Kaze no tani no Naushika (Nausicaa of the Valley of the Wind – (“Warriors of the Wind”/”Os Guerreiros do Vento”)) Hayao Miyazaki (1984) Japão


Os mais velhinhos que me estão a ler em Portugal, devem lembrar-se daqueles anos, um par de décadas atrás em que algumas Câmaras Municipais (Prefeituras para o pessoal que me lê no Brasil) a meio dos anos 80, montavam antenas parabólicas em pontos altos das suas autarquias de modo a transmitir emissões de televisão estrangeiras de borla para toda a população.
Foi graças a isto que consegui pela primeira vez descobrir aquele que imediatamente se tornou um dos meus filmes de fantasia/Fc favoritos em animação dentro do cinema oriental , [“Nausicaa of the Valley of the Wind“].

Quem tivesse uma antena no telhado, estivesse perto do transmissor ou então comprando um amplificador de sinal que o tornava mais próximo, (esgotaram todos onde vivo durante meses a fio), conseguia apanhar o velhinho e já extinto canal de cinema “Premiére” que além de ter sido dos primeiros a trazer ás nossas salas-de-estar aqueles filmes que só se podiam ver no cinema foi também uma estação que apresentou as primeiras longas metragens de cinema asiático e Anime que vi.

Isto alguns anos antes de eu inclusive ter conseguido que a minha mãe me comprasse aquilo que era o sonho de todos os putos que gostavam de filmes nessa altura, um videogravador VHS. De duas cabeças apenas claro porque não havia dinheiro para um mais caro e estas coisas custavam os olhos da cara nesses dias. Tempos nostálgicos.
Foi a primeira vez que vi [“Nausicaa of the Valley of the Wind“]. Na altura ainda não o sabia mas mesmo tendo gostado tanto do filme, na verdade ainda não o tinha visto na versão integral.

Isto porque o “Premiére” costumava passar não a versão original do filme mas sim a sua versão remontada para distribuição nos Estados Unidos dobrada em inglés.
Conhecida por “Warriors of the Wind” pouco mais de 80 minutos tinha, mas mesmo assim tornou-se logo uma referência até para o meu próprio imaginário pois muito do meu estilo de ilustração de paisagens teve origem na admiração por esta obra e pelo mundo que nos fazia habitar até mesmo naquela versão condensada.

A mesma que depois ainda revi algumas vezes numa cópia Betamax de um amigo meu (que era rico porque tinha um gravador de video) e que na altura tinha gravado do Premiére,  [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] naquela versão “Warriors of the Wind” que chegou inclusivamente a ser (horrivelmente mal) editada mais tarde numa cópia VHS em Portugal debaixo do titulo “Os Guerreiros do Vento” e estranhamente com uma capa que nada tinha a ver com o filme e mais parecia uma má cópia Espanhola dos “Cavaleiros do Zodíaco”.

Nem vale a pena esconder nesta altura que vou atribuir a nota máxima a este filme e na realidade eu dar-lhe-ia na mesma cinco tigela de noodles e um Golden Award se estivesse apenas a falar dele na sua inferior versão “Warriors of the Wind” porque sinceramente em termos de impacto continuo a achar que o filme é fantástico. Aliás, tão fantástico que podem numa altura ter-lhe cortado vinte minutos e o filme continuou a ser uma obra prima, tanto  do cinema oriental como do cinema de animação em geral na minha opinião.

Claro que não recomendo a niguém que veja a versão curta em vez da versão original que quase alcança as duas horas, mas se a escolha for entre só terem acesso á versão de 80 minutos dobrada ou não verem o filme, não deixem de ver [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] mesmo que ele se chame apenas “Warriors of the Wind / Os Guerreiros do Vento“, especialmente se gostam de boas histórias do género com personagens carismáticos e ambientes imaginários cheios de identidade e adoram o estilo de animação presente nos filmes orientais do género.

O filme costuma ser comparado com “Dune” principalmente por causa das criaturas no estilo “Sandworm” que também povoam este universo e pela forma como as motivações políticas são encadeadas para formar esta história única. Muitos do pormenores que mais tarde encontramos duplicados nos trabalhos seguintes do Estúdio Ghibli apareceram primeiro neste trabalho e portanto se por acaso alguns momentos do filme os fizer recordar de “A Princesa Mononoke” isso não será coincidência, especialmente no que toca á constante temática da protecção da natureza que costuma estar sempre presente nos trabalhos de Miyazaki.

Pessoalmente, tenho achado a fase mais moderna do estúdio Ghibli algo decepcionante pois as mais recentes obras não me cativaram tanto quanto os filmes antigos. “Totoro”, “Kiki“, “Laputa“, “Grave of Fireflies”, “Porco Rosso” e [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] são definitivamente os meus filmes japoneses favoritos dentro do Anime e como tal recomendo a toda a gente que começe por esses títulos se chegar agora á obra do estúdio Ghibli.

Não há muito mais que eu possa dizer sobre [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] que não lhes estrague o prazer da descoberta se nunca o viram. Só posso dizer que é realmente tão bom quanto o pintam em quase todas as reviews de filmes asiáticos espalhadas pela net.
Os personagens são cativantes, o universo é fantástico e o argumento é extremamente interessante.

Essencialmente conta a história do que aconteceu um dia, mil anos após aquilo que básicamente se tornou no fim do mundo conhecido onde a maior parte do ecosistema da Terra foi destruído. Toda a humanidade encontra-se agora espalhada pelo planeta em pequenas povoações e dívidida em vários impérios que no entanto se encontram isolados uns dos outros por uma misteriosa floresta onde tudo é tóxico mas apesar disso é no entanto habitada por uma variedade extraordinária de plantas e insectos gigantes.

Nausicaa é o nome da princesa do pequeno reino do Vale do Vento, que procura explorar sózinha estas florestas letais para o ser humano e um dia se vê inesperadamente envolvida numa aventura que não esperava e onde o seu próprio papel poderá decidir o futuro do mundo. Contem com muitas batalhas, insectos gigantes, princesas, aviões gigantes e muita atmosfera steampunk.

