Mirai shônen Konan (Conan o rapaz do futuro / Conan Future Boy) Hayao Miyazaki (1978) Japão


Cônaaaaaaaaaaaaaaaaaaan !
Lanaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa !
Jimsyyiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii !
Desculpem, não resisti. 🙂
E quem conhece bem esta já quase mítica série do inicio dos anos 80 sabe bem porquê.
Quem viu e gostou desta série de aventuras nunca mais esqueceu estes clássicos gritos dos personagens principais que se tornaram mesmo numa imagem de marca da série.
Bem-vindos a [“Conan Future Boy“], mais conhecido em Portugal como [“Conan, o rapaz do futuro“].

Tenho que dizer logo aqui á partida que para mim [“Conan Future Boy“], não só é uma das melhores series Anime, como acima de tudo é um dos melhores “filmes” de ficção cientifica de sempre.
Na minha opinião perfeitamente comparável a qualquer um dos grandes clássicos do género e portanto não fica nada a dever a um “Blade Runner” e até mesmo a “2001 Odisseia no Espaço” por muito blasfemo que isto pareça a alguns puristas fundamentalistas da ficção-ciêntifica.
Não tentemos menosprezar esta obra prima de Miyazaki só porque é um produto televisivo de baixo orçamento; [“Conan Future Boy“], não é só um triunfo da realização como ainda consegue ser muito mais ficção-cientifica a sério do que muita teledisco MTV que hoje passa por sê-lo nos cinemas.
Por tudo isto, na minha opinião este trabalho merece um lugar de destaque dentro de qualquer lista de referência com boas obras do género.

[“Conan Future Boy“],  tem não só uma história original e muito bem concebida como também, apesar dos seus momentos de acção não tem pressa em meter estilo só para apresentar sequências anime com pinta como depois se tornou infelizmente tão comum dentro do género televisivo.
Enquanto ficção-ciêntifica na minha opinião é uma obra prima e mesmo não sendo uma adaptação fiel do romance, transformou o seu conceito em algo que transcendeu a escrita original.
Conseguiu pegar num romance sem grandes características juvenis e transformá-lo num produto televisivo que deve ser o expoente máximo do equílibrio perfeito entre o filme de aventuras infanto-juvenil e uma história para adultos apreciadores de boa ficção ciêntifica clássica.

Técnicamente, apesar das suas enormes limitações de orçamento  [“Conan Future Boy“], quase que se pode considerar um milagre, isto porque esteve para não ser completado por várias vezes e deve a sua existência ao esforço do seu criador Hayao Miyazaki e do seu sócio que chegaram ao ponto de serem eles a desenhar e pintar á mão não só grande parte dos cenários da série, como ainda por cima tiveram de lidar com milhares de frames colorindo cada uma das imagens durante meses a fio. O que quase torna esta série no maior filme semi-amador jamais produzido.
Até porque na época simplesmente não havia muita verba para continuar a manter a equipa de produção inicial e ninguém queria apostar muito no projecto, apesar de nesta altura ambos já terem algum nome no mercado devido ao enorme sucesso das séries Heidi e Marco que foram dos primeiros Anime a serem exportados para o ocidente com enorme sucesso durante os anos 70.
No entanto [“Conan Future Boy“], foi o primeiro trabalho realizado na totalidade por Miyazaki e como tal os apoios eram poucos.

Mas o sacríficio e as noites em claro acabaram por valer a pena porque o sucesso de  [“Conan Future Boy“], foi tão grande em todo o mundo que permitiu que os seus criadores acabassem por fundar no inicio dos anos 80, o agora famoso e muito reconhecido Estúdio Ghibli onde mais recentemente produziram “A Viagem de Chihiro” e “O Castelo Andante”.
E lembrem-se tudo isto muito antes da era dos computadores pessoais pois tudo nesta série foi construído por processos tradicionais o que lhe dá ainda mais valor.
Na altura a sua primeira produção para cinema foi uma espécie de remake não oficial de  [“Conan Future Boy“] na forma do fabuloso “Laputa Castle in the Sky” onde recuperaram os personagens de Conan e Lana, agora com nomes diferentes e uma história diferente.
Mas tudo teve origem nesta fabulosa série de ficção-científica que no entanto só estreou em Portugal em 1984.

