Vikingdom (Vikingdom) Yusry Abd Halim (2013) Malásia


Vocês devem estar completamente baralhados agora ao espreitar as fotos deste título mas eu juro que [“Vikingdom”]  é um filme asiático !!
Não, a sério !!…
E melhor ainda, não só é um filme asiático como é uma história de vikings passada no norte da europa com actores ocidentais e totalmente filmada na Malásia !!!
Ainda está alguém aí ?…

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Após mais de 150 filmes que já andam por este blog, (fora as centenas de outros que já vi) a última coisa que me passava pela cabeça era vir a encontrar um produto assim com estas características. Muito menos vindo da Malásia da qual eu desconheço em absoluto a filmografia.
Vikings made in Malasia…conseguem imaginar ?… Eu consigo.

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Nunca me passou pela cabeça ao ver [“Vikingdom”]  que este fosse mais do que cinema independente europeu, filmado algures pela Noruega ou na pior das hipóteses num qualquer estúdio da europa de leste ou algo assim. Jamais iria imaginar que hoje estaria a escrever sobre isto precisamente aqui no meu blog de cinema oriental; até porque já me preparava para colocar esta review no meu outro blog (algo em pausa) sobre cinema de culto e FC, o “Universos Esquecidos” que serve precisamente para que eu fale sobre coisas como esta.
Bom, mas e então, [“Vikingdom”] é bom ?

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Não. Não é bom.
É brilhante !
[“Vikingdom”]  é para mim o “Lord of the Rings” dos séries B sem dinheiro apesar de há primeira vista se parecer mais com o “300” de Zack Snyder do qual eu não sou particularmente fã…
Este agora foi feito com apenas 15 milhões de dólares e portanto quem espera encontrar aqui uma super-produção ao melhor nível técnico de Hollwyood é melhor esquecer. O que me leva desde já a perguntar, o que raio estariam á espera aqueles utilizadores que no imd dão 1 estrela a [“Vikingdom”].

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Não consigo entender de todo aquele público que olha para filmes de baixo orçamento como se estes tivessem o dever de se equiparar a uma produção com dez vezes dinheiro e meios técnicos superiores. Até há quem acuse o filme de ser racista por um lado e insultuoso para a fé cristã  por outro !! (What ?!!)
A tal ponto a polémica estalou que até o realizador colocou no youtube uma resposta aos ataques ponto por ponto e acho muito bem que o tenha feito pois eu faria o mesmo.

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Como podem ver por muitas opiniões no IMDB aparentemente muito pouca gente gosta, ou percebe qual a piada no cinema de baixo orçamento. O que não falta por aí são produtos bem inferiores a este feitos com o triplo do dinheiro e no entanto as audiências parecem adorá-los apenas porque o marketing os apresenta como fenomenais. Algo com que um produto de fantasia feito na ásia não pôde contar certamente.

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Ok, esqueçam os actores. Ninguém ganha um Óscar aqui e [“Vikingdom”] conta inclusivamente com o protagonista mais inexpressivo desde Stallone no Rambo, o que já agora anula, por completo a parte romântica da história pois o homem simplesmente tem a emotividade de um tronco.

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Isto somado a actores com sotaques deslocados num filme viking (excessivamente british em alguns casos), até ao personagem chinês(?) com o ar mais ocidental do planeta (juro que pensei que o gajo era Português ou Brasileiro); se é por aí que vocês avaliam um bom filme então juntem-se ás dezenas de pessoas que acham que [“Vikingdom”]  é o pior filme do mundo devido á suas inúmeras inconsistências.
As mesmas que sem as quais o cinema de série – B perderia toda a piada mas muita gente não entende mesmo isso insistindo em compará-lo depreciativamente com o plástico sem alma mas bem mais bem publicitado que todos os fins de semana invade as nossas salas de cinema.

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Notem que eu disse “inconsistências”, não disse -falhas.
Quando vocês virem este filme, se calhar irão surpreender-se com a escala épica que consegue alcançar e porventura chegarão também á conclusão que nisto tudo o que menos interessa são os actores (e muito menos os efeitos).
Na verdade os personagens também não ajudam; temos muitas personalidades (quase como os anões no “The Hobbit”), mas depois o desenvolvimento de cada um é zero. Alguns, não chegam a permanecer 10 minutos no écran desde que aparecem na história até que são simplesmente mortos como se fossem um vulgar figurante sem importância. Inclusivamente um chamado “Henrique” que me deixou a pensar se pretenderia ser de origem Portuguesa pela geografia que é brevemente mencionada na história.

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Quanto a mim [“Vikingdom”] não tem falhas. É filme “mau”;  de baixo orçamento e portanto segue tudo aquilo que um “bom filme mau” deve seguir nestes casos. Senão vejamos:
Mete actores duvidosos – check !
Mete miúdas boas com espadas e flechas – check ! (Bom personagem por acaso)…
Mete vilões muito maus – check !
Porrada de criar bicho – check !
Litros de sangue e muita espadeirada – check !
Figurantes que não sabem representar – check !
Mete óbvios “efeitos nada especiais” – check !
Acima de tudo tem que ser muito, muito divertido – check !!
E por aí adiante se é que me compreendem.

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Na verdade se vocês entrarem no espírito, assumirem que estão a ver não só uma produção asiática como ainda por cima um produto baratinho, garanto-vos que irão conseguir surpreender-se bastante e se calhar darem o devido valor ao resultado final.
A atmosfera de fantasia em [“Vikingdom”] é do melhor que vi nos últimos anos, por vezes consegue fazer-nos esquecer que estamos a ver um produto simples; especialmente quando o filme se abre em vastas paisagens épicas –larger than life– que não destoariam de aparecer no Lord of the Rings por exemplo.

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Depois é extremamente variado. Há quem comente que o argumento tenta meter coisas a mais; se calhar é verdade, mas também é verdade que isso dá ao filme uma enorme variedade onde há sempre algo a acontecer de diferente no écran a todo o instante.

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Como “road movie” de Fantasia é perfeito e segue sem problemas a velha fórmula Tolkien/Dungeons-and-Dragons com alguma originalidade que inclusivamente afastou o público mais estereotipado. Um bom vilão cheio de personalidade, o bando de heróis, a miúda da espada, o “Gandalf” de serviço, o personagem exótico (normalmente um anão, neste caso um chinês), um objecto mágico, uma boa e variada “quest” com vários locais por onde os heróis têm de viajar e a inevitável batalha épica no final. Ah, e tem elfos , ou melhor, o seu equivalente nórdico o que devolve o conceito um pouco á sua origem também.
Check, check, check !
Good job !

