Man cheng jin dai huang jin jia (Curse of the Golden Flower/A Maldição da Flor Dourada) Yimou Zhang (2006) China


O facto deste filme oriental ser uma milésima variação da peça Otelo de Shakespeare pode á primeira vista parecer um bocado surpreendente para quem esperava algo mais parecido com um filme de acção no estilo “House of the Flying Daggers“.
No entanto, apesar de [“Curse of the Golden Flower“] conter algumas das melhores sequências de acção que vi no género Wuxia, este é essencialmente um drama político.
O que confesso me aborreceu um bocado, pois se existem histórias para o qual não tenho pachorra absolutamente nenhuma são os dramas de intriga palaciana embrulhada em capa de épico histórico.

Não que estivesse á espera de apenas mais um filme asiatico de acção, mas a verdade é que não esperava algo tão intensamente palaciano e tão shakespeareano.
Até porque [“Curse of the Golden Flower“] ao ser uma espécie de Otelo em versão chinesa perde um pouco da sua frescura no que toca a desenvolvimento do argumento pois por mais que nos fascine com as suas imagens nunca nos prende propriamente á história pois esta é por demais previsível ao longo de toda a narrativa.
De cada vez que alguém novo entra em cena, passados minutos percebemos imediatamente qual irá ser o seu destino e qual a sua relação com cada um dos mistérios referidos no argumento. Ora isto, coloca o espectador sempre muito á frente dos personagens e isso na minha opinião faz com que nunca entremos verdadeiramente dentro do filme e tenhamos sempre alguma distância em relação ao que se passa no ecran.

Agora que já falei do único aspecto “negativo” de [“Curse of the Golden Flower“], não me lembro de mais nada que possa impedir-vos de gostarem mesmo muito deste filme.
Como tal, até digo-vos já a minha classificação em adiantado. [“Curse of the Golden Flower“] leva absolutamente cinco tigelas de noodles sem qualquer dúvida. E embora eu não lhe atribua um Golden Award se vocês gostarem mesmo de histórias de intriga política palaciana, considerem-no atribuído pois vão adorar o filme.

Até tenho receio de continuar esta review, porque realmente não há palavras que eu consiga colocar aqui nem fotografias que possam acompanhar esta review que transmitam o incrível visual deste filme. Possivelmente será o Wuxia mais espectacular que vi até hoje no que toca a cenografia e ao tratamento tanto dos enquadramentos como também principalmente na cor.
Enquanto “Hero” do mesmo realizador, estava dividido em vários segmentos cada um com uma tonalidade dominante, desta vez em [“Curse of the Golden Flower“], parece que todas as cores do espectro visível ao olho humano foram colocadas no ecran em cada frame deste filme.´

E o que poderia ter resultado em algo desastroso para os sentidos, ou até mesmo ter tornado o filme num produto algo kitsh a verdade é que não poderia ter funcionado melhor. Cada frame deste filme está tão bem pensado a nível de cor e tratamento fotográfico que temos que o ver pelo menos uma meia dúzia de vezes para conseguirmos reparar em todos os incríveis detalhes que compoem esta extraordinária tapeçaria visual que vos irá deixar absolutamente deslumbrados. Especialmente se tiverem a sorte de poder ver [“Curse of the Golden Flower“] num projector com um ecran de tamanho considerável como eu posso fazer.

Mas não só da cor vive este filme asiático, pois além da fotografia absolutamente perfeita, a quantidade alucinante dos próprios detalhes que estão presentes em cada imagem é de uma pessoa ficar a pensar como raio é que alguém se deu a tanto trabalho apenas por causa de um filme.
Desde ao incrível guarda-roupa absolutamente impressionante na sua combinação de texturas até ao detalhe esculpido em cada adereço este é um daqueles filmes que só podia ter vindo mesmo da china, pois sinceramente é preciso mesmo uma literal paciência de chinês para se conseguir produzir aquilo que poderão ver no ecran se comprarem este filme.
E segundo parece, tirando um par de anacronísmos em alguns detalhes das roupas, consta que no que toca a uma reprodução fiel de ambiente [“Curse of the Golden Flower“] levou uma excelente nota da parte dos historiadores. Até aquilo que nos parece um exesso de cor, supostamente será algo decalcado do que seria a realidade daquela época no que toca á atmosfera que o filme tentou reproduzir.

É que não pensem que estes chineses não tendo exactamente um local adequado para filmar isto se deram apenas ao trabalho de construir um par de cenários. Não meus amigos, já que tinham tanta gente para trabalhar, eles decidiram construír um palácio medieval verdadeiro para que o público pudesse sentir ainda melhor o espírito históricamente fiel da obra.
Tudo o que poderão ver no ecran, não se tratam apenas de cenários pintados, mas sim de locais verdadeiros que foram construídos de propósito para este filme com um nível de realidade tal que o palácio ficou pronto para ser habitado e actualmente parece que foi inclusivamente transformado numa nova atracção turística porque a coisa é tão impressionante que é mesmo de ver para crer.
Podem ter a certeza que isso transparece muito bem pelas imagens quando virem o filme.

Já agora, recomendo que o comprem mesmo, pois este é um daqueles que precisa de uma boa cópia para poder ser devidamente apreciado e duvido que uma cópia sacada de qualquer torrent consiga realmente transmitir com qualidade tudo o que merece ser visto neste filme.
Até porque se a edição portuguesa tiver o mesmo documentário de Making of que eu tenho na edição chinesa esse é um complemento que não devem perder para terem uma ideia do trabalho que [“Curse of the Golden Flower“] deu a produzir. Não só contém as habituais entrevistas aos actores, como mostra a construção de todo o complexo “cenográfico” e ainda nos dá um vislumbre das filmagens das impressionantes sequências de acção presentes no filme.

Embora [“Curse of the Golden Flower“] seja essencialmente um drama de intriga palaciana, pontualmente transforma-se súbitamente num dos filmes de acção mais impressionantes que poderão encontrar pela frente actualmente.
Poderão nem se lembrar da história ou sequer se importarem muito com ela, mas podem ter a certeza que não vão esquecer tão cedo a originalidade das cenas de acção deste filme que nos mostra coisas de um angulo que ainda não tinha aparecido no ecran desta maneira no que toca á encenação de cenas deste estilo.

Eu que já nem podia ouvir a palavra “Ninja“, (por causa daqueles abjectos filmes de porrada americanos dos anos 80), fiquei absolutamente impressionado com a fabulosa e original sequência de acção com os Ninjas neste filme. Nunca tinha visto nada assim e muito menos filmado desta maneira. Só é pena a cena até nem durar muito tempo, mas enquanto dura torna-se inesquecível, pois tudo desde ás coreografias em fios, á fotografia e á própria montagem é simplesmente perfeito. Vai fazer com que vocês fiquem com vontade de irem buscar um facalhão á cozinha e depois de se enrolarem num lençol preto ainda saltem pela janela do apartamento com umas quantas piruetas silenciosas.

Como se esta cena não tivesse sido já visualmente muito original, o final do filme ainda conta com uma outra daquelas batalhas épicas como nunca tinha visto. Pensava eu que nisto de batalhas entre exércitos já estava tudo mostrado quando [“Curse of the Golden Flower“] nos apresenta algo verdadeiramente único.
Além da própria batalha ter em estilo e uma estratégia peculiar composta á base de defesa de gigantescos escudos de metal que servem de barricadas entre dois exércitos, os produtores deste filme ainda acharam que seria giro fazer tudo não soldadinhos de CGI mas sim com gajos mesmo a sério que por acaso até foram buscar ao verdadeiro exército chinês actual só para nos impressionar certamente.
Quando virem aquela gente toda á porrada na batalha não se esqueçam de os contar a todos, pois foram mesmo muitos os chineses que tiveram de vestir armaduras. Já agora, também consta que as armaduras não eram cá de plástico pois foram construídas a sério para dar mais realísmo á coisa. Portanto cada actor e figurante andou a passear por esta cidade cenográfica real com uns bons quilos de metal ás costas só porque sim.

Isto para não falar das actrizes que passaram um mau bocado com os espartilhos dos fatos de época que no entanto resultaram em decotes tão hipnóticos que o próprio Chow Yun Fat não se conseguia concentrar nos olhos da excelente Gong Li que faz de sua mulher no filme e que tem portanto inúmeros diálogos com ele ao longo da história. Actor sofre.

Agora, mais uma vez chamo a atenção para o facto de que [“Curse of the Golden Flower“] não é um Wuxia de acção, mas sim um drama completamente shakespeareano passado nas cortes palacianas chinesas da idade média e pontualmente polvilhado por breves cenas de acção que vos vão deixar absolutamente maravilhados se gostam de bons filmes Wuxia mais tradicionais.

