Ame no machi (The Vanished) Makoto Tanaka (2006) Japão


Ao contrário do habitual, esta vai ser uma review pequena porque não existem practicamente fotografias nenhumas do filme na net para ilustrar profusamente este post como costumo fazer, mas também porque na verdade não há muito para dizer sobre este filminho de terror simpático além de uma coisa muito simples… METE CRIANCINHAS ARREPIANTES !

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Mete criancinhas arrepiantes e chega !
Portanto se gostam de filmes de terror orientais ou não com petizes inocentes assustadores e atmosferas infantis perturbantes então este filme é para vocês.
Não é um grande filme, não tem nada que o destaque ou sequer o eleve acima da mediania do que é habitual no cinema de terror japonês, nem sequer prega grandes sustos. No entanto tem uma atmosfera perturbante a fazer recordar um bocado o mesmo tipo de tensão que encontramos em clássicos como “Invasion of the Body Snatchers” e só por isso vale a pena ser visto por quem não dispensa um filme de terror com ambiente ou gosta de filmes orientais do género.
Já lhes disse que [“The Vanished“] mete criancinhas arrepiantes ?

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Essencialmente o filme narra os acontecimentos passados numa aldeia do interior do japão onde um dia 30 anos atrás um grupo enorme de crianças desapareceu misteriosamente para nunca mais ser vista.
Como esperam, eis que 30 anos depois as mesmas crianças regressam sem sequer terem envelhecido um ano e o mistério sobre o que lhes aconteceu adensa-se, o que leva um jornalista a tentar investigar o assunto.
Como não há muito mais para contar sem correr o risco de estragar o filme, fico-me por aqui.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não é um filme oriental brilhante, não tem nada que o distinga ou se sequer o eleve a algo mais do que uma boa história de terror mas é um produto muito interessante que vai agradar bastante a quem procura um pequeno filme que cumpre perfeitamente o seu propósito de inquietar o espectador enquanto dura.
Não ficará para a história, mas é uma boa adição para qualquer colecção de cinema de terror oriental que se preze, especialmente se tal como eu, se arrepiarem com criancinhas de intentos sobrenaturais.
Duas tigelas e meia de noodles pois é bastante interessante e chega a assustar mais do que seria previsto tendo em conta que é apenas uma pequena produção asiática sem nada que a destaque muito.

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A favor: tem criancinhas arrepiantes, tem uma atmosfera perturbante, consegue um par de momentos assustadores muito bons, tem uma excelente atmosfera de medo que passa bem para o espectador que se arrisque a ver este filme sózinho noite dentro (não vale ver isto com os amigos), a realização é segura sem precisar de muito mais para convencer ou ilustrar bem esta pequena história de medo.
Contra: não foge dos habituais clichés do cinema japonês que já vimos mil vezes, não tem grande imaginação no desenvolvimento da história, não contém nenhuma surpresa particularmente surpreendente, é uma pequena produção e nota-se porque se tivesse tido uma escala maior com mais actores poderia ter sido bem mais arrepiante e assim limita-se a usar bem os poucos meios que tem para nos provocar medo.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer:
(não se encontra em lado nenhum)

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Comprar
Ainda estou a pensar se o irei comprar, mas se o fizer certamente irei comprá-lo aqui:
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-49-en-15-the+vanished-70-2ngh.html

Entretanto se o quiserem ver podem ir buscá-lo aqui ao Asian Space que já conta com uma boa colecção de filmes de que tenho falado no meu blog.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0496223/

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A Tale of Two Sisters Dark Water hanselgretel100x73 kairo73x100

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Taegukgi hwinalrimyeo (The Brotherhood of War/Irmãos de Guerra) Je-gyu Kang (2004) Coreia do Sul


Lamento o atraso na colocação de novas reviews, mas tenho andado muito ocupado a publicitar o meu trabalho de banda-desenhada (podem descarregar os PDFs GRÁTIS no meu website) e por isso apesar de ter visto inúmero cinema oriental nas ultimas semanas tem sido complicado arranjar tempo para escrever. Mas vamos a isto…

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Como eu tenho a mania de que não gosto particularmente de filmes de guerra, mantive este dvd na prateleira (literalmente) desde o último Natal pois apesar de o ter comprado na amazon.uk junto com mais um par de filmes orientais em promoção nunca tive muita vontade de o ver.
Agora que já o vi trés vezes em menos de cinco semanas, se calhar gostei mesmo muito mais disto do que alguma vez pensei que iria admitir.