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Uma das grandes mais valias de [“Vikingdom”]  é que se nota que nunca tenta ser mais do que o seu orçamento permite embora pareça recusar-se a ser a penas mais um. Até as cenas de acção são particularmente cuidadas e curiosamente apesar de usarem e abusarem do – slow motion – (estilo “Pact dês Loups – O pacto dos Lobos”),  nunca se tornam forçadas aos olhos do espectador. Na verdade 90% da adrenalina deste filme está nas suas cenas de acção muito bem pensadas, nem sempre bem executadas mas que resultam plenamente e tornam [“Vikingdom”] absolutamente divertido e carregado de adrenalina.

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E quem gosta de baldes de sangue vai adorar este filme. Sangue é o que não falta por aqui mas curiosamente o seu estilo cartoon/comics retira-lhe imediatamente o habitual efeito choque e até acho que seria essa a intenção aqui, pois afinal isto não é um filme de terror mas um filme de aventuras. O que importa é que não se coibiram de usar sangue por todo o lado e isso dá imediatamente vida e coerência áquele mundo de fantasia viking que o filme retrata.

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As batalhas são muito divertidas e variadas. Tanto podem parecer retiradas de um comics ou filme da Marvel como acontece no início da história, como depois entram pelo estilo Riddley Scott quando faz os seus épicos medievais, passa pelo inevitável cinema de artes-marciais ao melhor estilo Wuxia (não fosse um dos personagens supostamente Chinês), percorre o estilo Peter Jackson com algumas vistas de batalhas épicas e termina em algo que se calhar se pode descrever numa mistura entre filmes do Jean Claude Van Damme dos anos 80 e um episódio do novo Dr.Who !!!
Gostaram ? Já estão curiosos ? Vão adorar o resultado.

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Portanto, coisas más do filme…
Pá, tudo; se o virem pela perspectiva de quem procura aqui uma americanada típica. Como se queixam alguns utilizadores pela net, nem a missão dos heróis segue bem a habitual estrutura que se vê nos filmes americanos ( e parece que isso chateou muito espectador que pelo visto ainda queria as coisas mais bem explicadas)…
Por outro lado se esquecerem o estilo cartoon, a história a duzentos á hora e os actores que nem sempre resultam particularmente bem, esqueçam também o óbvio Cgi que percorre o filme e admirem-se com o que este faz bem.

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E o que faz bem é muito. Grande sentido de aventura épica, boa história de fantasia, ambientes épicos e vastos num mundo de fantasia bem estruturado, montes de violência divertidissíma e um design de produção que roça o excelente pois como já disse deixou-me completamente baralhado o filme todo.
Os cenários e design de produção em [“Vikingdom”] por vezes são absolutamente fantásticos e nunca se esqueçam que estamos a falar de uma produção baratinha. A fotografia é muito boa e a realização idem contribuindo imenso para o atmosférico resultado final.

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As aldeias vikings são excelentes e bem detalhadas, os barcos viking estão impecáveis, e alguns mate-paintings que extendem as paisagens são fabulosos e bastante bem inseridos de modo a criar a ilusão de que o filme teve mais dinheiro do que aquele com que pôde contar na realidade. E para aqueles que insistem em dizer que os efeitos do filme não prestam, se calhar não repararam que as paisagens montanhosas e os planos “filmados de helicóptero” são feitos em efeitos especiais…afinal o filme foi todo filmado na Malásia sem qualquer neve real e debaixo de um enorme calor (para desgraça dos actores que passavam os dias vestidos com peles de vikings); portanto isto do filme não ter bons CGIs se calhar é relativo também.

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Estranhamente falha redondamente em alguns cenários de interiores. Muitas salas de castelos são absolutamente hilariantes e mais parecem caixas quadradas com paredes de cartão ainda pintadas de fresco onde até as supostas pedras das muralhas são desenhadas e nota-se perfeitamente. Como o filme até tem uma boa fotografia não se entende de todo porque em certas alturas parece tão ridículo em termos de interiores de castelos. Houve alguém que numa review pela net descreveu as salas dos castelos em [“Vikingdom”]  como parecendo salas de restaurante temáticas com o motivo Viking e não anda muito longe da realidade não senhor. Por outro lado isto dá logo um tom ainda mais divertido a todo o filme por isso que se lixe !

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E se acham que isso é mau, esperem até verem o (já desgraçadamente famoso) “dragão” que persegue o nosso herói a certa altura…supostamente deveria ser uma espécie de cão guardião dos infernos ao melhor estilo clássico, mas algo correu mau naquele design e é de ver para crer.
Portanto… dragão hilariante – check !
Efeito especial ainda pior – check !
“Gandalf” estilo morsa com sobrancelhas de fazer corar de vergonha um boneco dos “Muppets” – check !

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Depois de tudo isto o que dizer ainda mais sobre [“Vikingdom”]…
Deixem o cérebro á porta e divirtam-se.
Contém alto sentido de aventura e no final por entre tanta coisa má e boa sobra um pequeno filme independente cheio de carísma que se recomenda totalmente a quem gosta do género. Especialmente se forem fãs de cinema independente e de séries-B.

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Se forem como eu e não acharem muita piada àquela estética estilo “300” que desde então parece ter inundado o cinema , vão por mim, aqui em [“Vikingdom”]  é bem melhor e resulta muito bem. Na verdade é uma das melhores coisas do filme pois isto aliado a uma boa fotografia que faz o melhor que pode com tanto Cgi torna o filme num produto que se destaca dos demasiados clones do género, especialmente pelo uso das cores azul e vermelho que resultam de forma espectacular.

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Já agora, outro grande destaque para o vilão que é fabuloso. Pela internet anda por aí muita gente em estado de choque porque o Thor aqui não é um gajo giro loiro de olhos azuis mas sim uma besta de dois metros que parece saída de uma banda de death metal nórdica ! Ainda por cima é o mau e não o herói ao contrário do que aparece nos livros da Marvel , o que para muita gente é logo motivo para dizer que o filme “está mal feito”…porque o Thor toda a gente sabe,  é bonzinho…give me a break !!!

