Chik yeung tin si (So Close) Corey Yuen (China) 2002


Antes de mais e porque já sei que me iria esquecer de referir mais tarde, podem encontrar este dvd á venda na amazon inglesa numa edição que contém uma excelente legendagem em português.
E o filme neste momento (Agosto 2010) encontra-se a pouco mais de 5€.
Bom, eu se calhar não devia, mas adorei este filme e por causa disso estranhamente vai ser mais um daqueles sobre o qual me vai ser muito dificil escrever porque normalmente o género de acção pura e simples não é algo que me costuma cativar.

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Ainda por cima, na verdade [“So Close“] é quase um enorme catálogo daquele tipo de cenas que normalmente me irritam por demais, mas desta vez estranhamente tudo parece funcionar perfeitamente.
Apesar de não ter nada em comum com outro fantástico filme de Hong-Kong chamado “Fly me to Polaris”, [“So Close“] acaba por ser parecido numa coisa. Tal como em “Fly me to Polaris” dentro do género romântico, também agora este filme de acção consegue ser uma obra que obtêm resultados excelentes usando apenas uma quantidade enorme de lugares comuns. Tivessem sido mal trabalhados e [“So Close“] poderia ter sido uma desgraça.
Na minha opinião surpreendentemente aconteceu precisamente o contrário e realmente eu não estava nada á espera de gostar tanto disto quanto gostei.

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Se estão a olhar para a primeira  fotografia deste post e a pensar que esta coisa deve ser uma espécie de “Anjos de Charlie” versão Hong-Kong, acertaram em cheio.
E se isso os faz irem imediatamente buscar um saco de vómito esperem um bocadinho pois tomara as versões modernas made-in-america conseguirem o resultado que na minha opinião [“So Close“] consegue.
Há que começar por dizer no entanto que este filme felizmente não é propriamente um remake chinês do “Charlie´s Angels”.  Ao menos isso.
É sim uma história de acção com trés protagonistas femininas e óbviamente toda a obra está filmada no mais tradicional estilo oriental de cinema de acção made-in-hong-kong, o mesmo que tanto influenciou também os modernos “Anjos de Charlie” americanos e os americanos continuam a tentar imitar sem nunca atingirem o brilho dos produtos originais.

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Tudo neste filme oriental avança em velocidade acelerada e a coisa resulta plenamente. A história embora seja o cliché do costume (dentro do cinema do género de Hong-Kong), nunca pára para deixar o espectador respirar. O que nem sequer impede de ainda conseguir ter um argumento com alguma complexidade o que só lhe fica bem.
As cenas de acção irão fazer as delícias daqueles que acharam que Matrix tinha pinta e portanto quem quiser ver um bom e genuíno produto saido da terra que realmente inventou o “estilo Matrix” tem aqui um excelente dvd para comprar, alugar ou ver.

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Sequências de acção que nos colocam os olhos em bico, estética de comercial de moda a todo o vapor, miudas giras quanto baste e porrada de meia noite com muita atmosfera técnológica á mistura; tudo com uma montagem totalmente “over the top” e onde nos passam pela frente os maiores exageros e proezas físicas desde que “Conan – O rapaz do futuro” andava equilibrado com o dedo do pé no cimo de um mastro de navio.  Só que desta vez , isto não é um desenho animado e sim um filme de acção “em imagem real”.

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No entanto tudo isto nos é apresentado dentro de um universo específico muito bem definido logo desde o início. Por isso apesar de todos os exageros que mostra, [“So Close“] nunca entra por um registo de comédia parva com cenas cool para adolescentes e piadinhas parvas para americano rir como acontece normalmente nos filmes em que Hollywood tenta imitar o estilo de hong kong. É que normalmente este estilo oriental nas mãos dos americanos acaba mais por servir como uma ferramenta para fazer comédia ou meter pura e simplesmente estilo do que para contar realmente uma boa história ou preocupar-se em construir bons personagens.
Mas não se preocupem, [“So Close“]  não sofre desse mal pois acima de tudo é puro cinema de Hong-Kong no seu melhor e mais exagerado estilo como só os chineses o sabem fazer.

