Haeundae (Tidal Wave) Je-gyun Yun (2009) Coreia do Sul


Ultimamente ando em maré de filmes com Tsunamis.
Já algum tempo que estava longe de cinema catástrofe mas no último semana fui ver o “2012” made-in-hollywood e fiquei com imensa vontade de procurar algo semelhante no estilo oriental pois desde o muito divertido “The Sinking of Japan” que não me tinha aparecido nada do género pela frente.
Para meu contentamento encontrei [“Haeundae – Tidal Wave“] e satisfez plenamente todas as minhas expectativas.

Não é um daqueles filmes orientais fabulosos e claro que não se compara em escala com um “2012” mas dentro das possibilidades do cinema Sul Coreano, quanto a mim [“Haeundae – Tidal Wave“] é um óptimo pequeno filme catástrofe que apesar das suas limitações técnicas contém no entanto excelentes momentos de destruição apocalíptica e consegue ainda apresentar-nos um par de personagens interessantes com que nos preocupamos mesmo mesmo sendo tão esquemáticos.

Além disso, na minha opinião tem uma coisa muito boa que já aparecia também em “The Sinking of Japan”.
Ao contrário do que costuma acontecer nos filmes americanos do género também aqui em [“Haeundae – Tidal Wave“]  nunca temos bem a certeza de quem irá morrer ou quem irá salvar-se.

O filme consegue criar uma constante incerteza no espectador até ao final pois mantém aquela característica dos filmes orientais em que um final feliz não tem necessáriamente significar que o heroi se salve e fique com a miúda.
Na verdade, não se pode dizer que exista um heroi ou um personagem principal nesta história e isso contribui bastante para a incerteza sobre o destino dos personagens o que só dá mais pontos a este filme.

No entanto é um produto estranho.
Sendo isto um filme catástrofe contém tantos momentos retirados de tantos outros géneros que o espectador até se esquece que tipo de filme está a ver. Passado uma hora eu já me perguntava onde raio estava o filme que aparecia no cartaz oficial, pois [“Haeundae – Tidal Wave“] leva tanto tempo a desenvolver personagens que uma pessoa se questiona se alguma vez irá aparecer uma onda gigante no ecran.

Tem momentos que nos fazem lembrar “The Host”, principalmente porque é uma história que se foca mais nas pessoas do que propriamente na catástrofe eminente, embora não consiga um resultado tão bom nesse aspecto.
Isto porque [“Haeundae – Tidal Wave“] parece um plágio de uma quantidade de situações já vistas noutros filmes. O nucleo familar parece decalcado de “The Host” e nem falta uma Sassy Girl que mantém uma relação com um jovem da guarda-costeira que parece clonada dos melhores e mais divertidos momentos de “My Sassy Girl“.

Acreditem-me, no que toca a personagens, vocês já viram tudo isto noutros filmes e com resultados bem melhores, mas por outro lado, a coisa até funciona bem e não é por isso que este filme catástrofe se torna num mau filme.
Tem personagens que nunca mais acabam, pequenos dramas familiares de pacotilha mas não só e um par de histórias de amor fofinhas ao melhor estilo Sul Coreano.

Agora se calhar não valia a pena levar tanto tempo a contar as histórias dessas pessoas pois na verdade o que o pessoal quer ver mesmo nisto é a onda gigante a destruir coisas e no entanto os minutos arrastam-se em intermináveis cenas de desenvolvimento de personagens e a tragédia parece nunca mais começar para desespero do espectador.

Se virem o trailer vocês irão ficar confusos pois dá a ideia que [“Haeundae – Tidal Wave“] deve ser uma daquelas comédias desmioladas ao melhor estilo Sul Coreano, mas na realidade a coisa é bem mais complexa do que isso. O filme tem um par de momentos muito engraçados e cartoonescos, mas apesar de tudo equilibra muito bem o drama com a comédia e as cenas de aventura.

Uma das suas mais valias é a forma como quando finalmente aparecem os momentos de destruição o filme consegue alternar entre os vários géneros numa questão de segundos sem nunca perder a identidade ou perder o estilo de filme catástrofe. Neste aspecto, posso até dizer que foi o filme deste estilo que melhor vi cruzar momentos completamente diferentes sem nunca perder o ritmo.
Tem tensão suficiente para nos manter agarrados ao destino dos personagens mas ao mesmo tempo contém um par de sequências hilariantes ao mesmo tempo que nos mantêm em suspanse. Destaque para a genial, tensa e hilariante mini-sequência dos contentores que caiem do céu.