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O actor que faz de Thor vocês já o viram pelo menos duas vezes no cinema mas não o reconheceram. Ele entra nos filmes do The Hobbit e faz precisamente daquele Orc gigante que comanda os exércitos que perseguem os anões na mais recente versão filmada por Peter Jackson.
Em [“Vikingdom”] é uma das grandes mais valias do filme, pois mesmo entre diálogos que deixam a desejar o seu carísma é suficiente para elevar logo todo este série B a um nível que não se costuma ver neste género de produções fora da máquina de Hollywood.

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Aliás, pela parte que me toca e talvez porque não estava nada á espera disto, eu diverti-me bem mais com [“Vikingdom”]  do que com o The Hobbit. É que nos filmes de Peter Jackson a gente já sabe que vai ver um produto de qualidade pois ele teve dinheiro para o produzir, mas aqui, a última coisa de que eu estava á espera quando fui espreitar este filme sacado de um torrent é que acabasse por ser um produto tão carismático mesmo apesar das suas inúmeras inconsistências.
Não estava nada á espera de encontrar um produto assim e ainda mais gostei quando descobri que se tratava afinal de mais um filme saído da Ásia o que só prova que surpreendentemente o cinema de Fantasia actualmente está bem vivo por aquelas bandas e recomenda-se.

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A quem tiver espírito para séries B, naturalmente…

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CLASSIFICAÇÃO

Vocês já sabem que eu tenho mesmo que dar a classificação máxima a isto. Não será um produto para todos, mas quem gosta do género e não tiver preconceitos técnicos ou estilísticos, vai adorar este filme tanto quanto eu adorei.
Especialmente quando o cinema oriental não é muito prolífero em filmes de fantasia deste género. Que me lembre o último filme que tentou fazer algo semelhante dentro do seu registro cultural foi o péssimo filme Tailandês “Pirates of Langsuka” que podem encontrar também neste blog.
Se calhar [“Vikingdom”] não merece o máximo que lhe posso atribuir mas eu já percebi que este vai ser um daqueles filmes de série B que ainda irei rever muitas vezes e portanto para evitar que eu tenha que aqui voltar para rever a classificação leva logo agora cinco tigelas de noodles e um golden award pois há muito tempo que um série B destes não me surpreendia tanto. O último exemplo do género que vi (fora do cinema oriental) foi o fabuloso “Humanity´s End” que também recomendo vivamente pois está bem dentro do mesmo espírito que agora encontrei em [“Vikingdom”].

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A favor: A estética tenta aproximar-se da do Peter Jackson e em muitos momentos consegue-o plenamente sem nunca abdicar de uma identidade pessoal, o estilo “300” (que eu costumo detestar) mas que neste caso dá uma identidade fantástica a este filme com o seu jogo de vermelho/azul a todo o instante, o Thor é perfeito, a maior parte do design do filme é fabuloso, adoro o genérico do inicio e dos créditos finais, excelente sentido épico em grande parte dos momentos, boas cenas de acção e muita variedade nos combates, tem um par de personagens com carísma ( o amigo do herói e a miúda das flechas), pilhas de adrenalina á medida que a história se aproxima do fim, é um “road-movie” de fantasia com muita variedade de ambientes a todo o instante, alguns efeitos especiais são muito bons mesmo, excepto o “dragão” mas a piada está também aí, tudo é “mau” logo tudo é bom. 😉
Duas horas de filme passam a correr num instante.

Contra: O Martelo de plástico do Thor (hehe), o trailer não transmite de todo o quão divertido e carismático este filme é,  quem julga o cinema pela qualidade dos efeitos especiais ou pelo trabalho dos actores não irá gostar de todo, há figurantes do piorio e o herói não tem qualquer expressão durante o filme todo, que raio de cenários de interior de castelo são aqueles ?! O titulo [“Vikingdom”] é do piorio e dá ideia que o filme é uma chungaria sem personalidade nenhuma. As opiniões no imdb.
Ainda não há uma sequela…

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer

http://www.youtube.com/watch?v=kfBW6xZNVB4

Página oficial de Facebook
https://www.facebook.com/Vikingdom

capa

Comprar
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OUTRAS REVIEWS
Movie review 1
Movie review 2

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt1785669

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Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_queen_of_langkasuka 

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Quan qiu re lian (Love in Space) Tony Chan – Wing Shya (2011) China


Vi [“Love in Space”] quando saiu há um par de anos e apesar de ter sido o filme que me fez ter vontade de voltar a escrever para este blog na altura, lembro-me que apesar de ter gostado do que vi não lhe ia atribuir a nota excelente que desde já posso dizer que lhe vou dar agora.
A procura por filmes românticos orientais continua em alta neste blog como habitualmente e como há pelo menos quase três anos não recomendo por aqui um titulo do género achei que deveria voltar a este tipo de histórias com algo realmente especial e portanto na minha opinião [“Love in Space”] é a história de amor perfeita para lhes recomendar agora nesta nova fase do blog.

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Curiosamente aconteceu com este titulo o mesmo que me aconteceu com “Natural City”. Ou seja, da primeira vez que o vi, gostei mas achava que lhe faltava qualquer coisa para ser especial. O problema é que o raio do filme insistia em não me sair da cabeça ao mesmo tempo que me esquecia facilmente do que tinha visto de cada vez que o revia. E de cada vez que o revia ficava a gostar mais do filme e na verdade não tenho qualquer explicação lógica para isso.

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Se calhar é porque [“Love in Space”] é uma verdadeira manta de retalhos de pormenores com histórias entrecruzadas e a própria estrutura faz com que nos esqueçamos facilmente do que vemos semanas depois. Por outro lado não é tão complicado assim mas há aqui qualquer coisa de mágico neste pequena grande produção Chinesa…que sabe-se lá porquê durante este tempo todo eu tinha na ideia que era Sul Coreana…
Talvez porque o estilo de filme que encontramos aqui normalmente tem mais a ver com o cinema romântico Sul Coreano do que com o cinema chinês.

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[“Love in Space”] é um daqueles filmes verdadeiramente felizes. Não só porque resulta, mas porque é realmente um filme com um tom feliz fantástico e que se recomenda como cura para qualquer dia mais sombrio que vocês possam ter, pois é uma daquelas histórias que pode combater momentos de depressão apenas pelo seu visual e colocar um sorriso nos lábios do espectador quando acaba.

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Como comédia, se calhar nem tem momentos particularmente hilariantes, mas tem inúmeras sequências totalmente divertidas e tem o condão de numa única história conseguir equilibrar quatro tipos de clichés românticos que se cruzam e descruzam em personagens e situações paralelas que o espectador acompanha com imenso prazer sem conseguir encontrar um segmento preferido.

