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Valley of Flowers (Valley of Flowers) Pan Nalin (2006) India/Japão/França/Alemanha

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De vez em qando aparecem filmes que desafiam qualquer classificação possível e este enigmático mas fascinante [“Valley of Flowers”] é o exemplo mais recente deste género.

É um daqueles filmes que não se podem encaixar em lado nenhum. Não é suficientemente comercial para poder correr o comum circuito de filmes pipoca, até porque este é um daqueles que fará com que 99% desse público abandone  a sala bem antes de chegar a meio, mas também não é suficientemente artístico para agradar ao mais acérrimo intelectual fundamentalista frequentador de festivais obscuros, porque afinal, [“Valley of Flowers”] se calhar tem acção e aventura a mais e apesar do seu ritmo lento não filma planos fixos de pedras a crescerem durante meia hora.

[“Valley of Flowers”] é também um filme Indiano, embora não esperem encontrar nele cantigas pimba e danças coloridas de dez em dez minutos pois neste filme Indiano ninguém canta ou dança. Talvez com excepção de uma atmosférica sequência lá para o final ao som de uma banda sonora e uma canção específica mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o prazer da descoberta do argumento.

Por outro lado, se o dito Cinema de Autor produzisse filmes de aventura e fantasia em massa, [“Valley of Flowers”] poderia servir bem como template para algo dentro desse estilo pois é a coisa mais próxima de um Indiana Jones (ou de um Western) que eu pelo menos vi num filme com estas características.
Se por exemplo, “Ashes of Time” de Hong-Kar-Wai, é o equivalente Wuxia dentro do cinema-de-autor chinês, se calhar [“Valley of Flowers”] bem que poderia ser classificado o equivalente a um blockbuster de aventura ocidental dentro do cinema-de-autor Indiano. Não sei, estou baralhado.

Só lhes digo uma coisa. Se procuram um título diferente dentro do cinema feito no oriente e gostam de filmes de aventura com grandes espaços abertos e uma temática de fantasia baseada em muitos preceitos do budismo não vão mais longe, porque [“Valley of Flowers”] é mesmo muito bom no aproveitamento desses tópicos para criar uma história que por vezes poderá parecer demasiado longa, chata até, mas nunca deixa de ser totalmente hipnotizante. Especialmente quando o filme chega ao seu surpreendente capítulo final que quase que se pode considerar o twist da história se vocês não souberem nada sobre este filme.

O que me leva a uma nota muito importante:
AFASTEM-SE DE PROCURAR SABER MAIS QUALQUER COISA SOBRE [“Valley of Flowers”] NA NET.
Se nunca ouviram falar disto e pelo que já escrevi acham que lhes poderá interessar, nem pensem em ler mais qualquer coisa além do meu texto sobre este filme antes de o verem.
Se não conhecem nada sobre [“Valley of Flowers”] afastem-se não só das reviews da Net como principalmente das fotografias que estão espalhadas por todo o lado pois irão destruir-lhes por completo o prazer de serem surpreendidos pelo rumo do segmento final na história. Fiquem-se pelas fotos que eu seleccionei para colocar aqui sem grandes spoilers.
E já agora, nem pensem em consultar o IMDB sobre isto.
Vão por mim.
Vejam [“Valley of Flowers”] completamente ás escuras e sem saberem nada sobre ele e vão dar-lhe muito mais valor do que lhe dariam se já conhecessem a reviravolta e a temática completa da história.

Como tal, eu até poderia agora comparar isto com dois outros títulos ocidentais bem semelhantes  (um ultra comercial muito famoso e outro dentro do cinema independente americano),  mas não o irei fazer porque isso seria dar-lhes referências a mais e vocês percebiam logo o que iam ver pela frente.
[“Valley of Flowers”] é para ser apreciado sem saberem nada dele.
Continuem assim.😉

Portanto, o que posso eu dizer sobre isto sem estragar-lhes o filme…
Coisas boas…a história passa-se nos Himalaias no ano de 1836, tem montes de atmosfera e gira á volta de um grupo de bandoleiros composto por exilados de várias terras e que sobrevive assaltando caravanas que percorrem a Rota da Seda por aqueles lados.
Um dia, num desses assaltos encontram uma misteriosa mulher que apaixonada pelo líder do bando tudo faz para se juntar a eles com a promessa de lhes indicar potenciais alvos para assaltos onde poderão enriquecer rápidamente.

