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Niji no megami (Rainbow Song) Naoto Kumazawa (2006) Japão

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Mais uma vez os japoneses filmam uma história de amor tão diferente dos moldes ocidentais que eu me pergunto como raio é que eles conseguem fazer resultar estes filmes quando nos atingem de uma forma tão estranha por nunca se passar muito nesta histórias, ao contrário do que costumamos ver nos produtos ocidentais.

Na longa lista de candidatos a remakes americanos saída do oriente, aposto que nunca verão [“Rainbow Song“] e isto porque é mesmo daquelas histórias de amor que jamais seriam compreendidas por um qualquer executivo de Hollywood que tivesse de aprovar um projecto assim.
Até parece que estou a ver a cara do senhor a perguntar: – “Mas onde é que raio é que está a história neste filme ?”


É que [“Rainbow Song“] além de ser uma história de amor sem um casal de namorados, ainda por cima não tem a típica estrutura a que estamos habituados no ocidente ou em produtos mais comerciais, até porque tem bastantes tiques de cinema de autor mais experimentalista pelo meio, ora não fosse este filme uma produção do realizador de “All About Lily Chou-Chou” o que deve logo servir de aviso suficiente para muita gente se manter afastado disto.

Para começar a miuda morre no início e sendo assim lá se vai todo o suspanse romântico que poderia ser usado por Hollywood num remake. Depois todo o filme é narrado em flashback e acompanhamos a relação de um rapaz e uma rapariga que nunca chegam a vias de facto e ainda por cima quase no fim do filme a estrutura muda drásticamente e além de acompanharmos uma outra relação paralela em tom algo deprimente e que não tem nada a ver directamente com a história principal ainda nos é apresentada uma curta metragem isolada dentro do próprio filme.
Portanto, quem esperar encontrar em [“Rainbow Song“] a típica história de amor com adolescentes num estilo mais soft e comercial se calhar é melhor ir ver “My Girl & I” que é assim uma espécie de “Rainbow Song” mas em versão comercial.

No entanto, este filme é absolutamente fascinante precisamente por aparentemente nunca se passar nada na história mas ao mesmo tempo passar-se tudo !😉
Nunca paro de me surpreender com a eficácia do cinema japonês para contar histórias de amor naquele tom contido onde nem sequer se pronuncia um “amo-te” entre personagens mas cujo o efeito emocional nos bate mais forte do que alguma vez esperariamos, especialmente quando [“Rainbow Song“] tem um certo tom experimentalísta que ás vezes parece querer incluir esta história num patamar diferente do que precisaria ser.
Por outro lado, não há dúvida que cada vez gosto mais das histórias de amor adolescentes saídas dos Japão pela sua simplicidade e acima de tudo pela sua naturalidade.

Um dos grandes pontos altos de [“Rainbow Song“] está precisamente nisso. A meio do filme já nem nos lembramos que estamos a ver actores a desempenhar um papel ficcional e aquelas pessoas parecem-nos tudo menos pesonagens de ficção.
A naturalidade do “par romântico” neste filme é fantástica e tem uma das melhores químicas que me encontrei recentemente em histórias de amor orientais. O que ainda se torna mais fascinante, pois os dois protagonístas estão em cena em practicamente 95% de todo o filme e nunca nos fartamos de acompanhar a sua vida mesmo quando nesta não se passa de facto absolutamente nada !!

Nada no sentido dramático que costumamos ver em histórias de amor ocidentais e ainda menos quando estas são histórias de amor com adolescentes. Em [“Rainbow Song“] não há enganos , não há traições, não há rivais amorosos, não há drama teenager, não há nada.
Acompanhamos o dia-a-dia destas duas pessoas e é tudo. Nem sequer se passa algo de extraordinário no seu quotidiano.
Apenas acompanhamos um breve período da vida de duas pessoas que foram feitas uma para a outra mas onde nada se consumou por força de um destino trágico que conhecemos logo de início e como tal não esperem qualquer twist inesperado nesta história de amor, pois a sua força não está nos truques e reviravoltas do argumento mas sim no carísma dos personagens que ficamos a adorar mal passamos vinte minutos com eles.

Agora, [“Rainbow Song“] é um filme algo estranho, porque a sua estrutura anda ali algures entre o cinema comercial e o filme mais experimentalísta, (existencialista até). Quase no fim, entra por uma história de amor paralela algo estranha e termina em registo ainda mais experimentalísta quando nos é mostrado o filme que a protagonista estava a fazer, pois outra das coisas muito interessantes em [“Rainbow Song“] é o facto de ser um filme sobre cinema com um filme dentro de um filme e embora isso por vezes lhe confira um tom algo pretencioso a puxar para o estilo-obra-de-arte, a verdade é que ainda se torna mais curioso de o acompanharmos por causa disso.

O facto de ser um bocadinho Art-House não lhe retira no entanto a emoção e se vocês procuram uma história de amor oriental bastante curiosa e humana, recomendo vivamente que espreitem [“Rainbow Song“], pois na sua simplicidade (algo complexa), consegue cativar-nos e emocionar-nos nos momentos chave, pois faz-nos gostar muito do par protagonísta e damos por nós a desejar que a sua história acabe bem quando sabemos desde o início que irá acabar trágicamente.

Destaque também para os personagens secundários, muito variados e todos com momentos decisivos para a história que enriquecem este argumento onde se calhar se passa muito mais do que parece passar-se.
Desde o realizador histérico (e muito divertido) do início, passando pelo chefe da rapariga até á sua irmã cega, todos nos parecem muito mais do que apenas personagens de cartão que poderiam muito bem ter sido pois não têm muito tempo de exposição.

Se procuram uma história de amor diferente e gostam do estilo japonês de as contar, devem incluir este filminho na vossa lista também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Resumindo, [“Rainbow Song“] é algo estranho e até ambiguo, mas como história de amor resulta em pleno pois acerta em cheio nos melhores toques emocionais sem precisar de entrar num tom melodramático apesar da premisa trágica da história.
É uma pequena história de amor japonesa que vale a pena verem, quanto mais não seja porque vão ficar a gostar muito do par romântico principal.
Trés tigelas e meia de noodles.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: a química entre o par protagonísta é fantástica, a naturalidade como toda a sua relação se desenvolve e o tom real de toda a história, bons personagens secundários, gostei muito da forma como está filmado especialmente nas sequências que envolvem o par protagonista, é uma história de amor cheia de alma e muito humana.
Contra: não precisava dos tiques Art-House para ser bom, a segunda história de amor é algo doentia e embora original dá uma carga de tristeza ao filme que na minha opinião seria desnecessária, por causa disso o filme está algo fragmentado no seu ritmo narrativo o que pode retirar algum do impacto emocional da principal história romântica.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=TTDJdpD0VcI

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-70-2oyx.html

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0804513

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Outros títulos “românticos” semelhantes em estilo:

concerto_capinha_73x 

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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