E falando de efeitos especiais, quanto a mim [“Haeundae – Tidal Wave“] está completamente de parabéns. Nem todos são particularmente convicentes. Muita coisa cheira a CGI por todo o lado, mas consegue ter um par de sequências particularmente espectaculares e que não perdem nada em comparação com o que de melhor se viu por exemplo em “2012”.

As cenas de caos quando as ondas gigantes destroiem a cidade são realmente entusiasmantes, (especialmente se as poderem ver num projector com um ecran de trés metros de largura como eu tenho a sorte de o poder fazer).
Aliás, as coisas demoram a acontecer, mas quando a tragédia chega não há duvida que cumpre as expectativas, tanto em espectacularidade como em cenas de tensão. Ainda por cima consegue manter uma excelente variedade nas sequências de destruição e cada personagem tem o seu momento para brilhar…vivo, ou morto…

Excelentes momentos apocalípticos, muito prédio destruido, muito morto a flutuar e muita água por todo o lado com drama, aventura e comédia muito bem misturados.
O único problema do climax do filme é durar tão pouco tempo quando até aí levamos mais de uma hora a ver um outro género de filme á espera desses momentos.
Também se nota alguns figurantes a rir nas cenas em que a multidão supostamente foge em pânico pelas ruas com uma onda gigante atrás da multidão, mas provavelmente vocês nem reparam e isto sou eu a querer implicar com alguma coisa.

Não será tão bom quanto “The Sinking of Japan“, mas felizmente não é tão mau quanto o Tailândes “2022 Tsunami“.  Tudo o que não funciona no hilariante filme made-in-Tailândia está muito bem em [“Haeundae – Tidal Wave“].
É um filme muito divertido apesar de lhe faltar algo que o eleve a um patamar superior.
Não será uma obra prima do género mas é um daqueles que vale mesmo a pena ser visto, especialmente se gostarem de filmes catástrofe.

Já agora, quanto a mim a coisa mais assustadora deste filme são as imagens reais iniciais com as multidões na praia.
Isto para mim que odeio praias comerciais seria o pesadelo e estaria a pedir para que o Tsunami chegasse depressa se tivesse que passar uma tarde num local assim “a fazer praia”…se conseguisse encontrar a areia…

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CLASSIFICAÇÃO:

Um divertido filme catástrofe que percorre vários géneros tentando clonar o melhor de muitos filmes conhecidos mas que não perde por isso.
Não há muito mais para dizer.
Vale a pena pois é mesmo muito bom, embora lhe falte qualquer coisa.
Trés tigelas e meia de noodles na boa.

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A favor: as histórias parecem decalcadas de outros filmes mas resultam e fazem-nos criar empatia com as pessoas, tem um bom equílibrio entre a comédia e o drama,  a realização é competente e sabe criar excelentes transições entre os vários géneros em segundos sem nunca tornar o estilo do filme ambiguo, os efeitos especiais são em regra muito bons mesmo, tem um par de cenas realmente espectaculares, todos os personagens têm o seu momento o que evita a previsibilidade no seu destino na maioria das vezes, há muita destruição aquática e muita variedade nas sequências de destruição, as cenas dos contentores na ponte são muito engraçadas ao mesmo tempo que nos agarram ao ecran.
Contra: leva demasiado tempo até acontecer alguma coisa daquela que esperamos encontrar num filme catástrofe, as cenas de destruição não duram muito tempo, algum drama de pacotilha que já vimos mil vezes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=USzuHYrVLkg

COMPRAR
Já se encontra á venda na Amazon Uk a bom preço.
Tidal Wave [DVD] [2009]

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1153040/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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2022 Tsunami Wan Sang-Haan Lohk (2022 Tsunami) Toranong Srichua (2009) Tailândia


Existem obras que parecem querer testar o meu fascinio pelo cinema oriental.
Ás vezes esqueço-me que existe no mundo cinema realmente muito mau e não é só em Hollywood que se faz plástico do piorio. Pelo visto a Tailândia também se está a tornar num sério candidato á piroseira cinéfila.

Quanto mais vejo cinema Tailandês mais me parece que aquele país é assim uma espécie de Ed Wood do planeta terra.
O cinema comercial Tailandês parece ter sempre as melhores e mais sérias intenções mas salvo raras e honrosas excepções parece que produzem um conjunto de filmes sempre tão maus que quase desafiam as estatísticas.
E um dos piores será certamente este [“2022 Tsunami“] com muita pena minha.

