Saekjeuk shigong (Sex is Zero) Je-gyun Yun (2002) Coreia do Sul


Eu sei que existem inúmeras reviews deste filme espalhadas pela net que referem a história do mesmo.
Não se iludam, essas pessoas devem andar na droga.
Desafio qualquer pessoa a ver os primeiros 45 minutos de [“Sex is Zero“] e a tentar descrever-me o seu argumento.
Este filme é o caos absoluto ! Depois de ver [“Sex is Zero“] o mundo dividir-se-há entre aqueles que vão imediatamente comprar um bilhete de avião para a Coreia do Sul e os que riscarão aquele país de qualquer potencial rota turística para os próximos anos porque aqueles gajos estão tão á frente que se calhar pode ser perigoso para a saúde mental de um ocidental desprevenido.

Como descrever isto…
Eu que desde os anos 70 já devo ter visto todas as comédias porcas, desde o mais chunga filme cómico italiano, passando pelos israelitas “Gelado de Limão (elevado ao infinito)”, pelos franceses “Turma dos Repetentes”, pelos americanos “Animal House“, “Porkys 1, 2, 3″ mais toda a colecção de “American Pies” com subsequentes clones, pensava então que já tinha visto tudo e que já nada me espantava no que toca a comédias sexuais com adolescentes.
Até que vi o sul-coreano [“Sex is Zero“] este fim de semana.

Estou a tentar encontrar palavras para não tentar exagerar, mas quando eu pensava que já tinha visto tudo no que toca a gags sexuais, quando eu pensava que já não se poderia esticar mais a coisa sem roçar o XXX, [“Sex is Zero“] entra a matar com algumas das sequências mais criativas e inimagináveis que se poderia esperar num filme deste estilo.
Lembram-se da polémica e do debate moral que o primeiro “American Pie” suscitou na américa quando saiu ?  A cena em que o personagem do Jason Biggs, bem…moca uma torta em cima da mesa da cozinha suscitou na altura intermináveis debates sobre como a cena era chocante para as mentes dos teenagers, etc, etc, etc e como aquilo era uma coisa muito á frente na comédia etc, etc, etc.
Amadores.

Estes americanos são uns amadores, pois comparado com o que aparece em [“Sex is Zero“] todos os sketches do American Pie poderiam ser patrocinados pela Disney.
Se os americanos andaram todos chocados pelo Jason Biggs fornicar uma torta, o que dizer do hilariante ingrediente secreto para sandes destinadas a provocar efeitos afrodisíacos nas meninas orientais deste filme ?! E mais não digo.
[“Sex is Zero“] é um filme particularmente dificil de comentar aqui porque para o fazer de forma correcta eu teria de revelar porque razão a maior parte dos gags são hilariantes e isso estragaria logo metade do prazer em descobrirem este filme.

Posso dizer-vos no entanto que metade do fascínio desta comédia, não está propriamente no humor que apresenta mas mais naquele factor: – ” Eu não acredito que estes gajos estão a mostrar isto !!”.
Vejam [“Sex is Zero“] e passarão metade do tempo a exclamar coisas do género: – “Estes gajos têm mesmo lata !!”
Esta é uma comédia muito estranha que se torna hilariante, mais por aquilo que a gente nunca imagina que vai acontecer a seguir do que própriamente pelos gags. É dificil de explicar.

Não é própriamente a inovação das piadas sexuais que tornam o filme especial, mas sim a forma como elas são usadas e aparecem nos sítios mais inesperados tudo num ritmo verdadeiramente alucinante que nem dá tempo ao espectador respirar, ou muitas das vezes fechar a boca de espanto depois de mais outra exclamação do estilo: -“Eles não mostraram mesmo isto que eu vi pois não ?!”
Básicamente, uma coisa é certa, os jovens actores deste filme têm uma lata do caraças pela descontracção como abordam todas as situações mais inacreditáveis e humilhantes dos seus personagens.

Outra coisa que torna o filme diferente é o facto deste filme ter meninas nuas.
Muitas meninas nuas, semi-nuas, mamas, rabos, cenas de sexo quanto baste, etc.
Quem procurar por uma comédia com miudas orientais sem roupa  tem aqui não só um bom exemplo, como também um relativamente raro pois nudez feminina no cinema comercial oriental não é algo que se veja muito no cinema daquelas paragens, muito menos estando associada a um contexto tão sexualmente “explícito” como acontece neste [“Sex is Zero“] a todo o instante.
Esqueçam a imagem fofinha da miuda oriental, estas tipas são fofinhas mas têm mais hormonas aos saltos que o elenco masculino do filme todo reunido o que dá logo também uma outra vertente a esta comédia. [“Sex is Zero“] não é apenas mais um daqueles filmes com tipos atrás de gajas. Aqui elas também andam á caça de homens e sabem muito bem o que querem, para desgraça de muitos personagens que se metem nas piores situações por causa das miudas ao longo do filme todo.

E por falar em situações maradas, não recomendo que vejam este filme depois do jantar pois se são daquelas pessoas com estômago fraco fica aqui o aviso que [“Sex is Zero“] tem por base um humor primário do mais escatológico possível que envolve desde cenas com vomitado, a ratos ou a …bem… não digo. Boa sorte.
Fica só o aviso de que este filme é bem mais do que a comédia americana de suposta tendência politicamente incorrecta.
[“Sex is Zero“] nem se preocupa em fingir pois se querem gags politicamente incorrectos não procurem mais longe. E o engraçado nisto tudo é que resulta.
Tudo o que é de extremos neste filme parece extremamente natural. Tudo está dentro do contexto completamente anárquico e como tal contagia o espectador.
Muitos vão adorar o humor primário, muitos vão detestar mas não vão conseguir tirar os olhos do ecran porque precisam mesmo de ver o que poderá acontecer a seguir.

Pessoalmente, detesto humor deste estilo. Talvez porque quando era puto vi tantas comédias parvas de adolescentes que já não posso mais com piadas supostamente sexuais carregadas de hormonas imbecis.
No entanto tenho que confessar que abro uma grande excepção para [“Sex is Zero“].
Dentro do avacalhamento total este filme é capaz de ser bem uma obra prima do género.
E pode ser que um dia eu consiga até achar que isto tem uma história digna de ser resumida. Mas uma coisa de cada vez.