Posto isto passemos ao que interessa e portanto, resumindo:

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CLASSIFICAÇÃO:

Por tudo e mais alguma coisa, cinco tigelas de noodles á vontade.
Visualmente é definitivamente uma obra prima em todos os sentidos, tem uma fotografia absolutamente incrível e o detalhe de cada imagem vai fazer com que a uma segunda visão estejam sempre a fazer pausa e zoom para poder espreitar cada pormenor ao longo das quase duas horas de filme.
Só não lhe atribuo um Golden Award porque a parte de intriga palaciana aborreceu-me imenso, não por ser uma história do estilo mas porque está tão colocada ás obras de Shakespeare que se torna absolutamente previsível e com isso arruina parte do encanto que tanto se esforçaram por obter visualmente.
Mas tirando isso é um filme extraordinário e uma compra obrigatória para quem gosta do estilo e totalmente indispensável para todos os admiradores deste realizador que antes já tinha feito também os fabulosos, “Hero” e “House of the Flying Daggers“.
[“Curse of the Golden Flower“] , é um bom exemplo de um filme que sendo no fundo uma obra de cinema de autor não deixa de ser menos comercial por causa disso, pois tem o equilíbrio perfeito entre os dois géneros.

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A favor: visualmente é uma obra prima como há muito não se via, a fotografia é mágnifica, os cenários verdadeiros são impressionantes, as cenas de acção são inesquecíveis e até as mais tradicionais contêm coreografias excelentes, a batalha final, os personagens apesar de totalmente Shakespeareanos têm uma identidade não apenas teatral.
Contra: as intrigas palacianas aborrecem-me de morte e pior ainda quando são tão previsíveis como as que constam no argumento deste filme, as cenas de acção ás vezes parece que não seriam própriamente necessárias e apenas estão lá para que o espectador não adormeça com a previsibilidade do argumento.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=tyVv8qSTLRQ

Website Oficial
http://www.sonyclassics.com/curseofthegoldenflower/

COMPRAR
Excelentes e baratinhas edições na Amazon Uk:

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Ou então…

Dvd Edição Chinesa
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-77-1-49-en-15-curse+of+the+golden+flower-70-1up9.html
Dvd Edição Portuguesa
http://www.worten.pt/ProductDetail.aspx?pid=03873734

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0473444/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

The Promise

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Sayônara, Jûpetâ (Bye bye Júpiter) Koji Hashimoto (1984) Japão


Nos últimos dois dias, a informação do meu back-office tem-me indicado que muita gente chega a este blog procurando por -“filmes de ficção científica japoneses”. O que é curioso, pois não se conhecem propriamente bons exemplos do género dentro da cinematografia daquele país mais virado para dezenas de Godzillas e variações de Power Rangers.
Tirando algumas excepções como por exemplo o muito bom “Virus” e os excelentes “Natural City“, “2009 – Lost Memories” ou “Returner“, raramente se encontram produções asiáticas de ficção científica que tratem os ambientes e os temas da mesma forma séria que o cinema ocidental até costuma abordar bem.

No entanto na época em que surgiram os primeiros Star Wars no final dos anos 70, inicios de 80, parece que os Japoneses tentaram produzir alguns titulos que inclusivamente tiveram sucesso internacional suficiente para chegarem até a ser exibidos no cinema em Portugal, como por exemplo “Message from Space” ou o esquecido “War in Space” intitulado em Portugal – “Guerra no Espaço”.
O filme de que vos vou falar a seguir é precisamente dos mesmos produtores do segundo título e tem o estranho titulo de [“Sayonara Júpiter“], conhecido em inglés como “Bye Bye Júpiter“.
O que diga-se de passagem não será propriamente um título muito entusiasmante e como tal deve ter sido responsável por este filme não ser propriamente um dos exemplos mais populares no género.
Embora merecesse, pois é realmente um filme com características muito especiais.

Este deve ser um dos mais estranhos e originais filmes de ficção científica que me passaram pelas mãos nos últimos anos. E dos mais divertidos filmes orientais também.
É surpreendente a mistura entre coisas absolutamente extraordinárias com outras completamente inacreditáveis de tão más que são. Não há meio termo neste filme.
Ou nos maravilhamos com o que vemos no ecrã ou apetece-nos partir a cara a quem fez este incrível filme.
Como tal, [“Sayonara Júpiter“] é um daqueles filmes asiáticos que não conseguimos deixar de odiar e adorar ao mesmo tempo. Não pode haver dois campos opostos, pois os seus aspectos positivos são tão fascinantes quanto detestável é o que tem de negativo e por isso estaria a mentir se disesse aqui que adorei ou detestei este filme, pois realmente neste caso, aconteceu-me sentir as duas coisas ao mesmo tempo. Só vocês vendo mesmo.
E vale a pena ser visto.

Para começar os efeitos especiais são mágnificos, especialmente tendo em conta que o filme foi produzido em 1983 e ainda não havia cá CGIs.
Para todos aqueles que ainda preferem uma boa maqueta bem filmada a uma nave animada em computador, vão encontrar em [“Sayonara Júpiter“] um verdadeiro tesouro perdido.
As cenas espaciais são absolutamente extraordinárias com uma atmosfera verdadeiramente espacial como não encontrava há muito muito tempo num filme. É dificil de explicar isto, mas sente-se não só a existência de uma técnologia como principalmente a vastidão do espaço ganha um contorno quase romântico na forma como é constantemente filmada.
Tal como em “2001 Odisseia no Espaço“, [“Sayonara Júpiter“] conta com dezenas de sequências que são verdadeiros bailados espaciais com naves deslizando em gravidade zero e onde quase por vezes parece que vão roçar o plágio estético do filme de Kubrick mas no entanto conseguem não só ter uma identidade muito própria como ainda por cima técnicamente em efeitos visuais este é um daqueles grandes filmes que não envergonha ninguém, muito pelo contrário.

Nota-se claramente que tanto estéticamente no design das naves como em termos de realização das cenas do espaço tudo foi muito inspirado em “2001 Odisseia no Espaço” mas ainda bem que o foi, pois tudo funciona tão bem que assistir a este filme nessas sequências é um verdadeiro prazer para quem como eu,  já há muito procurava um filme que respirasse de uma realistica atmosfera astronautica depois de ver tanto gráfico feito em computador nos ultimos quinze anos.
A primeira cena de acostagem na estação espacial é simplesmente perfeita e para isso contribui também muito uma banda sonora que não poderia ter sido melhor, pois com o seu ambiente quase náutico é uma das coisas que mais contribui para neste filme se sinta verdadeiramente que o universo é não só muito vasto, como também pode ser misterioso e romântico.
No entanto, tal como o próprio filme, a banda sonora apesar de mágnifica nas cenas espaciais de repente espalha-se ao comprido noutras partes de que já falarei mais adiante e que que quase arruinam tudo o que é muito bom em [“Sayonara Júpiter“].

Portanto, resumindo esta parte; técnicamente o filme não poderia ter sido melhor e na minha opinião, em efeitos especiais é um dos melhores trabalhos que vi num produto do início dos anos 80. Tudo muito bem feito e atmosférico, onde além das naves também podemos contemplar algumas mas mais inspiradas paisagens espaciais do nosso sistema solar que me lembro de ter encontrado criadas através de efeitos tradicionais e onde podemos até fazer uma imaginativa viagem ao interior das núvens do planeta Júpiter.

Também uma nota extremamente positiva para os efeitos de gravidade zero com personagens humanos. Ainda muita gente que discute o filme na net, está a tentar perceber como conseguiram os autores de [“Sayonara Júpiter“] criar um par de breves sequências flutuantes muito bem sucedidas numa altura em que ainda não existiam computadores para removerem digitalmente os cabos que seguravam adereços e actores mas a verdade é que chegam realmente a impressionar pela sua naturalidade.

Mas como nem tudo é positivo e já que falamos de actores…
Mais uma vez estamos perante uma estranha mega produção japonesa cheia de actores internacionais.
E cada um pior que o outro.
Os americanos então é de um gajo ficar parvo a olhar para o ecran de cada vez que abrem a boca.
E os restantes também não vão muito longe, excepto, os japoneses que soam naturalmente (acho eu) e salvam a situação.
Em [“Sayonara Júpiter“], durante este filme fala-se não só japonês, como inglés, francês, alemão e mais qualquer outra coisa que agora nem me recordo, talvez espanhol … ou se calhar seria português. E depois há cenas em que os diálogos são em linguas diferentes. Eu explico…
Temos sequências em que um personagem está a falar com outro em japonês, só que o segundo depois responde-lhe em Alemão e subitamente entra mais um na conversa a falar em Francês e assim por diante, o que cria um tipo de filme que não estamos propriamente habituados a ver. Isto para não dizer também que os americanos depois também falam japonês e os japoneses falam inglés, etc, etc, etc.
E não são dobragens, pois são actores que realmente viviam e trabalhavam no Japão da altura e portanto conheciam a lingua do país.
Não que isto resulte mal, mas é muito estranho.
Ainda mais estranho que as camisas do heroi.

