Suwîto rein: Shinigami no seido (Sweet Rain) Masaya Kakei (2008) Japão


Se procurarem reviews deste filme na net, descobrirão que existe alguma tendência de [“Sweet Rain“] ser comparado com o americano “Meet Joe Black” até de uma forma algo depreciativa.
Na minha opinião, apesar de ambos os filmes terem como protagonìsta – a Morte – e terem mais ou menos o mesmo estilo de atmosfera, são no entanto duas obras diferentes e sem grandes pontos de contacto apesar das aparências.
Eu gosto muito dos dois e não tenho dúvida que [“Sweet Rain“] tem também um lugar á parte dentro deste género de cinema sobrenatural pois acima de tudo é um filme oriental com algum charme.

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Algo fúnebre, mas muito ligeiro e poético. Além disso, acima de tudo tem uma coisa que para mim será sempre imprescindível para que este tipo de história  funcione. Ou seja, é um filme filosófico daqueles que nos faz pensar e pelo meio ainda tem um sentido de humor subliminar muito divertido que aparece sempre nos momentos certos e ás vezes inesperados.
[“Sweet Rain“] é também um daqueles filmes ideais para quem tem medo de morrer, ou se calhar para quem perdeu alguém recentemente, pois como já referi contém um argumento filosófico que acaba por colocar algumas questões existenciais e no final deixa-nos com uma sensação de leveza, de confiança numa vida-depois-da-morte e até de felicidade, tudo através de um final particularmente simples mas poético e que resulta em pleno.

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Logo nos primeiros momentos sente-se que o filme irá ser especial. A breve sequência introdutória, embora de desfecho previsível define imediatamente a atmosfera e agarra o espectador fazendo-nos ficar mesmo com vontade de continuar a ver o que irá acontecer a seguir.
E o que acontece é cada vez mais curioso. A maneira como o universo da Morte está retratado é não só muito divertida, como atmosférica e bastante original pois parece que no Além, ser “Morte” deve ser uma espécie de profissão (estilo Terminator mas em versão bonzinho).
Ao contrário do que os humanos pensam, não há apenas uma Morte (neste caso, “um…Morte”), mas vários. Um verdadeiro esquadrão de “Mortes” profissionais que levam o seu trabalho não só muito a sério como até de forma divertida e além de serem absolutamente fascinados por música humana, custam a perceber porque razão as pessoas têm medo de morrer quando o processo é tão simples, natural e tudo não passa de uma continuídade.

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E isto porque ao contrário do que as pessoas pensam, a Morte quando aparece não vem para tirar a vida a ninguém, mas sim para guiar o espírito da pessoa que morre até ao próximo plano de existência. Curiosamente na minha banda desenhada também usei um conceito parecido e por isso lá se vai a minha pseudo abordagem original…Bolas pá.
[“Sweet Rain“] contém outro pormenor fascinante e só é pena não ter sido usado mais ao longo do filme. A “Morte” percorre o nosso mundo com um ajudante que tem a forma de um cão e com o qual tem alguns diálogos divertidos que são dos melhores momentos pela forma criativa como nos são apresentados.
Não lhes dou mais detalhes porque vão gostar de descobri-los e só é pena, na verdade não servirem para muito dentro do próprio argumento do filme pois estas trocas de opiniões pouco mais fazem do que transmitir um par de informações ao personagem principal num determinado momento, o que torna o cão quase num adereço visual quando poderia ter sido um personagem fabuloso.

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[“Sweet Rain“] tinha tudo para ser um daqueles pequenos grandes filmes orientais, mas infelizmente há uma coisa que quase estraga todo o resultado final. Apesar de tentar funcionar como um todo, o argumento está dividido entre trés episódios completamente distintos apenas interligados por se tratarem de missões do personagem principal e pela ligação no destino de alguns personagens.
A primeira parte do filme passa-se em 1985, a segunda em 2006 e a terceira em 2028 e neste aspecto a coisa parece logo de início muito prometedora. O problema é que o argumento parece nunca usar as potencialidades do próprio conceito imaginado. Nunca é dado grande destaque ás particularidades de cada época distinta, a falta de jeito da Morte para conviver com a humanidade uma vezes é evidenciada e explorada noutras parece que não se passa nada, a ligação emocional dos personagens nunca é devidamente desenvolvida e para culminar tudo isto, o segundo segmento do filme parece completamente deslocado do resto do argumento.

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É que subitamente a história entra por uma atmosfera de filme de gangsters Yakuza sem grande interesse (até pela banalidade do que sucede) e só mais tarde nos apercebemos de qual a ligação de um novo personagem ao fio condutor do argumento. Mas quando isso acontece já é tarde, pois o filme já se arrastou por um segmento de meia hora completamente desajustado para com o tom inicial da primeira história que pedia algo mais cativante e que mantivesse o interesse gerado pela muito boa primeira meia hora de [“Sweet Rain“].

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A única coisa que salva este segundo segmento completamente desinteressante e deslocado são os contidos mas hilariantes momentos com as outras Mortes que aparecem nos sitios mais divertidos criando uma justificação para algumas das cenas mais tensas do segundo episódio.
Esta segunda parte, não é no entanto tão má quanto muitas reviews espalhadas pela net a pintam, mas a verdade é que parece não pertencer ao filme que nos cativa nos primeiros trinta minutos iniciais e é pena pois criou-se um buraco artificial nesta história quando ela pedia uma continuidade que nos transportasse até á terceira parte.

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Felizmente que no terceiro acto as coisas voltam a compôr-se e subitamente o personagem – Morte – volta a parecer ser a mesma pessoa de que ficamos a gostar no primeiro segmento. Volta também a atmosfera poética desta vez com um sabor rural que cria um ambiente ainda mais especial e acolhedor que nos prepara para o inevitável e previsivel desfecho da história mas nem por isso menos bonito e positivo.
A terceira parte tem lugar no ano 2028 e conta com uma personagem Cyborg.  Mas mais uma vez também esta não passa apenas de uma peça de cenário quando poderia ter sido usada para acentuar o tom filosófico do argumento mas tal nunca acontece.

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[“Sweet Rain“] é acima de tudo uma grande oportunidade perdida de se ter construido um filme asiático do caraças sobre o quão positivo, natural e até bonito será morrermos.  Este argumento tinha tudo para ser um objecto cinematográfico cheio de filosofia e questões pertinentes e no entanto parece que tudo se escapou por entre os dedos dos seus criadores, seja por um argumento que nunca aproveita os conceitos mesmo imaginativos que contém como pelo filme ter uma natureza episódica que nunca é bem interligada mesmo usando o personagem principal da – Morte – e é mesmo pena que isto tenha acontecido.  Este é uma daquelas obras orientais de que nos apetece mesmo gostar muito, até porque é um filme reconfortante e com um par de momentos bem bonitos e muito positivos sobre um tema que assusta grande parte da humanidade mas aqui é retratado de uma forma bem simples e com uma atmosfera quase mágica em algumas alturas.

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Pior do que um filme sem ideias é um filme oriental cheio de ideias não aproveitadas e [“Sweet Rain“] é um dos mais frustrantes exemplos deste tipo de situação que me apareceu pela frente nos últimos tempos.
E por isso é uma obra estranha. É um filme que acaba e não nos sai da cabeça, mas mais por causa do que poderia ter sido e que a gente gostaria de ter visto do que pelo que realmente vimos. É um filme que projecta na nossa mente uma imagem de algo que não é e no entanto no meu caso, fiquei com vontade de o rever e com a certeza de que este será mais um daqueles pequenos filmes “especiais” que ainda irei ver muitas vezes no futuro.
É um filme asiático estranho em muitos sentidos. Artisticamente anda algures entre o filme comercial e o cinema de autor. Ou se calhar é por ser uma obra Japonesa e isso sente-se. É um filme calmo, muito contido ao expressar emoções e que depende muito de imagens contemplativas silênciosas para produzir empatia com o público que se identificar (e sentir) a sua poesia.