Contém excelentes sequências de acção e alguns momentos mais contemplativos para equilibrar quanto baste, tudo coreografado numa realização quanto a mim do melhor que existiu até hoje no Anime pois independentemente disto ser um desenho animado ou não, na minha opinião [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] é um dos melhores filmes disponíveis por aí e um titulo obrigatório para quem gosta de FC ou simplesmente de filmes japoneses ou orientais no geral e não tem preconceitos com a animação ou o Anime.

Estou para falar disto há seculos aqui no blog mas até hoje nunca o tinha feito porque pensava que o filme seria por demais conhecido e toda a gente interessada nele já o tinha visto, até porque existem muitas críticas de cinema espalhadas pela net que falam dele.
No entanto ás vezes esqueço-me que este espaço também é lido pelo pessoal mais novo, pessoal que tem agora 14,15,16 anos e ao conversar com o meu filho (15 anos) no outro dia é que me bateu a ideia de que já há por aí uma geração que porventura conhecerá muito melhor um Dragon Ball e o Naruto do que estes filmes Anime que no fundo pertencem ás origens de tudo o que hoje é popular em produtos televisivos saidos do cinema de animação oriental.

Portanto espero que esta recomendação agora pelo menos sirva para quem nunca soube da existência deste filme oriental o tente procurar pois quanto a mim é dos melhores filmes de aventura em animação que existem no mercado e na verdade causa-me sempre um problema. Se eu tivesse que escolher o meu favorito dos primeiros filmes Ghibli não conseguiria pois este é realmente tão bom quanto “Laputa” ou “Kiki” por exemplo. Para nem falar de “Totoro” que também acho absolutamente brilhante e do qual falarei em breve por aqui.

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CLASSIFICAÇÃO:

Outro dos melhores filmes de fantasia Anime que poderão encontrar, um dos melhores exemplos da qualidade do cinema oriental em geral e mais uma vez outro dos melhores trabalhos deste realizador. Na verdade foi a primeira longa metragem do estúdio Ghibli e foi o seu sucesso que originou depois todos os outros fantásticos trabalhos que agora conhecemos.
Na minha opinião é mais uma obra prima da animação. Não só do cinema Anime japonês mas de uma forma geral.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.
noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: Tudo. Personagens em geral, conta com uma personagem feminina cheia de personalidade, história, conceito, paisagens, detalhes dos desenhos, a banda sonora original, ambiente apocalíptico, os insectos gigantes tão inesquéciveis quanto os sandwordms de Dune.
Contra: Nada ! Mas possivelmente a versão dobrada em inglés poderá não ter tanta piada, por isso vejam primeiro a versão japonesa. Quem não gosta de Anime ou FC não vai ficar a gostar.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=7wSba9hwCaU

COMPRAR em DVD
A quantidade de versões dos produtos Ghibli á venda na net pode ser um pesadelo porque existem inúmeras edições bootleg (tenho uma delas realmente excelente que já não se encontra á venda contendo as versões originais dos filmes).

No entanto a edição oficial UK á venda na Amazon é do melhor que actualmente poderão encontrar e vale mesmo a pena, por isso se não se contentarem com apenas sacarem o filme da net e quiserem realmente colocar este filme na vossa estante sigam o link abaixo porque esta edição vale mesmo a pena.

Nausicaa of the Valley of the Wind [DVD]

Manga
Esta história também está contada em BD por isso se gostarem do filme provavelmente irão querer ter a versão em Manga também disponível na Amazon.uk

Nausicaa of the Valley of the Wind Volume 1 (Nausicaa of the Valley of the Wind)

Nausicaa of the Valley of the Wind Volume 2

Nausicaa of the Valley of the Wind volume 3

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A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol – Haruki Murakami (Livro)


Vamos fazer um pequeno intervalo nos filmes por agora pois tenho uma excelente alternativa para recomendar.
A minha mulher sabendo do meu interesse por estas coisas orientais ofereceu-me pelo Natal um par de livros do escritor Japonês, Haruki Murakami nos quais eu já andava de olho há algum tempo.

Sempre tive a sensação de que os livros deste autor teriam qualquer coisa de especial mas nunca pensei que viesse logo a gostar tanto precisamente do primeiro livro que li dele. Vou agora passar ao segundo titulo mas se o resto da obra tiver mais ou menos as mesmas características que este [“A Sul da Fronteira, a Oeste do Sol“], então definitivamente Murakami irá tornar-se no meu escritor favorito.
Li o livro de um fôlego e foi um daqueles que nem me apetecia parar de ler, pois há muito que não encontrava uma história tão cativante, apesar de aparentemente simples e estar narrada de uma forma aparentemente ainda mais simples mas que sabe claramente como nos manipular emocionalmente sem entrar em grandes dissertações.

Ainda gosto menos de referir o conteúdo de um livro do que gosto de contar uma história de um filme a quem nunca o viu, por isso não irei contar nada sobre , mas não posso deixar de recomendar este título a toda a gente que costuma gostar do cinema romântico que tenho aqui recomendado no blog.
A capa do livro faz referência ao “Casablanca” e tenho que concordar que está bem feita, pois na verdade até o ritmo de alguns diálogos me lembraram as minhas cenas favoritas com o Boggart nesse filme, no entanto achei-o bastante mais próximo de “In the Mood For Love” pela forma nostálgica como percorre as emoções dos personagens e conta uma história baseada na saudade e no desencontro.

Recomendo vivamente este livro a toda a gente que costuma vir a este blog á procura de recomendações sobre filmes românticos orientais pois vão encontrar aqui tudo aquilo de que certamente mais gostam neste estilo de histórias.
É um livro fantástico na sua aparente simplicidade mas que aposto irão colocar num lugar especial na vossa estante.
Se quiserem saber mais sobre ele sugiro que sigam para este blog que eu também já adicionei aos meus favoritos e onde poderão encontrar uma análise mais profunda do titulo e que no fundo diz mesmo tudo aquilo que eu gostaria de poder dizer mas cujo as palavras agora me escapam pois ainda estou a pensar no livro desde que o acabei de ler há umas horas.

