Toki o kakeru shôjo (The Girl Who Leapt Through Time) Mamoru Hosoda (2006) Japão


Ora aqui temos um Anime diferente.
Num mercado saturado de longas metragens cheias de herois anime gráficamente estereotipados onde inevitávelmente todas as sequências de acção seguem sempre as mesmas regras visuais é muito bom encontrar um filme de animação como este.

[“The Girl who Leapt Through Time“] embora não sendo único no estilo é uma obra diferente dentro da animação japonesa.
Primeiro, não é um filme de aventuras, de acção, de super-herois ou sequer de fantasia, por isso é melhor avisar desde já que quem procura o típico filme anime cheio de movimento, montagem acelerada com imensas sequências cheias de estilo e cenas espectaculares não o vai encontrar aqui.
[“The Girl who Leapt Through Time“] é um filme calmo.

Não tem pressa de ir a lado nenhum, demora o seu tempo a estabelecer os seus personagens e por alguns momentos parece ser uma história sobre nada, onde muito pouco se passa, toda a gente fala muito e faz pouco e onde se nota logo de início que não vai haver sequer qualquer vilão na história. Pior ainda, torna-se evidente logo desde os primeiros minutos que isto vai ser essencialmente um “chick flick” vulgo, “filme para gajas” pois tem um tom extremamente feminino o que irá certamente afastar muito público que procuraria algo com mais adrenalina mas por outro lado, aposto irá atrair outro tanto que normalmente até poderá nem ligar a desenhos animados.

A adrenalina aqui, não está nas sequências de acção espectaculares nem no visual estilizado a duzentos fotogramas por segundo, mas principalmente no desenvolvimento da história porque essencialmente [“The Girl who Leapt Through Time“] é principalmente um filme sobre personagens. Melhor ainda, é um filme sobre pessoas e tudo isto poderia ter sido um filme normal em “imagem real” pois na verdade não contém própriamente nada que o obrigasse a ser produzido em anime. No entanto é um desenho animado e enquanto obra do género assemelha-se bastante a “Only Yesterday” um dos filmes do estúdio Ghibli mais obscuros pois são ambos duas histórias essencialmente femininas á primeira vista mas que têm muito mais para dizer do que seria de esperar num produto de animação.

E como se não bastasse [“The Girl who Leapt Through Time“] é quase um filme oriental de animação sobre string theory ou física quântica pois todo o argumento gira á volta da capacidade que a heroína da história tem de conseguir saltar pelo tempo á sua bela vontade e com isso criar muitas realidades alternativas causando o mais variado caos por entre as situações que vive e tenta corrigir.

Essencialmente o filme conta a história de Makoto, uma adolescente japonesa que uma manhã acorda num daqueles dias “não”. Discute com a irmã, fica sem pequeno-almoço, chega atrasada ao liceu, apanha com um teste surpresa na aula de matemática, provoca um incêndio numa aula de culinária, leva com um colega em cima ao passear no recreio, fica sem travões na sua bicicleta ao descer uma rua inclinada e basicamente para terminar o dia em beleza morre trucidada por um comboio quando não consegue parar na passagem de nível por causa da avaria na bicicleta.
Ou talvez não.
É que no preciso momento em que é atropelada pelo comboio, Makoto salta no tempo vendo-se subitamente transportada para alguns segundos antes e percebe que por qualquer motivo a sua morte óbviamente não aconteceu pois afinal a sua bicicleta tinha chocado dessa vez com uma pessoa que ia a passar evitando assim que Makoto sequer se tivesse aproximado da passagem de nível.

Ou talvez não…
Fiquem apenas a saber que Makoto depois do seu acidente, logo descobre que consegue saltar pelo tempo e não passa muito também sem que ela decida começar a usar o seu novo dom para ir alterando umas pequenas coisas aqui e ali no seu quotidiano de modo a equilibrar melhor a sua vida e a dos seus amigos.
No entanto como nem tudo é o que parece, em breve Makoto aprende que não existem pequenas mudanças na vida das pessoas e que qualquer alteração no seu destino pode significar muito mais do que apenas conseguir ter boas notas num teste que subitamente deixou de ser surpresa.
E mais não conto sobre esta parte porque senão o filme perdia a piada.