Acontece que essa mulher além de estranhamente não possuir um umbigo, parece possuir capacidades sobrenaturais que coloca ao serviço do bando, embora os coloque também em risco pois no seu encalce sem conhecermos bem as razões para tal encontra-se um misterioso homem conhecido como Yeti (esse mesmo) que parece conhece-la e estar muito interessado em capturar não só o bando de assaltantes como principalmente a misteriosa mulher.
E não lhes digo mais nada para não estragar o prazer da descoberta.

[“Valley of Flowers”] visualmente é absolutamente grandioso embora de uma forma estranhamente contida e intimista. Imaginem-no assim como uma espécie de “Where the Wind Dwels” com muitas cenas de acção e aventura pelo meio mas filmado nas mesmas paisagens naturais absolutamente incriveis entre montanhas e vales majestosos e um céu aberto ao azul infinito.
No entanto, atenção, [“Valley of Flowers”] tem muita sequência de aventura, mas o seu ambiente é tão enigmático que não esperem cenas muito emocionantes ao estilo de aventura ocidental a que estão habituados.
Há muita acção mas toda ela é um bocado…parada e o suspanse é gerido de uma forma diferente. Se é que isto faz sentido.

[“Valley of Flowers”] é um filme sobre conceitos espirituais pois assenta muito na filosofia budista e em muitos conceitos a ela associada. Essencialmente estamos na presença de uma história sobre Karma e portanto isto saído de um realizador Indiano com um elenco multi-cultural onde nem sequer faltam japoneses, já podem imaginar que  não irão propriamente ver um filme de aventuras comercial comum.

Quanto a mim tem apenas uma única falha. Talvez tenha uma meia hora a mais na minha opinião. Isto porque começa muito bem, mas depois perde-se um bocado mais ou menos a meio do filme pois durante algum tempo repetem-se não só o mesmo estilo de cenas de aventura como principalmente repetem-se as mesmas ideias e o filme poderia ter evitado isso.
Além disso á força de tentar ser um filme intensamente romântico, este insiste em repetir as mesmas sequências de amor vezes sem conta e que em vez de tornar a história de amor mais poderosa, acaba por a tornar monótona.
Por isso não se espantem se começarem por gostar, mas depois lá pelo meio [“Valley of Flowers”] lhes começar a parecer gritantemente desinteressante e até algo secante. Não desistam porque vale a pena acompanhar o que ainda falta.

[“Valley of Flowers”] tem 15o minutos e se calhar seria um filme de aventura e fantasia ao melhor estilo cinema-de-autor bem mais empolgante se tivesse tido apenas duas horas.
Por outro lado, segundo algumas pessoas parece que existe uma versão curta que foi lançada no ocidente mas o filme não resulta tão bem pois foi-lhe retirada muita da carga filosófica quando deveriam ter encurtado apenas algumas sequências repetitivas.
Sendo assim, se espreitarem este filme, certifiquem-se que vão ver a versão de 150 minutos apesar de tudo.

Eu gostei mesmo muito disto, embora me tenha arrastado para conseguir passar da tal parte do meio quando tudo pareceu começar a repetir-se. No entanto [“Valley of Flowers”] está tão carregado de imagens extraordinárias a todo o instante e a sua atmosfera é tão misteriosa e hipnótica que não conseguia mesmo tirar os olhos do ecran só para saber o que iria acontecer a seguir, isto porque em muitos momentos a história do filme parece que não vai a lado nenhum o que nos deixa ainda mais intrigados para descobrir como será o seu final.

E o final é excelente.
Perde aquela carga de aventura e entra num tom desencantado, bastante filosófico e talvez ainda mais próximo do que é costume em cinema ainda menos comercial, mas resulta. E resulta bem, pois [“Valley of Flowers”] subitamente segue por um rumo totalmente inesperado para quem não conhece nada sobre este projecto e daí, volto a insistir AFASTEM-SE DE PROCURAR SABER O QUE QUER QUE SEJA sobre esta obra antes de verem o filme se nunca ouviram falar dele ou da sua temática central.

Algumas reviews, mencionam o facto da história colocar questões a mais e ter respostas a menos, no entanto, eu acho que isso só parece acontecer se tentarmos acompanhar este filme como se estivessemos a ver uma aventura comercial ocidental comum. Isto poderá fazer com que o espectador depois esteja sempre há espera que num determinado momento apareça no ecran um personagem a explicar tudo o que aconteceu e a detalhar qual a origem de tudo e mais alguma coisa.