Doragon heddo (Dragon Head) Jôji Iida (2003) Japão


Finalmente um filme catástrofe com uma atmosfera do caraças !
Até que enfim que encontrei aquilo que procurava em Tidal Wave ou 2022 Tsunami e não me tinha aparecido ainda pela frente pois [“Dragon Head“] é mesmo o meu tipo de filme catástrofe e um dos melhores produtos do género que vi ultimamente dentro do cinema oriental.
Muito apocalíptico, uma incerteza total sobre as razões do fim do mundo ter chegado e milhares de mortos com ruínas por todo o lado a uma escala inimaginável tudo regado com uma boa dose de situações perturbantes carregadas de mistério constante ao longo de toda a narrativa.

Eu fico parvo quando algumas reviews no Imdb dizem que este filme não presta porque é lento.
Lento ?!! Só porque não tem sequências de acção espectaculares a todo o instante intercaladas com cenas pseudo dramáticas que só funcionam como intervalo entre cenas de porrada como se vê habitualmente nos filmes do Rolland Emerich ?!…

A “lentidão” deste [“Dragon Head“] é o seu grande trunfo, pois não tem pressa de ir a lado nenhum e nunca coloca o espectador á frente dos personagens. É um filme perfeito na forma como consegue fazer com que o espectador faça quase parte da história, pois faz-nos ir descobrindo o que se passou a pouco e pouco ao mesmo tempo que os personagens e isso é a sua grande mais valia ao contrário do que costuma acontecer neste tipo de cinema onde tudo é devidamente explicado logo de início e depois só resta ao espectador acompanhar o destino dos protagonistas á medida que vão morrendo á vez por entre as cenas de acção e suspanse do costume.
Não aqui.

Um grupo de estudantes viaja de comboio pelo Japão. Ao atravessarem um túnel uma luz e uma onda de choque incríveis faz com que practicamente toda a gente a bordo morra de forma ultra-violenta quando o túnel desaba por completo e o que resta do comboio com apenas trés sobreviventes fica preso no interior da montanha.
A partir daí vamos acompanhando o destino dos sobreviventes á medida que conseguem encontrar uma saída até á superfície e descobrem da pior maneira que o mundo nunca mais será o mesmo.

Nada é explicado ao espectador, os primeiros 40 minutos de filme são completamente claustrofóbicos pois passam-se totalmente no interior do túnel. Depois quando o cenário se abre, as coisas adquirem um tom ainda mais misterioso á medida que acompanhamos o destino dos sobreviventes e este filme japonês chega a um climax algo dúbio mas nem por isso menos interessante.  Deixa-nos um gosto amargo mas faz-nos desejar que alguém tivesse feito uma sequela deste bom exemplo do cinema oriental de catástrofe apocalíptica.
Na minha opinião este é um daqueles filmes asiáticos que apetece continuar a ver e pela minha parte nem dei por terem passado duas horas. Mesmo apesar do tal suposto “ritmo lento” que muita gente refere no Imdb.

Quanto a mim [“Dragon Head“] é um dos melhores filmes catástrofe que vi em muito tempo e pela própria abordagem do tema nem sei se não terá sido o melhor. É um produto de cinema oriental simples sem pretenções, sabe construir um mistério, mantém o espectador interessado no cataclísmo enigmático e consegue ainda ter espaço para nos atirar com um par de personagens algo perturbantes e até de conceito algo inesperado, doentio (e até ilógicamente descontextualizado da própria história)…logo percebem quando virem as criancinhas creepy

Não entendo como se pode achar este filme lento. [“Dragon Head“] não teria o mesmo impacto e atmosfera perturbante se tivesse um ritmo sempre a abrir onde estivessem sempre a acontecer mais cenas de efeitos especiais a todo o instante só para contentar as plateias do milho em baldes.
A narrativa enigmática agarra desde o primeiro momento e não é por falta de mais CGIs que o filme perde o interesse bem pelo contrário.

E também não é pela falta de efeitos cataclísmicos a todo o instante que o filme perde a tensão dentro do género do cinema catástrofe, pois se procuram um titulo que os recompensará por completo com inúmeras imagens de total destruição devastadora e consegue criar realmente a ideia de que o mundo acabou de vez [“Dragon Head“] contém tudo o que esperam nessa capítulo.

A forma como este filme japones nos apresenta o fim do mundo é não só perfeita como cria aquela ideia de que não há mesmo salvação possível ou forma de tudo poder voltar a ser como era, o que contribui imenso para uma excelente sensação de realísmo em toda a narrativa e nos agarra ainda mais ao destino dos personagens.
É que aqui ao contrário de por exemplo “2012“, quando acaba o mundo acabam também os telemóveis. Quando muito sobrevivem as baratas e estas ainda não têm SMS incorporado.

As interpretações do filme são algo histéricas e farsolas, pá, pois são. E depois ?
[“Dragon Head“] é como um bom série-B com ambiente de grande produção em versão cinema oriental que não precisa mais do que um par de personagens-tipo que façam avançar o mistério. O que para mim contradiz logo também a ideia de algumas pessoas no Imdb quando dizem que o filme não tem história.
Se calhar não tem, mas tem tão pouca história quanto um bom filme do “John Carpenter” e esses também não precisam de ser mais do que são para geralmente serem filmes excelentes.
A recordar-me algo, [“Dragon Head“] recorda-me os melhores momentos do realizador de “The Thing” e isso agradou-me desde o início.

Esta ideia que muitas pessoas parecem ter de que para um filme resultar tem que obrigatóriamente ter um estilo espectacular e uma história que vai de A a B e termina em Z com tudo muito bem explicadinho, causa-me mesmo confusão. Houve um tempo em que as coisas não eram assim e pelo menos até ao final dos anos 80 esse tipo de conceito não parecia estar entranhado na cabeça do público que hoje parece que não consegue ter mais atenção para qualquer coisa que não se pareça imediatamente com um videogame cheio de estilo MTV.
[“Dragon Head“] a ser alguma coisa é um bom e velho série-B na melhor fórmula anos 80 mas conseguido através do recurso a técnologia moderna para elevar no ecran aquilo que óbviamente nem terá sido um orçamento muito alto.

