Runway Cop (Cha hyung-sa) Terra Shin (2012) Coreia do Sul


Se calhar não devia, mas não resisto dar a [“Runway Cop“] a excelente classificação que lhe dou. Se calhar não vale nem metade mas na verdade tenho que admitir que este filme me divertiu à brava e não estava nada à espera disto.

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Esperava algo divertido mas ao mesmo tempo apenas mediano. Nunca pensei que [“Runway Cop“] fosse mau, mas também não esperava que fosse melhor do que a habitual comédia tresloucada produzida na Coreia do Sul naquela fórmula habitual em que todas as comédias acabam por parecer iguais.
No entanto, achei piada ao estilo chunga do trailer e neste caso a apresentação representa bem o tipo de filme que depois encontramos; o que é bom, pois desta vez o trailer não engana. Quem não gostar do trailer salte este filme. Quem gostar, o filme é isto mas mais chunga ainda.

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Este tipo de comédia totalmente alucinada é realmente um estilo à parte e normalmente esgota o espectador ocidental ainda um filme não chegou ao meio da história pois sinceramente penso que nós por cá não estamos de todo culturalmente programados para aguentar tanta adrenalina excêntrica por segundo ou tanta piada por frame em tom histérico como acontece nestas produções daquela parte do mundo.
[“Runway Cop“] encaixa-se neste tipo de comédia típicamente Sul Coreana em modo ultra comercial, mas para minha surpresa, deixou-me realmente muito bem disposto do inicio ao fim.

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Eu que tenho total desprezo pelo mundo da Alta Costura e da Moda em geral, não resisto a espreitar qualquer coisa que ataque esse meio que eu não suporto; mas até agora acho que nunca tinha visto um filme tão divertido passado nesse universo de excesso e futilidade.
Até o conhecido “Zoolander” de Ben Stiller me decepcionou em grande e nunca lhe achei grande piada pois sempre achei que se esforçava demais para ter graça (a sequela é do pior) e portanto para mim não resultou. Não há pior coisa numa comédia do que aquele estilo de realização que parece indicar ao espectador quando é para rir como se as piadas tivessem obrigatoriamente que ter graça. Vá, agora é para rir !

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Para mim uma boa sátira ao mundo da moda teria de ser algo que passasse subjectivamente essa ideia e é isso que [“Runway Cop“] na minha opinião faz muito bem.
Não é abertamente uma sátira àquele mundo apesar de ser ambientada no meio, mas usa uma história supostamente policial para ao mesmo tempo apontar  aquilo que a Alta Costura tem de rídiculo sem no entanto ser um ataque gratuíto porque enche toda a trama com personagens cativantes e caristmáticos quanto baste, tanto no mundo “real” como no mundo das passerelles, sem esquecer um par de boas caricaturas histéricas ao extremo muito bem inseridas nos momentos de humor certos.

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Eu diverti-me realmente muito com isto; por muitas vezes conseguiu arrancar-me algumas gargalhadas inesperadas e não me lembro da última vez que uma comédia conseguiu colocar uma sucessão de piadas que me tivessem mantido permanentemente em modo de boa disposição e interessado em ver o que iria acontecer a seguir em termos de gags humorísticos criativos.
Quanto a mim este filme tem alguns dos melhores momentos de humor dos últimos tempos pois acima de tudo é um filme muito boa onda.

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[“Runway Cop“] é um filme em duas metades. Na primeira parte acompanhamos as desventuras do policia mais porco, mal cheiroso e javardo que alguma vez deve ter aparecido no cinema e na segunda metade da história vemos o que acontece quando este é obrigado a transformar-se à força num Top Model masculino para se infiltrar num esquema de tráfico de droga que supostamente se passará nos bastidores de uma passagem de moda. Inevitávelmente a estilista envolvida é uma antiga colega de escola do bófia imundo e por isso já estão a ver onde a parte romântica irá funcionar. E funciona.

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Por causa desta estrutura [“Runway Cop“] será ao mesmo tempo dois filmes num só. O primeiro acto para mim é o mais hilariante, pois toda a caracterização do heroi mais porco do mundo é plenamente divertida pelo ritmo non-stop com gags que utilizam a sua javardice profissional de forma criativa e às vezes inesperada para nos fazer rir sem nunca se tornar verdadeiramente repetitivo. Há um par de sequências absolutamente hilariantes que aposto lhes ficarão na memória; a cena do interrogatório “desumano” e a parte em que o heroi “segue” o carro do vilão guiando na verdade à frente deste sem querer.

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A primeira metade usa as piadas para introduzir personagens e portanto tudo está muito bem integrado na narrativa. Ou seja, [“Runway Cop“] não é aquele tipo de comédia que pàra para nos fazer rir com gags e depois logo mete uma história pelo meio porque tem que ser ; (contráriamente ao que acontece em “Zoolander”); aqui os gags são usados para fazer sempre avançar a história e tudo resulta de forma muito organica e que surpreendentemente não parece de todo forçada apesar de acontecerem cenas totalmente alucinadas a todo o instante.

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E nota-se que os actores estão a divertir-se por completo com este argumento. Os personagens secundários são hilariantes ou cativantes, a história é divertida e tudo em [“Runway Cop“] funciona porque tudo é simples.
Há ainda uma boa história romântica secundária particularmente inesperada e que curiosamente ainda dota este filme de uma certa humanidade que se calhar nem precisaria de ter para resultar; por outro lado, isto é cinema oriental e mais uma vez demonstra muito bem como se criam personagens de que se fica a gostar sem às vezes nos apercebermos.

