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The King Maker (The King Maker) Lek Kitaparaporn (2005) Tailândia

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Nós, Portugueses devemos ter feito algo de muito bom pelas bandas da Tailândia pela altura dos Descobrimentos .
Não há filme de aventuras, ou épico histórico Tailândes que não meta Portugueses pelo meio. Mesmo quando não temos papeis relevantes no argumento,  aparecemos como figurantes de background para situar uma história.
Curiosamente, somos sempre caracterizados de formas muito positivas; como soldados corajosos, padres benfeitores, comerciantes de confiança (?) ou intelectuais respeitáveis transmissores de conhecimento e representantes do progresso.
E mais uma vez, cá estamos novamente  também no filme de aventuras [“The King Maker“] e agora com um destaque surpreendente.

Esta coisa de sermos tão bem vistos lá pela Tailândia não para de me surpreender. Até porque eu não me recordo de alguma vez aparecer qualquer notícia constante sobre este tipo de tratamento nos nossos meios de comunicação. Nem sequer me lembro de qualquer documentário histórico sobre toda esta deferência para connosco.
Por isso para mim foi uma verdadeira surpresa quando há um par de anos não só nos vi bastante representados no épico histórico “A Lenda de Suriyothai” como desde lá para cá parece que há portugueses em tudo o que é filme de aventuras Tailandês. Ainda mais me surpreendeu quando no making of de “Suriyothai” é inclusivamente referido que a própria raínha da Tailândia pediu não só para incluir a presença Portuguesa nesse filme como fez questão de se certificar que os Portugueses seriam apresentados de uma forma positiva mesmo apesar de serem figurantes nesse épico e nada mais.
Agora o que não estava nada á espera era de encontrar um novo filme de aventuras em que todos os herois e personagens principais são Portugueses !!

Isto é quase como se o Ministério da Cultura em Portugal produzisse um filme filmado por cá e depois só estivessem Chineses nos papeis principais deixando os portugueses quase como figurantes.
O que torna [“The King Maker“] logo á partida num filme não só único, como muito estranho pela sua própria origem.
Se nem nós nesta terra alguma vez filmamos um épico histórico de aventuras sobre os nossos próprios Descobrimentos em jeito de cinema comercial, como raio é que é possível um filme tão despretencioso surgir agora vindo da Tailândia connosco como herois ?! O mundo é muito estranho…

[“The King Maker“] é um filme Tailandês, passado na Tailândia e sobre a própria história desse país. Apenas nunca me tinha dado conta da nossa própria influência por aqueles lados e não deixa de ser fascinante constatarmos que até países do outro lado do mundo conseguem vir buscar a nossa história para tentarem fazer filmes comerciais de aventura quando nós por cá nesta sacro-santa terrinha parece que temos o rei na barriga e não produzimos mais do que cinema iluminado podre de intelectual e seriedade sobre a nossa História, quando a poderiamos estar a aproveitar para criarmos algo no estilo deste filme que a ensinasse de forma divertida e cativasse até o pessoal mais novo.
Imaginem o que os americanos fariam se tivessem a nossa História !!
E pelo visto, também agora os Tailandeses !!
Mas afinal que tal é o resultado ?
[“The King Maker“] é bom ?

Não.
Por acaso até é um bocado rasca.
Mas tomara que em Portugal alguém tentasse produzir filmes assim com a nossa própria história !
Por tudo isto vai ser muito dificil analisar coerentemente este [“The King Maker“].
Por um lado, este filme é um verdadeiro catálogo das razões porque o cinema Tailandês se espalha redondamente tantas e tantas vezes nos mais variados géneros.
Tudo aquilo que costuma ser mau nos filmes Tailandeses está mais uma vez bem presente também agora e este filme é quase parece ter sido feito de propósito para se mostrar como não se deve fazer cinema.

Mais uma vez estamos na presença de cinema Tailandês com tiques de telefilme de sábado á tarde. Mais uma vez temos outra produção que parece ter sido filmada na mata atrás do estúdio e mais uma vez temos efeitos especiais digitais não só com um estilo gráfico absolutamente amador mas ainda por cima com uma qualidade técnica que deixa mesmo muito a desejar em todos os sentidos.