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Acima de tudo, mesmo pelo meio de toda a pirotécnia mantém a boa tradição do cinema oriental de nos apresentar personagens humanizados e acreditem que nada me surpreendeu mais do que encontrar num filme de porrada como este personagens com o qual me importei pois na verdade pelo trailer não esperava mais do que ver um par de bonecas giras aos tiros.
Por isso [“So Close“] acabou por ser outro filme asiático que ainda contribuiu mais para o meu fascínio pela maneira como o cinema oriental consegue dotar os seus “bonecos” de humanidade.
Na minha opinião este é o filme perfeito para quem gosta de cinema de acção e já está farto dos enlatados vazios cheios de previsibilidade que chega ao nosso país fazendo-se passar por grandes obras só porque estão cheios de cabeças de cartaz americanas conhecidas.

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É que um dos pontos fortes desta obra é precisamente a maneira como apesar de tudo ainda consegue pregar no espectador uma surpresa ou duas que eu adoraria poder revelar aqui mas não posso, pois estaria a estragar-lhes logo um dos pontos altos do argumento.  Mesmo assim não há dúvida que o twist a meio da história é logo suficiente para demarcar [“So Close“] do habitual cinema formulático americano que estamos habituados a ver e como tal recomenda-se plenamente também por causa deste pequeno pormenor. O que acontece á volta das heroínas deste filme jamais aconteceria numa produção americana e portanto, isto, mais a humanização dos personagens através de um par de cenas simples mas eficazes é mais um motivo para o verem.

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Inesperadamente, apesar das toneladas de acção estilizada que este filme oriental tem, ainda há espaço para um par de histórias de amor. Uma mais tradicional e outra mais contida. Esta segunda deverá ser possivelmente a história de amor com menor tempo de ecrã da história do cinema mas nem por isso com menos emotividade. Claro que também aqui não lhes posso explicar mais nada, mas há uma sequência de breves segundos “românticos” em [“So Close“] que limpa o chão com todas as pseudo-love stories comerciais saidas de Hollywood nos últimos dez anos no mínimo. Ao longo do filme sente-se por ali uma aura indicativa, mas nunca paramos para pensar muito na coisa até que o pequeno, simples e bonito momento emotivo é usado para humanizar ainda mais dois dos personagens mesmo no final do filme. Por mais que tente nunca hei de entender como o cinema oriental consegue desencantar romance credível nos momentos mais inesperados e nos personagens mais diversos.

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Sendo assim, na minha opinião, outra nota alta para esta produção que na verdade na verdade não precisava mais do que ter bonecas aos tiros e no entanto os seus criadores optaram por incluir também muita alma e até mesmo alguma poesia a um filme que essencialmente é acima de tudo um filme de acção com miudas giras.
E miudas giras não faltam aqui. Se gostam de filmes com miúdas e pistolas não se poderão enganar com este filme.
Curiosamente, isto poderia indicar que [“So Close“] seria apenas um filme para homens, mas na verdade na minha opinião este filme poderá inclusivamente agradar muito ao público feminino que normalmente nem liga particularmente a filmes de acção com tiros e bombas e socos nas trombas. Isto porque apesar da óbvia exploração comercial da beleza das actrizes, a verdade é que este é um “chick movie” com muita identidade feminina, mulheres fortes e com personalidade e personagens que não se limitam a ser giras e a passear pelo cenário.

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Contráriamente a filmes como “Os Anjos de Charlie”, em [“So Close“]  as mulheres não se fazem sequer passar por burrinhas para conseguir os seus objectivos e muito menos recorrem ao sexo para atingir os seus propósitos. Neste filme, elas são pessoas inteligentes, traçam planos, arriscam a vida e até têm dúvidas humanas. Ou seja, por muito que o estilo visual aparente ser plástico e comercial [“So Close“]  tem personagens com identidade e não bonecos que parecem cool só porque são gajas boas e mandam tiros. Aqui, as miudas parecem cool porque acima de tudo além de serem bonitas também podiam ser pessoas reais.
Isto não quer dizer que o filme entre por intermináveis desenvolvimentos de personagens ao estilo dramático para agradar a intelectuais de café, mas o facto de nunca o fazer dessa forma e mesmo assim conseguir apresentar-nos muito mais do que apenas bonecos para cenas de porrada é uma das boas razões para que vocês espreitem este filme.
Poderão não concordar comigo a cem por cento, mas posso garantir-vos que é bem melhor do que aparenta no trailer.

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Nota alta para a banda sonora também. Boas melodias intimistas para as cenas mais calmas, bom acompanhamento para as cenas de acção e o melhor e mais inesperado uso para a velhinha canção dos “Carpenters” – So close – “Why do birds… suddenly appear, everytime you are near.”
A maneira como esta canção é usada no filme é absolutamente notável e eu pela minha parte já nunca mais vou conseguir uma melodia dos Carpenters sem me recordar das sequências de acção em [“So Close“] .