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[“Runway Cop“] não tem pretenções a ser mais do que uma boa comédia e quanto a mim resulta plenamente na sua simplicidade. Está cheio de lugares-comuns, personagens tipo, mas sabe cozinhar tudo de uma forma que resulta muito bem. Até algum defeito, porventura estará no facto de que a primeira metade enquanto o heroi é um porco imundo é bem mais divertida do que a segunda, quando o filme entra mais pela comédia de acção, mas nem por isso deixa de ser um produto simpático e com alguns momentos realmente hilariantes com gags muito bem pensados e criativos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se calhar não merece, pois em termos de cinema propriamente dito não há por aqui nada que seja realmente único ou brilhante, mas a verdade é que é uma comédia eficaz e se calhar isso é quanto basta para que um filme simples seja bem melhor do que aparenta à primeira vista; isto porque fazer comédia com fôlego e alguma criatividade não é para todos e quanto a mim tudo neste caso resulta plenamente para nos dar um par de horas divertidas com personagens cativantes e divertidos quanto baste metidos em situações por vezes hilariantes e onde tudo se passa num ritmo endiabrado que muitas vezes nos deixa completamente cansados só de olhar para tanta correria.

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Cinco tigelas de noodles porque é um daqueles filmes simpáticos que é um antidoto perfeito para quando temos um dia complicado e só queremos descontraír um pouco sem pensar muito.

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A favor: o actor principal é fantastico nas partes em que faz de porco imundo chunga, os personagens secundários são excelentes e muito carismáticos (com destaque para o capitão do heroi), é uma história que não tem medo de ser politicamente incorrecta até na abordagem romântica em relação a certos personagens, contem alguns gags muito criativos e por vezes hilariantes, é uma boa comédia de acção e bem melhor estruturada do que o típico filme do género que habitualmente encontramos aos montes no cinema de humor sul coreano.
Contra: o facto de ter duas metades em registro diferente fragmenta um bocado o ritmo narrativo e perde algum fôlego no meio, até mesmo em termos de humor… mas não é grave.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2182095

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Comédias “semelhantes”:

My Sassy Girl capinha_iron_ladies capinha_sex-is-zero

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The Terror Live (Deu tae-ro ra-i-beu) Byeong-woo Kim (2013) Coreia do Sul


Já ando para falar deste filme há um par de anos mas queria voltar a vê-lo antes de escrever sobre ele para me certificar de que isto era realmente tão bom quanto me pareceu da primeira vez.
É !

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Agora que ainda nem passaram duas semanas após os atentados bem reais na Bélgica aqui na Europa em Março de 2016, um filme como [“The Terror Live“] não poderia ser mais actual, especialmente quando estamos na presença de um título absolutamente fantástico que acima de tudo sabe como tratar a questão do terrorismo sem a banalizar mesmo sendo um produto plenamente comercial enquanto cinema.
Independentemente do tema, se procuram um thriller com suspense de cortar à faca e um estilo muito pouco politicamente correcto, é este.

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[“The Terror Live“] não é apenas a habitual história de um psicopata que resolve explodir com coisas por tudo e por nada, mas principalmente é um verdadeiro estudo sobre o poder dos media para manipular audiências e formar opiniões sobre as pessoas. Independentemente da verdadeira história por detrás de acontecimentos que muitas vezes ficam por contar, porque simplesmente para os rates de audiencia não terão importância e o que importa no mundo das notícias televisivas que lucram com directos dramáticos ao vivo, é acima de tudo não apresentar a verdade mas sim manter a capacidade de gerar patrocinadores e publicidade para cada canal aproveitando-se da catástrofe do momento enquanto oficialmente passa tudo por –informação.

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[“The Terror Live“] é sobre isto e muito mais. É sobre a corrupção do Estado, sobre chantagem política e não tem medo de ser um filme que analisa as próprias razões por detrás de um acto terrorista mostrando também o lado de quem espalha o terror. Não escolhe lados, apenas mostra-nos a posição de todas as partes envolvidas de uma forma crua e realista sem tomar partido ao mesmo tempo que envolve o espectador numa verdadeira montanha russa de emoções, pois a certa altura já nem sabemos por quem estamos a torcer, ou se todos serão culpados num sistema podre que não tem salvação a não ser que alguém expluda com isto tudo e o mundo comece realmente do zero.

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Muita gente tem comentado na internet que este é um daqueles filmes que parece um thriller americano à primeira vista mas por muitas razões que só serão perceptíveis por quem vir [“The Terror Live“], imediatamente se destaca como uma produção há parte; que pelo menos actualmente não seria filmada nestes moldes por Hollywood de certeza. Pelo menos , não com este argumento e colocando as questões da forma que as coloca. Um argumento onde para lá da habitual história de suspense que poderia ter sido filmada da forma mais formulática se encontra no entanto um argumento que nos deixa a pensar e a discutir sobre tudo o que vimos muito para lá da duração do filme. Vejam [“The Terror Live“] , depois espreitem qualquer canal de noticiários na TV e garanto-vos que os mais distraídos irão começar a prestar atenção a pormenores que se calhar nunca tinham pensado antes.

