Heung joh chow heung yau chow (Turn Left Turn Right) Johnnie To/Ka-Fai Wai (2003) China


Desde o início deste blog que ando para falar neste filme asiático mas até agora nunca me apeteceu verdadeiramente escrever sobre ele e nunca percebi bem porquê.
Sendo assim, agora é que é e portanto bem-vindos a [“Turn Left, Turn Right“], provavelmente uma das histórias de amor mais – simpáticas – que encontrarão no cinema oriental.

Simpática, é mesmo a palavra certa para descrever esta história. É que o filme na verdade nem tem nada que o destaque pela negativa e talvez a pior coisa que se pode dizer de [“Turn Left, Turn Right“] é que podia ser um filme americano e não se notaria grande diferença.
Na verdade, agora que penso nisso, é bastante semelhante até ao posterior “Serendipity” com John Cusak…será coincidência ?

É complicado falar desta obra pois a descoberta dos seus pormenores é uma das grandes mais-valias deste filme oriental e não gostaria de revelar demais.
Acima de tudo, [“Turn Left, Turn Right“] tem mesmo muito boa onda e esse sentimento está sempre presente ao longo da sua duração o que lhe dá um charme muito especial e o distingue de tantas outras tantas histórias de amor que poderão encontrar no mercado.

A ideia para o argumento é extremamente simples mas está mesmo muito bem aproveitada e todo o filme tem uma estrutura milimétrica no desenvolvimento da narrativa que é absolutamente fascinante pela forma como usa os pequenos detalhes para nos agarrar, conseguindo manter um suspanse de roer as unhas  de cada vez que o destino troca mais uma vez as voltas aos protagonistas das formas mais imaginativas e inesperadas evitando novamente o seu reencontro até um ponto em que o espectador já nem sabe quando (ou se) este irá mesmo acontecer.

Á medida que a história avança, os pormenores divertidos multiplicam-se e os inúmeros caminhos cruzados que dão vida ao argumento tornam-se cada vez mais hipnotizantes não nos deixando tirar os olhos da história até ao seu desenlace final.
A maneira como duas pessoas vivem duas vidas semelhantes absolutamente paralelas chega até a dar que pensar se alguma vez  não nos terá acontecido algo semelhante naquele sentido em que se calhar já nos cruzamos com uma pessoa importante na nossa vida mas que nunca nos tocou por nunca termos sequer reparado nela.

Depois temos um final completamente alucinado ao melhor estilo oriental que só não estraga o filme porque quando tudo acontece o espectador já nem se importa com o que vê pois nessa altura só desejamos poder entrar para dentro do filme e juntar de uma vez por todas o par de protagonistas depois de acompanharmos tantos desencontros sucessivos.

Sem revelar muito disto, [“Turn Left, Turn Right“] conta a históra de duas pessoas, um rapaz e uma rapariga que vivem paredes meias em dois apartamentos contiguos mas nunca se encontram pois ambos saiem sempre de casa por portas diferentes e em direcções diferentes.
Um dia encontram-se num jardim, apaixonam-se trocam números de telefone e cada um vai á sua vida.

Entretanto o destino intervém e ambos perdem os contactos um do outro, nunca suspeitando que na realidade sempre foram vizinhos durante o tempo todo e continuam inclusivamente a dormir com a cabeça encostada á mesma parede todas as noites.
O tempo passa e após tentarem individualmente voltar a encontrar o outro sem qualquer resultado eis que surgem nas suas vidas duas novas pessoas.

Na vida do rapaz, entra agora uma entregadora de pizzas viciada em futebol completamente alucinada que imediatamente se apaixona por ele uma noite quando vai a sua casa e depois desse dia parece nunca mais descolar do local para desespero do jovem.
Na vida da rapariga surge um médico de sucesso que claro se interessa por ela romanticamente e que é capaz de tudo para a conquistar.
As coisas complicam-se ainda mais quando a entregadora de pizzas e o médico descobrem o interesse mútuo do par romântico um pelo outro e é aqui que o filme ganha um novo ângulo quando eles resolvem unir-se para se certificarem que os dois protagonistas nunca se possam mesmo encontrar.

