Fukkatsu no hi (Virus) Kinji Fukasaku (1980) Japão


E agora, uma obra de que muito pouca gente deve ter alguma vez ouvido falar.
Estive em dúvida entre colocar este filme aqui ou passá-lo para o meu novo blog sobre cinema antigo de ficção científica, “Universos Esquecidos“, mas por agora optei por apresentá-lo no “Cinema ao Sol Nascente”.
Até porque se trata essencialmente, não apenas de mais um filme japonês, mas de uma das maiores produções que alguma vez tiveram lugar dentro do cinema de antecipação saído daquele país.
Sentem-se na cadeira e enervem-se um bocadinho, pois não pensem que o cinema oriental só tem histórias de amor fofinhas.
Depois de verem [“Virus“], se calhar é boa ideia terem uma love-story á mão para descontrair.
Bem-vindos ao possível futuro próximo da humanidade meus amigos.

Se calhar vou começar logo pelas boas notícias já que o filme é tão catastrófico, temáticamente falando.
A boa notícia é que desta vez não vão precisar de comprar nada (ou de fazerem downloads ilegais algures) para poderem ver um filme recomendado neste blog.
Apesar de ter existido até há pouco tempo uma boa edição de [“Virus“], em dvd, se não precisarem de extras também não precisam de gastar dinheiro, pois este filme encontra-se actualmente na condição de domínio público e está já disponível para download gratuíto no conhecido website “Internet Archive” que se dedica a colecionar obras abrangidas por este estatuto.
Todos os detalhes sobre isto no final desta review.

Por agora fiquem a saber também logo que existem duas versões do filme.
A versão original de 155 minutos, e a versão internacional com menos uma hora.
Quem por volta de 1983/84 chegou a ver [“Virus“] no cinema (quando estreou em Portugal), apenas conheceu a versão curta remontada para distribuição americana.
Fora do Japão apenas essa versão ficou disponível e até há bem pouco tempo atrás [“Virus“], na sua versão integral era um daqueles filmes procurados por quem como eu coleciona obras de ficção científica.
A versão curta até nem é propriamente difícil de se arranjar. Eu sei, eu comprei uma das edições em dvd quando ainda não havia mais nenhuma. Agora posso garantir-vos que se não foi o pior disco digital que alguma vez me passou pela frente, andou mesmo muito lá perto e como tal nem vou entrar em pormenores pois até fico doente de pensar que dei dinheiro por aquele pedaço de plástico inútil na altura.

E por falar em doentes…
Gostam de filmes sobre o fim do mundo ?
Gostavam de ver uma obra que realmente conseguisse transmitir uma escala apocalíptica a um nível internacional mas sem parecer um pedaço de plástico fabricado em CGI  realizado em Hollywood pelo Roland Emerich ?
Então estão no filme certo.
Puxem do sofá e não se esqueçam de ter uma caixa de lenços de papel á mão.
Não que o filme seja propriamente para chorar, mas se por acaso começarem a tossir e a espirrar durante o filme é melhor ter logo algo ao pé para não se esquecerem de que afinal os efeitos da doença que vêem no filme ainda não passaram para o vosso lado do ecran.
Mas já agora juntem também uma caixa de aspirinas. Não que lhes servisse de muito se a visão apocalíptica do mundo presente em [“Virus“], pudesse de repente fazer parte da nossa realidade mas convém que estejam convenientemente apetrechados para verem o filme e entrarem plenamente dentro do seu terrível e assustador conceito.

Basicamente fiquem a saber que os americanos deram cabo do mundo de vez.
No início dos anos 80 ao tentarem criar a arma microbiológica que pudesse dissuadir os russos de atacarem os EUA com armas nucleares, a situação escapou ao controlo dos militares que encomendaram o serviço e o planeta vê-se a braços com uma epídemia global de um novo tipo de gripe que mata em trés dias após a incubação.
Um terrível vírus que se transmite como uma vulgar constipação e para o qual não existe nem poderá existir vacina, especialmente quando quem a poderia eventualmente descobrir também ter morrido vitíma da praga que acaba literalmente causando o fim do mundo tal como nós o conhecemos.
Apenas nas regiões com temperaturas abaixo de zero o virus permanece inactivo e como tal um grupo de oitocentos sobreviventes vê-se obrigado a permanecer para sempre nas regiões geladas sem poder voltar aos seus países que pura e simplesmente deixaram de existir enquanto tal.
O problema é que dessas oito centenas de pessoas, apenas restam algumas mulheres, o que serve para o filme colocar também algumas questões interessantes sobre as relações afectivas humanas.

É certo que este tipo de história já conheceu várias interpretações nos ecrans, mas podem ter a certeza que nunca a viram tão bem retratada como em [“Virus“].
Claro que falo da versão integral do filme e não da montagem americana.
Como cinema pode ter imensas fraquezas (que as tem) mas numa coisa acerta em cheio. Quando sai do estilo telenovela e ganha uma estrutura quase de documentário, torna-se num dos filmes mais assustadores que vocês poderão encontrar sobre o final dos tempos.
E nem precisou de entrar por conotações relígiosas para conseguir esse efeito no espectador.
As sequências de pânico mundial estão absolutamente perfeitas e ás vezes transmite mesmo a sensação de que estamos a assistir em directo ás imagens de um qualquer telejornal.
Só a distância que nos separa agora dos anos 80 atenua um pouco essa ilusão mas nem por isso [“Virus“], deixa de conter sequências absolutamente aterradoras, especialmente tendo em conta todas as possibilidades que existem hojem em dia de algo semelhante poder vir a acontecer.

Por muito que não queiramos [“Virus“], impressiona e não podemos deixar de pensar como seria se isto acontecesse. O filme mete medo e causa grande impacto sem recorrer a efeitos especiais para nos dar cabo dos nervos. A coisa mais próxima de um efeito especial aqui, será possivelmente uma boa quantidade de bons matte-paintings que ajudam a retratar a devastação mundial, um par de maquetes bem conseguidas e algumas explosões.
Tirando isto, todo o ambiente de medo é fruto da intensidade da própria realização e da excelente direcção de figurantes durante as cenas de pânico e caos mundial.
O que nos leva ao casting internacional.

Neste filme só deve faltar mesmo um Português, pois a produção foi buscar actores a todas as partes do mundo para compor cada segmento relativo aos principais países representados na história e isso é uma das grandes mais valias em [“Virus“], pois dá ainda mais autitencidade ao filme, visto que inclusive muitos dos personagens até falam nas respectivas linguas. Curiosamente se calhar até o que ainda se fala menos no filme é precisamente o Japonês.
Desde Chuck Connors a Robert Vaugh passando por um jovem Edward James Olmos o filme conta com um casting excelente embora nem sempre aproveitado, talvez devido á dificuldade de dar algo para fazer a tanto personagem.
Inevitávelmente muitos dos diálogos são em inglés, porque as partes de aventura e suspanse são precisamente á volta do perigo de ameça nuclear, que, apesar de metade do mundo ter sido destruído pela gripe, ainda paira no entanto sobre a humanidade. Isto graças aos militares americanos sempre prontos para carregar no botão e mandar os russos para os anjinhos juntamente com o que resta do planeta.

E aqui destaca-se o grande Henry Silva num dos seus habituais papeis de gajo destestável.
Vão adorar o seu personagem de general militarísta patriótico americano. Isto apesar de até ser uma das inúmeras fraquezas do filme, mas não por culpa do actor que até se deve ter divertido á brava.
A caracterização de personagens é um dos grandes problemas em [“Virus“]. Os altos comandos militares são todos doidos, os políticos são todos inúteis, os cientistas são uns desgraçados e as mulheres estão no filme para sofrer e chorar muito.
O que atira o filme para o pior terreno  da telenovela televisiva onde não precisava ter entrado.
Quando [“Virus“], sai do seu modo-catástrofe, a coisa perde-se um bocado e até se arrasta penosamente em alguns momentos, o que confere um ritmo narrativo algo estranho ao trabalho, como se o filme fosse na verdade uma colagem de dois ou trés outros géneros metidos num só e com uns diálogos a ligar tudo.