Isto até nem seria o pior. O problema é que mais uma vez também, levamos com um argumento completamente mal estruturado, com um estilo narrativo que alterna entre vários géneros de filmes ao longo da história e com diálogos que parecem ter sido escritos por alunos do primeiro ano de um qualquer curso de guionismo.
Entre muitos outros problemas, que estranhamente surgem sempre no cinema feito na Tailândia, sequências de acção exageradas e mal coreografadas, efeitos mal inseridos e despropositados, e um esticar de corda muito óbvio no que toca a orçamentos limitados que desejam á força toda parecer-se com super-produções feitas em Hollywood.
Fico sempre com a sensação que todo o cinema feito na Tailândia se esforça demasiado por parecer americano em vez de procurar uma identidade própria e em [“The King Maker“] isto não é excepção.

É que desta vez e para piorar as coisas, não é que resolveram filmar a história toda em inglés ?!!
Um filme Tailandês, com americanos e ingleses a fazerem de Portugueses e com Tailandeses a (tentar) falar em inglés ?!!
Isto só podia dar no que deu.
Consta inclusivamente que os actores Tailandeses não percebiam a ponta de um corno de inglés e que decoraram as falas pelo som, o que bem vistas as coisas explica muito do resultado.
Se espreitarem o IMDB verão que este filme é um verdadeiro saco de pancada, principalmente porque o pessoal casca á força toda nos actores precisamente por causa do “engrish” forçado que percorre este filme e que remete logo para o ridículo muito do suposto drama que deveria estar a emocionar-nos mas no entanto só nos faz rir.
Não compreendo de todo porque razão um filme feito na Tailândia não colocou os seus personagens a falar a própria lingua deixando o inglés para os actores ocidentais (mesmo que estivessem a representar Portugueses).
Mais do que nunca se nota aqui a tentativa de colagem do cinema Tailandês ao estilo Hollywood mas desta vez não poderiam ter dado melhor tiro no pé por causa disso.

Mas…será que [“The King Maker“] é tão mau assim ?!
Será que tanta coisa errada e introduzida de forma até algo ingénua é suficiente para arruinar um filme de aventuras ?
Como disse atrás é muito dificil classificar esta produção. Tem muita coisa mesmo negativa, mas ao mesmo tempo é um filme tão despretencioso e ligeiro que todos os seus defeitos mais parecem existir por ingenuídade de quem criou tudo isto do que própriamente por serem algo a destacar negativamente de forma justa.

É que [“The King Maker“] também tem coisas muito boas.
Para começar tem o John-Ryes-Davies que depois de sofrer tanto como o anão Gimli no Senhor dos Aneis deve ter decidido ir passar uns dias na Tailândia e ganhar uns cobres durante as férias. E ainda bem, porque além de ser um excelente actor é um gajo que fica sempre bem em qualquer filme que entre pois dá-lhe logo alguma respeitabilidade.
E desta vez embora esteja claramente em piloto automático, também compõe um bom personagem Português. O que não é de estranhar pois o próprio actor é um apaixonado por história e um bom conhecedor do nosso País. Sendo assim, primeira nota positiva.

Segunda nota positiva, é a própria realização.
Este [“The King Maker“] tem aquela atmosfera dos filmes clássicos de aventura e não fosse a óbvia limitação de orçamento e aposto que isto teria ido bem longe de forma muito positiva.
Assim como está sente-se alguma limitação na acção e no próprio ritmo do filme, mas [“The King Maker“] não deixa de ter momentos bem divertidos por causa disso. Em certas cenas tem um verdadeiro sabor a “Robin Hood” dos tempos de Errol Flynn e isto é das melhores coisas desta produção.

O início da aventura é bem divertido e apesar do filme começar com uns CGI do piorio, logo se instala o divertimento numa sequência de acção a fazer lembrar o estilo dos novos filmes do Zorro feitos em Hollywood. Aliás, algumas das cenas de acção poderiam ter sido filmadas pelo próprio Martin Campbell que não se notaria a diferença, o que para um filme que não pretende ser mais do que uma boa aventura comercial não está nada mal não senhor.

