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Uchû daikaijû Girara (The X from Outer Space) Kazui Nihonmatsu (1967) Japão

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Quando um filme de ficção científica mete um OVNI que é uma tarte de maçã, a gente percebe logo que este só pode ser um filme dos anos 60 onde certamente a droga seria de boa qualidade e distribuída de borla pelo japão, pois só isso justifica a existência de:

Depois de ver um drama tão melancólico quanto “Failan“, achei que seria melhor descomprimir um pouco e lembrei-me que ainda não tinha visto [“The X from outer space“], mas provavelmente teria sido melhor ter estado quieto pois acho que ainda não recuperei do choque cultural.
Até eu que adoro filmes lixo e sci-fi clássica acho que não estava preparado para esta obra prima do “coiso que veio do espaço” e como tal agora não consigo tirar as imagens do filme da cabeça o que certamente não será muito bom para a saúde.

Quando eu pensava que “The Green Slime” seria o exemplo máximo da ficção-científica ultra pirosa produzida nos anos 60, eis que descubro que o Japão um ano antes se tinha superado a si próprio ao produzir algo realmente inclassificável que é um verdadeiro teste á paciência do espectador mais desprevenido e provávelmente não é mais conhecido porque metade do público se deve ter suicidado antes do filme acabar.
Até quem gosta dos clássicos Godzilla vai arrepiar-se até á medula com este clone genialmente mau a um nível que ultrapassa qualquer crítica humanamente reproduzível por palavras.

Se a mãe de Godzilla tivesse sido violada por um caracol gigante fruto de uma relação extra-conjugal do seu pai com uma galinha no cio, o resultado teria sido o monstro presente em [“The X from outer space“] pois este será porventura o pior criatura cinematográfica alguma vez criada. O detalhe das anteninhas a dar-a-dar é absolutamente notável o que só comprova como o LSD no japão estaria também bastante divulgado por alturas dos anos 60.

Quando pensamos que precisamente na mesma altura em que [“The X from outer space“] e também “The Green Slime” estariam a ser filmados, Stanley Kubrik estava a construir o seu “2001 Odisseia no Espaço” começamos a acreditar que se calhar a existência de realidades pararelas não será algo tão estranho assim de conceber nas nossas mentes.
[“The X from outer space“] é demasiado mau para ser verdade. Até dentro do cinema mesmo mau, este filme é mau como o raio ! Logo é bom. Genialmente bom, porque é mau a um nível que não tem classificação. Perceberam ?
E é groovy meus ! Totalmente grooooooooooovy baby !!

Algures no futuro nós até temos bases na lua e tudo e estamos agora a tentar chegar a Marte. Todas as nossas expedições para alcançar o planeta vermelho falharam por motivos misteriosos e por isso nada melhor do que voltar a tentar de novo, mas desta vez usando uma tripulação completamente imbecil para tripular a nave.
[“The X from outer space“] terá possívelmente o pior conjunto de personagens que alguma vez apareceu numa aventura espacial e logo é de visão obrigatória porque essencialmente isto é mesmo de ver para crer.

Nada falta aqui, o piloto heroico mas que não serve para nada, a cientista genial mas que é totalmente loira burra, o técnico espacial sem jeito para o stand-up mas que supostamente será o palhaço da tripulação e tudo o mais que imaginam e também o que não conseguem imaginar.
Quando vão a caminho da lua metade da aventura gira á volta do médico da tripulação que se sente mal porque não faz ideia que pode enjoar no espaço, o que demonstra logo de início  o nível de inteligência e realísmo deste argumento.
Claro que a partir daqui as coisas só poderiam descambar ainda mais.

Chegados á lua, o que a malta quer é curtir.
Estão de partida para a missão mais importante da humanidade, mas o pessoal está mais interessado em participar em novas festas , adivinharam, – totalmente groovy – que pelo visto ocorrem regularmente na Lua a todo o instante onde o que interessa é engatar gajas e confraternizar em ambientes lounge podres de swinging sixties a fazer inveja ao pior visto em Austin Powers.
Pelo meio temos ainda umas cenas com saunas e quando tudo isto acaba os nossos herois regressam á nave para continuar a missão a Marte, coisa pouca, mas desta vez sem o médico que ficou para trás porque pelo visto enjoava muito no espaço.

