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Journey to the West: Conquering the demons (Xi you xiang mo pian) Stephen Chow/Chi-kin Kwok (2013) China

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Ora nem de propósito; ainda no post anterior falei de “The Monkey King 2” e eis que agora vou voltar a falar de mais uma adaptação da saga literária chinesa -Journey to the West.
Desta vez : [“Journey to the West: Conquering the demons”].

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Podem saber mais sobre este texto clássico da literatura chinesa se lerem as minhas reviews de “A Chinese Tall Story“; “Monkey King” ou “The Monkey King 2” por isso não irei repetir agora o que já mencionei anteriormente. [“Journey to the West: Conquering the demons”] é mais uma versão de -Journey to the West- e quase outro reboot da origem da história mais famosa. Imaginem que Hollywood faz uns dez filmes com a origem do Homem Aranha; [“Journey to the West: Conquering the demons”] é quase o equivalente a mais outro “reboot”. Desta vez em tom de comédia.

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Na verdade “reboot” não será própriamente o termo aqui, até porque este texto clássico presta-se às mais variadas interpretações visuais e portanto desta vez [“Journey to the West: Conquering the demons”] é apenas mais uma variação da história que esteve na origem da parte mais famosa. Uma espécie de prequela, digamos. Mais ou menos.
Tudo o que envolve a saga -Journey to the West- para o público ocidental pode ser um bocado confuso, isto porque é um texto intensamente chinês e carregado de simbolísmos que nenhum de nós fora da China pode chegar um dia a compreender ou sequer a reconhecer.

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Talvez seja logo esse o problema desta comédia. Tenho lido que este filme parecerá bem mais cómico para o público chinês do que para o resto do mundo, pois enquanto nós só nos podemos divertir com os visuais malucos e as cenas de acção cartoon, quem está por dentro de todas a referências culturais associadas à cultura chinesa e em especial a -Journey to the West- irá, dizem, conseguir usufruir muito mais de [“Journey to the West: Conquering the demons”].

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Há um pequeno número de realizadores orientais de que eu não gosto absolutamente nada. Já vi vários filmes de alguns e nem sequer me dei ao trabalho de comentar por aqui no blog porque simplesmente não tenho mais pachorra para o cinema de certos autores. Outros, como Tsuy Hark já tenho comentado por aqui alguns títulos embora esteja no topo da minha lista negra de realizadores a evitar (mas de quem acabo sempre por voltar a ver (e até comprar) qualquer coisa, por masoquismo talvez).
Restam ainda alguns realizadores que eu simplesmente ainda nem sei o que acho do cinema deles. No topo dessa lista está Stephen Chow.

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Stephen Chow para quem não sabe é um dos mais conceituados realizadores chineses; daqueles que inclusivamente são denominados de génios (tanto pela crítica local, como por arrasto pela crítica ocidental).
Consta que Chow será um génio da comédia; o equivalente ao Mel Brooks aqui por estas bandas em termos de reverência da crítica e não há nada que ele não filme que não seja imediatamente apelidado de comédia de génio. Um pouco como sempre aconteceu com Brooks por cá, que sinceramente é outro que eu não entendo de todo pois curiosamente sempre achei que o seu humor cinematográfico sofre exactamente do mesmo tipo de problemas que eu encontro no cinema de Chow.
Pessoalmente sempre achei os filmes dele chatos como o raio. O que não deixa de ser estranho.
É que o cinema de Stephen Chow até parece bem divertido. Todos os filmes são ultra-comerciais, não são mínimamente pretenciosos sequer, estão cheios de cenas de acção muito imaginativas e cada título raramente se repete em termos de história.
Então qual é o meu problema com o cinema dele ?!

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[“Journey to the West: Conquering the demons”] exemplifica muito bem tudo o que há de errado com os filmes de Chow, porque mais uma vez repete exactamente os mesmos problemas. Embora este filme seja para mim o mais divertido pois, estranhamente foi o único que não me apeteceu desligar a meio.
[“Journey to the West: Conquering the demons”] consegue ter momentos absolutamente brilhantes com gags hilariantes muito divertidos e ao mesmo tempo arrastar-se por demais em cenas de diálogo “humorístico” que parecem nunca mais acabar.
Resumidamente é este sempre o mesmo problema no cinema de Stephen Chow.
Há um desiquilibrio enorme entre os bons momentos e os maus momentos.