A haver alguma coisa má neste bom filme asiático, na minha opinião, isso reflete-se  na maioria dos personagens secundários. São todos demasiado excêntricos como se depois do fim do mundo não restassem pessoas normais e toda a gente se transformasse em malucos psicopatas…por outro lado eu também nunca passei pelo fim do mundo por isso é melhor não comentar muito mais.
No entanto achei que o estilo road-movie ficou um bocado estragado por causa das excentricidades que os protagonístas vão encontrando pelo caminho.

O argumento perde um bocado por causa desses personagens secundários, pois a partir de certa altura parece que eles dividem demasiado o filme em episódios que acabam por não resultar num todo. O que faz com que [“Dragon Head“] mais pareça uma colagem de vários episódios de 20 minutos com estilos diferentes do que própriamente um filme com principio, meio e fim. E claro que o final episódico em estilo aberto também deixa alguma insatisfação. Não porque não conclui verdadeiramente a história que seguimos mas porque nos deixa com vontade de continuar a ver a odisseia dos protagonístas e depois não há mais para ver. Com muita pena minha.

Parece que [“Dragon Head“] é uma adaptação de mais uma Manga japonesa do mesmo nome. Assim sendo, é possivelmente um dos melhores filmes asiáticos baseados numa banda-desenhada oriental que vi até hoje, pois normalmente as adaptações de Manga ou Anime que me passaram pela frente foram sempre muito más enquanto filme, salvo raras excepções.
Agora fiquei com vontade de ler a banda-desenhada pois se o filme estiver bem adaptado gostava de saber como termina a história, pois muita coisa fica no ar. Confirma-se a razão da catástrofe ? O mundo acabou mesmo ?

São questões que ficam pendentes mas que nem por isso tornam este pequeno grande filme catástrofe num produto menor.
Bem pelo contrário, pois toda a incerteza que deixa seria a mesma que teriamos se estivessemos realmente a viver o desastre ao lado dos protagonístas e como tal quando o filme segue essa estrutura seria depois irrealístico vir no final explicar tudo muito bem explicadinho.

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CLASSIFICAÇÃO :

Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragon Head“] não será um filme oriental que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.
Enquanto dura é uma história totalmente cativante se gostam do género catástrofe e procuram um cataclísmo misterioso em vez de uma sessão de efeitos especiais CGI.
Cinco tigelas de noodles, pois apesar das suas falhas diverti-me á brava com isto e nem dei pelas duas horas passarem. Poderá não ser tão bom a uma segunda visão mas por agora tenho que dizer que me surpreendeu mesmo bastante e recomendo-o a quem procura um bom filme deste tipo dentro do cinema japonês ou cinema asiático em geral.

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A favor: tem uma atmosfera de mistério constante que cativa o espectador que não procure um filme de porrada ou de efeitos CGI, alguns bons momentos de suspanse, sabe usar pequenos cenários extendidos por matte-paintings para criar um ambiente vasto de exteriores, o ambiente de devastação é total, tem imensas sequências apenas ilustrando a destruição de tudo o que nos rodeia, muito cadáver e sangue quanto baste por todo o lado, o par protagonista embora algo histérico é cativante, tem um bom sabor a cinema de “John Carpenter” pela forma como a narrativa não tem pressa de ir a lado nenhum e demora o seu tempo a criar atmosfera, é um filme moderno com sabor a série-B dos anos 80, é mais cativante que todos os blockbusters de Rolland Emerich juntos,  é um filme bem mais interessante do que parece á primeira vista pelo cartaz algo foleiro e formulático.
Contra: falta-lhe alguma força emocional e não nos cativa propriamente por esse aspecto, tem uma estrutura episódica que não resulta plenamente por causa da excentricidade de practicamente todos os personagens secundários sobreviventes, deixa-nos com vontade de continuar a ver mais um bocadinho e não há mais. O titulo [“Dragon Head“] soa um bocado estúpido pois parece mais um nome de uma banda Heavy-Metal pirosa e cria a ideia de que este filme oriental será pior do que na realidade é.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
Fica aqui o trailer mas não recomendo que o vejam antes de verem o filme pois grande parte do fascínio está precisamente em irem descobrindo as coisas com os personagens e ainda não terem visto nenhumas imagens do que sucede. Estão por vossa conta mas o trailer contêm *SPOILERS*

Comprar
Dragonhead (2pc) (Ws Dub Sub) [DVD] [2005] [Region 1] [US Import] [NTSC]

ou aqui
http://www.yesasia.com/global/dragon-head-us-version/1004415210-0-0-0-en/info.html

Podem no entanto espreitá-lo antes se o forem buscar aqui (legendas em Inglés)

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0384055/

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Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragonhead“] não será um filme que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.

Kimssi pyoryugi (Castaway on the Moon) Hae-jun Lee (2009) Coreia do Sul


Quando iniciei este blog nem sequer pensei que durasse muito tempo quanto mais chegar aos cinquenta filmes orientais comentados.
Por isso para mim é agora verdadeiramente surpreendente poder anunciar que hoje irei apresentar-lhes o CENTÉSIMO FILME !
Cem filmes. O que na práctica quer dizer que já escrevi para cima de 100 textos, o que para um tipo que nunca alguma vez na vida teve por hábito escrever assiduamente no que quer que fosse é um verdadeiro feito pessoal.
Portanto sejam bem vindos a [“Castaway on the Moon“] a minha recomendação número 100 e não poderia ter encontrado melhor filme para comemorar esta data pois este titulo na minha opinião representa perfeitamente a razão deste blog existir.

