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Toki o kakeru shôjo (Time Traveller / The Girl who leapt through Time) Masaaki Taniguchi (2010) Japão

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Rezam as crónicas que [“Time Traveller”] é já para aí a quarta adaptação para cinema de um clássico romance de ficção científica japonês escrito há já mais de 40 anos atrás e se contarmos com as versões para TV produzidas no oriente parece que anda também pela oitava versão desta história conhecida como “The Girl Who Leapt Through Time” que pelo visto já teve tantas adaptações quanto variantes embora me faça alguma confusão a razão de tanta popularidade pois não é tão interessante assim, nem sequer como conto sobre viagens no tempo.

E se o título lhes causa uma sensação de dèjá-vu, isto é porque eu já falei aqui da versão Anime baseada neste mesmo romance e portanto muitos de vocês já devem ter lido há muito o meu texto sobre [“The Girl Who Leapt Through Time”].
Portanto, agora [“Time Traveller – The Girl Who Leapt Through Time”] é mais uma variação do conceito original desta vez com resultados particularmente interessantes tanto para quem gosta de histórias de viagem no tempo como para quem procura mais uma simples história de amor ao habitual estilo japonês.


Não é um daqueles filmes inesquecíveis, nem será particularmente criativo no que toca á parte de ficção-científica mas é um bom filme que equílibra bastante bem o tema das viagens no tempo com a típica love-story fofinha que já vimos mil vezes mas que funciona sempre bem neste tipo de conceitos quando é bem filmada. Esta não é exepção.
Portanto [“Time Traveller”] é um filme que apesar de não supreender ninguém propõe duas horas bem passadas com uma história simples mas carregada de pormenores cativantes que lhes irá agradar se gostam deste tipo de cinema.


Tem muita atmosfera e charme quanto baste. Isto graças ao facto da história practicamente se passar toda em 1974 e não faltarem as típicas cenas ao melhor estilo Back to the Future onde a protagonista dá de caras com os seus próprios pais quando estes eram jovens e com isso encontra explicações para o comportamento dos adultos que ela conhece bem em 2010.


[“Time Traveller”] na verdade acaba por ser melhor do que parece a uma primeira visão, isto porque na sua simplicidade consegue ser um filme eficaz onde tudo o que faz, faz bem e onde não há propriamente qualquer outro aspecto negativo para comentar. E quando um filme não deslumbra, mas também não tem nada que se possa dizer de mal contra ele, já não está nada mal, pois em última análise será um bom divertimento. Isto porque [“Time Traveller”] tem muita coisa boa, apesar de ser tão simples.



A protagonísta é excelente. Fofinha quanto baste para não destoar do género e com muita personalidade compondo um personagem cativante que gostamos de acompanhar e pela qual torcemos para que tenha um final feliz, particularmente no que toca á história de amor.
Uma história de amor que só peca por ser tão previsível que perde muita da sua força, apesar de conter um par de momentos muito bonitos e poéticos até que irá agradar a toda a gente que gosta de histórias de amor orientais.


Não será um grande romance cinematográfico, mas isso é apenas porque a sua narrativa sofre os constrangimentos das histórias sobre viagens no tempo que já vimos mil vezes. Por exemplo, logo no início do filme mal aparece uma notícia antiga num programa de TV a propósito de um grave acidente de autocarro, percebemos porque razão essa cena foi ali colocada e portanto não esperem grande suspanse na história de [“Time Traveller”] pois tudo aquilo que vocês já viram mil vezes nestes argumentos sobre viagens no tempo, acontece mesmo depois no final do filme e não há aqui nada que os surpreenda.


[“Time Traveller”] ainda tenta ter um twist no que toca á identidade de um personagem mas mesmo nisso é tudo tão previsível que na realidade não causa qualquer impacto.
No entanto, não se deixem desencorajar pelas minhas palavras menos entusiasmadas, pois como já disse [“Time Traveller”] é muito bom e funciona a todos os níveis. Apenas lhe falta originalidade.
Por outro lado, tendo em conta que o filme parece adaptar o livro original, se calhar quando isto foi escrito há mais de 40 anos tudo pareceria bem mais inovador do que nos parece hoje e sendo assim não podemos culpar o filme por essa falha que na verdade até é menor.