Agora, mau, mas mesmo mau…
Mesmo, mesmo, mesmo muito mau…são as cenas com os Hippies internacionais.
Confusos ? You will be, you will be…
Se calhar é melhor contar um pouco da história disto.
Em [“Sayonara Júpiter“], entre uma outra quantidade enorme de histórias paralelas com sub-plots e sub-sub-plots, conta-se também a história de um grupo de cientístas que basicamente querem explodir com o planeta Júpiter de modo a criar um segundo sol no sistema solar para servir as luas interiores que entretanto foram colonizadas pela humanidade e precisam da luz e calor que não podem obter naturalmente pela distância a que estão do centro do sistema solar.
Ora isto não agrada nada a uma seita religiosa chamada “Church of Júpiter” que basicamente é composta por uma cambada de Hippies do mundo inteiro (que aparentemente vivem todos no mesmo lugar no Japão) mas não fazem mais nada na vida a não ser passar o dia na praia num ambiente estilo Baywatch enquanto idolatram um gajo que é uma mistura entre Jesus Cristo, Elvis Presley (na sua fase Havaiana), John Lennon e Bin Ladden.
A sério !
De ver para crer.

Ora mesmo parecendo que estes gajos não fazem mais nada a não ser ouvir o seu messias a cantar as mais atrozes canções hippies que vocês possam imaginar, têm no entanto dinheiro para pagar uma viagem até Júpiter e protestar contrar a destruição do planeta colocando bombas e sabotando toda a experiência sempre que podem.
Não perguntem que eu também não sei responder… deixem-se levar pela história, pois garanto-vos que a coisa tem toda a lógica dentro do conceito do filme.
Bom, no entanto são precisamente estas partes com os hippies que quase (quase?), arruinam [“Sayonara Júpiter“], pois vocês nem fazem ideia de como este sub-plot é mau.
Não só é mau e ridículo como perfeitamente desnecessário pois o filme já tem histórias de outro estilo por todo o lado e não precisava disto para o tornar ainda mais desconjuntado.

Na verdade, se isto quase que torna [“Sayonara Júpiter“], intragável por momentos, por outro lado este filme oriental não seria o mesmo sem estas cenas.
O que torna esta produção em algo único, pois é uma verdadeira mistura entre a excelência técnica de “2001 Odisseia no Espaço“,  o divertimento campy de “Star Wars” e o puro lixo de um “Plan 9 from Outer Space” se este no entanto tivesse sido um filme musical com banda sonora de Joan Baez na sua fase flower power contestatária.
E como se ainda não bastasse, a narrativa interessante do filme, é interrompida pelo menos durante quatro vezes para levarmos com um videoclip de peace & love que fará vomitar até o maior fã de “Woodstock“. Sim, porque o chefe do bando de Hippies terroristas, espalha a sua palavra a cantar.
Mal !
E como uma desgraça nunca vem só, o tipo ainda consegue tocar guitarra sem fazer qualquer acorde.
Tudo isto seria muito divertido se não fossemos obrigados a assistir a vários teledíscos do mais piroso que interrompem algumas das partes mais interessantes do filme para levarmos com o Bin Laden entoando canções do peace ao pior estilo – salvem as baleias, a natureza e matem os infieis.
Ainda tenho que confirmar se estas músicas atrozes, foram compostas pela mesma pessoa que criou a excelente e ambiental banda sonora deste filme, pois recuso-me a acreditar que tenha sido capaz do melhor e do pior.
É nesta altura que irão poder ver uma das cenas mais gamadas de sempre ao filme do “Tubarão”.
Nem digo mais para que vocês vejam a sequência, pois é genial na forma como até vai roubar os enquadramentos de Spielberg.
O que me leva a outra coisa curiosa neste filme asiático.

Mesmo sendo uma obra extremamente levezinha e divertida, de vez em quando entra por momentos gore totalmente inesperados. Não será propriamente um filme com baldes de sangue, nem com cenas nojentas, mas ainda contém alguns bocados de corpos ocasionais que parecem deslocados do tom geral do filme. O que lhe dá ainda uma identidade ainda mais estranha mas apelativa, pois nunca sabemos bem o que poderá acontecer a seguir na história ou que caminho o argumento irá seguir pois a partir de certa altura tudo é possível.
E já lhes falei nas gajas nuas ?
Pois, bem me parecia.
Este filme também mete miudas sem roupa o que ainda é mais estranho, pois na realidade não tem motivo algum para incluir as cenas de nú que inclui. Não que me esteja a queixar, até porque são supreendentemente reveladoras e até funcionam bem dentro da sequência de efeitos especiais que ilustram.

Na verdade [“Sayonara Júpiter“], merece ser visto nem que seja uma vez.
Se conseguirem não vomitar durante as partes hippies completamente imbecis e gostarem de boas cenas espaciais vão gostar certamente do filme apesar das suas inúmeras falhas.
Afinal este não só é um grande filme em termos técnicos, como acima de tudo é um filme grande, pois tem 140 minutos onde irão encontrar certamente muita coisa para apreciar. Por mim tirava-se a meia hora com o freaks cantantes e o filme ficaria bem mais afinado, mas não se pode ter tudo.
Mas se gostam de filmes espaciais pouco conhecidos, têm aqui uma boa opção que merece ser descoberta. Afinal no meio de tudo ainda têm as partes de pura space-opera ao melhor estilo “Star Wars” com batalhas laser em corredores de estações espaciais e embora aqui não entrem R2-D2 ou Chewbaccas as cenas de acção deste estílo são sempre divertidas. E neste caso algo inesperadas, pois faz com que [“Sayonara Júpiter“], de repente pareça uma espécie de “2001 Odisseia no Espaço“,  se este tivesse sido um filme de porrada. Embora também não tenha muita e se calhar devia ter pois esforça-se demasiado para tentar ser ficção-científica séria quando todo esse esforço acaba deitado por terra mal o Bin Ladden dos Hippies saca da guitarra e começa a cantar o amor pelo seu golfinho favorito chamado precisamente, Júpiter.

Outra coisa muito negativa em [“Sayonara Júpiter“], é o facto de por momentos parecer que vamos ter uma história cheia de mistério envolvendo uma enigmática raça extra terrestre que deixou artefactos em Marte e foi responsável também pelas linhas de Nazca na Terra mas depois todo esse angulo nem sequer é explorado ao longo do filme. Parece que tal descoberta causou menos impacto na humanidade do que o impacto nos neurónios do espectador de cada vez que temos que ver outro teledísco hippie por razão absolutamente nenhuma a meio do filme.
Este angulo extra-terrestre tinha tudo para ser um dos pontos fortes do filme, e a criatura/nave-espacial que habita a alta atmosfera de Júpiter é uma criação perfeita tanto em conceito como no que toca a efeitos especiais. E no entanto, os produtores do filme parece que não se importaram e deitaram por terra todas as mágnifcas possibilidades que este caminho da história poderia ter seguido e nunca segue sabe-se lá porquê.
A temática só volta a entrar em cena, nas sequências finais quando estão a tentar explodir Júpiter e mesmo assim nem se percebe bem para quê ou o que a ideia com o contacto extra-terrestre está a fazer neste filme pois não serve absolutamente para nada nem tem qualquer interferência na história central á volta das sabotagens dos Hippies espaciais.

Tivessem esquecido os Hippies do espaço e desenvolvido o fantástico conceito da ligação Terra-Júpiter-Marte e a sua relação com a critatura que habita nas núvens jupiterianas e [“Sayonara Júpiter“], teria sido um filme de ficção científica fantástico, pois técnicamente tinha tudo para ser um marco dentro do cinema de aventuras espacias com uma base muito ao estilo do filme de Kubrick e uma pitada de leveza ao estilo “2010” de Peter Hyams com o qual este filme tem inúmeras semelhanças (apesar de ter sido produzido ao mesmo tempo no outro lado do mundo).

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CLASSIFICAÇÃO:

Um excelente filme oriental espacial que resulta num cruzamento estranho entre  “Starwars” e “2001 Odisseia no Espaço“. Mas tudo o que tem de muito bom, é quase destruído por um par de cenas absolutamente ridiculas envolvendo Hippies espaciais que não contribuiem em absoluto para o filme e impede-o de ser a verdadeira obra prima do cinema asiático que merecia ter sido.
No entanto, é mesmo muito divertido e as cenas espaciais são absolutamente fantásticas.
Quatro tigelas de noodles e embora se calhar até mereça mais, aqueles hippies do espaço são verdadeiramente enervantes por isso…

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A favor: é um excelente clone original do estilo “Starwars” com um estilo visual fabuloso retirado directamente do melhor de “2001 Odisseia no Espaço“, os efeitos especiais são incriveis com cenas espaciais muito atmosféricas e excelentes sequências em gravidade zero, o design de produção é mesmo muito bom e tem grande imaginação no conceito das naves e cenários de mundos do sistema solar, usa muito bem os cenários naturais e consegue integra-los bastante bem dentro do estilo gráfico do próprio filme, as maquetas das naves são fascinantes, os actores americanos são do piorio o que dá uma aura kitsh muito divertida á obra, tem uma identidade completamente japonesa, as cenas de porrada espacial em corredores são divertidas, tenta ser ficção científica séria em alguns momentos e quase que o consegue, a banda sonora ambiental para as cenas do espaço é absolutamente perfeita.

