Tau ming chong (The Warlords) Peter Chan . Way Man Yip (2007) China


Estou de regresso embora ainda não a cem por cento. Devido á avaria do meu computador deixei muito trabalho de design para trás e tenho que o terminar antes de me voltar a dedicar sériamente a isto dos blogs.
Mas…
Como comprei umas novidades, não podia deixar desde já de recomendar o filme seguinte.

Na minha opinião este filme contém á partida duas coisas que o tornam imeditamente numa obra a espreitar por quem gosta de grandes épicos de guerra com sabor oriental.
Primeiro, apesar de [“The Warlords“] se situar históricamente mesmo já no final do século XIX, o espectador esquece-se por completo desse facto pois é impressionante como toda a atmosfera nos transporta para um ambiente medieval. O que não deixa de ser estranho pois é bem curioso pensarmos que na mesma altura em que toda esta história se passa na China, já o ocidente estaria a entrar em tudo aquilo que tomamos por referência relativamente ao que conhecemos do mundo moderno.
Encontrarmos então um filme situado a poucos anos do século XX e onde os seus protagonistas passam o tempo todo a lutar em sangrentas batalhas usando lanças e espadas medievais é algo particularmente interessante se pararmos para pensar no assunto, o que ainda torna o filme ainda mais cativante.

A segunda coisa pelo qual recomendo vivamente [“The Warlords“] é precisamente pelas batalhas.
Se tal como eu, vocês já estão fartos de ver guerras animadas em CGIs made-in-hollywood, irão encontrar neste filme chinês o antídoto perfeito, pois tudo aqui está feito á moda antiga e o resultado é uma das mais realísticas e sangrentas batalhas que possam imaginar. Violenta, politicamente incorrecta e completamente crua e espectacular com baldes de sangue quanto baste e um par de decapitações á mistura para animar as coisas.

Ao contrário do que acontece nos blockbusters americanos, desta vez a grande batalha do filme ocorre practicamente logo no início da história mas garanto-vos que não é por isso que irão entusiasmar-se menos com ela.
É que ainda por cima todos os soldados que poderão encontrar na imagem não são bonequinhos feitos em computador mas sim 5000 gajos de verdade, pois se há uma coisa de que a china pelo visto não tem falta é de figurantes para filmes de guerra e a julgar pelo que se pode ver neste [“The Warlords“] cada vez encena melhor grandes batalhas com milhares de pessoas reais para divertimento de todos nós que já estamos fartos de tanto plástico americano.

Mas nem só de grandiosas cenas de batalha vive [“The Warlords“].
Todas essas sequências são memoráveis e do melhor que poderão encontrar actualmente no grande ecran, mas na verdade não seriam nada se os personagens fossem um vazio e felizmente isso não acontece de todo.
Quem procurar apenas um filme de porrada é melhor não esperar muito mais além das primeiras batalhas pois a partir desse momento a história deixa de se centrar na espectacularidade das cenas de guerra e passa a ser acima de tudo sobre os efeitos da mesma nas pessoas que a vivem ao longo de anos a fio.
Na verdade um dos grandes trunfos de [“The Warlords“] é que consegue equilibrar muito bem a espectacularidade de um blockbuster de guerra com o intimismo de um drama pessoal e para isso conta com um argumento que não esquece os personagens mesmo quando se calhar o filme até nem pedia mais do que um par de boas cenas de guerra.

Como habitualmente não revelarei grande coisa da história, mas [“The Warlords“] é essencialmente uma história de amizade entre trés homens que sempre viveram pela violência e sobre as consequências dessa mesma violência nas suas vidas e na história da própria China.
Um dos grandes trunfos desta obra está precisamente na forma como explora a personalidade de cada um dos personagens e com isso nos dá trés perspectivas sobre uma guerra (que poderia ser qualquer uma) e que no fim nos deixa a pensar mais do que esperariamos, pois mais uma vez o oriente conseguiu produzir um filme sem maus nem bons e que acaba por ser sempre muito mais do que apenas um espectacular filme de guerra.
Não há herois neste [“The Warlords“] e quando muito se tiver vilões estes serão representados pelos fabulosos (e simples) personagens dos trés velhos políticos que na realidade se formos a pensar bem, são os verdadeiros “senhores da guerra” que dá titulo ao filme.

E como não podia deixar de ser (afinal isto é um filme oriental) ainda temos direito a uma simples mas boa história de amor que serve de contraponto aos trés personagens masculinos e consegue inserir um ambiente ainda mais humano, pois é um segmento dramático que não se perde porque acima de tudo acaba também por ser utilizado para dar a perspectiva feminina sobre a guerra de uma forma subtil que contribui perfeitamente para o equilibrio do resto do filme. Se calhar até seria desnecessária, mas não é algo metido a martelo e muito menos segue os habituais clichés de triangulo amoroso que encontrariamos de certeza se isto fosse um filme made-in-hollywood.
Mais uma vez, os orientais conseguem criar uma história de amor sem nunca entrarem pelos habituais diálogos estilo telenovela. Aliás, não há qualquer diálogo estilo “i love you” durante as cenas mais emocionais e nem precisa pois está tudo nas imagens e na maneira como o realizador filma essencialmente as emoções. Não será própriamente uma história de amor inesquecível mas enquadra-se perfeitamente dentro do filme e permite a Jet Li um registo dramático a que não estamos muito habituados a vê-lo interpretar.