Se calhar não parece, pela imagem acima, mas acreditem-me…vocês não vão acreditar no que verão se decidirem espreitar este filme. Uma tragédia que poderia ter sido absolutamente hilariante não fosse o facto de ser tão mau que se torna irritante a partir de certa altura.

E por falar em filmes genialmente maus, neste fim de semana fui ver a “nova comédia” do Rolland Emerich saida de Hollywood chamada “2012” e diverti-me á brava com o filme.
Como eu adoro cinema catástrofe em que morrem gajos aos molhes por dá cá aquela palha saí de “2012” com grande adrenalina e a pensar se não haveria pelo oriente algo novo que me pudesse divertir com mais umas cenas fixes de morte e destruição.

Não tardou muito que encontrasse não um, mas dois titulos orientais completamente novinhos em folha para meu contentamento e curiosamente ambos os filmes têm como tema os Tsunamis pois foram inspirados na tragédia real do Natal de 2004 de que todos nos recordamos certamente. Este filme até usa imagens reais de arquivo para tentar criar ainda mais dramatismo sobre o assunto.
Tanto a Coreia do Sul como a Tailândia pegaram na ideia e produziram as suas versões do que aconteceria se o fenómeno se repetisse de novo mas a uma escala realmente apocalíptica e os resultados não poderiam ter sido mais diferentes.

Por agora falemos da versão Tailandesa.
Eu sei que se calhar isto parece injusto, mas tenho que dizer que [“2022 Tsunami“] foi um dos filmes mais pirosos e sopeiros que alguma vez vi. E não estava nada á espera disto num filme catástrofe.
Todos nós sabemos que o género nunca escapa aquele estilo telenoveleiro, mas esta tentativa Tailandesa atinge um grau de anedota que eu próprio julgava impossível de ser atingido.

Se virem muitas das fotografias estáticas, certamente ficarão com curiosidade suficiente para ver o filme, especialmente se gostam do género pois quando as coisas não se mexem até criam a ilusão de que estaremos na presença de algo realmente divertido e com suspanse quanto baste. Não se iludam.

Se [“2022 Tsunami“] fosse uma música pimba (música brega para o pessoal do Brasil), seria certamente um sucesso pois nada falta nesta letra…perdão, neste argumento…
Tudo é tão mau que eu nem sei por onde começar.
Os personagens são hilariantes, os diálogos são atrozes ( e duvido que seja da legendagem), a realização não tem ponta por onde se lhe pegue em termos de identidade e a montagem deve ter sido feita por algum estagiário despedido a seguir. Isto para nem falar dos efeitos especiais…

Ninguém mais do que eu deve adorar maus efeitos especiais.
Eu sou um fã absoluto de FC obscura, séries B marados e filmes de baixo orçamento. Mas para que a coisa funcione é preciso que um filme tenha um certo charme, o que não acontece de todo neste [“2022 Tsunami“].
Isto porque este se leva tão a sério que atinge um nível de dramatismo e piroseira que só nos faz rir a todo o instante ou então bocejar de tédio até nas partes catastróficas que deveriam pelo menos ter algum impacto mas falham redondamente.

A começar pelos personagens pois  pouco nos importamos com o seu destino e depois porque os efeitos de animação… são tão…animados… que não contribuem de todo para criar aquele clima trágico que a obra pelo visto pretendia ter tido.
Não é suficientemente divertida para ser um grande série B e não consegue atingir a carga dramática para poder ser levada a sério, muito por culpa da excessiva dramatização da personalidade dos personagens que só nos dá vontade de rir ou de chorar e não pelas melhores razões.

Mais uma vez insisto, a única palavra que encontro para descrever [“2022 Tsunami“] é – “piroseira”.
Eu sei que isto não é muito cinéfilo mas é a única sensação que o filme me transmitiu e passada meia hora já estava farto de aturar aquelas pseudo-caracterizações psicológicas tão ridiculas. Primeiro são cómicas mas depois tornam-se absolutamente repetitivas e irritantes transportando o filme para um patamar que o torna aborrecido em vez de entusiasmante e nem as cenas de destruição conseguem salvar o resultado final pois tudo é tão exagerado em termos humanos e estereotipos de personagens de cartão que os efeitos ainda nos parecem se calhar muito piores do que na realidade até são.

Há de tudo nesta história. Um heroi que tem medo do mar porque a familia morreu no Tsunami de 2004 e de cada vez que se chega junto á agua produz as mais hilariantes caretas que podem encontrar num filme dramático, uma heroína que também perdeu a familia toda há vinte anos, um primeiro ministro cheio de boas intenções, um cientista maluco com umas barbas perfeitas para serem colocadas de molho, uma aldeia piscatória com pessoas muito boazinhas e um grupo de mafiosos com intenções muito más.
E já lhes falei das sequências homo-eróticas ?

