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Palwolui Christmas (Christmas in August) Jin-ho Hur (1998) Coreia do Sul

5 comentários


Já tentei mas não compreendo todo o hype á volta deste filme.
[“Christmas in August“] é suposto ser uma obra prima qualquer dentro do género dramático sul-coreano mas por mais que eu tente, não compreendo mesmo porquê.

Parece inclusivamente que este filme é usado nas escolas de cinema como exemplo de como se escreve um argumento, serve de modelo a aulas sobre narrativa cinematográfica e inspirou até o autor de “My Sassy Girl” a escrever o seu clássico.
Uhm ?!!! …
Será que eu andei estes anos todos a ver e a rever uma cópia incompleta qualquer e ainda não notei ?! É que eu comprei o dvd !!

[“Christmas in August“] foi mais um daqueles dvds que eu comprei sem pestanejar sequer, pois as reviews espalhadas pela net eram tão extraordinárias e a suposta importância deste filme para o cinema oriental  é tão elevada que eu pensei que não me poderia enganar com esta história de amor.
Da primeira vez que o vi, nem o consegui ver todo pois fartei-me a meio.
Depois disso nestes anos todos tentei revê-lo pelo menos duas vezes por ano, (a ver se me tinha escapado alguma coisa) mas de cada vez que o revia ainda consolidava mais a minha opinião.

É que [“Christmas in August“] é realmente muito interessante, mas… não mais do que isso. Não compreendo de todo o porquê de tanta reverência á volta deste filme.
A história é banalíssima, mas não é por isso que o filme perde alguma coisa pois é verdade que está cheio de pequenos pormenores que lhe dão bastante humanidade.
No entanto, na minha opinião tem humanidade mas não tem chama. Falta-lhe de todo aquele toque especial que normalmente me agarra no cinema asiático e aqui isso não acontece.

Os personagens não me emocionaram de todo e isso para mim, depois de ter lido em todo o lado que [“Christmas in August“] era uma verdadeira obra prima do cinema-choradeira , foi uma verdadeira decepção. É que nem sequer me causou a mais pequena lágrima e tal deixou-me estupefacto.
Tem bastantes aspectos tocantes e supostamente a sua narrativa é uma obra prima da manipulação emocional mas no entanto nada nesta história foi suficiente para me causar o mesmo efeito que por exemplo “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” me causaram.

É que até “My Girl & I” tem mais emotividade que [“Christmas in August“] e no entanto um é desprezado pela crítica enquanto o outro é quase tratado como um objecto religioso dentro do cinema romântico oriental ?!
E “My Girl & I” é quase um plágio de [“Christmas in August“] pois a sua estrutura base é practicamente a mesma, mas tomara [“Christmas in August“] conseguir a mesma atmosfera.
Vocês sabem, vocês já viram este filme antes, muitas vezes até se gostarem de cinema romântico Sul Coreano.
Casal de apaixonados, muito amor platónico e depois um deles tem uma doença grave e morre no fim. Acabou o filme.

Se vocês gostam de cinema romântico Sul Coreano, sabem bem que não é por causa deste tipo de argumento que o género perde a sua força e sendo assim eu não estava nada á espera que uma suposta obra prima tão conceituada como [“Christmas in August“] não tivesse practicamente força nenhuma.
Não me interpretem mal, é um filme bonito de estutura básica mas totalmente funcional, cheio de pormenores que até prometem fazer-nos pensar sobre muita coisa, mas no entanto há algo que falha e lhe retira logo a intensidade de muitos outros filmes semelhantes criados posteriormente dentro do cinema oriental ou cinema sul coreano em particular.

Uma das razões de [“Christmas in August“] ser tão conceituado é porque segundo consta, este foi o filme que revolucionou o cinema romântico Sul Coreano moderno e definiu por completo o género modernizando-o em 1998.
Até então, parece que nada daquilo que nós hoje conhecemos nestas histórias de amor no cinema oriental existia nos moldes que agora nos fascinam e sendo assim segundo rezam as crónicas, o cinema romãntico Sul Coreano renasceu com esta obra que practicamente definiu o estilo – boy meets girl, boy looses girl, boy gets girl again, girl/boy dies, boy/girl ends up alone.