Isto acontece claramente porque a intenção de criar uma atmosfera internacional muito povoada por seres humanos, obrigou a que o filme introduzisse personagens em todo o lado e depois a maior parte das vezes estes não têm muito para fazer na história. Embora se note que o realizador tenha tentado criar um momento especial para cada um deles, daí a excessiva fragmentação do trabalho.
Não que isto me chateie particularmente, mas se calhar o filme deveria ter tido outra abordagem, pois a verdade é que actualmente não pode deixar de nos parecer um produto algo datado precisamente pela forma como filma as situações-tipo dos filmes catástrofe e desenvolve o previsivel relacionamento entre personagens.
Na verdade é um produto de 1980 e isso nota-se.

Mas não deixem que isso vos impeça de espreitarem [“Virus“], (ainda por cima de borla), até porque apesar do seu estilo retro excessivamente televisivo em certas alturas, consegue noutras ser um excelente exemplo de cinema catástrofe, com algumas imagens muito bem cuidadas e uma boa fotografia.
Acima de tudo, se procuram um filme sobre o fim do mundo, não vão mais longe.
Na minha opinião enquanto filme catástrofe este é um dos melhores exemplos que poderão encontrar actualmente.
Não é um filme de efeitos especiais, não pensem que vão ver outro “The Sinking of Japan” porque não vão, mas podem ter a certeza que encontrarão um filme oriental único com uma extraordinária atmosfera de medo e que consegue manter a sua identidade enquanto cinema oriental.
Mesmo com a quantidade de actores ocidentais que participam no filme, [“Virus“], nunca deixa de ser um filme essencialmente japonês e um excelente exemplo de boa ficção-científica daquela que só a é, porque ainda não aconteceu.

A propósito, se descarregarem a versão longa do filme no site do “Internet Archive”, poderão também retirar as respectivas legendas em inglés para as partes faladas em japonês. Existe depois um tutorial no site que explica como poderão gravar com elas o vosso próprio dvd.
Mas se não as quiserem tirar, podem ver o filme sem legendas sem grandes problemas, pois grande parte dele é falado em inglés e até as partes em japonês são perfeitamente compreensíveis apenas pelo que se passa nas imagens, porque felizmente [“Virus“], apesar do seu estilo televisivo é no entanto um produto extremamente visual e quase que podia ser falado em Checo que não teriamos problemas em seguir a sua narrativa, por isso não se preocupem muito.

Agora esqueçam a versão curta deste filme. As partes de caos e porrada estão lá quase todas, mas a montagem dessa versão reduzida é tão diferente que quase parece um filme novo em certos aspectos pois ainda torna mais vazios a maior parte dos personagens. Isto porque os americanos retiraram tudo o que era desenvolvimento de situações e só deixaram no filme mesmo o que interessava para o tornar numa espécie de blockbuster á moda americana que nunca poderia ter sido porque [“Virus“], é essencialmente um drama assustador e perturbante e não um festival de aventura juvenil e efeitos especiais.

A um nível pessoal, este é um filme que me marcou quando era puto. Vi-o com uns amigos aos 13 anos numa noite de verão num cinema de Portimão ao ar livre pensando que seria uma espécie de imitação de Star Wars e no entanto saiu-nos uma coisa completamente inesperada que nenhum de nós esqueceu.
Em Portugal o filme quando passou nos cinemas de província, chamava-se [“Ameaça Planetária“] e tinha um cartaz que dava a ideia de que o filme ia ser uma espécie de space-opera com invasões espaciais.
Resultado, na altura levamos com um filme que não esperavamos mas já na altura marcou-nos pelo seu ambiente, embora só tivessemos visto a versão reduzida, claro está.
Lembro-me que em anos seguintes acabei por revê-lo ainda no cinema, pois na altura gostei já o suficiente do filme para me apetecer ver outra vez.
Isto numa altura em que ainda não estreavam sucessos cinematográficos fora de Lisboa e Porto e os cinemas de província levavam anos a passar os mesmos filmes que rodavam ciclicamente entre salas em cópias que só paravam de ser exploradas quando queimavam em plena projecção.
A long time ago…no início dos anos 80.

E chega de paleio,  porque espero que a esta altura já estejam pelo menos com curiosidade para ver este filme.
Quando o revi há um par de anos na cópia atroz em dvd que adquiri na altura, detestei o filme em absoluto, mas afinal a qualidade do dvd também não ajudava e além disso foi o cut americano que hoje já não parece tão impressionante como me parecia quando o vi no cinema há mais de 25 anos.
No entanto, quando vi pela primeira vez a versão integral um par de dias atrás, a magia desta obra voltou a conquistar-me e a assustar-me por isso resolvi recomendar aqui esta excelente obra esquecida.
A propósito, isto também não são só tragédias, pois o filme contém ainda uma simples mas eficaz história de amor como não podia deixar de ser num filme oriental. Não deslumbra, mas fica bem.

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CLASSIFICAÇÃO:

Filme completamente imprescindível para quem gosta de cinema catástrofe e quer ver um daqueles filmes que realmente representa muito bem o fim do mundo.
É mesmo muito bom e só não é melhor porque actualmente se encontra algo datado e sente-se ao longo do filme uma falta de equílibrio entre géneros de cinema que não foram plenamente misturados como seria de desejar.
Portanto, trés tigelas e meia de noodles porque é melhor que bom e merece mesmo ser visto nem que seja uma vez.

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A favor: o casting internacional funciona muito bem mesmo com alguns personagens estéreotipados, o clima de medo e pânico está extremamente bem criado o que confere ao filme um estilo quase documental em algumas partes, o ambiente apocalíptico de fim do mundo é fantástico e muito perturbante, contém um par de sequência psicológicamente pesadas dentro do contexto do conceito do filme, tem um bom argumento que resulta bem de uma forma geral, as cenas com as cidades mundiais devastadas cheias de cadáveres a apodrecerem na desolação não podiam ser melhores, tem alguns bons momentos de suspanse e aventura, tem uma atmosfera realmente épica e completamente internacional o que confere uma atmosfera muito real ás cenas apocalípticas, é muito assustador e cada vez está mais actual, não é um filme de terror mas se calhar ficará mais na memória colectiva de quem o vir do que muitas outras coisas mais populares.
Contra: é um filme de 1980 e nota-se, o excessivo tom de télenovela que percorre os estereotipos das partes dramáticas, tem persongagens a mais e por isso não há tempo para desenvolver a história de cada um deles como deveria de ser, a caracterização unidimensional dos militares e dos vilões é muito cartoonesca, tem uma realização demasiado televisiva para uma obra cinematográfica.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Esta apresentação é um bocado fraquinha e se calhar acaba até por ser a pior coisa do filme, pois não se sente bem no trailer a dimensão apocalíptica que depois o filme tem.
http://www.youtube.com/watch?v=JXKPkpcviKM

Comprar Versão Integral
Este pack, contém a versão integral de Virus, mas pelo visto acabou de esgotar…
http://www.amazon.com/Sonny-Chiba-Action-Virus-Bullet/dp/B000GETUBK

Comprar nova edição em dvd da versão curta remontada pelos americanos e com menos uma hora.
http://www.moviesunlimited.com/musite/product.asp?sku=D73736

Download da versão integral (public domain) com excelente qualidade, no site internet archive.
http://www.archive.org/details/Virus_Fukkatsu_no_hi

Download da versão curta distribuída internacionalmente no cinema fora do Japão no início dos anos 80.
http://www.archive.org/details/cco_virus