Contra: tem pelo menos meia hora de sequências inacreditávelmente más e absolutamente ridiculas envolvendo hippies espaciais, o chefe dos Hippies que é uma espécie de Bin Ladden saído do Woodstock canta algumas das mais atrozes canções ao estilo flower power que jamais ouviram num filme de ficção científica e só comparáveis á horrorosa e deslocada musica de Joan Baez no clássico americano Silent Running“, tem um puto génio que é a cara do Harry Potter e que nos dá cabo dos nervos de tão mau actor que é, e já agora vocês nunca viram uma colecção tão grande de maus actores reunidos num só filme espacial, como resultado os personagens não têm um pingo de interesse pois os que não são ridículos também nem têm muito tempo de vida no ecran.
E se pensam que os actores originais são absolutamente maus, vocês não podem perder também a versão semi-dobrada que vem incluida no dvd e do qual fica aqui um extracto de segundos (o actor japonês está dobrado, o outro não).

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9WVJb349t3g



Comprar
Esta edição R1 é excelente e é definitivamente o DVD que vocês querem ter. Comprem aqui.
E não estou apenas a falar da qualidade geral do som e imagem, mas sim porque além de uma boa transcrição do filme, contém óptimos extras embora curtos.

Essencialmente tem um pequeno documentário de menos de meia hora sobre o making of que é absolutamente indispensável para quem quer ver como se faziam os efeitos especiais antes de existirem animações de CGI.
Além desse excelente documentário sobre as filmagens, tem uma secção de texto que é uma verdadeira enciclopédia sobre a produção do filme. Contém artigos, biografias e páginas e páginas de informação sempre muito interessantes sobre o processo de criação desta obra. Inclusive na parte final ainda tem uma espécie de catálogo de designs de naves espaciais. E isto para não falar das habituais galerias de fotos e design de produção que aqui também estão bem representadas.
O único senão desta area de texto é a péssima navegação para o utilizador, pois se nos enganmos no botão por exemplo na página 30, voltamos ao inicio e temos de voltar a “desfolhar” tudo outra vez para chegarmos onde estavamos antes. Mas, se tiverem cuidado, vale a pena ler todos os textos depois de verem o filme pois são realmente muito informativos e pelo menos uma vez na vida vale a pena ler uma area de texto contida nos extras de um filme ! Perfeito, teria sido se em vez disto, tivessem editado um pequeno livro para vir com o dvd, mas não se pode ter tudo.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0086247/
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*Não tenho ainda nenhum filme semelhante que possa recomendar*

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Gedo senki (Tales from Earthsea) Goro Miyazaki (2006) Japão


Um dia, um jovem pré-adolescente neglegenciado pela sua família vê-se o centro das atenções de um dos membros de uma comunidade de magos quando é identificado como tendo o potencial para vir a ser o maior feiticeiro de todos os tempos.
Após alguns precalços envolvendo a sua inexperiênca com o seu talento mágico recém-descoberto, o jovem é enviado para estudar no colégio da magia gerida pelo próprio arquimago que supervisiona a formação de todos os jovens feiticeiros e coordena todas as disciplinas mágicas que a escola lecciona.
Nesse velho Colégio de Magia, as aulas são dadas por professores específicos para cada uma das artes da magia, cada um com a sua personalidade e sendo o melhor na sua Arte.
Ao chegar á Escola da Magia, o jovem cruza-se com outro da mesma idade completamente arrogante que o desdenha por vir de familias humildes e faz tudo para o humilhar continuadamente, até ao dia em que os dois numa aposta de Magia que corre mal libertam um mal antigo “sem nome” que será a base do resto da aventura.
Bem-vindos ao mundo de  [“O Feiticeiro de Terramar“].
Bem-vindos a [“Tales from Earthsea“].

Se calhar pensavam que eu ia dizer Harry Potter não ?

A verdade é que “Harry Potter” pura e simplesmente gerou tanto dinheiro que a sua máquina publicitária fez esquecer que todos os mesmos conceitos base já existiam antes na clássica obra de Fantasia conhecida pela trilogia de Terramar da autora Ursula K.Le Guin .
Escrito nos anos 60, o primeiro livro da série já contêm tudo o que depois se tornou popular na obra de J.K.Rowling, desde a escola de magia, aos professores feiticeiros, ás aulas de feitiços, a Dumbledorn, a Harry Potter e rivalidade com Malfoy, a Valdemort, á sombra, etc, etc, etc.
No entanto quantos fãs de Harry Potter conhecem esse facto ?…
Até muitos dos críticos omitiram em absoluto toda e qualquer referência ás influências de “O Feiticeiro de Terramar” na criação de J.K.Rowling, chegando inclusivamente a elogiar a autora pela extraordinária originalidade do conceito, ignorando por completo a existência da série clássica “Earthsea“.
Coisa que magoou a verdadeira autora do conceito da Escola de Magia de HogwartsUrsula K.Le Guin e não J.K.Rowling, pois nunca ninguém ligado ao franchising de Potter alguma vez emitiu uma nota de agradecimento pela “inspiração” e importância que a série de Terramar certamente teve na criação do mundo do feiticeiro inglés por muito que tentem ignorar públicamente todas as coincidências entre as obras.
O facto é que pelo menos oficialmente nunca houve sequer um reconhecimento público pela inspiração inicial que inevitávelmente “O Feiticeiro de Terramar” forneceu á autora de Harry Potter.

É que afinal coincidências existem, mas tanta coincidência também já é demais especialmente quando um simples agradecimento e pelo menos uma referência cordial seria bem vinda por parte de quem realmente criou o conceito daquele universo e no entanto ficou totalmente posta de parte perante o poder do dólar.
A única diferença entre a escola de Potter e a escola de Ged, é que uma se situa num mundo medieval de fantasia e a outra em inglaterra. O professor Dumbledorn é o mesmo personagem prácticamente nas duas obras, as cenas das aulas de magia com os seus professores específicos para cada arte mágica são decalcadas do trabalho de Le Guin, o puto rival de Ged em “O Feiticeiro de Terramar” tem não só o seu equivalente em Draco Malfoy presente em Harry Potter como básicamente são o mesmo personagem até na maneira como o confronto entre os dois se desenrola nos primeiros livros de ambas as séries. E isto entre muitos outros detalhes que poderão comparar se lerem “O Feiticeiro de Terramar”.

Embora J.K.Rowling depois tenha sabido habilmente contornar a situação nas sequelas do seus livros já mais personalizadas e imaginativas, as “coincidências” são tantas com o conceito inicial de Ursula K Le Guin que os próprios fãs de Potter deram um tiro no pé na altura em que a mini-série do “Feiticeiro de Terramar” estreou e todos eles bradavam aos céus nos foruns contra “Earthsea” porque só podia ser “óbviamente” um descarado plágio de Harry Potter. O que se virmos as coisas apenas pelo prisma de fazer dinheiro á custa da moda foi certamente a única razão porque a mini-série americana foi produzida.
No entanto segundo muitos fãs, “Earthsea” nem merecia ter sido colocado no ar por ter roubado tantas ideias, situações, conceitos e acima de tudo personagens que seria um desrespeito á original obra de J.K.Rowling.
O que não deixa de ser hilariante, pois no momento em que estes se indignam ao ponto de acusar “Earthsea“.  de plágio, essa própria acusação acaba por fazer o “feitiço virar-se contra o feiticeiro” (haha) e mostrar que afinal quem criou mesmo todo o conceito da velha escola de magia foi na realidade Ursula K Le Guin e nunca J.K.Rowling.

Óbviamente que não se pode tirar o mérito á autora de Potter de depois ter desenvolvido as continuações, agora seria no mínimo justo que a própria tivesse ao menos um dia referenciado a obra de de Ursula Le Guin pois a matriz dos livros do jovem feiticeiro é por demais evidente para continuar a ser ignorada.
E no entanto quantos fãs de Potter ao atacarem “Earthsea” nos foruns faziam ideia de que este tinha sido baseado numa série de livros de fantasia ? Eu não encontrei nenhuns na altura e até hoje mesmo duvido que os encontre, afinal os livros originais não estão na moda e para muita gente significa logo que não têm qualquer importância ou nem sequer existem.

Mas o marketing é uma coisa fascinante. É impressionante como consegue criar modas na cabeça do público de uma forma tão negativa que apaga por completo os trabalhos originais. E conseguem fazê-lo actualmente até mesmo com obras tão consagradas como a série de Terramar o que só demonstra o poder da publicidade numa época em que os livros quase que se tornam produtos de fast-food onde ninguém se interessa de onde vieram os ingredientes de que são compostos mas toda a gente come porque o anúncio diz que é bom e os amigos também comem.
E já não bastava a mini-série de Tv ter sido uma desgraça no que toca á total ausência de uma adaptação fiel dos romances origiais, ao ponto da própria autora se ter insurgido públicamente contra a produção televisiva, como ainda por cima as poucas coisas que realmente pertenciam aos livros de Terramar foram depois acusadas de terem sido roubadas a Harry Potter pelo público.
Mais sobre a reacção da autora á péssima adaptação dos seus livros na série de Tv, aqui.