Por este prisma, eu sou o primeiro a reconhecer o seu valor.
Hoje claro, já vimos este tipo de estrutura mil vezes mas se calhar na altura foi mesmo capaz de ter causado um grande impacto nas plateias ao melhor estilo choradeira-lovestory anos 70.
Agora o que me surpreende é toda a gente continuar ainda hoje maravilhado com o filme quando já existem pelo menos uma dezena de melhores, mais drámaticos e mais eficazes exemplos dentro do género.
Se vocês já viram tudo o que tenho aconselhado aqui neste blog dentro do género romântico muito certamente também irão ter a mesma opinião que eu quando agora forem ver [“Christmas in August“].
Digam-me qualquer coisa pois gostaria muito de saber o que vocês acham sobre a enorme fama deste filme.

De resto não há muito mais para se dizer sobre ele.
É um bom produto, boas interpretações, miuda fofinha, história triste mas bonita e tudo o mais que normalmente há de bom neste tipo de cinema made-in-coreia do sul.
Não posso deixar de recomendá-lo também se já viram tudo o resto de que tenho falado, pois na verdade [“Christmas in August“] não tem propriamente nada de mau que se possa apontar nele.
Apenas tem uma carga de emotividade algo inóqua e não percebi até hoje o porquê disto ser assim.

——————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram tudo o resto dentro do género romântico que recomendei até hoje, devem então juntar este filme á vossa lista de coisas a ver.
Até por uma questão histórica pois supostamente este foi o filme que reinventou o género e o modernizou no que toca ás histórias de amor made-in-coreia-do-sul que hoje vocês conhecem.
De resto, na minha opinião quando comparado com o que já foi feito nestes últimos anos, [“Christmas in August“] não passa apenas de mais um pequeno e muito interessante filme mas nem de longe nem de perto será a obra-prima maior do género romântico oriental como practicamente todas as reviews o designam.
Não o colocaria no topo da minha lista de filmes a ver se tivesse chegado apenas agora ao género romântico sul-coreano.
Duas tigelas e meia de noodles pois é muito interessante mesmo mas não mais do que isso e dúvido se lhes ficará sequer na memória.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: história simples e bem contada, alguma poesia e atmosfera, excelente naturalidade nos personagens, é um filme fofinho.
Contra: na verdade não há nada de negativo neste filme, apenas falta-lhe algo para criar realmente o mesmo nível de emoção que obras posteriores como “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” conseguiram atingir. Por qualquer motivo não me emocionou minimamente, não deu a mínima vontade de chorar e isso é o pior que poderia ter acontecido num drama romântico Sul Coreano. Até o bem mediano “My Girl & I” tem mais emotividade e poesia que [“Christmas in August“] e não estava nada á espera disso tendo em conta a reputação de obra-prima deste filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Parece que não há trailer disto em lado nenhum por isso fica aqui um videoclip.
http://www.youtube.com/watch?v=GQzq_Un-1Xc&feature=related


COMPRAR

A edição que eu tenho (capa acima) parece já não existir mas podem comprar esta aqui.
Christmas In August [DVD]

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0140825/

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Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

5 thoughts on “Palwolui Christmas (Christmas in August) Jin-ho Hur (1998) Coreia do Sul