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0080768/

Uma gigantesca review adicional em inglés, mas carregada de *spoilers*
Sugiro que não a leiam antes de verem o filme para depois compararem-na com a vossa própria opinião mais tarde. Estão por vossa conta.
http://www.braineater.com/virus.html
Tem coisas com que eu concordo e outras com que discordo mas não há dúvida que é uma das mais gigantescas críticas que me lembro de encontrar na net sobre um filme oriental.
Infelizmente é um daqueles textos que revela cada pormenor do filme não deixando absolutamente nada á descoberta. Ficam avisados. 😉

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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Ong-Bak (Ong-Bak – O Guerreiro) Prachya Pinkaew (2003) Tailândia


Ainda no outro dia uma pessoa disse-me que achava uma boa ideia fazer-se um blog sobre cinema deste estilo, mas tinha que ser uma página diferente da minha e ter mesmo -“filmes do oriente a sério como deve de ser”.
Daqueles que as pessoas gostam de ver, porque -“toda a gente sabe”- que -“os chineses”- só fazem filmes de karaté  e o resto não presta porque mesmo nunca tendo visto mais nada a pessoa em questão tem a certeza que não chegam aos calcanhares dos filmes americanos.
Isto porque só -“os gajos na américa”- é que sabem -“fazer efeitos que a gente quer ver”-  e tudo o que não sejam fimes de artes marciais não interessam porque não prestam, -“porque se prestassem, a gente via as apresentações na televisão e não vemos”.

Bom…para contentar este “meu amigo”, hoje então vou pela primeira vez falar de um filme oriental a sério.
Daqueles com porrada de criar bicho e pontapés nas fuças com muitos gritos de “iáááááá” á mistura.
Falemos então de [“Ong Bak“], conhecido em Portugal como
[“Ong Bak – O Guerreiro“].

Sim, porque afinal este filme até passou nos cinemas do nosso país e portanto é mesmo garantido que seja um filme chinês de Karaté verdadeiro daqueles com o Bruce Lee -“como deve de ser”- e tudo.
Acontece que [“Ong Bak“], para começar nem é um filme Chinês e depois o Bruce nem sequer entra nisto.
E surpresa das surpresas, [“Ong Bak“], até nem sequer é um mau filme apesar de ter pancadaria suficiente para agradar ao “cinéfilo” de hipermercado mais exigente que não dispensa a sua dose de porrada cinemática enquanto exibe o novo plasma aos amigos no intervalo dos jogos da selecção.
Basicamente estamos perante um filme de artes-marciais e neste caso há que dizer que é realmente um bom filme.

Afinal, lá por ser basicamente uma obra de porrada, não tinha obrigatóriamente que ser um mau produto por causa disso.
O género de artes-marciais no estilo Bruce Lee não me interessa particularmente mas nem é por causa disso que deixaria de o apreciar como um bom filme.
[“Ong Bak“], é na sua essência um filme simples, onde tudo remete para mostrar no ecran espectaculares sequências de acção e neste aspecto cumpre plenamente o seu objectivo.

Para começar está muito bem filmado, com um ritmo narrativo bem conseguido embora depois perca algum do seu fulgor mais para o final onde se sente algum clima de repetição.
Depois em termos visuais é realmente absolutamente incrível e estou a referir-me ás extraordinárias coreografias que [“Ong Bak“], contém, pois como diz a própria publicidade  há muito que nunca se via nada assim no cinema do género.

Nomeadamente há muito tempo que não havia um filme de pura acção que recorresse desta forma á destreza física dos seus actores e principalmente há muito que não se via um protagonista como este. Talvez mesmo desde o próprio Bruce Lee como rezam as elogiosas críticas que este filme tem recebido por parte da comunidade das artes-marciais.

É que parece que todas as incríveis proezas que se podem ver no ecran foram mesmo executadas pelo protagonista sem que o filme recorra a efeitos especiais modernos para ampliar a sua prestação.
E basta vermos o documentário de making of do dvd, para percebermo que se calhar isto não é apenas exagero da públicidade, porque não há dúvida que o jovem actor que tem o papel principal, não só deve ser maluco, como principalmente é um atleta fantástico.

Este é um daqueles raros filmes de acção que na verdade nem precisava de história para nada, pois a sua força está mesmo nas incríveis proezas físicas que percorrem toda a aventura narrada em [“Ong Bak“].
É que como se isto não bastasse, o trabalho de realização está perfeitamente adequado ao material e nota-se que ouve um grande cuidado para evitar a ideia de que isto seria apenas mais um filme para contentar a malta da porrada chungosa.
[“Ong Bak“] consegue ser um bom exemplo de cinema, onde nem falta sequer um cuidado com a fotografia e uma criação de ambiente para envolver tudo o resto.

O filme não contém apenas porrada de meia noite e acrobacias arrepiantes, mas também serve um pouco como bilhete postal da própria Tailândia pois aproveita mesmo muito bem os cenários naturais do país além de conter ainda um bom design de produção nas partes que requerem cenários em estúdio.
Tudo isto confere a [“Ong Bak“], um ligeiro sabor a filme de aventuras num estilo Tomb-Raider que equilibra bastante bem com a temática das artes marciais e onde nem faltam alguns personagens bem construídos e até divertidos, isto para além dos inevitáveis gajos maus de serviço.

Basicamente o filme conta a história de um rapaz do campo, com a habitual ingenuídade rural que um dia se vê obrigado a deixar a sua aldeia e a partir para a grande cidade.
Quando a estátua sagrada da sua povoação é roubada, o jovem parte para tentar recuperar o artefacto, sem saber que para isso vai ter não só de enfrentar os padrinhos da Máfia locais, como ainda por cima terá de se habituar a viver na civilização moderna bem longe da paz e inocência da sua aldeia.
O resultado vocês já estão a ver qual é.

E por acaso desta vez é bastante bom, pois pelo meio das cenas de acção, também há espaço para algum humor e para uma ligeira crítica de costumes que joga com os contrastes entre o mundo moderno e o tradicional de uma forma particularmente divertida e bem conseguida.
A isto ajuda também a prestação do actor principal que além de ser capaz de proezas físicas surpreendentes ainda consegue fazer um bom trabalho enquanto actor.
Não ganhará um Oscar, mas está muito acima dos protagonístas chungas que este tipo de filmes normalmente vai buscar para estrelas de cinema e tem um óptima presença no ecran.
E  felizmente não é um clone do Van Damme.

A esta altura já devem estar a pensar que vou dar uma classificação brutal a [“Ong Bak“] porque tudo parece excelente.
Na verdade o conjunto geral é bastante bom, mas para mim só há uma coisa que torna este filme menos bom do que aquilo que poderia ter sido.
É demasiado grande para o argumento que tem, e a certa altura nota-se que houve um esforço para tentar esticar tudo ao máximo e nem a óptima montagem do filme consegue esconder essa fraqueza, pois a meia hora do filme acabar já estamos um bocado fartos e não ficariamos muito chateados se o filme acabasse nesse momento.

É que de certa forma, a constante espectacularidade das proezas físicas do protagonísta acabam por ser aquilo que o tornam um filme menor do que merecia ter sido. O facto de a todo o instante estarmos a ver sequências de artes marciais eléctrizantes, a partir de certa altura faz com que já nada nos possa surpreender ainda mais e instala-se, diria, não uma monotonía mas alguma previsibilidade que arruína aquele fascínio inicial e tira um bocado do impacto que a sequência final mereceria ter.

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CLASSIFICAÇÃO

Óptimo filme de acção, que poderá agradar até mesmo aqueles que normalmente não têm grande interesse neste género de cinema.
É um produto simples e directo, mas muito bem executado e que não tenta ser mais do que um bom espectáculo de artes marciais.
No entanto tenho que o classificar de diferentes maneiras para que possa ser justo.
A um nível pessoal, na minha opinião leva trés tigelas de noodles porque é realmente um bom filme embora não me tenha deslumbrado por aí além quando passou o efeito surpresa da qualidade das proezas físicas que apresenta.