Curiosamente [“Conan Future Boy“], foi uma das séries mais populares de sempre na televisão Iraquiana e um sucesso absoluto nos países árabes por onde passou, tendo sido um verdadeiro embaixador da ficção-cientifica junto daquelas culturas.
Curiosamente também, nunca passou no entanto na televisão de Inglaterra e teve grande dificuldade em conquistar o mercado americano na altura.
Em Portugal, como toda a gente com pelo menos trinta e poucos anos sabe, foi talvez o maior sucesso de animação de sempre e o único programa de ficção-cientifica que se pode comparar em popularidade e estatuto de culto com o Espaço 1999.

[“Conan Future Boy“], passa-se num futuro próximo e onde todos os continentes do planeta Terra estão practicamente submerso debaixo dos oceanos.
Devido a um conflito nuclear em 2008, os polos derreteram e os mares subiram para um nível que transformou practicamente toda a superficie terrestre num conjunto de ilhas isoladas onde os sobreviventes perderam muito do contacto com o mundo exterior que ainda restou.
O sistema político que conhecemos foi substituído por uma ditadura das grandes coorporações que souberam aproveitar-se da tragédia mundial para dominarem pela força e pela técnologia todas as populações da Terra, pois neste mundo futuro apenas eles detêm o poder.

Neste mundo devastado, numa pequena ilha isolada Conan vive com o seu avô desde que nasceu e nunca viu nenhum ser humano além deste durante os seus poucos anos de vida e quando a história começa, Conan encontra-se no seu passatempo favorito mergulhando no oceano e explorando as ruínas submersas de cidades que ele nunca conheceu.
Este conceito simples, serve para nos minutos iniciais do primeiro episódio, o espectador ficar a conhecer o ambiente geral da história e para levar logo com a primeira sequência de acção exagerada ao melhor estilo Anime.
A primeira entre muitas que contribuiram para tornar inesquécivel toda esta série.
Neste caso, Conan captura com as próprias mãos um tubarão gigante que depois transporta alegremente á cabeça quando sai da água numa das cenas mais memoráveis desta história.

É durante esta sequência que Conan conhece Lana, uma miuda da idade dele e o primeiro ser humano que ele encontra na sua vida para além do seu avô. Lana encontra-se desmaiada numa das praias da ilha e Conan mesmo sem saber de onde ela veio, imediatamente a transporta para a sua pequena casa mal sabendo ele que a sua vida iria mudar para sempre a partir daquele momento.
Depois de algumas peripécias Lana é raptada por representantes de Indústria, a poderosa coorporação que domina o que ainda resta do mundo e o avô de Conan também morre deixando-o sózinho na pequena ilha.
Como tal o rapaz resolve partir para tentar salvar Lana, encontrando pelo caminho os mais diversos e divertidos personagens que contribuiram para tornar esta série inesquecivel na mente de toda a gente que a viu quando passou pela primeira vez em Portugal no verão de 1984.

Muita coisa acontece ao longo dos 26 episódios que compõem [“Conan Future Boy“],mas esta história sempre conseguiu manter um extraordinário equilibrio entre a aventura juvenil e uma narrativa de ficção-cientifica que pode ser apreciada por pessoas de todas as idades e é essa a sua grande magia pois contém vários níveis de profundidade por debaixo de uma capa aparente filme de animação infanto-juvenil.
Para isto contribuiu uma excelente construcão de personagens tornando-os muito mais do que apenas desenhos que se movimentam no ecran e já aqui Miyazaki mostrava o seu talento para dotar os seus filmes de personalidade.

Não há verdadeiramente personagens maus nem bons nesta história mas sim pessoas com defeitos e virtudes. Tirando os herois todos aqueles que passam no seu caminho, são caracterizados de uma forma indefinida e se num momento fazem parte dos “maus”, no decorrer da história se calhar poderão não ser tão vilões assim. Isto contribuiu para que nesta história nunca haja muita previsibilidade, até mesmo na forma como a narrativa progride, pois raramente o espectador consegue adivinhar o que poderá acontecer a seguir.

Tudo isto é por demais conhecido de todos aqueles que eram crianças ou adolescentes no inicio dos anos 80, mas o que importa aqui é mesmo apresentar esta série ás novas gerações.
Por tudo isto [“Conan Future Boy“], não só é obrigatório e totalmente recomendável para todos aqueles que gostaram da série quando crianças, como principalmente para quem nunca ouviu falar dela. Especialmente se gostarem de ficção-cientifica ao melhor estilo clássico.
Para quem se lembra dela, esta é uma das poucas séries que não envelheceram e como tal garanto-vos que não será uma decepção nostálgica. Até porque agora revendo-a em quando adultos, vocês irão olhar para esta obra de uma nova forma.
Para quem nunca a viu, poderá ser uma descoberta absolutamente fascinante, se estiverem interessados em ver um história muito bem escrita e acima de tudo muito bem realizada.