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[“The Terror Live“] tem sido comparado ao americano “A Cabine Telefónica/Phonebooth”, mas enquanto o filme de Joel Schumacher é realmente eficaz enquanto thriller, este filme Sul Coreano, até porque tem maior duração consegue ir muito mais além. Na verdade o atentado terrorista da história é apenas uma desculpa para que alguém tenha escrito um dos melhores argumentos politicamente incorrectos dos últimos anos, dentro deste estilo de cinema que envolve jornalismo. E a uma primeira visão quase que isso nem se nota.

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O filme conta a história de uma antiga estrela televisiva do jornalismo que caiu em desgraça, acabando despedido e a ter que trabalhar numa rádio local ao mesmo tempo que ainda tem que lidar com o seu divórcio; nunca deixando no entanto de ser um crápula arrogante para com toda a gente. Mantendo uma ambição desmedida para voltar ao topo da apresentação televisiva não olha a meios para pisar seja quem for para atingir os seus objectivos.

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Um dia numa das suas emissões de linha aberta, alguém liga para o programa afirmando que irá fazer explodir uma das principais pontes da capital Sul Coreana se o presidente não vir a público pedir desculpas pela forma como alguns trabalhadores que a construiram foram tratados pelo Estado muitos anos antes.

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Naturalmente o jornalista não o leva a sério e desafia-o a ir para a frente com a explosão. O que acontece de verdade  e a partir desse momento desencadeia-se uma verdadeira corrida às audiências por parte dos canais de notícias que tudo fazem para suplantar a concorrência cobrindo em directo o acontecimento. Mas só o nosso jornalista tem o terrorista em directo na outra ponta da linha telefónica e vê nisso acima de tudo o seu bilhete de regresso ao topo da informação televisiva.

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[“The Terror Live“] joga incrivelmente bem com a linguagem televisiva. A realização é extraordinária e a montagem deste filme não perde um fotograma. Aliás tudo nesta história é cronometrado ao segundo e cada cena é cortada ao milímetro para nos deixar constantemente em tensão como se estivessemos a assistir a um acontecimento real; a forma como está filmada alterna entre o habitual para este género e a própria linguagem televisiva. E é nesses momentos em que como espectadores parece mesmo que estamos a assistir a um drama em directo na televisão que o filme brilha.

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As interpretações são fantásticas e esquecemo-nos por completo que estamos a ver uma ficção passados alguns minutos. O argumento é o ponto alto do filme também, não apenas pela história em si, pelo politicamente incorrecto no seu conteúdo, mas principalmente porque sabe enredar toda a sua vertente mais politica em personagens com substância.
Todos os secundários nesta história têm um papel importante, todas as personalidades estão muito bem definidas e nem notamos que [“The Terror Live“] conta na verdade com imensos personagens-tipo, que noutro tipo de filme se calhar seriam óbvias e algo artificiais, mas que aqui são absolutamente indispensáveis para que o suspense resulte.

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Acima de tudo, tal como acontece com o protagonista, são personagens intensamente credíveis e que fazem por completo desaparecer os actores por detrás delas. Inclusivamente o terrorista que passa practicamente todo o filme apenas sendo uma voz no telefone tem uma prestação absolutamente cativante e toda a sua química com o protagonista do filme é aquilo que os irá deixar por muitas vezes à beira de um ataque cardíaco com o desenrolar dos acontecimentos.

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Desenrolar de acontecimentos que ainda por cima culminam num final absolutamente perfeito e até algo inesperado. Embora na minha opinião [“The Terror Live“] só peque no momento em que nos atira com um pequeno “twist” à boa e velha maneira do cinema Sul Coreano. Estranhamente, desta vez nem resulta particularmente bem, pois na verdade pelo menos a mim não me causou propriamente grande impacto.

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Se calhar porque tudo o resto já tem até tensão a mais durante o filme todo, mas achei realmente que desperdiçaram uma ligação que poderia ter havido no contexto da história. Essencialmente para mim só “falha” mesmo o twist do filme. Não porque não seja eficaz, mas porque deveria ter sido um murro no estômago e não foi; isto porque até ocorrer a revelação nada no contexto do argumento apontava para algo assim tão anónimo (até porque todos os diálogos com o terrorista são por telefone) e por isso quando esta “surpresa” surge de repente , pelo menos eu achei que foi algo metida a martelo para introduzir o inevitável twist.

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Mas não deixem que isto os afaste de [“The Terror Live“]. É apenas uma opinião pessoal.
De resto tudo nesta história é do melhor. Vão ficar agarrados até ao último segundo e não se irão esquecer deste filme tão cedo; especialmente tendo em conta tudo o que se tem passado no mundo actualmente e se costumam acompanhar noticiários televisivos.

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CLASSIFICAÇÃO:

É impossível não dar a nota máxima a isto. Mesmo já conhecendo a história acho que da segunda vez que vi o filme ainda gostei mais dele; talvez porque pude reparar no resto à volta das cenas de suspense de uma forma mais descontraída e observar como este [“The Terror Live“] é realmente um produto muito bem feito e que prova que o cinema comercial também pode ser inteligente sem deixar de ser cinema espectáculo.

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Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque este é daqueles se revê inúmeras vezes e a intensidade nunca se perde.