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No entanto, se gostarem muito de cinema de acção podem acrescentar-lhe mais uma tigela na classificação.
E se forem mesmo fanáticos por cinema de artes marciais, acrescentem-lhe ainda outra pois este filme é realmente uma excelente obra dentro deste tipo de filmes.

A favor: apesar de parecer no trailer um filme de porrada chunga é no entanto um bom filme que tenta ultrapassar as limitações do género e consegue-o plenamente, tem um argumento equilibrado que balança bem entre a acção e o humor ligeiro, joga muito bem com o contraste entre o mundo tradicional e o mundo moderno das grandes cidades, as sequências de artes marciais são absolutamente fantásticas e segundo parece tudo realizado mesmo ao vivo, aproveita muito bem os cenários naturais da Tailândia e consegue manter uma identidade cultural enquanto cinema daquela região, tem uma boa fotografia e um bom design de produção, não é um filme de porrada chungosa.
Contra:  seria melhor se tivesse menos vinte minutos, pois a certa altura arrasta-se demasiado com tanta sequência espectacular que acaba por perder a força da surpresa que merecia ter tido no final e não teve.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Apesar de parecer mais uma chungaria de porrada o filme é bem mais interessante do que aparenta ser.
http://www.youtube.com/watch?v=YmR4DVjZYtw

Surpreendentes cenas de ensaio das sequências de acção.
http://www.youtube.com/watch?v=SbEljNs_sYs&feature=related

Comprar
Poderão encontrar a edição Portuguesa á venda nos cestos de promoções da Wortens e hipermercados, mas caso já não o consigam comprar em Portugal, podem sempre faze-lo aqui.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-49-en-15-ong+bak-70-4fn.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0368909/

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*Não tenho ainda nenhum filme semelhante que possa recomendar*

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Kairo (Kairo) Kiyoshi Kurosawa (2001) Japão


Antes de mais, espero que ainda não tenham visto o trailer do remake americano deste filme.
Se o viram, então espero que já não se lembrem dele.
E isto, porque o trailer do remake americano, não só revela a história toda como ainda se dá ao trabalho de explicar tudo muito bem explicadinho.
Nem sequer esconderam o final do filme que infelizmente temos o azar de ser semelhantel ao da obra original japonesa e por isso se o virmos logo no trailer americano, lá se vai o impacto psicológico da história.
Embora tenha que ser justo e o remake nem sequer é dos piores…mas quando comparado com o original asiático é melhor nem dizer mais nada.
No entanto, se quiserem apreciar devidamente a versão original deste excelente filme sobrenatural oriental , afastem-se por favor do trailer do remake americano chamado “Pulse” pois precisam chegar ao filme japonês sem saberem muito dele.
Agora que estão avisados, bem-vindos a [“Kairo“].

Esta versão original japonesa consegue assustar e inquietar mais o espectador em dez minutos do que a videocliptica versão americana consegue em noventa. Tudo isto sem efeitos especiais daqueles que dominam os filmes da terra do tio Sam. Sem perseguições, cenas de acção e muito menos sem super-vilões sobrenaturais ao estilo Freddy-Kreuger como parece que alguém nos states achou que seria necessário introduzir no remake. Deve ter sido para os teenagers do milho terem algum “mau” para se assustarem nos intervalos das cenas em que admiram as mamas das rapariguinhas modelos que povoam a versão ocidental e que não servem absoutamente para nada a não ser de carne para canhão na habitual contagem de cadáveres á Scream.
Sim, porque foi num Scream que os americanos transformaram este excelente [“Kairo“] que apesar de ser um filme com adolescentes e jovens adultos felizmente é também um filme com personagens pelo qual nos importamos, ao contrário do que acontece no body-count americano.

Portanto, para quem pensar que [“Kairo“], é o equivalente japonês dos filmes de teenagers americanos, é melhor esquecer este filme.
[“Kairo“], é um filme lento.
Muito lento. Muito leeeeeeeeeeeeeento mesmo.
Não é uma lentidão ao estilo Manoel de Oliveira nos seus melhores dias, mas não é de forma nenhuma um filme sobrenatural com uma montagem MTV ou sequer algo que se possa considerar uma montagem ocidental.
E isto não é uma coisa negativa, pois aqui a lentidão no desenvolvimento da história é acima de tudo usada para criar um clima de inquietação constante no espectador que resulta plenamente e dá uma identidade única ao filme.

Este filme nota-se á distância que é um produto japonês, só pelo tempo que demora a criar ambiente. Não tem pressa na montagem para dizer muita coisa e muito menos para explicar o que está a acontecer e por isso este pode ser um filme complicado de seguir para qualquer público que não esteja habituado ao estilo japonês de contar histórias, ou apenas se interessar pela imediatez dos ritmos narrativos cinematográficos americanos.

Por outro lado, também não se assustem com esta descrição, porque não estamos a falar de puro cinema de autor, isto naquele sentido mais Artístico ou intelectualoide cheio de metáforas sobre a vida, a essencia do Ser ou a natureza dos cogumelos.
[“Kairo“], não quer mais do que nos dar cabo dos nervos com uma boa história, que se calhar nem notamos a uma primeira visão, porque é verdade que o ritmo lento do filme pode desarmar-nos quando espreitamos esta obra pela primeira vez.

Confesso que quando vi isto tendo lido apenas um par de críticas na net que garantiam que [“Kairo“], era a coisa mais maravilhosa do planeta dentro do cinema sobrenatural, fiquei bastante decepcionado.
Mas a verdade, é que a montagem errática desta obra me desarmou pois não estava nada á espera de encontrar um filme tão estranho em todos os sentidos.

É estranho, porque na verdade não deixa de ser um filme comercial, mas ao mesmo tempo o seu ritmo narrativo quase que o remete para o cinema de autor e [“Kairo“], quase que acaba por ficar numa espécie de limbo entre os dois géneros.
O que é bom, pois é precisamente de situações no limbo que esta fantástica história sobrenatural trata.
E notem que eu ainda não me referi a [“Kairo“], como filme de terror. Repararam ?
O filme pode ser japonês, ter um estilo estranho, mas tem a grande vantagem de nem sequer tentar imitar o já clássico “Ringu” que definiu as regras modernas do género e só este facto é logo motivo para prestarmos mais atenção a esta obra.
Na verdade se “Ringu” criou um estilo, depois popularizado em mil clones do género como por exemplo a saga “Ju-On”, já [“Kairo“], pode dizer-se que criou uma segunda fórmula seguida também por um par de outras obras menos conhecidas.

[“Kairo“], não é um filme de terror oriental naquele sentido em que nos assusta pelo que mostra, ou por imagens demasiado gráficas, mas por aquilo que não mostra. [“Kairo“], assusta porque não nos explica nada e apenas nos vai mostrando uma sucessão de acontecimentos que adensam o mistério, criando muito devagar e sem pressas nenhumas um clima de medo e tensão insuportável, que nos dá lentamente cabo dos nervos.
A certa altura o espectador dá por si sem saber porque raio é que está tão perturbado, ou o que raio se está a passar na história, ou como irá acabar, mas agora o realizador do filme poderia ter colocado o Bugs Bunny no ecran que metade do público se ainda se conseguisse mexer correria imediatamente para o interruptor da luz, isto antes se não tropeçar em metade da mobilia.

Acima de tudo,  [“Kairo“] não é uma história para assustar momentaneamente em segmentos para nos fazer saltar da cadeira, mas sim para provocar medo e transportar o espectador para o mundo que a pouco e pouco vai criando e que leva o filme a terminar de uma forma extremamente atmosférica, que só nos dá vontade de ver uma sequela quando o filme acaba.
Mas afinal isto é sobre o quê ?

