Azumi (Azumi) Ryûhei Kitamura (2003) Japão


Andava para ver este filme há anos mas desde que comecei a ler as muitas reviews sobre ele espalhadas pela net que algo me dizia que [“Azumi“] não poderia ser a maravilha de culto oriental que prometia ser.
Na verdade, as fotografias que encontrava pela frente não pareciam condizer com o que costumava ler nas reviews e portanto sempre andei um bocado desconfiado com este filme asiático.
E ainda bem.

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Por diversas vezes estive para o comprar, pois o que não falta pela net são edições desta obra em dvd. Inclusivamente está editada em Portugal a preços apetecíveis que já por mais de uma vez quase que me convenceram a comprar não só o Azumi, como o Azumi 2.
Felizmente desta vez resisti á tentação, porque depois de ter comprado banalidades como  Bichunmoo – O Guerreiro, Shinobi ou Duelo Sem Fim, o meu sexto sentido indicava-me que se calhar seria melhor não comprar mais outra coisa que parecia semelhante.

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[“Azumi“] não é tão mau quanto isso, mas como constatei no último semana (convenci um amigo a comprar os dois por mim), também não é de forma nenhuma a maravilha que muitas reviews de cinema e dvd querem fazer crer que é. E muito menos vejo nisto qualquer motivo para ser alvo de um fenómeno de culto, pois tirando o facto de ter baldes de sangue e muita cena a tentar meter estilo forçado não há muito mais que me tenha divertido com isto. Ainda por cima o filme é grande como o caraças e na minha opinião não tem conteúdo para ter duas horas.

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Quanto mim, é um filme oriental extremamente mediano. Não é mau, não tem nada particularmente detestável mas também não tem muito que fique na memória.
Ainda por cima tem uma coisa que me irrita por demais em cinema, ou seja, parece um telefilme.
O facto de ser uma produção de baixo orçamento na minha opinião não é desculpa para uma montagem televisiva, uma fotografia sem nada que a destaque ou uma estória banal que mais parece ter uma estrutura de episódio para televisão do que pertencer a uma obra cinematográfica.

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Por momentos fez lembrar o estilo de realização da velhinha série televisiva Shogun, com a diferença que aquele clássico televisivo ao menos tinha personagens com interesse e uma intriga viciante. Coisa que não existe em [“Azumi“].
Não há razão nenhuma para este filme japonês ser tão mediano apenas com a desculpa do baixo orçamento.

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O conceito é muito bom, e o personagem da Azumi daria um grande filme oriental do género, mas apesar dessa premissa tudo é trocado por sequências de acção chatas, repetitivas e desinspiradas mergulhadas em baldes de sangue por tudo e por nada como se a emoglobina aos litros fosse suficiente para elevar esta obra menor ao estatuto de filme de culto.
Tenho realmente pena que seja um produto tão mediano.
Preferia que o filme fosse realmente mau porque seria mais fácil dar-lhe uma classificação baixa, porque assim como está como se costuma dizer aqui em Portugal, nem é carne nem é peixe e isso nota-se a todo o instante no ecran.

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Não percebo realmente como pode ter reviews tão favoráveis espalhadas pela net. As cenas de acção são repetitivas, chatas e televisivas com um nível de suspanse equivalente ao mais simples episódio de algo como a série Xena – A Princesa Guerreira. Ou seja suspanse zero.

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Ah, e antes que me esqueça…só tem uma coisa verdadeiramente detestável. A banda sonora.
Não por ser má, mas porque é completamente desadequada á própria atmosfera do filme.
Não há coisa que eu mais deteste ver do que um Wuxia em que as cenas de acção são acompanhadas por guitarradas estilo hard-rock a puxar para o heavy-metal numa sonoridade contemporanea, (e eu gosto de heavy-metal).
Este tipo de sonoridade aliada a uma montagem estilosa a puxar para o MTV retiram-me imediatamente do ambiente supostamente “medieval” da história e como tal este foi mais um dos factores que me fizeram ficar bastante decepcionado com este primeiro [“Azumi“].

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Os personangens também não ajudaram. Tirando a Azumi os restantes são uma casca algo vazia sem grandes motivações para existirem na história a não ser transportar o argumento até á próxima cena de porrada.
As histórias de amor são banais e sem chama, o mestre da Azumi é completamente incongruente e os vilões não transmitem qualquer sensação de drama ou ameaça.
O vilão principal então é daqueles gajos tão maus que perde por completo toda a coerência que ainda poderia dar algum suspanse ao final deste filme asiático e sendo assim há muito pouco para nos manter agarrados a esta obra tirando o sangue que aparece no ecran.

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É certo que [“Azumi“] é um filme pipoca e deve ser visto como tal, mas nem isso consegue apagar o facto de ser um filme que se arrasta continuadamente porque não tem muito para dar. As tentativas de humanizarem os personagens não resultam porque se nota imediatamente que é uma perda de tempo pois estes vão ser trucidados na cena a seguir e como tal se é esta a estrutura da história para quê tentarem tornar o filme uma coisa que nunca poderia ser ?…

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Infelizmente é mais uma daquelas obras Wuxia que saiem do Japão e que nunca se poderão comprar com a qualidade e imaginação do que habitualmente é produzido na China.
Talvez seja da pouca criatividade/variedade nas coreografias de luta quando comparadas com o que vemos habitualmente nos épicos chineses, talvez seja da continuada insistência em filmarem tudo numa estrutura televisiva, ou talvez porque é sempre notório o esforço para meter muito estilo Anime quando a preocupação deveria estar na imaginação mas na verdade na minha opinião este é outro exemplo daqueles Wuxias sem grande identidade que inundam o mercado dvd e como tal não posso recomendá-lo com grande entusiasmo.