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Tivesse sido um trabalho Sul-Coreano e aposto que o resultado teria sido bem diferente. Uma coisa é certa, a pequena história de amor teria sido desenvolvida na sua plenitude de certeza absoluta. [“Sweet Rain“] por momentos parece que vai entrar por um caminho romântico mas depois tal não se concretiza e é pena. No início ficamos mesmo com vontade de vermos  a – Morte- começar a conhecer o que é ser humano ao principiar apaixonar-se por uma das suas “clientes” mas depois o filme fragmenta-se por completo ao entrar no episódio Yakuza e quando o tema é ligeiramente abordado no final já o espectador perdeu a ligação emocional á história perdendo-se assim mais uma oportunidade no argumento desta obra que nos poderia ter transportado para um final ainda mais emocional.

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De resto, tem uma boa fotografia e um actor principal que encarna uma -Morte- quase perfeita e só não faz melhor porque o próprio argumentista parece não saber bem quem é o personagem e por onde este deverá ir.
Mas não deixem que esta minha apreciação menos entusiasmada os impeça de ver este [“Sweet Rain“].

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar de todo o potencial desperdiçado é ainda assim um filme oriental com momentos muito bonitos e um par de questões filosóficas que proporcionarão boas discussões entre amigos.
Se gostarem de temas sobrenaturais, interessa-vos a temática da vida-depois-da-morte e quiserem ver um filme muito positivo sobre o assunto não vão mais longe.
Se calhar não merece tanto mas não deixa de ser um filme diferente que nos cativa pela atmosfera, por isso quatro tigelas de noodles sem grandes reservas.

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Aliás recomendo mesmo a compra se acham que gostam deste tipo de histórias pois está barato e a edição em dvd tem uma caixa com um dos melhores grafismos que andam no mercado.

A favor: está cheio de ideias imaginativas, os diálogos com o cão introduzem um toque especial no estilo do filme e estão apresentados de uma forma tão simples quanto criativa, o filme tem uma atmosfera mágica em alguns momentos, tem imenso sentido de humor ( e nem sequer é humor negro) contido, o personagem principal é muito bom embora algo esquemático e mal desenvolvido, as outras – Mortes – são muito engraçadas a tentarem disfarçar a sua existência, a primeira e a terceira parte são muito boas e estão cheias de momentos filosóficos e alguma poesia, o final do filme é bonito e muito positivo, é um bom filme para quem tem medo da morte ou perdeu alguém recentemente, tem uma terceira parte reconfortante e mesmo atmosférica. A caixa do dvd tem um design fantástico.
Contra: o segundo segmento de meia hora do filme com a história sobre mafiosos Yakuza é completamente deslocado do resto do argumento e não deveria existir nestes moldes, apesar da história se passar em trés épocas muito distintas o argumento nunca aproveita esse facto para trabalhar os personagens ou criar situações, o potencial para uma história de amor é completamente desperdiçado e como resultado perde-se uma oportunidade de humanização do personagem da -Morte- que poderia ter sido usada para um final ainda mais intenso, o personagem do cão é brilhante na sua simplicidade e mais uma vez o seu potencial é completamente desperdiçado parecendo mais um adereço do que outra coisa a tal ponto que nem sequer entra na parte final do filme, a natureza episódica da própria narrativa acaba por fragmentar muito o filme e há muitas quebras na sua fluidez que ás vezes (especialmente no segundo segmento) nos fazem dispersar a atenção.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=QYuu7np3DXU

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Comprar
Excelente edição de Hong Kong com legendas em inglés.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-sweet+rain-70-34xq.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1067086/

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Be With You

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Joong-cheon (The Restless) Dong-oh Cho (2006) Coreia do Sul


Este é outro daqueles filmes asiáticos que se calhar não merecia que eu tivesse gostado tanto dele.
Não é de modo nenhum um grande filme oriental, tem as suas fraquezas, tem problemas no desenvolvimento de personagens e cheira a plástico por todo o lado.
No entanto, se tivesse mais meia hora poderia ter sido um daqueles filmes de fantasia imprescindíveis, por isso na minha opinião é pena só ter mesmo 105 minutos porque este [“The Restless“] tinha mesmo muito potencial.

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Para começar, eu que já não acreditava que a Coreia do Sul pudesse conseguir acertar com um filme do género Wuxia fiquei bastante surpreendido quando já me preparava para arrasar nest blog, mais esta tentativa. Depois de coisas como “Bichunmoo” e “Duelist” (entre outros), que me deixaram mais que decepcionado eu já olhava de lado tudo o que fossem supostos Wuxias Sul Coreanos e se eu tivesse sabido que  [“The Restless“] era mais um, nem o tinha sequer comprado. Na verdade achei piada ao trailer e encomendei o filme pensando que seria mais uma obra de fantasia Chinesa.
Tarde demais reparei que era mais um Wuxia Coreano e não o podia cancelar pois o dvd já vinha a caminho.
Ainda bem.

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Ainda bem porque este deve ter sido um dos filmes de pura Fantasia oriental de que mais gostei desde “The Promise”.
Aliás, [“The Restless“] faz lembrar um parente pobre desse filme Chinês. Parece um “The Promise” feito com pouco dinheiro mas tentando disfarçar ao máximo todo o pequeno orçamento com muita imaginação plástica ao melhor estilo cinema-photoshop.
Portanto se não gostaram de “The Promise”  esqueçam este filme.  [“The Restless“] segue o mesmo estilo como todos os excessos visuais extremamente artificiais que caracterizava o outro filme oriental só que em versão mais contida devido ás suas limitações de orçamento.
Para quem gostou do filme Chinês e quiser “mais do mesmo” tem aqui uma compra á altura e um Wuxia de pura Fantasia muito recomendável mesmo.

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Este não é um filme oriental para aquelas pessoas que detestam ver gajos a voar por tudo o por nada, lutas á espada sem qualquer lógica “credível” e muito menos é um filme para quem acha que o estilo “livro ilustrado” a Photoshop não tem muito a ver com cinema.
É verdade,  [“The Restless“] tem muitas fraquezas, não será um daqueles filmes asiáticos ou de fantasia que fica na memória pelo selo de qualidade, mas é definitivamente não só o melhor Wuxia Sul Coreano até ao momento, como principalmente é uma obra de Fantasia com um vasto mundo para o espectador explorar se decidir ignorar os seus defeitos e deixar-se levar pela atmosfera e principalmente pelo ambiente visual das suas geografias imaginárias.

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[“The Restless“] tem como título original, [“Joong-cheon“] que em Coreano significa qualquer coisa como “o mundo entre Mundos” e se quiserem uma analogia ocidental, todo este filme se passa naquilo que na religião Católica se poderá designar como “Purgatório“. Só que na tradição Sul-Coreana este lugar não é um conceito abstracto, mas um mundo cheio de vida e tão real como o nosso plano Terrestre. Apenas em Joong-cheon as regras da Natureza são ligeiramente diferentes.

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O filme narra a história (e as aventuras) de um guerreiro que na Terra pertencia a um esquadrão de caçadores de demónios e que um dia se vê lançado no mundo de Joong-cheon.
Acontece que para surpresa dos seus habitantes, esse guerreiro passeia-se pelo purgatório ainda vivo e claro que esse estranho facto tem uma explicação que deixarei para descobrirem quando virem o filme.
Ao chegar a Joong-cheon, o guerreiro encontra a mulher que amava na Terra mas ela não o reconhece apesar de todas as tentativas do heroi para que esta se lembre dele.  Tendo morrido de uma forma trágica quando foi queimada como bruxa ela não tem qualquer memória da sua vida terrestre, o que como imaginam é perfeito para alimentar o segmento romântico do filme.
Para além disto, óbviamente que a história conta com o vilão do costume que é um gajo mau que se farta mas se quiserem saber mais, vejam o filme pois eu não tenho paciência nenhuma para descrever estas coisas. Nem gosto, pois para mim metade do prazer em ver cinema está em não sabermos nada sobre o que vamos ver.