Sem querer revelar muito da história, e partindo do princípio que vocês tiveram a sorte de ainda não terem visto o remake ou o trailer do remake americano, [“Kairo“] conta a história de um grupo de jovens que se começam a suicidar depois de passarem inúmeras horas obcecados com um misterioso website que encontram na internet.

Quando alguns deles começam a investigar o sucedido após inúmeras pessoas desaparecerem aparentemente sem motivo nenhum estes descobrem que a realidade é algo bem mais perturbante do que alguma vez imaginaram e onde a resposta a todas as suas questões pode não apenas trazer a solução do enigma mas também colocar em perigo o destino do mundo, porque os mortos estão á espreita em todo o lado e não haverá nenhum local no planeta onde nos possamos esconder.

Mas não pensem que estamos perante um filme de mortos-vivos, pois  [“Kairo“] apesar de conter uma atmosfera bem semelhante em alguns momentos é mais um filme sobre a morte enquanto dimensão paralela do que própriamente terá algo a ver com um filme do Romero.

Na verdade este filme tem tudo a ver com o ambiente do jogo Silent Hill. Quem gostar do título e procurar um filme de terror com uma atmosfera assombrada muito semelhante e onde o mesmo tipo de inquietação está sempre presente, então não pode perder isto. Apesar de não conter as sequências sangrentas do jogo para a PS2,  [“Kairo“] acaba por ser mais um Silent Hill do que a própria recente adaptação cinematográfica do jogo.

Para começar tem na minha opinião os fantasmas mais “realísticos” de sempre num filme de terror, nunca os vemos bem, aparecem como sombras furtivas no canto do olho e o realizador ainda consegue pregar um par de bons sustos com excelentes momentos inesperados apenas jogando com silhuetas e sombras que se movem. E isto sem ser necessário recorrer ao habitual som ALTO para assustar. Ou melhor, para pregar sustos.

Em [“Kairo“], o silêncio mete mais medo do que qualquer truque cinematográfico á americana e este filme asiático é um bom exemplo de como se constroi um clima de horror sem precisarmos de usar muitos truques baratos ou efeitos especiais caros completamente desnecessários.

E pronto, se calhar é melhor ficar por aqui, pois este é outro daqueles filmes orientais que merecem ser descobertos por vocês mesmo.
Se procuram um bom filme sobrenatural japonês com um toque de horror que ficará na memória mesmo que não lhes impressione muito á primeira por causa do seu estranho ritmo narrativo, não vão mais longe.
Este filme tem atmosfera, uma história intrigante e ainda um par de imagens perturbantes ao melhor estilo Silent Hill.

Não é o melhor filme de terror oriental de sempre, mas tem uns fantasmas que já definiram um estilo dentro do género e que lhes vão mesmo dar cabo dos nervos. E quanto a mim tem um final excelente, que embora um pouco ambiguo deixa-nos com vontade de ver uma continuação que infelizmente não existe.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme diferente dentro do género sobrenatural. Contorna bem os clichés do cinema oriental e cria uma atmosfera de horror crescente em redor de acontecimentos perturbantes e com ajuda de uns excelentes fantasmas que os farão começar a olhar duas vezes para todas as sombras que têm em vossa casa.
Quatro tigelas e meia de noodles.

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A favor: a atmosfera perturbante assusta mesmo, a fotografia sombria, os silêncios e as sombras, os fantasmas arrepiantes, o sentimento de horror crescente, os sons inquietantes, o final do filme, quem gosta do jogo Silent Hill vai gostar disto.
Contra: a história tem falhas na sua estrutura e pode ser algo confusa de seguir ao inicio, a montagem é errática e a narrativa tem muitos ritmos estranhamente diferentes o que quebra um pouco os momentos de medo e horror, talvez tenha duração a mais pois a parte do meio da história arrasta-se um pouco.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Ubu7hVI48no
http://www.youtube.com/watch?v=y_JFO-Nrk5c&feature=related

Comprar
Existem um par de boas edição lá fora deste filme, e se não estou enganado, até uma edição em Português apenas com som em 2.0, por isso se tiverem 5€ sugiro a compra imediata desta edição
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-77-3-49-en-15-pulse-70-610.html pois contém um bom som e apesar do filme ser muito escuro a imagem até nem seja má de todo. Não é brilhante, mas pelo preço não precisam de mais para apreciar este filme. Eu tenho esta cópia e estou muito contente com ela.

IMDB (cuidado com os *spoilers*)
http://www.imdb.com/title/tt0286751/usercomments

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Se gostam deste poderão gostar de:

A Tale of Two Sisters Dark Water

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Madeleine (Madeleine) Kwang-chun Park (2003) Coreia do Sul


[“Madeleine“] é um filme oriental muito bonito mas se calhar não se nota á primeira, pois é uma love-story asiática particularemente discreta.
Não tem o habitual estilo excessivamente melodramático muito característico do cinema romântico Coreano e por isso não nos causa aquele impacto inicial que muitas obras nos provocam.
Quando vi [“Madeleine“] pela primeira vez fiquei sem perceber se tinha gostado muito do filme, ou nem por isso.
Achei que lhe faltava algo, pois senti falta daquela emoção imediata de outros filmes como “The Classic” por exemplo e por isso pareceu-me particularmente ambiguo.
No entanto, apesar de ter arrumado o filme na prateleira, por qualquer motivo não me consegui esquecer dele ou tirar a sua história da cabeça; dei por mim até a comparar outras love-stories que vi posteriormente com [“Madeleine“] e aos poucos comecei a perceber porque muitas críticas de cinema  falam deste filme de uma forma especial.

[“Madeleine“], é um filme Sul Coreano diferente. Á primeira vista parece ser uma cópia de “My Sassy Girl ” com dois personagens até semelhantes e uma estrutura parecida. No entanto o filme revela-se um trabalho mais contido e as emoções dos personagens são trabalhadas de uma forma diferente, o que afasta a história de ser apenas um eventual clone e lhe confere uma identidade asiática muito própria com contornos mais realisticos do que é habitual no cinema romântico da Coreia do Sul.

[“Madeleine“], conta a história de um rapaz e de uma rapariga que se conhecem desde o liceu, mas não se viam desde esses tempos. Até ao dia em que o rapaz vai cortar o cabelo e encontra a sua antiga colega que sonhava ser designer de penteados mas não conseguiu ir muito além do emprego de cabeleireira que arranjou.
Sem nada em comum antes, também agora os dois não têm grandes motivos para se voltar a encontrar, mas no entanto acontece precisamente o contrário e desta vez esse facto atrai-os para uma nova relação de amizade que naturalmente vai evoluindo para um amor mais a sério.
Apesar de nenhum deles querer admiti-lo, pois afinal apesar de tudo parecer certo quando estão juntos continuam a não ter absolutamente nada em comum um com o outro.
Assim um dia combinam namorar durante um mês e nenhum dos dois pode acabar a relação antes desse período seja porque motivo for.
Isto a titulo de experiência e se tal não resultar cada um seguirá o seu caminho sem qualquer ressentimento.
Mas obviamente que as coisas não são assim tão simples.

Amores antigos regressam subitamente á vida dos dois protagonistas e a situação complica-se.
Mas não pensem que vão encontrar aqui os habituais triangulos amorosos formuláticos.
Isto é muito dificil de explicar mas tudo neste filme parece real e até as partes que se prestariam a uma abordagem mais típica de um filme de amor para adolescentes em [“Madeleine“], são apresentadas de uma forma perfeitamente natural.
Por exemplo do lado do rapaz, surge uma história paralela envolvendo uma amiga que depois do liceu se tornou vocalísta de uma banda rock e agora se encontra bastante interessada numa relação romântica com o protagonista ao mesmo tempo que tenta alcançar a fama.
Ora se isto fosse um filme romântico com adolescentes americanos made-in-hollywood, haveria logo de meter imensas traições e cenas com a heroína a descobrir o heroi nos braços de outra rapariga ou vice versa. E como o filme mete adolescentes e bandas de rock, inevitávelmente seria também uma daquelas histórias em que os protagonistas sonham ser estrelas rock e pelo caminho percorrem todos os clichés deste género de história tão repetido no cinema americano.
Não em [“Madeleine“].