Embora [“The Girl who Leapt Through Time“] possa nesta altura parecer um anime de ficção-ciêntífica, a verdade é que vai muito mais além da premissa da história e na verdade o conceito é mais usado para depois justificar o desenvolvimento de personagens do que própriamente para agradar a quem esta altura já esperaria uma qualquer maravilha em anime sobre fisíca quântica. Não se esqueçam que afinal, este é um filme sobre personagens, sobre emoções, sobre as escolhas que pode haver na nossa vida e sobre qual o papel principalmente daqueles detalhes que nem julgamos relevantes e que se calhar no fundo são os que mais contam ao mesmo tempo que o filme tenta também demonstrar que se calhar muitas situações que á partida parecem más na altura poderão ser afinal o início de algo muito bom.

Como podem ver este não é um filme tão simples quanto aparenta ser.
Na verdade nem será propriamente um anime comercial, daí talvez a explicação para o grande fracasso de público que foi no oriente a quando do seu lançamento nas salas de cinema, pois muito pouca gente estaria á espera de com este tema de viagens no tempo levar com um anime intimista que mais parece um filme de autor do que própriamente algo talhado para um grande êxito comercial imediato.

Fracassou comercialmente mas não a nível de prémios.
[“The Girl who Leapt Through Time“] tem ganho reconhecimento por todo o sítio onde passa e com isso tem vindo também a ganhar um estatuto de filme de culto que só lhe fica bem. É que este pode ser um daqueles filmes de que não se gosta muito da primeira vez que o vemos (aconteceu-me também a mim), mas também é depois outro daqueles que por qualquer motivo não nos sai da cabeça até que voltamos a ele e já sem ideias pré-concebidas conseguimos apreciá-lo devidamente pelo que ele é e não há dúvida que este é um filme especial.
Os personagens são interessantes com destaque para Makoto que é realmente a alma do filme e um sucesso absoluto no que toca á caracterização humana de um personagem anime, a animação embora não deslumbre também não precisa de o fazer e os cenários são excelentes e conseguem transmitir uma atmosfera muito especial a um filme que na verdade não precisa mais do que já tem.

Além disso, consegue também ser uma excelente história sobre amizade com uma pitada de romance que vai agradar certamente até a quem normalmente nem liga muito a desenho animado mas no entanto gosta de cinema romântico oriental. Até neste ponto [“The Girl who Leapt Through Time“] recomenda-se vivamente pois contém no seu centro uma boa história de amor adolescente daquelas que envergonham qualquer filme teen americano e onde temos excelentes personagens que apesar de não passarem de desenhos nos fazem esquecer por completo que nem são de carne e osso pois no fim de tudo conseguem não só colocar o espectador a pensar com principalmente fazê-lo sentir uma empatia muito bem trabalhada e só esta humanização essencialmente adulta é um bom motivo para espreitarem este filme porque se conseguirem ultrapassar o seu ritmo lento vão certamente dar o vosso tempo por bem empregue.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme que vai ganhando pontos de cada vez que o revemos. Comecei por lhe atribuir pouco mais de trés tigelas de noodles mas de momento já vou em quatro. Por agora fico-me por esta pontuação mas tenho a certeza que ainda a irei rever no futuro pois este é outro daqueles filmes que tem qualquer coisa especial que nunca sabemos bem o que é e que não nos deixa esquecê-lo.
Quatro tigelas de noodles portanto. Por agora…

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A favor: a humanização dos personagens, a personagem principal é excelente, a vertente de física quântica do filme pois as viagens no tempo são muito bem usadas para tornar reais os personagens, o sentido de humor latente mas nunca demasiado exibido, os cenários do filme, a banda-sonora muito ambiental mas discreta, as emoções que consegue transmitir já na parte final, a realização com o seu ritmo lento mas seguro e cheio de atmosfera, é cinema adulto e dá-nos um par de bons motivos para pensar.
Contra: o filme não deslumbra a uma primeira visão e pode até ser algo estranho e mesmo desinteressante pelo seu ritmo lento, por qualquer motivo não gosto muito do estilo gráfico dos personagens mas isto se calhar sou eu que estou para aqui a inventar, pode ser cinema anime mas não é para todos os públicos pois aproxima-se muito mais do cinema de autor do que do típico anime comercial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://br.youtube.com/watch?v=Xk9SAmD00Iw&feature=related

Comprar
A Amazon Uk, tem disponíveis duas edições excelentes e baratinhas e tudo.

