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Casshern (Casshern) Kazuaki Kiriya (2004) Japão

2 comentários


Este filme é um espectáculo…visual.

Pode resumir-se apenas numa palavra; espalhafatoso e desconjuntado.
Eu sei que foram duas palavras, mas da mesma forma que vocês notaram isso e a minha frase perdeu um bocado a sua lógica, assim é [“Casshern“] enquanto filme.
Está lá tudo, mas há qualquer coisa na sua construção que quase o afunda numa sucessão de sequências abstractas e desconjuntadas, quando a história que tenta (?) contar pedia uma narrativa mais coerente.

Visualmente o filme é absolutamente notável, embora também o seja de uma forma estranha, pois a sua estética é construída muito á base de um estilo visual que se poderia denominar Photoshop, pois todas as imagens apesar de impressionantes, são no entanto extremamente artificiais e digitalmente plásticas o que cria uma atmosfera única mas também aumenta a distância entre o espectador e a obra em questão, quando deveria ter acontecido precisamente o oposto.

Ao contrário do que se vê em obras como o “The Promise”, onde o estilo Photoshop suporta de verdade o filme, aqui temos apenas bonitas imagens mas nada que as acompanhe a nível humano para criar uma empatia com o espectador. Quem realizou [“Casshern“], parece estar mais interessado em exibir a sua espectacular estética digital do que propriamente em contar uma história e por isso por muito bonito que seja visualmente, falha em absoluto pois parece que os personagens só lá estão para que os designers tenham uns bonecos nas imagens porque lá tinha que ser e pouco mais.

Basicamente  [“Casshern“], passa-se num futuro em que a humanidade foi quase toda destruida por uma guerra que durou décadas e reduziu o mundo a duas facções.
Apesar da metade oriental ter ganho a guerra, o planeta Terra está quase todo reduzido a escombros pela má utilização de armas químicas, destruição da natureza, mutações genéticas e uma completa super-industrialização do globo onde coorporações fascistas formam o sistema de governo que domina tudo e todos.

Um cientista afirma ter encontrado uma forma de salvar o que resta da humanidade através de resultados que obteve nas suas pesquìsas de regeneração do corpo humano através de algo chamado neo-cells.
No entanto sem o apoio do governo, vê-se obrigado a aceitar o patrocínio de uma misteriosa facção militar para poder prosseguir o seu projecto pois acima de tudo, o cientista procura descobrir a cura para a doença da sua mulher, porque é a única pessoa que lhe resta na vida após ter também perdido o filho na guerra.
Só que um grave acidente tem lugar no laboratório e como resultado, centenas de corpos armazenados no seu interior voltam á vida, auto-proclamando-se neo-sapiens e unem-se para acabarem de vez com os seres humanos que culpam pelo estado em que deixaram o planeta.

Tentando reparar o seu erro, o cientista, faz com que também o seu filho morto na guerra volte á vida. Este ajudado por uma armadura técnológicamente avançada torna-se na única coisa entre os neo-sapiens e a destruição final da humanidade.
E tudo isto passa-se mais ou menos nos primeiros 25 minutos de um filme que conta com mais de duas horas e meia, por isso já estão a ver porque desta vez até contei mais da história do que costumo fazer.

É que na verdade, a primeira vez que vi  [“Casshern“], já estava completamente baralhado ao fim de hora e meia de filme e isto não me costuma acontecer. Não que a história seja particularmente complexa quando depois se pensa nela, mas numa primeira visão, este filme pode ser uma experiência ao mesmo tempo entusiasmante e extremamente confusa.
Isto porque o realizador no meio de toda a pirótecnia, parece que se esqueceu que  [“Casshern“], era suposto ser um filme e não uma sucessão de trailers de videogames para a Playstation.

É que a realização deste filme é tão caótica e desconjuntada que se assemelha mais a uma colagem de varios trailers para jogos de estilos completamente diferentes do que outra coisa qualquer.
Tenta-se contar uma história com peças que pura e simplesmente não encaixam porque parecem todas pertencer a projectos completamente distintos uns dos outros e por isso nem os extraordinários visuais deste filme o conseguem salvar de ser uma das experiências mais aborrecidas que me lembro de ter tido a ver um filme nos últimos anos.
Ganha definitivamente o prémio da pior montagem que me lembro de ver em muito tempo. Curiosamente a montagem também é da autoria do realizador, o que tem a sua lógica pois duvido que outra pessoa tivesse conseguido montar este filme com tanta peça solta.
Tendo em conta esse facto, se calhar o resultado final até é um milagre.

Se calhar como consequência disso, o trailer também dá uma ideia completamente errada do filme. Pela apresentação parece que  [“Casshern“], é um filme de aventuras cheio de sequências de acção mas na verdade em quase trés horas de duração não deve totalizar uns 15 minutos de cenas do género e é mais um (mau) drama high-tech sem alma do que própriamente aquilo que parece ser no trailer.
Não que o filme não contenha alguns momentos espectaculares, mas a ligação do espectador com os personagens por essa altura já é tão fraca que pouco importa o que apareça no ecran.
[“Casshern“], está cheio de cenas ambientais (com visuais absolutamente fantásticos) , que supostamente contam a parte humana da história, mas tudo isto acaba por se perder na confusão de estilos visuais que deixam o filme á deriva entre telediscos estilo Matrix mal editados e cenas intimistas de duração tão longa quanto o mais pretencioso cinema de autor possa exibir, o que dá ao filme dezenas de quebras de ritmo narrativo completamente desnecessárias nas alturas mais inesperadas.
Resumindo, não se deixem convencer pelo aspecto do trailer, pois  [“Casshern“], não é de forma alguma o filme que vocês podem pensar que é.