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Desde a pura comédia alucinada ao melhor estilo Sul Coreano que raramente se encontra no cinema romântico Chinês que costuma ser bem mais sério e até melancólico e sombrio até á aventura de ficção-científica numa versão quase cartoon e em conceito divertidamente percursora do filme “Gravity”, nada falta em [“Love in Space”] para divertir o espectador.

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Na primeira história a mais velha de três irmãs (astronauta) encontra-se numa estação orbital e tem o azar de ter como único colega de missão o seu ex-namorado o que leva a discussões sucessivas e gags non-stop em gravidade zero que são dos momentos mais espectaculares do filme pois os efeitos especiais em [“Love in Space”] são absolutamente perfeitos e nada ficam a dever ao melhor que se faz em Hollywood.
As cenas em gravidade zero são fantásticas e totalmente realísticas aproveitando certamente muito bem a experiência dos chineses a trabalharem com arames de suspensão.
Podem também contar com sucessivas referências a 2001 Odisseia no Espaço claro está, tudo em modo muito divertido e cheio de ambiente.

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A segunda história tem como protagonistas a irmã do meio que é totalmente germofóbica passando a vida a limpar tudo até á exaustão por causa dos virús que pode apanhar e que um dia conhece um rapaz que trabalha na recolha de lixo. A partir daqui já estão a ver o que se sucede com estes dois personagens; que na minha opinião têm uma das melhores químicas românticas dos últimos tempos neste tipo de cinema e protagonizam alguns dos momentos mais divertidos do filme também. Com especial destaque para a sequência em que os dois se vestem de cupido para tentarem ganhar um passatempo num programa de rádio. Ele com asas feitas de cartão retirado do lixo e ela com asas feitas de luvas médicas á prova de germes.

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A terceira história tem a ver com a irmã mais nova que é uma espécie de mega-estrela do cinema chinês mas que nem mesmo assim se livrou de receber o prémio para a pior actriz do ano. Para combater isso, resolve preparar-se muito bem para o próximo filme onde iria fazer de criada e portanto procura arranjar um emprego num café para tentar experenciar uma vivência real. Claro que por lá encontra um rapaz por quem se apaixona e por isso vocês já estão a ver o resto, até porque a rapariga está proíbida pelo agente de se envolver românticamente com quem quer que seja. Etc, etc, etc…
Este segmento é o mais tradicional de todas as pequenas histórias de amor, é o mais “sério” (mas não esperem um drama) e é aquele que mais se assemelha ao tipo de cinema romântico que vemos sair da Coreia do Sul e até do Japão.

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A quarta história envolve a mãe das três raparigas, viuva e cujo o cunhado a ama em segredo desde que esta, décadas atrás casou com o irmão deste, tendo o tio ficado solteiro para sempre por não ter tido coragem de se declarar quando eram novos.
Esta ao início parece ser o ponto fraco das histórias, mas garanto-vos que chegarão ao final do filme cativados por estes personagens mais maduros e que no fundo acabam por centralizar todo o enredo.

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Portanto muitos de vocês já estarão a dizer aí desse lado que já vimos isto mil vezes e portanto qual é a piada deste filme ? Bem, [“Love in Space”] para além do ambiente feliz que transmite é um daqueles filmes que está cheio de pormenores e muitos vocês só irão notar a uma segunda ou terceira visão tal como aconteceu comigo. É uma verdadeira tapeçaria de pequenos momentos que encaixam perfeitamente uns nos outros, com um ritmo fantástico e um timing para a comédia perfeito. Nunca tenta ser um filme daqueles para nos fazer apenas rir e consegue equilibrar tudo com personagens excelentes de que ficamos a gostar e temos pena de abandonar na cena final.

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Visualmente é absolutamente perfeito. O design gráfico e conceptual deste filme deve ser do melhor que me lembro de ter visto num produto do género, talvez desde o fabuloso (mas intensamente dramático) “Koizora – Sky of Love”. As cores em [“Love in Space”] estão cuidadas ao pormenor e nada é deixado ao acaso para criar a atmosfera certa para cada segmento que se torna visualmente único dentro de um filme que poderia facilmente ter descambado numa confusão visual demasiado abstracta mas tal nunca acontece.

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As cenas no espaço são fabulosas, o design e a iluminação nas sequências dentro da estação espacial são realmente do melhor e quase do outro mundo mesmo, tudo complementado por um cenário tecnológico perfeito e onde depois a própria banda sonora se encarrega de criar o resto da magia.
Antes que me esqueça, o uso da música neste filme é quase um personagem á parte, por isso recomendo vivamente que o vejam com a melhor qualidade audio possível pois [“Love in Space”] depende muito da música para nos remeter para o seu universo único.

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As histórias são simultâneamente passadas no espaço, na China e na Australia e cada segmento tem o seu tratamento visual próprio. As cenas na Austrália com o par romântico mais alucinado criam uma versão da realidade urbana deliciosamente simpática e cheia de momentos mágicos, (onde nem falta uma referência a “Manhatan” Woody Allen com a inevitável ponte em plano de fundo e os amantes no banco de jardim. As cenas na China são as mais nocturnas e talvez as mais encantadas até porque têm por base a ilusão do cinema na história de amor dos personagens e mais uma vez o uso da banda sonora é fundamental para criar uma envolvência com o espectador.

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Mas o que este filme tem é COR ! Há muito tempo que não via algo com uma paleta de cores tão bem explorada e esse detalhe é também aquilo que mais contribui para o ambiente ligeiro e descontraído destas histórias. [“Love in Space”] é um filme absolutamente luminoso em muitos sentidos.
Não será propriamente original nas suas histórias de amor, mas que raio, clichés há em todo o lado. O que seria do cinema de terror sem os tiques habituais que já vimos mil vezes mas que resultam sempre se forem bem geridos ? Porque haveria de ser problemático no cinema romântico ?…

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Também aqui agora neste tipo de histórias de amor totalmente fofinhas, o cerne da questão não está na ideia, mas sim na sua execução e na minha opinião [“Love in Space”] faz tudo muito bem e destaca-se por ser um produto único acima de tudo pela sua identidade visual mas também porque como romance consegue colocar quatro no écran quatro histórias e em todas elas o espectador ganha empatia com os personagens.