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Apenas referi este bocadinho de argumento para poder apontar logo aquilo que será talvez o maior problema de [“The Restless“].
Quando eu digo que este filme merecia ter pelo menos mais meia hora é porque precisava de ter tido esse tempo no início para poder apresentar-nos os seus personagens e infelizmente isso não acontece.
O argumento, entra logo a abrir e os personagens quase que nos caiem em cima em estado acelerado. De cada vez que a história nos apresenta uma nova pessoa, normalmente a montagem entra por uma sequência fragmentada, que, ou nos leva para uma cena de acção ou então para mais um flashback que tenta narrar em breves minutos (breves mesmo) todo o background da história do novo personagem.
Se isto torna os personagens secundários completamente redundantes, (os antigos “amigos”(?) do heroi por exemplo), também não ajuda nada a situar aquilo que supostamente é a alma do filme, ou seja a inevitável história de amor.

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[“The Restless“] tinha tudo para ter sido um Wuxia tão romântico e emocional quanto “An Empress and the Warriors“, mas falha nesse aspecto porque não dá tempo ao espectador de criar uma empatia com o passado dos personagens. E quando esse passado é essencial para criar emoção para a história presente, o filme nunca consegue transportar-nos verdadeiramente para o seu coração emocional.
No ecran tudo é visualmente muito bonito mas o facto de [“The Restless“] não conseguir puxar emocionalmente o espectador para o seu mundo torna todos os cenários em Photoshop ainda mais artificiais e é pena, pois este filme oriental pedia uma envolvência total e nunca nos consegue puxar verdadeiramente para dentro dele. Embora verdade seja dita que se nota perfeitamente o realizador a tentar criar emoção e dotar a história de alguma alma. Infelizmente a estrutura do argumento, a falta de tempo e uma montagem algo errática em alguns momentos torna a sua tarefa bem dificil.
Outra coisa que também não ajuda são as sequências de acção.
Infelizmente [“The Restless“] não é um filme Chinês e isso nota-se.

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Ao contrário dos Wuxias Chineses onde as coreografias de acção nos maravilham ou surpreendem com toda a sua variedade, este filme Sul Coreano nunca consegue chegar ao mesmo nível.
[“The Restless“] é essencialmente um filme de acção e possivelmente um dos mais dinâmicos filmes de pura Fantasia que poderão encontrar pela frente. No entanto todo o dinamismo nunca se traduz em variedade.
Ou seja, o filme tem acção, porrada de meia noite, gajos a voar por todos os lados, espadeirada quanto baste, mas tudo parece sempre mais do mesmo.
Enquanto um Wuxia Chinês nos impressiona pelas coreografias imaginativas, [“The Restless“] tenta impressionar-nos pelo estilo e pela pinta que tenta meter á força. É aqui que se nota que esta obra é mesmo um produto Sul Coreano e não Chinês.
Montagem televisiva ultra-rápida em estilo videoclip MTV, herois em poses cheias de tiques Anime e muito Cgi de plástico a embrulhar tudo a todo o momento.

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Aliás há um par de momentos no filme em que pensei que se calhar a compra do dvd não teria sido lá muito boa ideia. Isto porque algumas sequências ao mais puro estilo Anime ( a puxar para o Dragon Ball ), fizeram-me pensar por minutos que tinha comprado mais outro “Shinobi” e que as coisas iam descambar noutro clone em overdose de porrada Cgi. E vocês sabem o quanto eu gostei do Shinobi.
No entanto, felizmente as coisas compõem-se. E apesar do constante esforço que se nota no filme para meter estilo nas cenas de porrada a verdade é que o resultado final até poderia ter sido bem pior.
Estou para aqui a reclamar, mas [“The Restless“] se vocês quiserem ver um bom filme de porrada com muita Fantasia visual, têm aqui uma boa opção que conta inclusive com um par de sequências de acção muito entusiasmantes.
Por exemplo a cena em que o heroi com uma simples espada limpa sózinho o sebo a um exército de milhares de gajos feios é um verdadeiro prazer cinéfilo-chunga-estiloso e vale o filme se a esta altura vocês já tiverem deixado o cérebro algures.

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E pronto, essencialmente estamos conversados sobre os aspectos menos bons de [“The Restless“].
Quanto a coisas positivas…
Bem, para começar lá para o final a história de amor quase que resulta e ajudada por visuais lindissímos temos um vislumbre daquilo que o coração emocional do filme poderia ter sido se tivesse tido a tal meia hora de introdução de personagens que não teve.
E por falar em visuais… os cenários podem ser de Photoshop mas que são fabulosos isso são. Quem quiser um filme de Fantasia oriental, (já viu o “The Promise” ), e adorar histórias em que os herois percorrem em estilo road-movie uma variedade imensa de geografias imaginárias cheias de ambiente então não pode perder [“The Restless“].
Sente-se de facto que o mundo de Joong-cheon é um mundo á parte, não só mágico como imenso e muito imaginativo.

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Os cenários virtuais são espectaculares e muito vastos, a cenografia é excelente e muito atenta ao pormenor e a cor é usada de uma forma absolutamente perfeita, tornando este filme num verdadeiro Anime em “imagem real” como se estivessemos a ver uma graphic-novel pintada a óleo sempre em movimento.
Apesar de bastante plástico e muito artificial, quanto a mim nota alta não só para o design de todo o filme como principalmente pela imaginação que conseguiu colocar no ecran com um pequeno orçamento.
Nota positiva também para a banda sonora. Embora em alguns momentos tenha uns tiques de música contemporanea que me chateiam particularmente, noutras alturas consegue uma atmosfera perfeita para algumas sequências. Por mim o filme teria uma música mais épica que fizesse o ambiente abrir-se ainda mais, mas não se pode dizer que as melodias estraguem o filme.

E como tal…

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será o melhor filme de Fantasia do mundo, mas quem gosta do género tem aqui uma excelente opção.
Se gostou de “The Promise”  e quiser mais do mesmo tem aqui o seu parente pobrezinho mas com muita substância e imaginação. Quem não gostou de “The Promise” se calhar é melhor evitar este filme a todo o custo.
Pode não ser Cinema com “C” grande mas é um excelente filme pipoca para quem procura um divertimento de Fantasia e gosta do estilo oriental.
Recomendo vivamente e leva quatro tigelas de noodles na boa apesar das suas falhas.
Se calhar merecia menos, mas é um filme de Fantasia divertido e não há muito deste estilo por aí.

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A favor: para quem gosta de explorar mundos de fantasia a partir do sofá da sala, tem muita imaginação, o conceito do mundo “purgatório” está muito variado e cheio de pormenores criativos, tem um excelente ambiente e passa a sensação de que o mundo é realmente vasto, usa muito bem os cenários naturais, apesar de plástico e artificial contém paisagens em estilo Photoshop fabulosas, as cores do filme são mágnificas e a cenografia está cheia de detalhes que ainda ganham mais vida a uma segunda visão, em algumas cenas de acção o uso do Cgi é mágnifico, a história de amor apesar de não agarrar o espectador tem um par de momentos bonitos, algumas cenas de acção são excelentes embora repetitivas, a breve cena de porrada em que um gajo devasta um exército á espadeirada é demais e completamente Anime/Manga, a banda sonora poderia ser mais épica mas não está mal. Quem joga “Perfect World” vai gostar muito deste filme que bem que se poderia chamar “Perfect World – The Movie” e ninguém iria queixar-se.
Contra: o filme precisava de pelo menos mais meia hora no início para apresentar os personagens como esta história merecia, os personagens são demasiado esquemáticos e sem grande alma ou personalidade, as histórias que tentam humanizar os personagens em estilo flashback não resultam, apesar de haver uma história para o vilão este acaba apenas sendo o mau do costume que só está no filme para morrer no fim, falta uma verdadeira carga dramática no filme e é pena, a montagem por vezes tenta contar muita coisa em segundos e como resultado os acontecimentos não têm grande substância nem conseguem contribuir para que os personagens sejam menos de cartão, a história de amor nunca atinge o seu potencial nem tem grande emoção salvo raros momentos, o espectador nunca é verdadeiramente transportado para dentro do filme, algumas cenas de acção são demasiado Shinobi/Dragon Ball e isso quase que estraga o ambiente do filme, embora muito dinâmicas todas as cenas de acção parecem sempre mais do mesmo, o filme tenta disfarçar a falta de variedade da acção com uma montagem acelerada estilo MTV em muitos dos momentos que pediam uma boa coreografia e em vez disso apenas têm estilo a mais, as poses Anime dos persongens quando andam á porrada acabam por perder a piada porque repetem-se constantemente, nunca se percebe se o filme quer ser um Wuxia de fantasia ou um Anime em imagem real e fica a meio caminho entre os dois.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=lXVNZqKd_Bo