É também um filme sobre Cinema, pois muito do que acontece nos anos 70, gira á volta do desejo de um jovem de vinte anos em se tornar um realizador de filmes de ficção-científica e todos os personagens co-habitam esse universo de criadores de filmes de baixo orçamento numa época onde ainda não existiam efeitos especiais como os que existem actualmente e onde o género da FC nem sequer estava na moda. Muito do charme de [“Time Traveller”] está nessas sequências onde a protagonísta também se vê envolvida o que dá origem a mais outro elemento que depois irá contribuir para o emotivo e óbvio final.


Apesar de [“Time Traveller”] fazer parte deste estilo de FC, não esperem no entanto um filme de efeitos especiais ou cenas espectaculares, pois mais uma vez tudo se centra mais na relação dos personagens do que na espectacularidade do conceito á volta das viagens no tempo.
Nem os efeitos digitais aqui se safam e na verdade são tão pirosos como o são os efeitos especiais estilo anos 70 que os protagonistas tentam inserir no filme deles no decorrer da história.
A sequência em que a miúda viaja no tempo, nem sei se é para rir ou para chorar e inclusivamente até é bem mais rasca que o que aparece no próprio Anime de 2006.
E por falar no Anime, a miúda de [“Time Traveller”] é a mesma actriz que deu voz ao personagem principal também em “The Girl Who Leapt Through Time“.

“Essencialmente conta a história de uma rapariga cujo a mãe é uma cientísta que inventou um soro capaz de nos fazer viajar no tempo. Um dia a mãe sofre um acidente e no hospital pede á filha para voltar atrás ao ano de 1972 para entregar uma enigmática mensagem a um antigo colega de liceu nessa época.
Acontece que a protagonísta ao beber o soro criado pela mãe, vai parar ao passado, mas sim a 1974 e não a 72 o que causa alguns problemas para conseguir encontrar o rasto da pessoa a quem era suposto entregar a mensagem dois anos antes.

Entretanto, conhece um jovem pretendente a realizador que lhe dá casa para dormir e as coisas desenrolam-se a partir daqui, sempre de forma previsível mas não menos divertida até chegar ao óbvio final que nem por isso deixa de ser menos emotivo e onde até nem falta um toque de poesia que inclui algumas imagens fantásticas.

Na verdade não há muito mais para dizer sobre [“Time Traveller“] e sendo assim passemos ao que interessa.

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CLASSIFICAÇÃO:

Como a procura por cinema romântico oriental continua em alta neste blog, [“Time Traveller“] é mais um título para juntarem á lista de filmes a ver.
Não ficará na memória por muita coisa, mas é um filme bem melhor do que parece á primeira vista e recomenda-se vivamente a quem gosta de FC e quer ver uma obra que equilibra bastante bem o melhor das viagens no tempo com o típico romance ao melhor estilo do cinema comercial japonês actual.
E atenção que isto não é um remake de “The Girl Who Leapt Through Time” mas sim uma adaptação do livro original.
Quatro tigelas de noodles, pois é muito bom embora lhe falte alguma chama para ser verdadeiramente fantástico.

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A favor: é um filme sobre viagens no tempo que faz tudo bem, boa história de amor pelo meio embora ultra previsivel, tem personagens cativantes, a protagonista tem muita garra e é divertida, homenageia o cinema low budget com muito charme, apesar da previsibilidade consegue ter um final emocional muito interessante e alguma poesia visual até, as duas horas de filme passam a correr.
Contra: é simples demais e tudo é tão previsivel que perde logo metade da força que merecia ter tido.

PS: Se gostarem de [“Time Traveller“] e quiserem depois compará-lo com uma grande, entusiasmante e divertida história de amor que envolve viagens no tempo, não percam de forma nenhuma “Cyborg She” pois é do melhor que apareceu ultimamente dentro da FC romântica com paradoxos temporais e muita imaginação não só visual como a nível de argumento. No fundo uma verdadeira antítese á simplicidade de [“Time Traveller“].

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=8Wfh-yl40O0

Comprar
http://www.amazon.co.uk/dp/B004L9IDDC/ref=nosim?tag=l076-21

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt1614408

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Outros títulos com algumas semelhanças, recomendados:

ditto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x Be With You

Il Mare Fly me to Polaris

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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