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A favor: o argumento, os actores, a realização, a montagem, o politicamente incorrecto da mensagem, os efeitos especiais.
Contra: o “twist” poderia ter tido mais impacto se tivesse sido integrado num contexto envolvendo algum personagem presente no estúdio ou nos directos talvez, pois aparece algo de pára-quedas só para –surpreender– e quanto a mim destoa da estrutura do filme até então.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2990738

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E se gostaram deste não vão querer perder:
capinha_Midnight_FM 
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Battle in Outer Space (Uchû daisensô)Ishirô Honda (1959) Japão


Eu adoro filmes de ficção-científica da chamada “Golden Age of Sci-fi”, essencialmente produções dos anos 50 até inícios de 60. Adoro filmes com foguetões, extraterrestres muito ameaçadores e invasões  de discos voadores só porque sim. [“Battle in Outer Space”] é um deles e curiosamente foi um filme que me tinha escapado até ontem. Já tinha visto o seu cartaz mas ainda não tinha colocado os olhos no filme e devo dizer que tanto me surpreendeu em muitos aspectos como me irritou por demais noutros.

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Muitos de vocês se calhar não sabem, mas existem inúmeros títulos associados aos estados unidos que na verdade nunca foram produzidos em Hollywood mas sim na Rússia (que estava muito (mas muito) à frente dos americanos em efeitos especiais nessa época).
Também o Japão a partir de Godzilla investiu forte e feio em cinema espectáculo dentro do género catástrofe e mal ou bem acabou por marcar uma época e definir um estilo que se mantêm até hoje.

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Enquanto na Rússia se produziram excelentes títulos de ficção-científica séria ao nível dos melhores romances da época com produções como “Road to the Stars (Doroga k zvezdam)“; “Planet of Storms (Planeta Bur)” ou “Voyage to the End of the Universe (Ikarie XB1)” que mais tarde foram comprados, dobrados e retalhados por Hollywood ao serem criadas “versões americanas” desses filmes para os drive-ins; o Japão atirava cá para fora uma sucessão de clones do Godzilla e também alguns exemplos daquilo que depois, com a chegada de Star Wars em 1977, viria a ser o género da space-opera no cinema ocidental.

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Este fascinante [“Battle in Outer Space”] estreou em 1959 e quase que aposto que George Lucas na altura com 16 anos o deve ter visto e o reteve na memória, pois curiosamente a batalha espacial final neste filme Japonês tem extraordinárias semelhaças com o ataque à Estrela da Morte no fim do Star Wars original. O tom é practicamente o mesmo intercalando cenas de tiroteio espacial entre caças trocando raios laser com inserts em grande plano dos pilotos dentro das naves a comunicarem uns com os outros.
Que eu me lembre, nunca tinha aparecido algo assim antes no cinema e pelo visto [“Battle in Outer Space”] foi pioneiro nisto. Vale a pena verem este filme pela batalha espacial final pois é muito divertida ao mesmo tempo que é completamente imbecil.

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Aliás, começando logo pelo que este filme tem de bom, os efeitos especiais para a época devem ter sido absolutamente inovadores. Dentro do contexto são realmente bons e penso que são até algo superiores ao que o Japão fazia na altura com os clones de Godzillas; em particular nas cenas espaciais.
As partes no espaço são fascinantes. Ao contrário dos série-b americanos que filmavam modelos de foguetões pendurados por fios essencialmente de perfil contra fundos pretos, em [“Battle in Outer Space”] há uma tentativa muito boa de apresentar algumas sequências com profundidade, filmando as naves de vários ângulos em viagem pelo espaço de uma forma até ainda bastante actual.

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O design dos foguetões também é bastante bom e não tem aquela estética de supositório com asas que era comum no primitivo cinema do género na américa, apostando já em apresentar as naves espaciais com alguma identidade e pormenores interessantes.
[“Battle in Outer Space”] em termos visuais começa logo bem, com uma pequena mas excelente sequência de ataque a uma estação espacial em órbita (no distante e futurista ano de 1965) e que só peca por ser muito breve. Não só o ataque alienígena é divertido como o próprio design da estação espacial tem muita pinta.

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Aliás, outra coisa muito boa neste filme são os matte-paintings que estendem paisagens naturais ou inserem elementos futuristas nos cenários. São muito variados, bem pintados e muito bem integrados no filme seja onde estiverem inseridos.
Muitas maquetas são bastante engraçadas, o design dos discos voadores alienígenas é muito cool e todo o conjunto visual funciona muito bem.

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Em termos de cenários idem. Especialmente nas partes lunares onde [“Battle in Outer Space”] consegue realmente ter uma atmosfera bem mais cuidada do que muito cinema da época costumava apresentar. Há alguma variedade de cenários e ambientes, mais uma vez os matte-painting expandem as paisagens lunares de uma forma excelente e tudo resulta para fazer com que o meio do filme passado a aventura na lua seja sem sombra de dúvida uma das melhores partes desta história sem pés nem cabeça.

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E é precisamente a história que afunda [“Battle in Outer Space”] e o remete automáticamente para o reino daquele mau cinema que é imperdível. Isto não é de todo a excelente ficção-científica séria da Russia mas também não é o típico filme simplistico de foguetão filmado no quintal produzido em Hollywood na época. Isto é algo muito à parte.
É uma espécie de cruzamento entre um filme catástrofe em modo Godzilla com cidades arrassadas porque sim, a típica aventura de foguetão americana (onde nem falta a inevitável cena dos asteroides que quase colidem com as naves; mil vezes repetida na FC da época), com algo que é na verdade uma espécie de proto-space-opera que mais tarde seria popularizada por Star Wars com os seus combates no espaço.