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Comprar
Recomendo  a edição R1 americana.
Excelente imagem e som, com um óptimo documentário de making-of e tudo legendado em inglés.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0929261/

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Se gostou deste poderá gostar de:

The Promise A Chinese Tall Story

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Oban Star-Racers (Oban Star-Racers) Savin Yeatman-Eiffel (Japão – França) 2006


Pelo logotipo que está na capa da edição portuguesa, esta série anime já foi emitida na SIC. Mas, até eu ter comprado os trés primeiros volumes que encontrei no fundo de um daqueles cestos de promoções da Rádio-Popular, nunca tinha visto isto pela frente.

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[“Oban Star-Racers“] a um primeiro olhar pareceu-me ser apenas mais um daqueles clones abjectos do Pokemon, mas o seu aspecto gráfico era bastante interessante e assim por 9€ acabei por comprar os 3 dvds que encontrei.
A primeira impressão é a de que isto certamente não passa de uma imitação infantil e rasca do conceito criado pelo George Lucas quando transpôs as corridas de quadrigas do Ben-Hur para um ambiente sci-fi e “inventou”  as corridas de Pod Racers para o “Star Wars – Episode One”.
Na verdade se Star Wars não tivesse existido se calhar , esta série também nunca teria visto a luz do dia, porque sim, a sua história gira mesmo á volta de corridas que poderiam ser realmente etapas galácticas da prova que vemos em Star Wars.

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Isto seria logo meio caminho andado para que [“Oban Star-Racers“] não fosse mais que uma sucessão daqueles episódios infantis em que a história basicamente se resume ao: – “o meu pião é mais forte que o teu”; e portanto comecei a ver a série preparado para apanhar uma seca descomunal convencido de que tinha deitado 9€ á rua.
Ainda por cima, nem gosto particularmente do Star Wars – Episode One e esperar que [“Oban Star-Racers“] fosse menos infantil parecia uma utopia.

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Por isso não estava nada á espera que [“Oban Star-Racers“] se revelasse como a série de qualidade que na minha opinião é. E olhem que não é fácil para mim dizer isto de uma série desenhada e pintada toda em digital. Pois a mim quem me tira desenhos pintados com pinceis verdadeiros e tintas daquelas a sério tira-me tudo; (eu por mais que tente não consigo aderir ao digital para criar as minhas ilustrações ou banda-desenhada pois sinto sempre que estou a enganar as pessoas).

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No entanto tenho que reconhecer que embora colorida “a Photoshop”, o resultado artístico de [“Oban Star-Racers“], apesar de não se livrar daquela aura plástica “artificial” conseguiu superar o que se costuma encontrar naqueles desenhos animados para putos de sábado de manhã que parecem todos ser produzidos á pressa e a metro. Isso não se sente de todo.
As paisagens presentes nesta série são excelentes, criativas, detalhas, bem coloridas e muito variadas. Além disso, as sequências 3D criadas no estilo “cell-shading” são absolutamente entusiasmantes e também perfeitamente integradas nas ilustrações 2d tradicionais.

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Também gostei do facto dos personagens terem um design que fica algures entre o Anime oriental e a Banda Desenhada Francesa/Belga. Aliás, tanto no aspecto dos bonecos como nos próprios ambientes quem que a história decorre, esta série por vezes faz lembrar uma das minhas banda desenhadas favoritas europeias, a saga de “Valerian – Agente Espacio Temporal“. Precisamente uma coisa que me agradou bastante nisto, foi o facto de me recordar mais a banda desenhada “Valérian” do que “Star Wars” apesar dos pod-racers serem o centro das atenções.
Curiosamente,  [“Oban Star-Racers“]  agora, tem muito mais sabor a “Valerian” do que a própria versão semi-Anime da própria banda-desenhada que saiu há um par de anos e é verdadeiramente atroz e desprovida de qualquer ambiente original da banda desenhada europeia.

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Em alguns momentos certas atmosferas e personagens de [“Oban Star-Racers“] têm um certo sabor aos desenhos de Mézieres que só lhe dá ainda uma melhor identidade e o distancia de um normal Anime televisivo onde hoje em dia parece que os bonecos saiem todos do mesmo molde. Estranhamente deve ser também o primeiro Anime em que os personagens humanos simplesmente não têm nariz, o que tem gerado inúmeras apreciações negativas em algumas reviews. Mas um tipo habitua-se.
Por isso nota alta para o design e geral aspecto gráfico deste produto televisivo.
Mas há mais.

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Logo no primeiro episódio fica-se imediatamente com a sensação de que há muito mais no seu argumento do que a palha para imbecilizar putos que esperariamos encontrar.
O primeiro episódio acabou e fiquei imediatamente com vontade de ver mais um só para saber o que acontecia a seguir.  Depois, como o segundo episódio acabou precisamente no melhor, claro está lá tive que ver o terceiro. Quando dei por mim já tinha visto os cinco episódios contidos no primeiro dvd e ainda bem que o disco não tinha mais nenhum porque já não teria dormido até ver o resto.
Nada mau para uma série para putos que há primeira vista parecia ser um vazio absoluto pois tinha tudo para não precisar ser mais do que uma colecção de sequências cool para impressionar pre-adolescentes amamentados a doses de jogos Playstation.
Nada mau mesmo.

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[“Oban Star-Racers“] surpreendentemente vai para além da sua premisa inicial.
As corridas espaciais estão lá, há sempre uma cena de acção em cada episódio mas inesperadamente tudo isto está presente para servir os personagens de uma forma que não costuma ser comum nas habituais produções contemporaneas para crianças.
No primeiro episódio ficamos com a ideia de que alguns dos personagens até parecem ter alguma profundidade mas ainda nos custa a acreditar.
Coisa que depois em episódios sucessivos acaba por se confirmar pois á medida que a história avança damos por nós a gostar bastante daquelas pessoas estilizadamente desenhadas.

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Não há muito mais que eu possa dizer para recomendar esta série sem lhes estragar o prazer da descoberta. É uma co-produção entre o Japão e a França, daí o seu estilo ambiguo mas que na verdade junta o melhor dos dois lados do mundo e onde nem a inspiração sacada ao “SW-Episode One” ou alguma estética videogame consegue estragar o resultado final que limpa o chão com todos os Pokemons do mundo.
E como tal:

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será uma obra prima da animação televisiva, nem um daqueles Anime geniais, mas é definitivamente uma série televisiva altamente recomendada. Especialmente a quem tem crianças em casa e normalmente tem que gramar com intermináveis desenhos animados para putos debiloides que habitualmente inundam a televisão e as edições dvd.
[“Oban Star-Racers“] é suficientemente infantil para agradar ás crianças, mas não é um desenho animado que irá aborrecer de morte os adultos. Especialmente publico adulto que goste de ficção-científica.
Esta série está muito bem equilibrada e se por um lado as histórias parecem extremamente simples para que os mais novos gostem de acompanhá-las, na verdade têm bem mais camadas de profundidade do que aparentam á primeira vista e todo o produto tem muito para agradar a uma vasta faixa etária de público.
Se virem os primeiros trés episódios e não ficarem agarrados então isto não é para vocês. Se gostarem, estão lixados pois cada episódio tem apenas vinte minutos e acaba sempre no melhor, com um daqules “cliffhangers” ao estilo dos serials antigos e como tal nós temos mesmo de continuar a ver.
Quatro tigelas de noodles na boa porque é uma excelente série de animação sci-fi e suficientemente pequena para não durar para sempre com mais do mesmo, pois afinal só tem 26 episódios para concluir toda a história.
Recomendo vivamente.

