Hinokio (Hinokio) – Takahiko Akiyama (2005) Japão


A primeira coisa em que pensei quando vi o trailer de [“Hinokio“],  foi que este seria mais um clone de E.T. o Extra-Terrestre, talvez  com uma pitada de Short-Circuit e um cheirinho de A.I. Inteligência Artificial.
No entanto o filme veio a revelar-se mais um cruzamento juvenil entre, Stand By Me e um Matrix(?!) infantil por ter algumas sequências passadas num mundo virtual semelhante ao do World of Warcraft.
Eu explico.

A história é sobre uma criança que num futuro próximo, sobreviveu a um acidente de viação onde a sua mãe morreu e do qual ele escapou ileso mas muito traumatizado psicológicamente.
Por causa disso Satoru recusa-se a enfrentar o dia-a-dia e mantém-se no seu quarto completamente isolado do exterior tendo apenas contacto com o mundo através da internet e do seu avatar mecânico. Um robot muito sofisticado que na práctica é usado como interface virtual permitindo que o menino frequente a escola e tenha uma vida virtual o mais normal possível.
Isto enquanto o seu pai, um cientista reconhecido tenta em vão fazer com que Satoru recomece a viver. No entanto mesmo ele não consegue esquecer a perda da mulher ou falar cara-a-cara com o filho sobre o assunto, comunicando com Satoru também pelo robot-avatar.

Portanto [“Hinokio“], não é um filme oriental sobre inteligência artificial e muito menos sobre um robot que deseja ser um menino, pois o robot do titulo é uma marioneta sem vontade própria e apenas responde aos comandos mentais do seu utilizador.
O que logo á partida dá um cunho bastante original e temático ao filme pois apesar de ser um filme para pré-adolescentes, não é no entanto o habitual filme vazio que se poderia esperar se isto tivesse sido uma produção americana cheia de valores familiares atirados á nossa cara.
[“Hinokio“], é bem mais do que isso e poderá ter várias leituras consoante a faixa étaria de público que vir o film, o que só lhe fica bem tendo em conta os verdadeiros desastres que são normalmente os filmes para o público mais jovem.
Durante a história abordam-se por exemplo, temas como a solidão, o isolamento, o amor e a amizade e de que forma o contacto humano será sempre essencial apesar da técnologia permitir cada vez mais as relações virtuais á distância. Uma abordagem ligeira mas sempre interessante que dá logo ao filme uma dimensão mais adulta do que seria de esperar.

No entanto [“Hinokio“], não é o filme asiático que poderia ter sido. Muito por culpa do argumento que parece pertencer a dois projectos diferentes e sente-se sempre que houve muita dificuldade por parte do realizador para misturar duas partes da história que nunca resultam bem por estas serem tão diferentes entre si até mesmo estéticamente na forma como os dois mundos são representados visualmente no ecran.
É que além da história base com o robot, existe uma outra narrativa paralela sobre um jogo virtual chamado metafóricamente “Purgatory” que Satoru joga ao longo do filme e que constantemente interrompe aquilo que o espectador está a seguir para mergulhar-nos num outro conjunto de regras que só servem para que a meio da história aquilo que seria a força do argumento principal se dilua numa mistura de filosofia new age misturada com conceitos cyberpunk completamente desnecessários e mal desenvolvidos.
E o pior é que depois se tenta ligar o que se passa no mundo virtual do jogo com a vida real do protagonista e a coisa no final, não só sai um bocado forçada como também quase destroi o humanismo do conceito inicial do filme.

Felizmente que o final recupera a emotividade e a ligação ao espectador com a resolução da relação entre os protagonistas mas mesmo isso não é o suficiente para evitar que saiamos deste filme com a sensação de que alguém, algures estragou uma coisa que poderia ser especial e simplesmente não o foi porque se tentou introduzir demasiados conceitos num [“Hinokio“] que não precisava mais do que a premisa inicial.

Mas isto não quer dizer que o filme seja mau. Tomara que existissem mais filmes juvenis como este.
Apenas não deslumbra nem fica na memória para além do robot e é pena.
Mas se o virem, no entanto não darão o vosso tempo por perdido, porque na verdade é um filme inteligente, muito bem interpretado e técnicamente fabuloso no que toca á representação realística do robot-avatar.
Na verdade, acho que Hinokio é o robot mais realistico que me lembro de ver no cinema nos últimos anos e só por ele vale a pena ver o filme. Certamente que os seus criadores usaram todos os truques cinematográficos e mais alguns para lhe dar vida e realmente conseguiram criar um trabalho extraordinário que mereçe ser admirado. A meio, já nem nos lembramos que estamos a ver um efeito especial e olhamos para o robot como mais um personagem “de carne e osso” o que é um dos grandes trunfos de [“Hinokio“].

Além disso a parte humana da história está muito bem conseguida e realmente ficamos a gostar dos personagens, chegando ao ponto curioso de nos identificarmos mais com a relação dos dois protagonistas enquanto o robot está em cena do que isso acontece quando estamos a ver os dois humanos a interagir, o que não deixa de ser um espelho da própria temática do filme.
E o filme está cheio de pequenos pormenores que lhe dão vida.
A relação dos personagens está bem trabalhada e o suave triangulo amoroso é uma ideia bem apresentada quando Satoru se apaixona por uma coleguinha.

Sendo assim:

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CLASSIFICAÇÃO:

É um bom drama ligeiro que embora não deslumbre, está assente na parte de ficção-cientifica de forma inteligente, isto no que toca ao robot e vale por isso a pena ser visto pelo menos uma vez, tanto por quem gosta de filmes românticos, de filmes juvenis ou de ficção-cientifica.
Leva por isso trés tijelas e meia de noodles com alguma pena pois tinha tudo para ser um filme especial mas na minha opinião ficou a meio caminho. Talvez na sequela.

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A favor: o robot é extraordinário enquanto efeito especial e enquanto personagem, a química entre os protagonistas, a sensibilidade de alguns momentos na história, o estilo cute japonês que nunca se torna foleiro ou exagerado, o tratamento sério de alguns temas suavemente apresentados, o facto de poder ter muitas leituras dependendo da idade do espectador, bom exemplo dum filme de ficção-cientifica juvenil, os momentos finais da história.
Contra: a parte paralela sobre o jogo virtual completamente desnecessária e totalmente deslocada do resto do filme, a temática new age metida a martelo no filme para tentar ligar duas metades que não precisavam de existir, poderia ter tido uma ligação mais emocional com o espectador.

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NOTAS ADICIONAIS:

Uma boa compra para juntar a uma boa colecção de ficção-cientifica e por isso não perderão nada se também comprarem isto da próxima vez que encomendarem outro filminho oriental. Até porque está barato actualmente e tudo.
Para quem estiver interessado em adquirir o filme sugiro a minha edição.
Excelente som DTS mas sem extras.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-70-15u5.html

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WX_9uuD0nUM

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0466375/

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