The Girl Who Leapt Through Time – Edição Simples

The Girl Who Leapt Through Time – Edição Especial

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0808506/

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Apesar de ter mais Anime neste blog, não existe nada semelhante a este filme que possa de momento recomendar.

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Lian zhi feng jing (The Floating Landscape) Miu-suet Lai (2003) China


[“The Floating Landscape“] é um filme oriental tão estranho quanto especial.
Estranho porque ao contrário do que o videoclip dá a entender não é de forma nenhuma a típica história de amor ultra-fofinha ao estilo oriental mas sim uma obra que se situa algures entre um filme de autor intímista e a love-story comercial embora nunca se defina por completo.  Isto contribui para que seja um produto cinematográfico com um certo charme que só lhe fica bem quando comparado com todas as outras histórias de amor que inundam o mercado pois estamos na presença de um filme asiático diferente.

Especial também, porque essa diferença mais uma vez mostra que actualmente ninguém produz melhores histórias de amor do que o oriente pois conseguem acima de tudo humanizar os personagens e torná-los pessoas reais sem precisar de entrar em diálogos excessivamente dramáticos e telenovelísticos. Mais uma vez estamos na presença de uma história de amor em que a palavra “amar” practicamente nem aparece no argumento e tudo é nos mostrado pela imagem.

Mas este filme na minha opinião também é especial porque é um daqueles que nos puxa para ele muito depois de o termos visto. No meu caso, da primeira vez que o vi não gostei particularmente, pois estava á espera de encontrar no filme o mesmo ambiente do videoclip e fui surpreendido com uma obra bem mais intimista e mais de acordo com o trailer oficial que ainda não tinha visto na altura.
No entanto, mesmo não tendo gostado particularmente de [“The Floating Landscape“] a verdade é que este filme insistia em não me sair da cabeça, (um pouco como aconteceu com “Madeleine“). E isto mais uma vez essencialmente devido á sua atmosfera, algo que é agora um bocado dificil de explicar a quem ainda não viu o filme.

 

Aparentemente [“The Floating Landscape“] é uma obra asiática muito simples. A história é intrigante mas nem por isso particularmente misteriosa, isto porque o espectador percebe logo muito antes dos personagens o significado do enigma que os confunde e este facto retira logo todo o suspense que o desenlaçe poderia ter, o que me desiludiu quando vi o filme pela primeira vez.
No entanto, a uma segunda visão já conhecendo bem a estrutura da narrativa a verdade é que [“The Floating Landscape“] revela-se numa obra especial e com muitos bons motivos para agradar a quem procura uma história de amor diferente do habitual cinema oriental do género.
Diferente no ambiente, pois além de contar com dois personagens cativantes e tão simples que parecem pessoas reais ainda se passa numa das cidades mais atmosféricas que me lembro de ver no cinema.

O filme passa-se algures numa das muitas cidades industriais costeiras da China e ao contrário do que possam pensar esta não tem nada de extraordinário. Não é um local ao estilo de Paris ou Roma, não tem nenhuma característica que a torne parte de qualquer roteiro turístico mundial obrigatório, mas tem uma coisa absolutamente fascinante e que a transforma no cenário perfeito para ser palco da história deste filme.
A melhor maneira de descrever o seu ambiente será dizer-vos que em certos momentos parece um local perdido onde o tempo corre mais devagar e em certos momentos parece uma cidade saída de um desenho animado de Hiyao Miyazaki.
Além do par romântico, a cidade é a terceira personagem do filme e apesar da localização geográfica nem ter qualquer relevância para a história neste caso a luz com que esta é sempre fotografada cria uma atmosfera realmente bonita que contrasta um pouco com a frieza e a melancolia  presente no próprio desenrolar da narrativa.

É que uma das características estranhas deste filme está precisamente no seu equílibrio entre dois tons narrativos extremamente distintos. Se por um lado [“The Floating Landscape“] tem um lado poético e bonito na forma como usa as cores da cidade para ilustrar a relação dos dois protagonistas, por outro tem também momentos intimístas extremamente frios e algo perturbantes que parecem até deslocados do resto do filme. Se numas alturas assume claramente um estilo de cinema de autor noutros momentos parece querer colar-se ao registro oriental mais comercial. Isto cria um ambiente algo incerto, pois enquanto espectadores nunca sabemos se a seguir vamos ter uma cena ligeira ou então mais uma sequência com outra daquelas cargas de tristeza contemplativa que nos fazem querer cortar os pulsos.
E por falar nisso…
Já agora chamo a atenção para a inesperada e muito gráficamente explícita cena de tentativa de suicidio envolvendo um pulso, uma lâmina de barbear, veias e muito sangue que aparece nos momentos iniciais do filme e que poderá ser um bocado incomodativa para muita gente.
Dentro do contexto da história entende-se a razão da cena estar lá, mas a verdade é que é algo realmente inesperado quando o videoclip nos remetia para um filme muito mais ligeiro do que na realidade [“The Floating Landscape“] é em alguns momentos.