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Essa mistura torna [“Battle in Outer Space”] num filme estranho.
É ao mesmo tempo muito divertido e muito irritante também.
E a culpa é dos personagens.
[“Battle in Outer Space”] é absolutamente inepto quando tenta apresentar pessoas nesta história. É claramente um filme de efeitos especiais em que o realizador não tem qualquer talento para dirigir actores, tem personagens a mais e um argumento que não faz ideia do que apresentar para os personagens dizerem. É absolutamente atroz e quase inacreditável de tão mau que é.

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[“Battle in Outer Space”] sofre precisamente do mesmo mal que um dos grandes clássicos americanos da FC, “The Thing from Another World” sofria. Este filme que anos mais tarde foi refeito por John Carpenter no seu “The Thing”, na sua versão original de 1951 para mim é um dos filmes mais irritantes de sempre precisamente por causa dos personagens.
Tem pessoas a mais a passearem pelos cenários sem qualquer identidade e depois andam todos em fila indiana uns atrás dos outros quando acontece alguma coisa. Há cenas “de suspense” em que metade do elenco anda a correr em fila atrás do tipo que vai à frente e depois dá meia volta e segue tudo em fila noutra direcção.
[“Battle in Outer Space”]  sofre exactamente do mesmo mal.

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Por causa disso o início do filme tem cenas completamente rídiculas em que por exemplo dezenas de protagonistas (?) correm atrás de um vilão em grupo, estilo manada de vacas com o mau a correr à frente. E isto é aquilo que passa por cena de acção com personagens humanos nesta história.
Quando chega a parte da aventura na lua, a Terra envia não um mas dois foguetões para irem atacar a base dos extraterrestres (com um único canhão laser) e em cada nave há umas dez pessoas que não conhecemos de todo nem nos importamos minimamente com elas pois são peças do cenário. Não têm nada para fazer nesta história a não ser andar uns atrás dos outros “nas cenas de acção”.

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Quando exploram a lua a coisa agrava-se pois com os fatos de astronauta vestidos ainda menos sabemos quem é quem, embora “o heroi” deva ser quem vai á frente com a manada atrás. Eu sei que isto é suposto fazer parte do charme ingénuo deste tipo de cinema, mas acreditem-me, neste caso tal como acontecia no americano “The Thing from Another World” alguns anos antes, é algo extremamente irritante. Isto porque pura e simplesmente nos desliga por completo dos personagens. Em [“Battle in Outer Space”] não nos importamos minimamente com ninguém e só desejamos que passem á cena de efeitos seguintes para não ter que ouvir aquelas pessoas abrirem a boca sem nada para dizer ou com diálogos “técnicos & científicos” de morte. Poderia ser divertido, mas é irritante como o raio porque este tipo de coisa é o que passa por desenvolvimento de personagens neste filme e repete-se constantemente.

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Como resultado disto também a batalha final no espaço não tem qualquer interesse para além dos efeitos especiais e da dinâmica da coisa, porque os supostos herois do filme nem participam nela !! Estão sentados mais uma vez numa sala de comando na Terra a ver a coisa acontecer no espaço através de um enorme televisor e mais nada !
Curiosamente, esta é uma das características do cinema Japonês desta época dentro deste género e em particular desta produtora. No final das aventuras nenhum dos personagens costumava participar na acção porque toda a gente se limita a ficar numa sala de comando qualquer à espera que a batalha final se desenrole e acabe bem para o lado deles enquanto outros personagens completamente anónimos lutam.

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E vocês nem querem saber qual é o papel das mulheres neste filme. Neste tipo de cinema quando feito nos estados unidos já serviam apenas para gritar mas neste filme não servem só para gritar como também são burras como o raio. Esperem só até vocês chegarem à cena na lua em que uma astronauta é cercada por um bando de extraterrestres…
E por falar em extraterrestres…é melhor nem dizer mais nada.
A Terra foi invadida porque sim.

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E voltam vocês a perguntar; mas não é esse o charme deste tipo de filmes ? É sim, mas há uma linha que separa -o charme- de um argumento completamente imbecil (até mesmo para esta altura), que dispensa por completo qualquer personagem humano e no entanto desperdiça cena atrás de cena com dezenas deles no ecran a todo o instante quando não lhes dá absolutamente nada para fazer e muito menos faz com que nos importemos com eles.

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Sendo assim, [“Battle in Outer Space”]  recomenda-se moderadamente a quem se preparar para conseguir ver isto sem lhes apetecer enfiar uns murros nos protagonistas.
Ou se calhar é uma obra prima. Não sei, estão por vossa conta.
Não sei se lhes recomende a versão dobrada em inglés ou a versão original. Se calhar a versão dobrada é ainda pior. Eu vi a versão original legendada em inglés e apesar de tudo é suportável…apesar de eu não entender esta mania dos Japoneses de colocarem um elenco internacional espalhado pelo filme todo também, a falarem todo o tipo de idiomas quando depois mais uma vez o argumento não desenvolve qualquer personagem e portanto o cast internacional aqui também não serve para nada. Acontece aqui também como depois continuou a acontecer anos mais tarde, com efeitos ainda mais risíveis em “Sayonara Jupiter” por exemplo.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Battle in Outer Space”] não deixa de ser um verdadeiro guilty-pleasure e totalmente obrigatório para quem gosta de conhecer títulos dos primórdios da FC, (na mesma linha de um “The X From Outer Space” ou “The Green Slime“); até porque em efeitos especiais este é realmente muito bom; bastante cuidado para a época e muito imaginativo visualmente.
Não fossem os personagens absolutamente vazios, sem um pingo de interesse para a história e este filme levaria uma classificação bem mais alta.