Ok, eu não tenho nada contra as preferências sexuais de cada um, mas que raio ?!…Para que serve aquele angulo na história ?
Um gajo está a ver um filme supostamente dramático e depois saido do nada vê-se um cu de um tipo saído do nada iniciando-se de seguida uma espécie de pequena cena de amor um bocado atabalhoada e sem qualquer sentido ?
Surpreendeu-me mais que o resto do filme todo.

Gostaria de lhes poder explicar de uma forma mais coerente como este filme oriental é mau, mas sinceramente este é um daqueles que é de ver para crer.
Na verdade isto é quase um caso á parte, pois -“mau”- nem sequer será a palavra correcta para classificar o estilo desta obra. É um produto muito estranho.
A realização é completamente incoerente. Muito trabalho de câmara ao ombro mas tudo é demasiado evidente e a partir de certa altura estamos mais atentos á maneira de filmar do que á própria história ou aos personagens nela o que não abona a favor do trabalho do realizador que parece querer afirmar-se acima da obra a todo o instante.

E o pior de tudo é o tom paternalista do proprio argumento, a certa altura apetece-nos gritar ao ecran para aqueles gajos pararem de dizer frases ecológicas sobre como a humanidade está a dar cabo da natureza ! Já chega ! Já se ouviu ! Não sejam tão “subtis” a passar a mensagem !
No final do filme pelo menos a mim só me apetecia pegar nuns contentores de lixo e ir até á Tailândia despejar tudo naquele país na esperança de que pelo menos este estúdio fosse atingido por um verdadeiro maremoto que o impedisse de fazer uma sequela desta verdadeira tragédia cinematográfica.
É com muito pena minha que digo que [“2022 Tsunami“] é tão “mau” que até faz com que os blockbusters americanos do Rolland Emerich pareçam bons filmes e quando assim é…

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CLASSIFICAÇÃO:
Não consigo compreender qual é o problema de muito do cinema Tailandês. Parece que pelo facto de se levar demasiado a sério nunca consegue atingir a seriedade das filmografias dos seus vizinhos asiáticos.
Talvez seja por piscar demasiado o olho ao cinema ocidental sem conseguir criar uma identidade própria ou por não conseguir produzir argumentos particularmente interessantes, o facto é que falta algo no cinema Tailandês e este filme é um excelente catálogo de todas as fraquezas que habitualmente encontramos nesta filmografia.
Este [“2022 Tsunami“] tinha tudo para ser um divertido filme catástrofe mas por qualquer razão afunda-se por completo muito antes de a água chegar.
Uma tigela de noodles porque é realmente muito desinteressante apesar de não parecer ser a uma primeira vista.
E se calhar merecia menos ainda.

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A favor: apesar de tudo ainda contém cenas de destruição apocaliptica engraçadas, apesar de falhar redondamente tenta ter uns CGIs modernaços para representar o maremoto.
Contra: os personagens são hilariantes e aborrecidos ao mesmo tempo, leva-se demasiado a sério, o tom paternalista ecológico torna-se verdadeiramente enervante, tenta ser tão dramático a todo o instante que se torna completamente piroso, alguns actores são atrozes mas se calhar a culpa nem é deles, ás vezes parece um filme amador no pior dos sentidos, os diálogos são hilariantes ou do piorio, as cenas de pânico parecem filmadas na banheira, o desastre não impressiona de todo, não atinge sequer aquele patamar do tão mau que se torna bom e é pena pois tinha potencial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=zDqMJ5_v-AI&feature=related

Comprar
Não faço ideia onde isto está á venda, mas vocês não o vão querer adquirir de qualquer maneira.
Este é um daqueles casos em que a pirataria faz um favor ao consumidor, por isso sugiro que o espreitem aqui.

Imdb
Quê ?!… 🙂

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:
Vejam antes  “The Sinking of Japan”.
Este sim, é um excelente exemplo de cinema catástrofe made-in-oriente.

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Himalayaeui sonyowa (Himalaya, Where the Wind Dwells) Soo-il Jeon (2008) Coreia do Sul


Há filmes aparentemente tão estúpidos que só podem ter sido pensados para pessoal muito inteligente.
[“Himalaya, Where the Wind Dwells“] será certamente um deles.
Só pode.
Quando se passou mais de meia hora e os personagens nem sequer debitaram cinco minutos de diálogo coerente uma pessoa começa a suspeitar que este filme deve pretender ter um QI muito elevado.
Os personagens ás vezes falam, mas nestas alturas o espectador corre o sério risco de começar a ficar irritado.

