Tian di ying xiong (Warriors of Heaven & Earth) Ping He (2003) China

10, Maio 2008 - No Responses

Gostei muito de ["Warriors of Heaven & Earth"], pois em certos momentos até fez-me lembrar um filme de Riddley Scott.
Estéticamente há um pouco de “Gladiator” ou de “Kingdom of Heaven“, neste filme chinês que mesmo assim consegue manter a sua identidade cultural apesar do ambiente, a fotografia e até a realização terem algumas semelhanças com o trabalho de Scott.  Se este tivesse nascido na China possívelmente teria realizado este simples mas divertido filme medieval oriental.
["Warriors of Heaven & Earth"], tem sabor a série B com aura de Western clássico embora situado numa China antiga e na sua simplicidade é para mim um dos melhores filmes filmes de aventuras que poderão ver se quiserem passar um par de horas descontraídas.

Não é nenhuma obra prima, não ficará na história do género mas é muito melhor do que aparenta ser no péssimo trailer que existe por aí.
Pela apresentação ficamos com a ideia que ["Warriors of Heaven & Earth"], pretende ser um filme wuxia sério, algo violento e muito dramático quando na verdade o seu espírito está bem mais perto de um Indiana Jones do que própriamente tentará ser um “Hero” ou um “Curse of the Golden Flower“.
O trailer (americano?), deste filme deve ter uma das piores narrações que me lembro de ter ouvido nos últimos anos e aposto que foi um dos principais responsáveis por ["Warriors of Heaven & Earth"], não ter sido um filme particularmente popular pois passou bastante despercebido a quando da sua estreia e continua a não ter grandes reviews. O que me surpreende bastante, pois tem tudo para se tornar num filme de culto dentro do cinema de aventuras de espírito mais clássico.

Talvez seja por isso que ["Warriors of Heaven & Earth"], não agrade muito ás audiências modernas, mais habituadas a filmes cheios de estilo e estética videoclip com montagens rápidas e muitos efeitos especiais do que a uma narrativa mais tradicional.
["Warriors of Heaven & Earth"], é um filme á moda antiga, com personagens á moda antiga e acção ao estilo mais clássico e real sem grandes rasgos de imaginação digital. Mas isto não quer dizer que não tenha excelentes momentos de acção e até mesmo alguns (desnecessários) efeitos especiais, porque afinal este é um filme sempre em movimento que não perde tempo em grandes considerações e mantém o espectador  interessado até ao seu final, previsível mas nem por isso menos conseguido.

Pelo meio ainda temos direito a um dos vilões mais divertidos, unidimensionais e estéreotipados que me lembro de ter visto num filme oriental, só comparado ao gajo “mau” de “Returner”. Mas que neste filme está perfeitamente de acordo com o espírito ligeiro desta aventura e até acaba por lhe dar ainda mais identidade, notando-se que o actor se deve ter divertido muito a fazer este papel.
Embora eu não negue que se ["Warriors of Heaven & Earth"], tivesse tido outro tipo de vilão, se calhar teria sido uma obra mais apreciada e levada a sério por quem agora não lhe dá o devido valor só porque o filme tem um espírito quase juvenil na forma como retrata esta aventura.

Sinceramente estou para aqui a tentar encontrar algo de verdadeiramente negativo para mencionar sobre ["Warriors of Heaven & Earth"], mas não me lembro de nada.
A realização é boa, tem um ritmo narrativo excelente, as cenas de acção cumprem perfeitamente, os personagens-tipo são divertidos, são variados e têm personalidade.
Além disso o filme conta com cenários naturais absolutamente fantásticos e muito, muito bem utilizados para dar uma dimensão bem mais épica a este filme, do que aparenta ter no péssimo trailer.
Aliás uma das coisas que mais gostei foi precisamente a forma como o ambiente está baseado nos grandes espaços abertos presentes ao longo de toda a história e transforma as mágnificas paisagens naturais da China quase num personagem á parte.