Como se o destino já não fosse suficientemente cruel quando encena os mais geniais desencontros do par ao longo do filme, os dois eternos desencontrados ainda têm que contar com a verdadeira sabotagem romântico-terrorista dos seus respectivos obcecados pretendentes que não olham a meios para evitar que os dois apaixonados descubram que afinal vivem no prédio contíguo um do outro.

Obviamente que já estão a ver como tudo isto vai acabar; no entanto não imaginam os pormenores que os levarão até ao inevitável (?) final e que conseguem fazer com que [“Turn Left, Turn Right“] mantenha um suspanse absolutamente delirante até ao ultimo segundo quando tudo se resolve da maneira mais inesperada e completamente fora do contexto de uma forma que os irá surpreender e divertir.

Aliás, um pormenor curioso deste divertido filme oriental, é também o facto de mesmo a uma segunda ou terceira visão quando já sabemos de cor tudo o que acontece, damos no entanto por nós novamente em suspanse como se o estivessemos a ver pela primeira vez.
Isto só valoriza o discreto mas muito eficaz trabalho do realizador pois a sua gestão de todos os pormenores da história e a maneira como filma o argumento é absolutamente perfeita e resulta plenamente para divertimento do espectador.

Uma nota final para os actores e personagens. O par romântico embora não se afastando muito do habitual é totalmente cativante e credível no seu desespero apaixonado e isto ainda fica melhor quando como contraponto tem o par secundário de sabotadores-românticos num registo cartoon-Manga e que impede que o filme caia numa repetitição em que facilmente poderia ter resvalado tendo em conta a própria base labirintíca do argumento que assenta essencialmente no mesmo tipo de desencontros.

[“Turn Left, Turn Right“] não tem pontos negativos dignos dessa conotação.
Não é um filme asiático brilhante, falta-lhe algo para se tornar imprescindível pois talvez tenha tentado ser demasiado internacional para apelar ao mercado americano, mas não se pode negar que é um filme cativante e se calhar não precisa mais do que isso para ser mais uma história de amor totalmente recomendável e que fica muito bem em qualquer colecção romântica oriental.

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CLASSIFICAÇÃO:

Falta-lhe algo para ser inesquecivel mas é uma excelente comédia romântica cheia de personalidade e totalmente recomendável a quem procura algo do género e já viu tudo o que tenho recomendado.
Quatro tigelas e meia de noodles pois de certa forma é mais uma história de amor imprescindível.

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A favor: o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, os personagens da entregadora de pizzas+médico alucinados e os seus planos para evitarem o reencontro dos protagonistas, mantém o suspanse até ao final e agarra-nos mesmo que já tenhamos visto o filme muitas vezes antes, o desenlace é completamente estúpido pela falta de contexto na história que até então vimos mas resulta de uma forma genial e até hilariante por ser tão inesperada, é uma comédia romântica com muito charme e excelentes personagens não só secundários como até terciários se contarmos com a história de amor paralela envolvendo os senhorios dos protagonistas.
Contra: não tem nada que lhe dê uma identidade particularmente oriental e esforça-se demasiado por se parecer com um filme comercial americano dentro do estilo romântico. Não havia necessidade mesmo a produção estando ligada a uma Major americana como está.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=bDP85dOe9BM
http://www.youtube.com/watch?v=8WyO77qW79A

Comprar
Infelizmente neste momento parece que o dvd está esgotado em todo o lado e já não vão encontrar á venda a edição que eu tenho. Cuidado com a edição japonesa do filme que ainda se encontra á venda pois não tem legendas em inglés.
Podem no entanto ver o filme se o forem buscar aqui. E a sua banda sonora também.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0367174/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Superman ieotdeon sanai (A Man who was Superman/If I was Superman/A Man Once Superman) Yoon-Chul Jeong (2008) Coreia do Sul


Este é mais um daqueles filmes orientais de que me apetecia gostar mesmo muito.

O conceito é absolutamente simples mas cheio de potencialidades por explorar, os personagens prometem e as referências ao universo do Super-Homem são absolutamente deliciosas, particularmente os pormenores sacados ao filme realizado por Richard Donner com Christopher Reeve.