Isto partindo do principio que [“Himalaya, Where the Wind Dwells“] até tenta ter uma história. O que duvido.
Se gostam de filmes onde passam eternos minutos a ver personagens contemplando o vazio, filmes em que as pessoas olham para paredes de um quarto de hotel sem se mexer depois de os termos visto a desfazer uma mala de viagem durante outros tantos largos minutos então este filme é para vocês.
Este filme é tão genial que eu não resisto a contar-lhes agora toda a sua história (?) ao contrário do que costumo fazer, só para vocês verem como eu também sou um gajo inteligente que gosta de filmes para pessoas que compreendem a verdadeira Arte cinéfila.

[“Himalaya, Where the Wind Dwells“] começa com um tipo que possivelmente terá sido despedido pois não está com uma cara de bons amigos no primeiro plano, depois vemos a mesma pessoa no seu apartamento a olhar para o televisor em total estado de zombie deprimido, seguidamente vai até uma casa funerária e debita um par de diálogos, então somos transportados para o Nepal e o senhor está dentro de um táxi cujo o percurso é filmado em plano subjectivo durante largos minutos enquanto somos conduzidos por uma espécie de viagem virtual pelas caóticas ruas de uma cidade nas montanhas em que se guia quase tão bem quanto em Portugal ( a sequência de acção do filme).

Seguidamente o tipo fica durante mais uns minutos parado á chuva á porta de um estabelecimento porque sim.
Depois está num quarto de hotel a olhar para a parede após ter desmanchado a sua mala bem devagarinho para o espectador poder contemplar aquela fascinante actividade. E tudo isto sempre num único e mesmo plano. Deve ser uma metáfora qualquer.
Repentinamente estamos nas montanhas e o senhor segue a pé num estado absolutamente lastimável uma espécie de guia por caminhos de pedras enquanto tenta respirar e finalmente cai para o lado.

Mais um bocadinho de diálogo entre o guia e um nativo local e alguém se presta para levar o nosso heroi completamente desmaiado num burro montanha acima.
Chegando ao seu destino o senhor encontra a casa da familia que procurava (?), conhece uma criança absolutamente enervante que toca (mal) flauta mas insiste em presentear-nos com uma melodia daquelas que nos torna a todos fãs imediatos da Celine Dion quando já julgavamos que nada poderia ser mais irritante.

Seguidamente, o tipo conhece a mãe do puto com dote musicais e dá-lhes um envelope de dinheiro que supostamente o pai e chefe de familia lhes enviou como resultado do seu trabalho numa qualquer fábrica da Coreia do Sul que explora emigrantes Nepaleses.
É por esta altura que também vislumbramos um gajo que deve ser uma espécie de avô que não faz mais nada no filme a não ser decorar o cenário e que certamente ainda não percebeu que está morto ou então deve andar a fumar qualquer coisa da boa que se planta nas montanhas e não contou nada a ninguém.

O nosso heroi sempre com cara de gajo aborrecido como o caraças, vagueia pela vila das montanhas, saca umas frutas a um vendedor e ensaia uns passos de futebol com o puto da flauta.
Mais tarde conhece aquele que segundo o puto, é “outro dos seus vários pais” quando este uma noite visita o lar familiar. É aqui que entra a parte erótico-deprimente do filme quando o nosso heroi tem o prazer de ouvir através das paredes o pai número dois do puto ter a sexo com a mãe da criancinha porque sim. Embora aqui o ar chateado do gajo se justifique…
No dia seguinte passeia mais um bocadinho pela vila, tem um par de diálogos com a criancinha que não larga a #$%£ da flauta e a familia fica a perceber que o pai imigrante afinal está morto num qualquer acidente fabril, entretanto abrem uma cabra (don´t ask), a mãe do puto segue um ritual tibetano no alto de uma montanha e o nosso heroi caminha em direcção á câmara supostamente abandonando a aldeia, voltando para a civilização ou quem sabe tentando encontrar alguém que lhe saiba explicar se o filme já começou a ser filmado.

