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The Forbidden Kingdom (The Forbidden Kingdom) Rob Minkoff (2008) EUA/Italia/China

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Quando eu me preparava para cascar forte e feio  neste título eis que sou obrigado a engolir as minhas ideias pré-concebidas pois não contava nada com isto.
Depois do deboche que foi o post anterior, falemos então de [“The Forbidden Kingdom“], um filminho de artes marciais americano para toda a família…produzido por uma italiana (Rafaela De Laurentis) e rodado com uma equipa internacional cheia de chineses. Na china.

Quando vi pela primeira vez o trailer disto, na altura em que o filme saiu, fiquei plenamente convencido de que iria ser um filme de que nunca iria falar aqui no blog. Primeiro porque era um produto directamente ligado a Hollywood, depois o heroi era o típico puto americano e portanto não me parecia um bom candidato para ser comentado num blog como este.

Além disso o trailer parecia-me um vazio e nem o facto desta história contar com Jet Li contracenando com Jackie Chan me deu grande motivo para espreitar aquilo que essencialmente mais me parecia um hibrido falhado entre o melhor do cinema oriental e aquilo que os americanos achariam que o cinema oriental supostamente deveria ser.
Ou seja, porrada de karaté com gajos de olhos em bico e um heroi americano para salvar a China.

Ao longo do tempo, comecei a notar que muitos blogs e sites sobre cinema oriental acabavam sempre por falar deste filme mas para dizer a verdade acho que nunca li uma review sequer e como tal continuei a ignorar [“The Forbidden Kingdom“] até há dois dias atrás.
Descobri este dvd em promoção no Hipermercado Jumbo aqui em Portugal apenas a 1.99€ a edição de 2 discos e não resisti. Era agora ou nunca.
Como tinha comprado o dvd, lá tinha então que ver o filme, mas parti para ele plenamente convencido de que iria ver um pedaço de plástico do piorio.
Enganei-me.

Quer dizer, mais ou menos.
É um pedaço de plástico mas … não é que o raio do filme é surpreendentemente uma pequena grande aventura de fantasia muito divertida ?!! Desta não estava á espera.
Para começar não estava á espera que tivesse um ambiente visual tão fantástico e detalhado.
No que toca ao aproveitamento de paisagens naturais [“The Forbidden Kingdom“] está de parabéns. Esta aventura soube mesmo criar uma atmosfera de mundo de fantasia muito para além daquilo com que eu estava a contar.
Ou seja, mesmo quando as paisagens são aumentadas por CGIs, tudo tem um visual fascinante, muito imaginativo e cheio de ambiente, o que começou logo por ser um ponto extremamente positivo num filme que não pedia mais do que ser uma colecção de cenas de porrada chinesa filmada por um americano.

A verdade é que [“The Forbidden Kingdom“] conta com um universo realmente muito bem concebido que nos faz mergulhar numa china antiga de fantasia quase como se fosse uma espécie de Terra Média oriental (inclusivamente a expressão é usada no filme para descrever a geografia desse mundo).

Adorei e fiquei logo plenamente cativado por todo o visual daquele universo imaginário. Este filme contém algumas das melhores e bonitas paisagens criadas para um mundo de fantasia cinematográfico que alguma vez vi num produto americano e nota-se que houve mesmo muito cuidado na criação de toda a geografia imaginária de modo a dar ao espectador um bom palco para todas as cenas de kung-fu. Gostei.
[“The Forbidden Kingdom“] visualmente é uma espécie de cruzamento entre “The Promise” e “The Restless” com um certo sabor a “The Neverending Story” oriental, embora sem qualquer criatura fofinha pelo meio.

Como eu não esperava um titulo violento ou minimamente realístico a nível de cenas de guerra e batalhas, o facto do filme ser totalmente limpinho no que toca a cenas de sangue e tripas pelos ares comuns nos épicos medievais orientais, também não me chateou muit0 que [“The Forbidden Kingdom“] fosse essencialmente uma aventura para toda a família no mais básico estilo americano.
Isto porque o filme pode ser um título quase para crianças, mas tem o mérito de não alienar o público adulto que goste do género de fantasia e aprecie particularmente filmes orientais com muito kung-fu á mistura.

[“The Forbidden Kingdom“] tem tudo para agradar ao público mais jovem, mas por outro lado está carregado de referências visuais para fazer com que o pessoal que já conhece bem outros titulos do género oriental possa olhar para esta aventura americana como uma espécie de caça ao tesouro.
Nota-se que quem criou este produto hibrido entre várias culturas e estilos de cinema conhece bem o que foi produzido no cinema clássico oriental do género no passado e resolveu polvilhar todo o argumento por demais simples a uma primeira vista com dezenas de pequenos pormenores que homenageiam tudo desde á série “Monkey”, aos filmes com o “Drunken Master” e até ao próprio cinema de Tsuy Hark.

Portanto, se vocês gostarem muito de filmes de kung-fu e conhecerem bem os titulos clássicos vão conseguir curtir muito mais [“The Forbidden Kingdom“] do que qualquer outra pessoa que não consome cinema do oriente, pois este filme está cheio de sequências que não são mais do que homenagens aos produtos originais. E resulta.
Por isso nota positiva também para o facto do argumento parecer muito básico, mas na verdade conter mais substância do que aparenta.

Ok, tem um heroi adolescente americano que não serve para nada.
Podia ter-se feito este filme sem recorrer a qualquer referência americana que este resultaria na mesma, mas afinal há que vender isto ao público ocidental e claro que não bastaria contar com Jet Li e Jackie Chan para fazer o filme render nas bilheteiras americanizadas do mundo inteiro. Tinha que haver um heroi americano teenager.

