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Daisy (Daisy) Wai-keung Lau (2006) Coreia do Sul

7 comentários


Se gostam de dramas românticos Sul Coreanos, este [“Daisy“] é um daqueles que entra imediatamente pela alma a dentro logo a partir do genérico.
Mais uma vez o cinema romântico demonstra que está bem vivo pelas bandas da Coreia do Sul, até mesmo quando uma história  envolve assassinos profissionais e todo o seu coração emocional se centra em redor da morte.

Mais uma vez, pelo menos a mim continua a espantar-me o facto deste pessoal do oriente conseguir pegar até naquilo que em Hollywood seria o cliché mais corriqueiro conseguindo mesmo assim criar uma história com pessoas que parecem a sério e onde o romance está presente sem precisar de ser mencionado a todo o instante embora sempre presente.
Os orientais aprefeiçoaram a técnica de falar de amor sem precisarem de palavras no cinema e mais uma vez também este [“Daisy“] é um bom exemplo do que este género ainda consegue fazer mesmo depois de já termos visto dezenas de outras histórias de amor orientais.

[“Daisy“] é um daqueles filmes que apetece logo gostar mesmo muito. O início é luminoso, a atmosfera é incrível (sempre a piscar o olho a Van Gogh e á pintura impressionista na escolha das próprias paisagens), a banda sonora parece prometer e ainda por cima temos a sempre extraordinária e sempre luminosa Jeon Ji-hyun no papel principal; (agora também conhecida por bandas dos States com o despropositado nome ocidentalizado Gianna Jun).
Quem não está a ver quem é, basta dizer que se viram “Il Mare” ou “My Sassy Girl” não se esqueceram dela, tanto no seu registo dramático como de comédia.

E mais uma vez esta actriz se movimenta por outra história de amor sem sequer parecer que está lá. Ainda nem passou cinco minutos de filme e já nem nos lembramos que estamos a ver uma actriz a representar uma pessoa fictícia.
Aos dez minutos, já ficamos com vontade de nos mudarmos para Amsterdão e procurarmos pela miúda na praça a desenhar porque nos parece incrivel que esta pessoa não exista mesmo.
[“Daisy“]  mantém portanto aquela característica que torna os bons filmes românticos orientais tão fascinantes e que essencialmente está no facto de aquele pessoal nunca parecer que está a representar.

Este filme tem ainda uma característica curiosa como já devem ter notado. Passa-se de facto em Amsterdão apesar de ser uma produção Sul Coreana.
A componente da Arte e da pintura europeia é muito forte neste argumento e como tal basta contemplarmos as paisagens onde toda a trama decorre para começarmos se calhar a perceber o porquê desta escolha geográfica para ambientar uma história como esta.
E na verdade resulta mesmo bem. Amsterdão é um dos pontos fortes que dá grande identidade a [“Daisy“] e o filme se calhar não seria o mesmo se tivesse sido rodado no oriente.

[“Daisy“]  é um daqueles filmes que apetece logo gostar mesmo muito…
No entanto tenho que confessar que á medida que ia avançando foi perdendo muitos pontos na minha classificação e é na verdade com muita pena minha que não lhe posso atribuir uma classificação mais alta.
Nos primeiros vinte minutos tudo indicava que eu iria atribuir a classificação máxima a este filme, mas infelizmente tenho que dizer que fiquei bastante desiludido por alguns motivos que passo a mencionar de seguida.

Não faço ideia se vi a versão normal ou o director´s cut. Segundo muito boa gente parece que há grandes diferenças no resultado final até a nível de montagem e estrutura e como tal se calhar devo ter visto a versão curta. Isto porque aquilo que muita gente menciona como falhas do filme eu também notei, por isso se eu vi a versão curta tenho curiosidade agora em ver a versão integral. Se vi a versão integral, então este filme ainda me decepcionou mais do que eu esperava.

[“Daisy“]  não é de todo um mau filme, ou mediano sequer. Longe disso. Na verdade é realmente muito, muito bom e totalmente obrigatório a quem procura uma história de amor com algum toque de originalidade dentro do cinema oriental, agora tem um par de coisas que na minha opinião quase que o arruinam por completo e lhe retiram muita da emotividade que merecia e deveria ter tido.

O filme conta a história de um assassino profissional que trabalha para a máfia oriental localizada em Amsterdão e que se ocupa a limpar o sebo não interessa a quem, desde que lhe paguem. No entanto o tipo é no fundo uma boa pessoa, um gajo solitário, culto, criativo, que gostaria até de mudar de vida e dedicar-se a actividades mais contemplativas do que dar tiros na testa de pessoas que nunca viu.
Um dia apaixona-se por uma rapariga sul coreana que vive na cidade de Amsterdão e que passa o dia na praça dos artistas a vender os seus esboços aos turistas. O jovem assassino compra um apartamento mesmo de frente para a praça e passa a observa-la diáriamente da janela, ao mesmo tempo que todos os dias lhe envia um vaso de malmequeres para a sua casa sem se identificar.