Resumindo, gostei muito de [“Himalaya, Where the Wind Dwells“].
Aviso já que esta review poderá parecer-vos algo confusa mas a verdade é que esta é uma daquelas obras fascinantes e compreendo perfeitamente ter sido tão falada e conceituada nos festivais por onde passou.
Ainda estou a tentar perceber o que vi, mas não se pode negar que o filme é absolutamente hipnótico.
É completamente secante, mas ao mesmo tempo não é. É lento, muito lento, mas está sempre a acontecer algo no ecran, mesmo quando na verdade não se passa absolutamente nada na história. Aliás…qual história ?

Até eu que gosto bastante de cinema de autor, daqueles que nem parecem ter história nem nada, fiquei agora sem saber o que dizer deste [“Himalaya, Where the Wind Dwells“].
É que comparado com a narrativa deste filme, até um argumento do Hong-Kar-Way tem uma estrutura mais complexa que o Senhor dos Anéis !
Aliás, ao contrário do que se passa nos argumentos “sem história” do Kar-Way, aqui , “o vazio” não serve para nada, não ilustra estados de espirito, não nos dá indicações de sentimentos e não cria qualquer ligação emocional entre os personagens. Muito menos com o espectador.

O personagem do filme só tem dois estados de espirito, ou está deprimido ou está desmaiado. Nenhuma das suas interacções cria qualquer empatia com as pessoas que o rodeiam e até mesmo quando parece que haveria alguma relação mais romântica com a jovem viuva(?) a coisa fica numa atmosfera completamente ambigua. As cenas com o puto enervante não servem para nada além de nos mostrar que o sotaque oriental não é o melhor para tentarem falar inglés uns com os outros e a narrativa não tem qualquer objectivo nem cria qualquer relação com o espectador.
O filme essencialmente é apenas sobre um tipo que foi ali a um sitio nas montanhas e depois foi-se embora.
Não evoluiu espiritualmente, não teve nenhuma epifania, nem sequer se envolveu com a viuva e passou o filme todo com ar chateado apesar de ter viajado pelo melhor conjunto de paisagens de montanha que vocês verão em muito tempo.

Supostamente segundo algumas entrevistas com o realizador, [“Himalaya, Where the Wind Dwells“] pretende ser uma crítica ás condições em que os trabalhadores emigrantes trabalham nas fábricas da Coreia do Sul…mas que raio…não se nota de todo. Se calhar alguém lhe deveria ter dito que seria bom ter mostrado pelo menos uma fábrica na história…ou então o gajo quis foi uma viagem ao Nepal e isto de ser realizador de filmes inteligentes dá jeito para se inventar desculpas para ganhar bilhetes de avião grátis.
Aliás, o que torna este [“Himalaya, Where the Wind Dwells“] numa obra memorável não são as suas supostas intenções de crítica social (?), mas sim as paisagens onde a obra foi filmada.
Todo o filme está polvilhado de ambientes cénicos absolutamente lindissimos e quem gosta de paisagens de alta montanha com sabor Tibetano não pode de maneira nenhuma perder este filme.
Quase que mete pena, alguém se ter dado ao trabalho de ir para um local destes filmar estas paisagens para depois as usar numa história tão estéril e descaracterizada que é a verdadeira antítese do sitio onde esta decorre.
As montanhas remetem-nos a todo o momento para algo grandioso e até completamente espiritual e no entanto o personagem principal passeia-se por aqueles locais como se estivesse a caminhar pelo corredor de um departamento de finanças na hora de declarar os impostos.
Isto tem mesmo de ser um filme muito inteligente pois não o compreendo de todo.

A realização é enervante.Entra por aquele estilo de plano único e continuado que a principio tem classe mas depois já mete nojo de tão genial que aparenta ser. Não estou a pedir uma montagem á Michael Bay mas que raio, alguém deveria ter dito a este realizador que fazer um filme inteiro numa sequência da practicamente planos únicos gerais tornava a coisa um bocado repetitiva.
Somos brindados com uma colecção fabulosa de postais turísticos ilustrados sobre as belezas naturais do Nepal, mas passada meia hora de tanta beleza visual estática damos por nós a pedir que a história tivessa alguma base emocional que desse vida e uma qualidade humana a tanta beleza geográfica.
Quando parece que o filme até ia começar a ganhar alguma paixão e alguma humanização, o heroi caminha para fora do enquadramento e o filme acaba.
Tal como acaba agora esta review.

