San Wa (The Myth – O Mito) Stanley Tong (2005) China


Não sou propriamente um fã de filmes com Jackie Chan, mas por outro lado se calhar a minha aversão ao actor tem mais a ver com a imagem que Hollywood criou dele do que propriamente com o seu real trabalho, pois reconheço que vi muitos poucos dos seus filme e o que vi foram aquelas comédias desmioladas da sua fase americana que espreitei ás vezes na tv.
Por outro lado sempre tive as melhores referências do seu trabalho no cinema oriental e como tal tenho grande curiosidade em espreitar os filmes feitos no seu país natal, coisa que estou a tentar fazer aos poucos, embora ainda com alguma cautela pois por mais que tente não consigo afastar a má imagem que tenho dele por causa da aura de palhaço que os americanos lhe criaram.
Por isso quando li, que Chan tinha um novo filme em que regressava ao cinema de Hong Kong, fiquei curioso. Ainda para mais porque as reviews espalhadas pela net, diziam que [“The Myth“] era uma lufada de ar fresco na carreira do actor e uma muito boa tentativa de se reinventar com a produção de um projecto de qualidade após tanto filme banal na América.

Resolvi espreitar também. Embora o tenha feito da maneira mais parva, pois fui estúpido o suficiente para comprar a edição portuguesa do filme, o que cedo me arrependi, pois o dvd português não contém a pista de som original em mandarim, mas apenas a dobragem em “americano”.
Mesmo assim, a primeira vez que vi o filme dobrado em “gringo” diverti-me como há muito não acontecia com um filme. Nem a dobragem ridícula em inglés conseguiu estragar [“The Myth“].

Sendo assim, se já tinha gostado do filme até dobrado, só podia adorar a versão original e portanto lá fui até á Play-Asia voltar a comprar o filme na sua edição a sério e curiosamente paguei menos pela excelente edição de trés discos asiática do que me custou a foleira edição gringa em Portugal, o que mais uma vez demonstra como compensa comprar dvds fora daqui.
Ainda por cima a edição chinesa, nem sequer se deu ao trabalho de incluir a dobragem em inglés o que só lhe ficou bem. Mas sobre isto falarei mais abaixo.
Voltando ao filme, se eu já tinha gostado dele a primeira vez que o vi, então da segunda vendo-o com a verdadeira pista de som [“The Myth“]  ainda me pareceu melhor, pois ganhou um tom ainda mais dramático porque afinal as vozes de alguns personagens não eram vozes de desenho animado o que deu logo uma vertente bem mais séria ao filme, embora isto não queira dizer que todo o conjunto não continuasse muito divertido.
Essencialmente este filme é um excelente filme de aventuras e isso não há dobragem que possa estragar.

Imaginem um cruzamento entre Indiana Jones, James Bond e o excelente filme oriental Hero e obtêm [“The Myth“] sem tirar nem pôr.
A isto juntem depois uns pózinhos de História Interminável com uma pitada de Tomb Raider (o jogo, não o filme) e a coisa ainda fica melhor.
É óbvio que sendo [“The Myth“]  um filme de Jackie Chan, era inevitável que tivesse as suas habituais acrobacias e momentos de humor baseados nelas, mas até nisso este filme é diferente, pois essas partes estão bem mais contidas (dizem), do que é habitual nos filmes dele e de certa forma acho que senti isso, pois todas as sequências estão lá mesmo para servir a história e não me lembro de nenhuma cena de luta que lá esteja de forma gratuíta…a não ser talvez um par de sequências que envolvem a actriz indiana Mallika. Mas se eu fosse o Chan, se calhar também arranjaria qualquer pretexto para continuar a gravar mais uma ou duas cenazinhas de contacto físico com a Mallika, se é que me entendem…

De qualquer maneira, fraquezas á parte, não há absolutamente nada neste filme que não seja divertido. A história divide-se em duas partes, uma é passada na época medieval e envolve a história de um general que se apaixona pela princesa que tem de proteger e a outra decorre actualmente e seguimos as aventuras de um arqueólogo que anda na pista de algo que o fará envolver-se mais com o passado do que ele esperaria.
É que um dos temas deste filme oriental é precisamente a reencarnação, como tal Jackie Chan interpreta os dois principais personagens neste caso o arqueólogo moderno e o general medieval.
E não vou contar mais para não estragar o prazer de descobrirem o argumento por vós próprios.
Não esperem um argumento muito sério, deixem o cérebro de fora da sala por duas horas e vão divertir-se muito certamente, especialmente se já sentem saudades de algo no formato de um Indiana Jones.

O que não quer dizer que o filme não tenha o seu lado dramático. Além do final incomum, a parte medieval é um contraste absoluto com a sequência moderna contemporânea e é aqui talvez a única falha “grave” deste [“The Myth“], pois a certa altura parece que estamos a ver dois filmes que não se conseguem misturar devido á diferença de tom narrativo entre as suas duas metades do argumento.
Enquanto que as partes estilo Indiana Jones são do mais divertido que possam imaginar com sequências de acção bem ao estilo de Chan a piscar o olho a Spielberg sempre num tom descontraído e muito bem disposto, já as sequências medievais adquirem um tom bem mais realístico e dramático ao bom estilo do drama romântico oriental, demonstrando até que Jackie Chan afinal é bem melhor actor do que parece á primeira vista, pois convence em absoluto enquanto general medieval com destino trágico marcado.

