Este é na minha opinião um dos bons exemplos de ficção-científica moderna quase esquecida e achei que deveria dar-lhe aqui o devido destaque pois é uma obra que merece ser mais divulgada até porque tem características para agradar a muita gente.
O filme, ["Natural City"] poderia muito bem chamar-se Blade Runner II pois o universo em que decorre a acção é practicamente idéntico.
Isto não só a nível temático mas principalmente no que toca ao ambiente visual, onde nem sequer faltam os carros voadores flutuando por entre anuncios de néon colocados em grandes edíficios de inspiração retro-futurística numa atmosfera em tudo semelhante ao filme protagonizado por Harrison Ford duas décadas atrás.

Apesar de ser obviamente muito inspirado no filme de Riddley Scott e quase um plágio na forma como trata o tema dos “replicants”, na verdade este filme funciona mais como um remake modernizado e não tanto como a sequela directa que na realidade nunca tentou ser. Por outro lado como Blade Runner foi buscar muito do seu estilo visual ao oriente, para mim Natural City quase que completa um ciclo e devolve este universo á sua origem.
Não me espantaria por isso se um destes dias esta obra fosse distribuída a sério no ocidente com um daqueles titulos ao estilo – Riddley Scott apresenta – “Natural City”.
No entanto no que toca á sensibilidade ocidental este é um daqueles filmes que não conhece meio termo quando falamos de críticas do público.
No caso específico a tendência tem sido, ou se gosta ou se detesta, pois este filme tem tudo para ser desvalorizado pelo típico espectador de cinema de centro comercial. Tem um trailer que promete muita acção mas depois o filme contém apenas duas grandes sequências ao longo das suas quase duas horas de duração. Uma no inicio e outra no fim.

O resto do filme é composto por aquelas partes chatas em que “nunca se passa nada” e para desalento de muita gente nem mete tiros nem perseguições nem nada, o que é suficiente para afastar logo metade do público habituado ao estilo blockbuster americano onde de x em x tempo tem de haver uma perseguição qualquer para não aborrecer as plateias.
Além disso ["Natural City"] tem um argumento complexo que requer mais atenção do espectador do que apenas saber quem é o bom e o mau da história e só este aspecto faz com que perca muitos espectadores habituados pelo cinema comercial americano a terem tudo explicado de bandeja.

Existe ainda outra coisa no filme que afasta logo o publico mais pipoqueiro tal como aconteceu com o Blade Runner quando estreou em 1984. Ou seja, Natural City também não tem herois.
Uma das grandes críticas que lhe fazem é o facto de não conter qualquer personagem simpático. O que, traduzindo quer dizer que não encontrarão nesta história um heroi á americana.
Tem em vez disso, um anti-heroi á primeira vista tão antipático (e estúpido), que qualquer pessoa que espere encontrar aqui o típico “bom” definido pela habitual fórmula de Hollywood irá ficar muito decepcionada com a maneira como o percurso do personagem nos é apresentado neste caso.
Por causa disto muita gente afirma que a história de amor não resulta porque o público não tem qualquer empatia com os protagonistas e aqui eu estou totalmente em desacordo. A love-story embora nada convencional (tal como em Blade Runner), é aquilo que dá alma ao final de ["Natural City"] e o torna num dos filmes mais poéticos dentro da FC desde…bem, desde Blade Runner.