Mas este filme tem muito mais do que apenas gags nojentos. Aliás, tirando as piadas com cenas repulsivas consegue na verdade ir muito mais além do que muita comédia do género, tanto na maneira como usa o humor mas principalmente como inesperadamente usa o drama.
A última coisa que o espectador esperaria despois de passar pelo menos os primeiros 60 minutos de filme a ver cenas absolutamente avacalhantes em todos os sentidos seria de se deparar com um interlúdio sério e dramático na parte final do filme.
Súbitamente os dois personagens principais ganham vida.
Deixam de parecer os bonecos de cartão de comédia sexual adolescente estereotipada e inesperadamente tornam-se seres humanos reais levando imediatamente o espectador a interessar-se realmente pelo seu destino numa questão de segundos.

Aqui, nota alta para o realizador e para o argumento que souberam como ninguém, passar sem que nós nos dessemos conta de uma comédia desmiolada para um pequeno drama com alma sem sair do contexto caótico do filme.
Aliás, [“Sex is Zero“] tem uma cena que ainda não tinha visto em nenhum filme e ainda estou a tentar perceber como resulta tão bem mesmo tratando-se de algo no argumento que á primeira vista seria impossível de ligar de forma que pudesse funcionar. A verdade é que funciona não só bem, como acaba por ser dos momentos mais hilariantes do filme sem recorrer a piadas porcas.
É uma cena hilariante ao mesmo tempo que é muito triste e tudo resulta plenamente graças ao trabalho dos actores e naturalmente ao talento do realizador que tem aqui talvez a melhor cena do trabalho.
Isto poderá ser um pequeno *spoiler* mas preciso de explicar isto melhor. Trata-se da cena em que a protagonista recorre a uma clinica para fazer um aborto e arrasta o amigo com ela para se fazer passar por pai do seu filho. Acontece que o rapaz encheu o cabelo de compota de morango porque não tinha gel e durante toda a cena (realmente) triste e dramática em que se discute o aborto da rapariga o cabelo do rapaz está constantemente cheio de moscas o que cria um daqueles momento únicos em que já não sabemos se estamos a chorar por causa do drama ou por causa da comédia e quanto a mim é a cena do filme. */fim do spoiler*

Pela net, muita gente achou que o filme não precisava de uma parte dramática, pois até aí tinha sido apenas uma comédia desmiolada a abrir e quem apenas gosta desse tipo de filme não gostou que de repente os personagens enfrentassem um drama real.
Na minha opinião a parte dramática é precisamente aquilo que eleva esta comédia acima de muitas outras coisas ao estilo “American Pie”  sem cérebro, pois no meio de tanto caos , subitamente damos por nós realmente interessados naquela pequena história de amor.
Se há aqui um problema é se calhar o facto de que este bocado dramático deveria ter sido inserido mas era no “100 Days With Mr Arrogant” pois se esse filme tivesse tido um segmento dramático tão bom teria sido uma excelente comédia romântica, até porque os dois filmes são com a mesma actriz (em registros completamente diferentes).
Assim mesmo estando no [“Sex is Zero“] isso não chega para classificar o presente filme de comédia romântica porque na verdade é demasiado alucinada para isso, mesmo tendo um bom coração emocional apesar de tudo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar de me ter divertido muito com o filme, penso no entanto que não lhe posso dar mais que trés tigelas de noodles. Isto porque não é o tipo de filme que voltarei a rever muitas vezes e também porque já estou um bocado cansado de comédias sexuais adolescentes.
No entanto, não deixem esta minha classificação relativamente suave impedir que vejam  [“Sex is Zero“] pois é realmente uma comédia escatológica muitos furos acima de qualquer “American Pie”  e pelo meio ainda tem uma pequena história de amor com alma.
Se gostarem muito de comédias sexuais adolescentes podem acrescentar duas tigelas de noodles á minha classificação pois na verdade se vermos este filme apenas por esse prisma é realmente um produto cinco estrelas que lhes irá agradar certamente. E surpreender também.

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A favor: o caos absoluto do … “argumento” ? Muitos gags nojentos que resultam plenamente dentro do contexto do filme, a parte dramática tem alma e coração pois emociona-nos ao mesmo tempo que nos faz rir no meio da tristeza, tem meninas orientais nuas o que não se vê todos os dias num filme saído da Coreia do Sul, as piadas sexuais são literalmente um gozo, personagens masculinos e femininos em pé de igualdade sexualmente falando.
Contra: pode ter piadas um bocado nojentas para muita gente, algures nas partes finais o filme sofre uma quebra na montagem durante as sequências de ginástica e arrasta-se um bocado por minutos sem razão aparente, a realização não deslumbra e limita-se a seguir todas as fórmulas da comédia sexual adolescente que já vimos mil vezes…embora neste caso, isto tem muito que se lhe diga.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
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Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0341555/

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Comédias semelhantes:

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Naesarang ssagaji (100 Days with Mr. Arrogant) Dong-yeob Shin (2004) Coreia do Sul


Este filme oriental é tão cute que mete vómitos.
Tem uma atmosfera tão…ehm, bem…fofinha que faz lembrar aqueles anime femininos em total modo histérico cheios de bonequinhas-colegiais aos gritos e risinhos por todo o lado e tudo embrulhado num estilo gráfico que se poderia designar por pop-caótico na melhor tradição moderna Coreana.
Isto quer dizer claro, que estamos na presença de mais outro clone de “My Sassy Girl” por isso bem-vindos a [“100 Days With Mr Arrogant“].

Desliguem o cérebro porque isto não é um filme para pensar e muito menos para ter lógica. Olhem para aqui como se estivessem a ver um anime e se não se incomodarem com o estilo de humor oriental a duzentos á hora vão divertir-se certamente.
Partindo deste presuposto, quanto a mim, diverti-me á brava a ver isto. Este é mais uma daquelas histórias que embora tenha a inevitável base previsível, a verdade é que o espectador não imagina nunca o que vai acontecer a seguir no que toca aos pormenores. Tudo pode acontecer e neste filme normalmente acontece.

Practicamente 70% do filme é composto pelas mais indescritiveis peripécias dos protagonistas que resultam num conjunto de bons gags sendo um par deles particularmente hilariantes.
Basicamente o que este filme tem é mesmo -muito boa onda – tornando-se no antídoto perfeito para aqueles dias tristes das nossas vidas pois o filme é na verdade tão estúpido que é impossível não sorrirmos ao ver tamanha sucessão de desgraças, planos falhados e momentos fofinhos quanto baste.