Infelizmente este é mais um daqueles filmes asiáticos que fica a meio caminho de tudo aquilo que poderia e deveria ter sido, por muitas e diversas razões que vou tentar resumir agora.
De qualquer forma também é bom começar por dizer que apesar da minha desilusão com o filme, [“The Man Who Was Superman“] é no entanto um daqueles obrigatórios não só para quem gosta do género dramático sul-coreano como principalmente para os fãs do Super-Homem.
Então se viram o primeiro filme com Christopher Reeve não podem perder “esta versão”  que apesar das suas muitas fraquezas tem ainda alguns bons motivos para que vocês o queiram ver pelo menos uma vez.

[“The Man Who Was Superman“], conta a história de um homem que anda pelas ruas de uma cidade Sul Coreana convencido de que está em Metropolis e é nada mais nada menos que o próprio Super-Homem.
Sendo assim, o seu dia-a-dia é passado tentando ajudar as pessoas que encontra ao mesmo tempo que procura super-vilões e ainda tem tempo para salvar o planeta agindo de forma ecológica, obrigando as pessoas a não despejar lixo no chão entre outros feitos heroicos.

O filme segue a relação deste personagem com uma jornalista frustrada que a princípio pretende aproveitar-se dele para realizar um documentário sobre o pretenso Super-Homem e ganhar uns cobres com a estação de TV local, mas depois aos poucos começa a ver-se envolvida com o misterioso homem quando o passado trágico daquela figura trágico-cómica se começa a revelar.

Os minutos iniciais de [“The Man Who Was Superman“] são absolutamente geniais. Tudo aquilo que envolve a caracterização do “Super-Homem” é não só completamente divertida, mas principalmente fascinante  e não conseguimos tirar os olhos desta história.
O actor que faz de “Super-Homem” não só consegue incoorporar por completo o personagem como principalmente compõe a melhor imitação de Christopher Reeve que poderão encontrar pela frente.

O que não deixa de ser extraordinário em muitos sentidos, pois a meio do filme quase que nos esquecemos que estamos a ver um “Super-Homem/Clark Kent” de traços orientais tal é a genial caracterização que o actor consegue produzir a partir de todas aquelas referências que conhecemos dos filmes de Richard Donner dos anos 70.
Se [“The Man Who Was Superman“] dependesse deste Super-Homem para ser um filme fantástico, eu dava-lhe já a nota máxima.

Infelizmente, todo o genial trabalho de composição do actor acaba por se perder um bocado pelo meio do filme á medida que a história avança e é mesmo pena.
Culpa de um argumento que nunca consegue criar uma transição fluida entre a comédia e o drama, pois o registro do filme muda de um segundo para o outro e é por demais errático ao longo de toda a estrutura da história o que cria no espectador uma constante incerteza sobre que tipo de história está a ver pois nunca há uma transição bem conseguida entre géneros e ás vezes temos a sensação que estamos a ver dois filmes diferentes remendados um ao outro.

Isto faz com que as partes humoristicas (ou de homenagem) não tenham tempo para respirar e criar uma identidade e também retira algum interesse á parte dramática pois o filme balança demasiado bruscamente entre os dois géneros. É bastante complicado explicar isto melhor, mas quando vocês virem o filme vão perceber o que quero dizer.

Quando a história entra pela gradual revelação sobre o passado do personagem principal, o conceito á volta do “Super-Homem” parece algo abandonado como se este tivesse apenas servido para introduzir o filme e pouco mais.
[“The Man Who Was Superman“] primeiro fascina-nos com todas as referências ao super-heroi, cria a personalidade do personagem central com base nesse material mas depois a meio do filme retira-nos essas referências do centro da história e a coisa entre por um estilo de drama clínico, frio, algo esterelizado e nem a presença da personagem feminina consegue amenizar a sensação de que de repente estamos a ver um filme diferente.

E por falar em personagem feminina, quanto a mim uma das grandes fraquezas do filme está precisamente nos personagens. Talvez seja da fascinante caracterização inicial do personagem principal no inicio do filme, mas a verdade é que (talvez comparadas com ele) todas os outros personagens nos parecem desinteressantes e algo antipáticas.
A inevitável ligação romântica do filme não resulta plenamente porque nem a miúda do filme nos atrai particularmente, talvez fruto de uma caracterização que se foca demasiado no estilo rebelde e não passa daí o que lhe dá uma dimensão algo limitada.

