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Joheunnom nabbeunnom isanghannom (The Good The Bad The Weird) Jee-woon Kim (2008) Coreia do Sul

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A última coisa que eu esperava ver deste realizador a seguir a um filme de terror tão fascinante quanto “A Tale of Two Sisters” seria um Western e no entanto é isso que [“The Good The Bad The Weird“] é de uma forma tão genuína que nos confunde totalmente pelo facto disto não ser um filme americano e onde se troca o velho Oeste pela Manchuria nos anos 30.

[“The Good The Bad The Weird“] sendo embora absolutamente genial é no entanto um dos filmes mais difíceis que alguma vez tive de comentar aqui neste blog por muitas e variadas razões e portanto aviso já que o texto a seguir poderá parecer-lhes não só totalmente ilógico como se calhar absolutamente  esquizofrénico e sem sentido algum.

Isto porque como podem ver pela classificação que lhe atribuo abaixo, embora bastante boa acaba por nem ser a espectacular nota que este filme se calhar merecia que eu lhe desse, porque na verdade acho-o absolutamente brilhante em muitos aspectos e quanto a mim é uma obra prima do cinema de acção e contém das melhores sequências dentro do cinema de aventura puramente clássico talvez desde a primeira aventura de Indiana Jones. Isto no que toca a filmes com pistolas, balas, gajos com chapéus de abas e tiroteios.

Tudo no que toca a atmosfera e adrenalina é absolutamente genial em [“The Good The Bad The Weird“] e como produto de acção é realmente uma obra prima, pela sua frescura, sentido de aventura e originalidade quanto baste.
Visualmente é do outro mundo. Mais uma vez o realizador enche um filme de imagens inesquecíveis e onde cada frame é um quadro, que muitas vezes neste caso presta homenagem a dezenas de enquadramentos famosos da história dos westerns (e não só) que todos nós conhecemos até mesmo se não formos viciados em filmes de cábois.

O cuidado colocado em cada decor é absolutamente notável e merece que façamos uma pausa no filme só para apreciarmos todas as texturas, detalhes e cores que enchem [“The Good The Bad The Weird“] do principio ao fim. Na verdade isto visualmente é tão bom que mesmo que o filme não tivesse nenhuma cena de acção não conseguiriamos tirar os olhos do ecran desde o início pois toda a estética aqui é absolutamente fantástica dentro do mesmo estilo já encontrado em “A Tale of Two Sisters” mas desta vez aplicado a um universo visual de puro Western americano…embora com Sul Coreanos, Japoneses, Chineses e indios, perdão…Mongois.

E mais do que uma colecção enorme de referências cinéfilas puramente americanas, [“The Good The Bad The Weird“] é um verdadeiro achado para quem adora  Western Spaghetti e particularmente quem conhece bem o trabalho de Sérgio Leone. É que [“The Good The Bad The Weird“] é uma espécie de “O Bom O Mau e O Vilão” em esteróides !
Se Sergio Leone filmasse em estilo videoclip moderno cruzando westerns com serials de aventura o resultado seria algo muito semelhante a isto.
E refiro-o como um elogio.

Então se [“The Good The Bad The Weird“] é tão genial o que é que falha ?
Bem, infelizmente não tem o argumento de um filme de Sérgio Leone e muito menos se pode comparar a “Salteadores da Arca Perdida” nesse aspecto também.
[“The Good The Bad The Weird“] é o típico exemplo de um filme em que a estética sobrepõe-se a tudo a todo o instante. Talvez o facto de visualmente isto ser um produto tão absolutamente perfeito, essa perfeição lhe tenha retirado qualquer hipótese de poder conter um argumento realmente tão entusiasmante que a pudesse complementar ou equiparar.

É verdade que já vimos se calhar dezenas de filmes sem história que resultam apenas como cinema de acção, mas se calhar nunca vimos um produto tão cuidado a pedir desesperadamente por um argumento imaginativo. A última peça que tornaria [“The Good The Bad The Weird“] numa obra prima do cinema de aventura de pleno direito ao lado de todos os clássicos do género; uma marca que não consegue plenamente atingir porque enquanto espectadores gostariamos mesmo de ter algo interessante para acompanhar entre a obra prima visual que são as sequências de tiroteio e não há nada.
É um vazio total !!!

A forma como começa é a forma como acaba. Não há qualquer intriga interessante pelo meio, os personagens não sofrem qualquer evolução ou causam qualquer surpresa e só não são completamente aborrecidos de acompanhar porque [“The Good The Bad The Weird“] consegue ter um sentido de humor bastante divertido que por momentos parece que vai dar vida a todos aqueles bonecos de cartão.