Ao ver [“The Warlords“] fiquei com a certeza de que existem dois Jet Li. Aquele que estamos habituados a ver fazer papeis de cartão nos filmes americanos e o Jet Li actor que é capaz de apenas com a sua presença encher o ecran e fazer-nos mergulhar num personagem esquecendo por completo o seu intérprete como acontece neste filme.
Aliás, além das mágnificas cenas de guerra, este filme vale essencialmente pelos actores pois até o mais secundário tem o seu momento de destaque e contribui para que o argumento resulte tão bem.
Até mesmo eu, que não sou própriamente um grande interessado em filmes sobre intriga política de bastidores não pude deixar de gostar muito desta história pois acho que na verdade [“The Warlords“] não deve ter um único personagem que não nos agarre e nos faça importar com ele a partir do momento em que entra em cena.
Acima de tudo o filme conta uma boa história e merece ser visto e revisto por muito boas e variadas razões sendo um daqueles filmes que de certeza irá agradar a muita gente apesar da sua violência gráfica e psicológica até.
Já o vi duas vezes e aconteceu-me gostar ainda mais dele ao segundo visionamento, porque se calhar da primeira vez que o vi não estaria á espera da estrutura do filme ser como é e da segunda vez já me consegui abstraír totalmente e simplesmente apreciar o filme pelo que ele realmente é.

Nota positiva também para a banda sonora que é simplesmente mágnifica apesar de conter um momento particularmente curioso pois a determinada altura numa cena de guerra, macacos me mordam se aquilo não é a música do “Piratas das Caraíbas” tocada ligeiramente num compasso ao lado…
Os efeitos especiais são do melhor que poderão encontrar e tão bons que vocês nem se vão lembrar que existem efeitos especiais neste filme, pois tudo tem uma atmosfera clássica fantástica até mesmo na forma como os meios técnicos foram usados para criar as cenas mais espectaculares.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de guerra que poderão encontrar no mercado actualmente.
No entanto, apesar das espectaculares cenas de batalha,  [“The Warlords“] não é um filme de acção ou aventura por isso que estiver á espera de algo do género poderá não lhe dar o devido valor.
É um filme mais sobre a guerra, do que própriamente -de guerra- e portanto muito assente na relação entre os personagens e não própriamente numa estrutura de filme de porrada ou aventura. Essencialmente se alguma vez houve um “Braverheart” oriental digno desse título  [“The Warlords“]  é esse filme e portanto se gostaram da obra de Mel Gibson não se podem enganar com este filme oriental pois o espírito é essencialmente o mesmo. Mas este tem mais sangue no ecran.
Este é o típico filme que nós vemos e pensamos porque raio é que em vez de se encherem salas de cinema de centro comercial com -“Múmias 3”- não se lança um filme destes por cá, pois podem ter a certeza que isto bem publicitado iria ter tanto sucesso quanto o “Braveheart” teve.
Já agora outra nota importante, apesar do ambiente “medieval”  [“The Warlords“] não é um filme no estilo -Wuxia- ou seja, não é um daqueles filmes de fantasia orientais com combates aereos ou muito baseados em acrobacias com fios.  [“The Warlords“] é um filme de guerra com espadas, membros decepados e muitos baldes de sangue com os pés bem assentes na terra. Em todos os sentidos.
O filme perfeito para convencer aqueles que ainda pensam que filmes visualmente espectaculares só podem vir da América e um daqueles com que os chineses podem chegar junto de Hollywood e dizer : -“vêem, é assim que se faz.” pois [“The Warlords“] é a prova que um filme cheio de acção, violência e efeitos também pode ter alma e não precisa ser um pedaço de plástico só porque é um filme comercial.
Não tem o visual sumptuoso de um “Curse of the Golden Flower” mas também não precisa.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles obrigatórios em qualquer dvdteca, especialmente se gostarem de épicos históricos e se interessarem por histórias de guerra bem contadas.

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A favor: a inteligência do argumento, a realização, as cenas de batalhas absolutamente reais, os personagens, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a complexidade da narrativa, a história de amor, o sentido de espectáculo que nunca se perde e os fabulosos efeitos especiais “invisíveis”.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, mas isto nem sequer é própriamente algo negativo. De resto não me lembro de nada a apontar que seja algo realmente mau neste filme…talvez não tenha uma história particularmente original mas também nem precisava de a ter para ser o excelente filme que é.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=ok_5CKAOch8
http://www.youtube.com/watch?v=wK_iBqODSkw&feature=related

Comprar
A que eu tenho é esta Ediçao de 3 discos onde o filme está estranhamente dividido em dois apesar de ter apenas pouco mais de duas horas.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-6x-77-2-49-en-15-the+warlords-70-2vy1.html
No entanto a qualidade de imagem é fantástica e o som absolutamente mágnifico até mesmo na pista de 5.1 normal embora contenha também uma faixa DTS.
O terceiro disco contém excelentes documentários de making-of que vale a pena ver e esta edição vem ainda com um bom comentário audio para o filme.
Todos os discos estão legendados em inglés tanto no filme como em todos os extras por isso se gostam de filmes deste género têm aqui uma edição daquelas que vale mesmo a pena comprar. ´
É barata e vem numa caixa fantástica com personalidade apesar do estilo digipak que pode desagradar a alguns. Contém também um livro em papel fotográfico com dezenas de fotos que é desnecessário mas  por outro lado é sempre um brindezinho interessante para compor esta edição já de si excelente e muito recomendável.

Em alternativa encontram já na AMAZON.UK excelentes edições deste filme com tudo e mais alguma coisa também no que toca a extras. Tendo em conta o preço recomendo que escolham qualquer uma destas edições.

The Warlords – Edição DVD de 1 disco.

The Warlords – Edição DVD de 2 discos.

The Warlords – Blu-Ray

PS: Se encontrarem a edição Portuguesa á venda num supermercado fujam !
A edição Pt é mais uma daquelas onde falta uma boa parte da imagem dos lados, por isso meus amigos…comprem na Amazon Uk…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0913968/

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The Myth The Promise

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