Percebe-se que a ideia seria criar uma Lois Lane oriental, mas quanto a mim á força de a quererem caracterizar como mulher independente os argumentistas acabaram por se esquecer de a humanizar ao mesmo nível que trabalharam o personagem do “Super-Homem”.
No entanto, estas fraquezas estão todas principalmente nos 50 minutos centrais do filme, como se depois de um inicio fantástico os autores da história não tivessem sabido bem o que fazer com o resto da ideia.
[“The Man Who Was Superman“] tem um inicio excelente, uma parte central desajustada fria e desinteressante (mesmo apesar da gradual revelação sobre a identidade do misterioso “Super-Homem”) e um final muito bom que quase alcança o mesmo nível do inicio do filme.

Só não atinge o interesse e a qualidade inicial, porque entra por um registro completamente óbvio no que toca ao estilo de sequências de acção com ambiente dramático e por isso, ainda o filme tem pelo menos 20 minutos para acabar e já o espectador imagina o que acontece em cada minuto seguinte. Afinal quantas cenas com incêndios é que todos nós já vimos ? A cena final não é excepção e por isso não vão encontrar nada que mantenha qualquer suspanse nesta sequência e é pena.

Mas, apesar da previsibilidade da sequência de acção final, subitamente o filme ganha vida.
De repente até nos identificamos com a tristeza de “Lois Lane” e o resultado final do acto de heroísmo do “Super-Homem”  parece-nos digno de nos fazer sentir algo mais do que decepção com o rumo que o filme tinha tomado na sua parte central.

Resumindo, a parte final salva o dia e se gostarem dos primeiros vinte minutos da história, vão adorar o desenlace da mesma, com destaque para os segundos finais que encerram o filme, pois regressam todas as referências á obra de Richard Donner e [“The Man Who Was Superman“] acaba de uma forma muito bonita, deixando-nos com a sensação de que acabamos de ver uma história que poderia ter sido um clássico instantâneo e um verdadeiro filme de culto á volta do mundo dos Comics e no entanto algo se perdeu pelo caminho.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma oportunidade perdida.
Poderia ter sido bem melhor mas perdeu-se um bocado porque não soube aproveitar a imaginação do conceito inicial.
No entanto se gostam do Super-Homem, este é um dos melhores e mais originais filmes sobre o universo dos super-herois que poderão encontrar e sendo assim vocês precisam mesmo de ver isto porque independentemente das suas fraquezas é apesar disso uma boa tentativa de se criar um produto original.
É um bom filme, nem mais, nem menos. Não os vai maravilhar mas é uma boa maneira de passarem algum tempo em frente ao ecran.
Trés tigelas de noodles. Acrescentem mais meia por vossa conta se gostarem mesmo muito do Super-Homem ou do universo dos comics americanos.

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A favor: o trabalho do actor principal na caracterização do “Super-Homem/Clark Kent” é fantástico, o espírito de Christopher Reeve deve andar por este filme, os primeiros vinte minutos da história são muito cativantes, as referências ao universo do Super-Homem são excelentes e muitas estão escondidas em pequenos pormenores, a ligação com o filme de Richard Donner presta-lhe uma boa homenagem (tem a “nave estrela” do filme e tudo), tem um bom final apesar de previsível, apesar de ser um produto mediano por culpa da falta de imaginação no desenvolvimento do coração do filme é um filme que fica na memória, ainda consegue ter um mini-twist curioso no final, apetece-nos gostar muito mais dele do que na realidade podemos gostar.
Contra: não se define enquanto género pois não é uma comédia um drama ou um filme romântico mas ao mesmo tempo é tudo isso sem conseguir manter uma identidade ao longo da sua duração, parece maior do que na realidade é e isso nunca é bom sinal, os personagens secundários não são particularmente cativantes, a parte central do filme acaba por se tornar aborrecida porque o registo da história não soube equilibrar bem entre o humor e o drama, a “Lois Lane” não cativa, a parte romântica nunca alcança um registo emocional que a história merecia, o “Super-Homem” desaparece demasiado da história em determinados momentos quando todo o fio condutor deveria ter seguido o registo inicial na minha opinião, as partes de suspanse no final do filme são absolutamente previsíveis e perdem algum do impacto.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=-qFG-XO56Ss&feature=related