A forma como [“Madeleine“], trata este tema é completamente refrescante pois evita todos os clichés do género e nunca cai no melodrama corriqueiro nem no típico filme para adolescentes sem cérebro.
Aliás na verdade quase que nem se sente uma carga dramática ao longo do filme.
As situações estão lá, mas parece que o espectador só as consegue verdadeiramente sentir quando estas já passaram.
Um pouco como acontecia com o personagem da robot-cyborg em “2046” de Hong-Kar-Wai, que tinha reacções emocionais atrasadas, neste filme parece que só quando as situações passam é que damos por nós a pensar nelas e só então apanhamos com o seu impacto emocional.
Como lhes disse isto é dificil de explicar porque este é realmente um filme muito diferente dentro do género romântico oriental o que o torna numa obra original.
Nem sequer é cinema de autor, mas tem uma carga intimista que não tinha visto num filme comercial com adolescentes, á excepção de “Nana” de que em breve irei também falar.
Até a parte sobre a banda de rock, que num filme americano dava logo motivo para muita história da treta sobre jovenzinhos que querem ser famosos, aqui serve apenas de suporte para a forma como as relações dos personagens são construídas.
Mas isto não impede que [“Madeleine“], tenha no entanto uma banda sonora com um par de temas rock excelentes, pois a banda que aparece no filme é mesmo real e a actriz que interpreta a sua vocalista está na verdade a interpretar-se a si mesma.

Outro tema absolutamente bem tratado e que se torna de certa forma o coração do filme é o tema do aborto. E mais uma vez não pensem que vão ver aquilo de que estão á espera.
O filme nem é contra nem a favor do aborto e na verdade apresenta-nos uma realidade que quase se torna uma terceira tomada de posição sobre o assunto, pois está muito baseada na cultura oriental e na forma filosófica como algumas religiões não católicas vêem de forma muito natural, extremamente poética e espiritual aquilo que para muita gente nascida debaixo de um severo catolicismo Mediterrânico será um pecado mortal que levará directamente ao inferno.
[“Madeleine“], aborda por momentos a questão e numa simples frase justifica de uma forma muito bonita aquilo que para muita gente será algo inconcebível, colocando este filme num patamar ainda mais elevado, pois se isto fosse um filme americano eu nem quero imaginar o tom moralista que estaria a envolver todo este pequeno segmento da história.

O titulo [“Madeleine“], vem no entanto não de qualquer personagem, mas sim de um bolo.
Madeine é o nome de um bolo, que julgo em Portugal chamar-se precisamente “Madalenas” e está no título do filme, porque é um elemento que liga vários personagens e simboliza essencialmente os bons momentos simples e felizes que podemos ter na nossa vida e que a que se calhar nem damos o devido valor.
As cenas envolvendo o respectivo bolo, são quase uma coisa á parte dentro do argumento principal do filme, mas no entanto são precisamente o coração emocional da história e que acaba por nos emocionar mais no final com uma das cenas mais bonitas onde os personagens partilham pela última vez um bocado de bolo de uma Madalena em tamanho grande.

Não há muito mais para dizer, pois este é um daqueles filmes orientais que não precisa de descrição, porque a simplicidade das suas imagens e personagens não precisa de mais nada para tornar [“Madeleine“], num filme romântico oriental muito bonito que nos toca mais do que parece fazer a uma primeira visão.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma história de amor sem história onde a simplicidade dos personagens e situações diz tudo.
Muito bonito, poético e cheio de alma e mais um excelente exemplo de como a Coreia do Sul produz actualmente as melhores e mais originais histórias de amor.
Cinco tigelas de noodles porque as merece plenamente.

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A favor: a simplicidade das situações e personagens, não entra por nenhum cliché de filmes adolescentes, tem um argumento inteligente, é poético sem se evidenciar a todo o momento, é um filme de adolescentes com um tratamento adulto que agradará a todas as faixas etárias, aborda temas polémicos de uma forma natural e muito bonita, nunca tenta pregar qualquer moral ou filosofia.
Contra: o seu estilo diferente pode retirar-lhe algum impacto emocional inicial. Por isso vejam-no pelo menos duas vezes porque este é um filme para ser interiorizado.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Este é um filme muito dificil de ser encontrado como deve de ser actualmente.
Como nem sequer um trailer existe no YouTube, fiquem antes com um dos videoclips da banda sonora pois serve perfeitamente como trailer porque mostra plenamente a atmosfera do filme.
http://www.youtube.com/watch?v=OYkrJ3D9yBE

Comprar
Aqui estão com azar…
Este filme não se encontra já em parte alguma, por isso se o conseguirem descobrir nem hesitem em comprá-lo imediatamente. É uma edição de dois discos e o segundo é o CD da banda sonora com todas as músicas do filme remasterizadas com um som fantástico.
Estejam de olho neste link, pois o filme pode ter uma nova edição a qualquer momento e poderão depois comprá-lo aqui.
http://global.yesasia.com/en/PrdDept.aspx/did-90/code-k/section-videos/pid-1002531967/
Ah…e por qualquer motivo, alguém ainda me há de explicar porque raio é que a capa do dvd deste filme não tem absolutamente NADA a ver com o conteúdo do mesmo. Nada !
Os personagens de [“Madeleine“], nem sequer são parecidos com os que aparecem nas capas do dvd !Não entendo mesmo esta…Se visse alguma destas capas numa loja jamais me passaria pela cabeça que lá dentro das caixas estaria o filme [“Madeleine“].

O dvd do filme parece não estar já á venda, mas não terão grande dificuldade em descobri-lo nos torrents, porque [“Madeleine“], já se tornou um filme de culto dentro do género romântico Coreano, precisamente por ser diferente e ter uma aura de Rock muito bem apanhada.
Também está disponível no Youtube mas não recomendo de forma alguma aquela cópia, até porque o devido á banda sonora do filme, seria preferível poderem vê-lo com um som a condizer.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0345603/

Outra review
http://www.kfccinema.com/reviews/drama/madeleine/madeleine.html

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Se gostaram deste irão certamente gostar de:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Mirai shônen Konan (Conan o rapaz do futuro / Conan Future Boy) Hayao Miyazaki (1978) Japão


Cônaaaaaaaaaaaaaaaaaaan !
Lanaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa !
Jimsyyiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii !
Desculpem, não resisti. 🙂
E quem conhece bem esta já quase mítica série do inicio dos anos 80 sabe bem porquê.
Quem viu e gostou desta série de aventuras nunca mais esqueceu estes clássicos gritos dos personagens principais que se tornaram mesmo numa imagem de marca da série.
Bem-vindos a [“Conan Future Boy“], mais conhecido em Portugal como [“Conan, o rapaz do futuro“].

Tenho que dizer logo aqui á partida que para mim [“Conan Future Boy“], não só é uma das melhores series Anime, como acima de tudo é um dos melhores “filmes” de ficção cientifica de sempre.
Na minha opinião perfeitamente comparável a qualquer um dos grandes clássicos do género e portanto não fica nada a dever a um “Blade Runner” e até mesmo a “2001 Odisseia no Espaço” por muito blasfemo que isto pareça a alguns puristas fundamentalistas da ficção-ciêntifica.
Não tentemos menosprezar esta obra prima de Miyazaki só porque é um produto televisivo de baixo orçamento; [“Conan Future Boy“], não é só um triunfo da realização como ainda consegue ser muito mais ficção-cientifica a sério do que muita teledisco MTV que hoje passa por sê-lo nos cinemas.
Por tudo isto, na minha opinião este trabalho merece um lugar de destaque dentro de qualquer lista de referência com boas obras do género.