Surpreendentemente, apesar do personagem ser perfeitamente dispensável nisto tudo, a verdade é que temos em [“The Forbidden Kingdom“] um bom personagem adolescente que contrariamente ao que eu esperaria não é de todo um daqueles adolescentes saídos de uma boys-band para vender posters ás meninas que costumam polvilhar este tipo de filmes mais infantís.

Na verdade o heroi teen deste filme até é um tipo simpático e que podia ser perfeitamente uma pessoa comum. Até aqui nota-se um cuidado da produção para criar um personagem central que se integrasse na narrativa e não recorreram apenas a uma estrela com carinha laroca para fazer suspirar o público teenager. Obviamente que é um bocado estéreotipado, mas está definido dentro das próprias regras deste tipo de história e consegue realmente o feito de ser um adolescente num filme americano que não dá cabo dos nervos ás audiências adultas que já não podem mais com High School Musicals.

De resto não há muito mais para dizer, além de que muita gente parece ter ficado algo decepcionada porque o primeiro encontro cinematográfico de duas lendas como Jet Li e Jackie Chan tenha ocorrido num filme tão pouco violento e tão ligeiro, mas a mim não me chateou minimamente. Embora verdade seja dita me pareça (até pelo making of) que ambos entraram nisto mais pelo cheque do que por qualquer outra razão.

Penso que tanto Jet Li, como Jackie Chan cumprem perfeitamente, as suas sequências de luta são muito criativas visualmente, divertidissimas de acompanhar e ambos os personagens têm carísma suficiente para conseguirem uma boa química no ecran quando ambos estão presentes e acho que ambos equilibram muito bem o filme ao redor do personagem teen principal.
Ah, e a miúda é fofinha quanto baste também.

Uma nota positiva para o realizador. Sinceramente não estava nada á espera que um filme americano conseguisse captar aquela magia de um produto oriental no que toca a este género de cinema de kung-fu mas penso que o realizador está de parabéns.
Além de dotar [“The Forbidden Kingdom“] de uma identidade própria, conseguiu equilibrar muito bem aquilo que os americanos supostamente devem achar que deverá ser um filme de kung-fu com o melhor daquilo que realmente é um bom filme de kung-fu. Mesmo kung-fu para crianças.

Os personagens nunca andam perdidos, o filme tem um ritmo excelente e montes de atmosfera e  nem o facto dos vilões serem totalmente de cartão impede que o produto final seja uma aventura de fantasia muito divertida que consegue demonstrar o que pode haver de melhor no cinema pipoca americano e oriental sem ter que sacrificar nenhuma das suas características.
[“The Forbidden Kingdom“] é assim uma espécie de aventura totalmente série-B, mas filmada com muito dinheiro.

O facto de tudo ter sido filmado na China, também ajudou imenso e já agora recomendo vivamente que espreitem os pequenos documentários de making of se comprarem a edição de dois discos que eu tenho. O segundo disco com extras não tem mais de meia hora , mas contém um par de pormenores de bastidores que vão gostar de conhecer, dos quais destaco a fantástica cidade cenário que existe na china e que os vai deixar fascinados.

A propósito, se tiverem uma sensação de dejá-vu ao verem [“The Forbidden Kingdom“] no que toca a cenários…é porque  já viram muitos deles em filmes como “Curse of the Golden Flower” por exemplo. Apenas agora neste filme estão decorados de forma ligeiramente diferente o que permitiu á produção fazer com que esta aventura de fantasia pareça ter custado mais a produzir do que na realidade custou em orçamento. Muitas das coisas já existiam construidas na china para outros filmes e por isso também vão curtir prestar atenção aos cenários e tentar lembrarem-se onde é que já os viram antes.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme básico, é pipoca total, não tem nada que os impressione na história e o suspanse dramático é totalmente inexistente, mas lá que é uma pequena grande aventura de fantasia isso é. Acima de tudo é um filme simpático e muito divertido para quem decidir entrar no espírito da coisa. Bem melhor do que aparentava ser no trailer e totalmente recomendável a quem procura um bom filme de familia dentro do género de fantasia passado num mundo imaginário visualmente fantástico e cheio de identidade.
Ainda pensei dar-lhe apenas trés tigelas de noodles, mas a verdade é que estaria a ser injusto se não lhe atribuisse mais uma e portanto fica com quatro. É um filme simples mas como cinema puramente pipoca é muito bom mesmo.
Não peçam muito dele e vão gostar. Especialmente se comprarem o dvd edição dupla a 1.99€ como eu comprei nos Hipermercados Jumbo em promoção especial.

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A favor: cenários e ambientes de fantasia muito atmosféricos e visualmente criativos, personagens simpáticos e com carísma no ecran, espectaculares coreografias de acção criativas quanto baste, é uma aventura de fantasia muito divertida embora banal, está carregado de referências a filmes clássicos orientais, é um bom filme pipoca “oriental” surpreendentemente bem realizado por um americano.
Contra: não tem qualquer suspanse seja a que nível for, não tem um pingo de originalidade, os vilões são totalmente de cartão.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=e66Og0lOCcE

Comprar
DVD – http://www.amazon.co.uk/Forbidden-Kingdom-DVD-Jackie-Chan/dp/B001EY5VJQ/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1314827804&sr=8-1
BluRay – http://www.amazon.co.uk/The-Forbidden-Kingdom-Blu-ray/dp/B001D07Q2Q/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1314827804&sr=8-2
Se estiverem em Portugal devem encontrar o dvd duplo á venda nos Hipermercados Jumbo por 1.99€ (neste mês de Agosto de 2011).

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Myth The Promise

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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