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Posts Tagged ‘história romântica’


No outro dia ao desiludir-me bastante com “Red Cliff“, lembrei-me que este era bastante semelhante a outro titulo mais antigo que eu tinha comprado há anos mas de que ainda não tinha falado aqui, pois por qualquer motivo é um daqueles dvds que nunca mais tinha revisto e como tal, decidi tirar o pó do disco a ["Battle of Wits"] porque esta é mesmo a altura certa para falar deste filme no blog até por uma questão de comparação entre títulos semelhantes.

Tanto “Red Cliff” como ["Battle of Wits"] são filmes de guerra semelhantes, porque essencialmente assentam mais sobre as estratégias de guerra, tácticas de movimentação de exércitos, planos de combate e intrigas políticas ou palacianas do que própriamente sobre herois e heroínas que vivem aventuras em mundos Wuxia ou de ambiente medieval e como tal são filmes com uma estrutura muito parecida.

Em ambos os casos, temos dois exércitos em confronto que se analisam um ao outro e onde a maior parte das cenas se passam naquela guerra de muralhas e paliçadas onde as estratégias de invasão se sobrepõem á sequências de acção pura e simples.
Também a nível de personagens os filmes se tocam pois tanto “Red Cliff” como ["Battle of Wits"] contam com os inevitáveis generais caracterizados da forma habitual, com os guerreiros heroicos em estilo solitário, grandes estrategas militares, imperadores decadentes ou corruptos e claro, com a miúda gira da história que neste caso também é muito boa a andar á bulha pelo meio das cenas de batalha, pois é uma oficial de cavalaria.

Achei portanto, que tanto “Red Cliff” como ["Battle of Wits"] poderiam ter sido o mesmo filme. Se se trocassem os cenários e o guarda roupa, provavelmente o resultado teria sido o mesmo nos dois filme e ambos manteriam a sua identidade apenas por causa de um grande pormenor que os distingue.
["Battle of Wits"] ostenta muito menos opulência visual que “Red Cliff” e como tal não tem aquele sabor a grande épico cinematográfico que exala por todos os frames desse filme e que tornou a obra de John Woo imediatamente muito menos interessante na minha opinião; apenas porque por detrás de tanto estilo visual espantoso tudo aquilo sempre me pareceu demasiado plástico e como espectador nunca consegui entrar naquele mundo pois tudo me pareceu fabricado para cinema e muito pouco real.

Algo que não me aconteceu de todo agora em ["Battle of Wits"].
Ainda o filme não tinha começado á dez minutos e já eu me tinha esquecido que estava a ver um épico cinematográfico. Isto porque pura e simplesmente, nada em ["Battle of Wits"] nos lembra que são cenários contruidos para um filme e nada no estilo visual chama constantemente a atenção para o que aparece no ecrã.
Acompanhar ["Battle of Wits"] é como espreitar por uma máquina do tempo e contemplar o passado; ter acompanhado “Red Cliff” para mim foi como estar a desfolhar um livro sobre design e construção de cenários para cinema. Por muito que eu tenha adorado o fantástico estilo visual do filme de John Woo prefiro mil vezes a contenção estética de ["Battle of Wits"] e o estilo completamente natural dos ambientes e arquitecturas pois transportam o espectador para o passado. Não o deixam do outro lado da televisão a contemplar ambientes gráficos quando estes deveriam servir os personagens e não gritar – superprodução cinematográfica – a todo o instante.

Portanto, em comparação, nota alta para ["Battle of Wits"] logo por este início. Tudo nesta história parece visualmente real e quem gostou da estética realística e crua de Musa the Warrior tem aqui um filme muito semelhante gráficamente falando que  irá certamente agradar a quem procura este tipo de atmosfera visual.
Infelizmente a nível de argumento, também ["Battle of Wits"] é um daqueles filmes que me custa bastante a absorver, mas isto é uma questão de gosto pessoal pois como já referi em posts anteriores, o género de intriga politica e palaciana é algo que me aborrece de morte. Portanto para mim foi muito dificil arrastar-me pelos primeiros vinte minutos deste filme.

No entanto a sua atmosfera cativou-me e cedo também os personagens se começaram a delinear bem mais interessantes do que em por exemplo, mais uma vez “”Red Cliff“.
Não quero parecer estar aqui a ser muito duro com o filme de John Woo até porque gostei do que vi, mas é impossível não compará-lo com ["Battle of Wits"] pois são bastante semelhantes temáticamente e estruturalmente e como tal em termos de gosto puramente pessoal eu penso que esta produção bem menos extravagante é muito mais interessante.

Muita gente em reviews na net critica um pouco os personagens deste filme por causa de serem um bocado estereotipados e parecerem apenas ter sido criados para fazer brilhar as estrelas Pop chinesas que pelo visto entram nisto. Eu como não conheço nenhum destes gajos que entram nos papeis secundários, por mim estão todos muito bem e nem me pareceu sequer que o personagem do soldado arqueiro tenha sido criado para imitar o “Elfo Legolas” do “Lord of the Rings” embora perceba a razão de muita gente referir essa sensação pois o seu papel e dinâmica em ["Battle of Wits"] pode ser semelhante.
Como no entanto, a mim nem me pareceu que isto estrague própriamente o filme por mim que se lixe e passa á frente.

Coisas boas. ["Battle of Wits"] tem muito ambiente e conta com além de Andy Lau sempre seguro, também com o carismático actor sul-coreano que vocês vão reconhecer de “Musa the Warrior” onde personificava o velho e sábio guerreiro veterano e que neste caso faz de general invasor.
Se bem que este filme também seja cativante pelo facto de não ter herois e vilões mas sim, tal como em “Musa the Warrior“, apenas guerreiros em facções politicas opostas e sobre este detalhe ["Battle of Wits"] conta com uma simples e fascinante cena em frente da fortaleza cercada, onde os dois oponentes se encontram cara a cara e que define todo o tom da história; onde a haver vilões, estes serão claro está, os políticos que tudo manobram nos bastidores e que causarão mais mortos e tragédia do que quem faz a guerra por eles, o que não deixa de ser uma mensagem subliminar sempre interessante neste tipo de histórias.

E por falar em cenas de guerra, não só todas as batalhas têm um tom de guerra fascinante como ao vê-las nem me lembrei que estava a ver cenas coreografadas para um filme. Bem ao contrário do que me aconteceu em “Red Cliff” onde além de as cenas de invasão da parte final terem sabido a pouco e nem sequer terem sido particularmente impressionantes a nível criativo tudo me pareceu apenas guerra cinematográfica a todo o instante; coisa que nunca me aconteceu notar agora em ["Battle of Wits"].

Não só todas as cenas de invasão são muito variadas, como a nível de argumento as ideias para estratégias e planos de guerra são todas muito criativos e até bem surpreendentes em alguns momentos. E o melhor é que tudo isto é conseguido sem dar a impressão que estamos apenas a ver um filme, o que quanto a mim é o melhor trunfo que um épico histórico pode ter. Conseguir transportar o espectador para o passado e ["Battle of Wits"] consegue-o bastante bem na minha opinião.

A nível de história, não será propriamente algo tão interessante assim, e neste campo talvez até “Red Cliff” tenha tentado ser melhor e ir mais longe, mas ["Battle of Wits"] é essencialmente um filme sobre estratégias militares e sobre um combate de teimosias entre dois comandantes em ambos os lados da paliçada. A tal “battle of wits” que não tem uma verdadeira correspondente tradução directa na nossa lingua, mas que também se poderia traduzir por algo como “guerra de determinação” ou algo semelhante, pois é esse o coração do filme na sua essência.
["Battle of Wits"] é um filme sobre dois homens, sobre os poderes que estão á sua volta e sobre o facto de só um deles poder sair vencedor de uma guerra que na verdade não tem qualquer sentido a não ser o de cimentar a sua honra e reputação ao melhor estilo filme de guerra medieval chinés.

Tudo gira á volta da invasão e defesa de uma cidade e tudo tem a ver com guerra, estratégia e politica, mas ["Battle of Wits"] tem ainda tempo para dedicar algumas sequências á inevitável história de amor. Neste caso, talvez mais para abrir o filme ao público feminino do que propriamente para criar algo memorável dentro do género romântico em filmes de guerra.
Por exemplo não encontrarão aqui a assumidamente romântica história de amor de “An Empress and the Warriors“, mas mesmo assim quem procura um toque de romantismo ao melhor estilo cinema oriental, penso que também irá ficar satisfeito com o que ["Battle of Wits"] tem para contar neste aspecto.
Tudo muito breve, mas resulta bem e humaniza o personagem de Andy Lau que até então mais parecia uma espécie de Obi-Wan-Kenobi da estratégia militar pois faz parte de uma ordem de guerreiros quase mística e do qual nunca se sabe muito ao longo de todo o filme.