Esta estranha alternância entre um ambiente comercial descontraído e uma atmosfera negra intímista  muito triste e deprimente é uma das coisas que mais nos confunde nesta obra e ao mesmo tempo se calhar é aquilo que também torna [“The Floating Landscape“] num filme que não se esquece, especialmente se gostarmos de histórias de amor originais e bem contadas.
Um factor muito importante que contribui imenso para a atmosfera é tmbém a banda sonora.
Mais uma vez, se esperam encontrar algo no estilo da música que aparece no videoclip esqueçam, pois essa canção nem entra na história. Em vez de uma banda sonora ligeira, todo o filme é pontuado por uma atmosfera sonora bastante minímalIsta (quase de música erudita) e que reflete muito bem principalmente o clima de intensa tristeza que percorre muitas partes da história.
Embora ao mesmo tempo também consiga ilustrar os momentos alegres mas de uma forma igualmente intímista, por isso já sabem, [“The Floating Landscape“] é tão diferente que até a própria música não é aquilo que se esperaria mas mais uma vez isto contribui para tornar o filme numa história de amor especial que merece ser vista pelo menos uma vez.

E como se o filme não fosse já suficientemente estranho, se calhar é melhor dizer também que este mete um par de sequências em desenho animado, mas sobre isto não vou dizer muito mais, até porque vocês precisam ter algo para apreciar de fresquinho e os momentos animados presentes em [“The Floating Landscape“] apesar de breves contribuem também para aquele estranho equilibrio entre cinema de autor, cinema comercial e para a originalidade do filme.

Basicamente  [“The Floating Landscape“] conta a história de uma rapariga que depois do namorado ter morrido de uma rara doença genética mesmo assim não consegue deixar de o amar. Após uma tentativa de suicídio como forma de se sentir mais perto do jovem que faleceu ela resolve viajar até á cidade natal do namorado com o objectivo de conseguir encontrar o local real que este representou um dia num desenho e que significava muito na sua vida.
Ao chegar lá encontra um jovem carteiro que a guia pela cidade e a tenta ajudar a encontrar esse local presente na ilustração mas sempre sem grande sucesso, (embora para o espectador seja mais que óbvio). Durante esse processo vocês, já estão a ver o resultado e claro que o jovem carteiro se apaixona pela rapariga que entretanto não consegue largar a obsessão de encontrar a paisagem desenhada pelo namorado e com isso nem repara no amor e na possibilidade de um novo futuro feliz que o jovem carteiro lhe poderia proporcionar.

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar da minha classificação relativamente baixa quando comparada com a de outras histórias de amor que já apresentei neste blog não se deixem desmoralizar. Na verdade se calhar [“The Floating Landscape“] até é capaz de merecer mais mas a verdade é que a estranha indefenição entre estilos de cinema lhe retira muito da força que merecia ter tido.
No entanto continua a ser uma boa história de amor e que merece ser vista ou até fazer parte de qualquer colecção de quem gosta de cinema romântico oriental e não receie encontrar um filme algo frio em certos momentos.
Até porque a atmosfera (quando não é fria e deprimente como o %&#”) é quase mágica e a química entre os dois protagonistas é excelente. Tivesse o estilo de filme sido mais bem definido e [“The Floating Landscape“] poderia até ser um daqueles filmes obrigatórios. Assim fico-me apenas pelo muito recomendável. Mas recomendável mesmo, pois é uma excelente alternativa a todos os outros filmes do género romântico oriental que tenho recomendado até agora.
Trés tigelas e meia de noodles, porque mesmo assim é muito bom (de uma forma estranha).