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Ainda por cima mesmo com todos os clichés consegue até ter algum suspanse, sabe-se lá como. Portanto na minha opinião este é um dos produtos românticos mais bem cozinhados dos últimos anos e um filme obrigatório para quem procura cinema oriental do género.
Ainda por cima não tenta ser mais do que é. Não se leva mais a sério do que deveria, não entra em dramatismos de pacotiha excessivos e nem precisa de nos atirar com a habitual tragédia/desgraça com uma doença qualquer  sempre tão popular no cinema romântico oriental para nos conseguir emocionar.

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Está tudo na forma como [“Love in Space”] sabe criar empatia com o espectador e posso garantir-vos que usam todos os truques e mais alguns de uma forma fantásticamente bem orquestrada que resulta em pleno para quem quiser deixar o cérebro á porta e simplesmente se divertirem com o tipo de histórias que já vimos mil vezes mas que se calhar nunca viram apresentada de uma forma tão feliz e colorida como nesta produção chinesa onde toda a gente está de parabéns.

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Quanto a coisas “negativas”…se vocês não podem com aquele estilo ultra-fofinho oriental, se calhar é melhor passarem á frente pois este filme é cute ao máximo.
Também houve alguém na net que disse que o filme não presta porque os astronautas não se comportam como astronautas reais e as cenas no espaço não são científicamente credíveis…what ?!! Eu nunca pensei que [“Love in Space”] pretendesse ser o 2001 Odisseia no Espaço. Isto não é suposto sequer ser um filme de ficção-científica julgo eu e como tal, deixem o cérebro á porta e divirtam-se pois se gostam de cinema romântico oriental , este é um daqueles que não devem perder de todo.

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E sendo assim vamos lá então passar ao que interessa.

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CLASSIFICAÇÃO

Uma das melhores comédias românticas que vi em anos recentes e um daqueles filmes que ganha a cada nova visão.
Portanto se não se assustarem com a falta de originalidade nas histórias de amor e não se importarem com a overdose cute presente em cada frame, têm aqui em [“Love in Space”] um produto muito simpático e acima de tudo um filme feliz totalmente coerente e que nunca se torna estúpido, forçado ou ridículo pois sabe equilibrar de forma perfeita o que tem para oferecer e mesmo apesar de ter sido realizado por duas pessoas e ser uma manta de retalhos com várias histórias por todo o lado o espectador nunca sente que está a ver um filme fragmentado.
Portanto e para evitar que eu mais tarde volte aqui para repensar novamente a minha classificação [“Love in Space”] leva logo cinco tigelas de noodles e um Golden Award pois de cada vez que revejo isto mais gosto dele, porque deixa-me sempre muito bem disposto e com vontade de criar coisas.

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A favor: O ambiente feliz, o design e iluminação de todas as cenas, a coerência entre todas as histórias mesmo sendo tudo tão dividido e aparentemente isolado, está cheio de gags divertidos e variados por todo o lado, a realização, a forma como a música é usada para nos fazer criar empatia com os personagens, os efeitos especiais são fabulosos, consegue apesar de tudo ter suspanse em alguns momentos mesmo quando já vimos o filme (?) várias vezes, a realização é excelente, a química entre todos os casais é simplesmente perfeita.

Contra: O trailer é fraquinho pois não consegue transmitir a verdadeira atmosfera das histórias por detrás do ambiente caótico de cartoon, é o tipo de filme que aquele pessoal que odeia atmosferas cute e fofinhas ao estilo oriental vai odiar de morte. I love it !

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NOTAS ADICIONAIS:

Comprar
Outro daqueles filme muito difíceis de encontrar em Dvd e estranhamente ainda mais complicado de o encontrar em Blu-Ray e não se entende porquê pois o visual deste filme está mesmo a pedir um tratamento de 1080P no máximo dos máximos.
Encontra-se em dvd na minha loja chinesa favorita, mas não faço ideia da qualidade da edição.
http://www.play-asia.com/love-in-space-paOS-13-49-en-70-4hn5.html

capa

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=iJQCmZRjZTQ

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1856038

Imagens da rodagem.

Behind the scenes

Behind the scenes2

Behind the scenes3

Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente. ;)

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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Cinema_oriental_no_facebook

In-lyu-myeol-mang-bo-go-seo (Doomsday Book) Pil-Sung Yim – Kim Jee-Woon (2012) Coreia do Sul


Aviso, este texto poderá conter pequenos *spoilers*. Se ainda não viram o filme se calhar torna-se bem mais fascinante se o virem primeiro sem saber absolutamente nada sobre o que irão ver e como tal não sei se recomendo que leiam já o que vou escrever a seguir. Não revelo nada de mais, mas se calhar este é um daqueles filmes que é para mergulhar nele sem fazer a miníma ideia do que irão encontrar. Por isso estão por vossa conta. 😉

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Comecei a ver [“Doomsday Book”] da melhor forma. Sem saber nada sobre ele. Pela capa parecia-me algo de ficção científica e portanto não podia deixar de o espreitar.
Comecei a ver [“Doomsday Book”] e ainda nem tinham passado cinco minutos e já eu estava a pensar criar uma nova secção neste blog apenas para WTF filmes. Ou seja, ainda o primeiro episódio presente neste filme ia a meio e eu só pensava, what the fuck ?!! Mais uma vez o cinema da coreia do sul surpreende e quando eu pensava que já tinha visto tudo, dei por mim a não conseguir adivinhar o que iria aparecer a seguir, o que é sempre bom sinal num mundo cheio de histórias mil vezes repetidas. Especialmente quando a primeira história envolve os habituais zombies tresloucados.

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Por outro lado, WTF ?!! É bom sermos originais, mas quando vocês virem o primeiro episódio disto vão perceber, porque razão agora não tenho palavras para o descrever.
[“Doomsday Book”] é aquele tipo de filme que eu normalmente odeio. Ou seja, em pouco mais de 100 minutos temos direito a trés curtas metragens independentes realizadas por várias pessoas (uma delas do mesmo realizador de “The Host“, as outras do realizador de “Hansel & Gretel“) o que é algo que me costuma logo afastar deste tipo de produtos.