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CLASSIFICAÇÃO:
Apesar de tudo não consigo deixar de gostar deste filme.
É um daqueles que tem tudo mas ao mesmo tempo não tem nada.
E se calhar até terá alguma coisa…
Neste momento já não sei. Só sei que eu gostei. Há aqui qualquer coisa de original e verdadeiramente único que nos agarra, embora fiquem desde já avisados que este não será o melhor filme para verem se estiverem com sono.
Essencialmente este é um daqueles filmes aparentemente tão vazios, que o seu vazio se torna na sua melhor qualidade.
Deve ser Arte.
Trés tigelas de noodles porque é realmente um bom filme, embora algo pretencioso, o que lhe retira alguns pontos. Mas recomendo vivamente se gostam de cinema de autor e quiserem ver um produto único e bem diferente do habitual.

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A favor: tem o actor de “Old Boy” no principal papel e este tipo é excelente até quando passa o filme todo com a mesma cara, as paisagens naturais são absolutamente lindissimas e quando aparecem no ecran abrem o filme por completo a uma escala que contrasta totalmente com o intimismo (ou a falta dele) da suposta história, é um produto diferente e apesar de tudo com alguma identidade.
Contra: não se passa nada neste filme, não há qualquer identificação emocional com os personagens ou qualquer empatia com o espectador, a realização em estilo de plano único acaba por cansar.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=V1LIjn8wlUY

Encontrei-o para download neste website, caso queiram espreitá-lo mas ainda não o encontrei á venda. Digam-me qualquer coisa se souberem onde se vende isto em dvd pois estou a pensar comprá-lo no futuro.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1179079/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:
(Não me lembro de nada semelhante a isto, mesmo dentro do cinema de autor)

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Xin jing cha gu shi (New Police Story) Benny Chan (2004) China


Eu não conheço as anteriores entregas desta muito popular série de acção made-in-hong-kong, mas pelo que tenho visto pela net, este quinto episódio divide opiniões.

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Normalmente entre aqueles puristas de Jackie Chan que preferem vê-lo permanentemente a fazer acrobacias e palhaçadas e o outro público que o admira por tentar fugir ao registo que o tornou popular e arriscar enveredar por apostas de conteúdo mais dramático como acontece em [“New Police Story“], técnicamente o quinto episódio da série de filmes conhecida como “Police Story” e dizem, o filme mais diferente de todos eles.

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Pela minha parte devo dizer que adorei este filme. Não sou de modo nenhum fã dos filmes de Jackie Chan (talvez pela imagem de palhaço das produções made-in-hollywood) e como tal tive este dvd na prateleira durante mais de um ano a acumular pó.
Comprei-o por menos de dois euros numa daquelas promoções do jornal Correio da Manhã muitos meses atrás mas na verdade nunca tinha tido muito interesse em vê-lo.

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Primeiro, porque era outro filme de Jackie-Chan e depois porque ainda por cima parecia-me outro policial e temia que fosse mais um filme a tentar imitar as produções americanas sem grande interesse ou imaginação.
Como é costume no meu historial a evitar produtos, enganei-me redondamente.
Este filme chinês é um espectáculo.

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Ok, é um daqueles produtos completamente “braindead” com acção a duzentos há hora, exageros físicos, lógica de argumento duvidosa e porrada de criar bicho com cenas de destruição absolutamente caóticas a fazer corar de vergonha qualquer filme americano chungoso, mas a verdade é que tudo resulta e por isso [“New Police Story“] quanto a mim é um daqueles produtos ultra-comerciais que consegue contornar a sua falta de originalidade com uma estrutura absolutamente fascinante que nos agarra do principio ao fim.

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E isto porque consegue estar sempre a surpreender o espectador, pois se não souberem nada sobre o filme, podem ter a certeza que nunca sabem bem o que vai acontecer a seguir. E isto não é coisa comum neste género de cinema, o que lhe confere logo alguns pontos extra.
[“New Police Story“] é bastante criticado por ter abandonado o registo de comédia dos titulos anteriores e ter entrado por um registo bem mais dramático e excessivamente violento na opinião de alguns.
Mas para mim está logo aí a sua mais valia.

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O filme parece uma mistura de géneros. Começa como filme de acção ultra violento, entra por um registo dramático invulgar em personagens de Jackie-Chan, passa por um estilo de filme Radical versão “X-Games”, toca ligeiramente a comédia com um par de momentos hilariantes e de humor inteligente e termina como filme de acção puro e duro num formato mais comercial em tom de aventura com algum suspense e um final criativo no que toca á resolução do destino dos vilões.