Pelo péssimo trailer ficamos com a ideia de que ["Warriors of Heaven & Earth"], seria uma espécie de filme de guerra ao estilo antigo, cheio de batalhas e estratégias militares com personagens muito sérios, dramas militaristas intensos e pouco mais. Mas na verdade o filme tem um estilo bem diferente. As cenas de acção são menos épicas e mais pequenas e encontram-se espalhadas ao longo da história centrando-se em cada um dos personagens e criando um ambiente quase de banda desenhada que resulta muito bem e onde até nem faltam alguns ligeiros mas divertidos momentos de humor a equilibrar as coisas e claro também uns pózinhos de história de amor ao estilo oriental.

Curiosamente, o filme tem no entanto uma coisa estranha. Ou isto é muita, muita coincidência, ou  ["Warriors of Heaven & Earth"], será uma espécie de plágio (remake?) não assumido em estilo ligeiro de um outro filme oriental do género chamado “Musa - The Warrior” realizado alguns anos antes.
É que a história é semelhante em muitos aspectos, segue a mesma estrutura, alguns personagens parecem clones e até a parte final do filme é exactamente idêntica quando tudo se desenrola á volta da típica situação em que os herois estão sitiados numa fortaleza no meio do deserto cercados de inimigos.

Em ambiente são duas obras diferentes, pois “Musa - The Warrior” está realmente muito mais perto do estilo de um “Braveheart” oriental e  ["Warriors of Heaven & Earth"], segue uma linha mais juvenil mas têm muitos pontos de contacto o que até nem sequer é uma coisa negativa.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um óptimo filme de aventuras para quem não procura mais do que um par de horas bem passadas.
Ignorem o péssimo trailer, pois o filme é bem mais interessante do que aparenta ser.
Recomendo vivamente e só não lhe dou uma classificação mais elevada porque lhe falta um toque especial.
Mas que é bom é.
Quatro tigelas e meia de noodles.

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A favor: personagens, história de aventuras á moda antiga, boa realização a piscar o olho ao estilo Riddley Scott, excelente aproveitamento das mágnificas paisagens naturais, banda sonora a condizer.
Contra:  o trailer dá uma ideia errada do filme. Tirando isto não há própriamente nada que seja verdadeiramente negativo para quem não estiver á espera de mais do que ver um bom filme de aventuras.

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NOTAS ADICIONAIS:

Mau Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9V2VGs1yaGU

Comprar
Por acaso, até existe uma boa edição Portuguesa deste filme e certamente não terão muita dificuldade em encontrá-lo numa Worten, Fnac ou qualquer hipermercado.
No entanto caso queiram comprar a edição oriental na Play-Asia, sigam para este link
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-ad-77-2-49-en-15-warriors+of+heaven+and+earth-70-1kib.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0374330/

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The Myth    The Promise

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Majo no takkyubini (Kiki´s Delivery Service) Hayao Miyazaki (1989) Japão

8, Maio 2008 - No Responses

Actualmente começar uma review de ["Kiki´s Delivery Service"], sem mencionar as semelhanças com Harry Potter seria disfarçar o óbvio e portanto começemos logo por aí.
["Kiki´s Delivery Service"], pode ter muitos pontos de contacto com o moderno feiticeiro dos livros, mas foi uma produção de Hayao Miyazaki muito antes do feiticeiro inglés começar a voar e já existia em forma de livro pelo menos dez anos antes de JK Rowling sequer ter pensado em escrever o primeiro volume da sua série. Quem sabe até se ["Kiki´s Delivery Service"],  não chegou a ser uma das inspirações para esta criar Potter ?…

Aqueles que tal como eu nunca tiveram grande fascínio por Harry Potter (e muito menos paciência para o seu culto), nesta altura já devem estar com vontade de passar á frente, mas esperem um bocadinho.
Apesar de ["Kiki´s Delivery Service"], ser um filme que irá agradar muito áqueles que procuram encontrar alguma da magia de Potter num desenho animado, esta é no entanto uma criação bem mais original do que “o seu sucessor” pois a sua origem está mais próxima de uma matriz inspirada no conto tradicional do que a vasta colecção de referências pop new-age anglo-saxónicas em que Potter está fundamentado.