As chefias á última hora voluntariam um outro gajo lá na Lua para substituir o médico e que fica muito aborrecido por ser obrigado a participar naquela missão histórica, isto  porque a mulher estava á espera dele em casa e ficará muito chateada se ele tiver que passar por Marte antes.
Como resultado este génio passa o segmento seguinte da aventura a fazer os maiores disparates a bordo da nave porque está farto daquilo e quer é voltar para casa rápidamente porque senão ainda arranja problemas com a esposa. O que inclui passar-se dos carretos e tentar acelerar a nave á força para regressar á Lua mesmo percebendo tanto de pilotagem como pelo visto o médico anterior perceberia de medicina.
Resultado pifa o carburador da nave.

As coisas complicam-se quando aparece a torta voadora, perdão, o OVNI que insiste em passear pelo espaço sem qualquer razão plausível e atacar todas as naves vindas da terra penduradas em fios que tentam chegar a Marte; disparando-lhes…coisas…
Este faz umas razias por perto da nave dos nossos herois, anda de um lado para o outro e deposita uns esporos no tubo de escape que são depois recolhidos e trazidos para bordo por astronautas pendurados em cabos contra um cenário de cartão.
Entretanto a Lua envia uma outra missão de salvamento para recuperar este bando de imbecis que saltam, pulam de contentamento e acenam para os ecrans de televisão como colegiais no cio de cada vez que a jovem Michiko aparece na imagem como se nunca a tivessem visto na vida ou esta fosse a melhor visão do mundo.
A jovem Michiko será certamente a mãe da Sandra Benes do Espaço 1999 pois a semelhança é notável. Outro dos pontos altos deste filme no que toca a personagens.

A seguir, voltam todos para casa nada chateados pela missão a Marte ter falhado outra vez e para descomprimir vão para outra festa groovy beber mais uns cocktails, embora pelo estilo do filme cá para mim aquilo contenha umas pastilhas ilegais pelo meio.
Antes disso assistimos a uma das melhores cenas científicas que alguma vez poderão encontrar no cinema de ficção científica e onde a loira burra (a melhor cientísta da tripulação) com umas colheres analisa em cima da mesa do escritório lá do chefe  os tais esporos que trouxeram do espaço numa breve cena com toda a gente á volta sem qualquer protecção ou cuidado especial.
No entanto, esta cena científica não demora muito,  porque afinal o pessoal não se pode atrasar para a festa seguinte e deixa a experiência a meio com a primeira prova de vida extraterrestre lá abandonada á sua sorte no escritório porque a curtição chama mais alto que a ciência.
O facto de haver um mistério á volta de um OVNI e de se ter comprovado a existência de vida extraterrestre parece nem ter grande interesse quando comparado com a importância de se ir beber uns copos com as amigas.

Resultado os esporos transformam-se numa galinha gigante que destroi Tokio e metade do Japão, há muita porrada pelo meio, inúmeras maquetes e brinquedos são estilhaçados e o monstro é abatido no final; reduzido a esporos e devolvido ao espaço quem sabe á espera de uma sequela, (que parece existir e tudo).
Não sem antes assistirmos a uma das melhores perseguições de sempre da história do cinema com a galinha gigante atrás de um jipe pelas estradas do Japão num momento de tensão tão tenso que acho que ainda não consegui fazer os músculos que controlam o sorriso voltar á posição natural até este momento.
Aposto que o Spielberg viu este filme, pois esta cena faz lembrar intensamente as melhores cenas de acção de “Os Salteadores da Arca Perdida”, naquela sequência com Indiana Jones á porrada por entre carros e camiões em movimento. Mas isto se calhar sou eu que já tenho o cérebro afectado. Não liguem.
Quanto ao OVNI em forma de tarte de maçã, isso também não interessa para nada mas se vocês quiserem comprar galinhas gigantes recomendo que o procurem algures entre Marte e a Lua no local habitual.

