CINEMAsiatico.wordpress.com

The Arti: The Adventure Begins (The Arti: The Adventure Begins) Huang Wen Chang (2015) China

Deixe um comentário


Quem se está sempre a queixar de que o cinema nunca mais traz nada de novo, ou que o género da Fantasia precisa de mostrar mais frescura após tanto clone do Lord of the Rings aparecer no mercado tem aqui em [“The Arti: The Adventure Begins”] uma excelente opção. A não ser que achem que os filmes de bonecos são apenas para crianças, porque desta vez isto nem sequer é um desenho animado. A sério…

奇人密碼電影海報01-4

[“The Arti: The Adventure Begins”] é um live-action, completamente produzido com fantoches.
Não com marionetas de fios mas com tradicionais fantoches de madeira (controlados por pau e luva), parte de uma técnica tradicional de contar histórias muito enraizada na cultura popular da China e que actualmente tem o seu expoente máximo (segundo dizem os entendidos),  no trabalho da familia Huang que há várias gerações não deixa morrer esta arte e continua a entreter plateias com os seus espectáculos pelo oriente.

The Arti 06

Parece que a familia Huang, já no início dos anos 2000 produziu um outro filme de aventuras com a mesma técnica que correu vários festivais (“Legend of the Sacred Stone“) e destacou-se pela positiva, mas em 2015 com [“The Arti: The Adventure Begins”] regressou em força naquela que já é considerada pelos especialistas na matéria como a melhor demonstração de que a arte da manipulação de fantoches tradicionais está bem viva pelas bandas da China e recomenda-se vivamente; especialmente a quem não a conhece. Nomeadamente, nós aqui no ocidente.

The Arti 03

[“The Arti: The Adventure Begins”] é por isso um espectáculo visual único e que surpreendentemente resulta plenamente em filme por muito estranho que pareça. Inicialmente estranhamos estar a ver uma história onde os personagens falam mas não mexem a boca mas logo ultrapassamos essa barreira passados alguns minutos.
Curiosamente, eu até nem acho que a história seja particularmente criativa, pois vai buscar a tradicional aventura de contornos ecológicos que practicamente toda a gente já viu ultimamente em “Avatar” de James Cameron, pois em muitos momentos sentimos uma semelhança total nos temas, na abordagem às forças da natureza, etc. Agora onde [“The Arti: The Adventure Begins”] realmente brilha é na sua execução.

The Arti 08

Tanto na parte técnica como na forma como já a meio do filme conseguiu humanizar aqueles bonecos de madeira sem o espectador se dar conta [“The Arti: The Adventure Begins”] é notavel. A partir de certa altura, logo adivinhamos o que irá acontecer na história mas mesmo assim o filme lá para o final depois de se arrastar um bocado ao início consegue com fantoches, criar mais tensão dramática do que muito suposto cinema sério em estilo live-action, embora não esteja livre de falhas narrativas, (mas já lá vamos).

The Arti 24

[“The Arti: The Adventure Begins”] tem deixado de boca aberta muito crítico de cinema de artes marciais. Não por conter algo de novo no género em termos de estrutura mas por ser absolutamente fascinante que alguém tenha conseguido criar com fantoches de madeira e luva sequências de acção tão surpreendentes. Isto porque os bonecos não só executam coreografias dinâmicas (saltando e rodopiando pelo ar) como ainda por cima interagem fisicamente com o cenário de uma forma que nunca vimos num espectáculo de fantoches ou marionetes (quando aterram por exemplo no chão rachando tudo em redor).

The Arti 12

Os cenários são absolutamente perfeitos para o desenrolar da acção sem perder aquele tom “artesanal” de uma produção teatral tradicional, os ambientes onde decorre a história são extremamente variados e as paisagens épicas conseguem surpreender por completo; tudo complementado com uma boa fotografia e acima de tudo uma montagem frenética absolutamente perfeita nas cenas de acção onde não se perde um fotograma de pormenor.
Eu nem consigo imaginar como será o storyboard deste filme pois cada cena de acção é uma sucessiva montagem de pequenos segmentos editados com a precisão de um relógio suíço, só comparável talvez ao pormenor encontrado nas partes de artes-marciais do filme “The Grandmaster” de Wong Kar Wai. E acreditem que isto é dizer muito quando se trata de um filme baseado em bonecos de madeira, manipulados por debaixo dos cenários pela familia Huang segurando em paus que estão colados a cada personagem ou através de luva.