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Se existe um filme perfeito para ser sacado da net em vez de ser comprado é este [“Azumi“]. É um produto que os fará passar um par de horas entretidos se não pedirem muito, não ofende a inteligência nem tem nada de verdadeiramente detestável, mas também não é uma obra indispensável mesmo que gostem mesmo muito de Wuxias (e eu adoro), por muito que muitas reviews espalhadas pela net afirmem o contrário.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais um daqueles filmes cheios de reviews muito positivas pela net mas que na minha opinião deixam muito a desejar.
Não é tão mau como Bichunmoo – O Guerreiro, Shinobi ou Duelo Sem Fim mas é mais um daqueles Wuxias que não ficam na memória. Na verdade não tem nada de particularmente mau e é um filme que se vê bem, apenas também não tem nada que o destaque por aí além e o seu estilo televisivo também não ajuda.
Sendo assim, duas tigelas de noodles e meia porque é um divertimento interessante mas não mais do que isso. Vê-se uma vez e esquece-se.

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A favor: os excessivos baldes de sangue que disfarçam toda a mediania de um produto sem grande entusiasmo, a personagem Azumi e respectiva actriz que a interpreta mereciam um filme melhor, algumas cenas de acção no final são divertidas pelo seu excesso, consta que é uma boa adaptação do Manga original…o que desde logo não abona muito a favor do mesmo…
Contra: visualmente não tem nada de extraordinário ou sequer de muito cinemático, parece uma série televisiva, a montagem a tentar meter estilo á força nas cenas de acção tornam o filme banal e idêntico a tantos outros produtos para adolescentes, a banda sonora com guitarradas estilo heavy-metal irrita e está completamente deslocada do ambiente do filme, as cenas de acção repetem-se na sua fórmula ao londo do filme todo, o vilão acaba de vez com todo o suspanse dramático e tensão que o filme ainda poderia ter tido pois é tão estereotipadao que mete impressão, o filme não tem muito mais além de cenas de porrada estilosas com muito sangue e quando tentar humanizar os personagens falha redondamente pois todos não passam apenas de carne para canhão sem mais qualquer utilidade dramática relevante para o argumento, é claramente um filme para adolescentes e os mais velhinhos não lhe deverão achar grande piada.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=rE6Gy73Mo4o

COMPRAR
Está á venda em Portugal por menos de 10€ e poderão encontrá-lo na Fnac por exemplo, juntamente com o segundo filme da série.
Podem comprá-lo também na Play-Asia como de costume numa edição também baratinha.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-77-8-49-en-15-azumi-70-1xkd.html

Ainda mais barata está também na Amazon Uk.
A menos de 4 libras e por isso é de aproveitarem comprar tanto o primeiro filme em DVD como o segundo em DVD também caso achem que vão gostar.
Também podem comprar os dois numa única edição o que dá para poupar mais uns cobres. 😉

Recomendo primeiramente que o saquem antes aqui porque podem gostar tão pouco dele quanto eu gostei.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0384819/

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Shinobi

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Kinpatsu no sougen (Across a Gold Prairie) Isshin Inudou (1999) Japão


Imaginem que um dia descobrem que tudo aquilo que consideram a vossa realidade não passou de uma ilusão.
Não, me enganei nas fotografias desta review e não vou falar do Matrix ou sequer de uma qualquer versão oriental do mesmo.

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A minha vontade agora seria transformar a review deste filme num extenso artigo detalhando a minha experiência com o tema de [“Across a Gold Prairie“] pois estamos na presença de uma história sobre Alzheimer e sobre este assunto eu podia escrever uma tese de doutoramento pelas razões mais negativas que possam imaginar pois o meu pai morreu com esta doença sem qualquer apoio social ou dos serviços de saúde deste país á-beira-mar-naufragado onde só se fala desta doença quando os telejornais precisam de arranjar um tema com choradeira para uma reportagem á pressão.
Sendo assim e voltando ao que interessa, estranhamente [“Across a Gold Prairie“] é um pequeno grande filme oriental sobre o tema e na sua simplicidade consegue apresentar-nos não só a história menos deprimente sobre Alzheimer que vocês encontrarão pela frente como ainda por cima nos surpreende com uma original história de amor.

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Esta obra não lhes ficará na memória como um grande objecto cinematográfico, não é por isso que funciona.
A realização apesar de muito eficaz não deixa de ser curiosa pois está filmado ( e ás vezes montado ) como se fosse um moderno documentário televisivo, embora nunca assuma por inteiro esse estilo porque ao mesmo tempo pretende contar uma história de um ponto de vista mais tradicional.

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E a história é um dos pontos altos deste [“Across a Gold Prairie“].
Como já disse tem por base a doença de Alzheimer, mas não se preocupem pois este não é um filme deprimente, clinico ou sequer intensamente dramático. Por causa do  estilo de realização, quando muito poderá talvez ser enquadrado dentro do cinema-de-autor mas não deixem este comentário afastar-vos desta história.

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Para quem não sabe, ou para quem tem a sorte de nunca ter tido que lidar com uma pessoa atingida por esta doença, uma das possíveis características do Alzheimer está no facto de poder eliminar por completo todas as memórias recentes de uma pessoa deixando intactas recordações com décadas e décadas de existência.
Tentem imaginar que vocês têm agora 80 anos, mas todas a vossa vida dos últimos sesenta anos foi apagada do vosso cérebro e portanto para vocês é como se essa vida nunca tivesse existido.