A minha intenção com o “Cinema ao Sol Nascente” sempre foi a de tentar divulgar aquilo que fui vendo e mostrar que há no oriente uma excelente alternativa ao cinema americano para todos aqueles que como eu estão mais que fartos do que encontram nos clubes de video e nos produtos ultra-formuláticos que inundam as nossas salas saídos de Hollywood qual hamburguers do McDonald´s produzidos em série sempre com os ingredientes misturados da mesma forma.
O que me atraiu para o cinema oriental, além da caracterização humana em muitos personagens que até nem pediam mais do que ser de cartão, foi a originalidade de muitos das histórias produzidas naquelas bandas.
Há quem diga que não há grande diferença entre o cinema comercial americano e o oriental. Pois se calhar a nível de realização, montagem e efeitos se calhar não. Na verdade nem questiono isso pois para mim a grande originalidade está na forma como na minha opinião conta histórias diferentes ou, melhor ainda, consegue tornar diferentes histórias iguais a tantas outras apenas pela forma como nos faz importar com o destino dos personagens e humaniza situações que não costumamos encontrar humanizadas dessa forma num filme americano para além do cliché usado como pausa entre cenas de porrada e pelo visto há mais pessoal a pensar o mesmo o que demonstra o quanto as pessoas felizmente ainda gostam de tentar passar para lá daquilo que apenas lhes apresentam pela frente.

Numa altura em que tudo o que chega ás salas de cinema a Portugal vindo dos States está imediatamente rotulado á partida foi para mim muito surpreendente encontrar no oriente uma cinematografia também ultra comercial (em geral) mas onde isso não impediu o factor originalidade de ser aquilo que principalmente move as histórias e isto sem qualquer deterimento da própria comercialidade dos filmes junto das audiências.
O cinema oriental não tem medo de colocar o espectador a pensar receando perca de audiência e quero com isto dizer que pelo menos eu costumo sempre encontrar por lá algum pormenor especial que penso eu, costuma estar ausente nos argumentos americanos e com isto humaniza muitas situações que em outro lado seriam apenas ponte entre sequências de acção habituais ou algo assim.

Surpreendeu-me encontrar coisas completamente inclassificáveis e que mesmo assim funcionam. Filmes policiais que afinal são dramas mas depois no momento a seguir são comédias, filmes de terror que de repente são filmes de fantasia e terminam em drama, comédias que subitamente se tornam em filmes de kung-fu mas que depois acabam como drama, ficção-científica que afinal também consegue ser cinema para adolescentes sem tratar a audiência por crianças, filmes de fantasia que são contos de fada completamente infantís mas que subitamente entram por histórias de amor dramáticas de conteúdo poético e filosófico, histórias de amor com adolescentes e para adolescentes mas carregadas de alma e poesia, filmes de autor que não têm medo de incluir sequências comerciais e vice versa, etc, etc, etc.

Isto para quem como eu estava mais que habituado a ver apenas o policial, o drama, ou a comédia americana que nunca se afastava da fórmula já testada de lucro garantido, foi uma verdadeira lufada de ar fresco.
E mais uma vez , [“Castaway on the Moon“] será possivelmente o melhor exemplo deste estilo de cinema oriental que encontrei pela frente nos últimos tempos, pois consegue ser uma comédia, um drama, uma história de amor com alguma fantasia á mistura e navegar algures entre o cinema puramente comercial e (talvez) uma pitada de cinema-de-autor. Mas já lá vamos…

De cada vez que vejo mais um blockbuster Americano (ou um filme comercial de grande estúdio), fico a pensar que alguém num estúdio algures parece ter-se preocupado muito se as pessoas conseguem incluir imediatamente um filme numa categoria de modo a poder ser publicitado como tal.
Temos os filmes americanos policiais, os de terror, os de super-herois, os dramas, as comédias para gajas, as comédias para adolescentes, os filmes de terror para adolescentes, a “ficção-científica” para adolescentes mas não me recordo de nenhum titulo que pegasse em todos estes géneros e os tentasse subverter da maneira que o cinema oriental o consegue fazer sem fugir do estilo comercial.
Talvez uma excepção tenha sido o fabuloso filme de ficção-científica “Moon” (ficção-científica hard-core como há muito não se via nos cinemas) do realizador Duncan Jones , mas este raro exemplo foi conseguido através de uma produção independente e jamais teria chegado ás salas de Portugal se já não tivesse um selo de uma Major americana por detrás fruto dos prémios independentes que a obra conseguiu ganhar.

[“Castaway on the Moon“] é por isso o filme perfeito para comemorar a minha centéssima recomendação porque na verdade é um titulo inclassificável, pois posso apostar que se isto tivesse sido um titulo americano nunca teria sido distribuído nas salas sem antes ter sido alvo de dezenas de screen-previews com audiências-teste (possívelmente a pior invenção de sempre na história do cinema) e onde certamente no fim desse processo muito pouco teria restado da visão original dos argumentistas e realizador pois seriam certamente obrigados a remontar todo o trabalho de modo a que se encaixasse num estilo que a máquina de Hollywood podesse vender de forma directa a quem não espera mais do que o habitual. É que este filme oriental sul coreano é muita coisa ao mesmo tempo.

Se calhar aqui este blogzinho pessoal corre o risco de passar a ideia que eu odeio cinema americano, o que não deixa de ser hilariante pois pelo menos 1200 dos quase 2000 dvds que já constam da minha colecção pessoal serão certamente filmes gringos. E este não é um blog sobre cinema pipoca (pelo menos nos moldes em que eu classifico o que chega normalmente ás nossas salas saído de Hollywood), mas sim um espaço onde eu tento divulgar produtos que na minha opinião conseguem momentos cinematográficos que raramente encontro no cinema americano mesmo quando muitos são inclusivamente tão ou mais comerciais.
No entanto não posso evitar compararações pois pessoalmente não tenho dúvida nenhuma que o cinema (comercial) oriental para mim está bastantes furos acima do que se produz hoje em dia nos States onde tudo parece ser apenas mais do mesmo e produzido para a geração que cresceu com os videogames e aquele estilo particular de imagética actualmente muito adaptado ao cinema comercial onde tudo se passa a 300 frames por segundo para não aborrecer as audiências.