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: a química entre os actores, os personagens muito humanos e reais, a maneira como a cidade está filmada, tem uma atmosfera muito poética apesar de algo melancólica até nas partes mais bonitas, as breves ilustrações da sequência animada, por entre o ambiente triste contém um par de sequências românticas bonitas sem precisar de recorrer a diálogos de telenovela para mostrar emoção, apesar de estranho e por vezes muito deprimente é um filme que nos fica na memória pelos seus pequenos aspectos muito positivos.
Contra: a realização não deslumbra e esforça-se demasiado para ser um daqueles filmes de autor inteligentes, a banda sonora é muito boa mas pode ser bastante triste e não tem nada a ver com a balada comercial do videoclip, a carga emocional negativa que percorre todo o filme quase que anula o ambiente romântico que a história supostamente pretende ter, não sabe se quer ser um filme de autor ou uma love-story comercial, não é uma obra que estejamos sempre a querer voltar a ver ao contrário de filmes como “Be With You“, “The Classic” ou “Il Mare“ e pode decepcionar quem espera algo mais essencialmente comercial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=lzU1DNLRNxI

Videoclip
http://www.youtube.com/watch?v=6pnWBQ6jnqM&feature=related

Comprar
A edição que tenho é esta. Contém um pequeno making of muito interessante mesmo apesar dos extras não estarem legendados em inglés. Apenas o filme está legendado, mas tem uma boa cópia e é uma boa compra para quem quiser comprar mais uma boa história de amor oriental.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-15-the+floating+landscape-70-3g1.html

Podem também encontrá-la á venda na Amazon.com a um bom preço.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0377923/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Tau ming chong (The Warlords) Peter Chan . Way Man Yip (2007) China


Estou de regresso embora ainda não a cem por cento. Devido á avaria do meu computador deixei muito trabalho de design para trás e tenho que o terminar antes de me voltar a dedicar sériamente a isto dos blogs.
Mas…
Como comprei umas novidades, não podia deixar desde já de recomendar o filme seguinte.

Na minha opinião este filme contém á partida duas coisas que o tornam imeditamente numa obra a espreitar por quem gosta de grandes épicos de guerra com sabor oriental.
Primeiro, apesar de [“The Warlords“] se situar históricamente mesmo já no final do século XIX, o espectador esquece-se por completo desse facto pois é impressionante como toda a atmosfera nos transporta para um ambiente medieval. O que não deixa de ser estranho pois é bem curioso pensarmos que na mesma altura em que toda esta história se passa na China, já o ocidente estaria a entrar em tudo aquilo que tomamos por referência relativamente ao que conhecemos do mundo moderno.
Encontrarmos então um filme situado a poucos anos do século XX e onde os seus protagonistas passam o tempo todo a lutar em sangrentas batalhas usando lanças e espadas medievais é algo particularmente interessante se pararmos para pensar no assunto, o que ainda torna o filme ainda mais cativante.

A segunda coisa pelo qual recomendo vivamente [“The Warlords“] é precisamente pelas batalhas.
Se tal como eu, vocês já estão fartos de ver guerras animadas em CGIs made-in-hollywood, irão encontrar neste filme chinês o antídoto perfeito, pois tudo aqui está feito á moda antiga e o resultado é uma das mais realísticas e sangrentas batalhas que possam imaginar. Violenta, politicamente incorrecta e completamente crua e espectacular com baldes de sangue quanto baste e um par de decapitações á mistura para animar as coisas.

Ao contrário do que acontece nos blockbusters americanos, desta vez a grande batalha do filme ocorre practicamente logo no início da história mas garanto-vos que não é por isso que irão entusiasmar-se menos com ela.
É que ainda por cima todos os soldados que poderão encontrar na imagem não são bonequinhos feitos em computador mas sim 5000 gajos de verdade, pois se há uma coisa de que a china pelo visto não tem falta é de figurantes para filmes de guerra e a julgar pelo que se pode ver neste [“The Warlords“] cada vez encena melhor grandes batalhas com milhares de pessoas reais para divertimento de todos nós que já estamos fartos de tanto plástico americano.

