracterização do monkey king é tão boa que quem fala mal dos efeitos deste filme nem se lembra que á frente do actor está um personagem que só existe porque se calhar os efeitos não são tão maus quanto aparentam, alguns momentos de luta são verdadeiramente empolgantes e por vezes o filme torna-se divertidissimo para quem gosta de ver combates estilo Dragon Ball em live action, o final da história está perfeito pois faz a ligação com muito do que já foi mostrado sobre o épico “Journey to the West” em filmes produzidos anteriormente sem qualquer relação com este agora.

Contra: o excesso visual em tudo pode ser demais para muita gente, não dá descanso ao espectador com tanta luta e tanto CGI em modo histérico a todo o minuto, os personagens são um vazio absoluto ou então são irritantes como o raio, o estilo demasiado infantil pode afastar o público adulto num segundo mal percebe que o desenvolvimento de personagens é nulo, adapta apenas um segmento pequenino de uma história épica gigantesca, as lutas acabam por se tornar repetitivas, não há grande variedade de cenários, duas horas disto testa a paciência de um chinês !

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=zCj-XP5cjOY

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Comprar
Ainda não está à venda por estas bandas ocidentais.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1717715

Minha review do “A Chinese Tall Story” que os irá ajudar a situar Monkey King no tempo desta fantasia.
https://cinemasiatico.wordpress.com/2008/04/08/ching-din-dai-sing-a-chinese-tall-story-jeffrey-lau-2005/

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