The Arti 05

[“The Arti: The Adventure Begins”] tem também outra coisa surpreendente e que raramente se vê no cinema moderno de grande espectaculo actualmente. [“The Arti: The Adventure Begins”] tem uma boa dose de animação CGI mas usada de uma forma absolutamente contida e muito inteligente.
Este filme poderia ter descambado facilmente em mais um exagero de animação de computador e efeitos digitais, o que iria desviar por completo a atenção dos personagens, mas tal nunca acontece.
Há bastante CGI em [“The Arti: The Adventure Begins”] , mas apenas está usado para complementar pequenos pormenores da manipulação tradicional dos fantoches de madeira.

The Arti 07

Ou seja, o CGI é usado para por exemplo, adicionar água, rios, cascatas aos cenários construidos em maquetas de verdade, adicionar vento às tempestades de areia, fazer chover ou em pequenos efeitos de magia quando essa parte acontece na história. Em nenhum desses momentos o CGI chama a atenção para si e logo esquecemos que ele lá está, o que não deixa de ser fantástico pois tudo está planeado para fazer brilhar a milenar técnica de manipulação de fantoches. O CGI não substitui nada, não está ali para impressionar, está ali para complementar e nada mais.

The Arti 07b

Aqui e ali é usado para animar um par de personagens secundários num estilo mais cartoon e mesmo nesses momentos a integração com os seus “colegas” actores de madeira é perfeita e nunca se sente a intrusão desnecessária da animação de computador onde não deveria estar.
[“The Arti: The Adventure Begins”] foi filmado em 3D mas ainda não vi essa versão. Quem já a viu diz que é perfeitamente desnecessária neste caso, pois o próprio 3d nem sequer estará muito explorado e portanto por mim pouco importa.

The Arti 20

Apesar de tudo isto me ter surpreendido, [“The Arti: The Adventure Begins”] também tem algumas coisas que não me cativaram e por isso não lhe dou uma classificação mais alta.
Para começar a história é realmente desinteressante em termos de estrutura, pois já vimos aquilo antes tanto em Avatar como mais rencentemente na animação “Epic”. Não há nada de supreedente a acontecer no filme inteiro e a imaginação não brilha particularmente no que toca ao argumento. Um filme como este com uma história realmente inovadora ou original teria sido extraordinário, assim como está perde muitos pontos porque acaba por se arrastar numa narrativa que não deslumbra ninguém.
Curiosamente já tinha acontecido o mesmo a outro filme com marionetes europeu que saiu há alguns anos, “Strings“, que cometeu a parvoíce de adaptar Shakespeare em vez de criar a sua própria história e portanto também nesse a coisa falhou por tudo ser absolutamente e aborrecidamente previsível em termos de argumento.

The Arti 23

Pessoalmente [“The Arti: The Adventure Begins”], também tem uma coisa que não gosto. Com excepção do próprio “Arti”, o “robot” de madeira e do fabuloso pássaro CGI em estilo cartoon vermelho muito divertido, eu não gosto nada do estilo visual dos bonecos. Em termos de design seguem exactamente aquele visual espampanante muito estilizado que se costuma ver principalmente em mmorpgs chineses onde cada guarda roupa está cheio de floreados em exagero, os personagens usam joias e acessórios “de moda” por todo o lado e os penteados parecem saídos de uma qualquer passagem de modelos espampanantes.
Isto é apenas uma opinião pessoal, mas detesto mesmo o aspecto destes fantoches.

The Arti 10

Por exemplo o estilo Anime ou Manga japonês é mais contido e simplificado até mesmo quando os seus herois têm um visual extravagante. O estilo japonês parece mais baseado na simplicidade e no design pensado para ser único e parte da personalidade de cada personagem. Já o estilo chinês presente em [“The Arti: The Adventure Begins”] e em muitos produtos saídos da China, parece apenas contar com o exagero e ser baseado no exibicionismo over the top como se este fosse suficiente para criar personagens com boa identidade visual.  Não funciona. Acho eu. Pessoalmente irrita-me.