Posto isto, afinal  [“Casshern“],  é tão mau assim ?
Pois…não. Talvez.
Embora quando o vemos da primeira vez, possamos apanhar uma seca monumental até mesmo durante as sequências de acção. O realizador esforça-se tanto por meter estilo no filme a todo o momento que se esquece de que para isso ser realmente importante na história, precisaria de ter tido uma base coerente primeiro que definisse o tipo de filme que esta obra seria.
O filme não é chato porque tem falta de cenas de acção, porque elas têm uma estranha curta duração, ou porque não é um filme do género, mas sim porque tem uma narrativa tão desconjuntada que a partir de certa altura a história perde-se por entre tanto estilo e os personagens deixam de ter qualquer interesse para o espectador.
Por outro lado, tem os seus momentos interessantes pois não há que negar que visualmente é realmente uma obra fabulosa.
Ver este filme é como olhar durante mais de duas horas para quadros animados pintados em Photoshop e por muito mau que isto seja, a verdade é que não conseguimos tirar os olhos do ecran mesmo quando já nem nos importamos com nada do que lá se passa, pois o que queremos é ver que imagem bonita aparece a seguir.

Mas por causa disto, os personagens perdem-se por completo. A love-story não tem interesse, os vilões são mais ridículos do que ameaçadores pois são super-vilões num filme que não é de super-herois e as partes a piscar o olho ao estilo de filme Art-House são simplesmente metidas a martelo criando uma aura pretenciosa no filme que ainda lhe dá menos identidade e credibilidade do que já tem.
O que é pena, pois o filme é na sua essência uma verdadeira obra-prima completamente falhada e onde nem a extrema beleza (e algum romantismo) das imagens consegue salvar  [“Casshern“] de ficar muito aquém daquilo que merecia e deveria ter sido.

O filme supostamente é uma adaptação de um Anime clássico http://www.youtube.com/watch?v=bINVhDM3RpI mas tirando uma breve imagem do capacete original do heroi que aparece como cameo no filme, muito pouco resta da animação original.
Sendo assim, é bastante difícil de ser classificado, pois como filme practicamente não existe, mas por outro lado tem um certo fascínio.
Considerem-no uma espécie de filme do Ed Wood, se este tivesse meios digitais ao seu dispor.
É que [“Casshern“] poderá ser muito bem o “Plan Nine from Outer Space” do cinema digital contemporaneo. O que de certa forma justifica plenamente a aura de culto que tem á sua volta embora como filme não a mereça de modo nenhum.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se estiverem interessados em ilustração de FC, têm aqui um objecto de estudo incontornável dentro do cinema moderno do género e portanto  [“Casshern“] será de compra obrigatória.
Para o resto do público, estão por vossa conta. Arrisquem, pois pode ser que gostem mais dele do que eu gostei. E eu adoro ficção-cientifica.
Mas a verdade é que já tentei revê-lo várias vezes, mas nunca consigo passar da primeira metade pois mesmo com todo o seu visual este filme continua a aborrecer-me de morte.
Duas tigelas e meia porque nem sei bem o que dar. É que se calhar merece muito menos.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: o visual absolutamente criativo dentro de um estilo steampunk realmente original, algumas sequências de acção são espectaculares.
Contra: realização atroz, péssimo ritmo narrativo, filme estéril e sem alma, o estilo sobrepõe-se á história, as sequências de acção são minúsculas e com uma montagem anárquica, o estilo video-clip MTV de muitas partes do filme, fica a meio caminho entre o cinema-de-autor e o filme comercial de super-herois e falha em ambos os estilos, os personagens não agarram o espectador, quase trés horas é demais.

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NOTAS ADICIONAIS

Podem ver aqui o trailer, mas não acreditem muito no que vêem, pois o filme é muito diferente e não é de forma nenhuma o filme de aventura/acção que parece.
http://www.youtube.com/watch?v=JpUWsMzwpAA

Comprar
A edição que eu tenho tem uma caixa excelente de trés discos, que só encontram á venda aqui. Não tem legendas nos extras.
Mas se quiserem comprar o filme, podem escolher comprar a edição de dois discos ou a de um disco á venda na Amazon Uk a um preço excelente.

Opiniões adicionais:
http://sealedcurse.net/lithium/casshern/

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0405821/
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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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Autor: Alcaminhante

Chamo-me Luis, tenho 45 anos e sou desenhador gráfico/ilustrador de profissão. www.icreateworlds.net Trabalho essencialmente como freelancer em ilustração tradicional e também em criação gráfica destinada á internet. Também trabalho em Banda Desenhada e quem quiser ir buscar os pdfs grátis do meu livro "As Aventuras do Príncipe Ziph" , sigam para aqui: http://icreateworlds.net/banda-desenhada-quadrinhos-gratis Interesso-me essencialmente por cinema, literatura, fotografia e longas caminhadas ao ar livre o mais longe de centros urbanos possível. De preferência junto ao mar e em praias isoladas. Tenho actualmente um blog sobre Cinema Oriental, outro sobre Ficção-Cientifica e ainda um site sobre Marte que podem encontrar aqui: http://www.o-enigma-de-marte.info Espero que gostem das sugestões e voltem sempre. Luis

2 thoughts on “Casshern (Casshern) Kazuaki Kiriya (2004) Japão

  1. Olá.
    Primeiramente parabéns pelo blog!
    Eu particularmente gostei muito deste filme o que me levou a comprar o DVD original.
    Abraços e continue com os reviews.

  2. Esse filme é mto bizarro, ele cria uma expectativa e em seguida acaba com ela. Eu gostei bastante da estética steampunk, isso me deixou motivado até metade do filme, depois eu sofri para chegar até o final.

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