  1. Acabei de ver o Christmas in August e achei o filme muito bom. Não tinha qualquer ideia pré concebida sobre o filme pois ouvi falar dele pela primeira vez há cerca de uma semana quando li este post. Parece-me que na sua crítica o meu caro Alcaminhante incorre num equívoco ao associar a narrativa à emotividade (ou falta dela).
    Os processos narratológicos do cinema são teorizados com maior vigor desde início da década de 60 até aos dias de hoje. Muitos são os ensaístas nesta matéria, inclusivamente alguns deles são realizadores; Barthes, Genette, Ricoeur, Tarkovsky, o recém-falecido Rohmer e muitos outros chegam á inevitável conclusão de que a unidade de medida da narrativa, em termos genéricos, se traduz numa dinâmica entre tempo e espaço, sendo que a abordagem a esta dinâmica é que pode variar de autor para autor. Gosto particularmente da definição de Robert Scholes que diz, “A narrativa é um lugar onde sequencia e linguagem, entre outras coisas, se intersectam para formar um modo discursivo”, que em boa verdade se enquadra na perspectiva de Barthes já que se mantém aberta às questões semióticas da linguagem filmica. Ora, Christmas in August é uma história simples, contudo a sua narrativa (relação entre espaço – tempo – linguagem) é bastante engenhosa directa e exemplar.
    Quanto ao facto de este filme pertencer aos cânones das escolas de cinema; é sabido que há “fenómenos” (interesses) cuja compreensão nem sempre está ao nosso alcance mas que definem quais as obras a estudar, o que não significa que essas sejam as melhores, são apenas os exemplos. Resta aos professores manterem alguma flexibilidade que permita aos alunos incursões noutras obras. No meu caso, ensinaram-me sobre a narrativa directa com “The Man Who Shot Liberty Valance”, de John Ford, mas talvez o meu caso não se enquadre aqui já que não sou estudante de cinema mas sim de Estudos Artísticos, ainda assim não vejo qualquer problema na inclusão de Christmas in August num sistema de ensino.

    Um abraço
    Paulo Maia

  2. Pessoalmente apenas fiquei bastante surpreendido por o filme não me ter deixado marcas. É quase impossível para mim esquecer-me de ter visto um filme, no entanto este titulo é um daqueles que acabo sempre por o rever porque nunca me lembro prácticamente nada dele e mesmo depois de já o ter visto várias vezes não me fica na memória de todo.
    Particularmente no que toca á parte emocional da história e se um filme deste género não consegue tocar-me para mim é motivo suficiente para não o destacar de todo.
    No entanto a sua simplicidade não me causa qualquer confusão e nem sequer acho que o filme seja mau ou tenha algo de verdadeiramente errado. Apenas não me atingiu emocionalmente da forma que muitos outros menos conceituados me atingiram e como tal independentemente da sua qualidade enquanto cinema eu não lhe posso atribuir uma grande classificação, até porque a minha intenção no blog é basicamente partilhar aquilo que tenho visto e recomendar algumas coisas de que tenho gostado.
    Também não vejo problema na inclusao do filme no sistema de ensino, apenas me surpreende pelo facto de ser apenas este e não outros do mesmo género, embora isto seja sempre algo subjectivo.
    De qualquer forma reconheço a importância do titulo dentro deste género de cinema oriental, pois se este não tivesse sido o marco que se tornou hoje possivelmente não existiriam os filmes de que tanto gosto e que não á dúvida foram todos beber a esta matriz original.
    Obrigado pelo comentário. Muito interessante e nem sequer discordo de nada.😉
    Ford e Tarkovsky também estão entre os meus favoritos e se eu não perdesse tanto tempo a escrever neste bloguinho também já teria me dedicado a aconselhar um par de filmes deles noutro blog de cinema mais genérico que tenho em standby para arrancar há quase dois anos.🙂

  3. Talvez tenha sido da idade mas eu gostei mais deste filme que o Luis.
    Também não o achei tão extraordinário como o pintam mas achei-o bastante tocante.
    Como diz, isto de gostos é mesmo subjectivo e não serei eu aqui que lhe apontarei coisa por ter atribuido ao filme uma nota inferior aquela que eu acho que ele merece.
    Continue com o bom trabalho.

    • Talvez tenha sido de eu ter visto tantos filmes do género antes deste que depois por comparação não me bateu com tanta força mas também não ponho de parte vir a gostar bastante dele no futuro.
      O comentário do Paulo Maia acima foi bastante interessante e deixou-me inclusivamente a olhar para o conceito por outros olhos.

  4. Um história muito simples que consegue mesmo assim fazer um bom filme, pena por vezes parecer um pouco lenta no desenrolar da história.
    Mas concordo com o que o Luis diz deste filme.
    Não é nenhuma obra prima, na minha modesta opinião. Fiquem bem.

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