Resumindo, [“The X from outer space“] é um filme incrível. É tão mau que não há classificação possível, mas ao mesmo tempo se calhar é um daqueles que merece cinco tigelas de noodles e um Golden Award pois é realmente uma experiência única dentro deste género de filmes. Por outro lado, se calhar talvez não…
Mesmo quem pensa que já viu tudo o que seria possível de se fazer de mau dentro do estilo japonês de Godzilla, se calhar pensa assim porque ainda não viu isto.
E é melhor ver, porque uma formação cultural nunca estará completa sem a inclusão deste título na vossa memória cinéfila, pois será possívelmente o Casablanca do cinema lixo japonês do final dos anos 60 e um titulo que faz com que “The Green Slime” , “War in Space“, “Message from Space” ou “Bye Bye Jupiter” pareçam ser filmes sérios e totalmente científicos.

Vejam OVNIS em forma de tarte, vejam naves penduradas com fios, vejam uma galinha gigante sem penas com anteninhas de caracol, vejam actores a flutuar em cenas com anti-gravidade saltando em camas elásticas escondidas atrás das crateras de cartão nos cenários, vejam como afinal Tokio é toda feita de cartão, vejam como alguém deu novo uso aos seus tanques de guerra e carrinhos de infância para fazer efeitos nada especiais, vejam os piores e mais descontraídos herois que alguma vez apareceram num filme de destruição apocalíptica e vejam outro filme cheio de actores americanos totalmente desconhecidos filmado no japão.

E por falar nisto…
O que raio é que se passou no Japão nos anos 60 para haver tanto americano a fazer de heroi em filmes de ficção científica japoneses da altura ?!!
Os americanos não tinham bombardeado o país ainda há pouco mais de vinte anos atrás ?! De onde surgiu esta moda de dotar estas super-produções orientais com montes de péssimos actores americanos ou ocidentais que nunca vimos em mais lado nenhum ?!!  Seriam ex-prisioneiros de guerra do Japão obrigados a entrar no cinema pós-guerra japonês como castigo ?
Há algo que me escapa da história do cinema de FC oriental desta época e tenho que investigar isto melhor pois esta coisa dos ocidentais com papeis de destaque nas aventuras espaciais japonesas desde os anos 60 até aos 80 é algo que me ultrapassa  por completo e de que só me lembro nestas alturas.

E por falar em anos 60, o horror não estaria completo sem falar na música deste [“The X from outer space“].
Não há palavras !

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CLASSIFICAÇÃO:

Possívelmente o melhor filme da história do mau cinema.
Só a musiquinha da banda sonora vale a agonia de o tentarem acompanhar até ao fim, embora se recomende a sua visão estando podres de bêbados antes. E se notarem que a banda sonora se repete constantemente não é efeito do alcóol.
Uma tigela e meia de noodles porque até mesmo dentro do cinema-lixo é mau demais para ser verdade e no cinema de culto será uma espécie de anti-filme-de-culto e por isso de culto obrigatório, se é que isto faz algum sentido.

noodle2.jpg

A favor: é o pior clone do Godzilla de todos os tempos, tem uma galinha gigantes que destroi cidades de cartão, tem naves penduradas com fios, tem um elenco internacional cheio de actores atrozes, tem cenas na lua todas cool, tem montes de maquetes e cenários contruidos com brinquedos de plástico, tem uma estética toda groovy, tem a banda sonora mais deslocada de sempre num filme de ficção científica com um par de canções que os fará arrepiar até á medula e nunca mais deixará de ressoar nos reconditos do vosso cérebro, tem os piores personagens de que há memória numa aventura espacial, tem naves com fios, tem uma tarte de maçã que viaja pelo espaço, é mau demais para ser verdade.
Contra: a primeira metade tem montes de personalidade kitsh mas depois quando a galinha gigante começa a destruir tudo o filme repete-se como o raio até ao final, tem pilhas de personagens que não têm nada para fazer no filme, muita maqueta destruida até á exaustão mas practicamente nenhumas cenas com população em pânico, quem não gosta de cinema-lixo ou não percebe a piada dos filmes de culto maus como o raio vai odiar este filme de morte, poderá causar danos irreparáveis ao cérebro.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=BpdpPdoQpDw

Comprar
Se aguentarem as legendas em espanhol, podem comprá-lo na Dvdgo.

Download com legendas em Inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0062411

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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