Os outros 30% do filme são o que o impede de ser realmente a grande comédia romântica que merecia ter sido pois a parte final é composta pela habitual e formulática reviravolta no estilo iniciado pelo “My Sassy Girl” mas que no caso deste [“100 Days With Mr Arrogant“] é aquilo que quase afunda o filme.
Isto porque ao contrário do original não há aqui qualquer equlíbrio entre o drama e a comédia ou criação de atmosfera romântica minimamente humanizada.
Estamos a ver uma comédia asiática completamente alucinante e de repente apanhamos com uma história de amor com contornos pretensamente sérios mas que está totalmente deslocada de tudo o que até então tinha acontecido no filme.
E para piorar as coisas, as motivações dos personagens dentro da habitual estrutura – boy finds girl- boy looses girl – boy gets girl again- aqui parecem saídas de um episódio dos Morangos com Açucar pois os protagonistas de repente transformam-se em verdadeiros adolescentes sem cérebro ao melhor estilo TVI, coisa que estranhamente até ali mesmo nos momentos mais malucos do filme não pareciam ser.

O problema é que tudo o que acontece nas partes cómicas tem o seu contexto próprio ao contrário da suposta sequência dramática que parece caír de pára-quedas só porque a fórmula pedia um romance parecido ao do “My Sassy Girl”.
Este filme é precisamente o exemplo perfeito de como não basta apenas ter um par de bons actores a desempenharem dois personagens divertidos para se conseguir a mesma magia que esteve presente na fórmula original. Há que ter um toque especial que falta óbviamente a este filme.

Mesmo com alguns gags absolutamente geniais (e que não ficariam nada mal se tivessem sido interpretados pela sassy girl original), este filme fica a meio caminho do seu potencial precisamente porque a parte romântica não tem alma.
Também em “My Sassy Girl” já se esperaria que os dois protagonistas acabassem juntos mas a grande magia do seu conceito original é que o realizador conseguiu realmente criar alguma dúvida no espectador precisamente porque os personagens são caracterizados como pessoas reais e é esse aqui o grande problema de [“100 Days With Mr Arrogant“] pois começa como um Anime de imagem real mas nunca consegue livrar-se dos seus personagens de cartão quando tenta ser algo mais.

Quando tenta enveredar pelo drama tudo cai por terra porque apesar dos “bonecos” resultarem a 100% nos excelentes momentos de comédia, nunca conseguem convencer-nos dos seus sentimentos o suficiente para que nos importemos com o seu drama na parte final do filme.

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CLASSIFICAÇÃO:

Resumindo, apesar da sua parte final a puxar para o drama romântico adolescente de pacotilha, a verdade é que [“100 Days With Mr Arrogant“] é uma comédia muito divertida, com gags delirantes embrulhados em sequências imaginativas e acima de tudo ultra-mega-cute o que transformam este filme em mais um daqueles produtos comerciais fofinhos de meter vómito mas que não nos deixa tirar os olhos do ecrã durante o tempo todo se decidirmos entrar no espírito da coisa e deixarmo-nos levar por ele.
Ao contrário de “S-Diary” (outro clone de “My Sassy Girl”), apesar da parte dramática não ter interesse pelo menos no que toca ás cenas de comédia [“100 Days With Mr Arrogant“] mantém sempre um ritmo constante com coisas divertidas a acontecerem a todo o instante e neste aspecto resulta particularmente bem melhor do que grande parte dos outros clones.
Totalmente recomendado se quiserem passar uns noventa minutos divertidos e uma boa opção para quem quer adicionar uma comédia á colecção. E se não esperarem muito da história de amor também não é por causa da sua fragilidade que vão deixar de se divertir com este filme.
Trés tigelas e meia de noodles porque enquanto filme não vale muito mais, mas como divertimento braindead recomendo vivamente.

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A favor: é um clone de “My Sassy Girl” mas no que toca á parte de comédia resulta plenamente, alguns gags são brilhantes, não tem medo de ser politicamente incorrecto, tem muito boa onda e é um daqueles filmes muito positivos que alegram qualquer dia cinzento, a actriz principal dá bem conta do recado e é muito divertida, os personagens secundários são muito engraçados nomeadamente as amigas da protagonista, o estilo fofinho caótico do filme assenta perfeitamente.
Contra: ao tentarem imitar demasiado “My Sassy Girl”, falharam por completo na parte dramática, pois os personagens de cartão nunca ganham a alma e a humanidade do “filme original” e como tal a sequência romântica não provoca nenhuma reacção emocional no espectador pois todo o “drama” mais parece ter saído dos Morangos com Açucar, do Rebelde Way ou de qualquer uma daquelas séries cheias de adolescentes “tios”/imbecis/fashion que infestam as nossas televisões nacionais.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Er30pYSM8to

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0395677/

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Comédias semelhantes:

My Sassy Girl

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Donggam (Ditto) Jeong-kwon Kim (2000) Coreia do Sul


Apesar do fabuloso “Il Mare” ter sido um enorme fracasso comercial pela altura do seu lançamento nas salas da Coreia do Sul, a verdade é que acabou por definir um género dentro do próprio cinema romântico quando aos poucos se tornou num verdadeiro filme de culto.
Isto porque o mesmo público que não foi vê-lo  ao cinema (certamente por causa do péssimo trailer), acabou no entanto por descobrir o filme nos clubes de video da Coreia do Sul e o passa-a-palavra fez o resto, transformando o dvd num dos mais vendidos de sempre por aqueles lados.
O sucesso de “Il Mare” inevitávelmente chamou a atenção de Hollywood que tendo comprado os direitos conseguiu mesmo com uma matéria prima extraordionária produzir aquele que deve ser uma das piores versões americanas de um filme oriental feitas até agora.
Mas como não só em Hollywood se fazem más cópias de um original, a verdade é que também pelo oriente ainda surgiram uns clones a tentando colar-se sem sucesso á mágia do estilo de “Il Mare” .
Entre esses clones, surpreendentemente não se encontra o filme [“Ditto“] de que vos vou agora falar.

[“Ditto“] pode ser tomado por um clone de “Il Mare” mas na verdade este é um daqueles casos curiosos em que dois filmes semelhantes foram produzidos mais ou menos ao mesmo tempo.
Inclusivamente este foi lançado nas salas quatro meses antes do outro e ao contrário de  “Il Mare“, [“Ditto“] teve algum sucesso imediato junto do público asiático, talvez devido á sua estrutura mais comercial e portanto mais apelativa.
É particularmente dificil falar sobre o filme e é uma das razões porque até este momento ainda não tinha colocado qualquer review no blog.
A dificuldade está precisamente no facto de [“Ditto“] ser tão parecido com “Il Mare” que se torna particularmente complicado escrever algo realmente interessante sobre ele.
Tudo neste filme oriental parece uma cópia de segunda categoria se já tivermos visto  “Il Mare” e isso acaba por ser na verdade um bocado injusto especialmente quando sabemos que [“Ditto“] até foi pensado como uma história original, (pensavam eles).