É certo que como o próprio título indica, a base de tudo são na verdade personagens-tipo, mas bolas, será que não se poderiam ter tornado aquelas pessoas realmente interessantes ?!!
Isto nem parece ter sido criado pelo mesmo autor que conseguiu tanto humanismo nas personagens centrais de “A Tale of Two Sisters” e por isso não se compreende de todo tamanha ausência de identidade agora neste argumento a nível de personagens.
É que até os Westerns de Sérgio Leone mesmo quando parecem filmar o vazio nunca deixaram de ter personagens fortes e carismáticas, muitas vezes sem precisar de haver qualquer linha de diálogo entre eles sequer.
É isto que falha em [“The Good The Bad The Weird“] e falha redondamente mesmo.

Parece que o filme foi todo construído com base na estética e na homenagem visual a todos os clássicos e mais alguns dentro do género de aventura mas depois não houve tempo para tornar os bonecos que andam aos tiros o tempo todo mais interessantes nos intervalos da porrada embora haja umas tentativas para remendar isso através do humor ao melhor estilo cartoon.

Já ando para falar deste filme por aqui, desde que o vi há anos, mas como das cinco vezes que o tentei rever, nunca consegui chegar ao fim sem estar a cair de sono, sempre me foi muito dificil arrumar as ideias para ter algo coerente para dizer aqui.
Já vi muita coisa má que deu sono, mas nunca me tinha passado pela frente um produto com tanta qualidade como [“The Good The Bad The Weird“] que me tivesse provocado esse efeito. Muito menos um filme visualmente tão apelativo e com tanto tiro e barulho a todo o instante que me deveria ter mantido mais acordado.

O que ainda se torna mais estranho é o facto de estar carregado de sequências de acção fabulosas e acho que nunca vi um filme de cowboys com tanto tiroteio também, por isso ter-me quase arrastado para tentar ver isto do príncipio ao fim ainda se torna mais estranho. É que eu adorei mesmo as cenas de acção e aventura disto !!
Agora, se calhar o [“The Good The Bad The Weird“] tem duração a mais. Para um filme com mais de duas horas onde pelo menos 100 minutos são passados com cenas de tiros e pancadaria não deixa de ser muito estranho isto tornar-se um produto tão aborrecido quando não há gente aos tiros no ecran a todo o instante.

A história não interessa e nem o tema da caça ao tesouro lhe dá qualquer carísma, os personagens quando não andam á porrada não cativam nem servem para nada, tem personagens a mais por todo o lado mas só lá estão para andar aos tiros e como tal o suposto twist final também não tem impacto nenhum porque é precisamente construido á volta da origem de um personagem com o qual não temos grande relação e parece apenas servir para efeito cómico no filme não diferindo muito do heroi que se limita a ser o bom ou do vilão que é mau como as cobras porque sim.

O que salva [“The Good The Bad The Weird“] , além do seu fabuloso ambiente é ter tanta adrenalina nas cenas de acção e por isso é mesmo uma obra-prima falhada dentro do género apenas porque estas na verdade acabam para não servir para muito além de mostrarem o talento do realizador para o género.
Este filme com uma história cativante e personagens de que ficassemos a gostar teria sido absolutamente do outro mundo.
E por falar em outro mundo…

Nunca me tinha passado pela cabeça que a Manchuria dos anos 30 pudesse ser um cenário para cinema de aventura tão genial e carismático. Estamos a ver [“The Good The Bad The Weird“] e o filme poderia ser passado num outro planeta que não notariamos diferença, pois todos os décors são tão alienígenas para a nossa própria cultura que isto poderia ser uma aventura passada em marte que não estranhariamos nada.

Estava a ver o filme e toda a sua estética só me fazia lembrar a genial série western-scifi “Firefly” com a sua excelente conclusão cinematográfica “Serenity“, isto porque todas as texturas e ambientes são muito semelhantes e tudo se passa numa atmosfera oriental onde muitas culturas se misturam num canto perdido do mundo. Quanto a mim se um destes dias fizessem uma sequela para “Serenity“, se calhar não seria nada má ideia contratarem o realizador de [“The Good The Bad The Weird“] para o dirigir com Joss Whedon a escrever pois seria uma combinação fantástica certamente.

Ah, já me ia esquecendo precisamente daquilo que na minha opinião é um dos pontos altos do filme e que quase nos faz perdoar todas as falhas até aí.
[“The Good The Bad The Weird“]  tem uma das melhores, mais entusiasmantes e mais divertidas perseguições de todos os tempos no cinema de aventura e só por isso vale a pena espreitarem este filme.
São mais de dez minutos de uma sequência como nunca viram dentro do género. Um tipo numa mota de  side-car a ser perseguido num deserto por todo o elenco deste filme. E quando eu digo todo, quero mesmo dizer todo o elenco deste filme, gangs de mongois, assaltantes chineses, assassinos profisionais, soldados japoneses, cowboys de todas as raças, samurais foras da lei, montes de cavalos, jipes, canhões, gajos bons, gajos maus, gajos assim-assim tudo numa das maiores perseguições em estilo todos-contra-todos onde não faltam, tiros, bombas, socos nas trombas, facadas, balas de canhão, saltos de veículos em movimento, cavalos pelos ares, gajos a explodir, cavalos a explodir, carros a explodir, motas a explodir, lutas á espada, e tudo numa sequência de antologia que marca a fasquia por onde a partir de agora toda a gente que fizer uma cena de perseguição terá que se guiar, pois é absolutamente notável em todos os aspectos.