["Kiki´s Delivery Service"], foi a criação de uma escritora infantil japonesa chamada Kadono Eiko e foi esta a responsável pela primeira popularização no livro com o mesmo nome do conceito de jovens feiticeiros que percorrem os céus montados nas suas vassouras, escolas de magia e tradição mágica adolescente.
E apesar de já ser reconhecida antes no seu país, o facto desta obra ter sido depois adaptada ao cinema por Miyazaki (não sem algumas queixas da autora), fez com que o conceito atravessasse as fronteiras da Ásia, e o filme acabou por ser popular no ocidente. Inclusivamente foi uma das primeiras longas metragens de Miyazaki a serem dobradas em “americano” há mais ou menos 20 anos atrás.

["Kiki´s Delivery Service"], é acima de tudo um grande trabalho de imaginação e simplicidade, pois Miyazaki partiu mais uma vez de uma história que nem sequer tem grande complexidade, momentos dramáticos, vilões ou grandes coisas a acontecer durante o filme todo e criou uma obra prima da animação cheia não só de ambiente como principalmente de magia.
Tudo sem precisar de recorrer a combates entre bons e maus, raios mágicos a sairem de varinhas ou filosofia new-age pré-fabricada.
No mundo de Kiki tudo é intensamente real, e até o próprio “universo paralelo” com uma Europa ficticia onde a história se passa nos parece tão legítimo como qualquer período histórico conhecido. Tudo isto graças á enorme quantidade de detalhes que esta animação contém e que o espectador só conseguirá captar plenamente numa segunda ou terceita visão.

Ao fazer 13 anos Kiki, atingiu a idade em que a tradição manda que as buxinhas saiam de casa e começem a sua vida sózinhas practicando o bem e servindo a população, por isso uma noite Kiki agarra na vassoura da sua mãe e parte para o mundo atravessando o céu estrelado, tendo apenas por companhia o seu gato falante.
Em pouco tempo encontra uma bonita cidade junto ao mar e começa a explora-la discretamente sempre atenta para tentar perceber se os seus habitantes precisarão dos serviços de uma bruxa. Após algumas peripécias faz amizade com os donos de uma padaria e passa a viver nessa loja o que lhe dá a ideia de usar a sua magia para criar um serviço de entregas rápidas.

E pronto, acabou a história. Óbviamente que há mais para contar, mas não precisam de saber mais nada para apreciarem ["Kiki´s Delivery Service"],  até porque o resto do filme mantém a mesma simplicidade e toda a acção tem por base coisas tão simples que contadas nem pareceriam interessantes. Por isso aconselho-vos a ver imediatamente este filme pois toda a sua magia está precisamente na descoberta dos detalhes que nos envolvem até ao seu final com muita aventura e fantásticas cenas animadas com vôos em vasouras.
E tudo sem perseguições, vilões, tiros, feiticeiros maus, magias negras ou qualquer outra coisa que não seja de uma simplicidade inesperada.

Mas não pensem que por causa desta simplicidade ["Kiki´s Delivery Service"], contenha poucos momentos mágicos. Se procuram uma atmosfera de magia única e acima de tudo uma história completamente -boa onda-, muito positiva e totalmente anti-depressiva têm aqui um filme a ver obrigatóriamente.
Recomendado a toda a gente que gosta de histórias com muita Magia, imaginação e algum romântismo clássico com visuais absoltuamente perfeitos e sequências de acção em vassouras voadoras.
 ["Kiki´s Delivery Service"], é por tudo isto cinema obrigatório até mesmo para quem ainda pensa que não gosta de Anime ou do estilo Manga.
E não pensem que lá por ser desenho animado o filme será menos Cinema. Isto não é a vulgar série de televisão Anime que estão habituados a desprezar habitualmente.
["Kiki´s Delivery Service"], fica bem em qualquer dvdteca de quem gosta de bom cinema.