No entanto, [“Ditto“] tem um certo charme que o coloca muito acima dos clones que surgiram depois.
Embora nem de perto nem de longe [“Ditto“] tenha aquela magia e ambiente poético de  “Il Mare” consegue no entanto agarrar o espectador pela história.
Inevitávelmente, quem viu este filme em segundo lugar acaba por comparar os dois a todo o momento e claro que [“Ditto“] perde em todas as comparações. A começar logo pelos personagens que não têm particular interesse talvez precisamente por causa da força dos “originais”.
O argumento tenta abordar  mais ou menos os mesmos temas; amor á distância, solidão, embora com um elemento adicional mas que na verdade não tem força suficiente para lhe dar muita alma pois uma secundária história de amor paralela pouco mais faz do que acrescentar algum drama sem grande relevância para a relaçao dos protagonistas.

Mas não se deixem desmoralizar por estas minhas primeiras palavras pouco entusiasmadas, pois [“Ditto“] não é de forma alguma um mau filme e na verdade é bastante recomendável a quem procura outra história de amor oriental.
Quem já viu “Il Mare“, “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Be with You” e todas as outras boas histórias do género que tenho recomendado neste blog, não ficará desiludido se adicionar também este título á colecção.
O filme pode não os deixar absolutamente apaixonados, mas apesar de tudo tem uma história
sólida e bem interessante, conseguindo mesmo manter algum suspanse até ao seu desenlaçe final.

O argumento de [“Ditto“] gira á volta de dois estudantes universitários que casualmente entram em contacto um com o outro comunicando por um aparelho de rádio-amador.
Quando decidem encontrar-se ao vivo, apesar de ambos terem comparecido no local combinado na hora combinada não chegam a estar juntos e cedo descobrem que na verdade estão separados por uma distância de 21 anos. A rapariga estuda na universidade no ano de 1979 e o rapaz encontra-se no ano 2000.
E mais não digo, pois o resto fica para vocês descobrirem.

O filme na verdade até é bem mais complexo do que aparenta á primeira vista, pois todo o seu pano de fundo aborda inúmeros factos históricos e políticos que certamente significarão muito para toda a gente que vive na Coreia do Sul.
No entanto, o  facto de nós enquanto espectadores ocidentais não termos própriamente grandes referências para associarmos tudo o que se passa ao redor dos personagens com a sua evolução emocional dentro da história de amor, faz certamente com que muita coisa nos passe ao lado e por esse motivo [“Ditto“] não nos tocará tão emotivamente como o fez junto de muitos espectadores da Coreia do Sul.

Mas técnicamente é um bom filme oriental. Usa de forma muito inteligente o estilo de fotografia para dividir as duas décadas que representa, a banda sonora é bastante boa e perfeitamente adequada e a realização apesar de não deslumbrar cumpre perfeitamente e o filme até tem uma certa aura nostálgica que só lhe fica bem.
Sendo assim…

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CLASSIFICAÇÃO:

Visto que a procura por filmes românticos neste blog continua completamente em alta, [“Ditto“] é mais um daqueles que recomendo.
Não é de forma alguma um dos melhores, mas é uma boa e sólida história de amor que em certos momentos até se assemelha estranhamente a um filme americano posterior com Dennis Quaid chamado “Frequency” o que nos deixa a pensar se alguém em Hollywood não se terá inspirado ligeiramente neste filme coreano para criar aquela não-versão americana…
Sendo assim, [“Ditto“] é uma história de amor simpática, embora quanto a mim algo fria…ou talvez morna, tanto na atmosfera como na sua execução, mas que no entanto merece ser vista por quem admira a capacidade quase infinita dos Sul Coreanos conseguirem continuar a criar as mais originais histórias do género quando já nenhum conceito parece possível.
Quatro tigelas de noodles, pois é muito bom, mas não mais do que isso.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: a história apesar de semelhante á de “Il Mare” consegue no entanto prender o espectador até ao fim, tem uma certa atmosfera melancólica que confere alguma identidade ao filme, o final é muito interessante.
Contra: falta alguma emoção aos personagens, salvo raros momentos o espectador não se emociona particularmente e como tal todo o filme mantém alguma distância sem nos agarrar por completo, talvez todo o fundo político que desconhecemos contribua para quebrar alguma da magia e da identificação com os personagens, os personagens são interessantes mas não nos importamos particularmente com eles, especialmente com os secundários.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=tu1pAOSQEUI

Comprar
Ao preço que ele está actualmente (pouco mais de 5€) vale bem a compra.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-ditto-70-ck0.html

Ou então podem ir buscá-lo á Amazon.com

IMDB (cuidado com os *spoilers*)
http://www.imdb.com/title/tt0270919/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Nae yeojachingureul sogae habnida (Windstruck) Kwak Jae-young (2004) Coreia do Sul


Alguém deveria proíbir este realizador de fazer mais filmes para o resto da vida porque isto assim não vale !
Este tipo chamado Kwak Jae-young parece estar empenhado em sabotar os esforços de quem tem blogs sobre cinema oriental pois quem gosta de aconselhar filmes tentando ter por base alguma lógica de classificação fica logo sem poder ter uma comparação coerente quando se depara com outro trabalho deste realizador porque o homem continua a produzir trabalhos únicos.
Este gajo insiste em continuar a surpreender até mesmo quando se imita a si próprio e cria uma obra que há primeira vista até nem parece ser dos seus melhores filmes.
Basicamente estou lixado.

Depois do que tinha lido pela net não estava á espera de que [“Windstruck“] fosse alguma coisa por aí além, porque desde o seu aparecimento as reviews parecem andar todas entre o bom e o medianamente alto mas quase nenhuma lhe atribui o mesmo valor que por exemplo “My Sassy Girl” alcançou na opinião da critica em geral surpreendendo toda a gente a quando do seu lançamento nas salas de cinema orientais.
Talvez esteja aí o problema. Isto de um realizador se estrear com algo realmente único e que define um estilo está mais que visto, tem de certeza as suas desvantagens pois parece que a partir desse momento qualquer coisa que ele faça a seguir será inevitávelmente comparado ao seu primeiro filme.