Essa perseguição quase no fim do filme e o assalto ao comboio da sequência de créditos iniciais são dos melhores momentos de cinema de acção que lhes irá passar pela frente em muito tempo e se ainda não viram [“The Good The Bad The Weird“] só por estas duas cenas vale mesmo a pena espreitar o filme.
Tudo começa de uma forma tão fantástica que o espectador fica plenamente convencido que depois irá continuar a ter mais do mesmo ou que as coisas só poderão ficar melhores. Não ficam.
Infelizmente depois é apenas mais do mesmo , mas felizmente que o mesmo continua a ser de elevada qualidade com excelentes momentos de humor e montes de imaginação nas cenas de aventura. É mesmo pena que um bocado dessa imaginação não tenha sido também usada para a história.

Básicamente [“The Good The Bad The Weird“] conta a história da existência de um mapa de tesouro que todos querem e pelo qual todos matam. Do príncipio ao fim do filme. Acabou a história. A sério, não há mais.
Um tipo tem o mapa no inicio, um assassino é contratado para o roubar, outro gajo rouba-o em vez dele e assim por diante. O mapa vai passando de personagem em personagem até que se descobre qual era afinal o tesouro (por acaso uma ideia bem engraçada) e o filme acaba com o típico duelo entre cowboys ao cair da tarde junto ao local onde todas as riquezas estão enterradas.

E pronto, é isto… espero que estejam tão confusos quanto eu.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não é de forma nenhuma a obra-prima que muitas reviews em festivais afirmam que é.
Por outro lado, é uma obra prima no que toca a cenas de aventura e sequências de acção e por isso é mesmo com muita pena que constato que falta ali algures um filme pelo meio de tudo isto.
Se procuram um verdadeiro western oriental no estilo mais puro e comercial da coisa mas com montes de qualidades, [“The Good The Bad The Weird“] irá agradar-lhes bem mais que “Sukyiaki Western Django” (esse verdadeiramente um produto falhado a muitos mais níveis).

Também será um Western Oriental que irá agradar a mais gente do que “Tears of the Black Tiger” que apesar de ser brilhante tem um toque de cinema experimental que não agradará a quem procura um Western puro e nesse aspecto [“The Good The Bad The Weird“] é bem mais directo e principalmente comercial.
Portanto e por tudo o que já referi acima, quatro tigelas de noodles porque é mesmo muito bom por um lado e tem momentos absolutamente brilhantes. Por outro lado, sinto até que deveria atribuir-lhe menos pois a suas fraquezas quase que destroiem um filme que merecia ser mesmo uma obra prima do cinema e não apenas no que toca a sequências de acção.

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A favor: a sequência de abertura do assalto ao comboio é do melhor e mais clássico que poderia ter sido, tem a melhor perseguição final jamais vista no cinema de aventuras com estas características num verdadeiro festival de porrada em andamento com todos contra todos e caos total, as sequências de acção neste filme são em regra todas totalmente fantásticas, muitas mortes com pinta, tiros que nunca mais acabam, muito sangue e torturas com dedos e peças de corpos aos bocados, muitas cenas de acção com grande sentido de humor e gags bem engraçados, as inúmeras homenagens visuais a tudo o que é western clássico muito particularmente ao western spaghetti também, o toque mexicano na banda sonora é do outro mundo e faz o filme ganhar vida quando aparece nos melhores momentos de perseguição, visualmente é incrível com com pormenores e texturas por todo o lado, existe no dvd um final alternativo muito bom (na verdade o final original do filme quando este passou na Coreia do Sul).
Contra: é um vazio absoluto quando não tem cenas de tiros e aventura, mudem a roupa nos personagens e não se nota diferença, o actor que faz de “Weird” repete exactamente o mesmo papel que já tinha feito em “The Host” mas agora num ambiente western, poderá fazer-vos adormecer o que não deixa de ser um feito espantoso tendo em conta tanta porrada ao longo do filme, o filme é demasiado grande tendo em conta que não se passa nada na história além de perseguições e do mapa a mudar de mãos até ao confronto final, ás vezes faz lembrar muito “Duelist pela falta de uma boa história que ligue tanta perseguição non-stop alucinante sem grandes motivos a não ser passar o mapa de um personagem para o outro.

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Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Zjm9gAjgRuU
http://www.youtube.com/watch?v=8Zew2yWGDC8

Comprar
Isto está a um preço tão estúpidamente baixo que se gostarem do filme é de aproveitar na Amazon Uk, tanto em DVD (muitos extras) como em Blu-Ray simples ou Blu-Ray edição especial.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0901487/combined

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Alguns titulos semelhantes em alguns aspectos :

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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