Mas nem só de grandiosas cenas de batalha vive [“The Warlords“].
Todas essas sequências são memoráveis e do melhor que poderão encontrar actualmente no grande ecran, mas na verdade não seriam nada se os personagens fossem um vazio e felizmente isso não acontece de todo.
Quem procurar apenas um filme de porrada é melhor não esperar muito mais além das primeiras batalhas pois a partir desse momento a história deixa de se centrar na espectacularidade das cenas de guerra e passa a ser acima de tudo sobre os efeitos da mesma nas pessoas que a vivem ao longo de anos a fio.
Na verdade um dos grandes trunfos de [“The Warlords“] é que consegue equilibrar muito bem a espectacularidade de um blockbuster de guerra com o intimismo de um drama pessoal e para isso conta com um argumento que não esquece os personagens mesmo quando se calhar o filme até nem pedia mais do que um par de boas cenas de guerra.

Como habitualmente não revelarei grande coisa da história, mas [“The Warlords“] é essencialmente uma história de amizade entre trés homens que sempre viveram pela violência e sobre as consequências dessa mesma violência nas suas vidas e na história da própria China.
Um dos grandes trunfos desta obra está precisamente na forma como explora a personalidade de cada um dos personagens e com isso nos dá trés perspectivas sobre uma guerra (que poderia ser qualquer uma) e que no fim nos deixa a pensar mais do que esperariamos, pois mais uma vez o oriente conseguiu produzir um filme sem maus nem bons e que acaba por ser sempre muito mais do que apenas um espectacular filme de guerra.
Não há herois neste [“The Warlords“] e quando muito se tiver vilões estes serão representados pelos fabulosos (e simples) personagens dos trés velhos políticos que na realidade se formos a pensar bem, são os verdadeiros “senhores da guerra” que dá titulo ao filme.

E como não podia deixar de ser (afinal isto é um filme oriental) ainda temos direito a uma simples mas boa história de amor que serve de contraponto aos trés personagens masculinos e consegue inserir um ambiente ainda mais humano, pois é um segmento dramático que não se perde porque acima de tudo acaba também por ser utilizado para dar a perspectiva feminina sobre a guerra de uma forma subtil que contribui perfeitamente para o equilibrio do resto do filme. Se calhar até seria desnecessária, mas não é algo metido a martelo e muito menos segue os habituais clichés de triangulo amoroso que encontrariamos de certeza se isto fosse um filme made-in-hollywood.
Mais uma vez, os orientais conseguem criar uma história de amor sem nunca entrarem pelos habituais diálogos estilo telenovela. Aliás, não há qualquer diálogo estilo “i love you” durante as cenas mais emocionais e nem precisa pois está tudo nas imagens e na maneira como o realizador filma essencialmente as emoções. Não será própriamente uma história de amor inesquecível mas enquadra-se perfeitamente dentro do filme e permite a Jet Li um registo dramático a que não estamos muito habituados a vê-lo interpretar.

Ao ver [“The Warlords“] fiquei com a certeza de que existem dois Jet Li. Aquele que estamos habituados a ver fazer papeis de cartão nos filmes americanos e o Jet Li actor que é capaz de apenas com a sua presença encher o ecran e fazer-nos mergulhar num personagem esquecendo por completo o seu intérprete como acontece neste filme.
Aliás, além das mágnificas cenas de guerra, este filme vale essencialmente pelos actores pois até o mais secundário tem o seu momento de destaque e contribui para que o argumento resulte tão bem.
Até mesmo eu, que não sou própriamente um grande interessado em filmes sobre intriga política de bastidores não pude deixar de gostar muito desta história pois acho que na verdade [“The Warlords“] não deve ter um único personagem que não nos agarre e nos faça importar com ele a partir do momento em que entra em cena.
Acima de tudo o filme conta uma boa história e merece ser visto e revisto por muito boas e variadas razões sendo um daqueles filmes que de certeza irá agradar a muita gente apesar da sua violência gráfica e psicológica até.
Já o vi duas vezes e aconteceu-me gostar ainda mais dele ao segundo visionamento, porque se calhar da primeira vez que o vi não estaria á espera da estrutura do filme ser como é e da segunda vez já me consegui abstraír totalmente e simplesmente apreciar o filme pelo que ele realmente é.