Alguns, criticam o facto da “replicant” pelo qual o heroi está apaixonado ser caracterizada de uma forma demasiado vazia. Mais uma vez eu discordo. O personagem tem 3 dias de vida e perdeu todas as faculdades “humanas” não passando apenas de uma boneca “insuflável” avançada. Um brinquedo tecnológico prestes a ser desligado por falta de bateria e apenas com uma leve memória daquilo que foi.
Neste aspecto a actriz faz um trabalho fantástico e acreditamos mesmo que ela não passa mesmo de uma boneca prestes a ser desligada, tal é o “vazio” que transparece da sua caracterização. E é isto que faz com que a trágica história de amor resulte num final que alterna entre o espectacular em termos de sequências de acção e o intimismo trágico de um amor impossível.
Para mim este filme tem um dos melhores finais em termos de sentimento dentro da FC moderna, a fazer mesmo recordar um pouco a poética morte de Rutger Hauer no Blade Runner.
Quem gostou da poesia desse momento no filme de Riddley Scott, vai gostar da forma como é resolvida agora a relação entre o policia sem rumo e a boneca com tempo de vida contado.
Uma nota para a banda sonora do filme, que apesar de não se fazer notar muito ao longo da história, tem um par de momentos realmente mágicos.
Nomeadamente numa breve sequência subaquática a meio do filme (que irá agradar muito aos fãs de filmes como The Big Blue (Le Grand Bleu) de Luc Besson e em particular do compositor Eric Serra), mas principalmente brilha nos minutos finais da história, acentuando musicalmente a forma poética como o filme termina.
Mas ["Natural City"] não é apenas uma história de amor. Ao contrário do Blade Runner, este filme divide-se entre o drama romântico de FC e um filme de acção técnológico. Na verdade se ["Natural City"] tem uma fraqueza , ela está precisamente aqui.
Não pelo facto de ter momentos de acção excelentes, mas porque a meio se perde um bocado, pois parece que o realizador está indeciso entre fazer um drama ou um filme de acção, resultando por isso numa falha de equílibrio entre os dois géneros que nunca se chegam a misturar como deviam e isso torna-se evidente na própria montagem a partir da primeira metade da história.
Mas grande parte da culpa , está no facto deste filme (para mim) só ter um verdadeiro problema.
O vilão não é o Rutger Hauer.

Enquanto que Blade Runner tinha um Roy Batty, aqui temos um vilão que mais parece fazer parte de um videogame sem qualquer identidade característica em vez de pertencer ao universo personalizado em que a história decorre.
O vilão de ["Natural City"] não tem qualquer carísma, é demasiado unidimensional e a sua presença no filme mais parece uma justificação para se conseguir meter acção pelo meio do que outra coisa qualquer.
Para complicar ainda mais as coisas, a sua ligação á base romântica do argumento parece um bocado inserida a martelo, precisamente porque o vilão parece estar num outro filme á parte e portanto a sua colagem á parte dramática da história não funciona tão bem como seria desejável e o filme a meio perde-se um bocado numa montagem algo…remendada.
Por causa disso, as cenas de acção, só não são mais espectaculares porque no meio de tudo isto parece que apenas lá estão para contentar quem espera ver um filme mais hollywoodesco e como espectadores nunca temos uma ligação emocional entre essas cenas de acção e a parte mais humanizada do argumento por muito que o realizador se esforce.
Por outro lado as fabulosas e muito estilizadas cenas de acção também não prejudicam o resultado final e quem gostou do estilo presente em filmes como o Pacto dos Lobos, vai adorar as sequências de combate presentes nesta obra de ficção-científica coreana.
Por tudo isto, este é um filme para ser visto pelo menos duas vezes, pois tenho a certeza que quem nunca o viu, vai ter exactamente a mesma reacção que eu tive (e muita gente teve) ao vê-lo pela primeira vez.
Devido a estarmos tão habituados ao estilo americano de contar histórias, quando vemos ["Natural City"] pela primeira vez, este parece-nos um filme demasiado vazio, especialmente porque inicialmente é dificil encontrarmos uma ligação com os persongens.
O anti-heroi é completamente antipático a um primeiro olhar, a heroina nem se mexe pois está quase sem bateria, o vilão parece que não pertence á mesma história, o amigo do heroi ainda é mais antipático que ele e sem qualquer personalidade, a rapariga humana do filme tem potencial mas parece que fica um bocado á parte em tudo, etc, etc, etc.
Por isso não fiquem desapontados se o filme vos parecer um bocado estranho ao inicio. Primeiro estranha-se , mas podem crer que depois entranha-se e a cada vez que o revemos encontramos novos pormenores que nos fazem valoriza-lo ainda mais. Um pouco tal como aconteceu com o clássico de Ridley Scott no inicio dos anos 80, também agora este filme precisa de uma apreciação posterior.
Por tudo isto, recomenda-se vivamente a quem gostaria de ter um Blade Runner moderno para ver e nunca o encontrou no cinema made-in ocidente até hoje.