As cenas românticas, são sempre muito secundárias e complementam bem toda a conversa estratégica, política e militarista do resto do argumento e ainda bem que os criadores deste filme as incluiram, porque conseguem criar uma carga de grande suspanse adicional no segmento final da história que agarra o espectador ao ecrã mesmo sem notarmos que não conseguimos desviar o olhar desses momentos. O desenlace romântico não foge muito ao habitual mas acaba também por transmitir um tom poético ao final de ["Battle of Wits"] o que é sempre bem-vindo.

Consta que isto é a adaptação de um Manga muito popular no Japão, mas como eu não o conheço nem nunca o li, não posso tirar grandes considerações sobre o mesmo. Por outro lado também acho que nem interessariam muito, pois mesmo que isto nem sequer seja uma grande adaptação da banda-desenhada, quanto a mim é um dos filmes mais interessantes de guerra em estilo super-produção que saiu da China recentemente e nesse aspecto bem mais carismático que “Red Cliff” sem precisar de tanta opulência gráfica para ser notado e apreciado.

Quem procura um épico de guerra chinés, penso que irá gostar bastante.
Na minha opinião, ["Battle of Wits"] talvez tenha duração a mais e não lhe fazia mal ficar sem uns quinze minutos talvez, isto porque se repete um pouco quando não há muito mais para dizer sobre honra, dedicação e patriotismo sem começar a tornar-se mais do mesmo. No entanto, como a história romântica intercala bem tudo o resto a coisa equilibra-se e não será por aqui que o filme perderá grandes pontos. Apenas poderia ter tido uma montagem mais dinâmica talvez.

Penso que irá agradar a quem procurar cenas de guerra medieval com grandes exércitos. As batalhas são muito variadas e divertidas, mesmo quando não são espectaculares. Neste campo é onde se nota o melhor do trabalho do realizador, pois penso que ele é fantástico a gerir toda a movimentação de figurantes e a transformar o pouco em muito.
Consegue algumas cenas bem espectaculares e acima de tudo divertidas pois são bem entusiasmantes ao longo de todas as cenas de guerra e quando um filme é essencialmente composto por cenas de batalha e pouco mais é notável como se consegue manter sempre equilibrado sem se tornar monótono.

Por outro lado, ["Battle of Wits"] não é um daqueles filmes de guerra com milhares de figurantes a lutar em cenas de exércitos gigantes no meio de planícies ou algo assim. É um filme de guerra de cerco e que se calhar já merece ser classificado como um sub-género dentro do cinema deste estilo.
Em vez de cenas épicas com milhares de figurantes temos cenas muito dinâmicas com algumas centenas de gajos a matarem e morrerem de todas as formas e mesmo assim, uma cena de cinco minutos de guerra deste filme tem mais entusiasmo do que quase duas horas de  “Mulan” o que já não é mau de todo.

Por falar em mau, ["Battle of Wits"] só tem uma coisa péssima.
Os maus efeitos digitais quase que arruinam algumas das cenas de batalha. Sejam a mostrar exércitos com soldadinhos feitos em CGI a marchar algo amadoramente em termos técnicos no que toca a animação, seja em muito fogo digital ou ainda em sequências inteiras com homens e cavalos tudo muito mal integrado na acção, por momentos ás vezes parece que ["Battle of Wits"] poderá tornar-se mesmo bastante foleiro e piroso quando tenta ser espectacular.
O que vale é que se calhar muita gente nem vai notar, pois felizmente são poucos e breves. Além disso a variedade do que acontece nas batalhas também contribui para distrair bastante o espectador e como tal penso que não se deve penalizar muito este filme por isto também.

Também poderia ter tido mais sangue. Num filme de guerra com tanta acção corpo a corpo e sequências em estilo cru com alguma violência tem muito pouca gente cortada aos bocados e practicamente nenhum sangue a espirrar; o que não deixa de ser estranho pois retira-lhe logo algum do dramatismo que poderia ter tido nas cenas de guerra. Se ás vezes sentirem que falta qualquer coisa no meio de tantas cenas de acção, já sabem. Falta sangue, pois surpreendentemente ["Battle of Wits"] é uma produção bastante politicamente correcta quando comparada com outras coisas semelhantes como “The Warlords” ou “Musa the Warrior“.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será propriamente o meu filme de guerra medieval chinês favorito, mas é uma boa alternativa a quem procura um bom épico neste estilo e gostou da atmosfera visual de por exemplo, “Musa the Warrior“.
Tem atractivos suficientes para divertir e é bem mais variado e épico que “Mulan” por exemplo sem sequer se esforçar por sê-lo. E aposto que irá agradar muito a quem procura um bom filme de guerra onde a estratégia de batalha é o centro da história e terá ficado tão desiludido com “Red Cliff” quanto eu fiquei.
Sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles porque é mesmo muito bom e só não leva mais porque achei que tem duração a mais e arrasta-se algo pelo meio.

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A favor: excelente ambiente cénico pois nem nos lembramos que são cenários construídos para um filme, boas e muito variadas cenas de batalha com estratégias de combate divertidas e imaginativas além de muitas vezes serem empolgantes, excelente realização particularmente na gestão das cenas de acção e na forma como as narrativas se cruzam, os personagens não são originais mas são na sua grande parte muito carismáticos, dois excelentes actores como antagonistas, é um filme de guerra com alma e muito para dizer mesmo subliminarmente, boa e simpática história de amor que ainda consegue arrancar um excelente momento de suspanse na parte final.
Contra: tem duração a mais e talvez se repita em alguns pontos já antes abordados, arrasta-se um bocado a meio da sua duração, os efeitos digitais são muito fraquinhos mesmo em alguns momentos, os personagens poderiam ter sido mais originais embora eu compreenda que isto não seja nada fácil de fazer, falta-lhe sangue pois tem carnificina aos montes mas é demasiado politicamente correcto no uso de cenas gore e nem tem sequer uma decapitaçãozinha nem nada, é um bom filme mas não lhes ficará na memória pois falta-lhe qualquer coisa para ser realmente fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WdX_cNu9dCw

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0485863

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Nunca pensei começar uma recomendação de um filme oriental dizendo isto, mas…
Quem adorar a obra literária de Gabriel Garcia Marquez, nomeadamente livros como “O Amor em Tempos de Cólera“, ou porque não, “Cem anos de solidão“, vai adorar ["Tears of the Black Tiger"].

Agora é que me meti mesmo em sarilhos pois vai ser muito complicado explicar o que quero dizer com isto, mas sinceramente espero que algum produtor coloque os olhos neste realizador e o obrigue a fazer um novo remake para cinema de “O Amor em Tempos de Cólera“, ou até mesmo uma adaptação de “Memórias das minhas putas tristes“.
Até pode ser tudo transposto em termos de ambiente para a Tailândia que irá ter mais alma, poesia e atmosfera “Marqueziana” genuína do que a última tentativa em piloto automática saida de Hollywood para adaptar o primeiro romance.

E explicar o que quero dizer ainda se torna mais complicado, se eu lhes disser agora que ["Tears of the Black Tiger"] é uma espécie de romance que o Garcia Marquez nunca escreveu mas que poderia ter escrito se as suas histórias também metessem cowboys tailândeses pelo meio.
Confusos ? Eu não.

Logo desde os primeiros segundos ["Tears of the Black Tiger"] remete para uma atmosfera totalmente Garcia Marquez, o visual clássico da protagonísta de características étnicas ocidentais, o ambiente cénico a fazer lembrar aquela arquitectura colonial presente nos romances do escritor, as cores e os estimulos visuais que poderia ter sido decalcados de obras como “Cem anos de solidã0” e até o sentido de humor no estilo em que está presente em “O Amor em tempos de cólera“, tudo me fez ter a sensação de que estava a assistir no ecran á melhor adaptação de um livro que Garcia Marquez nunca escreveu e o resultado não poderia ter sido melhor.

Depois de eu ter visto tanto filme mau saído da Tailândia nos últimos tempos, a maioria tão má mas tão má que nem mereceram sequer que eu os mencionasse aqui pois nem zero tigelas de noodles lhes atribuiria, não deixa de ser fascinante para mim quando agora os dois melhores filmes que vi este ano (e em muito tempo), sairam não só da Tailândia como ainda por cima foram criados pelo mesmo realizador-argumentista !!!
O criativo Wisit Sasanatieng que entrou já directamente para a minha lista de realizadores favoritos por causa de dois filmes.

E ainda não quero crer que ["Tears of the Black Tiger"]  me passou ao lado estes anos todos apesar de já ter sido filmado em 2000 !!!
Não fosse a minha recente descoberta de “Citizen Dog” e certamente não iria reparar tão cedo nesta obra incrivelmente original e emocionante a todos os níveis.

