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Gui si (Silk) Chao-Bin Su (2006) Japão

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De vez em quando surgem uns filmes que tentam ir para além de um único género e procuram apresentar propostas com alguma originalidade mas a coisa nem sempre resulta particularmente bem.
Este [“Silk“] é no entanto um bom exemplo desse tipo de filmes que quase conseguem criar algo realmente especial.

Já muito se tentou fazer cruzando vários géneros de cinema e neste caso estamos perante uma história híbrida bastante curiosa que tenta apresentar um conceito novo algures entre a ficção-científica e o típico filme de terror oriental.
[“Silk“] é uma boa tentativa, parte de uma ideia que eu ainda não tinha visto em cinema e quase que posso apostar que um destes dias vamos ainda ver um qualquer remake americano disto. Pelo menos, no que toca ao conceito base da história, [“Silk“] está mesmo a pedir que Hollywood vá lá buscar inspiração.

A ideia aqui tem a ver com um grupo de cientístas que conseguiram capturar o fantasma de uma criança e o têm prisioneiro no quarto de um discreto apartamento assombrado por esta alma penada.
O apartamento está transformado num laboratório secreto e a ideia será não só tentar descobrir o que é afinal um fantasma, mas também quem é a alma da criança e porque razão ainda se econtra entre este mundo e o próximo sem ter partido quando morreu.

Acontece, que este ectoplasma emite um residuo que poderá revolucionar toda a ciência á volta do estudo da anti-gravidade e como tal, temos também um cientísta meio louco que não olha a meios para chegar á sua descoberta, mesmo que para isso se aproveite do sofrimento do fantasma infantil.
Adicionando a tudo isto, um polícia que se vê envolvido no mistério no seguimento de uma investigação de homícidio obtemos um estranho cruzamento entre vários géneros de histórias.

[“Silk“] começa como filme de terror, continua como thriller policial, passa ficção-científica high-tech com um toque de máfia e intriga política pelo meio, entra pelo filme sobrenatural, segue para o drama clínico (a mãe do polícia está a morrer no hospital), tem um cheirinho de cinema de acção e termina com um toque de cinema romântico oriental (o polícia tem uma namorada fofinha) misturado com uma resolução positiva do mistério da origem da criança fantasma num tom de feel-good-movie num final a condizer tudo isto.

E isto resulta ?
Bem…resulta. Agora podia ter resultado melhor.
Na verdade não há nada de errado com [“Silk“], a história é intrigante, o filme tem uma montagem porreira que consegue ir alternando os vários tipos de ideias num único novelo coerente e tem realmente qualquer coisa de originalmente apelativo.
O seu único problema é que no meio de tanta ideia e referência bem executada, acaba por não deslumbrar em nenhuma delas nem dar nada ao espectador que o entusiasme particularmente ao longo de todo o desenrolar do filme.

As cenas de terror são atmosféricas, chegam a causar um par de boas surpresas e arrepios na espinha quanto baste mas por causa de tanta fragmentação de estilos ao longo da história o ambiente nunca se mantém de forma a nos inquietar constantemente. Os conceitos de ficção-científica são muito interessantes mesmo, as ideias á volta da teoria da anti-gravidade são muito interessantes e os efeitos digitais á volta do conceito do cubo high-tech dão uma atmosfera curiosa á história que nos mantém o interesse também á volta desta parte mais sci-fi. O problema é que mais uma vez sente-se que havia aqui algo que poderia ter sido bem mais interessante e não foi.

No que toca á parte policial, ou ás sequências em estilo de thriller de acção a coisa também segue pelo mesmo estilo.
[“Silk“] contém um par de boas cenas de suspanse e acção mas depois acabamos por sentir falta de mais, porque o filme não tem tempo para se focar demasiado tempo em cada um dos seus estilos e como tal dispersa-se um bocadinho por todos os géneros.