Neste caso parece que Kwak Jae-young carrega a maldição de não conseguir fazer mais nada que não seja imediatamente comparado desfavorávelmente com a inovação de “My Sassy Girl” e portanto por mais que este se esforce, para muitos críticos não pode existir mais nada depois do primeiro filme que alcançe o mesmo nível e portanto a partir daí a escala de valor foi sempre a descer.
Não posso discordar mais em absoluto !
Não posso discordar mais e por causa de me ter deixado influenciar pela quantidade de reviews menos espectaculares acabei por entrar na onda e só ontem me decidi a ver [“Windstruck“] também convencido que iria ser giro mas nada de extraordinário.
Resultado, acho que apanhei a surpresa do ano no que toca a filmes orientais pois realmente não estava nada á espera disto.

Se gostaram de “My Sassy Girl” então [“Windstruck“] é de visão mais que obrigatória por todos os motivos e mais alguns.
Primeiro porque depois da quantidade más de imitações que o original gerou (inclusivamente um remake americanoide), o realizador Kwak Jae-young parece que decidiu colocar ordem na casa e mostrar como se faz outro “My Sassy Girl” a sério, provando de uma vez por todas que não basta ter uma personagem estilo gaja-boé-da-maluca para criar boa comédia.  Com [“Windstruck“] Kwak Jae-young mais uma vez mostra que nem toda a gente pode ter o seu talento para realizar este tipo de cinema e que apesar de comerciais cada vez mais se pode dizer que os seus filmes são verdadeiros exemplo de cinema de autor pois o seu estilo já se torna completamente identificável.
Ainda a história não começou há minutos e percebemos logo que é um trabalho do mesmo autor de “My Sassy Girl” e “The Classic” porque na verdade não dá mesmo para imitar o que este tipo faz por muito simples e comercial que o seu Cinema pareça.

Actualmente não deve haver ninguém que equilibre tão bem a comédia e o drama como Kwak Jae-young o faz e isto é daquelas coisas que não dá mesmo para traduzir em palavras para quem nunca viu um trabalho deste realizador.
Nos seus filmes tudo pode acontecer como mais uma vez se demonstra claramente em [“Windstruck“], por exemplo na sequência do suícidio no cimo do prédio que é uma daquelas absolutamente indescritíveis.

E se pensam que estou aqui a revelar muita coisa vocês não fazem a mais pequena ideia do que vos espera quando virem este filme pois nunca viram uma cena sobre suícidio como esta.
[“Windstruck“] essencialmente é um “My Sassy Girl” parte 2 em versão não oficial (por muitos mais motivos do que vocês possam imaginar mas que não posso agora revelar).
Visto que dada a conclusão do “primeiro” filme não haveria grande hipótese de continuar a narrar a história dos dois primeiros personagens pois isso seria esticar demais a corda da credibilidade (até mesmo para este realizador), a solução que Kwak Jae-young parece ter encontrado foi a de contar uma nova história com mais ou menos a mesma estrutura e mais ou menos nos mesmos moldes.

Mas como nem tudo é o que parece, se vocês já estão a pensar que [“Windstruck“] volta a ser mais do mesmo… pois se calhar estão certos.
É mais do mesmo sim senhor, só que apesar de ter um estilo semelhante e um personagem principal bem sassy que podia ser o mesmo ,inclusivamente interpretado pela mesma actriz do filme original não pensem que vão ver uma repetição da mesma história.
É que se “My Sassy Girl” misturou como nunca a comédia adolescente com o drama romântico adulto num equílibrio absolutamente perfeito, desta vez [“Windstruck“] vai mais longe.
O novo filme é uma extraordinária (alucinante) e surpreendente mistura de:
– Comédia adolescente
– Cinema romântico extremamente poético
– Drama sobre a morte e a solidão do abandono
– Filme policial
– Comédia splapstick
– Cinema de gangsters
– Filme de porrada chunga (com explosões a condizer e tudo)
– Conto de fadas medieval (?!)
– Comédia romântica
– Filme sobrenatural
E acho que não me esqueci de nada…

E isto resulta ? Se resulta meus amigos.
Não só resulta como tudo neste argumento tem um equílibrio narrativo absolutamente extraordinário que leva ao extremo o estilo do realizador que já tinhamos visto em “My Sassy Girl” ou até mesmo no “The Classic”  onde numa breve cena de poucos minutos o realizador consegue fazer-nos rir e no segundo a seguir colocar-nos a chorar com uma facilidade como se aquilo que estamos a ver no ecran fosse a coisa mais fácil de conseguir fazer.
E neste [“Windstruck“] o efeito ainda é mais extendido pois na mesma cena além de nos conseguir fazer rir e chorar ainda nos coloca em suspanse ou até nos entusiasma com um par de cenas de acção á primeira vista completamente deslocadas de tudo o resto mas que no fundo pertencem perfeitamente ao universo que foi criado para este filme e onde só temos que aceitar as regras e divertirmo-nos com o que estamos a ver.

Uma coisa é certa [“Windstruck“] é um daqueles filmes orientais em que o espectador não consegue mesmo fazer ideia do que raio poderá acontecer a seguir pois pensamos que já vimos tudo quando nos cai outra coisa em cima que nos deixa a pensar que realmente há mesmo muita frescura e inovação no moderno cinema comercial Sul Coreano.
As semelhanças com “My Sassy Girl” são tantas no entanto, que muita gente já anda completamente baralhada sem saber se [“Windstruck“] é uma sequela ou uma prequela e não posso dizer muito mais sem estragar um dos melhores momentos deste filme.

E não, [“Windstruck“] não tem qualquer ligação a “My Sassy Girl“. A referência no filme é claramente uma in-joke, uma piada pessoal do realizador e um piscar de olho a toda a gente que certamente já se prepararia para acusar o filme de não passar apenas de mais uma imitação da anterior fórmula de sucesso e como tal o seu autor antecipa-se a isso colocando no filme uma das entradas mais geniais que vai deixar fascinada toda a gente que adorou “My Sassy Girl” e é definitivamente um dos pontos altos deste novo filme que fará as delícias de quem viu o “primeiro” antes de ver [“Windstruck“] e recomenda-se que assim seja.

Mais uma vez, prova-se que o cinema romântico sul-coreano está de boa saúde e continua a limpar o chão de uma forma quase humilhante com tudo aquilo que costuma passar por cinema romântico feito em Hollywood actualmente.
[“Windstruck“] no meio de toda a loucura que transporta no seu argumento tem coração, muita alma e poesia. Não só é cinema romântico de qualidade e cheio de humanismo como acima de tudo apresenta-nos mais uma original história de amor que irá certamente surpreender muita gente pois é muito raro encontrarmos um filme tão alucinado que nos consiga emocionar nos momentos mais inesperados como este filme consegue.