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Neste caso, temos três histórias muito diferentes e tenho que dizer que me surpreenderam pela positiva. O cinema oriental não costuma levar muito a sério as suas histórias de ficção-científica e aqui também não é excepção. Na verdade, mais ou menos. Em três histórias que poderiam perfeitamente pertencer a uma boa antologia de contos do género temos direito a duas histórias completamente alucinadas e uma totalmente sci-fi num tom sério bem mais próximo de um bom conto de Philip K.Dick do que própriamente dentro do que se costuma ver pelo cinema oriental.
Temáticamente o  segundo conto está até perto do excelente “Natural City” que para mim é uma espécie de Blade Runner 2 não oficial made in Coreia do Sul e portanto se o assunto da inteligência artificial é algo que gostam de ver abordado no cinema não ficarão desapontados.

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Isto poderia ter desequilibrado [“Doomsday Book”] enquanto filme, mas a verdade é que há aqui algo que funciona bastante bem.
Agora preparem-se para algumas surpresas.
A primeira história é completamente indiscritível. Vocês já viram muitas histórias apocalípticas com zombies mas se calhar nunca viram uma como esta.
O primeiro conto, é ao mesmo tempo hilariante, absolutamente nojento e perturbante. Ah, e é romântico também.

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Eu disse romântico ? Bem, se vocês procuram uma história e amor entre dois zombies esta poderá ser a lovestory que queriam ver. Ou talvez não. Como disse isto é dificil de explicar sem lhes estragar o prazer da descoberta. Se calhar digo-lhes só que se vocês não gostam de carne têm no primeiro episódio a razão para tornar tornar toda a gente vegetariana neste planeta.
A primeira história é essencialmente o típico filme catástrofe sobre um virus que contamina o mundo inteiro e transforma a população em mortos vivos. Mortos vivos que nem por isso abdicam do seu telemóvel, o que dá logo um tom de sátira ao consumismo a esta pequena história inicial, tão intensa quanto repugnante, numa mistura entre amor, podridão, consumismo e comédia tresloucada ao melhor estilo Sul Coreano. Nisto tudo ainda consegue criar uma mini-história de amor ao melhor estilo caótico habitual por aquelas paragens. E mais não digo.

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A segunda história é o coração do filme. Se procuram apenas um pequeno grande filme de FC sem partes parvas ou personagens cartoonescos, podem saltar o primeiro filme de [“Doomsday Book”] e passar logo ao segundo “episódio” que é tudo o que vocês gostariam de ver se procuram uma daquelas histórias de ficção-cientifica dentro da tradição mais tecnológica e hardcore dentro do género. Como disse antes, esta história podia ter sido escrita por Philip K.Dick nos anos 70 ou até mesmo por Arthur C.Clarke pois é bem o género do que eles produziam. Se gostam do trabalho de algum desses escritores vão adorar o segundo conto.

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Esta segunda parte conta a história de um técnico de robots que num futuro próximo onde os robots fazem parte do nosso dia-a-dia, é chamado a um mosteiro budista para confirmar se o robot do templo é ou não a reencarnação de Buda.
A partir daí a história desenrola-se num tom algo gélido e quase clínico que na minha opinião era desnecessário, mas por outro lado lhe dá uma certa atmosfera cyberpunk Kubrikiana a fazer lembrar o ambiente frio dos diálogos com Hal em 2001 Odisseia no Espaço.

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O trailer de [“Doomsday Book”] engana muito bem o espectador. Faz-nos crer que o filme será bem mais ligeiro e divertido do que na realidade qualquer um dos episódios é. O primeiro episódio é algo nojento e doentio, este segundo chega a ser deprimente pela atmosfera fria de toda a história e o terceiro e último episódio parece uma espécie de comédia sem graça.

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De qualquer forma, este segundo conto sobre o robot que pode ser Buda reencarnado é uma história excelente e um daqueles conceitos que já fazia falta ao cinema de ficção-científica que hoje se resume mais a efeitos especiais do que a nos maravilhar com ideias. Neste segundo episódio o fascínio não vem do excelente personagem do robot e dos efeitos especiais mas sim do intenso conteúdo filosófico que envolve toda a discussão sobre o direito de uma máquina a ter um sentimento religioso.

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Em nenhum momento este episódio se torna chato, mesmo apesar do conteúdo filósófico ser bem denso por vezes, embora talvez o personagem do dono da corporação cibernética esteja um bocado á parte no tom geral da história pois achei o seu discurso algo forçado como se o argumentista tentasse criar um manifesto qualquer sobre inteligência artificial e tivesse despejado tudo o que pensa nos discursos exacerbados deste personagem.
De qualquer forma este segundo conto em [“Doomsday Book”] é fantástico. Grande ideia, muito bem executada, excelente atmosfera e com um final bem simples que pode deixar no ar muitos temas para o espectador continuar a discutir muito para além do filme ter acabado.

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Mas o filme não acaba sem passarmos primeiro pela terceira história.
Nela, o mundo também vai acabar porque uma criancinha no seu computador encomenda num site “alienígena(?)” uma bola de snooker numero 8 e esta vem dos confins do universo em entrega especial e em tamanho gigante chocar com a Terra na morada assinalada…

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Eu repito…
O mundo também vai acabar porque uma criancinha no seu computador encomenda num site “alienígena(?)” uma bola de snooker numero 8 e esta vem dos confins do universo numa entrega especial para em tamanho gigante chocar com a Terra na morada assinalada…

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Se eu tinha ficado baralhado com a primeira história mais baralhado fiquei com esta última. Ao ler algumas reviews do filme pela net, consta que isto é suposto ser uma comédia mas sinceramente não lhe achei particularmente graça…a não ser pelo visual com que os personagens ficam depois de passarem 10 anos a viver num bunker debaixo de terra após o apocalipse acontecer…por causa da bola de snooker…
O que dizer disto ? A verdade é que é divertido e bem original.
Este episódio tem uma estrutura muito alucinada mas onde entre falsas emissões e falsos debates televisivos sobre o fim do mundo nunca sobra muito tempo para desenvolver os personagens no tempo que resta e por isso talvez a sua única fraqueza não é a falta de graça (se é que isto era suposto ser para rir), mas sim o fraco desenvolvimento dos personagens, pois a história chega ao seu (ainda mais estranho) final e como espectadores nunca estivemos particularmente cativados por aquelas pessoas.

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Por outro lado, a ideia para a história é muito original e satírica e tudo funciona bem dentro da trilogia de histórias completamente diferentes que compõem [“Doomsday Book”].