É mesmo pena no entanto, que depois do começo divertido em tom de aventura clássica, o filme mude de registo e torne-se naquele tipo de filmes que me aborrecem de morte. Nomeadamente, passa de uma boa versão Tailandesa de “Piratas das Caraíbas” low budget, para mais outra daquelas histórias de intriga palaciana de bocejar por mais…neste caso com a agravante de ter uma gritante falta de suspanse pois é tão previsível que quase arruina de vez [“The King Maker“]. Tenta por demais ser algo no estilo de “A Maldição da Flor Dourada” mas espalha-se ao comprido, tanto na falta de originalidade como na própria execução técnica desses momentos. Curiosamente nem nem sequer falta uma cena com Ninjas no interior do palácio e já vimos isso antes muito mais bem feito para ser algo que possa contribuir para salvar a segunda metade do filme.

[“The King Maker“] tem realmente algo de muito irregular no seu argumento e estrutura. Ao contrário do que seria de esperar, todas as melhores e mais divertidas cenas de acção estão na primeira metade do filme quando o climax de tudo isso seria suposto encontrarmos no final num culminar de tensão e aventura como é da praxe.
Até uma suposta batalha épica entre exércitos com montes de gente á espadeirada e sangue quanto baste aparece logo ainda antes do meio do filme.
Também aqui se nota a gritante falta de orçamento mas é uma tentativa honesta de abrir a história de uma forma que parecesse mais épica do que na realidade podia ser e temos uma cena de batalha muito porreira apesar de tudo.

O problema é que a partir daqui o filme entra pela aborrecida intriga palaciana e por mais lutas á espada (em estilo clássico divertido) que a história ainda consiga apresentar nunca mais se recupera aquele ambiente de aventura que temos na primeira metade de [“The King Maker“] e é mesmo pena, pois mesmo com o seu pequeno orçamento, havia aqui bons motivos para termos finalmente um pequeno grande filme de aventuras de capa e espada produzido na Tailândia, especialmente quando também “Queens of Langsuka” também falhou redondamente nesse campo apesar de ter contado com o triplo do orçamento.

Inclusivamente a parte final de  [“The King Maker“] tem mais a ver com um “Kickboxing” do Van Damme do que própriamente com o “Piratas das Caraíbas” que poderia ter continuado a ser e isso é talvez o que de mais frustrante este filme tem.
É certo que a maioria dos actores são atrozes, mas também tudo isso é muito culpa do próprio argumento e do facto de toda a gente ter sido obrigada a dialogar em inglés, por isso acho que não é justo bater mais neste filme por este erro craso evidente.

Não são as inúmeras fraquezas generalizadas que tornam [“The King Maker“] num mau filme, mas essencialmente é a sua estrutura, ou falta dela.
A ideia é boa, os personagens são bons dentro do clássico estilo filme de piratas (embora muito mal desenvolvidos), tem algumas sequências de espadeirada divertidas mas depois espalha-se ao comprido por tentar mudar de estilo de filme a meio da história. E o desenlace final nada épico e quase a entrar para a cena de porradaria chunga também não lhe favorece.
Também não se percebe o teledisco com música pop romântica contemporânea pelo meio embora contenha imagens excelentes. Aliás a fotografia em geral é um dos pontos positivos do filme e ajuda a contrabalançar as suas fraquezas.

No entanto, apesar das suas falhas [“The King Maker“] tem coisas muito boas. A realização nos momentos de pura aventura promete, tem alguns cenários naturais excelentes e toda a envolvência cénica é muito bem aproveitada para fazer o filme parecer maior do que na realidade pode ser. Não consigo perceber o que é arquitectura real Tailandesa ou o que são décors construidos para a história por isso se o que mostra são monumentos verdadeiros tudo isso está mesmo bem utilizado pois enche de atmosfera todo o filme, especialmente na sua primeira metade bastante divertida.