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CLASSIFICAÇÃO:

Estou a sentir-me um bocado culpado por atribuír mais meia tigela a [“So Close“] do que atribuí a “Natural City“, mas a verdade é que apesar do segundo ser um dos meus filmes orientais favoritos e [“So Close“] ser um filme arrepiantemente ultra comercial, a verdade é que é também um filme muito, mas muito divertido que merece na plenitude a classificação de cinco tigelas de noodles especialmente se apenas o compararmos com outros produtos semelhantes made-in-hong-kong.

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Dentro do estilo Hong-Kong filmes de acção é coisa que não falta, mas normalmente apesar de eficazes pouco mais são do que mais do mesmo, por isso gostei de encontrar pela frente um filme como este. É que na realidade também é mais do mesmo, mas tal como aconteceu em “Fly Me to Polaris” também aqui estamos na presença de um daqueles filmes que soube como ninguém misturar todos os clichés de um género e conseguiu obter um produto que se destaca da multidão com todo o mérito próprio.

A favor: deixem o cérebro á porta e vão adorar as cenas de acção, mesmo sendo um filme ultra comercial tem personalidade, acima de tudo é um filme muito divertido para quem entra na atmosfera e se deixa levar por ele, os personagens femininos não são loiras burras e toda a sua envolvência está muito bem humanizada, apesar de ser um filme de acção é uma obra muito feminina no melhor dos sentidos, tem um par de momentos bonitos e até quase que diria poéticos, a história é engraçada e até mais complexa do que precisava de ter sido, contém um twist que jamais apareceria num filme americano e troca as voltas ao espectador, contém uma “inesperada” referência romântica que mesmo breve consegue ser suficientemente emotiva para proporcionar um final clássico no que toca á relação entre personagens, apesar de ser um produto que óbviamente explora a beleza das actrizes quase ao ponto do “exploitation” da imagem a coisa resulta plenamente, a utilização de uma música dos “Carpenters” é fantástica, tem uma fotografia perfeita para a história que ilustra, as coreografias de luta são espectaculares e as cenas de acção são muito variadas ao longo de todo o filme, tem miúdas giras aos tiros.
Contra: quem não gosta do estilo exagerado do cinema de acção de Hong-Kong vai detestar este filme, a história de amor principal não tem muito espaço para se desenvolver e por isso até nos esquecemos dela quando a acção começa, é outro filme com mafiosos orientais, ao contrário das personagens femininas todos os homens neste filme não passam de bonecos de cartão que só entram no filme para levarem na cara ou para servirem de ligação amorosa e pouco mais…mas e não é que resulta ?…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
Não se deixem desmotivar pelo trailers americanizados em estilo debiloide habitual. Eu também estava convencido que o filme ia ser uma desgraça e enganei-me.
E também não pensem que os trailers mostram o filme todo. Eu também pensava.
http://www.youtube.com/watch?v=kM2BbsP-7Og
http://www.youtube.com/watch?v=ai66j2DMhzQ

COMPRAR
Não sei se o encontrarão á venda em portugal pois nunca tinha visto este filme até o ter comprado em inglaterra.
Comprem a edição Uk. Apesar de simples, contém uma cópia excelente com o som 5.1 fantástico na pista de som original em Mandarim, também (muito bem) dobrado em “inglés” e ainda em Italiano e Espanhol.
e tem legendas em Português.

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0300620/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

2009 Lost Memories Natural City

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3 thoughts on “Chik yeung tin si (So Close) Corey Yuen (China) 2002

  1. Luis, não há por quê se envergonhar ou se sentir culpado por ter gostado de um filme comercial, que teve a clara finalidade de explorar apenas cenas de acção. Todo cinéfilo tem a sua lista de GUILTY PLEASURES, que são aqueles filmes muitas vezes mal-falados por críticos, e que normalmente possuem mais defeitos do que virtudes, mas que por algum motivo nos agradam. Na minha opinião, cinema não tem obrigação de ser reflexivo ou ser um tratado sociológico. Cinema é basicamente entretenimento, e se um filme consegue me entreter, já considero bom, por mais defeitos que tenha.

    Abraços

  2. simplesmente adorei o filme. A história, a música, as três actrizes (especialmente Zhao Wei, uma das minhas favoritas). Vi também a versão com o audio em inglês e deixou-me um certo amargo na boca. infelizmente, e como já aqui referi em relação a filmes que não consegui ter acesso, Fly Me To Polaris é um desses casos, com grande pena minha.

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