Ong-Bak (Ong-Bak – O Guerreiro) Prachya Pinkaew (2003) Tailândia


Ainda no outro dia uma pessoa disse-me que achava uma boa ideia fazer-se um blog sobre cinema deste estilo, mas tinha que ser uma página diferente da minha e ter mesmo -“filmes do oriente a sério como deve de ser”.
Daqueles que as pessoas gostam de ver, porque -“toda a gente sabe”- que -“os chineses”- só fazem filmes de karaté  e o resto não presta porque mesmo nunca tendo visto mais nada a pessoa em questão tem a certeza que não chegam aos calcanhares dos filmes americanos.
Isto porque só -“os gajos na américa”- é que sabem -“fazer efeitos que a gente quer ver”-  e tudo o que não sejam fimes de artes marciais não interessam porque não prestam, -“porque se prestassem, a gente via as apresentações na televisão e não vemos”.

Bom…para contentar este “meu amigo”, hoje então vou pela primeira vez falar de um filme oriental a sério.
Daqueles com porrada de criar bicho e pontapés nas fuças com muitos gritos de “iáááááá” á mistura.
Falemos então de [“Ong Bak“], conhecido em Portugal como
[“Ong Bak – O Guerreiro“].

Sim, porque afinal este filme até passou nos cinemas do nosso país e portanto é mesmo garantido que seja um filme chinês de Karaté verdadeiro daqueles com o Bruce Lee -“como deve de ser”- e tudo.
Acontece que [“Ong Bak“], para começar nem é um filme Chinês e depois o Bruce nem sequer entra nisto.
E surpresa das surpresas, [“Ong Bak“], até nem sequer é um mau filme apesar de ter pancadaria suficiente para agradar ao “cinéfilo” de hipermercado mais exigente que não dispensa a sua dose de porrada cinemática enquanto exibe o novo plasma aos amigos no intervalo dos jogos da selecção.
Basicamente estamos perante um filme de artes-marciais e neste caso há que dizer que é realmente um bom filme.

Afinal, lá por ser basicamente uma obra de porrada, não tinha obrigatóriamente que ser um mau produto por causa disso.
O género de artes-marciais no estilo Bruce Lee não me interessa particularmente mas nem é por causa disso que deixaria de o apreciar como um bom filme.
[“Ong Bak“], é na sua essência um filme simples, onde tudo remete para mostrar no ecran espectaculares sequências de acção e neste aspecto cumpre plenamente o seu objectivo.

Para começar está muito bem filmado, com um ritmo narrativo bem conseguido embora depois perca algum do seu fulgor mais para o final onde se sente algum clima de repetição.
Depois em termos visuais é realmente absolutamente incrível e estou a referir-me ás extraordinárias coreografias que [“Ong Bak“], contém, pois como diz a própria publicidade  há muito que nunca se via nada assim no cinema do género.

Nomeadamente há muito tempo que não havia um filme de pura acção que recorresse desta forma á destreza física dos seus actores e principalmente há muito que não se via um protagonista como este. Talvez mesmo desde o próprio Bruce Lee como rezam as elogiosas críticas que este filme tem recebido por parte da comunidade das artes-marciais.

É que parece que todas as incríveis proezas que se podem ver no ecran foram mesmo executadas pelo protagonista sem que o filme recorra a efeitos especiais modernos para ampliar a sua prestação.
E basta vermos o documentário de making of do dvd, para percebermo que se calhar isto não é apenas exagero da públicidade, porque não há dúvida que o jovem actor que tem o papel principal, não só deve ser maluco, como principalmente é um atleta fantástico.

Este é um daqueles raros filmes de acção que na verdade nem precisava de história para nada, pois a sua força está mesmo nas incríveis proezas físicas que percorrem toda a aventura narrada em [“Ong Bak“].
É que como se isto não bastasse, o trabalho de realização está perfeitamente adequado ao material e nota-se que ouve um grande cuidado para evitar a ideia de que isto seria apenas mais um filme para contentar a malta da porrada chungosa.
[“Ong Bak“] consegue ser um bom exemplo de cinema, onde nem falta sequer um cuidado com a fotografia e uma criação de ambiente para envolver tudo o resto.

O filme não contém apenas porrada de meia noite e acrobacias arrepiantes, mas também serve um pouco como bilhete postal da própria Tailândia pois aproveita mesmo muito bem os cenários naturais do país além de conter ainda um bom design de produção nas partes que requerem cenários em estúdio.
Tudo isto confere a [“Ong Bak“], um ligeiro sabor a filme de aventuras num estilo Tomb-Raider que equilibra bastante bem com a temática das artes marciais e onde nem faltam alguns personagens bem construídos e até divertidos, isto para além dos inevitáveis gajos maus de serviço.