Na minha opinião este é mais uma daqueles filmes românticos orientais completamente obrigatórios e que devem quanto antes juntar á vossa colecção se forem fãs de histórias de amor originais, divertidas e muito humanas. Podem juntá-lo aos igualmente fabulosos ”The Classic“, “Be With You“,  “Fly me to Polaris“ , “Il Mare“ e claro, o mais que obrigatório “My Sassy Girl“.

Se [“Windstruck“] tiver uma falha, na minha opinião é o facto de se notar que é um produto concebido para fazer brilhar a actriz principal que entretanto se tornou uma estrela devido precisamente ao sucesso de “My Sassy Girl” e ao fenómeno de culto em que se tornou também “Il Mare“.
Tudo no filme gira mais do que nunca á volta da actriz principal e parece que não existe um enquadramento nesta nova obra que não esteja pensado para demonstrar a sensualidade e a beleza da rapariga. Não que isso me chateie muito, mas nota-se que ao contrário do primeiro filme este agora é uma produção que gira á volta de uma estrela principal.
Isto faz com que ao contrário do que acontecia em “My Sassy Girl“, o par romântico já não seja própriamente o centro do filme no que concerne ao trabalho de dois actores a interagirem em simultâneo.

Aqui, o personagem masculino serve mais para localizar as emoções da personagem feminina do que própriamente para também ocupar o centro da história, algo que está bem presente nas sequências de sonho em que básicamente quem brilha é a jovem actriz e tudo o resto está lá para servir as emoções da sua personagem.

Isto não será propriamente uma coisa negativa mas nota-se que apesar de parecer, se calhar [“Windstruck“] afinal não é uma cópia tão óbvia assim do primeiro filme do realizador pois em muitos momentos tem uma dinâmica diferente embora felizmente se mantenha sempre o excelente equilíbrio entre géneros e tanto a comédia como o drama continue a resultar em pleno.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais uma vez o realizador Kwak Jae-young acerta em cheio e eleva a fasquia da dificuldade ao criar um argumento ainda mais complexo que o do seu primeiro filme, pois desta vez practicamente triplicou a mistura de géneros numa única história.
É um daqueles filmes que cativa quem aceita as suas regras pelo simples facto de que nunca pára de surpreender o espectador até ao último minuto pois nunca sabemos o que poderá acontecer a seguir e isso é o seu maior trunfo.
Além disso estamos perante mais uma excelente e emocional história de amor cheia de originalidade, poesia e alma com personagens que acima de tudo parecem seres humanos reais mesmo por entre tamanha loucura que constantemente se passa no ecran perante os nossos olhos.
Completamente obrigatório em qualquer colecção de filmes românticos sem esquecer os igualmente fabulosos ”The Classic“, “Be With You“, “In The Mood For Love“, “Fly me to Polaris“, “My Blueberry Nights“, “2046“ e “Il Mare“.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award porque este é mais um daqueles filmes que na minha opinião rebenta qualquer escala, apesar de no início nem parecer nada de especial.

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A favor: tudo ! A inteligência do argumento, as duas personagens principais, casting e interpretações , banda sonora e o excelente equilíbrio entre a comédia alucinada e o mais poético drama romântico, a referência ao “My Sassy Girl” é absolutamente mágnifica.
Contra: tanta alucinação e tanta mistura de géneros num só único filme pode afastar muita gente que não se preparar logo de início para aceitar as regras que definem o próprio universo da história.

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Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=B5BqUquq0jU

Comprar
Infelizmente este é um filme particularmente dificil de se arranjar actualmente, pois parece que todas as boas edições já se encontram esgotadas. Uma das melhores está ainda á venda na Amazon americana mas o seu preço é demasiado proíbitivo.
Amazon http://www.amazon.com/Windstruck-Directors-Cut-disc-set/dp/B000H0SSCU

Saiu também uma edição simples que vou comprar mas neste momento não posso dar ainda qualquer referência sobre a mesma.
SoDrama http://www.sodrama.com/store/catalog/product_reviews_info.php?products_id=503&reviews_id=92

IMDB
(cuidado com os *spoilers*)
http://www.imdb.com/title/tt0409072/usercomments

Filme na Web
Não tenho por regra fazer downloads de filmes orientais na internet, mas neste caso como queria muito vê-lo antes de o comprar e cinema oriental da Coreia do Sul não é própriamente algo que se encontre num videoclube português, achei que valia a pena procurá-lo na web.
Até porque devido ao fraco entusiasmo com que a crítica recebeu este filme, também eu não estava muito certo se iria gostar dele ao ponto de me arriscar a comprar o dvd á confiança (mesmo se o conseguisse encontrar á venda).
Sendo assim já que o encontrei na net e ainda por cima com legendas em Português recomendo que quem quiser espreitar o filme antes de o comprar se dirija até aqui para o filme e aqui para as legendas em Pt.
Se não gostarem, pouparão dinheiro, agora posso garantir-vos que se gostarem tanto quanto eu gostei também irão querer comprar o dvd original.
Por isso se algum de vocês encontrar uma boa edição a um preço decente digam-me qualquer coisa porque tenho receio de comprar a edição estranhamente simples que anda por aí e depois encontrar mais tarde uma boa re-edição da versão de dois discos que era a que eu gostaria mesmo de adquirir.

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris Be With You

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Hoshi no koe (Voices of a Distant Star) Makoto Shinkai (2003) Japão


Não estava nos meus planos recomendar agora outro Anime, mas não posso deixar de falar deste [“Voices of a Distant Stars“] pois merece ser destacado.
Embora já soubesse da existência deste filme até dias atrás nunca lhe tinha prestado grande atenção, por isso agora é melhor redimir-me deste desprezo e tentar contribuir para que uma pequena obra prima não lhes passe também ao lado durante tanto tempo quanto eu a ignorei.

E ignorei-a feito estúpido, porque tinha dificuldade em aceitar que um filme asiático de animação que não chegava a ter meia hora de duração pudesse alguma vez ser tudo aquilo que pretensamente muitos textos na web diziam que era.
Ignorei-a também porque não me estava a ver a pagar o preço de um dvd por uma obra oriental que nem passa dos 25 minutos e como tal os meses foram passando sem que eu tivesse muita vontade de ver o filme; embora ao mesmo tempo sempre soubesse lá no fundo que esta obra seria demasiado boa para ser vista pela primeira vez sacando-a apenas de um qualquer torrent obscuro.