["Tears of the Black Tiger"] visualmente é absolutamente fascinante. Tem uma estética artificial quase teatral mas onde tudo foi construído tradicionalmente através de cenários, efeitos gráficos e pinturas, o que lhe dá uma atmosfera extranhamente natural apesar do histerísmo visual de practicamente todas as cenas e lhe confere um efeito muito menos plástico do que veio depois a acontecer em “Citizen Dog” onde tudo foi criado digitalmente.

O filme resulta em muitos níveis. Como drama romântico é genial. Ou melhor, diria mesmo, como tragédia romântica é genial, pois vai buscar aquele estilo melodramático totalmente over-the-top dos romances de cordel dos anos 30 e 40 e mistura tudo com a maior quantidade de clichés do Western mais puro num resultado final absolutamente surpreendente por muitos e variados motivos.
E ainda por cima enquanto filme de acção tem momentos clássicos a fazer lembrar o melhor e mais cru do trabalho de realizadores como Sam Peckinpah ou Samuel Fuller de uma forma divertidissima.

["Tears of the Black Tiger"] está cheio de tiroteios e baldes de sangue por todo o lado, o que o torna na primeira história de amor intensamente romântica com cenas gore absolutamente geniais, (vão adorar a bala pelos dentes).
Enquanto história de amor é fabuloso, não só visualmente como tem muita alma e poesia pelo meio e nem o seu estilo totalmente melodramático em tom histérico de fazer chorar as pedras da calçada lhe retira o mérito de ser uma das melhores histórias de amor orientais que poderão encontrar. Muito pelo contrário.

Enquanto filme de porrada, ou melhor, enquanto filme-de-cábois é totalmente divertido. Não só a violência é estupidamente intensa a todo o instante embora totalmente cartoon, como está filmado num estilo que anda por ali algures entre os Westerns do final dos anos 60 e o cinema-exploitation do meio dos 70.
Muito daquilo que vocês viram Robert Rodriguez tentar recriar agora recentemente em filmes como Planet Terror ou até mesmo Machete já está aqui reproduzido em ["Tears of the Black Tiger"] de uma forma totalmente genuína para nos surpreender e divertir.

Curiosamente o filme apesar de parecer ser uma espécie de dois-em-um com duas partes totalmente separadas que poderiam ser filmes isolados por si só, a coisa resulta plenamente quando a história de amor se junta ao western tailandês no acto final da história.
Até lá parece que estamos a ver dois filmes diferentes ao mesmo tempo, inclusivamente com tratamentos visuais ligeiramente diferentes.
Em ["Tears of the Black Tiger"] acompanhamos a história de amor no seu estilo telenovela melodramática em ambiente colonial por um lado mas também um western-exploitation em modo ultra-violento. E não é que tudo isto resulta ?!

Visualmente, que já viu “Citizen Dog” e gostou, então vai adorar ["Tears of the Black Tiger"]. Desde os enquadramentos até ao tratamento de cor, tudo neste filme está no ecran para nos maravilhar e fazer entrar num mundo de fantasia muito próprio e incrivelmente único onde as referências clássicas abundam e nos obrigam a voltar ao filme por muito mais vezes só porque nos escaparam detalhes á primeira.
O estilo western-chunga é genial e o uso do technicolor dos anos 50 para a história de amor tem resultados não só intensamente românticos como visualmente fabulosos. A cor na cena da praia por exemplo está extraordinária.

Em termos de história, haveria bastante para contar, mas como não quero estragar o prazer da descoberta acho que mais uma vez basta apenas referir que quem gostou de livros como “O Amor em tempo de cólera” vai curtir muito ["Tears of the Black Tiger"]. Garanto-vos.
Não terá a complexidade de argumento de um romance de Garcia Marquez mas tem uma alma e acima de tudo uma poesia semelhante, tanto em visual único e extraordinário como no próprio coração emocional da história.

Quem quiser ver um filme de porrada completamente estilizado a fazer lembrar o melhor cinema chunga surpreendentemente vai encontrá-lo no meio de uma história de amor cheia de atmosfera.
Quem procura uma história de amor cheia de atmosfera surpreendentemente vai encontrá-la no meio de um filme cheio de tiros, bocados de pessoas a saltar por todo o lado e violência gratuíta quanto baste.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos filmes românticos mais originais saidos da ásia que me apareceram pela frente até agora, até porque tem um estilo visual absolutamente clássico ao mesmo tempo que mete baldes de sangue e bocados de pessoas a saltar por todo o lado. O mais incrível é que consegue criar uma história de amor com que nos importamos e consegue misturar dois géneros de filmes que nunca chocam nem parecem metidos a martelo.
Absolutamente notável em todos os sentidos e um dos filmes mais originais neste blog.
Nunca viram nada assim.
Cinco tigelas de noodles e um golden award porque é realmente surpreendente e muito criativo.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: um visual fabuloso, personagens com que nos importamos, boa história de amor totalmente melodramática mas perfeitamente adequada, parece um livro do Gabriel Garcia Marquez se este escrevesse histórias com cowboys e baldes de sangue passadas na Tailândia, a fotografia estilo technicolor na sequência da praia, é muito divertido, tem cenas gore e gente cortada aos bocados, tem muita alma e é um exercicio de poesia visual, consegue ser cómico emocionante e dramático ao mesmo tempo que tudo resulta num filme completamente coerente, é de fazer chorar as pedras da calçada ao melhor estilo fotonovela das revistas clássicas.
Tudo o que falhou em Sukiyaki Western Django resulta plenamente em ["Tears of the Black Tiger"].
Contra: quem não gosta do estilo gráfico excessivamente artificial não vai gostar disto, pode ser demasiado estranho para quem procura algo mais mainstream…não tem indios…

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=saTKuN5bc68
http://www.youtube.com/watch?v=fFSt5cfg-hc

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0269217

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Já tentei mas não compreendo todo o hype á volta deste filme.
["Christmas in August"] é suposto ser uma obra prima qualquer dentro do género dramático sul-coreano mas por mais que eu tente, não compreendo mesmo porquê.

Parece inclusivamente que este filme é usado nas escolas de cinema como exemplo de como se escreve um argumento, serve de modelo a aulas sobre narrativa cinematográfica e inspirou até o autor de “My Sassy Girl” a escrever o seu clássico.
Uhm ?!!! …
Será que eu andei estes anos todos a ver e a rever uma cópia incompleta qualquer e ainda não notei ?! É que eu comprei o dvd !!

["Christmas in August"] foi mais um daqueles dvds que eu comprei sem pestanejar sequer, pois as reviews espalhadas pela net eram tão extraordinárias e a suposta importância deste filme para o cinema oriental  é tão elevada que eu pensei que não me poderia enganar com esta história de amor.
Da primeira vez que o vi, nem o consegui ver todo pois fartei-me a meio.
Depois disso nestes anos todos tentei revê-lo pelo menos duas vezes por ano, (a ver se me tinha escapado alguma coisa) mas de cada vez que o revia ainda consolidava mais a minha opinião.

É que ["Christmas in August"] é realmente muito interessante, mas… não mais do que isso. Não compreendo de todo o porquê de tanta reverência á volta deste filme.
A história é banalíssima, mas não é por isso que o filme perde alguma coisa pois é verdade que está cheio de pequenos pormenores que lhe dão bastante humanidade.
No entanto, na minha opinião tem humanidade mas não tem chama. Falta-lhe de todo aquele toque especial que normalmente me agarra no cinema asiático e aqui isso não acontece.

Os personagens não me emocionaram de todo e isso para mim, depois de ter lido em todo o lado que ["Christmas in August"] era uma verdadeira obra prima do cinema-choradeira , foi uma verdadeira decepção. É que nem sequer me causou a mais pequena lágrima e tal deixou-me estupefacto.
Tem bastantes aspectos tocantes e supostamente a sua narrativa é uma obra prima da manipulação emocional mas no entanto nada nesta história foi suficiente para me causar o mesmo efeito que por exemplo “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” me causaram.

É que até “My Girl & I” tem mais emotividade que ["Christmas in August"] e no entanto um é desprezado pela crítica enquanto o outro é quase tratado como um objecto religioso dentro do cinema romântico oriental ?!
E “My Girl & I” é quase um plágio de ["Christmas in August"] pois a sua estrutura base é practicamente a mesma, mas tomara ["Christmas in August"] conseguir a mesma atmosfera.
Vocês sabem, vocês já viram este filme antes, muitas vezes até se gostarem de cinema romântico Sul Coreano.
Casal de apaixonados, muito amor platónico e depois um deles tem uma doença grave e morre no fim. Acabou o filme.