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-49-en-15-a+man+who+was+superman-70-37uw.html

Ver na Web
http://asianspace.blogspot.com/2009/06/man-who-was-superman-2008.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1119199/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo (Crying Out Love in the Center of the World / Socrates in Love – “My Girl and I”) – O Livro


Antes de mais bom Natal para todos, Ho, Ho, Ho e tudo o mais. 🙂

Caso tenham visto e gostado muito do filme “My Girl & I” que recomendei alguns meses atrás, se calhar também vão gostar de saber que o livro que originou o filme,”Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo”  acabou de ser editado em lingua portuguesa precisamente em Portugal.
Na verdade “Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo” é o romance original que depois foi adaptado ao cinema no Japão com o titulo inglés  “Crying Out Love in the Center of the World” e não a história original de “My Girl & I” embora sejam idênticas em muitas coisas pois a adaptação Sul Coreana manteve muita coisa do filme japonês.
Acontece que eu ainda não falei aqui da adaptação original porque por acaso gostei mais do remake Sul Coreano, mas agora que o livro saiu em Português vou aproveitar a onda e por isso podem contar com uma análise desse filme para breve aqui também pois já o comprei há anos e tenho adiado falar dele até agora  não sei bem porquê.

E claro que  irei colocar aqui uma review deste romance original pois estou bem curioso, visto que o livro foi a história de amor mais vendida de todos os tempos no japão e daí a popularidade do filme por aquelas bandas também, a tal ponto que os próprios Sul Coreanos fizeram “My Girl & I” com base no mesmo trabalho literário.
O facto do livro ser um daqueles muito dificeis de encontrar até agora ainda aguça mais a minha curiosidade, pois até há bem pouco tempo só se econtrava editado em Japonês nem sequer havendo uma versão inglesa, (que julgo ainda nem há). Penso que no ocidente ainda só existe neste momento a tradução espanhola e a portuguesa se não me engano.
Sendo assim, não queria deixar de divulgar isto por aqui.
Mais novidades sobre o assunto  para breve.

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UPDATE (28-12-2009):
Há coincidências mesmo curiosas.
Andava há anos atrás deste livro, há seculos para colocar aqui a review da adaptação cinematográfica japonesa e agora parece que estou a ser perseguido pela obra em todo o lado.
Este Natal recebi um outro romance japonês comprado na amazon.co.uk chamado “Socrates in Love“. Comprei-o porque depois de ter lido o fabuloso pequeno romance “Be With You” estava intrigado sobre as histórias românticas made-in-japan e quando vi este “Socrates in Love” editado em Inglés mandei vir o livro sem sequer tentar saber muito mais sobre ele além de ter notado que tinha uma excelente review.
Ontem, ao procurar mais críticas sobre o mesmo, notei que o livro também já estava adaptado ao cinema e comecei logo a tentar encontrar o filme na net. Sem qualquer resultado, apesar de muita gente garantir ser uma história bem popular.
Ao procurar pelo trailer de “Socrates in Love” no YouTube, invariávelmente ia ter a resultados que mostravam imagens de “My Girl & I” e já estava a dar em maluco pois parecia que alguém se tinha enganado na associação, até porque no Tube também aparecem imagens da série televisiva igualmente adaptada do livro. E para mais ainda existe um Manga baseada no mesmo romance !!
Qual não é o meu espanto, quando descubro que “Socrates in Love” é o titulo inglés do romance original japonês que deu origem ao filme “Crying Out Love in the Center of  the World” ! O mesmo romance que agora foi editado em Portugal com precisamente o titulo de  “Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo” !
Resumindo, por um pouco ia comprando a edição Portuguesa na mesma semana em que recebi ao romance em inglés. Isto porque o titulo da edição Lusa vai precisamente buscar a associação ao nome do filme que originalmente adaptou “Socrates in Love” e não usou uma tradução directa do titulo original japonês ou da sua versão em inglés.
Confusos ?!…Eu estava.