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O que é bom é para lá de excelente. O que não é bom, não só é desinteressante como o raio, não tem graça como parece durar para sempre até que apareça a próxima cena realmente divertida. O problema é que entre o que é excelente e o que não resulta de todo não há nada pelo meio. O que quanto a mim encalha todo o ritmo dos filmes de Stephen Chow; isto porque estamos divertidamente a acompanhar o desenvolvimento de uma história ou a acompanhar uma sequência de acção para depois o filme logo a seguir parar por completo e lá temos que levar novamente com mais uns intermináveis minutos de “diálogos humorísticos” entre -personagens-tipo- que no estilo Stephen Chow são sempre o mesmo personagem em jeito slapstick-comedy.

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Aliás muita da nossa iluminada crítica ocidental gosta de comparar Stephen Chow a Chaplin ou a Buster Keaton pela sua comédia física e nesse aspecto não penso que a comparação seja por aí além exagerada, pois este realizador é realmente muito bom e inovador no que toca à parte fisíca dos seus filmes. O problema está na quebra de ritmo e no fraco desenvolvimento da maioria dos personagens das suas histórias,. Os personagens estão normalmente nos seus filmes ou para serem estúpidos ou para serem estúpidos e levar porrada. E esta fórmula é sempre a mesma. Viram [“Journey to the West: Conquering the demons”], já viram todos os filmes de Chow, porque são todos iguais.

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Há anos atrás quando comecei a ver cinema oriental, atraído pelas críticas brutais que consideravam “Kung-Fu Hussle (Kung-Fu-Zão em Portugal)” uma comédia de génio, lá comprei o dvd sem ver o filme primeiro e foi o meu primeiro choque com o cinema de Stephen Chow. Tal como agora em [“Journey to the West: Conquering the demons”] e também nos seus outros filmes, também “Kung-Fu-Hussle” sofre mesmo problema; cenas de acção em total modo histérico num estilo cartoon da Warner Bros mas envolvendo personagens com que não nos importamos de todo, o que logo torna todas as cenas de acção um vazio absoluto e as faz ficar cada vez mais chatas; especialmente se como é habitual no cinema de Chow estas se alongam por demasiado tempo sempre a mostrar o mesmo; ou pior, o mesmo tipo de “piada” (que chega a repetir-se em todos os filmes por exemplo).

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[“Journey to the West: Conquering the demons”] é o primeiro filme em que Chow apenas está atrás da cameras. Normalmente ele realiza e interpreta sempre o personagem principal. Desta vez apenas realiza.
Apesar de ser mais um Stephen Chow, desta vez achei bastante piada ao conjunto geral e não fosse apenas ter voltado aos mesmos encalhes de sempre, este seria um título que eu recomendaria vivamente, até como filme de fantasia.

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O ambiente visual como sempre é excelente, os cenários são muito elaborados e desta vez há uma boa variedade de locais nesta aventura de fantasia.
A história tem também algumas cenas de acção fantásticamente divertidas, com destaque para a cena do combate contra o monstro marinho ao início que para mim deveria ter sido colocada no final da história pois é definitivamente a melhor parte do filme todo em termos de suspense e aventura; com muita comédia física plenamente conseguida à mistura.

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O monstro marinho do ínicio deve ser também o melhor demónio aquático de todos os tempos e toda a sequência é totalmente cativante.
Pena é que depois o filme entre pelo modo do costume e lá temos que levar com algum humor “histérico” ou então as cenas de desenvolvimento de personagens não resultam porque parecem pertencer a um outro tipo de filme.

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Depois de uma cena de acção novamente algo longa e repetitiva com muito “humor” forçado à mistura, [“Journey to the West: Conquering the demons”] mais ou menos pelo meio parece que finalmente vai se tornar num filme fantástico; (até eu me preparava para lhe dar uma grande nota); isto porque a meio da história ficamos a conhecer um novo grupo de herois absolutamente perfeito. É nesta parte que o filme acerta em cheio nos gags e há um par de piadas com sangue absolutamente clássicas.

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Aparecem novos personagens e cada um é melhor que o outro, com destaque para o caçador de demónios ultra-convencido que tem dos melhores diálogos da aventura quando entra em choque com as suas empregadas que o transportam por todo o lado por exemplo.
Depois, toda a aventura entra por uma espécie de registo steampunk quando a acção envolve a carruagem do bando de herois e ficamos com a sensação de que [“Journey to the West: Conquering the demons”] depois daquilo não pode falhar.
Mas falha.