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A favor: excelente ambiente, bons personagens que vão evoluindo ao logo de cada episódio, o argumento tem muitos níveis e pode ser apreciado tanto pelos mais novos quanto pelos mais velhos, ás vezes parece um trabalho de Myiazaki embora o veterano realizador não tenha nada a ver com isto, pequenas mas excelentes sequências de acção 3D, óptimo nível artístico 2D que com simples cenários consegue criar uma atmosfera perfeita, óptima variedade de cenários, a duração de cada episódio é de apenas 20 minutos mas nada se perde ou é desperdiçado, o suspanse que cada final de episódio suscita deixa-nos sempre com vontade de ver o próximo, tem um certo sabor a banda desenhada europeia que só lhe fica bem sem perder o estilo Anime.
Contra: não é por nada mas parece-me que a série não está toda editada em portugal…e visto que encontrei os trés primeiros volumes num cesto de promoções não me parece que venha a ser completada…acho.
De resto talvez a única coisa “negativa” seja o facto de apesar de tudo [“Oban Star-Racers“] ainda é uma série televisiva juvenil e como tal nunca se consegue livrar muito daquela estrutura ao estilo “o meu pod-racer é mais rápido que o teu”. No entanto garanto-vos que isto não é de forma nenhuma um impedimento para que venham a gostar menos deste produto que vale a pena espreitarem.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Qq1VPllZ9PU&feature=related

Genérico de episódio na versão francesa
http://www.youtube.com/watch?v=TIKQBNlwhHA

Comprar
Atenção: Pode ser impressão minha por só ter conseguido encontrar trés volumes á venda da edição portuguesa nos cestos de promoções, mas estou com a sensação de que esta série não estará toda editada em Portugal…
Como em Português só encontrei 14 episódios fiquei com a ideia de que a série estará incompleta aqui no nosso país.
Por isso se calhar não será recomendável comprarem a série mesmo em promoção como eu comprei porque não a terão na integra.
O que provoca aqui um problema…eu voltei a comprar isto mas comprei a edição inglesa.
Um pack muito bom com todos os episódios, mas se calhar se vocês tiverem crianças em casa não vão conseguir comprar isto porque como é óbvio a edição UK não tem a dobragem em português e como tal não vai servir para entreter os putos convenientemente…
Sendo assim, se tiverem crianças em casa, sugiro que tentem descobrir se a série está toda editada em Portugal, (o que deve rondar os 5 dvds).
No entanto se gostarem de animação de uma forma genérica e quiserem apenas seguir a minha recomendação, sugiro que comprem esta série na Amazon Uk. Ainda por cima está á venda a um bom preço no momento em que escrevo isto.

A edição UK contém um som 5.1 muito bom.
A edição portuga como habitualmente, contém apenas uma pista em stereo 2.0 na dobragem nacional.

cover

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0813808/

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Se gostou deste vai gostar de:

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Chik yeung tin si (So Close) Corey Yuen (China) 2002


Antes de mais e porque já sei que me iria esquecer de referir mais tarde, podem encontrar este dvd á venda na amazon inglesa numa edição que contém uma excelente legendagem em português.
E o filme neste momento (Agosto 2010) encontra-se a pouco mais de 5€.
Bom, eu se calhar não devia, mas adorei este filme e por causa disso estranhamente vai ser mais um daqueles sobre o qual me vai ser muito dificil escrever porque normalmente o género de acção pura e simples não é algo que me costuma cativar.

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Ainda por cima, na verdade [“So Close“] é quase um enorme catálogo daquele tipo de cenas que normalmente me irritam por demais, mas desta vez estranhamente tudo parece funcionar perfeitamente.
Apesar de não ter nada em comum com outro fantástico filme de Hong-Kong chamado “Fly me to Polaris”, [“So Close“] acaba por ser parecido numa coisa. Tal como em “Fly me to Polaris” dentro do género romântico, também agora este filme de acção consegue ser uma obra que obtêm resultados excelentes usando apenas uma quantidade enorme de lugares comuns. Tivessem sido mal trabalhados e [“So Close“] poderia ter sido uma desgraça.
Na minha opinião surpreendentemente aconteceu precisamente o contrário e realmente eu não estava nada á espera de gostar tanto disto quanto gostei.

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Se estão a olhar para a primeira  fotografia deste post e a pensar que esta coisa deve ser uma espécie de “Anjos de Charlie” versão Hong-Kong, acertaram em cheio.
E se isso os faz irem imediatamente buscar um saco de vómito esperem um bocadinho pois tomara as versões modernas made-in-america conseguirem o resultado que na minha opinião [“So Close“] consegue.
Há que começar por dizer no entanto que este filme felizmente não é propriamente um remake chinês do “Charlie´s Angels”.  Ao menos isso.
É sim uma história de acção com trés protagonistas femininas e óbviamente toda a obra está filmada no mais tradicional estilo oriental de cinema de acção made-in-hong-kong, o mesmo que tanto influenciou também os modernos “Anjos de Charlie” americanos e os americanos continuam a tentar imitar sem nunca atingirem o brilho dos produtos originais.

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Tudo neste filme oriental avança em velocidade acelerada e a coisa resulta plenamente. A história embora seja o cliché do costume (dentro do cinema do género de Hong-Kong), nunca pára para deixar o espectador respirar. O que nem sequer impede de ainda conseguir ter um argumento com alguma complexidade o que só lhe fica bem.
As cenas de acção irão fazer as delícias daqueles que acharam que Matrix tinha pinta e portanto quem quiser ver um bom e genuíno produto saido da terra que realmente inventou o “estilo Matrix” tem aqui um excelente dvd para comprar, alugar ou ver.

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Sequências de acção que nos colocam os olhos em bico, estética de comercial de moda a todo o vapor, miudas giras quanto baste e porrada de meia noite com muita atmosfera técnológica á mistura; tudo com uma montagem totalmente “over the top” e onde nos passam pela frente os maiores exageros e proezas físicas desde que “Conan – O rapaz do futuro” andava equilibrado com o dedo do pé no cimo de um mastro de navio.  Só que desta vez , isto não é um desenho animado e sim um filme de acção “em imagem real”.

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No entanto tudo isto nos é apresentado dentro de um universo específico muito bem definido logo desde o início. Por isso apesar de todos os exageros que mostra, [“So Close“] nunca entra por um registo de comédia parva com cenas cool para adolescentes e piadinhas parvas para americano rir como acontece normalmente nos filmes em que Hollywood tenta imitar o estilo de hong kong. É que normalmente este estilo oriental nas mãos dos americanos acaba mais por servir como uma ferramenta para fazer comédia ou meter pura e simplesmente estilo do que para contar realmente uma boa história ou preocupar-se em construir bons personagens.
Mas não se preocupem, [“So Close“]  não sofre desse mal pois acima de tudo é puro cinema de Hong-Kong no seu melhor e mais exagerado estilo como só os chineses o sabem fazer.

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Acima de tudo, mesmo pelo meio de toda a pirotécnia mantém a boa tradição do cinema oriental de nos apresentar personagens humanizados e acreditem que nada me surpreendeu mais do que encontrar num filme de porrada como este personagens com o qual me importei pois na verdade pelo trailer não esperava mais do que ver um par de bonecas giras aos tiros.
Por isso [“So Close“] acabou por ser outro filme asiático que ainda contribuiu mais para o meu fascínio pela maneira como o cinema oriental consegue dotar os seus “bonecos” de humanidade.
Na minha opinião este é o filme perfeito para quem gosta de cinema de acção e já está farto dos enlatados vazios cheios de previsibilidade que chega ao nosso país fazendo-se passar por grandes obras só porque estão cheios de cabeças de cartaz americanas conhecidas.