Sendo assim, quem quiser agora espreitar o romance que deu origem ao filme “My Girl & I” e a ” Crying Out Love in the Center of the World” (de que falarei aqui em breve), tem duas boas opções. Pode adquirir a versão Portuguesa aqui, ou então optar pela edição Inglesa comprando-a na amazon.co.uk .
Ou então compram o Manga em inglés também na Amazon (penso eu que isto seja o Manga)…

Espero que já não estejam confusos. 😉

Ligeira mudança de visual no Blog


Como já devem ter notado, decidi renovar um bocadinho o visual da página.

A versão anterior apesar de ser mais arrumadinha, não era nada prática porque o posicionamento dos widgets não servia para nada e assim vi-me obrigado a procurar um template alternativo que fosse mais user-friendly.
O site tem um novo cabeçalho também.
Ainda irei personalizar mais tudo isto, mas por agora fica assim até que eu tenha tempo para me dedicar mais sériamente a criar um design realmente específico para o site.
Espero que gostem.

Luis

Kei hei hup (Metallic Attraction Kung Fu Cyborg) Jeffrey Lau (2009) China


Toda a gente a ir ver este filme já !
Toda a gente a ir ver este filme porque eu não quero ser o único a ficar com o cérebro ao contrário.

“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg” ?
Metallic Attraction ?!!
A do Kung-Fu + Cyborg eu até comia, mas não fosse o proeminente Robot Gigante no cartaz do filme e ainda pensaria que Mettalic Attraction seria uma comédia qualquer sobre magnetos e fãs dos Iron Maiden ou quem sabe dos Metallica.
Afinal não é.
Não pensem no entanto, que isto é um filme de Kung Fu.
Confusos ?
Não estão, não porque ainda não viram o filme.

A propósito, também tenho sérias dúvidas se isto será um filme.
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“], é um produto muito estranho e completamente alucinado.
Eu não tenho nada contra o espírito deste género de obras, afinal ” A Chinese Tall Story ” ainda continua a ser um dos meus filmes orientais favoritos apesar do seu estilo completamente over the top.
Este filme não é mau por ser estranho ou alucinado, [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] perde em todas as frentes de uma forma absolutamente inacreditável porque nunca se consegue definir enquanto filme.
Nos primeiros cinco minutos eu já pensava que iria atribuir uma classificação fantástica a este produto, pois os momentos iniciais são mesmo divertidos e tudo apontava para que estivesse na presença de um daqueles filmes mesmo especiais. Até o genérico do filme é muito bom e cheio de humor.

No entanto, dez minutos depois já começava a pensar que algo esquisito se passava no ecran. Isto porque a partir de certa altura a história parece entrar por um registo de comédia bucólica e rural que estranhamente me fez lembrar daquele cinema francês ao estilo Louis de Funées.
Algo muito estranho para um filme que supostamente meteria Kung-Fu e Robots estilo Transformers.
E por falar em Transformers

Pessoalmente a série Hollywoodesca dos Transformers é um dos meus ódios de estimação e o Michael Bay não será propriamente o meu realizador favorito pois por mim poderia deixar de filmar amanhã que não se perdia nada. No entanto isto de ser ateu tem as suas desvantagens e  como tal é óbvio que Deus não ouve as minhas preces.
E é pena, porque também se poderia juntar o nome do realizador de [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] á lista de gente a reter longe de uma câmera a todo o custo. Só posso concluir que Deus não gosta de Cinema.

Descobri tarde demais que o realizador deste filme também esteve ligado a outro dos filmes orientais que mais detestei, Kung-Fu-Hustle. Se tivesse sabido disso nem teria gasto o meu tempo a tentar ver [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] pois não é de estranhar que o estilo dos filmes seja semelhante com a desvantagem de que agora nesta tentativa a coisa não resultou de todo. Possivelmente porque Jeff Lau não é Stephen Chow pois este último apesar de tudo ainda consegue criar alguma unidade no caos presente nos seus filmes. Eu não gosto, mas nunca atinge o vazio deste filme com robots sem robots.

Jeff Lau, falha redondamente onde Stephen Chow normalmente até consegue algum equilibrio e este [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é um bom exemplo de que não basta ter uma quantidade de sequências completamente desvairadas para que um filme estilo cartoon tenha piada ou nos apeteça segui-lo até ao fim.