[“Conan Future Boy“],  tem não só uma história original e muito bem concebida como também, apesar dos seus momentos de acção não tem pressa em meter estilo só para apresentar sequências anime com pinta como depois se tornou infelizmente tão comum dentro do género televisivo.
Enquanto ficção-ciêntifica na minha opinião é uma obra prima e mesmo não sendo uma adaptação fiel do romance, transformou o seu conceito em algo que transcendeu a escrita original.
Conseguiu pegar num romance sem grandes características juvenis e transformá-lo num produto televisivo que deve ser o expoente máximo do equílibrio perfeito entre o filme de aventuras infanto-juvenil e uma história para adultos apreciadores de boa ficção ciêntifica clássica.

Técnicamente, apesar das suas enormes limitações de orçamento  [“Conan Future Boy“], quase que se pode considerar um milagre, isto porque esteve para não ser completado por várias vezes e deve a sua existência ao esforço do seu criador Hayao Miyazaki e do seu sócio que chegaram ao ponto de serem eles a desenhar e pintar á mão não só grande parte dos cenários da série, como ainda por cima tiveram de lidar com milhares de frames colorindo cada uma das imagens durante meses a fio. O que quase torna esta série no maior filme semi-amador jamais produzido.
Até porque na época simplesmente não havia muita verba para continuar a manter a equipa de produção inicial e ninguém queria apostar muito no projecto, apesar de nesta altura ambos já terem algum nome no mercado devido ao enorme sucesso das séries Heidi e Marco que foram dos primeiros Anime a serem exportados para o ocidente com enorme sucesso durante os anos 70.
No entanto [“Conan Future Boy“], foi o primeiro trabalho realizado na totalidade por Miyazaki e como tal os apoios eram poucos.

Mas o sacríficio e as noites em claro acabaram por valer a pena porque o sucesso de  [“Conan Future Boy“], foi tão grande em todo o mundo que permitiu que os seus criadores acabassem por fundar no inicio dos anos 80, o agora famoso e muito reconhecido Estúdio Ghibli onde mais recentemente produziram “A Viagem de Chihiro” e “O Castelo Andante”.
E lembrem-se tudo isto muito antes da era dos computadores pessoais pois tudo nesta série foi construído por processos tradicionais o que lhe dá ainda mais valor.
Na altura a sua primeira produção para cinema foi uma espécie de remake não oficial de  [“Conan Future Boy“] na forma do fabuloso “Laputa Castle in the Sky” onde recuperaram os personagens de Conan e Lana, agora com nomes diferentes e uma história diferente.
Mas tudo teve origem nesta fabulosa série de ficção-científica que no entanto só estreou em Portugal em 1984.

Curiosamente [“Conan Future Boy“], foi uma das séries mais populares de sempre na televisão Iraquiana e um sucesso absoluto nos países árabes por onde passou, tendo sido um verdadeiro embaixador da ficção-cientifica junto daquelas culturas.
Curiosamente também, nunca passou no entanto na televisão de Inglaterra e teve grande dificuldade em conquistar o mercado americano na altura.
Em Portugal, como toda a gente com pelo menos trinta e poucos anos sabe, foi talvez o maior sucesso de animação de sempre e o único programa de ficção-cientifica que se pode comparar em popularidade e estatuto de culto com o Espaço 1999.

[“Conan Future Boy“], passa-se num futuro próximo e onde todos os continentes do planeta Terra estão practicamente submerso debaixo dos oceanos.
Devido a um conflito nuclear em 2008, os polos derreteram e os mares subiram para um nível que transformou practicamente toda a superficie terrestre num conjunto de ilhas isoladas onde os sobreviventes perderam muito do contacto com o mundo exterior que ainda restou.
O sistema político que conhecemos foi substituído por uma ditadura das grandes coorporações que souberam aproveitar-se da tragédia mundial para dominarem pela força e pela técnologia todas as populações da Terra, pois neste mundo futuro apenas eles detêm o poder.

Neste mundo devastado, numa pequena ilha isolada Conan vive com o seu avô desde que nasceu e nunca viu nenhum ser humano além deste durante os seus poucos anos de vida e quando a história começa, Conan encontra-se no seu passatempo favorito mergulhando no oceano e explorando as ruínas submersas de cidades que ele nunca conheceu.
Este conceito simples, serve para nos minutos iniciais do primeiro episódio, o espectador ficar a conhecer o ambiente geral da história e para levar logo com a primeira sequência de acção exagerada ao melhor estilo Anime.
A primeira entre muitas que contribuiram para tornar inesquécivel toda esta série.
Neste caso, Conan captura com as próprias mãos um tubarão gigante que depois transporta alegremente á cabeça quando sai da água numa das cenas mais memoráveis desta história.

É durante esta sequência que Conan conhece Lana, uma miuda da idade dele e o primeiro ser humano que ele encontra na sua vida para além do seu avô. Lana encontra-se desmaiada numa das praias da ilha e Conan mesmo sem saber de onde ela veio, imediatamente a transporta para a sua pequena casa mal sabendo ele que a sua vida iria mudar para sempre a partir daquele momento.
Depois de algumas peripécias Lana é raptada por representantes de Indústria, a poderosa coorporação que domina o que ainda resta do mundo e o avô de Conan também morre deixando-o sózinho na pequena ilha.
Como tal o rapaz resolve partir para tentar salvar Lana, encontrando pelo caminho os mais diversos e divertidos personagens que contribuiram para tornar esta série inesquecivel na mente de toda a gente que a viu quando passou pela primeira vez em Portugal no verão de 1984.

Muita coisa acontece ao longo dos 26 episódios que compõem [“Conan Future Boy“],mas esta história sempre conseguiu manter um extraordinário equilibrio entre a aventura juvenil e uma narrativa de ficção-cientifica que pode ser apreciada por pessoas de todas as idades e é essa a sua grande magia pois contém vários níveis de profundidade por debaixo de uma capa aparente filme de animação infanto-juvenil.
Para isto contribuiu uma excelente construcão de personagens tornando-os muito mais do que apenas desenhos que se movimentam no ecran e já aqui Miyazaki mostrava o seu talento para dotar os seus filmes de personalidade.

Não há verdadeiramente personagens maus nem bons nesta história mas sim pessoas com defeitos e virtudes. Tirando os herois todos aqueles que passam no seu caminho, são caracterizados de uma forma indefinida e se num momento fazem parte dos “maus”, no decorrer da história se calhar poderão não ser tão vilões assim. Isto contribuiu para que nesta história nunca haja muita previsibilidade, até mesmo na forma como a narrativa progride, pois raramente o espectador consegue adivinhar o que poderá acontecer a seguir.

Tudo isto é por demais conhecido de todos aqueles que eram crianças ou adolescentes no inicio dos anos 80, mas o que importa aqui é mesmo apresentar esta série ás novas gerações.
Por tudo isto [“Conan Future Boy“], não só é obrigatório e totalmente recomendável para todos aqueles que gostaram da série quando crianças, como principalmente para quem nunca ouviu falar dela. Especialmente se gostarem de ficção-cientifica ao melhor estilo clássico.
Para quem se lembra dela, esta é uma das poucas séries que não envelheceram e como tal garanto-vos que não será uma decepção nostálgica. Até porque agora revendo-a em quando adultos, vocês irão olhar para esta obra de uma nova forma.
Para quem nunca a viu, poderá ser uma descoberta absolutamente fascinante, se estiverem interessados em ver um história muito bem escrita e acima de tudo muito bem realizada.