Como habitualmente na obra do realizador, também ["Kiki´s Delivery Service"],   é um filme que pode ser apreciado tanto pelos mais novos como pelos mais velhos sem deixar de agradar a nenhuma das faixas etárias precisamente por causa do seu argumento inteligente que nem trata os putos como estúpidos e muito menos os adultos como crianças imbecis, criando um filme mágico extramente bem equilibrado e que agradará certamente a quem não tem medo de sentir-se de novo criança por um par de horas, sendo definitivamente uma das melhores obras de Miyazaki sem qualquer sombra de dúvida e muito superior ao que ele tem lançado actualmente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Outro dos melhores filmes de fantasia Anime que poderão encontrar e um dos melhores trabalhos deste realizador.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado.
Na minha opinião é mais uma obra prima da animação.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.
noodle2.jpg   noodle2.jpg   noodle2.jpg   noodle2.jpg   noodle2.jpg   gold-award.jpg

A favor: Tudo. Personagens, história, conceito, paisagens, detalhes dos desenhos, a banda sonora original, ambiente mágico e poético, o gato da Kiki.
Contra:  a versão dobrada em “americano” pela Disney com uma atmosfera toda pop ao pior estilo “High-School Musical” e uma sonoridade Britney Spears. Subitamente o desenho animado parece um produto americano do mais televisivo e banal.
Vejam primeiro a versão japonesa porque auditivamente a atmosfera é logo outra e muito mais genuína.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer Original
http://www.youtube.com/watch?v=qktI3VQdryM
http://www.youtube.com/watch?v=05lrfA-GJnQ&feature=related 

Trailer Americano (versão onde até parece que o filme é da Disney)
http://www.youtube.com/watch?v=_dkLobz4bpw

Comprar:
Opções de compra para ["Kiki´s Delivery Service"],  é coisa que não falta, pois basicamente existem edições deste filme em todo o lado, excepto Portugal, claro.
Existem actualmente duas boas opções de compra.
Podem adquirir a edição legal e oficalizada por exemplo aqui na amazon inglesa
http://www.amazon.co.uk/Kikis-Delivery-Service-Hayao-Miyazaki/dp/B000CBEWZG/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=dvd&qid=1210255032&sr=8-1 ou então optar por uma das inúmeras cópias bootleg (não confundir com “piratas”) que existem imenso no mercado asiático, (também legendadas em inglés).

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Uma das minhas cópias do filme ["Kiki´s Delivery Service"], está nesta excelente edição bootleg - “Studio Ghibli Box Movie Collection (DVD Box Set)”.
http://www.discountanimedvd.com/detail.asp?dvdno=158
Trata-se duma caixa que em 6 dvd de região zero, contém 12 das primeiras longas metragens do estúdio Ghibli e podem comprá-la quase pelo mesmo preço de dois dos filmes em edição oficial legítima. Especialmente se o dóllar continuar tão baixo como está actualmente.
O próprio realizador Miyazaki tem uma opinião curiosa a propósito desta distribuição não oficial dos seus filmes. Numa entrevista há alguns anos foi o primeiro a dizer que mesmo que ele não ganhe dinheiro com isso, o facto das pessoas distribuirem a sua obra significa que a longo prazo só lhe trará boa publicidade pois quem gostar mesmo dos filmes ficará interessado no seu trabalho e depois certamente quererá comprar as edições oficiais por causa dos extras e da melhor qualidade técnica.

A relação preço/qualidade da caixa é bastante boa e para quem não for extremamente exigente com a qualidade técnica tem aqui uma óptima maneira de conhecer de uma só vez por um preço acessível quase todo o historial das produções Ghibli.
Podem usar esta edição como uma espécie de catálogo para conhecerem as obras a fundo. 
Depois mais tarde, se quiserem ter os vossos filmes favoritos numa edição legítima de melhor qualidade poderão então adquirir um a um os filmes que mais vos interessar. É apenas uma sugestão.
Os filmes presentes nesta edição têm uma boa qualidade de imagem e um bom som normalmente apenas em 2.0. 
Na minha cópia, comprada já há uns cinco anos quando a caixa saiu, os filmes apesar de estarem em 16:9, não são no entanto anamórficos mas já li algures que actualmente até isso já está corrigido em edições bootleg genéricas.
Até há pouco tempo existia uma versão legítima desta box-set á venda por 300€ , http://www.play-asia.com/paOS-13-71-8h-49-en-70-973.html mas foi descontinuada e actualmente é bastante dificil de se encontrar.