Se estas duas metades da história fossem dois filmes diferentes, tudo resultaria em pleno, no entanto estranhamente fazem parte de um único filme e não conseguimos evitar ficar com a sensação de que algo falha na maneira como os dois lados da história nunca se misturam bem, o que chegando ao final de repente temos a ideia de que a junção de tudo ficou um bocado forçada apenas porque era necessário terminar o filme com uma grande sequência de acção e efeitos especiais.
Não que na realidade me esteja a queixar muito, mas que [“The Myth“], é um filme diferente isso podem crer que é.

Mas não se preocupem, não será por causa de pequenos pormenores como este que o filme se torna um filme menor.
Aliás dentro dos filmes comerciais de puro entretenimento, [“The Myth“], deve ser das coisas mais divertidas e imaginativas que me lembro de ver pela frente em muito tempo. Afinal a quantidade de referências é tanta e a mistura de géneros é tão alucinante que é quase um milagre este filme não se ter descarrilado a meio e ter-se mantido tão coeso do princípio ao fim.
Nunca perde o fôlego, está constantemente a pregar-nos surpresas com a mistura de géneros, é divertido como poucos e ainda por cima consegue ter momentos sérios e românticos bem conseguidos.
E cor, este filme tem muita cor. Aliada a uma estética que embora não seja original, consegue ainda algumas imagens deslumbrantes, particularmente nas sequências Indianas.

Estou a tentar lembrar-me de algo verdadeiramente negativo para apontar aqui e não consigo.
Até a banda sonora é excelente.
Apesar de ser um filme híbrido, a verdade é que funciona plenamente enquanto filme de grande aventura, os efeitos especiais são um bocado á base de CGI plástico mas muito deslumbrantes, as paisagens são fantásticas e as cenas de comédia estão plenamente conseguidas, por isso o que se pode pedir mais ?….
Bem, que tal uma edição decente deste filme em Portugal ?…É que o original tem um som em DTS do c#$%&” meus amigos. Espectacular.  Seria agradável que edição portuga se tivesse lembrado disso.

De qualquer maneira passemos á frente.
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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar de lhe faltar aquele toque especial, [“The Myth“], é no entanto uma verdadeira surpresa e um excelente filme de aventuras dentro do cinema oriental para quem gosta de temas sobrenaturais com cheirinho a Indiana Jones.
Deixem o cérebro descansar e divirtam-se.
Quatro tigelas de noodles porque apesar de tudo a realização é muito corriqueira e nunca consegue elevar o filme a um nível que merecia ter tido.
Mas não pensem que isto é apenas uma cópia banal dos formatos americanos de aventura, pois há muito mesmo de cinema oriental neste filme.
Muito bom.

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A favor: o estilo Indiana Jones, o feeling de aventura clássica, as cenas de acção com comédia integrada, as cenas de acção e batalha dramáticas nas sequências no passado, a grande imaginação visual em alguns momentos, bom design de produção, o tom dramático e romântico de uma das metades da história, a fotografia que brilha em alguns momentos inspirados, a overdose de efeitos especiais imaginativos apesar do cgi simples, a banda-sonora, o final pouco usual num filme deste estilo.
Contra: as duas metades da história nunca se ligam como deveriam, o realizador nunca consegue criar uma identidade visual própria como este filme merecia apesar dos seus bons momentos, o vilão moderno é demasiado cartoonesco para ser levado a sério e por isso nunca há suspanse na sua ameaça, a Mallika aparece sempre com roupa a mais e não entra durante o filme todo. 😉

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer Chinês
http://www.youtube.com/watch?v=iosEqVfHESg
Trailers Americanos (mas será que ninguém dá um tiro neste announcer?) 🙂
http://www.youtube.com/watch?v=tcK1vl36dUs
http://www.youtube.com/watch?v=1pSc0czs0yM&feature=related

Se estiverem interessados em comprar este filme, recomendo que evitem a todo o custo a edição portuguesa que além de apenas conter o filme dobrado “em americano” e não trazer a versão original, ainda por cima tem uma única pista de som apenas em stereo 2.0, quando deveria trazer um 5.1 normal e um DTS fantástico tal como acontece nas edições fora do nosso país.
Mais uma vez em Portugal editam-se os filmes orientais ao calhas apontados aos cestos de promoções de hipermercados e não se investe numa promoção a sério dos mesmos que poderia trazer muito mais público á descoberta deste cinema.

A dobragem em inglés é do piorio o que adiciona algum humor não intencional a muitos dos momentos do filme, pois algumas das vozes parecem saídas de um desenho animado. Por causa disso, na versão dobrada em inglés, o amigo do heroi parece muito mais palhaço do que na realidade é.
Na pista de som original em chinês a sua personagem tem um cunho bem mais sério do que parece por causa da ridícula dobragem americana.
Sugiro a compra da mesma edição mas na sua versão completa como deveria ter chegado a Portugal e não chegou e que podem encontrar como habitualmente na Play-Asia.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-6w-49-en-15-the+myth-70-yvv.html

Em alternativa já existem também boas e baratas edições á venda na Amazon Uk em DVD e/ou Blu-Ray.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0365847/

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Filmes semelhantes que lhes poderão interessar:

A Chinese Tall Story Shinobi The Promise

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One thought on “San Wa (The Myth – O Mito) Stanley Tong (2005) China

  1. Olha eu amo muito este filme do Jackie. A música que ele canta com a princesa é muito bonita. Meu irmão e eu somos apaixonados por este filme.

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