Neste mundo moderno da suposta informação global é impressionante até que ponto chega o desconhecimento das pessoas.
Muito bom crítico ao atacar o conceito de “Earthsea” afirmando que este estaria a tentar plagiar os filmes e os livros de Harry Potter , na realidade deveria era antes ter elogiado o trabalho não por ser uma série de tv da treta mas por ao menos ter mostrado de onde veio o universo de Magia que agora as pessoas pensam ter sido uma criação original moderna para Harry Potter e não foi.
É que a série televisiva é má, mas ao menos poderia ter servido para repor a legitimidade da autoria do conceito e nem para isso teve utilidade pois os próprios produtores voltaram a deixar de fora a autora da história e fizeram o que bem entenderam com o argumento que no fim se pareceu mais com um episódio do Dungeons & Dragons do que com qualquer livro de Ursula Le Guin.
Actualmente só aqueles apreciadores de Fantasia que sempre leram romances do género porque gostavam e não apenas porque é moda, sabem o quanto tudo isto é injusto.

O que nos leva até [“Tales from Earthsea“].

Apesar de ter o mesmo título que o último romance da série publicado há um par de anos, este (primeiro) filme de Goro Miyazaki, (filho de Hayao Miyazaki), é no entanto uma história completamente independente e que nada tem a ver com o livro.
Também não adapta nenhum dos outros romances e portanto isto nem sequer é uma adaptação de “O Feiticeiro de Terramar” ou de qualquer das suas sequelas.
No entanto, faz algo particularmente interessante, pois vai buscar referências a todos os romances e cria uma verdadeira tapeçaria de detalhes que infelizmente só poderão ser devidamente apreciados porque quem leu e gosta dos livros originais.

Muitas coisas que apenas são referidas brevemente nos livros são agora mostradas em [“Tales from Earthsea“] e outras que nunca existiram em qualquer parte são também acrescentadas, criando uma estranha mistura entre o mundo de Terramar (Earthsea) e qualquer outra coisa que não se sabe bem o que é e que umas vezes resulta em pleno mas outras nem por isso, o que torna este filme num produto único dentro do universo de produções do Estúdio Ghibli e nem sempre pelas melhores razões.
Isto porque se [“Tales from Earthsea“] consegue ser capaz de nos mostrar o melhor, a sua estrutura algo errática também contribui para que o filme não tenha sido aquilo que todos os fãs de Terramar gostariam que tivesse sido e entre os quais me incluo também.

É que á força de tentarem criar uma história única dentro do universo de Terramar, os detalhes perdem-se um pouco, pois nunca se percebe bem se a intenção foi criar um filme para quem conhece os livros ou para quem nunca ouviu falar deles. A verdade é que tudo isto fica a meio caminho de algo que poderia ter sido fantástico mas por vários motivos não chegou a sê-lo.
O filme tem momentos absolutamente mágnificos e totalmente dentro do espírito das novelas de Ursula K Le Guin mas depois noutras alturas dispersa-se por algo que não tem de forma nenhuma o ambiente de Terramar e por outro lado essa parte também nunca é suficientemente desenvolvida para ganhar uma identidade própria que pudesse equilibrar as coisas.

O facto da narrativa ser algo errática também não ajuda, pois em certas alturas parece que a vontade de mostrar conteúdo foi tanta que acaba por não se passar nada durante largos minutos e onde até o ritmo dos próprios diálogos parece reflectir essa falta de coisas para dizer ou acrescentar á história nesses momentos. Como resultado, o filme parece maior do que precisava de ter sido e isso não é própriamente um ponto positivo para uma obra que deveria ter mantido o espectador completamente entusiasmado do princípio ao fim, afinal estamos a falar do mundo do Feiticeiro de Terramar e toda a gente que gostou dos livros desejava certamente tal como eu gostar deste filme muito mais do que gostamos. Especialmente tratando-se de um produto Ghibli merecia ter sido muito melhor.

Há coisas muito estranhas em [“Tales from Earthsea“].
Soube-se que a produção não foi pacifica e o próprio Hayao Miyazaki parece que teve constantes atritos criativos com o seu filho que realizou esta obra e as coisas nunca ficaram muito bem resolvidas. A  própria Ursula K Le Guin, mais uma vez deixada de parte no processo de adaptação foi das primeiras a vir dizer que o filme era bom mas infelizmente não era de forma nenhuma o seu Terramar, embora não tenha sido a desgraça que a mini-série americana “EarthSea” foi.
Basicamente as coisas não correram bem durante o processo criativo e isso infelizmente nota-se muito no ecran pois a partir de uma certa altura ficamos sempre com a sensação de que o filme é um imenso vazio no que toca a ambientes visuais.

Uma das coisas mais evidentes e também mais estranhas, em [“Tales from Earthsea“], é a sua óbvia falta de orçamento, pois visualmente não está de forma alguma á altura das outras obras dos estúdios Ghibli, parecendo em certos momentos mais um mau desenho animado de sábado de manhã do que uma obra com a assinatura do nome Miyazaki por detrás.
Não que o filme não contenha alguns visuais absolutamente lindissimos, mas practicamente esgotam-se nos cenários das grandes cidades e num par de paisagens campestres do mundo de Terramar. São verdadeiramente fabulosos, com muita atmosfera, um detalhe incrível e muito movimento de personagens, mas depois o resto do filme é de uma pobreza visual incompreensível, com muito poucos cenários dignos desse nome e os que tem, são tão básicos que nem sequer em termos de design ultrapassam o típico castelo construido á base de formas geométricas primárias sem qualquer detalhe adicional que lhe dê sequer uma identidade gráfica interessante, quanto mais algo que pertencesse ao mundo de Terramar tal como este foi imaginado nos livros.

Os grandes planos neste filme são mais que muitos, talvez de propósito para os desenhadores não terem que pintar mais cenários por detrás dos personagens e á medida que [“Tales from Earthsea“] se aproxima dos seus momentos finais as coisas vão ficando cada vez mais pobres gráficamente culminando numa demasiado longa e aborrecida sequência de acção onde não há practicamente nada para contemplar e totalmente baseada nos mais primários clichés do Anime de acção contrariando tudo o que estamos habituados a ver nos filmes dos Estúdios Ghibli onde cada detalhe parece sempre pensado ao limite e onde existe sempre uma atmosfera de imaginação visual a enquandrar tanto o argumento como as cenas de acção.
Em [“Tales from Earthsea“] isso está completamente ausente e é pena pois a cada minuto que passa o filme vai perdendo a sua magia.

Isto não quer dizer que não contenha esporádicamente alguns momentos fabulosos e verdadeiramente poéticos. E são esses que nos trazem de novo de volta ao mundo de Terramar.
Muito se falou da surpresa que o estilo gráfico Anime causou quando as primeiras imagens de Terramar foram dadas a conhecer ao público, pois na verdade ninguém alguma vez conseguiu imaginar como ficaria o mundo imaginado por Ursula Le Guin quando transposto para o estilo oriental.
Muitos fãs dos livros não gostaram do que viram e o filme começou logo por ser muito criticado porque o seu ambiente visual não seguia a atmosfera dos romances.

Na verdade não é isso que me preocupa, pois bem vistas as coisas, as descricções dos livros podem caber em qualquer identidade gráfica que se queira atribuir e por isso não percebo porque não podiam ser representados num estilo Anime se este estivesse bem imaginado.
E na minha opinião está, não só perfeito, como dotou esta visão de Terramar de um estilo que nunca ninguém esperava ver. Na minha opinião o Terramar de Goro Miyazaki limpa o chão com os clichés de Dungeons & Dragons que foram usados para a péssima adaptação americana na série “Earthsea“.

O problema de [“Tales from Earthsea“], não está na sua representação oriental do mundo de Terramar. Está sim no facto deste aparentemente não ter tido qualquer orçamento decente para que os artistas pudessem ter realmente nos mostrado o Terramar que todos queriamos ver e do qual temos apenas alguns fabulosos vislumbres ocasionais. E mesmo nessas cenas nota-se que o colorido disfarça muito mais a falta de detalhe do que seria desejável.
No entanto as bases estão lá todas e nota-se que houve uma grande tentativa para se criarem ambientes numa escala realmente épica que pudesse demonstrar a vastidão do poético mundo polvilhado de ilhas.

Muitos dos cenários acertam em cheio na maneira como traduzem o ambiente marítimo e a poesia daquele mundo e nem nos cenários rurais menos detalhados a magia se perde apesar dos poucos pormenores.
O problema é realmente o pouco uso deste tipo de ilustração mais complexa para que o mundo de Terramar tivesse realmente sido aberto ao espectador como todos aqueles que gostam dos livros esperavam encontrar numa obra produzida pela Ghibli e que no entanto ficou-se por um produto que pouco mais é do que uma boa obra. Talvez mesmo muito boa, apesar de tudo, mas não deixa de ser extremamente deprimente sentirmos em alguns momentos aquilo que poderia ter sido e nunca foi.

Como habitualmente não irei revelar aqui nada da história, mas só lhes posso dizer que espero que tenham lido os livros de Terramar antes, pois podem ter a certeza que [“Tales from Earthsea“] ganhará outra vida.
Se não leram, também não faz mal, mas infelizmente se calhar não irão ficar com muita vontade de os conhecer depois.
Na verdade, as partes que funcionam da história são precisamente aquelas com as inúmeras referências aos livros. É bom encontrar a personagem que Ged salvou em “Os Túmulos de Atuan” e ficar a saber o que lhe aconteceu por exemplo.