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Dentro do género “Message from Space” já uns anitos depois, ou até mesmo “War in Space” são bem mais divertidos. Até “X-Bomber” que é com bonecos consegue ter personagens melhores e bem mais humanizados que [“Battle in Outer Space”].
Portanto, três tigelas de noodles porque dentro do género retro é bom por ser bom em termos técnicos no que toca a design e efeitos.

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A favor: o ambiente, o design, os efeitos, os matte-paintings, as cenas na lua, a batalha no espaço.
Contra: é um vazio absoluto para lá dos efeitos especiais, zero carisma ou interesse nos personagens humanos, a história ainda parece pior por causa dos personagens, nem se vêem os extraterrestres tirando uma sequência absolutamente ridicula na lua envolvendo a habitual rapariga astronauta que grita muito e é burra como o raio, os personagens podem ser absolutamente irritantes porque a escrita deste argumento é atroz, em termos de argumento é ainda pior do que aquilo que costuma ser o standart ingénuo da FC dos anos 50 o que pode tornar este filme insuportável em vez de divertido.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0053388

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Black Coal Thin Ice (Bai ri yan huo) Yi’nan Diao (2014) China


Pensava que era desta que ia aqui escrever uma recomendação para um excelente policial em estilo oriental mas fui enganado. Tudo indicava que [“Black Coal Thin Ice“] ia ser realmente um bom título para um género de que ainda pouco falei por aqui na cinematografia oriental, mas afinal ainda não é desta.
As “iludências aparudem” meus amigos.

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Estou cá com a impressão de que a crítica ocidental que diz maravilhas deste filme só deve ter visto mesmo apenas o trailer e nada mais.
Isto porque tudo o que tem sido escrito sobre [“Black Coal Thin Ice“] em tom exacerbado por alguns críticos iluminados em puro extase de intelectual de café, realmente está absolutamente certo se apenas virmos o trailer.

Tudo no trailer indica que isto vai ser um excelente policial noir sim senhor. O trailer tem mistério, puxa-nos para dentro da história e tem um ritmo que parece perfeito para um filme policial nestes moldes.
Depois vemos o filme e parece que alguém se enganou na montagem.
[“Black Coal Thin Ice“] contém realmente todos os elementos que estão na apresentação, mas este é um caso típico de como uma montagem pode determinar o tom e o estilo de um filme, para bem ou para o mal.

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[“Black Coal Thin Ice“] tinha tudo para ser o thriller intenso, estilizado e emocionante que aparenta ser no trailer, mas na realidade é um filme muito diferente.
É uma pena, mas este filme é um daqueles que até irrita porque o potencial é absolutamente fantástico, a história é boa, o ambiente visual está lá mas depois deita tudo a perder quando entra por um estilo pretencioso nos moldes do pior cinema de autor.
Não que [“Black Coal Thin Ice“] seja chato como o raio, mas sinceramente deveria ter sido o filme que aparenta no trailer e não o filme que na realidade é.

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Estou sinceramente convencido que muita gente deve ter escrito reviews à pressa para entregar ao editor no último minuto apenas tendo olhado para o trailer sem ter visto o filme.
[“Black Coal Thin Ice“] dispensava por completo aquelas pausas narrativas, aqueles enquadramentos longos e momentos contemplativos que parecem durar minutos a fio quando na verdade até só duram alguns segundos.
Não há nada de errado num realizador querer criar um ambiente intimista, criar uma atmosfera desencantada para basear a sua história numa realidade urbana em vez de a filmar numa espécie de versão da realidade num tom cinematográfico habitual, mas sinceramente bastava estabelecer essa premissa num par de cenas só para o espectador perceber onde está e depois deveria ter seguido em frente.

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Em muitos momentos o tom narrativo de [“Black Coal Thin Ice“] parece o equivalente àquela velha piada que nunca mais acaba porque quem a conta repete a história sucessivamente minutos a fio antes da punchline final que deveria ter graça mas que depois perde todo o impacto.
São assim todos os bons momentos que acontecem na história deste título policial.
Quando a narrativa parece que finalmente vai reproduzir o filme que vimos no trailer, o realizador resolve entrar novamente em modo “artístico” e encalhar a montagem com mais uma daquelas pausas contemplativas de qualquer coisa, takes com segundos a mais que perpetuam momentos vazios (e nunca mais ninguém diz – “corta”); ou então inserindo cenas que na verdade não servem absolutamente para nada na história, mas parecem estar lá porque o realizador está mais preocupado em ser considerado – um autor – do que em contar uma história noir pura e simples nos moldes clássicos.

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Há algures um excelente filme noir pelo meio de [“Black Coal Thin Ice“], visualmente é muito atmosférico, baseado numa realidade urbana fria e desencantada e a história no seu todo é muito boa.
A história gira à volta de um crime inicial que depois se ramifica por mais uns quantos e tinha um potencial fantástico para nos surpreender. Começa com o facto misterioso de que vários bocados de um cadáver apareceram ao mesmo tempo em várias regiões distantes da China mas logo se torna numa história mais intimista que leva a conclusões relativamente inesperadas. Tivesse [“Black Coal Thin Ice“] sido realmente o filme que parece ser no trailer, estariamos na presença de um excelente policial noir.

