Ultimamente ando em maré de filmes com Tsunamis.
Já algum tempo que estava longe de cinema catástrofe mas no último semana fui ver o “2012” made-in-hollywood e fiquei com imensa vontade de procurar algo semelhante no estilo oriental pois desde o muito divertido “The Sinking of Japan” que não me tinha aparecido nada do género pela frente.
Para meu contentamento encontrei [“Haeundae – Tidal Wave“] e satisfez plenamente todas as minhas expectativas.
Não é um daqueles filmes orientais fabulosos e claro que não se compara em escala com um “2012” mas dentro das possibilidades do cinema Sul Coreano, quanto a mim [“Haeundae – Tidal Wave“] é um óptimo pequeno filme catástrofe que apesar das suas limitações técnicas contém no entanto excelentes momentos de destruição apocalíptica e consegue ainda apresentar-nos um par de personagens interessantes com que nos preocupamos mesmo mesmo sendo tão esquemáticos.
Além disso, na minha opinião tem uma coisa muito boa que já aparecia também em “The Sinking of Japan”.
Ao contrário do que costuma acontecer nos filmes americanos do género também aqui em [“Haeundae – Tidal Wave“] nunca temos bem a certeza de quem irá morrer ou quem irá salvar-se.
O filme consegue criar uma constante incerteza no espectador até ao final pois mantém aquela característica dos filmes orientais em que um final feliz não tem necessáriamente significar que o heroi se salve e fique com a miúda.
Na verdade, não se pode dizer que exista um heroi ou um personagem principal nesta história e isso contribui bastante para a incerteza sobre o destino dos personagens o que só dá mais pontos a este filme.
No entanto é um produto estranho.
Sendo isto um filme catástrofe contém tantos momentos retirados de tantos outros géneros que o espectador até se esquece que tipo de filme está a ver. Passado uma hora eu já me perguntava onde raio estava o filme que aparecia no cartaz oficial, pois [“Haeundae – Tidal Wave“] leva tanto tempo a desenvolver personagens que uma pessoa se questiona se alguma vez irá aparecer uma onda gigante no ecran.
Tem momentos que nos fazem lembrar “The Host”, principalmente porque é uma história que se foca mais nas pessoas do que propriamente na catástrofe eminente, embora não consiga um resultado tão bom nesse aspecto.
Isto porque [“Haeundae – Tidal Wave“] parece um plágio de uma quantidade de situações já vistas noutros filmes. O nucleo familar parece decalcado de “The Host” e nem falta uma Sassy Girl que mantém uma relação com um jovem da guarda-costeira que parece clonada dos melhores e mais divertidos momentos de “My Sassy Girl“.
Acreditem-me, no que toca a personagens, vocês já viram tudo isto noutros filmes e com resultados bem melhores, mas por outro lado, a coisa até funciona bem e não é por isso que este filme catástrofe se torna num mau filme.
Tem personagens que nunca mais acabam, pequenos dramas familiares de pacotilha mas não só e um par de histórias de amor fofinhas ao melhor estilo Sul Coreano.
Agora se calhar não valia a pena levar tanto tempo a contar as histórias dessas pessoas pois na verdade o que o pessoal quer ver mesmo nisto é a onda gigante a destruir coisas e no entanto os minutos arrastam-se em intermináveis cenas de desenvolvimento de personagens e a tragédia parece nunca mais começar para desespero do espectador.
Se virem o trailer vocês irão ficar confusos pois dá a ideia que [“Haeundae – Tidal Wave“] deve ser uma daquelas comédias desmioladas ao melhor estilo Sul Coreano, mas na realidade a coisa é bem mais complexa do que isso. O filme tem um par de momentos muito engraçados e cartoonescos, mas apesar de tudo equilibra muito bem o drama com a comédia e as cenas de aventura.
Uma das suas mais valias é a forma como quando finalmente aparecem os momentos de destruição o filme consegue alternar entre os vários géneros numa questão de segundos sem nunca perder a identidade ou perder o estilo de filme catástrofe. Neste aspecto, posso até dizer que foi o filme deste estilo que melhor vi cruzar momentos completamente diferentes sem nunca perder o ritmo.