Se vocês gostam de cinema romântico Sul Coreano, sabem bem que não é por causa deste tipo de argumento que o género perde a sua força e sendo assim eu não estava nada á espera que uma suposta obra prima tão conceituada como ["Christmas in August"] não tivesse practicamente força nenhuma.
Não me interpretem mal, é um filme bonito de estutura básica mas totalmente funcional, cheio de pormenores que até prometem fazer-nos pensar sobre muita coisa, mas no entanto há algo que falha e lhe retira logo a intensidade de muitos outros filmes semelhantes criados posteriormente dentro do cinema oriental ou cinema sul coreano em particular.

Uma das razões de ["Christmas in August"] ser tão conceituado é porque segundo consta, este foi o filme que revolucionou o cinema romântico Sul Coreano moderno e definiu por completo o género modernizando-o em 1998.
Até então, parece que nada daquilo que nós hoje conhecemos nestas histórias de amor no cinema oriental existia nos moldes que agora nos fascinam e sendo assim segundo rezam as crónicas, o cinema romãntico Sul Coreano renasceu com esta obra que practicamente definiu o estilo – boy meets girl, boy looses girl, boy gets girl again, girl/boy dies, boy/girl ends up alone.

Por este prisma, eu sou o primeiro a reconhecer o seu valor.
Hoje claro, já vimos este tipo de estrutura mil vezes mas se calhar na altura foi mesmo capaz de ter causado um grande impacto nas plateias ao melhor estilo choradeira-lovestory anos 70.
Agora o que me surpreende é toda a gente continuar ainda hoje maravilhado com o filme quando já existem pelo menos uma dezena de melhores, mais drámaticos e mais eficazes exemplos dentro do género.
Se vocês já viram tudo o que tenho aconselhado aqui neste blog dentro do género romântico muito certamente também irão ter a mesma opinião que eu quando agora forem ver ["Christmas in August"].
Digam-me qualquer coisa pois gostaria muito de saber o que vocês acham sobre a enorme fama deste filme.

De resto não há muito mais para se dizer sobre ele.
É um bom produto, boas interpretações, miuda fofinha, história triste mas bonita e tudo o mais que normalmente há de bom neste tipo de cinema made-in-coreia do sul.
Não posso deixar de recomendá-lo também se já viram tudo o resto de que tenho falado, pois na verdade ["Christmas in August"] não tem propriamente nada de mau que se possa apontar nele.
Apenas tem uma carga de emotividade algo inóqua e não percebi até hoje o porquê disto ser assim.

——————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram tudo o resto dentro do género romântico que recomendei até hoje, devem então juntar este filme á vossa lista de coisas a ver.
Até por uma questão histórica pois supostamente este foi o filme que reinventou o género e o modernizou no que toca ás histórias de amor made-in-coreia-do-sul que hoje vocês conhecem.
De resto, na minha opinião quando comparado com o que já foi feito nestes últimos anos, ["Christmas in August"] não passa apenas de mais um pequeno e muito interessante filme mas nem de longe nem de perto será a obra-prima maior do género romântico oriental como practicamente todas as reviews o designam.
Não o colocaria no topo da minha lista de filmes a ver se tivesse chegado apenas agora ao género romântico sul-coreano.
Duas tigelas e meia de noodles pois é muito interessante mesmo mas não mais do que isso e dúvido se lhes ficará sequer na memória.

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A favor: história simples e bem contada, alguma poesia e atmosfera, excelente naturalidade nos personagens, é um filme fofinho.
Contra: na verdade não há nada de negativo neste filme, apenas falta-lhe algo para criar realmente o mesmo nível de emoção que obras posteriores como “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” conseguiram atingir. Por qualquer motivo não me emocionou minimamente, não deu a mínima vontade de chorar e isso é o pior que poderia ter acontecido num drama romântico Sul Coreano. Até o bem mediano “My Girl & I” tem mais emotividade e poesia que ["Christmas in August"] e não estava nada á espera disso tendo em conta a reputação de obra-prima deste filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Parece que não há trailer disto em lado nenhum por isso fica aqui um videoclip.
http://www.youtube.com/watch?v=GQzq_Un-1Xc&feature=related


COMPRAR

A edição que eu tenho (capa acima) parece já não existir mas podem comprar esta aqui.
Christmas In August [DVD]

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0140825/

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Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Antes de mais bom Natal para todos, Ho, Ho, Ho e tudo o mais. :)

Caso tenham visto e gostado muito do filme “My Girl & I” que recomendei alguns meses atrás, se calhar também vão gostar de saber que o livro que originou o filme,”Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo”  acabou de ser editado em lingua portuguesa precisamente em Portugal.
Na verdade “Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo” é o romance original que depois foi adaptado ao cinema no Japão com o titulo inglés  “Crying Out Love in the Center of the World” e não a história original de “My Girl & I” embora sejam idênticas em muitas coisas pois a adaptação Sul Coreana manteve muita coisa do filme japonês.
Acontece que eu ainda não falei aqui da adaptação original porque por acaso gostei mais do remake Sul Coreano, mas agora que o livro saiu em Português vou aproveitar a onda e por isso podem contar com uma análise desse filme para breve aqui também pois já o comprei há anos e tenho adiado falar dele até agora  não sei bem porquê.

E claro que  irei colocar aqui uma review deste romance original pois estou bem curioso, visto que o livro foi a história de amor mais vendida de todos os tempos no japão e daí a popularidade do filme por aquelas bandas também, a tal ponto que os próprios Sul Coreanos fizeram “My Girl & I” com base no mesmo trabalho literário.
O facto do livro ser um daqueles muito dificeis de encontrar até agora ainda aguça mais a minha curiosidade, pois até há bem pouco tempo só se econtrava editado em Japonês nem sequer havendo uma versão inglesa, (que julgo ainda nem há). Penso que no ocidente ainda só existe neste momento a tradução espanhola e a portuguesa se não me engano.
Sendo assim, não queria deixar de divulgar isto por aqui.
Mais novidades sobre o assunto  para breve.

—//—

UPDATE (28-12-2009):
Há coincidências mesmo curiosas.
Andava há anos atrás deste livro, há seculos para colocar aqui a review da adaptação cinematográfica japonesa e agora parece que estou a ser perseguido pela obra em todo o lado.
Este Natal recebi um outro romance japonês comprado na amazon.co.uk chamado “Socrates in Love“. Comprei-o porque depois de ter lido o fabuloso pequeno romance “Be With You” estava intrigado sobre as histórias românticas made-in-japan e quando vi este “Socrates in Love” editado em Inglés mandei vir o livro sem sequer tentar saber muito mais sobre ele além de ter notado que tinha uma excelente review.
Ontem, ao procurar mais críticas sobre o mesmo, notei que o livro também já estava adaptado ao cinema e comecei logo a tentar encontrar o filme na net. Sem qualquer resultado, apesar de muita gente garantir ser uma história bem popular.
Ao procurar pelo trailer de “Socrates in Love” no YouTube, invariávelmente ia ter a resultados que mostravam imagens de “My Girl & I” e já estava a dar em maluco pois parecia que alguém se tinha enganado na associação, até porque no Tube também aparecem imagens da série televisiva igualmente adaptada do livro. E para mais ainda existe um Manga baseada no mesmo romance !!
Qual não é o meu espanto, quando descubro que “Socrates in Love” é o titulo inglés do romance original japonês que deu origem ao filme “Crying Out Love in the Center of  the World” ! O mesmo romance que agora foi editado em Portugal com precisamente o titulo de  “Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo” !
Resumindo, por um pouco ia comprando a edição Portuguesa na mesma semana em que recebi ao romance em inglés. Isto porque o titulo da edição Lusa vai precisamente buscar a associação ao nome do filme que originalmente adaptou “Socrates in Love” e não usou uma tradução directa do titulo original japonês ou da sua versão em inglés.
Confusos ?!…Eu estava.