[“Valley of Flowers”] contém todas as explicações para o que é enigmático na história; agora, não esperem que alguém lhes vá explicar de bandeja todos os seus mistérios, porque a solução está lá mesmo na frente dos olhos durante o filme todo e muito em particular na sua parte final, inclusivamente nos silenciosos derradeiros segundos.

Apenas não há nenhum personagem que diga coisas como – “isto foi assim porque ….” – ou ” afinal a mulher misteriosa era”.
Esqueçam a fórmula ocidental de explicar os filmes e prestem atenção.
Se calhar também convém informarem-se um bocadinho sobre a própria filosofia Budista e sobre alguma mitologia dos Hymalaias antes se puderem, pois se tiverem as referências necessárias vão não só perceber bem tudo o que há de misterioso no argumento quando este alcança o fim da história como se calhar ainda gostarão mais do filme por não ser paternalista.
Embora, por outro lado…alguém deve andar a vender droga da boa por aqueles sítios pois [“Valley of Flowers”] só pode mesmo ter sido escrito debaixo de uma grande moca ! Ou talvez não.

Estou para aqui tentado em falar-lhes sobre o fascinante segmento final deste filme que subitamente atira a história para um registo realmente inesperado mas não o posso fazer por isso se calhar é melhor passar á classificação final para isto antes que eu diga coisas demais.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um excelente cruzamento entre o cinema de aventuras, (ou de viagem) onde as paisagens naturais majestosas são uma personagem por direito e um estilo de cinema intimista e filosófico que irá agradar a quem procura algo menos comercial.
Tem uma história deveras enimática embora nem sempre resulte enquanto filme pois 150 minutos talvez seja demais embora o segmento final seja fascinante pelo inesperado e tom filosófico.
Sendo assim, quantro tigelas de noodles pois é realmente muito bom e acima de tudo interessante quando se vê uma primeira vez e se calhar ainda é um daqueles que lhes apetecerá rever de novo um dia destes, até porque é um antídoto perfeito para um cinema de aventuras mais comercial produzido no ocidente.

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A favor: as paisagens naturais são do outro mundo, visualmente o filme está fantástico, o ambiente é mágnifico em todos os sentidos,  tem uma história enigmática que alterna com alguns segmentos de aventura interessantes, as partes sobrenaturais são muito curiosas e hipnóticas, o segmento final parece pertencer a um filme diferente mas resulta mesmo bem pois dá muita frescura a uma história que até aí parecia que não ia a lado nenhum, as explicações para os mistérios e origem dos personagens estão lá mas não esperem que algum deles lhes venha explicar o que se passou na história numa daquelas cenas paternalistas, contém uma canção excelente algures pelo fim.
Contra: ainda não sei se como história de amor isto resulta ou não pois não há grande química entre os protagonistas, esforça-se demasiado por ser um filme romântico e nota-se esse esforço a todo o instante o que lhe retira muita da naturalidade, não é cinema de aventuras ultra comercial e portanto irá desagradar a quem não suporta aquele toqeue de cinema mais intimista, pelo meio arrasta-se demasiado e a história parece não ir a lado nenhum durante minutos a fio, se não tiverem pelo menos algumas boas referências sobre budismo, filosofia e mitologia oriental não irão conseguir perceber a explicação dos mistérios da história pois ninguém lhes vai explicar nada e todas as soluções muito provavelmente irão passar-lhes ao lado por falta de referências para serem notadas, nota-se que foram buscar modelos para actores principais pois o heroi passa o tempo todo em pose constante para a câmara e há por ali alguma falta de naturalidade nas suas presenças físicas embora isso se note menos na actriz principal.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
NÃO VEJAM O TRAILER ANTES DE VEREM O FILME
especialmente se não sabem nada sobre esta obra, pois uma das melhores surpresas do rumo da história está no trailer.

Comprar
http://www.dvdasian.com/_e/India/product/25343/Valley_of_Flowers_Region_3_PAL_DVD_.htm

Download aqui.
AVISO: Não espreitem as fotos senão perdem a surpresa da história. E já agora, vejam se conseguem carregar no torrent sem ler a descrição do filme também porque revela como será a inesperada parte final.

IMDB
E nem pensem em carregar aqui antes de verem o filme.

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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