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Narok (Hell) Tanit Jitnukul; Sathit Praditsarn; Teekayu Thamnitayakul (2005) Tailândia

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A genialidade do cinema Tailândes para produzir filmes absolutamente inacreditáveis não pára de me surpreender embora  nada me preparasse para me divertir tanto num filme chamado [“Hell”].

Ainda estou a tentar perceber se o filme foi feito assim de propósito ou se isto deverá ser mesmo para rir.
É que pelo trailer pelo menos fiquei com a ideia de que alguém levou esta história mesmo muito a sério e [“Hell”] supostamente deveria ser um filme de absoluto terror aterrorizantemente aterrorizante que visaria explorar o pecador que há em nós, mas…
Então porque raio é que isto é uma das melhores comédias dos últimos anos ?

Estou muito baralhado. [“Hell”] é absolutamente hilariante e tem tanta coisa divertida que nem sei por onde pegar.
Para começar é um daqueles filmes maus como o raio e um titulo que encheria de orgulho o próprio Ed Wood se este tivesse nascido na Tailândia e fizesse filmes hoje em dia. Por outro lado, [“Hell”] acaba por nem ser tão mau quanto isso, porque até tem muitas coisas boas.

Tem um conjunto de personagens muito interessante e bem trabalhado que nos faz importar com o seu destino ao longo de toda a história. Além disso tem um ritmo narrativo excelente onde estão sempre a acontecer coisas e tudo o que acontece não só é diferente e criativo como interessante de seguir; o que não deixa de ser fascinante visto que pelo visto [“Hell”] teve trés realizadores por detrás da câmara para filmar 90 minutos de aventura e fantasia.
A verdade é que tudo resulta bastante bem e nem se nota que foi um trabalho tripartido por várias pessoas.

[“Hell”] começa bastante bem, com um prólogo de mais ou menos 15 minutos onde se conhecem as vidas normais dos protagonístas e onde nada remete para aquilo que depois o filme vai mostrar. Esse início está bastante bem trabalhado e em breves vinhetas percebemos logo que os personagens não só são bastante variados como as suas vidas e problemas cativam o espectador sem precisar de haver grandes diálogos ou momentos de exposição.

No entanto quando começam as sequências sobrenaturais é que as coisas aquecem (hehe) !
[“Hell”] conta a história de um grupo de pessoas que sofrem um acidente de automóvel e são levadas em coma para o hospital. Apesar de apenas um deles estar morto e ter ido parar ao inferno o problema é que a sua alma arrastou consigo os espiritos dos companheiros que se econtravam no limbo devido ao coma e toda a gente subitamente se vê transportada para o Inferno (esse mesmo) numa espécie de viagem de finalistas com muitas surpresas á mistura.

Quando estes chegam ao Inferno,  parece que de repente voltamos aos anos 80 e áqueles filmes que tentavam copiar Conan o Bárbaro de John Millius mas faziam-no sem orçamento nenhum filmando tudo numa pedreira local com montes de gente em tronco nu e machados de plástico. Como tal a primeira impressão que temos do Inferno enquanto espectadores é que o filme está lixado pois tudo vai ser do piorio dali para a frente.

Na verdade, é e não é.
Eu explico.
Tendo em conta a óbvia falta de orçamento de [“Hell”] não deixa de ser muito surpreendente constatarmos no ecran o esforço dos criadores deste filme para tentarem criar ambientes épicos larger than life sem terem dinheiro para o fazer correctamente.
Como tal, mal chegamos ao local onde as coisas começam a ficar quentes, constatamos que o Inferno é mesmo uma colecção de maus efeitos digitais no pior estilo Photoshop amador como já vem sendo tradição no moderno cinema Tailandês e onde parece que ninguém leu o manual de como se faz uma boa montagem digital.

Além disso, também não deixa de ser infernal termos que levar quase sempre com um incómodo filtro vermelho constante por cima de quase todas as sequências no exterior do Inferno. Sim, porque o Inferno também tem interiores.
Na verdade o Inferno parece ser um mundo de fantasia fascinante e onde se nota um grande esforço para tentar criar uma atmosfera infernal coerente a todo o instante por parte dos criadores do filme.
É como uma espécie de Terra Média (onde nem faltam uns gajos tipo Huruk-Hai), montada a Photoshop e filmada numa pedreira atrás do estúdio local, mas não há dúvida que a coisa até resulta bem melhor do que eu alguma vez esperaria quando me apareceram pela frente as primeiras sequências passadas no Inferno em [“Hell”].