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É que um dos pontos fortes desta obra é precisamente a maneira como apesar de tudo ainda consegue pregar no espectador uma surpresa ou duas que eu adoraria poder revelar aqui mas não posso, pois estaria a estragar-lhes logo um dos pontos altos do argumento.  Mesmo assim não há dúvida que o twist a meio da história é logo suficiente para demarcar [“So Close“] do habitual cinema formulático americano que estamos habituados a ver e como tal recomenda-se plenamente também por causa deste pequeno pormenor. O que acontece á volta das heroínas deste filme jamais aconteceria numa produção americana e portanto, isto, mais a humanização dos personagens através de um par de cenas simples mas eficazes é mais um motivo para o verem.

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Inesperadamente, apesar das toneladas de acção estilizada que este filme oriental tem, ainda há espaço para um par de histórias de amor. Uma mais tradicional e outra mais contida. Esta segunda deverá ser possivelmente a história de amor com menor tempo de ecrã da história do cinema mas nem por isso com menos emotividade. Claro que também aqui não lhes posso explicar mais nada, mas há uma sequência de breves segundos “românticos” em [“So Close“] que limpa o chão com todas as pseudo-love stories comerciais saidas de Hollywood nos últimos dez anos no mínimo. Ao longo do filme sente-se por ali uma aura indicativa, mas nunca paramos para pensar muito na coisa até que o pequeno, simples e bonito momento emotivo é usado para humanizar ainda mais dois dos personagens mesmo no final do filme. Por mais que tente nunca hei de entender como o cinema oriental consegue desencantar romance credível nos momentos mais inesperados e nos personagens mais diversos.

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Sendo assim, na minha opinião, outra nota alta para esta produção que na verdade na verdade não precisava mais do que ter bonecas aos tiros e no entanto os seus criadores optaram por incluir também muita alma e até mesmo alguma poesia a um filme que essencialmente é acima de tudo um filme de acção com miudas giras.
E miudas giras não faltam aqui. Se gostam de filmes com miúdas e pistolas não se poderão enganar com este filme.
Curiosamente, isto poderia indicar que [“So Close“] seria apenas um filme para homens, mas na verdade na minha opinião este filme poderá inclusivamente agradar muito ao público feminino que normalmente nem liga particularmente a filmes de acção com tiros e bombas e socos nas trombas. Isto porque apesar da óbvia exploração comercial da beleza das actrizes, a verdade é que este é um “chick movie” com muita identidade feminina, mulheres fortes e com personalidade e personagens que não se limitam a ser giras e a passear pelo cenário.

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Contráriamente a filmes como “Os Anjos de Charlie”, em [“So Close“]  as mulheres não se fazem sequer passar por burrinhas para conseguir os seus objectivos e muito menos recorrem ao sexo para atingir os seus propósitos. Neste filme, elas são pessoas inteligentes, traçam planos, arriscam a vida e até têm dúvidas humanas. Ou seja, por muito que o estilo visual aparente ser plástico e comercial [“So Close“]  tem personagens com identidade e não bonecos que parecem cool só porque são gajas boas e mandam tiros. Aqui, as miudas parecem cool porque acima de tudo além de serem bonitas também podiam ser pessoas reais.
Isto não quer dizer que o filme entre por intermináveis desenvolvimentos de personagens ao estilo dramático para agradar a intelectuais de café, mas o facto de nunca o fazer dessa forma e mesmo assim conseguir apresentar-nos muito mais do que apenas bonecos para cenas de porrada é uma das boas razões para que vocês espreitem este filme.
Poderão não concordar comigo a cem por cento, mas posso garantir-vos que é bem melhor do que aparenta no trailer.

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Nota alta para a banda sonora também. Boas melodias intimistas para as cenas mais calmas, bom acompanhamento para as cenas de acção e o melhor e mais inesperado uso para a velhinha canção dos “Carpenters” – So close – “Why do birds… suddenly appear, everytime you are near.”
A maneira como esta canção é usada no filme é absolutamente notável e eu pela minha parte já nunca mais vou conseguir uma melodia dos Carpenters sem me recordar das sequências de acção em [“So Close“] .

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CLASSIFICAÇÃO:

Estou a sentir-me um bocado culpado por atribuír mais meia tigela a [“So Close“] do que atribuí a “Natural City“, mas a verdade é que apesar do segundo ser um dos meus filmes orientais favoritos e [“So Close“] ser um filme arrepiantemente ultra comercial, a verdade é que é também um filme muito, mas muito divertido que merece na plenitude a classificação de cinco tigelas de noodles especialmente se apenas o compararmos com outros produtos semelhantes made-in-hong-kong.

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Dentro do estilo Hong-Kong filmes de acção é coisa que não falta, mas normalmente apesar de eficazes pouco mais são do que mais do mesmo, por isso gostei de encontrar pela frente um filme como este. É que na realidade também é mais do mesmo, mas tal como aconteceu em “Fly Me to Polaris” também aqui estamos na presença de um daqueles filmes que soube como ninguém misturar todos os clichés de um género e conseguiu obter um produto que se destaca da multidão com todo o mérito próprio.

A favor: deixem o cérebro á porta e vão adorar as cenas de acção, mesmo sendo um filme ultra comercial tem personalidade, acima de tudo é um filme muito divertido para quem entra na atmosfera e se deixa levar por ele, os personagens femininos não são loiras burras e toda a sua envolvência está muito bem humanizada, apesar de ser um filme de acção é uma obra muito feminina no melhor dos sentidos, tem um par de momentos bonitos e até quase que diria poéticos, a história é engraçada e até mais complexa do que precisava de ter sido, contém um twist que jamais apareceria num filme americano e troca as voltas ao espectador, contém uma “inesperada” referência romântica que mesmo breve consegue ser suficientemente emotiva para proporcionar um final clássico no que toca á relação entre personagens, apesar de ser um produto que óbviamente explora a beleza das actrizes quase ao ponto do “exploitation” da imagem a coisa resulta plenamente, a utilização de uma música dos “Carpenters” é fantástica, tem uma fotografia perfeita para a história que ilustra, as coreografias de luta são espectaculares e as cenas de acção são muito variadas ao longo de todo o filme, tem miúdas giras aos tiros.
Contra: quem não gosta do estilo exagerado do cinema de acção de Hong-Kong vai detestar este filme, a história de amor principal não tem muito espaço para se desenvolver e por isso até nos esquecemos dela quando a acção começa, é outro filme com mafiosos orientais, ao contrário das personagens femininas todos os homens neste filme não passam de bonecos de cartão que só entram no filme para levarem na cara ou para servirem de ligação amorosa e pouco mais…mas e não é que resulta ?…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
Não se deixem desmotivar pelo trailers americanizados em estilo debiloide habitual. Eu também estava convencido que o filme ia ser uma desgraça e enganei-me.
E também não pensem que os trailers mostram o filme todo. Eu também pensava.
http://www.youtube.com/watch?v=kM2BbsP-7Og
http://www.youtube.com/watch?v=ai66j2DMhzQ

COMPRAR
Não sei se o encontrarão á venda em portugal pois nunca tinha visto este filme até o ter comprado em inglaterra.
Comprem a edição Uk. Apesar de simples, contém uma cópia excelente com o som 5.1 fantástico na pista de som original em Mandarim, também (muito bem) dobrado em “inglés” e ainda em Italiano e Espanhol.
e tem legendas em Português.

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0300620/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

2009 Lost Memories Natural City

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Hyeongsa (Duelist – Duelo Sem Fim) Myung-se Lee (2005) Coreia do Sul


Agora que estamos no Natal e os cestos de promoções inundam os hipermercados, resolvi falar sobre este [“Duelo sem fim“] pois certamente que o irão encontrar algures no vosso hipermercado favorito.
Continuando a longa tradição portuguesa de editar tudo o que parece filme de porrada com karaté em vez de se lançarem as coisas boas que se fazem pelo oriente, também este filme está disponível numa edição nacional e possivelmente irão conseguir encontrá-lo até a pouco mais de 2€ se tiverem sorte. Ou azar.