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Essencialmente [“Across a Gold Prairie“] é sobre um idoso com 80 anos que se julga ainda com 20 anos  e todo o filme é mostrado dessa perspectiva.
Antes que me esqueça, nota absolutamente fantástica para o jovem actor que representa o personagem principal. Quem procura supreender-se com uma interpretação absolutamente fascinante tem mesmo que ver este filme.

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Ainda o filme não começou há dez minutos e já nem nos lembramos que estamos a ver um jovem no ecran.
[“Across a Gold Prairie“] não recorre a qualquer efeito especial de maquilhagem, digital ou o que quiserem e no entanto percebemos imediatamente que estamos a ver um idoso no ecran apenas pelos maneirismos e tiques que o actor usa para interpretar uma pessoa de 80 anos.
Nunca vemos um actor idoso neste filme e no entanto é capaz de ser a melhor e mais realística história sobre a terceira idade que vi em muitos muitos anos.

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Quem conhece bem o problema da doença de Alzheimer e tem, ou teve um familiar próximo afectado pela doença tem mesmo que ver este filme.
Quem não consegue conceber como raio é que um velho de 80 anos se pode alguma vez julgar ainda uma criança e viver numa autentica realidade passada completamente alheia á realidade contemporanea de quem o rodeia, tem mesmo que ver este filme.
Quem alguma vez, olhando para um familiar algum dia se perguntou como seria a realidade vista pela mente de uma pessoa a quem décadas de memória  foram simplesmente desintegradas, tem mesmo que ver [“Across a Gold Prairie“].

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Volto a lembrar que se pensam que se vão deprimir muito com este filme asiático, estão redondamente enganados.
O facto do filme partir do ponto de vista da pessoa que sofre da doença, automáticamente faz com que este seja uma história com uma perspectiva muito ligeira e positiva.
O protagonista não está propriamente a sofrer e nem sequer faz ideia de que é vitíma de uma doença degenerativa, porque na sua mente ele está no início da sua vida.  Como tal tudo é positivo e para ele o futuro ainda está na sua frente apesar de não perceber bem porque é que se custa tanto a mexer e nunca tem a energia que deveria, afinal ele “só tem” vinte anos.

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E como tem vinte anos, está ainda por cima na idade certa para se apaixonar.
Coisa que inevitávelmente acontece quando uma rapariga de 18 anos é contratada por uma agência para tratar do velhote e este por se julgar ainda jovem imediatamente se apaixona por ela.
Esta personagem feminina é o outro lado desta história simples mas muito bem contada pois é a partir dela que vemos o nosso lado da questão.
Tudo aquilo que nos faz confusão quando vemos um doente de Alzheimer é nos apresentado através dos mesmos problemas e dúvidas que o personagem da rapariga enfrenta ao tentar cuidar do idoso e é através dela que seguimos os acontecimentos que irão unir estes dois personagens e levar o filme até ao seu inevitável desfecho.

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Inevitável mas nem por isso, telenoveleiro, triste, piroso ou sequer demasiado dramático.
[“Across a Gold Prairie“] é um exemplo de contenção no que toca a trabalhar um argumento deste tipo.
Nas mãos erradas isto teria sido motivo para inúmeras cenas de choradeira interminável, ou exagero no tratamento da perspectiva do idoso mas felizmente, se alguma vez virem um filme que realmente equilibra de forma perfeita e muito simples um tema complicado como este será agora esta pequena obra que vale mesmo a pena espreitarem.

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Talvez o único senão, seja o facto de em alguns momentos sentirmos que o realizador se esforça demasiado por evitar filmar um produto comercial e se calhar com isto acaba por perder um pouco daquela emoção que deveria ter deixado fluir, particularmente no segmento final da história.

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Por causa disso, [“Across a Gold Prairie“] não será propriamente um filme romântico, mas mete uma original e bem contada história de amor, não será um filme dramático no mais trágico dos sentidos mas contém inúmeros momentos muito bem apresentados e que lhe dão um toque realístico absolutamente tocante ( a cena em que o idoso liga para todos os seus amigos “com 20 anos” e descobre que eles já morreram há décadas é mágnifica na sua simplicidade e eficácia para nos dar nós na garganta).

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Também não é uma comédia, mas consegue tratar alguns pormenores da doença com algum sentido de humor o que ainda humaniza mais esta história e neste ponto também acerta em cheio, pois se existe uma doença que vive num eterno equílibrio entre o drama mais trágico e a comédia de situação mais engraçada é a doença de Alzheimer por todas as situações inacreditáveis que provoca.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possívelmente o melhor, mais humano e menos deprimente filme sobre a doença de Alzheimer que poderão alguma vez ver.
Nunca cai minimamente naquele tipo de drama muito comum no estilo americano (que normalmente ganha Óscares aos quilos) em que se explora até á migalha mais pequena todo o tipo de emoções óbvias que se podem extrair de uma história com um tema destes e normalmente dá origem a argumentos de telenovela do mais óbvio ou piroso.
Não neste filme, talvez até de uma forma demasiado radical.
A naturalidade com que todos os pormenores da doença são abordados e a forma quase subliminar com que tudo isto está filmado, coloca este filme de baixo orçamento num patamar muito acima de qualquer coisa que vocês já viram saída de Hollyood sobre este género de temas.