Essencialmente ficamos a saber que o Inferno tem uma saída e que independentemente dos erros que tivermos cometido na Terra quando acabar a nossa pena lá , temos direito a uma nova reencarnação.
É assim como ir á tropa para os comandos, sofrermos como o raio na recruta mas depois seguir em frente depois de todas as torturas, o que não é um mau conceito, tendo em conta que na versão ocidental do local parece que a malta fica lá para sempre se for parar ao Inferno.
Neste não e como tal quando os herois descobrem esse pormenor todo o filme gira em volta da sua tentativa de voltar para casa, até porque quase todos foram lá parar por engano.

Tudo isto resulta bem em [“Hell”], a ideia está engraçada, nota-se o esforço para criar um mundo paralelo com identidade e a estrutura de filme de fantasia até quase resulta.
Então porque isto é tão hilariante assim ?
Bem para começar as cenas de terror são de cair a rir. [“Hell”] esforça-se tanto por ser um filme gore daqueles extremos ao nível nojento que á força de tanto exagero acaba transformado num desenho animado da Warner Bros com bocados de corpos a saltar por todos os lados.

As cenas de tortura em [“Hell”] são a melhor comédia involuntária dos últimos anos e são tão crueis e sangrentas que não conseguimos conter as gargalhadas, especialmente na sequência em que os herois exploram a área onde as almas pecadoras são retalhadas, sangradas, enforcadas, esquartejadas, queimadas vivas, violadas, etc, etc, etc.
Tudo hilariante!
A sério, este filme tem as cenas de terror mais cómicas dos últimos anos, precisamente porque parece levar tudo aquilo muito a sério e a ideia parece ter sido a de arrepiar o espectador tentando-o convencer a levar uma vida sem pecado, pois de outra maneira irá acabar neste sítio.
Aliás , toda a premisa em [“Hell”] é de que isto é uma história verdadeira. Acreditem se quiserem.

[“Hell”] é um filme tão pregador e moralmente educativo que mais parece um produto encomendado por uma daquelas igrejas evangélicas para assustar os fieis, pois isto é a típica e hilariante visão do inferno que costumam impingir e não tenho a mínima dúvida de que para muita gente [“Hell”] mais do que um filme de terror, será mesmo um documentário !🙂


Não há muito mais para dizer sobre isto. É divertidissimo, tem tanto aspecto positivo quanto negativo e mesmo assim, muito do negativo acaba por se tornar positivo. Isto porque esta coisa de se conseguir fazer um mau filme, tão mau que se torna genial não é para toda a gente mas estes tipos conseguiram-no plenamente.

[“Hell”] é genial em todos os sentidos porque é mau demais para ser verdade e no entanto resulta num nível completamente diferente do pretendido originalmente, aposto. É um série B de fantasia curioso, é uma comédia involuntária e pretende ser um filme de terror e esforça-se tanto por isso que a coisa segue exactamente o rumo oposto.
E ainda bem, pois nunca viram nada assim.
Eu por mim, depois disto só me apetece ir pecar.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um verdadeiro filme de culto a pedir que seja descoberto.
Uma das melhores comédias involuntárias dos últimos tempos e mesmo assim consegue ser um filme de aventuras divertido com uma boa utilização do sobrenatural e algum drama bem inserido pelo meio.
É um produto muito estranho mas que resulta a vários níveis e vale mesmo a pena ser visto pelo menos uma vez, tanto por quem gosta de filmes de terror gore, como por quem quer ver um filme de fantasia com um conceito curioso.
Trés tigelas e meia de noodles, porque vale mesmo a pena e é bem mais divertido do que parece á primeira vista.

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A favor: bom grupo de personagens, conceito curioso e com detalhes bem desenvolvidos na história no que toca ao sobrenatural, tem baldes e baldes de sangue e pessoas a serem torturadas por todo o lado e por isso é hilariante porque nada resulta com o efeito de horror esperado, apesar do baixo orçamento a criação do mundo do Inferno está bem conseguida e variada quanto baste em termos de ambientes, tem um bom ritmo narrativo e está sempre a acontecer qualquer coisa divertida, tem tudo para se tornar num grande filme de culto pois é uma sangrenta e divertida aventura.
Contra: parece uma história moralista de propaganda cristã evangélica e poderá ser considerado um documentário serissímo por muito boa gente, parece um filme encomendado por um daqueles movimentos Pro-Vida hilariantes pois está cheio de contos morais e castigos infernais contra quem aborta, os efeitos especiais são do piorio, nota-se que não houve grande orçamento até para os cenários que apesar de variados são algo despidos de pormenores.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=GDde_REU-Bo

Comprar
http://www.play.com/DVD/DVD/4-/933740/Hell/Product.html

Download aqui com legendas PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0467628

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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