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Antes de mais, se calhar é melhor dizer logo que este filme tem uma boa edição em dvd portuguesa e de certeza que ainda o encontram á venda nos cestos de promoções dos hipermercados e wortens, pois há alguns meses pelo menos aqui pelo Algarve eram aos quilos a menos de €5 na altura. E eu burro, nem assim comprei o filme, pois como já disse, parece que tenho a mania de que não gosto de filmes de guerra e não me apeteceu comprar o dvd.
Não sejam burros como eu e se encontrarem a edição portuga disto á venda sugiro que se joguem a ela pois ao contrário da edição inglesa que eu tenho, a portuguesa até trás extras e tudo. O que é de estranhar pois normalmente as edições portuguesas de cinema oriental são do piorio.

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Rezam as crónicas que este filme foi criado pela mesma equipa técnica que produziu o impressionante “Assembly” e deixem-me dizer-vos que se nota !
Aliás, eu que fiquei absolutamente surpreendido com a escala épica das cenas de guerra desse filme posterior, devo dizer que se calhar ainda prefiro as sequências de batalha neste [“The Brotherhood of War“] pois têm uma atmosfera diferente, bem mais dramática, sangrenta e estão cheias de momentos politicamente incorrectos que  não são habituais num filme de guerra made-in-hollywood.

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Enquanto em “Assembly” a guerra era representada de uma forma épica com centenas de soldados aos tiros em [“The Brotherhood of War“] a violência é mostrada quase isoladamente num estilo caso a caso, criando um suspanse e uma angústia permanente no espectador pela quantidade de sequências com muito sangue, lutas corpo a corpo, tripas e baionetas quanto baste. Neste aspecto, o filme cumpre totalmente enquanto cinema de guerra e vão poder ver nele muita coisa que nunca viram mostrada desta forma.

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Isto não quer dizer que não tenha também os seus momentos épicos com imagens fabulosas. [“The Brotherhood of War“] está cheio de sequências com milhares de soldados em cenas de guerra grandiosas que irão agradar até ao mais devoto fã do Soldado Ryan.
Todo o filme tem um sentido épico único, até mesmo nas cenas em que não existe guerra no ecrã, isto porque cheira a super-produção por todo o lado e em cada frame que vemos temos sempre uma orquestração de personagens e ambientes em grande escala que não desapontará quem gosta de histórias maiores do que a vida.

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Mas a grande mais valia de [“The Brotherhood of War“], está no facto de apesar de ser um filme oriental visualmente esplendoroso, nunca se esquece dos seus personagens.
Como sabem, quanto a mim um dos grandes trunfos do cinema oriental face ás modernas produções americanas está no facto dos orientais conseguirem sempre dotar de humanidade até o mais simples personagem e também aqui não é excepção, pois as sequências podem ser espectaculares mas muito dessa espectacularidade vem do facto de haver um grande suspanse perante o destino dos personagens, isto porque o espectador fica realmente a gostar daquelas pessoas.

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Outro grande ponto positivo é que em [“The Brotherhood of War“], não existem maus nem bons.
Aliás, duvido que este filme alguma vez pudesse ter sido produzido na América onde as audiências-teste ditam os resultados do que se vê no ecran.
Se [“The Brotherhood of War“] tivesse sido alvo de um desses testes, aposto convosco que mais de metade das audiências americanas a meio do filme já nem haveriam de perceber quem era o heroi.
E pior ainda, haveria de haver pessoas que ficariam muito baralhadas pois nesta história nada é o que parece e muitos dos twists de argumento em [“The Brotherhood of War“] seriam suficientes para fazer com que muita gente não gostasse do filme porque os herois “são maus”. Resumindo nesta história não há herois de guerra á americana e logo irão perceber o que quero dizer quando acompanharem esta história fabulosa.