Por exemplo, nem queria crer quando “Avatar” ganhou agora um prémio para melhor filme dramático. Dramático ?!!   Eu, não me importei minímamente com qualquer dos personagens naquela história pois sabia-se perfeitamente o que lhes ia acontecer de antemão a todo o instante o que me anulou qualquer efeito supostamente “dramático” pois nem as cenas tristes e que pretendiam criar alguma emoção ou empatia as achei menos formuláticas.  Senti que lá estavam apenas porque tinham que estar para seguir a habitual estrutura.
James Cameron já escreveu um grande filme de FC dramático – “O Abismo” e é pena que não tenha continuado o estilo agora também neste novo projecto.
No entanto eu adorei “Avatar” e sou daqueles que lhe dá nota absolutamente máxima, pois na verdade achei-o não só um dos melhores filmes-pipoca desde há muitos anos como possívelmente o melhor filme-para-crianças que me lembro de ter visto desde talvez “Chronicles of Narnia” (juntamente com “O Feiticeiro de Oz“), pela forma “infantil” como gere espectacularmente um argumento concebido para a geração dos videojogos e que embora para lá de básico contém ainda espaço para passar uma mensagem ou duas.
Adorei “Avatar” mas não lhe chamaria propriamente um filme dramático.
Nem estou a ver este excelente blockbuster a ser considerado como tal dentro de uma cinematografia oriental e é aqui que eu acho que está a grande diferença entre o cinema oriental e o americano.

O que me fascina no cinema oriental é o inesperado e inesperado foi o que me surgiu pela frente mais uma vez.
Falemos de [“Castaway on the Moon“]. O Filme número 100 deste blog.
Comecei a vê-lo pensando que não passaria de mais uma comédia maluca ao estilo sul-coreano mas logo descobri que havia aqui algo muito especial.
Para começar a originalidade do conceito cativou-me logo desde o início e este é mais um daqueles titulos que aposto mais tarde ou mais cedo irá ter um remake americano pois a ideia base disto está mesmo a pedir um.
Senão vejamos…

Imaginem uma cidade com um rio e uma ponte que atravessa duas margens. No meio desse rio, existe uma ilha deserta sendo assim como uma espécie de mini-reserva natural (onde nunca ninguém vai) mas onde muita da poluição da cidade acaba inevitávelmente por encalhar.
Imaginem que um dia vocês se tentam matar jogando-se da ponte abaixo mas acabam por naufragar nessa ilha no meio do rio e não conseguem sair de lá pois não sabem nadar e as pessoas a quem tentam pedir ajuda quando elas passam de barco pensam que vocês estão apenas a acenar de contentamento.
Os meses passam, ninguém apareceu na ilha e a vossa única solução é tentarem habitá-la o melhor possível aproveitando tudo o que encalha na praia dos desperdicios humanos.

Viram “Castaway” de Robert Zemeckis com Tom Hanks a fazer de náufrago encalhado numa ilha deserta ?
[“Castaway on the Moon“] é o mesmo filme. O heroi desta história podia estar encalhado no meio do oceano (ou na lua) que a sensação de isolamento seria a mesma e é este um dos grandes trunfos da história que curiosamente apesar de se passar literalmente no meio de uma cidade gigantesca raramente nos mostra mais pessoas além dos protagonistas.
O heroi encalhado no meio do rio nesta “versão” oriental está tão só como se tivesse naufragado numa ilha deserta e depara-se exactamente com as mesmas situações mostradas no filme com Tom Hanks mas desta vez com uma pequena excepção…

Numa das margens do rio, vive uma rapariga que não sai do seu quarto há 3 anos. Toda a sua existência é passada online e o seu mundo real é apenas um quarto atulhado do lixo que foi acumulando durante a sua existência de eremita.
A sua vida é passada em jogos online, tem um negócio que gere através da web, encomenda comida pela net, comunica com os pais apenas por mensagens de SMS e tudo faz para se isolar do resto do mundo com o qual recusa contactar.
Um dia ao preparar-se para fotografar a lua com a sua câmera por acaso descobre que no meio do rio está um tipo que vive como um selvagem na ilha do rio que divide a cidade e a partir daí a vida da jovem começa a sofrer uma influência que ela nunca esperou vinda de um local fora do seu próprio mundo e causada por um jovem que ela pura e simplesmente não sabe como contactar ou sequer se apercebe de que ele precisa de ajuda.

Normalmente eu não costumo contar muito sobre um filme, mas achei que [“Castaway on the Moon“] merecia que eu lhes contasse este bocadinho, até para vocês perceberem que isto não é a típica comédia destrambelhada que aparenta ser na capa do dvd ou no cartaz do filme.
Aliás, [“Castaway on the Moon“] como cinema é inclusivamente algo ambiguo. É um filme comercial…ou pelo menos grande parte dele é, mas também contém um estilo intimísta que me apanhou de surpresa.
A própria fotografia etérea atira o filme para uma atmosfera algo inesperada logo quando como espectadores nos apercebemos que se calhar isto será um filme mais profundo do que aparentava ser. Isto aliado a um estilo visual muito baseado numa identidade gráfica particular coloca este filme num género á parte logo na primeira meia hora.

Enquanto espectadores ficamos um bocado sem saber mesmo qual o rumo que a história poderá tomar. Conseguimos adivinhar o que acontecerá em linhas gerais, mas podem ter a certeza que não vão esperar encontrar muitos dos pormenores que aparecem nesta história desde o seu início até á sua resolução.
Ah, a propósito…se calhar é melhor não verem [“Castaway on the Moon“] depois do jantar…

O filme começa como uma comédia negra, depois entra por um humor completamente escatológico portanto se alguma vez pensaram em ver um grande filme de merda se calhar vão gostar de alguns momentos mais hilariantes da primeira metade só pela repulsa que lhes irá causar e porque não conseguirão mesmo afastar os olhos do ecran pois a partir de certa alturaparece que tudo pode acontecer.
Garanto-vos que nunca viram um náufrago assim em “Castaway” sequer.
Além de alguma comédia mais radical [“Castaway on the Moon“] conta ainda com um par de gags hilariantes com destaque para o breve momento em que o protagonísta tenta fazer fogo como se vê fazer nos filmes. Mais não digo.

