Jungdok (Addicted) Young-hoon Park (2002) Coreia do Sul


Se há algo em que actualmente os Sul-Coreanos são definitivamente os melhores do mundo, é na minha opinião em criar as mais inesperadas e originais histórias de amor cinematográficas.
E mais uma vez, também [“Addicted“] não é excepção.

Mas atenção, se calhar importa desde já dizer que esta não é a normal love-story oriental que por muito dramática que seja acaba sempre por ter um cunho positivo e nos faz sentir bem, mesmo ficando tristes no final. Nada disso, [“Addicted“] é um caso á parte, pois devido ao seu conceito acaba por ser uma história não só particularmente deprimente como acima de tudo perturbante e até doentia.
Portanto, se vão á espera de um filme romântico, cheio de beleza e poesia, se calhar é melhor passarem á frente e irem ver por exemplo “Be With You“, “My Sassy Girl” ou “Il Mare” em vez de [“Addicted“].

[“Addicted“], é um genuíno “feel-like-shit movie” e portanto não é definitivamente um “feel-good-romance“. Estão avisados.
O que não impede que os americanos não se preparem já para também lançarem um remake made-in-Hollywood deste filme. O que para mim foi uma verdadeira surpresa, pois o original nem sequer foi propriamente um sucesso no oriente e para mais o filme tem uma aura negativa que me surpreende muito que alguém na América tenha agora achado que seria uma boa ideia fazer uma versão ocidental desta história.
A não ser que a entregassem ao David Cronenberg, aí sim, a coisa se calhar já teria toda a lógica, pois definitivamente se há algo que caracteriza [“Addicted“] é o facto de abordar um tema perfeito para o realizador Canadiano. Mas aposto que vão transformar este filme em mais um “Scream” com umas cenazinhas de suspanse daquelas com sustos de música ALTA quando o original usa em vez disso os silêncios angústiantes para criar suspanse nos arrepiar.
Aguardemos…
De qualquer maneira e já que a versão americana também vem a caminho, achei que seria interessante dar-lhes uma pequena ideia do original caso estejam interessados em espreitá-lo antes que a publicidade ao filme americano acabe por também arruinar a surpresa final de mais esta história de amor completamente original made-in oriente. Porque apesar de tudo, deprimente ou não [“Addicted“] não deixa de ser uma história de amor. Será que vamos poder dizer o mesmo do remake americano quando ele chegar ?

[“Addicted“], conta a história de dois irmãos que vivem juntos na mesma casa junto com a esposa do mais velho. O irmão mais novo é piloto de corridas automóveis e pouco tempo tem para compromissos românticos. Isto para desespero de uma sua amiga que está plenamente apaixonada por ele e que vê constantemente os seus avanços serem preteridos em favor do desporto pelo qual o rapaz está completamente viciado, preferindo a adrenalina dos motores á paixão de quem o ama.

O irmão mais velho é o oposto. É um artista de temperamento calmo que cria, obras de arte á volta da construção de mobiliário no seu estúdio privado e é casado com uma jovem promotora de eventos vivendo uma relação amorosa que dá o tom aos poucos momentos realmente românticos e bonitos do filme. Momentos esses que por um instante quase nos fazem crer que vamos ver o típico romance sul-coreano cheio de poesia. Isto até que dois acidentes acontecem.

Num determinado momento, os dois irmãos sofrem dois acidentes de automóvel ao mesmo tempo mas em locais diferentes, vindo o irmão mais velho a falecer e o mais novo a entrar em coma profundo durante meses.
Quando desperta, a jovem cunhada agora viúva, leva-o de regresso a casa, mas o rapaz já não é a mesma pessoa que era dantes. Perdeu todo o interesse pelos automóveis e aos poucos tanto a sua cunhada como a rapariga que continua a gostar dele começam a notar que o seu comportamento é bem mais estranho do que aquilo que seria de prever tendo em conta que ele acaba de recuperar de um coma profundo.
O rapaz tem agora todas as características do irmão mais velho falecido no acidente. Tem exactamente os mesmos tiques e trejeitos, começa também ele a trabalhar nas esculturas do irmão e uma certa noite apresenta-se á cunhada como sendo na realidade o seu marido falecido, pois segundo ele, o seu espírito na hora da sua morte não querendo perder o amor da sua esposa transferiu-se para o corpo do irmão em coma impedindo-o de também morrer e assumindo o corpo mais jovem para poder voltar para os braços da muher que tanto amava.