Tem tensão suficiente para nos manter agarrados ao destino dos personagens mas ao mesmo tempo contém um par de sequências hilariantes ao mesmo tempo que nos mantêm em suspanse. Destaque para a genial, tensa e hilariante mini-sequência dos contentores que caiem do céu.
E falando de efeitos especiais, quanto a mim [“Haeundae – Tidal Wave“] está completamente de parabéns. Nem todos são particularmente convicentes. Muita coisa cheira a CGI por todo o lado, mas consegue ter um par de sequências particularmente espectaculares e que não perdem nada em comparação com o que de melhor se viu por exemplo em “2012”.
As cenas de caos quando as ondas gigantes destroiem a cidade são realmente entusiasmantes, (especialmente se as poderem ver num projector com um ecran de trés metros de largura como eu tenho a sorte de o poder fazer).
Aliás, as coisas demoram a acontecer, mas quando a tragédia chega não há duvida que cumpre as expectativas, tanto em espectacularidade como em cenas de tensão. Ainda por cima consegue manter uma excelente variedade nas sequências de destruição e cada personagem tem o seu momento para brilhar…vivo, ou morto…
Excelentes momentos apocalípticos, muito prédio destruido, muito morto a flutuar e muita água por todo o lado com drama, aventura e comédia muito bem misturados.
O único problema do climax do filme é durar tão pouco tempo quando até aí levamos mais de uma hora a ver um outro género de filme á espera desses momentos.
Também se nota alguns figurantes a rir nas cenas em que a multidão supostamente foge em pânico pelas ruas com uma onda gigante atrás da multidão, mas provavelmente vocês nem reparam e isto sou eu a querer implicar com alguma coisa.
Não será tão bom quanto “The Sinking of Japan“, mas felizmente não é tão mau quanto o Tailândes “2022 Tsunami“. Tudo o que não funciona no hilariante filme made-in-Tailândia está muito bem em [“Haeundae – Tidal Wave“].
É um filme muito divertido apesar de lhe faltar algo que o eleve a um patamar superior.
Não será uma obra prima do género mas é um daqueles que vale mesmo a pena ser visto, especialmente se gostarem de filmes catástrofe.
Já agora, quanto a mim a coisa mais assustadora deste filme são as imagens reais iniciais com as multidões na praia.
Isto para mim que odeio praias comerciais seria o pesadelo e estaria a pedir para que o Tsunami chegasse depressa se tivesse que passar uma tarde num local assim “a fazer praia”…se conseguisse encontrar a areia…
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CLASSIFICAÇÃO:
Um divertido filme catástrofe que percorre vários géneros tentando clonar o melhor de muitos filmes conhecidos mas que não perde por isso.
Não há muito mais para dizer.
Vale a pena pois é mesmo muito bom, embora lhe falte qualquer coisa.
Trés tigelas e meia de noodles na boa.

A favor: as histórias parecem decalcadas de outros filmes mas resultam e fazem-nos criar empatia com as pessoas, tem um bom equílibrio entre a comédia e o drama, a realização é competente e sabe criar excelentes transições entre os vários géneros em segundos sem nunca tornar o estilo do filme ambiguo, os efeitos especiais são em regra muito bons mesmo, tem um par de cenas realmente espectaculares, todos os personagens têm o seu momento o que evita a previsibilidade no seu destino na maioria das vezes, há muita destruição aquática e muita variedade nas sequências de destruição, as cenas dos contentores na ponte são muito engraçadas ao mesmo tempo que nos agarram ao ecran.
Contra: leva demasiado tempo até acontecer alguma coisa daquela que esperamos encontrar num filme catástrofe, as cenas de destruição não duram muito tempo, algum drama de pacotilha que já vimos mil vezes.
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NOTAS ADICIONAIS
Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=USzuHYrVLkg
COMPRAR
Já se encontra á venda na Amazon Uk a bom preço.
Tidal Wave [DVD] [2009]
IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1153040/
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