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Falha porque mais uma vez, depois de nos dar momentos verdadeiramente cativantes, hilariantes e emocionantes, depois ignora tudo o que construiu na última meia hora de filme. Alguns personagens que conhecemos anteriormente  são simplesmente abandonados não servindo para nada ,(o do gag do sangue poderia ter sido genial); outros são apenas usados como bonecos ao estilo Power Rangers para a cena de acção final no combate contra o Monkey King.

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A última meia hora não só não tem graça, como não tem qualquer interesse. A parte com o Monkey King na montanha é um vazio interminável com cenas de “diálogo humorístico” que nunca mais acabam (e um número de dança) tudo filmado num pequeno set sem qualquer piada durante demasiado tempo. Prevísivel, arrastado e chato.
Depois a batalha contra o Monkey King também não tem piada pois já vimos aquilo antes e não há qualquer tensão. Para agravar ainda mais as coisas, esta versão do Monkey King ainda conseguiu ser mais irritante que a versão do filme “The Monkey King” de 2014 , o que é obra !!

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Salva-se o final da história que entra pela parte clássica onde Buda ordena ao Rei Macaco que siga o monge na sua demanda em busca dos manuscritos sagrados do Budismo e que liga [“Journey to the West: Conquering the demons”] a todas as outras adaptações deste texto.
[“Journey to the West: Conquering the demons”] é claramente um filme de temática Budista como não podia deixar de ser. Se calhar não se nota á primeira vista, mas é quase um filme de propaganda para essa filosofia como são muitas das aventuras saidas do -Journey to the West- pois afinal estamos a falar de um texto clássico de cariz filosófico e muito religioso.

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Se isto fosse um filme ocidental seria algo muito assente na Bíblia, um pouco à semelhança do que os filmes de Narnia são no que toca a referências cristãs por demais ao longo de todas as histórias. Os filmes -Journey to the West- são o seu equivalente dentro da fantasia oriental.
Deste vez acompanhamos o desgraçado monge despenteado que aspira a encontrar a –Iluminação- para entrar em comunhão com Buda mas acha que o seu caminho é através da caça aos demónios. Apesar de não ter grande talento para caçador de demónios acaba por encontrar pelo caminho mais colegas do ramo a quem se junta e de demónio em demónio irá chegar até Buda conhecendo o amor pelo caminho quando encontra  a divertida caçadora de demónios que em estilo maria-rapaz também não tem muito jeito para ser feminina.

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E porque isto já vai longo, como filme de fantasia em tom humorístico vale a pena ser visto. Tem muitos problemas de estrutura narrativa como de costume no cinema deste realizador, mas também tem muita coisa boa. Portanto se procuram uma aventura de fantasia ligeira com alguns gags geniais pelo meio e o melhor monstro marinho de sempre este título é um filme a ver concerteza.

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CLASSIFICAÇÃO:

Na verdade [“Journey to the West: Conquering the demons”] não é um mau filme. Se não sofresse dos mesmos problemas que todos os filmes de Stephen Chow sofrem poderia ter sido tão bom quanto “Monkey King 2” e seria a alternativa humorística perfeita a uma versão série de -Journey to the West-; o problema é que continua a sofrer dos tiques do costume no cinema deste realizador.

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Se conseguirem passar para lá desses pormenores, este é um filme de fantasia que vale a pena ver. As partes divertidas são excelentes e só é pena o filme não manter sempre o mesmo tom.
Três tigelas e meia de noodles. Muito bom, mas é uma espécie de grande comédia falhada que fica a meio termo de todo o potencial que tinha.

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A favor: boas cenas de acção em estilo cartoon, o melhor monstro do lago de todos os tempos, o início é muito divertido, contém alguns gags hilariantes, tem um par de personagens muito bons, bom design e bons efeitos especiais de uma forma geral.
Contra: ou tem momentos muito divertidos ou tem monentos muito aborrecidos, desperdiça por completo quase todos os personagens, tem cenas demasiado longas, tem momentos “musicais” ridículos, a parte com o Monkey King na montanha é uma seca sem graça nenhuma, a última meia hora é um desperdício pois nem tem piada nem tem interesse ou qualquer suspanse.

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TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2017561

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A Chinese Tall Story capinha_Themonkeyking capinha_the monkey king 2

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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