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CLASSIFICAÇÃO

Mais um excelente exemplo de como podem ser originais os filmes orientais que nunca chegam aos cinemas desta parte do mundo.
O trailer deste engana, não é o filme em tom ligeiro que parece ser mas são sim trés histórias separadas com uma atmosfera algo doentia (muitos momentos repugnantes no primeiro conto) e até clinica e deprimente em muitas alturas e que o trailer não reproduz de todo por isso estão avisados.
Sci-fi fria e crua mas com muitos momentos de ironia á mistura como só poderia ser feito num cinema daquela parte do mundo.
Mais uma vez a coreia do sul mostra como ainda se pode fazer cinema de ficção-científica bem original e irá agradar a quem procura algo do género longe das formulas comic book infantis que estamos habituados a ver saídos de Hollywood.
Quem gosta de FC deve espreitar isto sem sombra de dúvida. Especialmente quem gosta de LER ficção-científica pois contém trés dos melhores contos do género que vi em muito tempo apesar de algumas fragilidades.
Trés tigelas e meia de noodles porque é bastante bom mas podia ter sido muito melhor se o segundo episódio sobre o robot Buda tivesse sido desenvolvido no filme inteiro. Não foi e é pena.

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A favor: Trés histórias de ficção científica originais que poderiam ser contos de uma boa antologia em livro, apesar de ser caótico por vezes [“Doomsday Book”] é sempre cativante pois nunca sabemos bem o que pode acontecer a seguir, o primeiro episódio é completamente alucinado e até repugnante mas contém personagens de que ficamos a gostar logo em pouco tempo, o segundo conto é o melhor do filme e é uma daquelas histórias de ficção-científica que vale mesmo a pena ver (quem estiver ligado ao Budismo irá adorar certamente), o personagem do robot está fantástico apesar de bem simples, o terceiro conto fecha bem a trilogia de histórias bem originais e apesar de não ser particularmente divertido é no entanto fascinante na mesma por ser imprevisível.

Contra: A segunda história deveria ter sido o filme todo e não durar apenas pouco menos de cinquenta minutos, [“Doomsday Book”] pode ser demasiado caótico e até impróprio para estômagos mais sensíveis por toda a atmosfera repulsiva que envolve o primeiro conto, o terceiro conto pode ser demasiado estranho e não funciona como comédia como supostamente deveria ser.

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NOTAS ADICIONAIS:

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9GGfa0EybCI

Comprar
Existe edição ocidental em blu-ray que poderão encontrar aqui.

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2297164

Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente.

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

capinha_natural_city capinha_host capinha_hansel-and-gretel capinha-the_flu capinha-happiness-of-the-katakuris

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Cinema_oriental_no_facebook

 

The DropBox – a caixa dos bébés da Coreia do Sul


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É Sul Coreano, (ainda) não é um filme, mas aposto que não temos de esperar muito para que venha a ser. Especialmente por aqueles lados…isto é material do melhor para um futuro drama Sul Coreano e quem sabe até uma base para uma love story como só eles sabem fazer.
Entretanto, é um caso fascinante que nos recorda que se calhar ainda há por aí muita gente de valor neste planeta que está no local certo na altura certa.

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http://www.faithit.com/baby-box-rescue-seoul-south-korea-brave-pastor-disabilities/

Gamgi (Flu) Sung-su Kim (2013) Coreia do Sul


O meu ano de 2014 não podia ter começado melhor em termos de cinema do que com esta injeção de adrenalina proporcionada por [“The Flu”].
Há muito tempo que não encontrava pela frente um filme catástrofe daqueles que nos deixam literalmente “on the edge of our seats” e este foi absolutamente eficaz nesse sentido pois é daqueles que nos faz querer roer as almofadas até quase ao minuto final. Especialmente quando ainda nem sequer tinha visto o trailer ou sabia qualquer coisa sobre ele.

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O que não deixa de ser surpreendente pois na verdade em termos de argumento não tem nada que vocês não tenham já visto mil vezes dentro deste género de filmes, o que para mim só lhe dá ainda mais valor, pois conseguir manter um nível de suspanse como este filme mantém nos seus 40 minutos finais com uma história que á partida não surpreende pela sua originalidade é obra !!
Se também foram daqueles que acharam o Hollywoodesco “World War Z” uma desilusão, então têm aqui o antídoto perfeito na sua vertente oriental.
Não que [“The Flu”] seja propriamente um filme de zombies mas de certa forma na sua estrutura é tudo aquilo que “World War Z” não foi em termos de adrenalina e é o exemplo perfeito de que não é o facto de um argumento estar cheio de lugares comuns e clichés que estraga um filme mas sim a forma como se trabalha esse material e neste caso não poderia estar melhor na minha opinião.

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Em termos de cinema espectáculo têm aqui também um excelente exemplo para mostrarem aquele vosso amigo que ainda pensa que só na américa se faz bom cinema comercial, isto porque visualmente [“The Flu”] conta com momentos assombrosos que não destoariam de um filme de Rolland Emerich ao melhor estilo pastilha elástica “2012”, só que aqui também temos personagens com que realmente nos importamos e não estão apenas na história para servirem de body-count e ilustrarem cenas de efeitos especiais.

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Aliás, a razão porque [“The Flu”] resulta tão bem, especialmente nos últimos 40 minutos finais, é porque por essa altura já estamos plenamente cativados pelas pessoas que vemos no ecran e não apenas pelos heróis; isto porque ao contrário do que costuma acontecer neste género de cinema, o filme não tem pressa de nos mostrar as coisas rápidas demais e aproveita o seu tempo não só para se ir tornando cada vez mais épico sem o espectador dar por isso como principalmente constrói personagens á melhor maneira sul coreana para um resultado final totalmente eficaz no que toca a criar empatia com o espectador. Em [“The Flu”] até o personagem mais secundário tem o seu momento e nada é deixado ao acaso para humanizar as pessoas que nós vemos na história, sejam elas “heróis” ou “vilões” também aqui um conceito que não se pode aplicar naquele sentido em que estamos habituados a encontrar.

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Alguma reviews ocidentais dão uma nota mediana ao filme porque dizem que os personagens choram demais e tudo é por demais melodramático. Acontece que esse melodrama é a principal característica do cinema Sul Coreano e portanto convém que o espectador entre no espírito da coisa, até porque a forma emotiva como os temas são tratados no cinema daquelas partes do mundo reflete muito a cultura desses povos. Por isso na minha opinião penalizar um filme como este apenas porque alguém acha que as pessoas choram demais para mim não faz qualquer sentido. Muito menos dentro do contexto da própria história, pois [“The Flu”] trata essencialmente de um potencial fim do mundo com tudo o que isso implica na vida das pessoas.