O que prejudica naturalmente também o lado mais emotivo da história. A carga dramática em tom pesado hospitalar no que toca á história do policia e da sua mãe moribunda por vezes parece excessiva e desnecessária e a história de amor parece-nos um bocado á deriva sem muito para contribuir para o conceito principal de [“Silk“].
Embora, a parte romântica  mesmo sendo breve consiga interessar-nos e até dar alguma frescura á história, isto porque o personagem do polícia consegue cativar-nos ao longo da narrativa e por isso damos por nós a torcer para que a sua história tenha um final feliz.

Uma das coisas que quanto a mim estraga um bocado o conjunto e dá uma ideia mais fraca de [“Silk“] enquanto filme, é o personagem do cientísta vilão, pois a sua caracterização é algo absurda e desprovida de motivação coerente o que contrasta um bocado com todo o cuidado que foi colocado para que a história resulte bem como um todo.
Este personagem parece ter saído de um mau Anime televisivo. Além de ter um look todo estiloso e passar todo o filme em pose constante para a câmera, todas as suas motivações parecem mais saídas de um desenho animado infanto-juvenil do que propriamente de um personagem coerente com toda a tentativa de seriedade que percorre [“Silk“] e isto é talvez o pior contraste de todo o filme.

Se [“Silk“] tivesse tido um vilão menos estéreotipado e mais até dentro daquele tipo de história séria de sci-fi que pretende contar, se calhar teria resultado melhor em termos de suspanse. Isto porque qualquer ambiente credível da história é logo imediatamente quebrado quando muita da atenção do espectador vai para as poses estilosas do vilão quando este está em cena em vez de nos focarmos na narrativa como seria de esperar se este personagem estivesse melhor integrado no estilo sério do argumento.

De qualquer forma, [“Silk“] é um filme a ver sem reservas.

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CLASSIFICAÇÃO:

Quem procura uma mistura entre terror oriental e ficção-científica high-tech tem aqui uma proposta muito interessante.
É um bom filme de vários géneros e consegue manter tudo ligado sem parecer particularmente forçado, embora não nos deslumbre em nenhum deles e é pena.
De qualquer forma, trés tigelas de noodles porque é um bom thriller. Nem mais, nem menos. Espreitem porque vale a pena, quanto mais não seja porque tenta ser original e de certa forma até o consegue.
Podem apostar que um dia destes aparece por aí o remake americano pois [“Silk“] está mesmo a pedi-las…

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A favor: as partes sobrenaturais conseguem provocar um arrepio ou dois, mete um fantasma criancinha e portanto o factor creepy é garantido, a ideia do fantasma capturado é muito boa, o conceito de ficção-científica é interessante, as poucas sequências em tom de thriller policial de acção complementam bem toda a história, o mistério á volta da criança alma penada é previsível mas mesmo assim mantém-nos interessados no seu desenvolvimento, a mini-parte romântica não deslumbra mas resulta bem e dá personalidade ao resto da história porque contrasta bem com o tom dramático de tudo o resto, o filme tem ideias a mais que poderiam ter dado filmes individuais de vários géneros diferentes mas consegue equilibrar tudo sem parecer forçado e portanto é uma boa tentativa de se criar algo diferente.
Contra: por ter ideias a mais não consegue dedicar demasiado tempo a cada uma delas e por isso apesar de [“Silk“] resultar de forma competente e agradável de seguir nunca nos deslumbra nem ficará particularmente na memória, é um daqueles filmes que se vê uma ou duas vezes e depois metemos na prateleira até um dia, o vilão em estilo Anime piroso interfere demasiado no tom sério da história e além disso é um personagem completamente de cartão o que fragmenta ainda mais um produto que não precisava de mais distrações para competir com a atenção do espectador, o mistério á volta da morte da criança é por demais previsivel e já vimos isto antes mil vezes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=wZZYeUrCbkY

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-49-en-70-1t7t.html

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0486480/combined
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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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