Sendo assim, quem quiser agora espreitar o romance que deu origem ao filme “My Girl & I” e a ” Crying Out Love in the Center of the World” (de que falarei aqui em breve), tem duas boas opções. Pode adquirir a versão Portuguesa aqui, ou então optar pela edição Inglesa comprando-a na amazon.co.uk .
Ou então compram o Manga em inglés também na Amazon (penso eu que isto seja o Manga)…

Espero que já não estejam confusos. ;)

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Para quem leu a minha review de ["Be With You"] e gostou tanto do filme quanto eu, se calhar vai gostar também muito da seguinte recomendação.
Eu sei que isto é suposto ser um blog sobre cinema oriental mas não posso deixar de falar agora do romance original que deu origem á adaptação cinematográfica porque na sua simplicidade é um daqueles pequenos grandes livros que não merecem ficar esquecidos, muito especialmente por quem viu e gostou mesmo do filme.

bewithyoubookNão tenho por hábito ler muitas novelas românticas, mas de vez em quando aparecem-me pela frente obras que se tornam dificeis de esquecer.
Aconteceu-me com os fabulosos “O Amor em Tempos de Cólera” e “Memórias das Minhas Putas Tristes” de Gabriel Garcia Marquez e voltou agora a acontecer com este pequeno romance original japonês.
["Be With You"] em livro, não será própriamente uma obra maior da literatura ao contrário do que Garcia Marquez produziu, mas nem por isso deixa de ser a nível emocional uma fabulosa história de amor daquelas que não se esquece. Até mesmo para quem já conhece a surpresa final que fecha com chave de ouro a sua adaptação ao cinema.
E já agora, ao contrário da adaptação ao cinema de “O Amor em Tempos de Cólera”, esta adaptação de ["Be With You"] reproduz por completo toda a emoção da história original. É certo que as obras não se comparam em termos de complexidade mas nem por isso ["Be With You"] se poderá considerar uma história de amor menor por ser apenas um pequeno livro comercial que pretende apenas emocionar o leitor.
Quanto a mim não tenho problemas em dizer que ["Be With You"] foi uma das melhores histórias românticas que li em muito tempo e é certamente um daqueles livros que voltarei a reler bastantes vezes, porque acima de tudo e tal como acontece no filme está carregado de humanismo e personagens inesquecíveis além de ser um daqueles livros que se lê de seguida quase de um só fôlego. Até mesmo já conhecendo a história do filme e sabendo o que nos espera na reviravolta final.

bewithyoubook2Aliás, na verdade ao contrário do que costuma ser habitual nestas coisas, se calhar não recomendo que leiam o livro antes de verem o filme.
É certo que o filme lhes irá estragar a surpresa da história original, mas penso que isso não prejudica de modo nenhum a leitura do romance, até porque este tem ainda algumas diferenças que vocês vão gostar muito de descobrir. Inclusivamente contém um pequeno twist relacionado com a sexualidade do casal que foi pura e simplesmente suprimido na adaptação para cinema e que de certeza ainda vão achar mais fascinante se lerem o livro depois de verem o filme e de seguida voltarem novamente ao filme á procura de algo a que se calhar nunca prestaram atenção.
Não quero falar muito mais do livro porque este contém diferenças suficientes para entreter ainda até quem já viu o filme e por isso sugiro que o descubram por vocês mesmo.
O que foi mudado para o filme foi muito bem alterado mesmo e por isso redescobrir esta história mesmo depois de terem visto a adaptação cinematográfica ainda lhes irá certamente agradar muito. Posso garantir-vos que se gostaram do filme vão sair deste livro sem conseguir decidir qual é o melhor meio para ilustrar esta história pois este é um daqueles raros casos que se complementam perfeitamente.

Este é inclusivamente um livro excelente para quem ainda tem medo de arriscar a ler em inglés, pois é de uma escrita muito simples e directa e portanto perfeito para quem sempre teve curiosidade em tentar ler algo mas nunca quis arriscar a ler um livro que não fosse em português.
Claro que podem esquecer uma tradução Portuguesa pois ["Be With You"] só existe ainda em Japonês e em Inglés.
Podem encontrar o livro á venda na Amazon Uk onde eu comprei o meu exemplar: Be with You

Quem ainda não viu o filme, descobri que o blog AsianSpace está a disponibilizá-lo para download (legendado em PT do Brasil) caso queiram espreitar antes de o comprarem. E este recomendo MESMO a compra se gostarem do filme, pois ["Be With You"] na sua versão em DVD tem um som em DTS 5.1 absolutamente fabuloso que enche de magia sonora tridimensional os melhores momentos do final da história e como tal até me dá pena saber que muitos de vocês apenas o irão ver (e ouvir apenas em 2.0) na versão descarregada da net, mas olhem, o que interessa é que vejam o filme.
E se gostarem estão lixados pois vão querer mesmo ler o livro. Garanto-vos.

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Estou lixado.
E agora como raio é que eu comento este filme ?
Bom, primeiro que tudo…meus amigos AFASTEM-SE de tudo o que é review na net, esqueçam o Imdb e nem tentem saber absolutamente nada sobre ["Bungee Jumping of their Own"].

Não vou deixar links para nada que lhes revele coisas sobre o filme e portanto já agora, se espreitarem o video do youtube mais á frente sugiro que vejam apenas aquele que indico e mais nenhum.
Este é um daqueles filmes orientais que merece ser visto sem saberem absolutamente NADA sobre o que vão ver e até o facto de espreitarem uma outra qualquer review mesmo que esta não lhes conte o final do filme, vai retirar-lhe na mesma metade do seu impacto, porque inevitávelmente alguém lhes irá dar uma indicação sobre um dos temas.

Raios…e agora ? O que é que eu digo ?…
Muita gente já me perguntou, porque é que eu ainda não falei sobre filmes como “Hero”, “Old Boy” ou “House of the flying daggers”. A resposta é simples.
A minha prioridade no “Cinema ao Sol Nascente”, é indicar filmes que as pessoas porventura ainda não conhecem e como tal, obras como “Hero” já foram bastante publicitadas na imprensa nacional, até porque tiveram estreia no cinema em Portugal e sendo assim não tenho grande urgência em falar delas por enquanto.

Este blog existe para divulgar precisamente coisas como ["Bungee Jumping of their Own"].
Para quem está por dentro do que se passa no cinema oriental, não será uma obra totalmente obscura, mas esta página não é para quem já conhece muito desta cinematografia e sim para fazer com que pessoal que nunca pensou vir a gostar de um filme Sul Coreano por exemplo, de repente descubra que não é só em Hollywood que existem bons filmes a serem produzidos.

Como a procura por filmes românticos orientais continua absolutamente em alta neste blog, é sempre bom divulgar mais outra obra deste género. Especialmente quando é uma história de amor realmente original e completamente inesperada como acontece neste caso.
["Bungee Jumping of their Own"], deve ser um daqueles raros filmes românticos orientais que eu próprio duvido que alguma vez venha a ter um remake americano. E porquê ?
Porque o tema deste filme iria certamente deixar muito americano desconfortável a olhar para o ecrã e como tal um remake disto não seria própriamente fácil de vender a um público pipoqueiro generalista.
Portanto em principio este será um filme que deverá continuar apenas no mercado oriental e sendo assim, para conhecerem esta história que merece ser vista, vocês terão mesmo que ver a produção original Sul Coreana.

["Bungee Jumping of their Own"], embora como objecto de cinema não deslumbre por aí além e até nem seja o típico filme romântico fofinho oriental a um estilo “The Classic“, tem no entanto uma força extraordinária a nível de argumento que compensa plenamente a relativa atmosfera fria, algo estranha e desconfortável que percorre toda a obra.

É que todo este clima relativamente perturbante e triste até nas partes mais românticas tem uma razão de ser e quando esta nos atinge em cheio no estômago a partir da meia hora final da história não podemos deixar de ficar absolutamente facinados. Isto apesar da direcção que o filme toma na sua segunda metade não ser propriamente inesperada.
No entanto esses segmentos finais têm uma força absolutamente original, porque ao abordar um dos temas, ["Bungee Jumping of their Own"] entra por uma outra questão que pelo menos vos garanto os deixará a pensar no tema por muito tempo após este filme ter chegado aos seus créditos finais.
Então se estiverem a vê-lo com amigos, têm no final desta história muito bom motivo para intermináveis discussão sobre o tema que o filme muito bem aborda.

Eu estou para aqui a tentar conter-me para não lhes contar a parte final do filme e acreditem-me está a ser muito dificil, pois gostaria mesmo muito de lhes poder falar sobre o conceito subjectivo que atravessa esta história mas não posso dizer mais nada por isso é melhor ficar-me por aqui.
E por falar em história….

["Bungee Jumping of their Own"], narra a relação amorosa entre um rapaz e uma rapariga que se conhecem num dia de chuva e inevitávelmente acabam apaixonados. Só que como isto é uma história de amor Coreana, óbviamente que as coisas não poderiam ser simples. E acreditem…vocês nem imaginam o que lhes vai cair em cima.
Um dia ao combinarem encontrar-se numa estação, a jovem rapariga simplesmente não aparece e o rapaz nunca mais a volta a ver durante anos a fio. Até ao dia em que …

Não conto mais.
E mesmo assim já falei demais até ,por isso estão por vossa conta.
E não se esqueçam, façam-me o favor de ir ver ["Bungee Jumping of their Own"] sem procurarem saber absolutamente nada sobre este filme asiático. Acreditem que depois me irão agradecer.
Vá lá, não custa nada, evitem procurar mais sobre ele na internet.