O uso desse personagem e a forma como interage com os outros cria uma ligação fantástica aos livros originais e que passa óbviamente pelo arquimago, mais uma vez em filme representado como um homem branco, para descontentamento da autora dos livros que nunca o imaginou puramente caucasiano. Mas sinceramente isso não me chateia por aí além. Ao menos aqui, Ged tem a personalidade certa e não parece saído de uma Boys-Band americana como acontece na série de Tv produzida nos States.

Uma coisa perfeita neste filme é no entanto a sua banda sonora. Todo o score é absolutamente mágico e hipnótico e é um dos detalhes mais responsáveis pela atmosfera Terramar que percorre os melhores e mais genuínos momentos do filme.
A sequência com a miuda a cantar no cimo da colina é simplesmente poética e poderia ter sido parte de qualquer cena nos romances originais. O mesmo acontece á cenas mais emotivas onde precisa haver uma ligação entre o espectador e os personagens sem precisarem de entrar em diálogos para transmitir emoções. Aqui a música é imprescindível e não poderia ter feito melhor trabalho em capturar esses momentos. Algumas das cenas mais bonitas em [“Tales from Earthsea“] são precisamente aquelas em que não há diálogo e existe uma junção perfeita entre a paisagem de Terramar e o seu ambiente musical completamente etéreo que alterna entre a música celta e uma sonoridade imediatamente reconhecível como japonesa, o que na minha opinião é o estilo musical perfeito para se ilustrar o mundo de Terramar e como tal a banda sonora, juntamente com algumas paisagens e desenvolvimento de personagens serão possivelmente os melhores momentos do filme e aquilo que o impede de ser apenas um produto muito mediano.

Só é pena, as outras alturas do filme não manterem o mesmo nível de qualidade e cuidado presente nas melhores sequências pois se [“Tales from Earthsea“] tivesse sido um produto mais equilibrado teriamos tido aqui um dos melhores filmes de Fantasia Anime de sempre mas infelizmente a coisa ficou-se pelo caminho, dizem as más-linguas por haver demasiadas pessoas criativas a quererem impor a sua vontade.

O que é pena, pois perdeu-se mais uma oportunidade de se conseguir fazer a adaptação definitiva do mundo de Terramar, embora ainda contenha alguns momentos bem atmosféricos e por exemplo, um final bucólico muito bonito que nos faz apetecer querer ver outra aventura.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme algo decepcionante pela oportunidade perdida que representa e mais uma tentativa relativamente falhada de trazer para o grande ecran o mundo de Terramar.
No entanto tem alguns pontos positivos e é um bom Anime. Não sei no entanto se agradará mais a quem conhece a obra de Ursula K Le Guin ou a quem nunca ouviu falar de “O Feiticeiro de Terramar”.
Apesar de tudo, leva quatro tigelas de noodles só porque é um filme de Terramar e eu não consigo dar menos mesmo apesar das suas fraquezas. No entanto, se calhar nao merece quatro tigelas, por isso retirem-lhe uma se não conhecerem nada dos romances em que este filme é baseado pois grande parte do seu encanto está no facto do público conhecer as referências dos livros.
Por outro lado talvez não…
Estão por vossa conta, embora na minha opinião se gostam dos filmes Ghibli este é outra compra obrigatória porque mesmo sendo dos mais fracos é no entanto superior a muita coisa que anda por aí e mesmo como adaptação do mundo de Terramar ao menos não é a desgraça que a mini-série americana foi.
Por isso quatro tigelas de noodles.

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A favor: a banda sonora é perfeita, consegue adaptar o mundo de Terramar ao estilo Anime e tem personalidade, tentou criar uma história cheia de referências dos romances originais, os personagens principais, as cenas finais cheias de ambiente.
Contra: para um filme passado em Terramar há terra a mais e mar a menos no ecrã, quem não leu os livros não vai apreciar devidamente a história, o trailer dá ideia de que o filme tem um ambiente visual mais detalhado do que acontece na realidade, á medida que avança o filme fica cada vez mais pobre gráficamente, os vilões não têm qualquer interesse ou carísma, as cenas de acção do final são no mínimo aborrecidas e extremamente pobres gráficamente, a narrativa arrasta-se durante longos minutos em muitos momentos do filme onde parece que nem há nada para dizer, o excesso de referências acaba por se tornar prejudicial pois fica a meio termo entre a adaptação de algo e o vazio de ideias quando não usa material dos livros originais.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=C5ehRnwNDs8

Comprar filme

Excelente edição na Amazon Uk bem baratinha

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0495596/

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Comprar os Livros
Podem comprar a trilogia, (composta por quatro livros…(sim…eu sei…)), aqui nesta edição única que ficarão muito bem servidos com os quatro primeiros romances de Terramar.
Ou então comprar cada um em separado.
A Wizard of Earthsea
Tombs of Atuan
The Farthest Shore
Tehanu

Depois podem adquirir as novelas mais recentes escritas há um par de anos também, pois completam plenamente o universo Earthsea e quem gosta deste mundo não vai querer perder, tanto:
The Other Wind como o Tales from Earthsea

Apenas uma nota para dizer que a única semelhança entre este último livro e o filme Anime está apenas no titulo, pois o livro é composto por uma série de contos que completam muitas das histórias abertas ao longo da obra original escrita nos anos 60 e não tem nada a ver com o argumento do filme realizado agora por Goro Myiazaki.

Em portugal, os trés primeiros livros foram há muito editados na excelente e clássica colecção de ficção-científica “Argonauta”, mas actualmente a editorial Presença lançou-os na sua excelente colecção de romances juvenis onde já se contam editados alguns dos melhores romances de Fantasia actuais.
Não deixa no entanto de ser interessante como em Portugal se continua a associar o género da Fantasia apenas a livros para crianças e nem a um clássico como Terramar foi dado o devido destaque que merecia pela editora, tendo enterrado esta obra numa secção infantil das livrarias onde muito pouco adulto interessado em Fantasia alguma vez irá espreitar.

De qualquer maneira aqui ficam os links para a actual edição portuguesa da Trilogia de Terramar:

LIVRO 1  –O Feiticeiro de Terramar” – (agora renomeado como “O Feiticeiro e a Sombra“, sabe-se lá porquê).
LIVRO 2 –Os Túmulos de Atuan
LIVRO 3 –O Outro Lado do Mundo” – (agora renomeado como “A Praia mais Longinqua“).
LIVRO 4 – “Tehanu – O Nome da Estrela
Curiosamente o “The Other Wind“, já está editado não na mesma colecção infanto-juvenil, mas teve uma outra edição isolada numa colecção de aspecto “já mais adulto” e intitulado “Num Vento Diferente“.

O que deve ser mesmo bom para confundir as pessoas e as levar a começar a ler esta história pelo quinto volume em vez de terem começado pelo “O Feiticeiro de Terramar“. Ás vezes pergunto-me quem terá estas ideias.
Pela descrição que a Presença tem no site, também não consigo perceber se misturaram ou não, este livro com o “Tales of Earthsea” (que a editora chama “Tales of Earth and Sea” (?!)
Será que ninguém lê os próprios livros que editam ?! Será que não repararam que a expressão “Earthsea” é a alma e a base do romance ?!… Estou baralhado. Terão juntado os últimos dois livros e lançado tudo num único volume aqui em Portugal ?
Não sei, nem me interessa. Estão por vossa conta meus amigos, mas se gostam de Fantasia recomendo a leitura dos romances. De preferência até antes de verem este filme de Goro Myiazaki pois será muito mais apreciado por quem conhece e gosta dos romances originais do que pelo espectador casual de Anime.

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Beonjijeompeureul hada (Bungee Jumping of their own) Dae-seung Kim (2001) Coreia do Sul


Estou lixado.
E agora como raio é que eu comento este filme ?
Bom, primeiro que tudo…meus amigos AFASTEM-SE de tudo o que é review na net, esqueçam o Imdb e nem tentem saber absolutamente nada sobre [“Bungee Jumping of their Own“].

Não vou deixar links para nada que lhes revele coisas sobre o filme e portanto já agora, se espreitarem o video do youtube mais á frente sugiro que vejam apenas aquele que indico e mais nenhum.
Este é um daqueles filmes orientais que merece ser visto sem saberem absolutamente NADA sobre o que vão ver e até o facto de espreitarem uma outra qualquer review mesmo que esta não lhes conte o final do filme, vai retirar-lhe na mesma metade do seu impacto, porque inevitávelmente alguém lhes irá dar uma indicação sobre um dos temas.

Raios…e agora ? O que é que eu digo ?…
Muita gente já me perguntou, porque é que eu ainda não falei sobre filmes como “Hero”, “Old Boy” ou “House of the flying daggers”. A resposta é simples.
A minha prioridade no “Cinema ao Sol Nascente”, é indicar filmes que as pessoas porventura ainda não conhecem e como tal, obras como “Hero” já foram bastante publicitadas na imprensa nacional, até porque tiveram estreia no cinema em Portugal e sendo assim não tenho grande urgência em falar delas por enquanto.