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Se já tiverem tido alguma experiência próxima com um doente de Alzheimer e gostariam de tentar compreender melhor o que se passará do outro lado desta doença sem apanharem uma depressão este filme é de visão obrigatória.
Quem nem faz ideia do que estou a falar também vai gostar pois acima de tudo é uma história muito bem contada que os fará ficar a pensar.
Trés tigelas e meia de noodles porque é realmente muito bom mesmo, e só não lhe dou mais apenas porque não é um daqueles filmes que visualmente nos fica na memória ou nos apeteça rever constantemente.
De qualquer forma na minha opinião é mais um daqueles imprescindíveis numa colecção de cinema oriental.
Não deixem que a aparente suave classificação que atribuo a [“Across a Gold Prairie“] os impeça de espreitar este pequeno grande filme cheio de personagens humanos e uma história absolutamente hipnótica que os fará questionar o que será a realidade muito mais do que se virem os trés Matrix juntos.

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A favor: o humanismo da história, a sua simplicidade é viciante e temos mesmo de ver o que vai acontecer a seguir, os pequenos pormenores que nos explicam por completo como será o ponto de vista de uma pessoa que sofre (sem saber) desta doença, a pequena história de amor por muito estranha que possa parecer a certa altura resulta plenamente, o jovem actor que faz de idoso tem um desempenho digno de Óscar sem se evidenciar a todo o momento, a actriz principal também é notável na sua simplicidade, apesar de ser um filme sobre uma doença tão desgastante e trágica como o Alzheimer o filme não é de modo nenhum uma obra triste ou deprimente, o argumento consegue colocar o espectador a pensar e discutir coisas que se calhar nunca lhe passaram pela cabeça, a estranha realização num estilo quase documentário televisivo funciona embora não fique na memória.
Contra: visualmente não tem nada de extraordinário ou sequer de muito cinemático, tem um certo sabor a cinema de autor que ainda não sei se o prejudica ou não e que poderá não agradar a toda a gente, os momentos finais se calhar pediam que se evitasse a conteção emotiva que percorre o filme, esta história merecia ter-nos tocado mais no fim pois todo o seu desenvolvimento do início até quase mesmo ao seu final é notávelmente boa mas ficamos com a sensação que o fim da história poderia ter ido mais longe, ás vezes parece que o realizador se esforçou demasiado por não fazer um filme muito comercial e não havia razão para isso pois o excelente argumento resistiria na boa a um bocadinho mais de emoção pelo menos no seu final.

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TRAILER
Pois eu gostava muito de lhes encontrar um, mas estranhamente não existe em lado nenhum a não ser no próprio dvd que comprei na Play-Asia.

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COMPRAR
Edição simples – foi esta que eu comprei.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-across+a+gold+prairie-70-hv4.html
Só contém o filme e é uma edição mediana em todos os sentidos, mas vale a pena.
Edição especial
http://www.dvdasian.com/_e/Japan/product/23416/Across_A_Gold_Prairie_aka_Kinpatsu_No_Sougen_Limited_Edition_Region_3_DVD_.htm

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0260123/

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Wakusei daisenso (War in Space – Guerra no Espaço) Jun Fukuda (1977) Japão


Rezam as crónicas que este filme asiático estreou nos cinemas em 1977 sete meses após StarWars ter surgido do nada e esgotado bilheteiras por todo o mundo.
O que não aconteceu própriamente com esta produção japonesa feita a todo o vapor.
A tanto vapor que até as naves ainda deitam fumo do escape quando voam pelo universo.
Parece que algures no Japão, alguém achou que seria possível criar de raiz em poucos meses algo que se pudesse bater comercialmente com o filme de George Lucas e o resultado foi este [“War in Space“] que inclusivamente teve honras de passar nos cinemas portugueses e tudo.

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[“War in Space“] é conhecido não só como o primeiro clone oficial de StarWars mas também como a space-opera que mais rapidamente foi produzida tentanto aproveitar o sucesso do género.
Se calhar ninguém melhor que os japoneses para conseguirem produzir um filme de efeitos especiais de forma quase instantânea e portanto este filme é um excelente exemplo do que um estúdio consegue fazer á pressa para tentar apanhar o barco de um sucesso contemporaneo e sacar também umas massas ao público que pede mais.

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Isto pode ser o primeiro clone de StarWars mas na verdade não se pode comparar pois apesar de ser também uma space-opera a nível de história não tem nem tenta ter nada a ver com a saga imaginada por George Lucas.
Felizmente que os produtores de [“War in Space“] sabiam que não tinham muito dinheiro e muito menos tinham tempo e portanto nem sequer tentaram recriar um universo muito fora da nossa realidade. Sendo assim este filme não se passa numa galáxia muito, muito distante, mas sim na nossa santa Terrinha que mais uma vez é invadida por uns extraterrestres maus.

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E não só são maus, como desta vez absolutamente rídiculos e hilariantes. Neste aspecto nota alta para o equivalente ao Chewbacca (?) que aparece em [“War in Space“] e quando vocês virem o gajo tipo boi com um machado de plástico enorme e uns cornos de envergadura a condizer vão perceber o que quero dizer.
Tudo é mau em [“War in Space“] e sendo assim tudo é bom e se calhar não poderia ser melhor porque na realidade seria dificil fazer pior. Nota alta portanto para tudo isto se é que me entendem.

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Na verdade este filme não é uma desgraça porque tudo nele é mau no que toca a argumento, interpretações ou efeitos especiais. [“War in Space“] fracassa apenas por causa de um pormenor.
Tinha tudo para ser um daqueles filmes genialmente maus totalmente recomendáveis mas comete um erro que na minha opinião lhe retira imediatamente muitos pontos valiosos. Leva bastante tempo até começar a aparecer no ecran aquilo que supostamente seria o seu propósito.