Isto porque ["Natural City"], apesar de ser um clone…se calhar não imita ninguém. E só vão perceber esta afirmação quando virem este filme pelo menos duas vezes.
Um filme que para mim apesar das suas falhas leva uma nota excelente sem qualquer hesitação pois gostei realmente desta obra e tornou-se um dos filmes da minha vida.
Embora como já disse este seja um daqueles filmes que nunca será apreciado devidamente, numa desprevenida primeira visão. Especialmente se estivermos muito acostumados á moderna formula americana de se fazer cinema.
Vejam-no e revejam-no e irão descobrir um dos mais belos e poéticos filmes de FC dos ultimos anos.
Tomara Hollywood deitar cá para fora filmes de FC como este.
Um verdadeiro filme de culto á espera de ser descoberto.
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CLASSIFICAÇÃO:
Update (3-10-2011):
Como podem ver revi a minha nota para este filme. A razão é simples, se calhar não merece mesmo a nova classificação máxima por causa do vilão de videogame que descaracteriza a história, mas a verdade é que ["Natural City"] é mesmo um dos meus filmes favoritos de sempre pela sua atmosfera “Blade Runner” modernizada e apesar de tudo bem conseguida.
Como tal, depois de ter dado tanta classificação máxima a filmes que apesar de tudo não são filmes da minha vida, decidi rever a minha classificação para este pois ["Natural City"] é daqueles filmes que nunca canso de me ver apesar das suas fragilidades. Não será uma obra prima do cinema, mas de cada vez que o revejo, gosto ainda mais dele e descubro sempre novos pormenores em que não tinha reparado antes.
Por isso, Cinco tigelas de noodles e um Golden Award sim senhor pois só gostava que existisse uma sequela para isto.

A favor: ambiente, banda sonora, personagens, sequências de acção, efeitos especiais, fotografia e design, é uma excelente história de amor high-tech.
Contra: vilão sem identidade, montagem irregular, falta de ligação coerente entre a história high-tech e a história de amor.
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NOTAS ADICIONAIS:
Para uma review com mais imagens, espreitem aqui http://www.shuqi.org/asiancinema/reviews/naturalcity.shtml
Trailers
Façam-me apenas um favor e evitem a todo o custo o trailer ocidental/americano se quiserem descobrir o filme por vós próprios. Se encontrarem um trailer de Natural City em inglés com aquele habitual narrador de voz profunda a meter estilo, fujam !
O trailer americano, não só conta a história toda, como ainda explica com todos os detalhes o que acontece com cada personagem, não vá os espectadores das pipocas depois não conseguirem compreender o filme.
O trailer americano é outro atestado de estupidez aos espectadores. Evitem-no a todo o custo, pois este filme merece ser descoberto sem ideias pré-concebidas.
Espreitem antes o trailer Coreano original AQUI, pois transmite não só o ambiente real do filme como também um pouco da sua poesia.
Caso estejam interessados em comprar o filme, como já não devem encontrar a edição Coreana de dois discos que vem numa caixa de lata sugiro a compra desta edição simples aqui na Amazon Uk a um preço excelente.
A edição de 2 discos coreana é interessante mas infelizmente os extras não vêm legendados em inglés por isso não perderão grande coisa em adquirir a edição simples de um só disco.
De qualquer maneira, Natural City é um filme que não merece andar esquecido seja em que edição for e é mesmo obrigatório na dvdteca de qualquer fã de ficção-científica particularmente se gostar do ambiente Blade Runner.
Natural City também não se enquadra nada mal ao lado junto de uma colecção de dramas românticos orientais, daqueles com alma, poesia e humanismo.
ATENÇÃO: Evitem a todo o custo a edição Portuguesa deste filme pois tem uma qualidade técnica do piorio!
Comprem antes na Amazon Uk.
Em portugal tem o ridiculo título de “2o80 Amor cibernético” e a edição é muito má mesmo ! Pior que uma cópia pirata sacada da net.
Mais sobre isto das edições rascas em Portugal, neste artigo aqui.
Download aqui com legendas em PT/Br
IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0378428/
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Todo historial da polémica sobre Marte que inspirou a história do meu livro de Banda Desenhada/Quadrinhos "As Aventuras do Príncipe Ziph".
É por isso que eu gosto do cinema oriental.
Em sua maioria, é diferente do ocidental.
E eu acho mais interessante.
São cenas, sensações e ambientações que não se vê
no cinema ocidental.
Ah, e nos créditos tem esboços da arte do filme,
gostei