É dificil falar de [“Castaway on the Moon“] sem revelar muita coisa pois a vontade que me dá é contar-lhes já os melhores momentos de um filme que na verdade vai muito para além da simples e banal comédia de costumes.
Aliás se existe um filme que poderá ser sujeito a inúmeras análises sociológicas entre muitas outras interpretações e discussões sobre os temas que o percorrem é este. Claro que uma forma ligeira; não estou a dizer que isto seja o mesmo que interpretar um qualquer tratado.Mas  é bastante interessante na forma como joga com aquelas pequenas coisas a que estamos habituados e temos por certas na nossa vida.
Desde a importância da  junk-food na nossa felicidade imediata ao ponto de a tentarmos recriar para mitigar o nosso sofrimento psicológico quando ela nos falta, até ao próprio conceito de isolamento há por aqui muita coisa para originar muito motivo de conversa se virem isto com muitos amigos.

[“Castaway on the Moon“] é uma comédia que no fundo não é para rir, é um drama que nos faz pensar em vez de chorar, é uma grande história de amor sem o ser mas onde os protagonístas nunca se desencontram apesar de viverem isolados. E é também um filme que não pode ser verdadeiramente incluído num género específico pois cada segmento da sua narrativa poderia ele próprio ser uma curta metragem de um género diferente. Apenas todos estes “segmentos isolados” estão muito bem enquadrados uns nos outros e o resultado não poderia ter sido melhor.

Não achei [“Castaway on the Moon“] um filme muito comercial se pensarmos nele pelo estilo de narrativas a que estamos habituados a ver chegar ás nossas salas. Poderá ser no entanto um bom exemplo de um certo tipo de cinema pipoca oriental que contém precisamente aquele tipo de características que na minha opinião raramente se encontram nos filmes pipoca a que estamos habituados a consumir. É um filme algo lento, com uma carga intímista invulgar que alterna entre momentos de comédia e suspanse de ambiente gráfico estranho e atmosfera algo perturbante mas que ao mesmo tempo tem momentos de comédia geniais, para não dizer algo repugnantes também tudo muito bem equilibrado com uma sensação de romance latente que nos agarra até ao final.
Nem tudo é explicado ao espectador, o que é mais outra diferença do cinema oriental em relação ao que normalmente estamos habituados a ver.

Como filme em si, por mim é um produto fantástico porque consegue ligar de forma única muitos retalhos de diferentes estilos.
Não há muito mais a dizer nem vou tentar entrar por grandes análises cinéfilas para justificar melhor a minha nota alta, pois isso é o que menos me interessa no Cinema.
Pessoalmente estou-me borrifando para a inovação de um Fritz Lang, para a mestria de um John Ford ou para a genialidade Stanley Kubrik. Fizeram excelentes filmes, tenho dvds deles todos, passa á frente.
Sempre tentei neste blog escrever o que penso da forma mais simples e directa como se estivesse a recomendar um filme aos meus amigos pois não sou crítico de cinema nem quero ser e passo-me dos carretos com aquelas reviews muito conceituadas e onde ás vezes se analisa tudo menos o interesse que o filme poderá ter para o espectador comum e em vez disso muitos Iluminados passam parágrafos a dissertar sobre as implicações psicológicas ou pior, Artísticas de um gajo ter usado um plano A em vez de um plano B como se estes soubessem o que o realizador queria mesmo dizer com aquilo.
É este tipo assunção de intenções que sempre tentei evitar com este blog e como tal recomendo-vos [“Castaway on the Moon“] porque tenho a certeza de que muitos de vós irão gostar, acho que está muito bem filmado, tem excelentes personagens extravagantes e é mais um produto de cinema oriental único que certamente irão ver em versão americana (bem mais ligeira) não tarda nada.

Obrigado a todos pelas visitas pois é por vossa causa que este blog de filmes  chegou ao filme número 100.
Espero que gostem deste também e pode ser que ainda nos encontremos no 200 daqui a mais dois anos.

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CLASSIFICAÇÃO :

Tem um dos conceitos mais originais que me lembro de ver nos últimos tempos e é um filme que se acompanha com muito interesse que depois se vai gradualmente transformando em suspanse culminando numa história de amor muito original.
Não há muito mais para dizer além do que já escrevi para trás.
Cinco tigelas de noodles e em Golden Award apesar de não ser um daqueles que nos apeteça rever constantemente mas ficará certamente na vossa memória pois nunca viram uma história assim.

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A favor: é uma espécie de “anti-Lagoa Azul” com um gajo maluco e uma chavala ainda mais alucinada, tem um par de gags hilariantes, o conceito base é único e muito imaginativo na forma como todo o argumento é desenvolvido, alterna entre o estilo intimista de um filme de autor e o melhor do cinema comercial embora seja um filme algo estranho, tem cenas de merda muito nojentas, bom suspanse no final, é uma história de amor que nunca se assume como tal, é um drama mas não da forma como pensam que vai ser, é uma comédia mas não como esperam.
Contra: não agarra á primeira pois achei-o divertido mas só depois da primeira hora é que realmente o comecei a ver como algo mesmo especial.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=BnF7cZcwPHM

COMPRAR
Recomendo a compra aqui desta edição neste site. Boa loja, muitos titulos e serviço profissional.

Eu vi a minha cópia aqui com legendas em inglés mas parece que já podem encontrar o filme aqui Asian Space com legendas em Pt Br


IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1499666/

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Filme semelhante de que certamente irá gostar:

* Não me lembro de nada parecido com isto*

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Pandora´s Booth (Pandora´s Booth) Derek Yee (2009) China


Da mesma forma que “My Sassy Girl” inventou um novo género no cinema sul coreano e gerou inúmeros clones desde o seu lançamento, também “Il Mare” parece continuar a definir um estilo á parte dentro do cinema romântico oriental e [“Pandora´s Booth“] é mais um bom exemplo deste género de histórias que envolvem romances através do tempo.

Tivemos “Il Mare” com uma caixa do correio, “Ditto” com um aparelho de rádio-amador, “Secret” com uma partitura de piano e agora é a vez de uma cabine telefónica que permite uma breve comunicação com o passado e tem um papel importante num romance de consequências dramáticas em duas épocas distintas.