Não tenho por hábito começar logo por aqui mas [“Voices of a Distant Star“] também não é propriamente um filme normal e como tal se vocês se interessam por Anime mais cinematográfico e menos televisivo; menos baseado na acção a duzentos frames por segundo e mais assente na própria beleza das imagens e na complexidade da história recomendo vivamente que se dirijam até aqui e comprem esta edição em dvd porque acima de tudo deve ser um dos melhores packs disponíveis actualmente para quem se interessa por cinema de animação em geral.
Portanto, antes de falar do filme [“Voices of a Distant Star“] deixem-me falar-vos um bocadinho deste pack dois-em-um que nesta altura (8-9-2008) devido á queda do dólar se encontra particularmente apetecível pois por pouco mais de 20€ vocês levarão para casa  dois excelentes filmes Anime e mais uns brindes a condizer.

Esta edição contém dois pequenos livros (um para cada filme do pack) totalizando umas 50 páginas a cores no total e que são um extra absolutamente excelente para quem se interessa pelo processo de realização de um filme animado.
E dizem vocês: – “Então e depois ? A gente já sabe como são os making offs destas coisas.”
Ah…Mas o que muitos de vocês não sabem é que [“Voices of a Distant Star“] é um filme especial porque é um produto 100% amador, escrito, produzido, desenhado e animado por um único gajo (ganda maluco) fechado durante meses a fio no seu quarto anónimamente produzindo esta pequena grande história.
Olhando para a qualidade dos desenhos ninguém diria que  [“Voices of a Distant Star“] é um produto amador o que acima de tudo torna esta obra num excelente exemplo daquilo que uma única pessoa sózinha pode conseguir se tiver talento para o que se propõe criar e muita paciência e preserverança para conseguir ultrapassar todos os obstáculos até alcançar o seu objectivo.

Visualmente o filme é absolutamente mágnifico e pelo detalhe informativo que nos é apresentado no livro de making off que vem neste pack, deve ter dado um trabalho do caraças a produzir pois foi inicialmente todo desenhado á mão, passou por inúmeras fases e finalmente foi concebido em Photoshop e também num programa de Render 3D para umas breves sequências espaciais . Todo o processo está detalhado não só no livro que vêm no pack como ainda também poderemos encontrar mais informação na contra capa de cada dvd que conta ainda também com ilustrações adicionais retiradas no filme.

Todo o pack tem uma óptima apresentação, bom grafismo e os livros estão muito bem impressos em papel fotográfico de excelente qualidade que realça a beleza das imagens retiradas do filme e nos deixa ainda mais espantados com a qualidade artística desta incrível produção amadora.  É que em 24 minutos passa tudo tão rápido que nem temos tempo para apreciar devidamente toda a qualidade das imagens e sendo assim este extra adicional do(s) livro(s) é o complemento perfeito para um pack de dvds que já de si seria bastante bom se só tivesse os filmes.

Além dos excelentes mini-livros esta edição contém ainda um disco adicional; um Cd com toda a banda sonora de [“Voices of a Distant Star“].
Não é uma banda sonora daquelas inesquecíveis mas é uma excelente trilha musical ambiental que além de acompanhar perfeitamente todo a atmosfera e emoções da história ainda resulta muito bem enquanto música para se ouvir fora do enquadramento da obra que ilustra e é um extra de cinco estrelas que  enriquece ainda mais este pack.

Com tudo isto já devem ter notado que ainda não falei do filme.
[“Voices of a Distant Star“] tem 24 minutos ! Não posso contar muito sobre ele porque parte do prazer está precisamente na sua descoberta, embora confesse que da primeira vez que o vi não me emocionou particularmente, mas isso deveu-se ao facto de eu ter passado todos os 24 minutos feito parvo; estupefecto com a qualidade artística do filme e sinceramente nem me apercebi muito bem das nuances da própria história. É que não se esqueçam que tudo isto foi criado apenas por uma única pessoa com um computador fechado em casa e o resultado visual já é suficiente para nos distraír por completo do argumento da primeira vez pois parece um filme profissional a todos os níveis justificando plenamente o facto do próprio jovem realizador já ter sido comparado a um novo Hayao Myiazaki pela crítica especializada e com todo o mérito.

Uma outra coisa que nos apanha de surpresa também quando vemos o filme da primeira vez (se o virmos na versão original japonesa) é a quantidade exagerada de legendas que está neste dvd. O que nos complica muito a vida quando estamos a tentar absorver a poesia da história. Eu explico.
Além das legendas para os diálogos, se uma paisagem do filme tiver por exemplo umas bandeiras ou uns sinais quaisquer escritos em japonês, também o que está escrito nesses detalhes gráficos está traduzido em inglés e legendado por cima da imagem o que muitas das vezes cria um verdadeiro puzzle de legendas (de duas cores) numa só imagem que nem dura dois segundos no ecran pois temos legendas para ler por tudo o que é espaço no ecran e isso desvia-nos completamente a atenção quando tentamos seguir o argumento.

Como se isto já não fosse suficiente para distrair o espectador da história principal do filme, consta também segundo a crítica internacional que a adaptação para inglés dos filmes deste realizador foi e continua a ser feita por um gajo americano que tem por hábito não se limitar a traduzir os diálogos originais mas inclusivamente a inventar frases para substituir o que na realidade foi dito, anulando por completo qualquer momento mais poético que estaria presente na escrita original e substituindo-o por aquilo que quem “traduz” acha que fica bem em inglés e não aquilo que foi realmente escrito.
Resultado, parece que seja na versão dobrada ou na versão legendada, aquilo que estamos a acompanhar de diálogos neste filme na verdade não é bem o que realmente foi escrito para a obra, o que segundo muito boa gente destroi a poesia que a versão original contém nos diálogos e que só poderá ser realmente captada por quem entender japonês.
Bem…Não se pode ter tudo. Ao menos os filmes estão editados no ocidente.

[“Voices of a Distant Star“] apesar dos seus escassos 24 minutos é um filme excelente, mas atenção isto não é Anime para todos os públicos. Se alguma vez houve um realizador que se pode realmente enquadrar dentro daquela definição de Cinema de Autor é este Makoto Shinkai pois os seus filmes não serão propriamente produtos comerciais.
Não são filmes de aventura, não têm espectaculares cenas de acção a todo o instante e na verdade são filmes muito leeeeeeeeeeeentos. Fica aqui o aviso, tanto [“Voices of a Distant Star“] como o outro filme do pack “The Placed Promised in Our Early Days” são filmes absolutamente lentos.
Ou melhor, são filmes extremamente contemplativos que decorrem a um ritmo que quase se pode comparar ao mais calmo filme do Manoel de Oliveira. São filmes que não têm pressa absolutamente nenhuma e nota-se.
Nota-se inclusivamente no próprio estilo da animação.