Técnicamente o filme nem sequer é um daqueles objectos de cinema que fique na memória. Não há nada na realização que o destaque do mais corriqueiro trabalho visual associado a produtos românticos televisivos e não será por isso que ficará também na vossa recordação.
Os personagens também não são particularmente cativantes. Não porque sejam aborrecidos, mas porque não se destacam dos habituais estéreotipos dentro das histórias de amor orientais e como tal são simpáticos, fazem-nos interessar por eles mas mais porque o argumento trabalha tão bem o desenrolar da história do que pela história de amor em si entre eles que não deriva do habitual.

Não deriva, porque na verdade esse pormenor também é essencial para dar que a reviravolta da parte final resulte em pleno, pois subitamente retira debaixo dos pés do espectador todo o tapete com os habituais clichés românticos e substitui-o por um desenvolvimento não só original como também bastante polémico devido ás próprias questões que tal opção de argumento possa levantar. E claro que não vou contar nada.
No entanto, há uma coisa a destacar aqui e é precisamente o trabalho dos actores, especialmente quem faz de … (não posso dizer)… e que consegue compor uma personagem absolutamente perfeita que liga fantásticamente com a primeira metade da história de amor que nos é apresentada e vos vai deixar a discutir o assunto durante dias a fio. O assunto, não, vai deixar-vos a discutir os assuntos durante dias a fio.

Como curiosidade, parece mentira, mas a jovem actriz deste filme suicidou-se há trés anos atrás, tudo indica devido a uma relação amorosa que correu tão mal como se tivesse saído da típica love-story como aquelas em que costumava participar no grande ecrã e do qual ["Bungee Jumping of their Own"] é um excelente exemplo. Agora que sabem disto ainda vão ficar mais impressionados com esta obra.

Sendo assim e antes que eu diga mais qualquer coisa que não deva…

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais uma original história de amor Sul Coreana, completamente obrigatória a quem gosta do género, pois garanto-vos que nunca viram nada igual.
Excelente atmosfera que se divide entre o estilo romântico comercial habitual no cinema Sul Coreano e um ambiente algo perturbante e frio, necessário á extraordinária conclusão da história.
Por isso mesmo ["Bungee Jumping of their Own"] é um filme estranho, pois parecem dois estilos de cinema que mesmo nunca conseguindo misturar-se muito bem deram origem a um produto realmente original.

Não lhe dou uma classificação mais elevada, porque a realização não deslumbra e como tal após vermos este filme algumas vezes, depois da surpresa inicial do argumento não há muito mais que nos faça apetecer estar sempre a voltar a revê-lo.
No entanto é mais uma excelente adição para qualquer dvdteca de quem gosta de bom cinema romântico e portanto de compra obrigatória.
Quatro tigelas de noodles e se calhar até merecia mais meia tigela mas a atmosfera algo perturbante do fime deixa-me sempre um bocado sem saber bem se o acho fantástico ou apenas mesmo muito bom. Sendo assim fico-me pelo muito bom.
E recomenda-se, pois este é daqueles que tem que ser visto pelo menos uma vez.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: o argumento é realmente original, a reviravolta da parte final é fantástica e de certa forma inesperada, as partes românticas típicas do cinema comercial Sul Coreano estão lá todas e nem falta a habitual cena á chuva, os actores.
Contra: a realização não deslumbra, após revermos o filme um par de vezes (até para mostrar aos amigos e ver a cara deles) não é uma obra que estejamos sempre a querer voltar a ver ao contrário de filmes como “Be With You“, “The Classic” ou “Il Mare“.

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NOTAS ADICIONAIS

Videoclip
Á falta de um trailer decente, fiquem com o videoclip, sem *spoilers* de maior que vocês consigam identificar.
http://www.youtube.com/watch?v=EuoDvwh697k&feature=related

Comprar


Podem comprar a nova edição aqui na Amazon.com ou então escolher uma das edições na Play-Asia
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-ad-49-en-15-bungee+jumping-70-1p1o.html
ou a minha edição, um bocadinho rasca com uma imagem mediana mas óptimo som e extras porreiros
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-2-49-en-15-bungee+jumping-70-cjs.html

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Be With You Love Phobia

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Este segundo filme da trilogia romântica de Wong Kar Wai, é um excelente exemplo do quanto as audiências orientais têm uma relação com o cinema bem diferente das americanas (e das americanizadas) aqui no ocidente.
O facto de ["In The Mood For Love"], ter sido no oriente um enorme sucesso junto do público adolescente, é algo verdadeiramente extraordinário.
É quase inacreditável poder dizer a alguém aqui no nosso lado do planeta que este filme, esgotou salas no oriente com sessões repletas durante semanas a fio, principalmente com público adolescente.

Os adolescentes orientais inesperadamente, adoptaram como sua esta nostálgica e poética história de amor adulta e de alguma forma identificaram-se plenamente com as emoções presentes neste filme tendo-o elevado a um estatuto que certamente será muito dificil de compreender para o nosso típico teenager, especialmente se pensarmos a nível de Portugal.
O que só me pode levar a concluír que se calhar por muito alucinados que os teens orientais nos pareçam, lá bem no fundo terão um nível de maturidade  emocional superior a muito adulto ocidental americanizado, alimentado a plástico á base de dietas blockbusters made-in-Hollywood.
No ocidente mostrem ["In The Mood For Love"],  a muita gente e ninguém aguentará olhar para ele sequer meia hora, pois certamente irá dizer de imediato que o filme não tem história, que não se passa nada, que é uma seca descomunal e que só pode ser um filme para intelectuais.

Aliás, notou-se bem isso quando o filme saiu nos videoclubes em Portugal. Cheguei assistir a um cliente dizer ao dono da loja que nunca mais voltava lá porque este lhe tinha impingido um filme “pa intelectuais” que nem gravado todo no dvd estava (?!) e tudo, porque segundo a pessoa, ["In The Mood For Love"], em português ["Disponível para Amar"], acabava de repente a meio e não se percebia nada.
Está mais que claro que nem precisamos ir junto dos adolescentes consumidores de filmes do Michael Bay para obter este tipo de comentários. Mostrem ["In The Mood For Love"], a um português adulto consumidor geral de cinema da moda e imediatamente ele remeterá este filme para aquela categoria dos filmes para intelectuais.

No entanto, a popularidade deste filme no oriente junto do público que geralmente consome cinema comercial, foi absolutamente extraordinária, ao ponto dos seus actores terem atingindo com esta obra um estatuto de estrelas de rock ao nível de uns Rolling Stones ou uma Madonna.
Foi tal a histeria que provocavam a cada aparição pública para promover este filme, que os seus personagens se tornaram desde então verdadeiras figuras de culto dentro do cinema romântico, ao ponto de Wong Kar Wai o realizador, as ter ido buscar de novo para o seu filme seguinte, o também extraordinário “2046“, segundo o próprio, a melhor não-sequela que poderia ter feito de ["In The Mood For Love"]. Certamente foi a mais inesperada. Talvez uma das “sequelas” mais inesperadas de sempre em qualquer género, mas isto fica para a review de “2046” noutro texto.

Na verdade Kar Wai começou a gravar coisas para “2046” ainda durante as filmagens de ["In The Mood For Love"], mas mesmo ele nem sequer sabia para que serviriam os takes abstractos sem qualquer lógica que foi filmando na altura. Isto ao ponto de chegar a desesperar os actores e a equipa técnica que nunca percebeu que raio de filme é que estariam a fazer e só viram o resultado quando Kar Wai apresentou a primeira montagem no festival de Cannes tendo deixado toda a gente de queixo caído perante a beleza de cada imagem e a poesia que mostrou no ecrã onde cada textura se liga com a musica criando um ambiente românticamente assombrado único e original.

Como resultado limpou basicamente os prémios mais importantes de Cannes nesse ano.
O que tornou ["In The Mood For Love"],  num filme ainda mais extraordinário, até porque Kar Wai raramente tem um script minimamente completo ou sequer pensado quando faz algum filme, pois é famoso por ir inventado á medida que filma e os takes que não servem, aproveita-os para o filme seguinte num processo onde nada se perde e tudo se transforma.
Aliás é por esta razão que muitas das cenas cortadas no dvd do ["In The Mood For Love"], parecem na realidade pertencer mais ao filme seguinte “2046“,  que ainda nem sequer existia na cabeça do realizador do que a ["In The Mood For Love"], o que não deixa de ser engraçado.

Mas a verdade é que este filme por muito inacreditável que isto pareça a muita gente, tornou-se um éxito comercial em quase todo o lado. O que é ainda mais estranho pois deve ter sido o primeiro filme completamente ligado ao chamado Cinema-de-Autor a ter feito não só muito dinheiro como ainda a ter transformado o seu realizador e actores em verdadeiras estrelas.
Claro que foi um éxito comercial em todo o lado, menos na Europa e nos EUA, onde óbviamente também teve sucesso mas apenas dentro daquele circuito fechado das salas que apenas passam cinema-de-autor pois seria pedir muito que um filme como este pudesse ser apreciado pelas audiências que habitualmente levam com overdoses de blockbusters a 200 á hora e consomem milho á mesma velocidade enquanto falam ao telémovel durante as projecções quando “não se passa nada” nos filmes. Mas passemos á frente.