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Afinal, se este filme pretendia seguir as pisadas de StarWars, seria de esperar que não demorasse muito a nos mostrar cenas porreiras com muitas batalhas no espaço, tiroteios laser em corredores com os nossos herois encurralados, etc.
Acontece que o filminho não teve um orçamento por aí além e isso nota-se, pois o filme começa e até que se passe realmente alguma coisa divertida temos de esperar pelo menos uma meia hora.

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Até começar aquilo que o pessoal quer ver, (porrada espacial), o espectador leva com uma espécie de história de espionagem que envolve agentes secretos extraterrestres que se disfarçam de humanos, cenas de acção passadas em escritórios e cenários perfeitamente mundanos e corriqueiros e as inevitáveis tentativas de desenvolvimento de personagens que são um vazio absoluto pois nenhum dos personagens tem qualquer carísma ou interesse. Convenhamos, um tipo não foi ver [“War in Space“] para ver cenas com senhores de fato e gravata, diálogos políticos e escritórios banais.

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E por falar em personagens…o que raio se passava com o cinema estilo blockbuster japonês nos anos 70 ? Porque razão tinha sempre um elenco internacional que metia actores americanos absolutamente obscuros e cada um pior que o outro ? Tal como em “Bye-Bye Jupiter” também um dos pontos altos de [“War in Space“] é precisamente o facto desta história meter personagens americanos porque sim.

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Sendo assim o que dizer de tudo isto ? Este é um filme oriental muito estranho. Não se pode dizer que seja um filme de culto porque não é suficientemente divertido e leva algum tempo a desenvolver mas no entanto é um daqueles que vale mesmo a pena ser visto por quem se interessa pelo género space-opera.
Pelo menos a segunda metade do filme recomenda-se vivamente.
Mal os herois chegam a Venus e começa a porradaria espacial o filme ganha uma nova identidade e tudo aquilo que o pessoal adora odiar nestes filmes está presente.

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Vocês vão adorar as naves com fios, as batalhas espaciais com maquetes ridiculas e  as cenas de tiros em corredores. Além disso por qualquer motivo a heroína do filme quando é raptada alguém lhe vestiu uns calções curtinhos sabe-se lá porquê e portanto já estão a ver que [“War in Space“] é uma aventura espacial com classe.
E se vocês acham aque a coisa ainda não poderia ficar mais hilariante então é porque ainda nem viram o aspecto do vilão. Digo-lhes apenas que não será propriamente o Darth-Vader…

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Os cenários são típicamente japoneses, o guarda roupa é de ver para crer e os efeitos são tudo menos especiais.
Desenvolvimento de personagens não há. A não ser que conte a tocante (snif) cena em que o heroi gringo descobre que a família foi toda morta pelos bichos maus ou a parte em que o comandante da nave se resolve matar para salvar toda a gente.
Ooops, revelei o final da história…oh pá…

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CLASSIFICAÇÃO:

Podia ter sido um filme de culto, mas tem pequenos aspectos desinteressantes que o impedem de ser realmente o filme divertido que merecia ter sido.
No entanto, apesar da minha baixa classificação é um daqueles filmes que merece ser visto pelo menos uma vez por toda a gente que gosta de aventuras no espaço.
Infelizmente não estamos na presença de um filme genialmente mau e é pena pois tinha tudo para ser um daqueles guilty-pleasures que temos vontade de rever vezes sem conta. De qualquer forma vale a pena espreitarem. No entanto se são bons clones do StarWars que procuram sugiro antes que espreitem StarCrash e Starchaser, longe do cinema oriental.
Duas tigelas de noodles porque é um pequeno filminho interessante mas não mais do que isso e porque é mais aborrecido do que tinha o direito e o dever de ter sido pois estamos na presença de uma verdadeira oportunidade falhada para terem criado um filme de culto.

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A favor: as naves horrorosas penduras com fios são geniais, tem um submarino espacial que parece um revolver gigante mas não serve para grande coisa e portanto é mágnifico, as naves deitam fumo do escape no espaço, tem um alien que parece um boi gigante e miudas em calções curtinhos sem qualquer motivo para tal, o vilão é de ver para crer pois faz qualquer personagem dos Power Rangers parecer a sério, visualmente tem uma atmosfera gráfica estranhamente agradável e com uma boa fotografia a condizer, tem porrada espacial e tiros por tudo e por nada a partir da segunda metade do filme, os efeitos especiais são do piorio e portanto são mágnificos, quem em criança viu isto no cinema em Portugal quando passou por cá no final dos anos 70 óbviamente vai querer mesmo rever isto.
Contra: foi feito á pressa para aproveitar a moda do sucesso de StarWars e nota-se, de todas as space-operas japonesas do final dos anos 70 esta é a menos interessante porque lhe falta carísma, se não deixarem o cérebro á porta vão detestar este filme em absoluto, poderia ter sido muito divertido mas nunca consegue atingir aquela categoria do “tão-mau-que-se-torna-genial” devido a tentar levar-se demasiado a sério quando não teve orçamento para isso, leva demasiado tempo até se tornar divertido, os personagens não têm um pingo de interesse ou carísma, ainda não percebi se o design é do piorio ou genialmente criativo, é impressão minha ou neste filme todos os cenários foram construídos em salas quadradas ?

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=HzTh_Z-AsDE

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COMPRAR
Eu tenho esta edição e recomendo a compra deste DVD. Técnicamente é excelente com uma óptima qualidade de imagem e um par de extras muito informativos sobre o making of do filme que valem a pena ser consultados.