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[“Black Coal Thin Ice“] falha pura e simplesmente porque todo o mistério, mas principalmente todos os twists e revelações da história são completamente diluídos por tantos momentos em modo -cinema de autor- que insistem em fazer com que o impacto da narrativa se perca constantemente.
Quando acontece algo que deveria ser um twist ou uma reviravolta na história, o espectador practicamente nem sente o impacto da revelação ;(nem notamos às vezes) e isso é o pior que para mim pode acontecer naquilo que supostamente seria uma história policial.

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O problema de [“Black Coal Thin Ice“] é que nunca se define se quer ser cinema de entretenimento com uma boa história policial ou um título iluminado no cinema de autor cheio de metáforas pessoais sobre o isolamento, a depressão, vidas vazias, etc, mas num tom algo pretencioso.
Toda essa vertente estraga por completo o que deveria ter sido um excelente policial chinês.
Por um lado continua a ser. Se vocês conseguirem abstrair-se dos tiques -auter- da história e terem presença de espírito para se concentrarem apenas no mistério policial, se calhar irão gostar bastante.
O filme tem um enorme potencial. Mas na verdade são dois filmes colados num só e não resultam como um todo numa análise final.

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Visualmente tem momentos excelentes e é um daqueles títulos que me recordou constantemente  Blade Runner. Estava a ver [“Black Coal Thin Ice“] e a imaginar que se o ambiente disto tivesse uns carros voadores pelo meio e uns edificios épicamente tecnológicos como background nos cenários, este seria uma argumento fantástico para uma espécie de sequela não oficial made in china para Blade Runner.

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Todo o ambiente está cheio de neons, viela escuras contrastando com as luzes da cidade e é um filme essencialmente nocturno cheio de contrastes de cor e jogos de iluminação muito bem pensados. Os personagens parecem também ser absolutamente perfeitos para Blade Runner, o detective desencantado (que não detectiva por aí além), a femme fatale num estilo Rachel mas em tom urbano contemporâneo, um “vilão” que num mundo futuristico poderia muito bem ter sido um excelente replicant e todo um conjunto de referências actuais orientais que o próprio Blade Runner utilizou com uma estética futurista trinta anos atrás.
Até o anti-heroi tem qualquer coisa a fazer lembrar Rick Deckard.

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Por este prisma [“Black Coal Thin Ice“] é um filme fascinante, pois sente-se que poderia ter sido realmente um Blade Runner a todo o instante. Inclusivamente o tom intimista e a história de amor melancólica estão lá também, (só falta Vangelis); apenas tudo leva com um estilo de realização que é por demais pretencioso para que os ingredientes certos resultem como deveriam ter resultado mesmo neste cenário contemporâneo.

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[“Black Coal Thin Ice“] é também um filme algo deprimente. Uma coisa que contribui imenso para isso é a banda sonora clássica por vezes em tom de Adágios sucessivos (algum Richard Strauss), ou então entra pela música pimba chinesa mais atroz. Isto até nem teria sido problemático; o problema é que aliado àquele estilo de realização pretencioso em modo -instalação artística- por vezes, isso ainda contribui mais para que a sua história de mistério se perca por completo.
E o final também não ajuda. O mistério resolve-se mas depois há minutos a mais na conclusão quando o filme fecha assim com mais uma espécie de metáfora visual e que era perfeitamente desnecessária, até porque parece que irá levar a qualquer lado e não leva a lado nenhum. E o filme acaba. The end.

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CLASSIFICAÇÃO:

Há por aqui em [“Black Coal Thin Ice“] um excelente filme noir a querer saltar para fora a todo o instante. Precisamente aquele filme noir com que o trailer engana toda a gente mas não existe de todo nesta produção e não é de todo o que aparenta ser se vocês forem pelas críticas entusiasmantes que aparentemente tem recebido por todo o lado.

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Todas as excelentes qualidades que ninguém nega a este título, são no entanto diluídas pela pretenção a cinema extremamente sério num tom de autor que era perfeitamente dispensável, pois neste caso só serviu para colocar em terceiro plano aquilo que deveria ter sido o seu maior atractivo; o argumento. Em [“Black Coal Thin Ice“] filma-se muito para lá do que o argumento pedia para resultar e tudo o que é adicional torna-se pretencioso como o raio e em alguns momentos secante também pois faz com que a história perca todo o impacto.

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Duas tigelas e meia de noodles, porque é um filme extremamente interessante mas nem de perto ou de longe é a obra prima que certa crítica parece ter visto neste título. E podia ter sido.
Quanto a mim os críticos só viram o trailer mesmo. Esse sim, contém o filme que isto deveria ter sido e que aparenta ser nas reviews ocidentais.

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A favor: a história é boa, o ambiente visual é excelente, boa fotografia, bons actores e bons personagens, o trailer é fantástico.
Contra: não se deixem enganar pelo trailer, tem cenas que se alongam por demais, o tom de cinema de autor torna-se pretencioso e é totalmente dispensável num titulo que não pedia mais do que ser aquilo que parecia ser quando vemos o trailer mas não é.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3469910

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The Furthest End Awaits (Saihate nite) Hsiu-Chiung Chiang (2014) Japão


Lá vem este com aqueles filmes onde não se passa nada…
Yup, pois é.

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Bem-vindos a [“The Furthest End Awaits“].
Um filme onde não se passa nada.
Se gostam de histórias simpáticas passadas à beira mar em locais com uma paisagem natural fantástica [“The Furthest End Awaits“] poderá ser uma boa escolha para passarem duas horas muito calmamente.