Basicamente o filme conta a história de um rapaz do campo, com a habitual ingenuídade rural que um dia se vê obrigado a deixar a sua aldeia e a partir para a grande cidade.
Quando a estátua sagrada da sua povoação é roubada, o jovem parte para tentar recuperar o artefacto, sem saber que para isso vai ter não só de enfrentar os padrinhos da Máfia locais, como ainda por cima terá de se habituar a viver na civilização moderna bem longe da paz e inocência da sua aldeia.
O resultado vocês já estão a ver qual é.

E por acaso desta vez é bastante bom, pois pelo meio das cenas de acção, também há espaço para algum humor e para uma ligeira crítica de costumes que joga com os contrastes entre o mundo moderno e o tradicional de uma forma particularmente divertida e bem conseguida.
A isto ajuda também a prestação do actor principal que além de ser capaz de proezas físicas surpreendentes ainda consegue fazer um bom trabalho enquanto actor.
Não ganhará um Oscar, mas está muito acima dos protagonístas chungas que este tipo de filmes normalmente vai buscar para estrelas de cinema e tem um óptima presença no ecran.
E  felizmente não é um clone do Van Damme.

A esta altura já devem estar a pensar que vou dar uma classificação brutal a [“Ong Bak“] porque tudo parece excelente.
Na verdade o conjunto geral é bastante bom, mas para mim só há uma coisa que torna este filme menos bom do que aquilo que poderia ter sido.
É demasiado grande para o argumento que tem, e a certa altura nota-se que houve um esforço para tentar esticar tudo ao máximo e nem a óptima montagem do filme consegue esconder essa fraqueza, pois a meia hora do filme acabar já estamos um bocado fartos e não ficariamos muito chateados se o filme acabasse nesse momento.

É que de certa forma, a constante espectacularidade das proezas físicas do protagonísta acabam por ser aquilo que o tornam um filme menor do que merecia ter sido. O facto de a todo o instante estarmos a ver sequências de artes marciais eléctrizantes, a partir de certa altura faz com que já nada nos possa surpreender ainda mais e instala-se, diria, não uma monotonía mas alguma previsibilidade que arruína aquele fascínio inicial e tira um bocado do impacto que a sequência final mereceria ter.

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CLASSIFICAÇÃO

Óptimo filme de acção, que poderá agradar até mesmo aqueles que normalmente não têm grande interesse neste género de cinema.
É um produto simples e directo, mas muito bem executado e que não tenta ser mais do que um bom espectáculo de artes marciais.
No entanto tenho que o classificar de diferentes maneiras para que possa ser justo.
A um nível pessoal, na minha opinião leva trés tigelas de noodles porque é realmente um bom filme embora não me tenha deslumbrado por aí além quando passou o efeito surpresa da qualidade das proezas físicas que apresenta.

noodle2.jpg   noodle2.jpg   noodle2.jpg  

No entanto, se gostarem muito de cinema de acção podem acrescentar-lhe mais uma tigela na classificação.
E se forem mesmo fanáticos por cinema de artes marciais, acrescentem-lhe ainda outra pois este filme é realmente uma excelente obra dentro deste tipo de filmes.

A favor: apesar de parecer no trailer um filme de porrada chunga é no entanto um bom filme que tenta ultrapassar as limitações do género e consegue-o plenamente, tem um argumento equilibrado que balança bem entre a acção e o humor ligeiro, joga muito bem com o contraste entre o mundo tradicional e o mundo moderno das grandes cidades, as sequências de artes marciais são absolutamente fantásticas e segundo parece tudo realizado mesmo ao vivo, aproveita muito bem os cenários naturais da Tailândia e consegue manter uma identidade cultural enquanto cinema daquela região, tem uma boa fotografia e um bom design de produção, não é um filme de porrada chungosa.
Contra:  seria melhor se tivesse menos vinte minutos, pois a certa altura arrasta-se demasiado com tanta sequência espectacular que acaba por perder a força da surpresa que merecia ter tido no final e não teve.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Apesar de parecer mais uma chungaria de porrada o filme é bem mais interessante do que aparenta ser.
http://www.youtube.com/watch?v=YmR4DVjZYtw

Surpreendentes cenas de ensaio das sequências de acção.
http://www.youtube.com/watch?v=SbEljNs_sYs&feature=related

Comprar
Poderão encontrar a edição Portuguesa á venda nos cestos de promoções da Wortens e hipermercados, mas caso já não o consigam comprar em Portugal, podem sempre faze-lo aqui.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-49-en-15-ong+bak-70-4fn.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0368909/

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*Não tenho ainda nenhum filme semelhante que possa recomendar*

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