Podem procurá-lo na net mas eu nunca o encontrei para sacar.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0076902/

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Ji jie hao (Assembly) Xiaogang Feng (2007) China


O chamado Filme de Guerra não será propriamente o meu género favorito. Mas de vez em quando aparece-me pela frente uma daquelas obras que por momentos me fazem realmente duvidar se gostarei tão pouco assim de filmes de guerra ou não.
[“Assembly“] é um desses filmes.

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É um daqueles que está na minha lista de coisas que nunca me apetece muito rever, mas se o coloco no dvd já não consigo parar de olhar para ele até surgirem os créditos finais, por isso se calhar até devo gostar mais de filmes de guerra do que penso.

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Acho que ainda estou traumatizado com a decepção que apanhei no – Saving Private Ryan – que deve ser possivelmente um dos filmes que mais me aborreceram no cinema em muitos anos.
Na altura apesar de ter ficado impressionado com a sua violenta e entusiasmante abertura, detestei em absoluto todo o tom patriótico americano com a sua estrutura absolutamente previsível que acompanhava o resto do filme de Spielberg. Sendo assim mantive-me afastado de cinema do género durante anos e só regressei a ele há muito pouco tempo.

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Um dia apeteceu-me comprar a série – Band of Brothers – e para grande surpresa minha fiquei tão impressionado com aquilo que dei por mim procurando por coisas semelhantes que pudessem entusiasmar-me tanto aquela série televisiva o fez.
Não fazia ideia nenhuma que existia uma produção de guerra made-in-china como esta.
Já tinha visto e adorado – The Warlords – e por causa de ter ficado tão bem impressionado com o filme decidi espreitar se os chineses teriam filmado algo mais contemporaneo que eu desconhecesse.

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Encontrei então este [“Assembly“] num torrent e saquei-o só para espreitar, pois apesar de ter ficado impressionado com o trailer o estigma do Soldado Ryan estava ainda na minha mente e não me apetecia comprar outra coisa semelhante.
No entanto, depois de ver os primeiros vinte minutos da cópia sacada parei o filme e fui comprar o dvd na amazon Uk pois inclusivamente na altura estava a uns meros 3€ já com portes numa daquelas promoções especiais de Natal.

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[“Assembly“] na minha opinião limpa o chão com a sequência inicial do filme de Spielberg e consegue incluir um segmento dramático a condizer na sua metade final sem precisar de recorrer a esvoaçares de bandeira e a sentimentos de soap-opera pré-fabricados e formuláticos para americano bater continência.
No entanto, [“Assembly“] não deixa de ser um filme patriótico. Aliás, nota-se claramente que é um produto que tenta passar uma imagem humanizada do exército comunista chinês e certamente terá tido o apoio do partido na sua produção.
Acontece que consegue realmente passar uma imagem humanizada do soldado comum.
Um dos grandes trunfos deste filme é que consegue contornar o facto de eventualmente poder ter sido um filme de propaganda mas nunca nos atira isso á cara quando nos apresenta os personagens.

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Os soldados de [“Assembly“] apenas por acaso pertencem ao exército vermelho, pois poderiam pertencer a um exército de qualquer país. Toda a sua caracterização assenta sempre nas pessoas que vivem uma guerra e não na política que a envolve ou sequer na pose de herois orgulhosos de servirem a pátria ou qualquer bandeira esvoaçante num estrelado céu azul. A honra militar está sempre presente mas nunca nos é atirada á cara em linhas de diálogo ou sequer importa para a caracterização humanizada dos personagens.

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O último lugar em que o soldado comum de [“Assembly“] quer estar é na guerra em que se vê envolvido, está-se borrifando para a política que serve e apenas gostava de estar longe dali.
Toda a base do drama está na importância das pessoas e não na importância patriótica de uma missão ou sequer de uma ideologia ou maneira de se achar posicionado no mundo.
Os personagens não se acham salvadores de nada, não estão interessados em serem herois e apenas gostariam de sobreviver.

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Essencialmente este filme oriental dá-nos provavelmente uma das imagens mais reais do que será estar no meio de um campo de batalha e por esse prisma consegue efectivamente passar uma boa imagem do que será pertencer ao exército chinês sem precisar de o anunciar como um panfleto patriótico ao estilo do que é costume no cinema americano, o que não deixa de ser estranho pois realmente a parte final deste filme poderia ter descambado numa total apologia óbvia do regime chinês e de como tudo é bom no seu exército.
Portanto, ponto positivo, a maneira como contorna o mais que pode, a evidente “influência” do regime político a que este filme pertence e nos apresenta um filme sobre pessoas.

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[“Assembly“] pode ser um filme sobre pessoas, mas também é um filme sobre muitos bocadinhos de pessoas, pois o que não falta nisto são pessoas aos bocados. Há para todos os gostos, pessoas estripadas, pessoas a arder, pessoas decepadas, pessoas que explodem e cabeças que voam. Tudo isto regado a baldes de sangue e tripas com o aspecto mais real que alguma vez vi num filme sobre guerra.

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Se gostaram dos primeiros vinte minutos do Soldado Ryan pela sua crueza e violência preparem-se para levar com o mesmo elevado ao cubo mas agora durante mais de 70 minutos quase seguidos (com as devidas pausas dramáticas para descansar o espectador claro está).
[“Assembly“] impressiona.
Quem pensa que já viu tudo no que toca a sequências de batalha pode preparar-se para ficar impressionado. Este é um daqueles filmes que é de ver para crer e ainda não sei se os chineses não terão morto metade do elenco para filmar as cenas de guerra que esta obra contém.
Este é mais outros daqueles filmes perfeitos para vocês mostrarem áquele vosso amigo que ainda pensa que só se fazem cenas de acção e efeitos especiais a sério em Hollywood.