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[“The Flu”] centra-se essencialmente na quarentena de uma cidade na Coreia do Sul, mas tem um ambiente bem mais de ameaça global do que mais uma vez “World War Z” conseguiu ter mesmo adaptando um romance que tinha tudo para ser tão bom quanto [“The Flu”] agora conseguiu ser a partir de um argumento “original”.
Bom, mas isto é sobre o quê ? Essencialmente é a típica história sobre epidemias. Gripe das aves em versão extrema pois “flu” significa isso mesmo; -gripe- em inglés.
Se gostam de filmes em que morrem pessoas em quantidades apocalípticas estão no sitio certo. Muita gente a vomitar sangue, cadáveres ás pilhas, criancinhas mortas, pessoas espezinhadas, caos urbano e extermínio em massa. Tudo para divertir o espectador.
E resulta fantasticamente bem.

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Aquilo que na primeira parte do filme parece ser interessante mas não particularmente emocionante depressa se torna no segmento final numa jornada de adrenalina para o espectador daquelas que não nos deixa respirar quase até ao final. Pelo meio ainda temos direito a alguns momentos de humor á boa maneira sul-coreana e claro a uma proto-história de amor que não precisa de ser desenvolvida para ser eficaz.

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[“The Flu”] conta com excelentes interpretações do elenco sul-coreano com grande destaque para o trio de protagonistas onde sobressai a pequena actriz que no segundo acto da história acaba por ser o coração do filme e que dá um show de emotividade no desenrolar da verdadeira montanha russa de acontecimentos que ocorre nos segmentos finais de um filme catástrofe que equilibra muito bem o terror, a aventura, o suspanse, alguma comédia e o cinema de acção e efeitos especiais a um nível tão bom quanto qualquer coisa que vocês tenham visto saída de Hollywood nos últimos anos. Com a vantagem de que aqui temos personagens e não apenas bonecos de cartão.

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Um grande destaque também para aquilo que raramente se fala nestes filmes. As multidões de extras/figurantes que inundam esta produção e têm um papel fundamental em todo o ambiente e cenário apocalíptico de caos e confusão. O espectador nem nota, mas o trabalho de toda esta gente é fantástico neste filme e quem coordenou tudo isto está de parabéns pois as cenas de pânico em [“The Flu”] são do melhor que há e contribuem totalmente para a descarga de adrenalina que os acontecimentos do fim proporcionam no espectador desprevenido.

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Então e coisas más, tem ?
Bem, tem…
Vocês nem queiram saber os canastrões que arranjaram para fazer o papel de americanos(?) que essencialmente são “os vilões” deste filme. Onde raio foram buscar aqueles “actores(?)” ?!!
Quase que arruinam totalmente todo o esforço do realizador para tornar real todo o ambiente e não se entende de todo.
Por outro lado não deixa de ser hilariante, pois o cinema oriental já tem uma longa tradição em colocar os piores actores ocidentais do mundo em papeis secundários. Não acreditam ? Vejam, “Bye Bye Jupiter” pois é talvez o único titulo que consegue ter piores actores ocidentais que [“The Flu”].
Felizmente que o suspanse final da história está tão bem orquestrado que nem com estas interpretações desastrosas pelo meio a adrenalina se perde, mas mesmo assim os “americanos” neste filme são de ver para crer.

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De resto, o filme é um espectáculo. Se tiverem em casa um projector e poderem ver isto num écran pelo menos com uns três metros de largura vão se passar ! Embora também funcione bem numa tv normal, a escala épica do filme é perfeita para vocês exibirem o vosso projector aos amigos e ai de quem tiver coragem de tossir durante [“The Flu”].

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CLASSIFICAÇÃO

Pensei se haveria de dar a classificação máxima a [“The Flu”] ou se “apenas” lhe daria cinco tigelas de noodles, isto porque a força deste filme está no suspanse final e esse só se vive uma vez.
Lembrem-se que nunca temos bem a certeza se isto vai dar um final feliz ou não. No cinema oriental os heróis não têm obrigatoriamente que acabar bem e esse factor também aqui é determinante para criar incerteza e para aumentar ainda mais a tensão no espectador, o que contribui totalmente para o nosso divertimento.
Portanto [“Flu”] enquanto filme vive essencialmente de uma primeira visão. E nesse aspecto não podia ser melhor.

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Quando já o vimos uma vez, claro que tudo aquilo que é espectacular no final perde logo metade do impacto, mas nem por isso posso deixar de dar a classificação máxima a isto.
Já vi o filme duas vezes e aquilo que a uma primeira visão é pura adrenalina, a uma segunda visão torna-se essencialmente na apreciação do excelente trabalho de toda a gente que esteve envolvida nesta produção e para mim é mesmo um dos melhores filmes catástrofe dos últimos tempos. Dentro do cinema oriental é mesmo do melhor que vi no género até hoje. Um blockbuster com alma.

Cinco tigelas de noodles e um Gold Award também. O ano começa bem em termos de cinema oriental para mim.

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A favor: leva o seu tempo a desenvolver personagens, cria suspanse aos poucos sem notarmos o esforço para nos impressionar, todos os personagens são excelentes (até mesmo os americanos se tornam divertidos), a primeira parte do filme consegue manipular bem as reviravoltas do argumento, a segunda metade do filme abre-se para aquela escala épica que esperamos que aconteça, excelentes cenas de pânico, não foge dos momentos gore e mostra sangue sem problemas, consegue um equilíbrio perfeito entre vários géneros, óptimas cenas de acção que embora curtas são sempre colocadas no momento certo, adrenalina pura nos 40 minutos finais.

Contra: Algum paleio “politico” repetitivo a mais pelo meio, tem actores ocidentais do piorio que destoam totalmente de tudo o resto e quase arruinam a tensão final, alguns momentos em CGI não são muito bem conseguidos (mas quase nem se nota). Se calhar poderia ter sido bem mais repulsivo e repugnante do que é pois nota-se que essencialmente isto é para ser um filme para o grande publico e portanto contém alguma contenção de modo a não tornar isto muito insuportável para aquelas pessoas que se assustam facilmente.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1BvKZMg2LjU

Director´s trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3vsm83GA7s4

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Comprar
Neste momento ainda não é fácil. Nem na Play Asia ainda existe.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2351310

Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente. 😉

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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