Este blog existe para divulgar precisamente coisas como [“Bungee Jumping of their Own“].
Para quem está por dentro do que se passa no cinema oriental, não será uma obra totalmente obscura, mas esta página não é para quem já conhece muito desta cinematografia e sim para fazer com que pessoal que nunca pensou vir a gostar de um filme Sul Coreano por exemplo, de repente descubra que não é só em Hollywood que existem bons filmes a serem produzidos.

Como a procura por filmes românticos orientais continua absolutamente em alta neste blog, é sempre bom divulgar mais outra obra deste género. Especialmente quando é uma história de amor realmente original e completamente inesperada como acontece neste caso.
[“Bungee Jumping of their Own“], deve ser um daqueles raros filmes românticos orientais que eu próprio duvido que alguma vez venha a ter um remake americano. E porquê ?
Porque o tema deste filme iria certamente deixar muito americano desconfortável a olhar para o ecrã e como tal um remake disto não seria própriamente fácil de vender a um público pipoqueiro generalista.
Portanto em principio este será um filme que deverá continuar apenas no mercado oriental e sendo assim, para conhecerem esta história que merece ser vista, vocês terão mesmo que ver a produção original Sul Coreana.

[“Bungee Jumping of their Own“], embora como objecto de cinema não deslumbre por aí além e até nem seja o típico filme romântico fofinho oriental a um estilo “The Classic“, tem no entanto uma força extraordinária a nível de argumento que compensa plenamente a relativa atmosfera fria, algo estranha e desconfortável que percorre toda a obra.

É que todo este clima relativamente perturbante e triste até nas partes mais românticas tem uma razão de ser e quando esta nos atinge em cheio no estômago a partir da meia hora final da história não podemos deixar de ficar absolutamente facinados. Isto apesar da direcção que o filme toma na sua segunda metade não ser propriamente inesperada.
No entanto esses segmentos finais têm uma força absolutamente original, porque ao abordar um dos temas, [“Bungee Jumping of their Own“] entra por uma outra questão que pelo menos vos garanto os deixará a pensar no tema por muito tempo após este filme ter chegado aos seus créditos finais.
Então se estiverem a vê-lo com amigos, têm no final desta história muito bom motivo para intermináveis discussão sobre o tema que o filme muito bem aborda.

Eu estou para aqui a tentar conter-me para não lhes contar a parte final do filme e acreditem-me está a ser muito dificil, pois gostaria mesmo muito de lhes poder falar sobre o conceito subjectivo que atravessa esta história mas não posso dizer mais nada por isso é melhor ficar-me por aqui.
E por falar em história….

[“Bungee Jumping of their Own“], narra a relação amorosa entre um rapaz e uma rapariga que se conhecem num dia de chuva e inevitávelmente acabam apaixonados. Só que como isto é uma história de amor Coreana, óbviamente que as coisas não poderiam ser simples. E acreditem…vocês nem imaginam o que lhes vai cair em cima.
Um dia ao combinarem encontrar-se numa estação, a jovem rapariga simplesmente não aparece e o rapaz nunca mais a volta a ver durante anos a fio. Até ao dia em que …

Não conto mais.
E mesmo assim já falei demais até ,por isso estão por vossa conta.
E não se esqueçam, façam-me o favor de ir ver [“Bungee Jumping of their Own“] sem procurarem saber absolutamente nada sobre este filme asiático. Acreditem que depois me irão agradecer.
Vá lá, não custa nada, evitem procurar mais sobre ele na internet.

Técnicamente o filme nem sequer é um daqueles objectos de cinema que fique na memória. Não há nada na realização que o destaque do mais corriqueiro trabalho visual associado a produtos românticos televisivos e não será por isso que ficará também na vossa recordação.
Os personagens também não são particularmente cativantes. Não porque sejam aborrecidos, mas porque não se destacam dos habituais estéreotipos dentro das histórias de amor orientais e como tal são simpáticos, fazem-nos interessar por eles mas mais porque o argumento trabalha tão bem o desenrolar da história do que pela história de amor em si entre eles que não deriva do habitual.

Não deriva, porque na verdade esse pormenor também é essencial para dar que a reviravolta da parte final resulte em pleno, pois subitamente retira debaixo dos pés do espectador todo o tapete com os habituais clichés românticos e substitui-o por um desenvolvimento não só original como também bastante polémico devido ás próprias questões que tal opção de argumento possa levantar. E claro que não vou contar nada.
No entanto, há uma coisa a destacar aqui e é precisamente o trabalho dos actores, especialmente quem faz de … (não posso dizer)… e que consegue compor uma personagem absolutamente perfeita que liga fantásticamente com a primeira metade da história de amor que nos é apresentada e vos vai deixar a discutir o assunto durante dias a fio. O assunto, não, vai deixar-vos a discutir os assuntos durante dias a fio.

Como curiosidade, parece mentira, mas a jovem actriz deste filme suicidou-se há trés anos atrás, tudo indica devido a uma relação amorosa que correu tão mal como se tivesse saído da típica love-story como aquelas em que costumava participar no grande ecrã e do qual [“Bungee Jumping of their Own“] é um excelente exemplo. Agora que sabem disto ainda vão ficar mais impressionados com esta obra.

Sendo assim e antes que eu diga mais qualquer coisa que não deva…

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais uma original história de amor Sul Coreana, completamente obrigatória a quem gosta do género, pois garanto-vos que nunca viram nada igual.
Excelente atmosfera que se divide entre o estilo romântico comercial habitual no cinema Sul Coreano e um ambiente algo perturbante e frio, necessário á extraordinária conclusão da história.
Por isso mesmo [“Bungee Jumping of their Own“] é um filme estranho, pois parecem dois estilos de cinema que mesmo nunca conseguindo misturar-se muito bem deram origem a um produto realmente original.

Não lhe dou uma classificação mais elevada, porque a realização não deslumbra e como tal após vermos este filme algumas vezes, depois da surpresa inicial do argumento não há muito mais que nos faça apetecer estar sempre a voltar a revê-lo.
No entanto é mais uma excelente adição para qualquer dvdteca de quem gosta de bom cinema romântico e portanto de compra obrigatória.
Quatro tigelas de noodles e se calhar até merecia mais meia tigela mas a atmosfera algo perturbante do fime deixa-me sempre um bocado sem saber bem se o acho fantástico ou apenas mesmo muito bom. Sendo assim fico-me pelo muito bom.
E recomenda-se, pois este é daqueles que tem que ser visto pelo menos uma vez.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: o argumento é realmente original, a reviravolta da parte final é fantástica e de certa forma inesperada, as partes românticas típicas do cinema comercial Sul Coreano estão lá todas e nem falta a habitual cena á chuva, os actores.
Contra: a realização não deslumbra, após revermos o filme um par de vezes (até para mostrar aos amigos e ver a cara deles) não é uma obra que estejamos sempre a querer voltar a ver ao contrário de filmes como “Be With You“, “The Classic” ou “Il Mare“.

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NOTAS ADICIONAIS

Videoclip
Á falta de um trailer decente, fiquem com o videoclip, sem *spoilers* de maior que vocês consigam identificar.
http://www.youtube.com/watch?v=EuoDvwh697k&feature=related

Comprar


Podem comprar a nova edição aqui na Amazon.com ou então escolher uma das edições na Play-Asia
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-ad-49-en-15-bungee+jumping-70-1p1o.html
ou a minha edição, um bocadinho rasca com uma imagem mediana mas óptimo som e extras porreiros
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-2-49-en-15-bungee+jumping-70-cjs.html

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Tengoku no honya – koibi (Heaven´s Bookstore) Tetsuo Shinohara (2004) Japão


Este é um daqueles filmes orientais que é dificil de descrever se não contar pelo menos uma boa parte da história por isso espero que não lhes estrague o efeito de surpresa, mas vou começar por aqui desta vez. Não se preocupem pois não haverá *spoilers* de maior.
Bem-vindos á vida depois da morte e ao poéticamente esotérico [“Heaven´s Bookstore“].

Após ter sido despedido da sua orquesta, Kenta, um jovem pianista clássico resolve básicamente enfrascar-se num bar para afogar as mágoas. Mas a coisa não lhe corre bem e o rapaz acorda no dia seguinte numa livraria muito especial sem saber como lá chegou.
O gerente do local, revela-lhe que se encontram no Céu, (esse mesmo) e foi Ele que o trouxe até ali embora nunca lhe revele porquê.
Explica-lhe no entanto que cada ser humano tem sempre 100 anos de vida e se uma pessoa morre antes desse prazo, por exemplo aos 60, terá então de passar os restantes 40 anos no Céu antes de voltar a Terra para uma nova vida.

No Céu, Kenta conhece Shoko uma pianísta que ele admirava quando criança e que morreu alguns anos mais tarde. Formam uma amizade com base no seu amor pelo piano e juntos decidem continuar a compor uma sonata especial que a rapariga deixou incompleta na altura em que morreu.
Entretanto cá em baixo na Terra, Natsuko, a sobrinha de Shoko quer voltar a organizar na sua vila um espectáculo de fogos de artíficio que deixaram de ser apresentados doze anos atrás quando Takimoto, o artesão que fabricava os explosivos resolveu súbitamente abandonar para sempre a sua arte pirotécnica.