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Básicamente conta a história de um único soldado que sobreviveu a uma grande batalha e passou os seguintes anos da sua vida a tentar provar que todos os seus homens foram esquecidos pelo regime chinês. A batalha foi tão violenta que se perderam todas as provas de que um batalhão de homens alguma vez terá participado nela e como tal tudo gira á volta do que se passou para que depois um único homem tenha conseguido contra tudo e contra todos sózinho elevar todos os seus soldados perdidos á categoria de herois nacionais.

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Quem já pensa que revelei demais, se calhar é melhor ver então o filme, pois estranhamente este é mais um daqueles em que o espectador nunca tem bem a certeza de quem vai morrer e muito menos de quem serão “os herois”, porque essencialmente [“Assembly“] apesar de ter características de blockbuster felizmente não tem de forma nenhuma a estrutura que costumamos encontrar no cinema americano do género.

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Por causa disso pode provocar até alguma estranheza no espectador, porque depois de duas primeiras partes absolutamente espectaculares em termos de sequências de batalha, baldes de sangue e efeitos especiais, subitamente o filme entra por uma última parte bastante calma, intimísta e até algo poética.
Sendo assim aproveitem bem os primeiros 80 minutos de porrada absolutamente hipnótica e espectacular, mas preparem-se para uns últimos 40 ou cinquenta de cenas bem mais calmas e essencialmente dramáticas que concluem toda a demanda de um só homem para resgatar a reputação de dezenas de soldados perdidos.

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Já agora, nota alta para os actores e em especial para o protagonísta da história que tem um daqueles desempenhos que ficam na memória até muito mais do que os próprios efeitos especiais absolutamente impressionantes deste filme e portanto até aqui [“Assembly“] consegue muito bem equilibrar a pirotécnia com o humanismo em que assenta uma história que pode até exaltar os valores humanistas de pessoas que nasceram debaixo de um regime comunista mas que numa última análise conta a história de todos os soldados do mundo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente o filme de guerra com as cenas de batalha mais espectaculares que poderão ver na vossa vida até este momento. Quem acha que o – Saving Private Ryan – teve uns 20 minutos iniciais impressionantes, esperem só até verem os 70 “minutos iniciais” de [“Assembly“].
Nota alta para o som do dvd que quase nos faz baixar a cabeça e desviar-nos das balas a todo o instante.
Um filme visualmente muito complexo em termos técnicos mas que nunca esquece o humanismo dos personagens e consegue manobrar habilmente por entre ideologias políticas apresentando-nos um filme sobre o soldado universal e os efeitos da guerra sem nos atirar directamente com um filme-panfleto a exaltar virtudes do exército chinês. Não deixa de ser um inevitávelmente um filme panfletário que tenta humanizar o exército vermelho mas nunca nos tenta impingir nada e consegue ter um tom universal.
Recomendo completamente.
E se gostarem mesmo de filmes de guerra então podem acrescentar mais meia tigela de noodles á minha classificação e até um Golden Award pois [“Assembly“] é um dos melhores filmes de guerra do mercado, ponto final.
Se estão a pensar comprar um projector, este é um daqueles filmes que justifica tal compra e será o dvd perfeito para o estrearem, pois isto no meu ecranzinho de mais de trés metros é absolutamente brutal (com surround a condizer) !
A minha classificação é mais dirigida a todos aqueles que como eu se calhar ainda pensam que nem gostam muito de filmes de guerra…sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles, talvez até algo injustamente.

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A favor: o humanismo dos personagens suplanta sempre o eventual tom panfletário de apoio ao regime chinês, a realização é absolutamente incrivel nas cenas de acção e perfeitamente contida no segmento final mais intimista e dramático, as cenas de batalhas são absolutamente reais e até vão ter que limpar as cinzas de cima de vocês, os personagens e a incerteza sobre o seu destino, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a montagem nas cenas de guerra é perfeita, o sentido de espectáculo que nunca se perde, os fabulosos efeitos especiais, nunca perde a carga dramática e o seu final intimista embora algo desconcertante depois de vermos quase hora e meia de bombas e tiros é no entanto muito bom.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, algumas pessoas poderão achar a parte final algo lenta e deslocada especialmente depois de verem tanto tiro o bombas e socos nas trombas durante mais de 70% do filme, o inevitável estilo panfletário está presente embora plenamente contido.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=8KJKgAefkwA

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COMPRAR
Esta excelente edição Inglesa ainda continua a um preço fantástico na Amazon Uk. Comprem o DVD.

Se preferirem o Blu-Ray…está a um óptimo preço também e quanto a mim é de aproveitar.

E para quem quiser espreitar o filme antes, encontra-o no blog do Asian Space se clicar aqui mas não esperem levar aquele impacto que levariam se vissem isto com um som como deve de ser em dvd ou blu-ray…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0881200/

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Kansen (Infection – Infecção) Masayuki Ochiai (2004) Japão


Parece que estou a escrever reviews de cinema oriental aos pares mas o facto de ir agora recomendar outro filme de terror é apenas pura coincidência simplesmente porque me lembrei que ainda não tinha falado deste filme e [“Infecção“] é um daqueles filmes asiáticos que têm um lugar curioso na minha colecção.

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Não é propriamente um grande filme, não é definitivamente o melhor filme de terror do mundo nem sequer será o mais assustador, mas é uma pequena obra que tenho sempre vontade de rever quando me apetece ver “cinema-pipoca” ao estilo oriental dentro do género.
Além disso mete Hospitais e seringas portanto só poderia ser um filme totalmente recomendável para todos aqueles que tal como eu têm pavor de médicos e odeiam cheiro a consultório.