Uma manhã um outro jovem sul-coreano mete conversa com a rapariga na praça e esta confunde-o com o seu admirador secreto o que enche de ciúmes o verdadeiro autor das declarações de amor e portanto já podem imaginar o que acontece a seguir.
Claro que há muito mais para contar mas eu não gosto de estragar o prazer da descoberta aos leitores e odeio descrever histórias de filmes por isso fico-me por aqui.
Então qual é o problema de [“Daisy“]  enquanto filme ?
Bem, para mim só tem um grave problema que quase o arruina por completo.
Há cinema que se nota que foi pensado por artistas no sentido mais clássico da palavra. Pensado por pintores, por poetas ou por pessoas com uma sensibilidade visual que conseguem transformar qualquer argumento básico em poesia para os olhos onde quase nem seriam necessárias palavras.
[“Daisy“] parece ter sido planeado por um designer-gráfico.

^

E digo isto no pior dos sentidos. Se há uma coisa que me irrita por demais é aquele tipo de realização tão podre de estilizada que se nota a todo o instante a presença do realizador. Isto a um ritmo tão alucinante que a certa altura parece mais que o filme é sobre a genialidade de quem está por detrás da câmara do que sobre a história que supostamente deveria ser o centro das atenções e o objecto da sua própria existência enquanto filme.
[“Daisy“]  é um desses filmes.
O pior é que por causa disso, em muitos momentos chave do argumento quando tudo deveria fazer com que o espectador entrasse pela vida daqueles personagens a dentro e criasse uma empatia com eles, isso é impedido de acontecer da forma mais artificial possível.

Quero dizer com isto que nas alturas em que nos deviamos estar a importar com o que acontece aos personagens , acabamos por estar tão distraídos com a estética gráfica em modo histérico, montagem podre-de-chique e overdose de tanto estilo visual que o conteúdo emocional da história passa automáticamente para segundo plano quando deveria ser o coração emocional do filme.
[“Daisy“]  é um daqueles filmes com uma realização típicamente –in your face– a todo o instante e isso evita que como espectadores nos sintamos transportados para o interior daquele universo como deveria de ser; o que a meu ver anulou logo muito da qualidade do trabalho fantástico dos actores neste filme.

Ás vezes parece que os actores estão na história para serem filmados com pinta e não para servirem o argumento e quanto a mim é algo que não deveria ter acontecido, pois uma história como esta pedia uma maior invisibilidade do próprio realizador e assim como está parece competir a todo o instante pela atenção do espectador quando o filme pedia mais alma e menos estética em estilo design.

Como resultado disto, ás vezes parece que [“Daisy“]  pretende ser um filme mais a puxar para – o inteligente – do que precisava de ser e isto resulta numa total fragmentação da atmosfera da história.
Começa como típico filme romântico oriental sul coreano num tom bem fofinho, depois entra pelo thriller estilizado podre-de-chique, passa pelo drama intímista quase gélido algo pretencioso e termina em cinema de acção estilo Anime com uma carga de tragédia romântica.
É esta indefinição que quanto a mim quase arruina a história, pois enquanto espectadores sentimos essas mudanças “climáticas” no tom do filme por demais e por demais acentuadas quase em registo bi-polar.

Isto é dificil de explicar mas [“Daisy“]  ganha uma certa atmosfera “erudita” que se calhar seria dispensável. Isto traduz-se na própria banda sonora e por arrasto aquilo que parecia um thriller romântico subitamente parece querer passar por drama intimista em tom gélido com uma atmosfera que não se percebe bem qual será a atenção.
Na minha opinião, isto acaba por esvaziar de emotividade grande parte do coração emocional do filme. Como espectador deixei de sentir totalmente a empatia inicial com os personagens a partir do momento em que o filme ganha aquele tom mais estéril quando se calhar deveria ter seguido um caminho que lhe desse mais alma.
E isto é tudo porque a realização ou se evidencia por demais nas alturas erradas ou porque então entra por caminhos que na minha opinião a história não precisava em termos de atmosfera.



Por outro lado tem coisas excelentes.
O inicio é muito bom e cheio de atmosfera, criamos logo empatia com os personagens, a história tem potencialidades românticas e os actores são excelentes com destaque para o trabalho da actriz principal que mais uma vez dá vida a um filme por ela própria. Além disso o final também é bastante bom e quase que consegue elevar o filme mais alto do que merece.