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Misaki regressa à sua terra natal e à velha cabana do pai localizada numa vila remota da costa norte do Japão. Não vê o pai desde que foi levada pela sua mãe para longe a quando do divórcio dos dois muitos anos atrás; nunca mais soube dele até que lhe foi comunicado o seu desaparecimento oficial e Misaki volta para a sua vila na esperança de que um dia o seu pai também tenha a mesma ideia e regresse para junto dela.

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Ao regressar, faz remodelações na sua antiga casa transformando-a num pequeno café especializado em misturas de grão que comercializa pelo Japão inteiro a partir desse sitio.
Na sua frente como vizinhos, tem uma rapariga que habita numa pousada decadente com duas crianças e que aparentemente vivem ao abandono pois a vida da mãe acontece entre um trabalho numa grande cidade algo distante dali e os seus encontros com uma espécie de namorado algo duvidoso que aparece de vez em quando pelo local.
[“The Furthest End Awaits“] é a história de como as vidas destes personagens se cruzam e de como uma chávena de café pode ligar duas pessoas que há partida não têm muito em comum.

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Ou seja, este é um filme muito simples, de muito baixo orçamento e que curiosamente foi baseado numa história real passada precisamente na mesma àrea onde agora foi feito. Segundo li, parece que o verdadeiro café, encontra-se a menos de 2km do local onde a recriação desta história foi agora filmada.

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De resto não se passa muito nesta história. Estranhamente mantém-nos colados ao ecran pelo carisma das personagens e no final ficamos até com vontade de passar por lá um dia. Na verdade começando logo pelo que o filme tem de menos bom, o final é demasiado abrupto; não porque não resolva o que tem por resolver mas porque nesse momento já estamos a gostar tanto de acompanhar a vida daquelas pessoas que teriam sido bem-vindas mais um par de cenas em jeito de epílogo para compor a atmosfera.

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Uma coisa que quase arruína o filme é o personagem do namorado da jovem mãe. Nunca sabemos nada sobre ele, para além de ter um aspecto chunga, vestir-se pior ainda e gostar de roubar o dinheiro do almoço escolar das crianças. Na verdade o desenrolar da história apresenta-o de uma forma tão unidimensional que practicamente se torna um vilão de um qualquer cartoon trágico pois parece não pertencer a um filme como este. Por outro lado a sua aparição também é breve e portanto acaba por não chatear muito.

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[“The Furthest End Awaits“] é essencialmente um filme feminino com personagens fortes. Aliás, tudo o que é homem nesta história ou não presta ou não tem grande utilidade o que lhe valeu algumas notas menos boas em algumas reviews que apontaram esse pormenor como um entrave à naturalidade da história. Por mim, não me chateia de todo; acho que está de acordo com o tom melancólico e algo poético do filme e penso que as personagens femininas resultam plenamente em todos os sentidos.

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O elenco é muito pequeno, mas excelente; a química entre as actrizes é óptima e esquecemo-nos muito cedo que estamos a ver um filme. Tanto as protagonistas como a miuda pequena formam um trio que nos agarra ao filme só para saber o que se passará a seguir, mesmo percebendo desde cedo que não se passa muito em [“The Furthest End Awaits“].

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Mantendo a “tradição” deste argumento, onde os homens são essencialmente uma peça de cenário dispensável, também destaco pela negativa o puto pequeno que é particularmente irritante nesta história. Não que seja mal representado pelo mini-actor, muito pelo contrário, mas a verdade é que sempre que abre a boca seria melhor se estivesse calado, pois a atmosfera da história funciona sempre muito melhor quando ele não está presente no ecran.

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Resumindo, [“The Furthest End Awaits“] é um filme altamente recomendável. Não é um drama melodramático em extremo, não é particularmente emotivo sequer, mas contém um grupo de pessoas que vocês irão gostar de acompanhar.
O ambiente é excelente, a pouca história que tem é estranhamente interessante e tudo se desenrola junto ao mar numa localidade que é muito bonita.

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Aliás, segundo consta o filme é criticado por não ter aproveitado de todo o ambiente cénico que está de verdade à sua volta e sinceramente se assim é também não entendo porquê. Sente-se a todo o instante que aquela àrea deve ter paisagens naturais fabulosas e teria sido bom até para abrir o filme um bocadinho que tivessem sido melhor aproveitadas.
Provavelmente o orçamento também não deu para muitas deslocações, afinal isto em termos de comparação nem um série-b seria nos estados unidos pois [“The Furthest End Awaits“] custou pouco mais de um milhão de dolares a produzir o que no panorama actua é o mesmo que nada.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se procuram um drama ligeiro, com um ambiente calmo e até poético num daqueles filmes que não tem pressa de ir a lado nenhum, [“The Furthest End Awaits“] é uma escolha excelente que se recomenda vivamente.

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Apesar de lento, não é um daqueles filmes de autor pretencioso, tudo o que faz resulta e inclusivamente tem uma banda sonora minimalista bastante bonita que cria uma excelente atmosfera com acordes de piano e viola salpicados nos pontos chave da história.
Quatro tigelas de noodles pois é muito, muito bom mesmo.

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A favor: a simplicidade de tudo resulta, é passado num local natural muito atmosférico, bons desempenhos do elenco, banda sonora minimalista agradável, boa realização e fotografia.
Contra: o personagem masculino mais evidente neste drama está totalmente deslocado do tom do filme pela sua caracterização excessiva enquanto grunho, a criancinha masculina poderá ser algo irritante também pois quando aparece quebra alguns dos momentos bonitos da história.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3524792

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