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Estamos perante um grande filme de guerra, com guerra, mas também sobre a guerra e sobre o que esta pode fazer a pessoas simples quando são confrontadas com uma realidade da qual não podem escapar.
Custa-me estar aqui a escrever sem lhes revelar logo grande parte da história, por isso se calhar é melhor estar calado e não dizer muito mais. Apenas lhes posso garantir que [“The Brotherhood of War“] é tudo menos uma narrativa com uma estrutura previsível e é esse o seu grande trunfo.
Até mesmo quando parece que vai tomar o partido da Coreia do Sul e vilanizar a Coreia do Norte, o argumento volta a surpreender com um par de twists que os vão deixar agarrados á cadeira e a questionar tudo e mais alguma coisa a partir desse momento até ao final.

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Já agora uma nota muito positiva para a parte romântica da história.
Nunca paro de me surpreender como o cinema oriental consegue criar histórias de amor grandiosas recorrendo na sua maioria das vezes a pormenores minimalistas que quase nem se notam ou parecem ser particularmente importantes.
Em [“The Brotherhood of War“] a parte dedicada ao romance dos protagonistas nem deve ocupar ao todo dez minutos de ecran num filme que tem mais de duas horas e meia, no entanto se gostam habitualmente de cinema oriental romantico, sugiro que espreitem também este filme, mesmo até que nem gostem de cinema de guerra pois não se irão arrepender.
Há mais humanidade em 10 minutos de sequências emocionais envolvendo o pequeno romance dos personagens nesta história do que em muitas supostas histórias de amor saídas do mercado americano ultimamente e portanto posso garantir-vos que se procuram um bom filme de guerra com uma pitada (tão pequena que nem se nota) de romance quanto baste [“The Brotherhood of War“] é o vosso filme. Preparem os lenços de papel.

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Não posso deixar de falar também na fantástica banda-sonora deste filme asiático feito na coreia do sul. Na verdade não há muito para dizer, apenas que a música é perfeita para enquadrar todo o ambiente e faz um trabalho excelente na criação de emotividade em muitas sequências. Como tal se gostam de grandes partituras orquestrais épicas com um sabor melodioso intermédio vão adorar também a música que ilustra esta história.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma verdadeira surpresa e um dos melhores filmes com guerra que alguma vez vi. Provavelmente um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos dentro do cinema comercial. Como blockbuster poderá ser uma obra prima do cinema oriental pela sua qualidade de entretenimento que não fica nada atrás do que melhor se produz na América.
Joga perfeitamente com um sentido épico de espectáculo que nos diverte, horroriza e ao mesmo tempo nos emociona ao longo das suas duas horas e meia que passam num instante sem darmos por isso.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles filmes que merece ser revisto.

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A favor: é assim que se faz um filme de guerra, mais uma vez o humanismo da caracterização dos personagens, o excelente trabalho de todos os actores com destaque para os protagonistas inclusivamente o actor mais velho, as constantes reviravoltas da história, a total variedade das sequências de acção que nunca se repetem ao longo de todo o filme, os fabulosos efeitos especiais a todos os níveis, ultra-violento e cheio de sangue e balas quanto baste, completamente politicamente incorrecto nos dias que correm no que toca á caracterização de “maus” e “bons”, contém uma minuscula mas inesquécivel história de amor que culmina num dos pontos altos de maior suspanse em todo o filme e os fará roer as almofadas, a banda sonora é excelente, fotografia idem, tem um ritmo narrativo perfeito que nunca se perde num emaranhado de sequências de guerra e onde há sempre espaço para os personagens respirarem, há já algum tempo que não via um filme Sul Coreano com uma cena de despedida numa estação de comboios e já estava a sentir falta disto. Ninguém filma cenas de despedida com comboios como os Sul Coreanos !
Contra: não escapa aquele estilo épico comercial a que inclusivamente estamos habituados no cinema americano no entanto neste caso isto nem sequer é algo particularmente negativo…apenas não me lembro de mais nada verdadeiramente detestável para referir. O estilo “fofinho” habitual nas histórias de amor orientais pode enervar quem não pode com isso apesar desta até ser apenas uma breve sequência.

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TRAILER

http://www.youtube.com/watch?v=DCnyJZafn-w&feature=related


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Comprar
A edição de 1 disco que eu comprei foi esta. Aproveitem porque está a menos de 4 libras. 😉
Brotherhood [DVD] [2004]

Sem extras mas com uma qualidade fantástica a nível de som e imagem.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0386064/

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