Talvez devido á inexperiência do realizador estreante, a verdade é que [“Voices of a Distant Star“] é mais uma espécie de filme com slides ligeiramente animados do que propriamente cinema em que a animação é aquilo que mais se destaca.
Toda a montagem do filme é feita á base de uma enorme sucessão de ilustrações com pequenos pormenores ligeiramente animados (durante breves segundos) e não é a habitual formula em que os cenários de fundo servem de base para a animação dos bonecos. Aqui acontece precisamente o contrário e os bonecos estão no filme mais para servir os cenários do que própriamente para serem o centro das atenções.
Todo o filme é contado com base em emoções geradas pela atmosfera dos desenhos, das paisagens e das atmosferas. Nota-se que os personagens são quase uma coisa secundária e é o próprio Shinkai a dizer nas entrevistas que acompanham os filmes que sempre se expressou muito mais pela poesia de uma paisagem e nunca se interessou muito pela criação de personagens, (sendo inclusivamente esta uma das críticas que lhe costumam fazer).

O filme tem cenas de acção mas estas não estão lá para impressionar e sim para servir a história, Neste caso [“Voices of a Distant Star“] conta a sua, através de uma sucessão de imagens quase paradas montadas de forma a criar um ritmo narrativo lento mas seguro e que já definiu um estilo, pois toda esta economia narrativa acabou por se tornar a imagem de marca do realizador e que continua presente nos seus novos trabalhos.
Podemos estar durante mais de dez segundos a olhar para uma imagem parada com uma narração a contar a história ou então a ouvir um diálogo entre dois personagens e só no último instante é que alguma coisa se mexe (minimamente) no ecran antes de passar á próxima imagem “parada” que faz avançar a história.
Isto pode parece uma seca descomunal á partida, mas a verdade é que resulta extraordináriamente bem. Acima de tudo porque a qualidade dos desenhos de Makoto Shinkai é tanta que estes realmente transmitem emoções pelo ambiente e na verdade quase que os seus filmes nem precisariam de bonecos não fosse a obrigatoriedade de ter que existir algum personagem para que o público se identifique com ele.

[“Voices of a Distant Star“] conta uma história simples mas nem por isso menos emocional.
Basicamente é uma história de amor entre dois adolescentes e como esse amor resiste á distância e ao passar dos anos.
Num contexto de guerra espacial em que a humanidade luta contra uma civilização extra-terrestre desconhecida, um rapaz e uma rapariga de 15 anos que habitam no japão apaixonam-se. No entanto a rapariga sonha em vir a pilotar um caça de combate apesar do rapaz saber que se ela procurar seguir uma carreira militar isso significa que a relação deles estará condenada pois ela terá de partir para o espaço.

Eles comunicam por telemóvel trocando mensagens SMS e é assim que as coisas continuam quando a rapariga parte de vez para combater as forças alienígenas, o problema é que devido á dilatação temporal por causa das viagens espaciais o tempo não passa de forma igual pelos dois apaixonados. Enquanto o rapaz envelhece a um ritmo normal na Terra, a rapariga continua com a idade de 15 anos no espaço pois para ela apenas passaram meses desde que partiu enquanto que para ele se passam anos.
Isto faz também com que a sua troca de mensagens cada vez vá ficando mais dificil, pois de cada vez que a rapariga se afasta mais do centro do sistema solar, mais tempo leva uma mensagem SMS do rapaz a chegar até ao seu telémovel partindo da Terra.
Basicamente é esta a base da história que percorre este pequeno grande filme criado por uma só pessoa e do qual convém nem dizer mais nada sobre ele.

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar dos seus escassos 24 minutos de duração, [“Voices of a Distant Star“] merece ser visto e ter um lugar de destaque em qualquer colecção de quem gosta de Anime, ou pura e simplesmente de cinema.
O facto deste filme ter sido inteiramente produzido por uma única pessoa trabalhando anónimamente em casa com o seu computador pessoal, tendo em conta toda a sua qualidade técnica e artística é um feito absolutamente extraordinário e que só por esse facto merece imediatamente um Golden Award.
Só é pena mesmo o filme ter tão curta duração pois a história que conta merecia um maior desenvolvimento mas mesmo assim nada se perde neste trabalho e cada fotograma é uma pequena obra de arte da ilustração.
Um pequeno grande filme digno realmente desta classificação.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque sim.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: a inteligência do argumento, a realização, a poesia das imagens, a qualidade das ilustrações, a montagem absolutamente calma mas precisa, os personagens simples, a banda sonora, é um trabalho 100% amador com uma qualidade incrível.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, apesar de ser um Anime é claramente um filme de Cinema de Autor até porque acabou por criar um estilo muito próprio.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=dc–DFC2w00&feature=related

Comprar edição especial
http://www.amazon.com/Shinkai-Collection/dp/B000BKSJ5W/ref=pd_bbs_2?ie=UTF8&s=dvd&qid=1220623921&sr=8-2
O dvd de [“Voices of a Distant Star“] contém ainda um par de extras muito interessantes. Além de trazer uma pequena mas muito interessante e esclarecedora entrevista com o realizador contém na verdade trés versões do filme. A primeira versão mesmo “caseira” em que o próprio realizador e a sua namorada fizeram as vozes dos personagens, a versão comercial distribuida á venda já com um cast de actores profissionais e um director´s cut.
Outro extra presente no dvd é também o primeiro desenho animado feito por Shinkai e que pelo visto já se tornou um filme de culto. Chama-se “She and her cat” e como já notaram é um filme sobre gatos. É uma pequnea experiência a preto e branco cheia de atmosfera e também aqui o dvd tem o filme em 3 versões sendo a de maior duração a versão de 5 minutos.

Além deste filme, o pack contém também o filme seguinte do mesmo realizador, “The Place Promised in Our Early Days” que já foi uma longa metragem e um trabalho já mais profissional (como se isto ainda fosse possível) pois Shinkai contou dessa vez com uma pequena equipa para o ajudar no seu segundo filme devido ao sucesso que [“Voices of a Distant Star“] teve.
Colocarei em breve aqui no blog também um review.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0370754/

Outra Review
http://www.animenewsnetwork.com/review/voices-of-a-distant-star/dvd

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