Não há muito que se possa dizer sobre ["In The Mood For Love"], pois este é um daqueles filmes em que realmente não se passa nada e portanto não há muito para contar sobre a sua história, porque o cinema de Wong-Kar-Wai não depende de histórias, mas sim de detalhes.
Na verdade, se há algo em que Wong-Kar-Wai é realmente bom, será a fazer filmes “sobre nada”.
O verdadeiro conteúdo dos seus filmes não está nas histórias, mas sim nas emoções que este consegue transmitir e fazer o espectador sentir apenas com as coisas mais simples.
Alguém disse um dia que nos filmes de Wong-Kar-Wai até o fumo é belo e transmite mais emoção e poesia do que horas intermináveis de diálogos pseudo-românticos nas supostas love-stories americanas.
É realmente uma boa definição das extraordinárias capacidades deste autor em fazer transparecer emoções através das coisas mais simples e nisto ["In The Mood For Love"],  é um dos seus exemplos mais perfeitos.

Correndo o risco de fazer fugir as pessoas, a história de ["In The Mood For Love"], é a seguinte.
No início dos anos 60, em Hong Kong, um casal aluga um quarto numa pensão familiar. A mulher é secretária numa empresa de exportações, o marido trabalha agora na marinha mercante e passa practicamente meses a fio sem vir a casa.
Como resultado, o casamento dos dois, é algo quase inexistente e de conveniência pois naquela época, especialmente na China da altura o divórcio era a maior desonra que poderia cair em cima de uma jovem mulher a seguir ao adultério.
No mesmo dia em que este casal aluga o seu quarto, também outro casal, um jovem jornalista e a sua mulher, alugam o quarto ao lado. Este trabalha para um jornal, mas o seu verdadeiro sonho é ser escritor de pulp-ficition ao melhor estilo de artes marciais, algo que segundo o filme seria bem popular na altura em Hong-Kong.

Também ele se sente sózinho pois desconfia que a sua mulher o trai e por vias do destino, encontra-se com a sua solitária vizinha de quarto ocorrendo óbviamente uma enorme atracção entre os dois.
Uma atracção com base numa amizade criada pelo facto de ambos gostarem de romances de artes marciais e de se sentirem absolutamente sózinhos.
Um dia descobrem por acaso, que a mulher do jovem jornalista é na verdade amante do marido da jovem secretária e que este não faz apenas longas viagens em trabalho mas principalmente usa-as como desculpa para trair a mulher com a esposa do jornalista.
E esta é a história inteira do filme.
Não se passa absolutamente mais nada em ["In The Mood For Love"], que possa ser descrito.
E perguntam vocês – então mas onde raio está o interesse nesta telenovela banal ?…

O mais extraordinário é que Wong Kar Wai pega nesta simples ideia de argumento e transforma-a numa verdadeira sinfonia de emoções músicais, onde cada imagem é um poema visual e onde a música aliada a enquadramentos absolutamente inesperados transporta o espectador para uma posição quase de espectador casual fazendo-o entrar no filme como se tivesse sem querer escutado uma conversa que não deveria ouvir mas de que não consegue deixar de querer saber mais porque ficou a gostar das pessoas que ouviu.
É esta a grande força narrativa do filme, e Kar Wai, usa-a para criar um suspanse poético como nunca tinha acontecido numa história de amor. Todo o filme gira á volta do facto de obviamente os dois protagonistas se amarem e serem realmente almas gémeas que nunca se poderão tocar.

Não podem arriscar uma relação carnal entre eles, pois num meio tão pequeno onde todos saberiam imediatamente o que se passava os dois são obrigados a viver de aparências enquanto têm uma relação platónica que também tem de ser mantida secreta porque senão a reputação da rapariga poderia ficar manchada para sempre naqueles austeros anos 60 onde o divórcio nem sequer era opção.
No meio de tudo isto, eles chegam a encontrar-se num quarto de hotel , precisamente o número “2046” onde Wong kar Wai nos deixará para sempre na dúvida se algo mais realmente aconteceu entre os dois, pois esse número é precisamente o centro da “sequela” no filme “2046“,  cujo o título se refere precisamente á saudade que o protagonista tem do quarto onde por uma vez na vida viveu um amor de verdade e que é relatado agora em ["In The Mood For Love"].

Tudo isto é colocado em imagens musicadas pelo génio de Wong Kar Wai de uma forma que é realmente muito dificil de ser descrita em palavras pois todo o filme é um bailado de imagens e enquandramentos indo buscar poesia até ao mais comum dos objectos.
["In The Mood For Love"], é como um filme musical onde ninguém canta, mas onde a música está sempre presente e é essencial para contar a história e transmitir emoções. É como um videoclip absolutamente romântico que dura hora e meia e que não precisa de muitos diálogos para contar uma história, fazer-nos sentir e acima de tudo identificarmo-nos com aquelas duas pessoas que poderiam ser qualquer um de nós.

Uma coisa vos garanto, depois deste filme, nunca mais vão ouvir uma música de Nat-King-Cole da mesma maneira, pois será impossível não pensarem em ["In The Mood For Love"] e nesta história de amor.
E quem pensa que não gosta de Nat-King-cole passa a gostar.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma das melhores histórias de amor de todos os tempos e provavelmente uma das mais simples.
Um filme onde até o fumo é algo que poderiamos ficar a olhar durante sequências a fio sem nos aborrecermos e um dos objectos cinematográficos mais visualmente poéticos de todos os tempos.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala.
Uma obra prima do cinema romântico e a prova de que se calhar isto do cinema-de-autor ser só para intelectuais se calhar está mais na cabeça das pessoas do que na realidade é um dado adquirido.

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A favor: a poesia, a história e a maneira como foi trabalhada, a extraordinária banda sonora, os personagens inesquecíveis, o trabalho dos actores, a realização é absolutamente notável em todos os sentidos, a fotografia fabulosa, os enquadramentos subliminares, a paixão, a alma do filme, o melhor filme-de-autor “comercial” de todos os tempos ponto final.
Contra: não será um filme propriamente para o típico frequentador de salas de cinema de centros comerciais, apesar de as ter esgotado no oriente durante semanas a fio. Mas, afinal estamos em portugal…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=9kRQqksluZk
Um dos trailers oficiais é na verdade quase uma curta-metragem. Uma versão mini do próprio ["In The Mood For Love"] e espelha muito bem o estilo visual e narrativo do filme. Conta com uma música interpretada por Brian Ferry chamada precisamente “In the mood for love” e apesar desta música não fazer parte da banda sonora dentro do filme, tornou-se no entanto indisociável da obra.
Espreitem que vale a pena, pois acima de tudo é um excelente videoclip montado pelo próprio realizador.
http://www.youtube.com/watch?v=JWdUVn4ALJU
http://www.youtube.com/watch?v=Pa0JAvjx05c&feature=related

Comprar
Recomendo totalmente a edição inglesa. Contém dois discos com um som e imagem absolutamente espantosos, excelente design de menus e extras que nunca mais acabam e que dão bem uma ideia total sobre tudo o que envolve este filme. Tudo legendado em inglés.
Esta é a edição a comprar.

Atenção: Esqueçam a edição portuguesa, pois só o facto de conter o filme APENAS em stereo 2.0 é razão suficiente para a ignorarem. Num filme em que a música é quase um personagem, terem em Portugal mais uma vez lançado uma edição completamente básica de um filme oriental como este é um verdadeiro insulto ao consumidor, quando este filme é para ser visto com o extraordinário som 5.1 que está na edição Uk.
Não comprem a edição portuga da Lusomundo só por causa das legendas, pois entre ver ["In The Mood For Love"], em stereo e não o verem, sugiro mesmo que não o vejam, pois este filme precisa de um som 5.1 e DTS de preferência para poder realmente transmitir todas as emoções e magia que contém.
Além disso a edição portuga só trás um making off, que até nem é nada mau, mas quando comparado com a enorme quantidade de material extra da edição inglesa até mete impressão que editem filmes como este com tanto conteúdo disponível apenas em edições básicas como fizeram em Portugal com este absolutamente imprescindível filme para quem gosta de bom cinema romântico.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0118694/

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E se gostaram de ["In The Mood For Love"], então irão certamente gostar dos filmes seguintes.
No caso de “My Blueberry Nights” vão adorar as semelhanças de ambiente, até porque segundo Kar-Wai, esse pode ser considerado um remake em versão inglesa do “In The Mood For Love”, e logo vão perceber porquê.
["In The Mood For Love"], é na verdade o segundo filme de uma trilogia que não existe oficialmente. E desta trilogia, é o primeiro filme que deverão ver, mas para saberem mais sobre isto consultem a minha review sobre “Days of Being Wild” sem falta.