The Arti 09

[“The Arti: The Adventure Begins”] depois também desperdiça um dos melhores bonecos que criou; precisamente o cómico pássaro vermelho que a partir de certa altura parece vir a ser um dos pontos fortes da aventura, mas depois raramente é usado para qualquer coisa para além de um par de piadas engraçadas e que sabem a pouco.
Talvez porque o personagem é produzido em CGI alguém decidiu cortar-lhe o protagonismo pois destoaria demasiado do resto. Talvez por falta de orçamento para animação, até porque o heroi “Arti” em algumas sequências é substituído por breves segundos de animação digital e portanto muita da verba deve ter ido para esse fim também.
Curiosamente este filme falha onde por exemplo “Dragon Nest: Warriors Dawn” acerta em cheio. Falta carísma a estes personagens na aventura de Arti.

The Arti 14

E pronto, não há muito mais para comentar sobre este titulo que vale a pena ser visto.
Em relação à história segue o habitual. Depois da morte do seu pai o jovem Mo pretende cumprir o seu ultimo desejo e encontrar a fonta do poder mágico que este um dia usou para criar “Arti-C”, uma espécie de robot sentiente feito de madeira (num excelente estilo steampunk) pois a energia deste está a esgotar-se e há que evitar que morra. Com a sua irmã a espadachim, Tong o grupo viaja por enumeros reinos e paisagens, encontra exércitos, monstros, vilões, deusas e poderes mágicos e no fim quando a Origem do poder é localizada têm de tomar uma decisão que poderá colocar em causa toda a razão da sua demanda.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Em termos técnicos é um triunfo que o torna de visão obrigatória, especialmente para quem gosta de cinema de fantasia ou até mesmo de artes-marciais cinematográficas.
É tudo tão bem feito que quase se desculpa o pouco carisma ou interesse que a maioria das personagens tem durante quase toda a história. A tensão do segmento final acaba por redimir um pouco essa fragilidade mas mesmo assim [“The Arti: The Adventure Begins”] merecia ter tido uma história espectacularmente original que fizesse justiça ao excelente aspecto técnico de toda esta produção e não tem.
É mesmo um filme muito bom e supreendente mas uma narrativa algo arrastada e desinteressante  nos momentos em que não conta com cenas de acção no ecran retira-lhe alguns pontos que merecia ter tido. Esperemos que isto seja corrigido na sequela que de certeza irá ter.
Por agora, quatro tigelas de noodles, pois é muito bom naquilo em que acerta em cheio.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: Extremamente bem feito no que toca à manipulação de fantoches de madeira, óptimos cenários e paisagens de fantasia, excelentes e surpreendentes cenas de acção, excelente montagem nas sequências de acção, excelente uso contido de efeitos CGI para complementar tudo o resto, o personagem do passaro vermelho tem potencial que espero venha a ser explorado na sequela. Sente-se que é um produto “artesanal” a todo o instante e não tentam esconder isso. Como filme de fantasia é uma abordagem bastante interessante. Gosto que tenha um sabor steampunk também no visual dos mecanismos, rodas dentadas e tecnologia do mundo de fantasia em geral.
Contra: a história não é particularmente cativante por ser previsivel demais e os próprios diálogos não ajudam os personangens a criar grande empatia com o espectador, talvez o filme tenha duração a mais e uns minutos a menos iriam torná-lo bem mais dinâmico certamente, pessoalmente detesto o estilo visual dos bonecos exceptuando Arti (e o pássaro vermelho) que estão fantásticos, o pássaro tinha potencial mas não tem o destaque que parecia ir ter ao início.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

TRAILER 1

TRAILER 2

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4839422

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar de:

capinha_dragon nest capinha_vikingdom The Promise capinha_restless A Chinese Tall Story

capinha_sorcerer_and_white_snake capinha_Themonkeyking

——————————————————————————————————————

Cinema_oriental_no_facebook

Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s