A edição legal á venda na Amazon inglesa, tem a vantagem de ser anamórfica e ter uma melhor qualidade de imagem com um som 5.1 a condizer.
O que não quer dizer que a cópia presente na caixa bootleg seja própriamente má.

Estão por vossa conta.
Como diz Miyazaki, o que interessa é que vejam o filme.

Nota Importante: Recomendo que tentem comprar qualquer edição Japonesa (ou oriental), porque as inúmeras edições europeias são regra geral baseadas nos “cuts” americanos da Disney que ao longo dos anos se entreteu a “remover” alguns (largos) segundos das versões originais por estas aparentemente conterem coisas politicamente incorrectas que não seriam adequadas ás sensibilidades americanas.
Onde isto está por exemplo muito evidente é no que a Disney fez com a série “Conan Future Boy” onde decidiram remover todas as cenas onde Conan e Jimchi formam uma amizade fumando juntos alguns cigarros e que pura e simplesmente foram cenas que os americanos nunca viram.
Practicamente todos os filmes do Estúdio Ghibli distribuídos pela Disney contêm ligeiras alterações, pequenos cortes e até segundo consta, alguns diálogos alterados para não ferir susceptibilidades das ciancinhas e dos paizinhos ocidentais, (leia-se “americanos”).
O exemplo mais recente disto, foram também os cortes na versão americana do “Princessa Mononoke”.
No que toca agora a ["Kiki´s Delivery Service"], não sei se alguma coisa foi mudada para a edição á venda na Europa, mas como tem a distribuição da Disney é muito bem possível, pois se espreitarem a página sobre as várias edições notarão que a duração do filme varia de país para país.
Em Portugal, este filme só existia em VHS numa edição horrorosa de 90 minutos em pan&scan lançada há uns doze anos atrás.
Por tudo isto recomendo que se puderem, comprem as edições japonesas. Até mesmo as edições bootleg orientais estão intactas o que automáticamente quase que as torna melhores e mais “seguras” do que as edições distribuidas pela Disney no ocidente onde nunca se sabe bem o que foi cortado.

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Guitarra
http://www.youtube.com/watch?v=eHIzvKjTlOE
http://www.youtube.com/watch?v=FamSGT4coMo&feature=related
Piano
http://www.youtube.com/watch?v=77yxsLgMtmg&feature=related

IMDB
http://www.imdb.com/find?s=all&q=kiki+delivery+service&x=10&y=5

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Ju-On 1 & 2 (Ju-On 1 & 2) Takashi Shimizu (2000 e 2003) Japão

7, Maio 2008 - No Responses

Esta review vai em formato de dois em um, porque na verdade falar do primeiro ["Ju-On"] e não falar logo do segundo seria desperdiçar espaço e repetir a temática num texto futuro.

Até porque o segundo filme começa exactamente onde o primeiro acaba e continua a mesma história.
E já que falo no argumento nem me vou dar ao trabalho de o resumir, pois no caso de ["Ju-On"] como diria Teresa Guilherme, isso agora não interessa nada.
E não interessa porquê ? Porque simplesmente o ténuo fio de história não passa apenas de uma justificação para uma colagem de sucessivos segmentos extremamente arrepiantes e assustadores que percorrem os dois filmes e onde o realizador desenvolve as mais variadas e inesperadas ideias sempre com o propósito de nos dar cabo dos nervos e apresentar-nos motivos suficientes para nunca mais dormirmos debaixo de cobertores, tomar banho de chuveiro ou andar de elevador.

Neste aspecto, ["Ju-On"] na minha opinião não podia ser melhor e mais eficaz, pois acho que deve ser um dos melhores filmes de terror que anda por aí, se valorizarmos o género pela criação de atmosfera.
["Ju-On"], não precisa de história para nada, não é isso que interessa. Ninguém vai ver este filme para ver um drama com desenvolvimento de personagens. Vemos isto para nos assustarmos e nesse aspecto, pelo menos para mim este filme é uma das grandes obras primas do cinema de terror contemporaneo, porque mesmo que o veja dezenas de vezes continua a meter medo.