Essencialmente se vocês já viram “Il Mare” já sabem com o que podem contar agora em [“Pandora´s Booth“]. A estrutura é mais ou menos a mesma, mas de todos os clones (assumidos ou não assumidos) do conceito original dentro do cinema oriental este é o filme com características mais adolescentes e como tal poderá não agradar totalmente mesmo a quem gostou muito de “Il Mare”.

A história de amor é interessante, mas a meio do filme começamos a perder a paciência para as birras hormonais do protagonísta masculino que parece agir de forma algo errática mesmo havendo alguma justificação para tal e sendo assim o romance perde alguma força pois o espectador mais crescido deixará certamente de se identificar com o namorico adolescente e isso retira logo grande parte do impacto dramático daquilo que deveria ser acima de tudo uma boa história romântica envolvendo também um lado adulto.

Essencialmente em [“Pandora´s Booth“] acompanhamos a história de um técnico de electricidade, divorciado, com uma filha adolescente e uma má relação com a ex-mulher.
Ao fazer a ronda por uma área da cidade, numa noite de tempestade aparece-lhe “por magia” uma velha cabine telefónica onde 30 anos antes ele costumava telefonar quando namorava na adolescência e o inesperado acontece.

Ao encontrar um velho contacto, o homem liga para esse número e logo descobre que quem atende do outro lado é a sua jovem paixão de há trinta anos atrás que julga no entanto estar a falar com a versão adolescente do electricista.
A partir daqui as peripécias sucedem-se e se vocês viram “Il Mare”  já estão a perceber o que se irá passar até ao final desta história, algo inóqua  em emoção mas não menos interessante pois se gostam deste tipo de histórias irão passar também bons momentos com esta. Não deslumbra mas segue-se com interesse.

Não será o mais fraco de todos os filmes semelhantes, (pois gostei menos de “Secret” por exemplo), mas poderia ter sido bem melhor. Porém isso também se deve ao facto de nem chegar a ter 90 minutos sequer e mesmo assim tentar ter uma história complexa e cheia de pequenas pistas e detalhes que servem para criar o inevitável “twist” destinado a surpreender o espectador. No entanto quase não temos tempo para pensar nelas devido á velocidade da própria narrativa e como tal quando as revelações começam  ficamos com a sensação de que parecem cair do céu pois ainda não tivemos tempo de interpretar as pistas e isso retira logo muito do interesse que o filme poderia ter conseguido manter.

Não fiquei particularmente fascinado com [“Pandora´s Booth“] mas gostei muito da reviravolta final pois não esperava que os argumentistas entrassem por aquele caminho, até porque eu nem sequer tinha dado muita importância a um diálogo que acontece a meio da história e já pensava que o filme iria acabar com a resolução da relação entre o protagonista e a mulher. Bom pormenor, pois é precisamente este tipo de coisas que me fazem gostar de acompanhar o cinema asiático e em particular aumentar o meu fascinio pelas histórias românticas contadas pelo cinema oriental por muito comercial que este seja.
No entanto se este filme tivesse tido mais vinte minutos para colocar tudo de uma forma mais calma se calhar teria permitido que o espectador entrasse mesmo muito mais dentro do mistério.  Assim com 87 minutos quase que obriga a que nós não consigamos interiorizá-lo como o deveriamos poder fazer para disfrutar da sua premisa.

Não acho que este filme oriental tenha algo particularmente de errado. É uma produção Chinesa e por isso o romance tem um tom diferente do que costuma existir nas histórias de amor Sul Coreanas. Pela minha parte não consigo deixar sempre de sentir que falta algo no cinema romântico deste género quando produzido na China, onde salvo raras excepções (“Fly me to Polaris” , “An Empress and the Warriors” , “In the Mood For Love“) pouco me costumam cativar emocionalmente. No entanto [“Pandora´s Booth“] é um filminho asiático muito interessante que se recomenda a toda a gente que gosta do estilo “Il Mare” e não se importa de ver mais uma história semelhante embora fique muito, mas muito atrás do produto original em todos os sentidos pois limita-se a contar a história quase em piloto automático sem dar tempo para que os personagens ganhem uma personalidade que cative o espectador.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não recomendo que vão a correr ver este filme mas se estiverem numa de procurar mais uma história de amor através de viagens pelo tempo têm aqui um produto simpático dentro do cinema oriental.
Não tem nada verdadeiramente mau, nem de verdadeiramente extraordinário. Tem no entanto a audácia de tentar criar um ambiente romântico asiático usando persistentemente “As Time Goes By” como tema de amor o que não deixa de ser um pormenor mesmo curioso pois até nem se sai nada mal com esse atrevimento se vermos isto por uma perspectiva de cinéfilos puristas.
Poderão ver por aí coisas muito piores e sendo assim não há muito mais a dizer sobre [“Pandora´s Booth“].
Trés tigelas de noodles. Bom filminho.

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A favor: é mais uma boa história no estilo de “Il Mare” mas só no estilo de premisa, tem um pequeno “twist” final bem imaginado embora simples, apesar de algo inóquo em emoção ainda tem um par de cenas românticas genuínamente naturais e cativantes, usa e abusa de “As Time Goes By” como banda sonora e sai-se bem com isso.
Contra: tem uma duração demasiado curta para poder desenvolver bem as pistas que apresenta e como tal quando as surpresas acontecem ainda o espectador não teve tempo de digerir o que se passou anteriormente e as coisas parecem cair do céu quando na realidade se virem [“Pandora´s Booth“] uma segunda vez até reparam que contém muita coisa em que não reparam á primeira, devido á velocidade do próprio filme para tudo caber em menos de 90 minutos os personagens perdem-se um bocado por serem demasiado esquemáticos e nunca chegam a cativar muito o espectador, a versão adolescente do protagonista do filme é algo irritante e por momentos quase que transporta a história de amor teen para um patamar de telenovela pirosa que o filme não pedia.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer:
Não encontro o trailer disto em lado nenhum.



Comprar
Está á venda na Play-Asia a bom preço.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-70-3msp.html

Podem no entanto ir buscá-lo aqui para ver se gostam.

IMDB
Não está sequer ainda listado no IMDB.

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

Il Mare ditto_capinha_73x Fly me to Polaris Be With You
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