E mais não conto. Apenas posso dizer que daqui em diante, o argumento progride até ao seu habitual twist e que apesar de relativamente esperado é no entanto uma ideia realmente fantástica para uma história de contornos românticos muito negra e com uma boa pitada de ambiente sobrenatural á mistura.

Não há nada de errado com este filme, o argumento é excelente, os actores estão fantásticos e até contém algumas inesperadas cenas de sexo o que não é nada habitual em filmes românticos orientais diga-se de passagem.
Quanto a mim o único grande problema está na sua realização. Não que esta seja má, mas simplesmente o filme não fica na memória por mais nada a não ser pelo argumento. Afinal este realizador não é o Cronenberg e não filmou aquele tipo de filme que tenhamos vontade de rever pela combinação de elementos, atmosfera, poesia, fotografia, etc.
Na verdade [“Addicted“] esgota-se por completo numa primeira visão porque após nos ser revelado o twist final não há grande motivo para que nos apeteça voltar a colocar o dvd no leitor.
E o facto disto ser uma história de amor com uma aura particularmente negativa também não ajuda nada, embora ao mesmo tempo seja essa a grande originalidade e a força principal do filme.
Acima de tudo o grande problema aqui é a realização banal e quase em formato televisivo. Não há nenhuma sequência memorável, o filme não é composto de imagens inesquéciveis ou contém sequer qualquer coisa que nos faça ter vontade de o rever pelo prazer de ver cinema.
O estilo televisivo limita-se a servir a história, mas [“Addicted“] perde a sua identidade por ser tão banal enquanto trabalho cinematográfico, pois mais parece ter sido filmado para um canal de televisão-cabo do que para as salas de cinema.

Por isso, apesar do filme até ser bom e merecer ser visto pelo menos uma vez, não lhe posso dar uma nota muito alta, porque sinceramente não me cativou por aí além e não é um filme que volte a rever tão cedo, pois tirando a surpresa da história não tem muitos mais motivos que me atraiam para novo visionamento.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme que agarra pelo mistério e pelas excelentes iterpretações, da primeira vez que o vemos, mas o seu desfecho poderá ter um sabor demasiado negro e amargo para quem procura uma história de amor poética no estilo sul-coreano habitual. Vejam antes “Be With You“, “My Sassy Girl” ou “Il Mare“.
Duas tigelas e meia porque é muito interessante como história original, mas como filme precisava de ter ido mais além. No entanto, aqueles que gostam daquela aura doentia dos filmes de Cronenberg podem adicionar mais uma tigela á minha classificação porque poderão gostar mais do que eu gostei.

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A favor: o breve momento romântico do inicio com a habitual cena á chuva sempre presente no cinema do género sul-coreano, o mistério, o tom sobrenatural subliminar constante, o ambiente perturbante, o twist final, o conceito doentio da história, os actores.
Contra: realização sem fôlego banal e televisiva que acaba por tornar tudo o resto irrrelevante pois quando se conhece o final não há mais motivos para voltarmos a rever o filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WrQLwxnzncU

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-1-49-en-15-addicted-70-ox6.html

Pequeno update
Isto nas américas trabalha-se rápido…acabei agora de ver o trailer para a versão USA do filme e sinceramente não me parece totalmente má. Tirando desde já o facto de terem transformado um dos irmãos num gajo boé da mau com pinta de delinquente psicopata. Mas deve ser para que o filme possa entrar na linha dos habituais plásticos tipo “Scream” do Wes Craven , porque senão o público das pipocas nunca iria compreender o argumento se tivessem apresentado os dois irmãos como duas pessoas banais. E também deve ser para o público ver um vilão no trailer porque nos States um filme sem vilão é logo metade da receita nas bilheteiras.
O que acho uma idiotice terem feito esta mudança porque se isto é para ganhar suspanse na versão americana e meter umas perseguições a martelo, então mais uma vez Hollywood acabou de retirar uma das grandes forças do argumento original onde a história é construída ao redor de pessoas normais. A não ser que ser um delinquente estiloso na América seja tão banal que já passa por “boy-next-door”. Mas vamos lá ver o que isto vai dar…
Podem espreitar o trailer americano aqui http://www.youtube.com/watch?v=bPrFQv7ROzA

 

 

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