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Azar porque se encontrarem este [“Duelo sem fim“] a um preço baixo, ao olharem para a contracapa irão, tal como eu, ficar com bastante curiosidade sobre ele.
As fotografias parecem bastante apelativas e pela “crítica” impressa na capa ficamos com a ideia de que estamos na presença de um qualquer clássico de culto esquecido. Cuidado.
Muito cuidado.
Eu como continuo a ser um idiota e não resisto a comprar estas coisas orientais quando me aparecem pela frente em obscuras edições portuguesas, claro está, trouxe para casa este filme antes de ter procurado informar-me  sobre ele na internet. Não recomendo que façam o mesmo.
E acreditem-me que poderão ficar tentados a comprá-lo. Especialmente se estiver barato e gostarem de filmes orientais com espadas ao melhor estilo Wuxia.
Há que reconhecer que o grafismo da edição portuguesa está muito apelativo mas atenção que nem tudo é o que parece.

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Deixem-me falar-lhes logo dos pontos positivos desta obra antes de lhes explicar o que tem de negativo.
Se virem o trailer e gostarem deste estilo de filmes, quase de certeza irão ficar com água na boca para verem este também.
Especialmente se o encontrarem barato e ainda por cima com legendas em portuga.
Na verdade, o trailer é capaz de ser a única coisa verdadeiramente positiva deste filme asiático, pois mostra exactamente tudo o que há de bom nele e faz um trabalho notável no que toca a esconder todos os seus defeitos.
[“Duelo sem fim“] contém uma estética apelativa e cheia de estilo no melhor dos sentidos. As imagens são vibrantes, com uma cor fabulosa, ilustram perfeitamente o ambiente e nem alguns toques visuais menos felizes (iluminação estilo teledisco anos 80) conseguem estragar o que em geral é um excelente trabalho de fotografia que merecia ter tido melhor sorte do que teve.

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O filme tem poucos cenários, mas também aí nota alta para o design de produção que consegue mostrar-nos ainda um par de ruas, palácios e corredores bem atmosféricos. Guarda roupa idem e portanto tudo a pedir uma história a condizer.
Resumindo, como podem ver no trailer, o filme aparentemente tem mesmo pinta e parece ser algo muito superior aos habituais low-budget de ninjas e porrada.
Inclusivamente, a montagem do próprio trailer é bastante coerente e cria no espectador a ideia de que estará na presença de um bom filme, editado num estilo Manga mas filmado em “imagem real” e com tudo no seu lugar. Basicamente na pior das hipóteses [“Duelo sem fim“] a julgar pelo trailer parece ser um filme estilo banda-desenhada divertido.
Certo ?

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Errado.
O que raio se passa com o cinema Coreano de estilo Wuxia ?!
Ninguém bate a Coreia do Sul no que toca a filmes românticos, fazem bons filmes de acção técnológicos, excelentes  filmes de guerra e em todas as obras existe sempre uma perfeita humanização de personagens.
No entanto, parece que todo o talento sul coreano para o cinema se evapora quando tentam fazer filmes “medievais” ao estilo Wuxia. Contráriamente aos Chineses que conseguem desencantar épicos históricos cheios de personalidade, identidade e humanidade, ainda está para aparecer um Wuxia sul coreano que não seja mais do que um longo videoclip de porrada estilosa sem qualquer substância. Infelizmente não será ainda com [“Duelo sem fim“] que esta maldição irá terminar.

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Este deve ser um dos filmes orientais mais desconjuntados que me lembro de ter visto desde outra desgraça chamada Bichunmoo o Guerreiro, curiosamente mais um Wuxia Coreano.
Estava a tentar ver [“Duelo sem fim“] pela segunda vez, (da primeira nem consegui passar dos vinte minutos iniciais) e só me passava pela cabeça como este filme é estúpido. Eu sei, é uma designação também ela, bem… estúpida para dar a uma obra cinematográfica, mas na verdade é mesmo a palavra que mais correctamente consigo aplicar ás emoções que esta obra me provoca.
Há muito tempo que não via um filme tão irritante.
Supostamente [“Duelo sem fim“] tem uma espécie de história “policial” sobre dois agentes “undercover” que tentam apanhar uma rede de falsificadores de dinheiro mas tudo ambientado numa atmosfera medieval. No entanto esta suposta “história” deve ser o maior buraco negro de argumento que me recordo de ter encontrado pela frente em muitos anos. Senão vejamos…

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O filme tem pouco mais de 90 minutos.
Os primeiros 45 minutos e imediatamente desde que o filme começa, são passados numa constante perseguição entre personagens em que nada se passa a não ser vermos uns correrem atrás dos outros sem qualquer motivação interessante além de uns nos parecerem “os maus”, outros “os bons” e o anti-heroi o “assim-assim-que-se-calhar-é-bonzinho”. Muito interessante. Correm, param, lutam á espada, fazem umas acrobacias giras, correm, param, lutam á espada…já estão a ver onde quero chegar…
Não há qualquer desenvolvimento de personagens. Aliás, nem sequer há propriamente uma introdução coerente sobre quem é quem, pois o filme começa com perseguições, continua com perseguições e quarenta minutos depois ainda estamos a ver perseguições. Tudo em cenários bonitos e muito bem fotografados mas…que raio, onde está a história ?

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Ok, se calhar até poderia ter sido um conceito interessante. Seria bem curioso se toda a acção tivesse sido construída e montada de modo até a contar uma história. Os personagens poderiam ter sido desenvolvidos mesmo usando sequências de acção e não é por aí que o filme estaria condenado á partida.
No entanto, isto é mesmo dificil de explicar, mas nestas cenas de acção nunca se passa nada. São sequências de acção atrás de sequências de acção e meia hora depois ainda estamos a ver o mesmo tipo de acrobacias que já foram mostradas antes. É que o filme apesar de muito movimentado acaba sempre por nos estar a mostrar mais do mesmo.
As únicas alturas em que parece fazer uma pausa, é na própria montagem, quando de repente nos aparecem pela frente uma quantidade enorme de inesperadas sequências em câmera lenta apenas com o único propósito de criar imagens cheias de estilo que ainda tornam mais plásticos e vazios todos os personagens.
É que na verdade o “argumento” é tão mau que acho que [“Duelo sem fim“] nem tem personagens. Parece mais que estamos a ver uma quantidade de sequências de videogame saídas de um “Street Fighter” ou de um “Tekken” do que um filme com princípio, meio e fim.
A certa altura, eu próprio já não me surpreenderia, se antes de cada nova sequência de porrada ouvissemos um locutor qualquer a gritar: –  “FIGHT” !

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Diálogos neste filme são a coisa mais inútil que me recordo de ver numa obra deste género (ou em qualquer filme asiático que tenha visto até hoje). Qualquer linha de diálogo dos “Morangos com Açucar” tem mais utilidade numa suposta história do que alguma coisa que sai da boca dos personagens em [“Duelo sem fim“].
Devem pensar que estarei a ser demasiado duro com o filme. Mas o que dizer de um argumento que em quarenta minutos iniciais de porrada, quando coloca os personagens a dizer qualquer coisa, além do que eles têm para dizer não contribuir minimamente para acrescentar o que quer que seja de interesse á “história” ainda por cima o que sai da boca das pessoas são frases que terminam em “cagar”, “mijar” e outras escatologias que tal. Juro !
Como se os argumentistas achassem que seriam diálogos muito cool para criar uma identidade divertida (?) nos “bonecos”. Mais uma vez, isto é bem difícil de explicar. Só vocês vendo mesmo.
Depois fora estas pérolas, quando os personagens não estão a debitar bacoradas escatológicas por tudo e por nada, estão a falar uns com os outros sobre a tal suposta “história policial” que no fundo não serve para nada a não ser para ligar á próxima cena estilosa de porrada videocliptica.
Os argumentistas poderiam ter trocado os diálogos dos personagens todos que não se notaria qualquer diferença na caracterização de qualquer um deles.
Os herois são um vazio, os polícias são uns imbecis, o anti-heroi não sabe fazer mais nada a não ser posar para a câmara e a love story é tudo menos emocional.