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E como curiosidade, que quiser espreitar uma curta metragem (publicitária) inédita de Wong-Kar-Wai siga o link abaixo pois não ficará desiludido se gosta do estilo visual do realizador.
http://www.youtube.com/watch?v=gBsbEopulOM&feature=related

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Na minha opinião, se “My Sassy Girl” é a melhor comédia romântica adolescente que alguma vez existiu, então ["The Classic"] é definitivamente o seu equivalente dentro do drama romântico adolescente também.
E antes que perguntem…pois, este também vai ter em breve um remake americano…
Por isso façam-me o favor de ver este filme o quanto antes.

Na sua simplicidade, ["The Classic"] é um dos mais poéticos e bonitos filmes orientais do género que poderão encontrar e por isso desde já recomendo a sua compra imediata a quem gosta de cinema romântico oriental pois tem aqui um filme que quererá incluir na sua videoteca, junto a “Il Mare“, “Be With You” e obviamente “My Sassy Girl” se nos ficarmos apenas pelo cinema mais comercial, claro.

Isto apesar de ["The Classic"] ser uma obra relativamente formulática e não conter aquela originalidade refrescante que “My Sassy Girl” apresentou quando apareceu há alguns anos atrás.
No entanto a maneira como ["The Classic"] está executado é comparável a uma lindíssima sinfonia de manipulação de emoções coordenada por um maestro que sabe perfeitamente que cordelinhos puxar para criar uma experiência cinematográfica inesquecível para toda a gente que se identifique com os personagens desta poética história de amor oriental Sul Coreana.
Tal como já tinha acontecido em “My Sassy Girl“, pois o tom poético é semelhante nos dois filmes.

É que o realizador é exactamente o mesmo e como tal, ambas as obras têm vários pontos de contacto e podem ser vistas quase como duas faces de uma mesma moeda.
Inclusivamente musicalmente. Têm por base a mesma banda sonora e ambos contêm uma versão única e extraordinária do clássico Canon de Pachelbel que cria uma atmosfera romântica absolutamente mágica nos filmes que apesar de serem diferentes em estrutura, estão no entanto ligados pelo mesmo tom emocional e portanto quem gostou de  “My Sassy Girl“,  irá também certamente apaixonar-se por ["The Classic"].

O filme passa-se em duas épocas distintas e conta duas histórias de amor paralelas.
Uma tem lugar nos anos 60 e a outra algures na actualidade.
Uma rapariga encontra numa caixa, todas as cartas de amor que a mãe guardou desde a adolescência contendo toda a história do romance dos seus pais.
Décadas atrás, um rapaz no liceu, com jeito para prosa, acede fazer um favor a um colega que nem conhece bem e aceita escrever por ele algumas cartas para a noiva.
Isto porque o noivo em questão não é suficientemente inteligente para conseguir fazê-lo por si próprio e como tal precisa de ajuda para comunicar por carta com a jovem noiva que os seus austeros pais lhe arranjaram á força de modo a unirem duas famílias por interesses políticos e económicos.

Obviamente que o rapaz que escreve as cartas em nome do noivo, ao ver a fotografia da rapariga, imediatamente se apaixona por ela e as coisas complicam-se quando os dois acabam por se conhecer pessoalmente e também ela se apaixona pelo autor das cartas embora não saiba que foi ele que as redigiu.
Como seria de esperar, o amor de ambos é depois posto á prova num conflito de interesses e entrelaçado numa sucessão de acontecimentos que acompanham toda a história até dar naturalmente origem á rapariga que nos dias de hoje lê as cartas que a mãe guardou.

E tal como a mãe amou um rapaz que parecia nunca conseguir vir a ter, também actualmente a sua filha, está apaixonada por um rapaz do seu liceu que julga inalcançável por ele ser não só um dos mais populares da escola como também ainda por cima a sua melhor amiga está interessada nele e não perde uma oportunidade para impedir que a rapariga se aproxime do jovem.

E para quem nesta altura já estiver a pensar que ["The Classic"]. não passará de mais uma banal, sopeira e telenovelística história cheia de lugares comuns, se calhar é melhor ver o filme antes de o criticar negativamente, pois só assim irá perceber como esta história não é aquilo que parece pois neste caso, os clichés são uma mais valia que só contribuem para o desenrolar emotivo da história. Nada está neste argumento por acaso e por isso preparem-se para um par de surpresas muito bem colocadas precisamente baseadas em pormenores que ninguém notou espalhados discretamente ao longo da história mas que de repente nos caiem em cima ao melhor estilo do cinema romântico coreano.

Além disso, ["The Classic"], tem o grande mérito, de ser um filme com adolescentes (e até para o público adolescente), que não é de forma nenhuma o produto banal a que muita gente está habituada devido aos péssimos exemplos que conhecem habitualmente do cinema pseudo-romântico adolescente americano.
["The Classic"], tem alma, tem poesia, tem drama mas acima de tudo tem pessoas reais com que todos nos podemos identificar e neste aspecto não só os personagens são excelentes apesar da sua simplicidade, como o trabalho dos actores é absolutamente mágnifico. Com destaque para a actriz principal que neste filme se desdobra precisamente em dois papeis completamente diferentes, pois a mesma pessoa faz de mãe enquanto jovem nos anos 60 e de filha que actualmente lê as cartas encontradas no sotão.

Só pelo trabalho da jovem actriz, vale a pena verem o filme, pois ao longo da duração da história nem nos lembramos que está uma única pessoa a fazer os dois papeis tal é a diferença de composição de personalidade em cada uma das encarnações. E nem sequer são identidades demasiado vincadas ou exageradas. Pura e simplesmente são duas pessoas diferentes e quando nos lembramos disto ["The Classic"] torna-se ainda um melhor filme do que parece a um primeiro e descuidado olhar.

Mas lá por ["The Classic"]  ser um filme de amor adolescente, com adolescentes e para adolescentes, não pensem os mais velhinhos que vão ficar imunes a ele, ou sequer minimamente aborrecidos. Garanto-vos que isto não é o habitual filme banal ao estilo americano por isso é melhor sentarem-se confortávelmente no sofá  para se surpreenderem e principalmente emocionar-se,  pois esta história de amor é universal e tocará muita gente de todas as idades das mais diferentes formas. Até porque este é um daqueles filmes que já converteu mais do que um ao cinema oriental e certamente irá convencer muitos mais.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma das melhores histórias românticas orientais que poderão alguma vez ver em filme e a prova de que filmes com adolescentes, sobre adolescentes não têm que ser produtos vazios.
Uma obra prima da simplicidade narrativa com visuais lindíssimos e uma fotografia perfeita.
Um filme indispensável em qualquer colecção de cinema oriental, especialmente para quem gosta de cinema romântico coreano ou apenas de boas histórias de amor com muita alma.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala, apesar de conter algumas falhas menores.

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A favor: o argumento e a maneira como faz passar despercebidos os pormenores que importam até ser altura de os revelar, a humanidade dos personagens apesar de simples, a realização é excelente, os actores, o trabalho fabuloso da actriz principal que se desdobra em dois papeis completamente diferentes, a fotografia lindíssima com imagens que são autênticas pinturas em movimento, a banda sonora simplesmente não poderia ser melhor, ninguém filma cenas á chuva e em estações de comboios melhor que os coreanos, um dos twists do argumento é genial na forma como nos é revelado, o final do filme é muito bonito mesmo.
Contra: não é tão original quanto o filme anterior do mesmo realizador, a narrativa pode parecer demasiado simples, algum humor escatológico desnecessário na minha opinião pois detesto piadas do estilo, a história de amor contemporanea quando comparada com a outra passada nos anos 60 não tem de forma alguma a mesma poesia ou impacto e por causa disto o filme nunca chega a ser tão perfeito quando merecia. Mas não deixem que este pormenor os afaste desta mágnifica história.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=EOZWxGbQlzY
http://www.youtube.com/watch?v=dZsxRZk1qiU&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Dl6ncGPnVZI&feature=related

COMPRAR
Recomendo vivamente esta edição. Apesar dos extras não estarem legendados, os making of são excelentes e os dois discos valem mesmo a pena.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-77-4-49-en-15-the+classic-70-2×4.html
Excelente qualidade de imagem anamórfica sem falhas e com cores absolutamente vibrantes, além de ter um óptimo som 5.1 normal e um absolutamente fantástico som DTS.
Filme legendado em inglés.

Também podem encontrar esta edição com capa em inglés na Amazon americana. Se gostam de filmes românticos orientais, este é de juntar imediatamente á colecção mesmo antes de o verem pois irão querer comprá-lo na mesma se o virem antes. Vão por mim.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0348568/

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