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CLASSIFICAÇÃO:

Tinha tudo para ser mais um filme romântico excelente, mas o realizador intromete-se demasiado na própria narrativa a todo o instante o que retira constantemente o espectador do coração do filme para passar a prestar atenção á montagem cheia de estilo e a outras componentes estéticas que sobressaem constantemente.
A ideia para a história é bastante boa e cativante e vai agradar a toda a gente que procura outro título romântico sul-coreano e apesar da minha clasificação não ser de todo a que eu acho que este filme merecia ter tido é no entanto um excelente título que se calhar irá agradar a muita gente. Vale como exemplo de mais outro trabalho excelente da actriz de “My Sassy Girl” aqui num registo dramatico impecável.
Trés tigelas e meia  de noodles porque é muito bom mas não fiquei com vontade nenhuma de o rever tão cedo, embora este se calhar seja um daqueles que se o rever no futuro ainda poderei gostar mais do que gostei dele agora.
Tenho que voltar a ele com outros olhos. Por agora decepcionou-me um bocado e gostava que não tivesse sido assim.
Acima de tudo, esperava emocionar-me muito mais com esta história de amor sul-coreana e quando isso não acontece…

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg 

A favor: mais uma vez temos outra boa história de amor sul-coreana, a actriz principal ilumina o filme, a humanização dos personagens novamente, é um bom cruzamento entre thriller e filme romântico oriental, está cheio de paisagens fantásticas, é passado na Europa e isso dá-lhe uma atmosfera única, bom aproveitamento da ideia á volta da arte e da pintura,  excelente início, bom fim, as pequenas cenas de acção têm a sua piada e fazem lembrar o melhor de “Leon” de Luc Besson.
Contra: o realizador parece competir pela atenção do espectador a todo o instante, a estética podre-de-estilizada totalmente desnecessária em alguns momentos chave da história (onde nem falta o foleiro split-screen), tem uma certa carga supostamente intimista algo pretenciosa traduzida até na própria música de tom erudito, aquilo que começa como filme ligeiro a certa altura torna-se gélido como o raio, excesso de tipos de filme alinhavados num único conceito por uma realização que tenta evidenciar-se a todo o instante, toda a artificialidade torna o filme demasiado estéril em termos emotivos quando deveria ter tido muita alma, em certas alturas consegue distanciar o espectador do que se passa no ecran e não mergulhamos de coração na vida dos personagens ao contrário do que costuma acontecer em outros dramas românticos sul-coreanos, não me tocou particularmente e isso é o pior que posso dizer sobre uma história de amor sul-coreana em filme.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
Atenção que isto não é o filme de acção que aparenta ser no trailer.
http://www.youtube.com/watch?v=0CMabeRr8-k

Comprar
http://www.amazon.com/Daisy-Korean-Movie-English-region/dp/B003GMGMYW

Download com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0468704

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

7 thoughts on “Daisy (Daisy) Wai-keung Lau (2006) Coreia do Sul

  1. Concordo com a analise, mas eu acho que o filme vale muito bem o tempo gasto a vê-lo. Para mim é um excelente filme.

  2. Também gostei bastante, embora todo aquele artificialismo visual me tenha afastado por completo da parte emocional do filme e por isso não me agarrou como eu gostaria que tivesse sido. Embora o inicio e o final sejam bastante atmosféricos.

  3. Realmente fico maravilhoso a ver um belo review de um filme e quando assisto ao filme vejo que o review estava totalmente certo isso é maravilhoso, ainda sendo tudo escrito por um homem, amigo só posso te dizer meus parabens. E esse é o primeiro filme que eu chorei pois sou um garoto anormal como os outros. Eu gostaria de fazer grandes resenhas assim no futuro, espero que eu consiga e se o amigo me der dicas como teve sucesso eu ficaria muito grato.
    Esse filme a historia pode ser meia simbólica ou parecida com Full Time Killer, fica aí a sugestão. Um abraço e boa sorte em sua vida virtual quanto a real

    • Obrigado. Um bom filme romântico oriental nunca é o mesmo se não fizer chorar baba e ranho, por isso quantos mais lenços de papel tem a capacidade de fazer o espectador gastar melhor classificação lhe dou, pois a piada deste género de cinema está precisamente nisso.😉

  4. Meu colega, meus parabéns, esse filme mecheu comigo, aqui dentro, hehehe

  5. Daisy, The classic e A moment to remember são três filmes de gênero romance que muiiiiiiiito recomendo.
    PS:Não esqueçam dos lenços ao verem este filme. Vão precisar, e muito.

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