Para quem nunca ouviu falar de  [“Conan Future Boy“], mas no entanto conhece a carreira de Kevin Costner, deve estar a pensar que esta série é estranhamente semelhante ao famoso fracasso “Waterworld“.
Curiosamente, o filme de Costner pode não ser um desenho animado, mas no entanto é um produto mil vezes mais infantil do que este Anime clássico, o que torna  [“Conan Future Boy“],  num excelente exemplo de como estas coisas dos bonecos animados serem filmes infantis se calhar tem muito que se lhe diga, ao contrário do que se pensa em Portugal onde tudo o que é desenhado é logo publicitado como filme para crianças.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de ficção-cientifica de sempre pois contém uma profundidade que vai muito para além da banal aventura para crianças, o que torna esta série não só num excelente Anime, como acima de tudo é uma obra essencial tanto para quem gosta de animação e de bons contos de ficção-científica com um sabor clássico onde a história é bem mais importante que as cenas de acção.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado. E neste caso, a prova de que até um produto televisivo pode ter uma qualidade mais cinemática do que muito filme feito para o grande ecrãn.
Na minha opinião é uma obra prima da animação e é definitivamente o meu “filme” favorito deste realizador.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.

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A favor: Os personagens são excelentes e muito pouco unidimensionais, as sequências de acção são geniais e muito divertidas e imaginativas, a história é absolutamente perfeita e aproveita ao máximo o conceito do planeta Terra estar submerso como ainda explora muito bem a questão do excesso de poder político das grandes coorporações e o seu papel na destruição do mundo natural em busca de poder, o humanísmo presente em todos os personagens, é possivelmente a melhor das piores adaptações de um livro alguma vez passada ao ecran pois acerta em cheio naquilo que vai buscar ao romance original e adapta o ambiente de forma perfeita, técnicamente é um verdadeiro milagre tendo em conta a origem conturbada deste trabalho, sabe criar uma excelente atmosfera gráfica usando um estilo invitávelmente minimalísta para uma obra que não tinha orçamento para mais, Cônaaaaaaaan ! 🙂
Contra: Absolutamente népia !
Mas se calhar para muitos putos de hoje que não conseguem prestar atenção a um filme que não tenha pelo menos duzentas imagens por segundo na montagem esta série pode parecer um bocado lenta além disso nem mete estilo nem nada.

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Genérico/Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=ZTQB6hPlJI4

Website
http://www.highharbor.net/en/

Leiam o Livro Original aqui:
Quem quiser conhecer o romance original, actualmente só tem uma hipótese de o ler se descarregar o pdf aqui neste website, pois este livro já deixou de estar disponível há décadas e como tal só por milagre encontrarão uma cópia em inglés.
http://hinomaru.megane.it/cartoni/Conan/Inglese/index.html

Comprar
Apesar de já existirem algumas edições legítimas desta série por toda a europa, eu no entanto comprei há muitos anos atrás uma edição manhosa quando ainda não existia nada oficial no mercado. Curiosamente está inclusivamente ainda á venda na Amazon americana e tudo.
É uma edição oriental bootleg , tem muitos defeitos mas não a troco por nenhuma edição a sério. Gosto muito do grafismo, tem a melhor capa de todas as que andam no mercado, tem uma imagem que serve perfeitamente e vem tudo em 3 discos numa caixa com um grafismo excelente e muito bem concebida pois inclui uma protecção de plástico para a embalagem e tudo.
Além disso ocupa muito pouco espaço na prateleira, e custou-me na época menos de 20€. Ao contrário da edição legítima Portuguesa da New Age que quando foi lançada em Portugal dividiram toda a série em duas caixas com metade dos episódios em cada uma e custava 50€ cada caixa na altura. Isto no nosso País é só rentabilizar dê lá por onde der.
Por isso tenho a certeza que ainda vão encontrar a edição Portuga no mercado, talvez agora que a editora faliu , até encontrem a série mais barata.