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CLASSIFICAÇÃO:

É mesmo muito dificil atribuir uma classificação realmente justa a [“The King Maker“].
O filme é fraquinho sim, mas não tem pretenções a ser mais do que uma boa aventura de sábado á tarde e nesse aspecto apesar de tudo eu penso que cumpre bem.
Se entrarmos na onda e pensarmos nisto como um filme de baixo orçamento, consegue-se acompanhar bastante bem até ao final e mesmo com as suas fraquezas tem um certo charme dentro daquele estilo de filme de piratas clássico com a vantagem de ser ambientado num local realmente exótico com bastantes coisas para ver.
Tem falhas que nunca mais acabam mas é uma proposta curiosa que se recomenda a quem procura aquele ambiente “Sandokan” com um sabor a Descobrimentos Portugueses bem conseguido e não deixa de ser engraçado encontrarmos um filme de aventuras com um heroi chamado Fernando Da Gama.
Por tudo isto, é um daqueles filmes maus que se tornam bons porque mantém aquela frescura ingénua dos velhos serials apesar de tudo.
Sendo assim, trés tigelas de noodles na boa , por ser assim uma espécie de bom filme fraquinho que vale a pena espreitar. Especialmente se gostam de aventuras deste estilo e se tal como eu sempre acharam que a História de Portugal contém ideias para cinema de aventuras que nunca mais acabam e nunca foram aproveitadas por nós próprios aqui neste país de génios iluminados da 7a Arte para festivais que ninguém quer ver.

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PS: Não deixa de ser hilariante constatar os comentários de americanos sobre o filme na Net. Mais uma vez Portugal é confundido com Espanha e parece que nos States ninguém faz ideia de que Portugal é um país europeu e muito menos sabem que fomos exploradores ou tivemos qualquer época de Descobrimentos. Há pessoas que pensam inclusivamente que somos uma província do México !!!
Parece que desde sempre a Espanha nos passou a perna no que toca a marketing turístico pois mais de metade do planeta pensa que tudo o que era exploração foi obra dos Espanhois.  O que por um lado é bom, pois quem come com a má fama de tiranos e esclavagistas são eles também.
Nós pelo visto continuamos sabe-se lá porquê a ter uma excelente reputação na Tailândia e ninguém parece saber disso por cá, o que não deixa de ser muito esquisito…

A favor: a primeira metade do filme é muito atmosférica e divertida, tem um sabor de capa e espada clássico durante grande parte da história, os Portugueses nem estão mal caracterizados históricamente falando, apesar de algo limitadas algumas coreografias de luta á espada são divertidas, aproveita muito bem a arquitectura e cenários naturais da Tailândia, boa fotografia em geral e a realização parece prometer uma grande aventura ao inicio, tem um tom ligeiro com algum sentido de humor e não se leva muito a sério no ínicio.
Contra: começa como filme de aventuras e depois perde-se em intrigas palacianas que não têm interesse ou suspanse algum, começa com pretenções a épico histórico e depois acaba como filme do Van Damme num anti-climax que não se percebe, toda a estrutura do filme é errática e parece que foram decidindo onde colocar as cenas á medida que as iam inventando, alguns diálogos são do piorio, toda a gente fala em inglés e em “Engrish” o que arruina por completo a suposta carga dramática da história palaciana, algumas cenas de luta não são tão boas ou interessantes quanto isso, tenta ser um épico demasiado grandioso sem orçamento para isso e por causa disso perde todo o fulgor á medida que se aproxima do final, todos os personagens são mal desenvolvidos, os efeitos de CGI são absolutamente amadores como é costume no cinema Tailandês e não se percebe o porquê, o trailer dá ideia de que o filme é bem mais divertido do que na realidade é.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=jOgTzE4FxOA

Comprar
http://www.amazon.co.uk/King-Maker-DVD-Gary-Stretch/dp/B004AER3NY/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1304276413&sr=8-2
(Já notaram como a capa da edição ocidental tenta fazer o filme parecer-se com o Kingdom of Heaven ?)

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0410162

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

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