Trinta minutos depois do filme começar, o espectador começa a perguntar-se se não se terá enganado na capa ou se terá visto o trailer com o nome do filme errado, pois kung-fu nem vê-lo e robots estilo transformers é que parecem não ter qualquer motivo para fazer alguma aparição no argumento deste filme.
É que vocês não sabem, mas…
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é uma história de amor !! (?!!)

Esqueçam a porrada estilo Michael Bay em versão Hong Kong, olá filme estilo Julia Roberts versão chinesa.
Mas mete robots.
Perdão, cyborgs.
Ou melhor, mete uma espécie de “mecha”
Reconheceram a expressão “mecha” ? Lembra-lhes algo ?
Exacto “A.I. Artificial Inteligence”, o (quanto a mim fabuloso), filme de ficção-científica realizado por Steven Spielberg com Haley Joel Osment e Jude Law no papel de Gigolo Joe.
E por falar em Gigolo Joe, o que dizer da imagem abaixo…

Lembra-lhes alguém ? 🙂
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é um filme oriental muito estranho. Já lhes disse isto ?
Mete um clone chinês grunho do Gigalo Joe que por acaso também é um robot com a mania que tem graça e age como um verdadeiro pinga-amor pois inevitávelmente apaixona-se pela rapariga da história deste filme.
Um filme que apesar de querer á força ser uma história de amor daquelas realmente emotivas ao melhor estilo oriental, pelo meio entra pelo estilo cómico com uma escolha de estilo de humor absolutamente rasca, completamente popular e de riso fácil com gags semi-escatológicos, piadas infantis, directas e tudo o que possam imaginar ao pior estilo “Malucos do Riso“. E se vocês me estão a ler a partir de Portugal, sabem bem como isto é grave.

Especialmente para um filme que parece nunca andar para a frente porque insiste em tentar cativar-nos com uma história de amor absolutamente sem química nenhuma. Muito por culpa das partes “cómicas” do argumento e das palhaçadas dos personagens verdadeiramente cartoonescos mas sem qualquer identidade.
Acho que nunca tinha visto uma história de amor num filme oriental tão descaracterizada e tão sem alma.
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] enquanto filme romântico (acreditam nisto ?), é tão vazio e desinteressante que faz com que coisas como Shinobi, Duelist ou Bichunmoo pareçam clássicos de histórias de amor !

Então mas e os Transformers do trailer do filme ? – Perguntam vocês…
Perguntam bem.
Kung-fu, neste filme deve haver uns cinco ou talvez dez minutos de algo semelhante. Isto em duas horas de história.
Robots gigantes ao murro, temos direito a duas sequências. Uma mais ou menos a meio do filme. Dura pouco mais cinco minutos e é do piorio pela sua simplicidade, lugares-comuns e falta de espectacularidade o que para um filme que assenta o seu marketing na comparação com os blockbusters de Hollywood não é nada bom.
Os CGIs também são muito pobrezinhos mas isso teve a ver com o baixo orçamento da produção por isso acho que os técnicos fizeram o melhor que puderam certamente.

Depois temos mais umas cenas na “batalha final” como era de prever mas tudo é tão … nem sei como descrever. Só vocês vendo mesmo. Não resulta ponto final.
E eu gosto de filmes maus. Aliás eu adoro filmes maus, séries B e Sci-Fi obscura.
No entanto não posso com maus filmes e [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é um mau filme porque tenta ser muita coisa ao mesmo tempo e falha redondamente em tudo não fazendo nada.