Nota positiva também para a banda sonora que é simplesmente mágnifica apesar de conter um momento particularmente curioso pois a determinada altura numa cena de guerra, macacos me mordam se aquilo não é a música do “Piratas das Caraíbas” tocada ligeiramente num compasso ao lado…
Os efeitos especiais são do melhor que poderão encontrar e tão bons que vocês nem se vão lembrar que existem efeitos especiais neste filme, pois tudo tem uma atmosfera clássica fantástica até mesmo na forma como os meios técnicos foram usados para criar as cenas mais espectaculares.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de guerra que poderão encontrar no mercado actualmente.
No entanto, apesar das espectaculares cenas de batalha,  [“The Warlords“] não é um filme de acção ou aventura por isso que estiver á espera de algo do género poderá não lhe dar o devido valor.
É um filme mais sobre a guerra, do que própriamente -de guerra- e portanto muito assente na relação entre os personagens e não própriamente numa estrutura de filme de porrada ou aventura. Essencialmente se alguma vez houve um “Braverheart” oriental digno desse título  [“The Warlords“]  é esse filme e portanto se gostaram da obra de Mel Gibson não se podem enganar com este filme oriental pois o espírito é essencialmente o mesmo. Mas este tem mais sangue no ecran.
Este é o típico filme que nós vemos e pensamos porque raio é que em vez de se encherem salas de cinema de centro comercial com -“Múmias 3”- não se lança um filme destes por cá, pois podem ter a certeza que isto bem publicitado iria ter tanto sucesso quanto o “Braveheart” teve.
Já agora outra nota importante, apesar do ambiente “medieval”  [“The Warlords“] não é um filme no estilo -Wuxia- ou seja, não é um daqueles filmes de fantasia orientais com combates aereos ou muito baseados em acrobacias com fios.  [“The Warlords“] é um filme de guerra com espadas, membros decepados e muitos baldes de sangue com os pés bem assentes na terra. Em todos os sentidos.
O filme perfeito para convencer aqueles que ainda pensam que filmes visualmente espectaculares só podem vir da América e um daqueles com que os chineses podem chegar junto de Hollywood e dizer : -“vêem, é assim que se faz.” pois [“The Warlords“] é a prova que um filme cheio de acção, violência e efeitos também pode ter alma e não precisa ser um pedaço de plástico só porque é um filme comercial.
Não tem o visual sumptuoso de um “Curse of the Golden Flower” mas também não precisa.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles obrigatórios em qualquer dvdteca, especialmente se gostarem de épicos históricos e se interessarem por histórias de guerra bem contadas.

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A favor: a inteligência do argumento, a realização, as cenas de batalhas absolutamente reais, os personagens, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a complexidade da narrativa, a história de amor, o sentido de espectáculo que nunca se perde e os fabulosos efeitos especiais “invisíveis”.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, mas isto nem sequer é própriamente algo negativo. De resto não me lembro de nada a apontar que seja algo realmente mau neste filme…talvez não tenha uma história particularmente original mas também nem precisava de a ter para ser o excelente filme que é.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=ok_5CKAOch8
http://www.youtube.com/watch?v=wK_iBqODSkw&feature=related

Comprar
A que eu tenho é esta Ediçao de 3 discos onde o filme está estranhamente dividido em dois apesar de ter apenas pouco mais de duas horas.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-6x-77-2-49-en-15-the+warlords-70-2vy1.html
No entanto a qualidade de imagem é fantástica e o som absolutamente mágnifico até mesmo na pista de 5.1 normal embora contenha também uma faixa DTS.
O terceiro disco contém excelentes documentários de making-of que vale a pena ver e esta edição vem ainda com um bom comentário audio para o filme.
Todos os discos estão legendados em inglés tanto no filme como em todos os extras por isso se gostam de filmes deste género têm aqui uma edição daquelas que vale mesmo a pena comprar. ´
É barata e vem numa caixa fantástica com personalidade apesar do estilo digipak que pode desagradar a alguns. Contém também um livro em papel fotográfico com dezenas de fotos que é desnecessário mas  por outro lado é sempre um brindezinho interessante para compor esta edição já de si excelente e muito recomendável.

Em alternativa encontram já na AMAZON.UK excelentes edições deste filme com tudo e mais alguma coisa também no que toca a extras. Tendo em conta o preço recomendo que escolham qualquer uma destas edições.

The Warlords – Edição DVD de 1 disco.

The Warlords – Edição DVD de 2 discos.

The Warlords – Blu-Ray

PS: Se encontrarem a edição Portuguesa á venda num supermercado fujam !
A edição Pt é mais uma daquelas onde falta uma boa parte da imagem dos lados, por isso meus amigos…comprem na Amazon Uk…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0913968/

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Se gostou deste poderá gostar de:

The Myth The Promise

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