Para quem nunca ouviu falar de  [“Conan Future Boy“], mas no entanto conhece a carreira de Kevin Costner, deve estar a pensar que esta série é estranhamente semelhante ao famoso fracasso “Waterworld“.
Curiosamente, o filme de Costner pode não ser um desenho animado, mas no entanto é um produto mil vezes mais infantil do que este Anime clássico, o que torna  [“Conan Future Boy“],  num excelente exemplo de como estas coisas dos bonecos animados serem filmes infantis se calhar tem muito que se lhe diga, ao contrário do que se pensa em Portugal onde tudo o que é desenhado é logo publicitado como filme para crianças.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de ficção-cientifica de sempre pois contém uma profundidade que vai muito para além da banal aventura para crianças, o que torna esta série não só num excelente Anime, como acima de tudo é uma obra essencial tanto para quem gosta de animação e de bons contos de ficção-científica com um sabor clássico onde a história é bem mais importante que as cenas de acção.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado. E neste caso, a prova de que até um produto televisivo pode ter uma qualidade mais cinemática do que muito filme feito para o grande ecrãn.
Na minha opinião é uma obra prima da animação e é definitivamente o meu “filme” favorito deste realizador.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: Os personagens são excelentes e muito pouco unidimensionais, as sequências de acção são geniais e muito divertidas e imaginativas, a história é absolutamente perfeita e aproveita ao máximo o conceito do planeta Terra estar submerso como ainda explora muito bem a questão do excesso de poder político das grandes coorporações e o seu papel na destruição do mundo natural em busca de poder, o humanísmo presente em todos os personagens, é possivelmente a melhor das piores adaptações de um livro alguma vez passada ao ecran pois acerta em cheio naquilo que vai buscar ao romance original e adapta o ambiente de forma perfeita, técnicamente é um verdadeiro milagre tendo em conta a origem conturbada deste trabalho, sabe criar uma excelente atmosfera gráfica usando um estilo invitávelmente minimalísta para uma obra que não tinha orçamento para mais, Cônaaaaaaaan ! 🙂
Contra: Absolutamente népia !
Mas se calhar para muitos putos de hoje que não conseguem prestar atenção a um filme que não tenha pelo menos duzentas imagens por segundo na montagem esta série pode parecer um bocado lenta além disso nem mete estilo nem nada.

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Genérico/Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=ZTQB6hPlJI4

Website
http://www.highharbor.net/en/

Leiam o Livro Original aqui:
Quem quiser conhecer o romance original, actualmente só tem uma hipótese de o ler se descarregar o pdf aqui neste website, pois este livro já deixou de estar disponível há décadas e como tal só por milagre encontrarão uma cópia em inglés.
http://hinomaru.megane.it/cartoni/Conan/Inglese/index.html

Comprar
Apesar de já existirem algumas edições legítimas desta série por toda a europa, eu no entanto comprei há muitos anos atrás uma edição manhosa quando ainda não existia nada oficial no mercado. Curiosamente está inclusivamente ainda á venda na Amazon americana e tudo.
É uma edição oriental bootleg , tem muitos defeitos mas não a troco por nenhuma edição a sério. Gosto muito do grafismo, tem a melhor capa de todas as que andam no mercado, tem uma imagem que serve perfeitamente e vem tudo em 3 discos numa caixa com um grafismo excelente e muito bem concebida pois inclui uma protecção de plástico para a embalagem e tudo.
Além disso ocupa muito pouco espaço na prateleira, e custou-me na época menos de 20€. Ao contrário da edição legítima Portuguesa da New Age que quando foi lançada em Portugal dividiram toda a série em duas caixas com metade dos episódios em cada uma e custava 50€ cada caixa na altura. Isto no nosso País é só rentabilizar dê lá por onde der.
Por isso tenho a certeza que ainda vão encontrar a edição Portuga no mercado, talvez agora que a editora faliu , até encontrem a série mais barata.

Eu por mim estou muito contente com a minha edição mas aviso-vos já que no entanto contém muitos defeitos, caso estejam interessados em seguir os meus passos e encontrem ainda algures á venda o dvd com a capa igual áquela que deixei mais acima.
Por exemplo, não tem uma imagem espantosamente nítida, (embora não seja de forma alguma má), mas a legendagem em inglés é do piorio. É que nem sequer se pode considerar uma lengendagem em inlgés, pois na realidade é mais em “Engrish“.
A coisa é de tal modo atroz que a meio da série, já alguém mudou o nome dos personagens e sem qualquer razão para isso. Por exemplo, “Conan” passa-se a chamar “Gaoli” na tradução e o mesmo acontece com todos os outros o que irá certamente deixar completamente baralhado quem nunca viu esta série antes. E isto acontece muito mais vezes ao longo dos episódios, pois “Conan” nesta tradução em “Engrish” chega a ter pelo menos trés nomes diferentes, só para terem uma ideia.
E a coisa chega ao cúmulo de a meio do terceiro dvd, termos pelo menos trés episódios que não contêm legendas de espécie nenhuma !
Não posso dizer que me tenha importado muito, porque felizmente  esta série é extremamente visual e a própria história nem sequer precisa de muitos diálogos. Por isso não se preocupem muito, porque garanto-vos que conseguirão seguir a narrativa sem grandes problemas, o que só comprova o génio do realizador para a narração visual.

Devem pensar que estou maluco, por gostar de uma cópia destas em função de qualquer outra, mas a verdade é que falo por mim e por qualquer motivo gosto muito desta edição, talvez  porque foi a primeira que consegui arranjar numa altura em que ainda não havia qualquer edição legítima da série.
Apenas não gosto de uma coisa. A minha cópia não contém nenhum genérico dos episódios e como tal aquela música da banda sonora não existe, pois todos os episódios estão colados e montados como se todos os mais de 600 minutos fossem tudo parte de um filme enorme.

No entanto, tenho lido que actualmente a minha própria edição já foi revista e corrigida e em muitos aspectos actualmente é bem superior á versão inicial que eu comprei há mais de cinco anos atrás, por isso se calhar até nem perdem muito em arriscar comprá-la se não tiverem problemas em adquirir um produto bootleg e a conseguirem ainda encontrar. Não confundir com edições pirata.
De qualquer forma no momento em que actualizo este texto (Agosto 2010) já existem disponíveis opções oficiais para comprarem.
O próprio realizador Miyazaki tem uma opinião curiosa a propósito desta distribuição não oficial dos seus filmes. Numa entrevista há alguns anos foi o primeiro a dizer que mesmo que ele não ganhe dinheiro com isso, o facto das pessoas distribuirem a sua obra significa que a longo prazo só lhe trará boa publicidade pois quem gostar mesmo dos filmes ficará interessado no seu trabalho e depois certamente quererá comprar as edições oficiais por causa dos extras e da melhor qualidade técnica.

Nota Importante: Provavelmente não será bem o caso com as edições Europeias de Conan, mas normalmente recomendo que tentem comprar qualquer edição Japonesa (ou oriental), porque no que toca aos trabalhos do Estúdio Ghibli, muitas edições ocidentais são regra geral baseadas nos “cuts” americanos da Disney e que ao longo dos anos se entreteu a “remover” alguns (largos) segundos das versões originais por estas aparentemente conterem coisas politicamente incorrectas que não seriam adequadas ás sensibilidades americanas.
Onde isto está por exemplo muito evidente é no que a Disney fez com a série “Conan Future Boy” quando passou na televisão, onde decidiram remover todas as cenas onde Conan e Jimsy formam uma amizade fumando juntos alguns cigarros e que pura e simplesmente foram cenas que os americanos nunca viram.
Practicamente todos os filmes do Estúdio Ghibli distribuídos pela Disney contêm ligeiras alterações, pequenos cortes e até segundo consta, alguns diálogos alterados para não ferir susceptibilidades das ciancinhas e dos paizinhos ocidentais, (leia-se “americanos”).
O exemplo mais recente disto, foram também os cortes na versão americana do “Princessa Mononoke”.

Em principio no que toca a esta série as edições europeias não devem conter cortes, por isso quem quiser uma lista das edições legítimas clique aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0077013/

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