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Um filme visualmente tão cuidado, não merecia ter tido este resultado. Não será própriamente um “The Promise” ou um “Curse of the Golden Flower“, mas poderia ter sido a um outro nível mesmo com o seu baixo orçamento. É pena.
Este é um daqueles filmes asiáticos que merecia ter tido melhor sorte. A ideia de uma espécie de filme policial “á americana” dentro de um ambiente medieval oriental até é gira. O anti-heroi tinha potencial, a heroína é bonita e os restantes personagens poderiam ter sido um bom comic-relief.  Agora por muito que o trailer não indique, nada evita que este seja mais outra tentativa absolutamente falhada da Coreia do Sul produzir outro Wuxia.
Eu nem queria acreditar quando estive a ver os trailers presentes no dvd e uma das frases publicitárias apresenta o filme como a nova saga romântica da história do cinema moderno oriental. Uma história de amor que irá revolucionar o cinema de acção asiático, dizem eles.
Acreditem-me, se [“Duelo sem fim“] nem sequer pode ser considerado um filme de acção a sério apesar de toda a porradaria interminável que contém, muito menos alguma vez seria um filme romântico.
Algo vai mal quando não nos importamos mínimamente com os personagens. E mais mal ainda quando se poderiam trocar os papeis do suposto casal romântico que não se notaria qualquer diferença.

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A suposta química romântica entre os protagonistas está absolutamente abaixo de zero. O seu amor impossível é do mais banal, bacoco, rasca e previsível que alguma vez vocês poderão encontrar num filme e tudo se afunda num mar de lugares comuns estilosos muito mal desenvolvidos e que não conseguem envolver minímamente o espectador.
Até um enlatado pseudo-romântico ocidental terá mais emotividade que o romance presente em [“Duelo sem fim“]  e isto é talvez a pior coisa que se poderia dizer de um filme vindo do cinema oriental, especialmente de uma obra que promovida como sendo um futuro novo clássico romântico wuxia ao estilo Romeu & Julieta.
Se procuram um Wuxia oriental que mistura fantásticamente bem o melhor do cinema romântico comercial, com o estilo Wuxia, esqueçam este [“Duelo sem fim“] e não percam antes “An Empress and the Warriors“, esse sim um bom exemplo de como se consegue fazer bom cinema comercial de alma e coração, sem esquecer boas cenas de acção e que não precisa de meter estilo a todo o momento.

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[“Duelo sem fim“] deve ter uma das montagens mais estranhas de sempre num Wuxia. As sequências de acção a qualquer momento podem passar para um estilo em câmera-lenta e sequências dessas é coisa que não faltam nesta obra. Até chateia.
Ou então de repente aceleram a duzentos á hora e toda a narrativa visual entra estranhamente num registo cartoon a fazer lembrar os velhos filmes mudos dos famosos Keystone Cops o que cria um estranho ambiente nesta produção. Se por momentos apresenta-se como um filme de acção puro e duro, noutros parece querer entrar pelo estilo de comédia destrambelhada para depois tentar voltar ao drama pseudo-romântico que subitamente também pode retornar a qualquer instante ao registro de “porradaria” chunga. Há um estranho desiquílibrio neste filme e mais uma vez esta é outra daquelas coisas que só vocês vendo mesmo.

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Como se não bastasse tudo isto, depois ainda temos de levar com uma banda sonora que não lembra ao diabo e acaba por ser o espelho do desiquilibrio do próprio filme. Se por um lado temos um par de composições orientais mais clássicas de repente em muitas cenas de porrada subitamente entram pelas imagens a dentro acordes e guitarradas ao pior estilo hard-rock como se subitamente alguns imitadores dos ZZ-Top tivessem tido com este filme a liberdade de “guitarrar” á sua bela vontade só porque alguém algures se calhar achou que uma “rockalhada” daria ainda mais pinta á violência estilosa e aborrecidamente coreografada que percorre [“Duelo sem fim“] .
Portanto…isto das opiniões é sempre subjectivo, por isso estão por vossa conta.
Pela minha parte não recomendo este filme a ninguém pois é uma verdadeira decepção em todos os sentidos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar do trailer não o indicar,  [“Duelo sem fim“]  é outro dos piores filmes Wuxia que vi até hoje.
Só comparável a outros monos como “Shinobi” ou “Bichunmoo”, portanto cuidado. Mesmo que gostem de filmes do género, se estiverem habituados a cinema realmente com substância atenção porque este filme poderá ser uma verdadeira decepção. É que nem sequer é um daqueles em que uma pessoa pode desligar o cérebro e ir na onda, visto que tudo é tão vazio, tão repetitivo e previsível que o filme se torna absolutamente aborrecido e nem algumas imagens bonitas o conseguem salvar. É tudo tão braindead que acho que nem o público adolescente lhe irá dar grande atenção, pois na verdade o filme é mesmo muito desiquilibrado e até mesmo quem não pede mais do que umas boas cenas de porrada poderá aborrecer-se de morte pois a partir de certa altura tudo parece igual e já visto.
Cuidado com as reviews que até classificam este filme de divertido, pois podem acabar com um dvd nas mãos que não vale o disco em que está gravado e sendo assim visto que esta coisa está editada em Portugal, sugiro que o vão buscar ao clube de video antes de correrem a ir comprá-lo. É que este nem vale sequer o tempo de download num torrent. Vão por mim.
Uma tigela de noodles, por ser um vazio absoluto apenas embrulhado em cores bonitas.

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A favor: a cenografia, o guarda-roupa e a fotografia (que mesmo assim não se safa dos habituais tiques estilo teledisco dos anos 80 com uma iluminação excessiva á base de evidentes focos de luz colorida em certas sequências de acção).
Contra: mais uma vez com tanto cinema oriental fabuloso a pedir uma edição portuguesa continua-se a lançar no nosso país filmes que só contribuem para a má imagem do cinema asiático junto de um público que só conhece pipocas americanas, o trailer é muito melhor que o filme, um vazio, os personagens não transmitem qualquer emoção, a estética esforça-se demasiado para ter estilo a todo o momento, passados quarenta minutos de filme ainda não aconteceu nada a não ser perseguições entre “bons”  e “maus”, a montagem abusa das sequências em câmera-lenta e pelo meio ás vezes acelera para uma velocidade em estilo cartoon completamente fora do contexto, as supostas partes de humor não têm graça nenhuma, não há qualquer empatia com o espectador, a realização do filme é muito má e totalmente desiquilibrada, a história de amor não tem um pingo de interesse, não se percebe se quer ser um filme para adolescentes ou um drama Wuxia a sério, o anti-heroi tem tiques de “Floribela” e passa o filme todo a “fazer beicinho”, quando os personagens debitam alguma linha de diálogo normalmente é para mandar bocas que envolvem expressões como “cagar” e “mijar” repetidamente,  a história não tem um pingo de interesse e serve apenas para ligar as cenas de porrada estilosa, não julguem que  [“Duelo sem fim“]  é algo semelhante a um “O Tigre e o Dragão”, “Hero” ou “House of the Flying Daggers”. Não é.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer (não se deixem enganar por isto)
http://www.youtube.com/watch?v=QuPNPUYXGfI

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Comprar:
Encontrarão certamente a edição portuguesa desta coisa algures num cesto de promoções de hipermercado perto de vós, mas se assim não acontecer e quiserem muito comprar este filme podem encontrá-lo aqui http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-77-1-49-en-15-duelist-70-1ilo.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0475616/

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Se gostaram deste, poderão gostar desta outra banalidade:

Shinobi

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