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Se vocês gostaram de “Point Break” com Patrick Swayze e Keanu Reeves então este filme é para vocês.
No que toca ao estilo de acção mais “radical”, [“New Police Story“] contém sequências de acção absolutamente fantásticas, imaginativas e entusiasmantes a fazer lembrar o excelente filme de Kathryn Bigelow do inicio dos anos 90.
Pelo meio ainda temos direito a uma cena com um autocarro que faz o filme “Speed” parecer um filme da Disney no que toca a destruição de propriedade alheia.

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Na verdade, [“New Police Story“] vai copiar elementos de todo o lado, tanto do cinema asiático como do cinema americano, mas tudo resulta plenamente.
As transições entre os vários estilos de filme estão perfeitamente integradas na narrativa, os vilões apesar de algo estereotipados têm alguma profundidade que os tornam cativantes e o argumento joga muito bem com a imprevisibilidade do que mostra ao espectador e consegue manter-nos agarrados á cadeira até ao último minuto.

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Como nota menos positiva, se calhar o filme tem minutos a mais. Ou então isto parece-me ser assim porque [“New Police Story“] contém tantos momentos de acção espectaculares e emocionantes que a partir de certa altura tanta acção corre o risco de parecer mais repetitiva do que se calhar na verdade é.
Por mim talvez tivesse cortado a segunda sequência de Kung-Fu na sala dos Legos, até porque é a única vez que o argumento repete um estilo de acção que já tinha mostrado e como tal senti que era desnecessária.

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Mas não deixem que isto os desencorage de verem este excelente filme de acção, pois além de grandes momentos de porrada pura, ainda nos brinda com um par de gags humoristicos inesperados genialmente hilariantes.
Além disso, também tem um ambiente fofinho quanto baste a fazer lembrar um Anime, isto no que toca á caracterização dos personagens femininos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Divertiu-me tanto que estive tentado a atribuir-lhe a classificação máxima incluindo um Golden Award, mas se calhar só não o faço porque teria todos aqueles cinéfilos mais hardcore á perna a dizerem-me que seria impensável atribuir uma nota tão boa a um puro produto comercial que na verdade não tem nada de cinema com “C” grande e não passa de um banal filme de porrada no mais puro estilo Hong-Kong.
A verdade é que na minha opinião pode não ser grande cinema, mas aquilo que faz, fá-lo extraordináriamente bem e tomara muito filme chunga americano neste estilo ser tão intenso e divertido quanto [“New Police Story“] consegue ser. E isto ao ponto de me ter colocado a mim, que nem sou fã de Jackie Chan completamente hipnotizado e entusiasmado do principio ao fim.
Sendo assim…cinco tigelas de noodles porque surpreendentemente merece-as plenamente. E se gostarem muito de filmes de acção podem acrescentar-lhe um Golden Award vocês mesmo por vossa conta.
Ignorem a recepção morna ao filme pela net, [“New Police Story“] é realmente muito melhor do que parece e até quem não gosta de filmes- Jackie Chan poderá sair muito surpreendido.
A mim surpreendeu-me. E o mais importante, divertiu-me imenso.

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A favor: a violência “gratuita” com muito sangue logo nos primeiros trinta minutos de filme que não nos deixa respirar, Jackie Chan num registo muito dramático que nos surpreende pela positiva, as sequências de decadência do seu personagem, todas as cenas de acção são excelentes e cheias de momentos inesperados, mantêm sempre o espectador sem saber o que vai ver a seguir, os vilões têm carisma apesar de algo estereotipados, os momentos de humor são hilariantes pelo inesperado da situação onde foram colocados, óptimas cenas de destruição urbana em larga escala, tem patinhos de borracha, miudas fofinhas estilo Anime, a história tenta apresentar-nos algo mais complexo do que precisava de ter sido e no entanto apesar da mistura de referências a coisa resulta, quem gostou de “Point Break” tem aqui um produto semelhante que resulta na perfeição, a realização é segura embora não deslumbre mas gere bem as cenas de acção, o dvd tem um som 5.1 excelente.
Contra: talvez seja um bocadinho longo demais embora não seja por aí além e não o prejudique propriamente, apesar de tudo é um filme de Jackie-Chan e ainda contém um par de tiques inevitáveis que poderão irritar quem não tem muita paciência para aquele tipo de filmes, já vimos este tipo de história mil vezes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=2PXLgC0g0ZM

policestory5_02

Comprar
Bem eu comprei o meu numa promoção de jornal podem comprá-lo aqui se já não o virem em lado nenhum
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-6w-49-en-15-new+police+story-70-cj6.html

Download

http://asianspace.blogspot.com/2009/05/new-police-story-aka-hora-do-acerto.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0386005/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

soclose_capinha 2009 Lost Memories

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