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Sendo assim, se não gostam de ambientes hospitalares, não têm qualquer vocação para medicina e muito menos conseguem compreender como raio é que alguém vai para médico, têm aqui em [“Infecção“] um filme simpático para passarem uns 90 minutos muito divertidos no mais arrepiante dos sentidos.

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Basicamente, a história não interessa para nada, fiquem apenas a saber que algures num hospital anda á solta uma espécie de infecção absolutamente nojenta que transforma o pessoal do corpo clínico em mortos-vivos e os faz ter uma boa apetência por se espetarem com seringas por dá cá aquela palha.
Se gostam de cenas com baba nojenta a pingar por cima de inocentes vítimas, cadáveres em decomposição de aspecto vomitável e sequências de assombração clássica  também não vão mais longe pois este filme é para vocês.

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Volto a dizer, [“Infecção“] não é propriamente um grande filme de terror. Poderão notar que não lhe dou uma grande classificação, mas não deixem que o meu aparente fraco entusiasmo na sua atribuição os afaste deste bom produto sobrenatural. Até porque este está editado em Portugal e tudo e poderão encontrá-lo certamente algures num daqueles cestos de promoções num centro comercial perto de vós.

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[“Infecção“] não é brilhante, mas tudo o que faz, faz bem. Nota-se que é mesmo um produto de baixo orçamento dentro do cinema de terror oriental mas é notório que houve um grande esforço por parte dos seus criadores para tirar partido de tudo o que pudessem usar para nos impressionar e assustar.

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Uma das melhores coisas que este filme tem é precisamente o facto de não só nos conseguir impressionar com cenas nojentas e arrepiantes (seringas, seringas), mas também contém uma atmosfera clássica de filme de fantasmas e em certos momentos acerta em cheio na forma como trabalha a atmosfera sobrenatural sem precisar de efeitos especiais ou de nos mostrar mais cenas repugnantes.

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Inclusivamente, as cenas que nos causam mais calafrios não serão aquelas cheias de gore repugnante (uma pessoa habitua-se) mas sim as sequências mais tradicionais em que o filme entra pelo género de cinema-de-casa-asssombrada e nos arrepia com um par de cenas bem colocadas no argumento que funcionam perfeitamente para nos provocar aquele efeito de frio na espinha que normalmente não existe neste tipo de cinema de terror essencialmente gore.

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Este é um daqueles raros filmes que é simplesmente bom.
Não será muito bom, mas também é muito melhor do que um produto que fosse apenas interessante.
[“Infecção“] é um bom filme de terror. Nem mais nem menos e recomenda-se para toda a gente que gosta deste género de filmes. Especialmente se gostar do estilo sobrenatural do cinema asiático.

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A realização é boa, o argumento tem suficientes reviravoltas para nos manter interessados ao longo de quase 90 minutos de puro divertimento para quem gosta de coisas deste género.
Se falha em alguma coisa, será provavelmente nunca conseguir ir mais longe com o material que tenta apresentar.
Ou seja, por muito nojento que o filme tente ser nota-se alguma repetição no tipo de sequências que mostra e isso certamente será devido ao seu baixo orçamento, depois por causa do gore também fica a meio caminho como filme de fantasmas mas nunca será propriamente um filme de zombies.
Poderá ser visto como uma espécie de Evil Dead com uma pitada de Silent Hill ao estilo oriental passado num hospital embora nunca seja tão violento como o filme de Sam Raimi.
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CLASSIFICAÇÃO:

Um daqueles raros filmes que é simplesmente bom e divertido. Nem mais nem menos.
Se gostarem de cinema de terror vão divertir-se com [“Infecção“]. Se gostam de cenas nojentas ou de histórias com fantasmas mais clássicos tem neste filme uma pequena colecção de bons momentos dos dois géneros de cinema sobrenatural.

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Apesar de ser cinema de terror japonês, não se cola ao habitual estilo de Ringu ou Ju-On e tenta dar-nos um bocadinho de tudo sendo talvez essa a sua única grande fraqueza pois fica a meio caminho entre todos os géneros que tenta apresentar no ecran em menos de noventa minutos.
Trés tigelas de noodles na boa e não deixem que esta aparente crítica mediana os afaste desta pequena obra que essencialmente pretende divertir, especialemente se gostarem do género na sua vertente oriental.
Muito fixe o filminho. Está de boa saúde e recomenda-se.

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A favor: tenta aproveitar ao máximo o baixo orçamento e o elenco limitado de que dispõe, tem seringas, tem cenas nojentas divertidas, tem seringas, além das cenas repugnantes tem um par de momentos com fantasmas mais clássicos que funcionam perfeitamente, tem seringas, tenta ter um argumento com algum dinamismo e criatividade, tem seringas, não se cola a um género específico, não brilha mas cumpre perfeitamente o seu propósito e diverte-nos tanto quanto nos consegue arrepiar. Já lhes disse que o filme tem cenas com seringas ?
Contra: apesar de atmosférico fica a meio caminho entre vários géneros, repete-se um bocadinho nas cenas nojentas, o argumento tenta ser muito dinâmico e variado mas acaba por se embrulhar um bocado na reviravolta final.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=eGWuqC-t9xQ

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COMPRAR
Se tiverem sorte, aqui em Portugal poderão encontrá-lo no cesto de promoções de um qualquer hipermercado a menos de 10€.
Caso queiram comprar a edição chinesa encontram-na como habitualmente na Play-Asia a um preço decente também.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-49-en-15-infection-70-24go.html

E está a um preço estupidamente baixo na Amazon através do mercado dos Sellers.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0418778/

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