Acontece que Takimoto esteve um dia noivo da pianista Shoko mas por causa de um acidente com um dos explosivos do artesão, a jovem perdeu não só a audição num dos ouvidos como desistiu de compor para sempre o que acabou mais tarde por provocar a separação definitiva dos dois amantes.
Meses mais tarde quando Shoko morreu vitíma de doença prolongada, deixou incompleta a mais importante das suas obras, uma composição que tinha por objectivo ilustrar cada sessão de fogo de artíficio criado pelo homem que amava e que a partir desse momento deixou de ter razão para existir pois Takimoto criava essencialmente espectáculos de luz para também celebrar o seu amor por Shoko.

Esta é essencialmente a base de [“Heaven´s Bookstore“], que naturalmente tem ainda um par de outras pequenas histórias envolvendo personagens secundários mas que ficam para vocês descobrirem.
Todo o conceito á volta do Céu é absolutamente perfeito e sem recorrer a qualquer efeito especial o filme consegue criar um ambiente sobrenatural extremamente calmo e celestial que os vai deixar com vontade de passar uns tempos naquele local.

[“Heaven´s Bookstore“], não é um  filme sobre religião mas no entanto consegue criar uma história com um pano de fundo espiritual fascinante ao mesmo tempo que evita qualquer conotação com uma crença religiosa específica e constroi um mundo Celestial que se poderá adaptar a qualquer filosofia apesar de ser plenamente baseado na cultura Japonesa.
O  que em mãos mais ocidentais poderia ser um filme panfletário sobre qualquer crença religiosa Cristã (especialmente se fosse filme americano), em [“Heaven´s Bookstore“],  transforma-se numa obra extremamente atmosférica verdadeiramente universal e com uma textura visual única que enche este filme de pequenos momentos sobrenaturalmente poéticos apenas recorrendo a cenários quotidianos ou a elementos da natureza, transportando o espectador até a uma visão do Paraíso que tenho a certeza ninguém deixará de achar original.

E já que falo nisto, talvez a minha coisa favorita em toda esta história é a representação de Deus.
Eu que me orgulho de ser completamente ateu, embora me interesse imenso pelo lado espiritual e filosófico da nossa existência, sempre que consigo encontrar uma obra que transcenda as limitações de qualquer religião organizada fico logo com vontade de a dar a conhecer.
Embora muito poucos exemplos consigam produzir algo equilibrado neste nosso planeta ainda inexplicávelmente dominado pela religião, temos aqui uma excepção.
Isto agora levar-nos-ia muito longe, mas gosto quando aparecem histórias que retratem Deus, não de uma forma religiosa, mas sim como sendo essencialmente – “um gajo comum” e [“Heaven´s Bookstore“], tem nesse aspecto uma das melhores e mais simples representações de uma entidade supostamente “divina” que encontrei em cinema. Tão simples que quase nem se nota.

Consegue ser suficientemente subjectivo para que cada pessoa lhe atribua a conotação que bem entender fazendo dele um filme universal e talvez seja este o seu grande encanto.
Houve alguém que um dia questionou:  “Se Deus nos explicasse detalhadamente como criou o Universo e nos ensinasse tudo sobre o processo de criação, será que ainda o considerariamos um Deus depois de nós aprendermos todo o segredo” ?

Em [“Heaven´s Bookstore“], nada nos é explicado por “Deus” porque o filme não é sobre Ele.
Mas a maneira como Ele nos é apresentado segue um pouco esta linha de pensamento resultando num Deus bem mais cativante pela sua humanidade, personalidade e simplicidade do que mil interpretações que qualquer religião oficial politicamente correcta continue a impingir á humanidade.
Neste filme, Deus é um tipo simples, um gajo porreiro que se entretém a gerir o centro do Paraíso na sua fascinante livraria/biblioteca contribuindo com isso, para a evolução espiritual de toda a gente que por lá passa através da divulgação do Conhecimento e fomentando o gosto pela Cultura a todas as almas que habitam temporáriamente no Céu.

Nessa livraria, o próprio Deus contribui ele próprio com a leitura das histórias presentes nos livros da biblioteca para quem o quiser ir ouvir naquele espaço e através delas e das suas metáforas ajuda os habitantes do Paraíso a a ultrapassarem as tristezas da sua vida anterior, enquanto aguardam a próxima reencarnação.

No caso da jovem pianista Shoko, aparentemente Deus resolveu aplicar um método diferente e como tal trouxe Kenta para o Céu pois inevitávelmente a interacção entre os dois pianistas serviria não só para ajudar a resolver as mágoas de uma pessoa mas essencialmente de trés almas marcadas pela tristeza. Duas no Céu e uma na Terra, pois o artesão Takimoto continua a sofrer com o seu sentimento de culpa por ter abandonado Shoko quando ela mais precisava dele no momento em que ficou doente.

Essencialmente [“Heaven´s Bookstore“], gira á volta deste conceito e apesar do que contei poder parecer se calhar até demais, quando virem o filme vão perceber que ainda há muito para descobrir nele e nas suas entrelinhas, mas essencialmente fico-me agora por aqui.
Apenas posso dizer que gostei muito deste filme oriental.
Não o achei tão bom quanto por exemplo, um “Il Mare” pois acho que lhe falta qualquer coisa que o torne especial, mas não deixa por isso de ser um filme muito poético e acima de tudo esotérico de uma forma simples que não tenta apresentar verdades absolutas mas sim fazer sonhar o espectador ao mesmo tempo que nos conta uma boa história.

Tem no entanto uma falha que se nota particularmente em alguns momentos do filme e impede que eu lhe dê uma classificação maior.
O argumento de [“Heaven´s Bookstore“], teve origem em dois romances japoneses distintos que foram misturados de modo a criar uma única história e no filme nota-se demasiado essa separação pois as coisas não fluiem tão naturalmente quanto seria de desejar.
Por muito que o realizador tente, a parte passada no Céu embora  excelente nunca liga muito bem com a outra metade passada na Terra (ou vice-versa), pois ambas parecem pertencer a filmes diferentes, o que origina uma quebra de ritmo narrativo que se nota bastante particularmente a meio da história.

E nem o trabalho extraordinário de composição da jovem actriz que neste filme faz dois papeis, consegue ligar as duas metades apesar de ser a mesma pessoa que faz de Shoko no Céu e também de sua sobrinha Natsuko na Terra ( a mesma actriz de “Be With You“).

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CLASSIFICAÇÃO:

Este é um filme de que me apetece gostar muito mais do que na realidade gosto, por isso não é daqueles que recomende como uma prioridade se procurarem histórias de amor embora seja uma boa história.
Na verdade, fiquei algo decepcionado, pois esperava emocionar-me mais do que veio a acontecer porque tinha gostado mesmo muito do trailer e no entanto aquele ambiente que se encontra na apresentação sofre várias quebras ao longo do filme e isto retira-lhe algum do impacto dramático e romântico que merecia ter mas na minha opinião nunca alcança.
No entanto, se já tiverem visto as outras histórias de amor que tenho recomendado neste blog, [“Heaven´s Bookstore“], é uma óptima compra para juntarem a seguir á vossa  colecção pois não é de forma nenhuma um mau filme, muito pelo contrário e só pela atmosfera das cenas passadas no Céu vale mesmo a pena.

Quem gostar de piano (ou se tocar piano), adicionem mais uma tigela de noodles á minha classificação porque o todo o filme gira á volta desse instrumento e por isso tenho a certeza de que irão gostar muito pois está plenamente utilizado para criar a atmosfera do filme.
Quatro tigelas de noodles (mais uma se gostarem mesmo muito de piano clássico).

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A favor: o ambiente do Céu faz com que nos apeteça ir passar la uns tempos, a livraria/biblioteca Celestial, as cenas filmadas na planicie verdejante ao sabor do vento atravessada por uma única estrada que leva “á saída do Céu”, a maneira como a banda sonora é usada para criar uma atmosfera de melancolia, Deus é um bacano de chapéu cool e usa T-Shirts Havaianas – o que se pode pedir mais ?
Contra: a narrativa tem falhas na sua estrutura pois sente-se claramente que são duas histórias separadas a tentarem colar forçadamente, as partes passadas na Terra com os personagens que estão vivos apesar de ligarem com os acontecimentos no Céu nunca são particularmente interessantes porque ainda por cima são demasiado previsíveis, não há nenhuma surpresa de maior na história e se calhar neste caso um bom twist teria ajudado a ligar os dois argumentos, não é o filme romântico que parece ser no trailer e até talvez seja demasiado melancólico e triste.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=h9PWxuGQC7M

Videoclip
http://www.youtube.com/watch?v=CoG-R3-nHyM&feature=related

Comprar
Recomendo esta edição. Excelente em todos os aspectos. Óptima imagem, excelente Dts e Extras a condizer tudo legendado em inglés.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-5-49-en-15-heavens+bookstore-70-rbx.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0423360/

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