Eu por mim estou muito contente com a minha edição mas aviso-vos já que no entanto contém muitos defeitos, caso estejam interessados em seguir os meus passos e encontrem ainda algures á venda o dvd com a capa igual áquela que deixei mais acima.
Por exemplo, não tem uma imagem espantosamente nítida, (embora não seja de forma alguma má), mas a legendagem em inglés é do piorio. É que nem sequer se pode considerar uma lengendagem em inlgés, pois na realidade é mais em “Engrish“.
A coisa é de tal modo atroz que a meio da série, já alguém mudou o nome dos personagens e sem qualquer razão para isso. Por exemplo, “Conan” passa-se a chamar “Gaoli” na tradução e o mesmo acontece com todos os outros o que irá certamente deixar completamente baralhado quem nunca viu esta série antes. E isto acontece muito mais vezes ao longo dos episódios, pois “Conan” nesta tradução em “Engrish” chega a ter pelo menos trés nomes diferentes, só para terem uma ideia.
E a coisa chega ao cúmulo de a meio do terceiro dvd, termos pelo menos trés episódios que não contêm legendas de espécie nenhuma !
Não posso dizer que me tenha importado muito, porque felizmente  esta série é extremamente visual e a própria história nem sequer precisa de muitos diálogos. Por isso não se preocupem muito, porque garanto-vos que conseguirão seguir a narrativa sem grandes problemas, o que só comprova o génio do realizador para a narração visual.

Devem pensar que estou maluco, por gostar de uma cópia destas em função de qualquer outra, mas a verdade é que falo por mim e por qualquer motivo gosto muito desta edição, talvez  porque foi a primeira que consegui arranjar numa altura em que ainda não havia qualquer edição legítima da série.
Apenas não gosto de uma coisa. A minha cópia não contém nenhum genérico dos episódios e como tal aquela música da banda sonora não existe, pois todos os episódios estão colados e montados como se todos os mais de 600 minutos fossem tudo parte de um filme enorme.

No entanto, tenho lido que actualmente a minha própria edição já foi revista e corrigida e em muitos aspectos actualmente é bem superior á versão inicial que eu comprei há mais de cinco anos atrás, por isso se calhar até nem perdem muito em arriscar comprá-la se não tiverem problemas em adquirir um produto bootleg e a conseguirem ainda encontrar. Não confundir com edições pirata.
De qualquer forma no momento em que actualizo este texto (Agosto 2010) já existem disponíveis opções oficiais para comprarem.
O próprio realizador Miyazaki tem uma opinião curiosa a propósito desta distribuição não oficial dos seus filmes. Numa entrevista há alguns anos foi o primeiro a dizer que mesmo que ele não ganhe dinheiro com isso, o facto das pessoas distribuirem a sua obra significa que a longo prazo só lhe trará boa publicidade pois quem gostar mesmo dos filmes ficará interessado no seu trabalho e depois certamente quererá comprar as edições oficiais por causa dos extras e da melhor qualidade técnica.

Nota Importante: Provavelmente não será bem o caso com as edições Europeias de Conan, mas normalmente recomendo que tentem comprar qualquer edição Japonesa (ou oriental), porque no que toca aos trabalhos do Estúdio Ghibli, muitas edições ocidentais são regra geral baseadas nos “cuts” americanos da Disney e que ao longo dos anos se entreteu a “remover” alguns (largos) segundos das versões originais por estas aparentemente conterem coisas politicamente incorrectas que não seriam adequadas ás sensibilidades americanas.
Onde isto está por exemplo muito evidente é no que a Disney fez com a série “Conan Future Boy” quando passou na televisão, onde decidiram remover todas as cenas onde Conan e Jimsy formam uma amizade fumando juntos alguns cigarros e que pura e simplesmente foram cenas que os americanos nunca viram.
Practicamente todos os filmes do Estúdio Ghibli distribuídos pela Disney contêm ligeiras alterações, pequenos cortes e até segundo consta, alguns diálogos alterados para não ferir susceptibilidades das ciancinhas e dos paizinhos ocidentais, (leia-se “americanos”).
O exemplo mais recente disto, foram também os cortes na versão americana do “Princessa Mononoke”.

Em principio no que toca a esta série as edições europeias não devem conter cortes, por isso quem quiser uma lista das edições legítimas clique aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0077013/

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2 thoughts on “Mirai shônen Konan (Conan o rapaz do futuro / Conan Future Boy) Hayao Miyazaki (1978) Japão

  1. Gostei da sua análise, em especial a parte em que diz que as personagens têm qualidades e virtudes e não são apenas boas ou más. Já me tinha esquecido que a história desenvolvia sempre de forma imprevista! Na altura gostei mesmo de ver a série. Achei a mudança de Monsley muito bem retratada, mais ainda em japonês do que em português!Bons tempos!

    PS: visite meu blog p/saber outra versão do impacto de Conan.

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