Donggam (Ditto) Jeong-kwon Kim (2000) Coreia do Sul


Apesar do fabuloso “Il Mare” ter sido um enorme fracasso comercial pela altura do seu lançamento nas salas da Coreia do Sul, a verdade é que acabou por definir um género dentro do próprio cinema romântico quando aos poucos se tornou num verdadeiro filme de culto.
Isto porque o mesmo público que não foi vê-lo  ao cinema (certamente por causa do péssimo trailer), acabou no entanto por descobrir o filme nos clubes de video da Coreia do Sul e o passa-a-palavra fez o resto, transformando o dvd num dos mais vendidos de sempre por aqueles lados.
O sucesso de “Il Mare” inevitávelmente chamou a atenção de Hollywood que tendo comprado os direitos conseguiu mesmo com uma matéria prima extraordionária produzir aquele que deve ser uma das piores versões americanas de um filme oriental feitas até agora.
Mas como não só em Hollywood se fazem más cópias de um original, a verdade é que também pelo oriente ainda surgiram uns clones a tentando colar-se sem sucesso á mágia do estilo de “Il Mare” .
Entre esses clones, surpreendentemente não se encontra o filme [“Ditto“] de que vos vou agora falar.

[“Ditto“] pode ser tomado por um clone de “Il Mare” mas na verdade este é um daqueles casos curiosos em que dois filmes semelhantes foram produzidos mais ou menos ao mesmo tempo.
Inclusivamente este foi lançado nas salas quatro meses antes do outro e ao contrário de  “Il Mare“, [“Ditto“] teve algum sucesso imediato junto do público asiático, talvez devido á sua estrutura mais comercial e portanto mais apelativa.
É particularmente dificil falar sobre o filme e é uma das razões porque até este momento ainda não tinha colocado qualquer review no blog.
A dificuldade está precisamente no facto de [“Ditto“] ser tão parecido com “Il Mare” que se torna particularmente complicado escrever algo realmente interessante sobre ele.
Tudo neste filme oriental parece uma cópia de segunda categoria se já tivermos visto  “Il Mare” e isso acaba por ser na verdade um bocado injusto especialmente quando sabemos que [“Ditto“] até foi pensado como uma história original, (pensavam eles).

No entanto, [“Ditto“] tem um certo charme que o coloca muito acima dos clones que surgiram depois.
Embora nem de perto nem de longe [“Ditto“] tenha aquela magia e ambiente poético de  “Il Mare” consegue no entanto agarrar o espectador pela história.
Inevitávelmente, quem viu este filme em segundo lugar acaba por comparar os dois a todo o momento e claro que [“Ditto“] perde em todas as comparações. A começar logo pelos personagens que não têm particular interesse talvez precisamente por causa da força dos “originais”.
O argumento tenta abordar  mais ou menos os mesmos temas; amor á distância, solidão, embora com um elemento adicional mas que na verdade não tem força suficiente para lhe dar muita alma pois uma secundária história de amor paralela pouco mais faz do que acrescentar algum drama sem grande relevância para a relaçao dos protagonistas.

Mas não se deixem desmoralizar por estas minhas primeiras palavras pouco entusiasmadas, pois [“Ditto“] não é de forma alguma um mau filme e na verdade é bastante recomendável a quem procura outra história de amor oriental.
Quem já viu “Il Mare“, “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Be with You” e todas as outras boas histórias do género que tenho recomendado neste blog, não ficará desiludido se adicionar também este título á colecção.
O filme pode não os deixar absolutamente apaixonados, mas apesar de tudo tem uma história
sólida e bem interessante, conseguindo mesmo manter algum suspanse até ao seu desenlaçe final.

O argumento de [“Ditto“] gira á volta de dois estudantes universitários que casualmente entram em contacto um com o outro comunicando por um aparelho de rádio-amador.
Quando decidem encontrar-se ao vivo, apesar de ambos terem comparecido no local combinado na hora combinada não chegam a estar juntos e cedo descobrem que na verdade estão separados por uma distância de 21 anos. A rapariga estuda na universidade no ano de 1979 e o rapaz encontra-se no ano 2000.
E mais não digo, pois o resto fica para vocês descobrirem.

O filme na verdade até é bem mais complexo do que aparenta á primeira vista, pois todo o seu pano de fundo aborda inúmeros factos históricos e políticos que certamente significarão muito para toda a gente que vive na Coreia do Sul.
No entanto, o  facto de nós enquanto espectadores ocidentais não termos própriamente grandes referências para associarmos tudo o que se passa ao redor dos personagens com a sua evolução emocional dentro da história de amor, faz certamente com que muita coisa nos passe ao lado e por esse motivo [“Ditto“] não nos tocará tão emotivamente como o fez junto de muitos espectadores da Coreia do Sul.

Mas técnicamente é um bom filme oriental. Usa de forma muito inteligente o estilo de fotografia para dividir as duas décadas que representa, a banda sonora é bastante boa e perfeitamente adequada e a realização apesar de não deslumbrar cumpre perfeitamente e o filme até tem uma certa aura nostálgica que só lhe fica bem.
Sendo assim…

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Visto que a procura por filmes românticos neste blog continua completamente em alta, [“Ditto“] é mais um daqueles que recomendo.
Não é de forma alguma um dos melhores, mas é uma boa e sólida história de amor que em certos momentos até se assemelha estranhamente a um filme americano posterior com Dennis Quaid chamado “Frequency” o que nos deixa a pensar se alguém em Hollywood não se terá inspirado ligeiramente neste filme coreano para criar aquela não-versão americana…
Sendo assim, [“Ditto“] é uma história de amor simpática, embora quanto a mim algo fria…ou talvez morna, tanto na atmosfera como na sua execução, mas que no entanto merece ser vista por quem admira a capacidade quase infinita dos Sul Coreanos conseguirem continuar a criar as mais originais histórias do género quando já nenhum conceito parece possível.
Quatro tigelas de noodles, pois é muito bom, mas não mais do que isso.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: a história apesar de semelhante á de “Il Mare” consegue no entanto prender o espectador até ao fim, tem uma certa atmosfera melancólica que confere alguma identidade ao filme, o final é muito interessante.
Contra: falta alguma emoção aos personagens, salvo raros momentos o espectador não se emociona particularmente e como tal todo o filme mantém alguma distância sem nos agarrar por completo, talvez todo o fundo político que desconhecemos contribua para quebrar alguma da magia e da identificação com os personagens, os personagens são interessantes mas não nos importamos particularmente com eles, especialmente com os secundários.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=tu1pAOSQEUI

Comprar
Ao preço que ele está actualmente (pouco mais de 5€) vale bem a compra.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-ditto-70-ck0.html

Ou então podem ir buscá-lo á Amazon.com

IMDB (cuidado com os *spoilers*)
http://www.imdb.com/title/tt0270919/

——————————————————————————————————————

Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

——————————————————————————————————————

Anúncios

One thought on “Donggam (Ditto) Jeong-kwon Kim (2000) Coreia do Sul

  1. Filme legal ! Já assisti Il mare, mas não me atrapalhou a aproveitar esse filme. É interessante de se ver e aprecia-lo, mesmo as coisas simples, como o jeito de falar da guria ou mesmo o quarto do rapaz. Não sei qual versão assististe, mas o dvd compensa bastante.
    Obrigado

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s