Como comédia é do piorio. Como história de amor perde-se por completo e nem sequer a miuda do filme nos causa qualquer empatia. O que não é normal nestas histórias de amor orientais onde normalmente o casal central ou o triangulo amoroso é bem definindo em termos humanos e nada disso se passa aqui.
Aliás nem a miuda do filme é minimamente fofinha sequer e isto é o pior que poderia ter acontecido a uma história de amor oriental. É quase um sacrilégio.
Ou então sou eu que não acho o estilo – Funcionária subserviente ao Estado – algo particularmente erótico ou minimamente apelativo românticamente falando…

Tudo isto, aliado ao facto do terceiro elemento do triangulo amoroso ser um mau clone do Gigolo Joe com propensão para graças infantis e piadas semi-escatológicas, faz com que [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] seja um filme que não tem ponta por onde se lhe pegue.
Vai desagradar por completo aos fãs de cinema de acção, os fãs de Robots gigantes vão detestá-lo pela quase total ausência deles no ecrã durante o filme todo e o pessoal que ainda se poderia interessar pela história de amor vai achá-lo um verdadeiro desperdício de argumento e atmosfera.
E por falar em atmosfera…

Talvez uma das coisas mais irritantes do filme seja precisamente isso.
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] tem uma atmosfera mágnifica no que toca á criação de ambiente.
Toda a história passa-se numa pequena aldeia no meio do campo e o ambiente bucólico rural do lugar é realmente cativante e muito bem captado dotando o filme de uma identidade Chinesa quase idílica.
Verdadeiramente deprimente é vê-la tão desperdiçada com uma história do piorio e personagens sem alma que não sabem habitar aquele espaço que pedia algo realmente especial em vez de um filme tão pouco definido.

O filme tem outra coisa muito interessante…todo o seu argumento parece uma metáfora encapotada para a revolta e a liberdade de expressão o que não deixa de ser curioso por isto ser um produto Chinês. Pelo meio da história colocam-se algumas questões interessantes sobre a legitimidade de uma “pessoa” se poder ou não rebelar contra a “programação” instituida por um superior hierárquico supostamente no poder e muito desse segmento da história tem a ver com a discussão da liberdade de escolha individual. Tudo debaixo da capa da ficção-científica claro. O que não deixa de ser mesmo muito curioso e pedia se calhar um melhor desenvolvimento…por outro lado se calhar foi melhor para os produtores disto não agitarem muitas bandeiras individuais…não fosse o diabo tece-las e o próximo filme ser um documentário sobre as cadeias do Regime Chinês…

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CLASSIFICAÇÃO:

Um total desperdicio de ambiente. Está tudo dito no texto acima.
Começa muito bem, mas depois a cada minuto que passa se torna mais aborrecido. Comecei com vontade de dar classificação máxima a isto e acabei na mínima no final do filme. Foi a primeira vez que tal me aconteceu.
Uma tigela de noodles porque nem a boa fotografia o salva.

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A favor: o genérico, a sequência dos primeiros cinco minutos de filme, o ambiente bucólico e rural em toda a história, a fotografia do filme que até faz alguns milagres com os medianos CGIs, apesar de tudo tem um bom estilo visual com algumas imagens e enquadramentos muito bem conseguidos e nessas alturas o filme parece brilhar, a carga de subversão subliminar que o argumento parece querer fazer passar ao espectador quando advoga o direito á liberdade e á negação da programação.
Contra: engana por completo quem vê o trailer, não é um filme de acção, não tem batalhas com robots gigantes practicamente nenhumas, tenta ser uma história de amor em practicamente 80% do filme, falha redondamente enquanto história de amor e é possivelmente o argumento do género mais descaracterizado e sem alma que me recordo de ver no cinema oriental que normalmente é genial a produzir histórias românticas, o humor básico é absolutamente irritante, o personagem clone do Gigolo Joe é tem uma caracterização absolutamente errática e nunca se define, a miuda da história não cativa minimamente, as cenas de acção são chatas e parecem arrastar-se mesmo quando duram breves minutos, o filme é completamente indefinido e com um ritmo descaracterizado que nos faz desejar que tudo acabe depressa pois já não há mais pachorra, a tentativa de ter um desfecho dramático para a história de amor é uma anedota pois – nobody cares !

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Não se deixem enganar por ele. Isto não é o filme que parece…estão avisados. 😉
http://www.youtube.com/watch?v=_saGdBMw33E

Comprar
Se gostarem mesmo muito podem comprá-lo baratinho aqui na minha loja do costume.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7n-77-2-49-en-15-metallica+attraction-70-3kai-43-9.html
Se quiserem confirmar antes a coisa, podem espreitar o filme usando este motor de busca muito útil aqui.

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1494775/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story Shinobi

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