Isto porque não é um filme que dependa da história ou até mesmo das surpresas para assustar. ["Ju-On"], é essencialmente uma obra que assusta pelo ambiente que cria e este não está dependente de nenhum argumento, ou sequer de pregar sustos “inesperados” com som ALTO á moda dos filmes de pseudo-terror para teenagers americanos.
Não quer dizer que não recorra também a um par de momentos que nos fazem saltar da cadeira, mas curiosamente os mais eficazes são aqueles baseados no extremo silêncio de algumas sequências e não na súbita imagem nojenta que pudesse aparecer.
["Ju-On"], é terror de puro ambiente e ambos os filmes seguem essa linha muito, muito bem.

Curiosamente o remake “americano” foi filmado pelo mesmo realizador dos originais, o que dotou as versões americanas de muito mais identidade do que é costume, embora quem já tenha visto estes originais não vai já achar grande novidade ou impacto nos remakes produzidos por Hollywood e como tal são na mesma completamente dispensáveis pois pouco mais fazem do que reproduzir o que já foi feito mas com caras conhecidas americanas. Aliás, não se percebe mesmo para que raio é que se deram ao trabalho de refazer um filme que já era perfeito, até porque o remake é practicamente idéntico em tudo embora um bocadinho mais plástico, pois apesar de manter a sua identidade sente-se sempre a influência do estilo americano por detrás, nomeadamente no facto de ter muitos mais sustos de som ALTO do que precisava ter.
Takashi Shimizu, o realizador practicamente construiu uma carreira a refazer sempre o mesmo filme ["Ju-On"]. Além dos filmes originais e dos remakes americanos, realizou também outros remakes para a televisão japonesa e parece condenado a não produzir mais nada de original enquanto isso.

No entanto, não há dúvida que ["Ju-On"] no seu original japonês, é realmente um grande filme de terror. Pode não ser para toda a gente, mas para mim é um daqueles mesmo perfeitos para ser visto noite dentro, sózinho, de luzes apagadas e a chover lá fora.
Além disso, quem gosta de filmes de terror com criancinhas absolutamente creepy tem aqui algo que o manterá congelado no sofá ao ponto de nem sequer notar que o filme tem para lá uma história qualquer que nem interessa nada.
E a quem sofra do coração, se calhar é melhor não ver ["Ju-On"] com o telemovel ligado ao lado.

Na sua simplicidade e apesar de recorrer a todos os truques do cinema de terror oriental moderno inaugurados pelo já clássico “Ringu”, é um filme que faz tudo bem para nos arrepiar e como tal na minha opinião é um pequeno produto low-budget sem falhas que mereçam ser apontadas.
Podem ver o primeiro ["Ju-On"] sem precisar de ver o segundo e até podem ver o segundo ["Ju-On 2"] sem ver o primeiro, mas se virem os dois juntos estes formam um excelente filme de terror com uma duração de aproximadamente 3 horas onde não se passa mais nada a não ser momentos de puro medo e também algumas cenas nojentas no segundo filme que não serão própriamente aconselhadas a mulheres grávidas…

Não esperem uma estrutura ao estilo americano. Este não é um filme de suspanse com base nos habituais clichés de hollywood e se calhar até pode ser um filme parado para muito boa gente, pois aqui o horror é totalmente construído com base em silêncio e não em violência e pirotécnia á americana.

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CLASSIFICAÇÃO:
 
Dois excelentes filmes de terror que podem ser vistos isoladamente mas perfeitos para serem vistos de seguida.
A prova de que ás vezes a simplicidade compensa e vale mais um ambiente perturbante do que mil efeitos especiais.
Não há muito mais a dizer.
Os dois filmes são assustadores como o “#$%% e por isso levam cinco tigelas de noodles sem qualquer sombra de dúvida, embora o primeiro ["Ju-On"] seja melhor e mais assustador que o segundo. Embora não sejam muito diferentes e a única razão porque isso acontece é porque no segundo já vamos á espera daquilo com que podemos contar e a surpresa não será tanta.

           

A favor: o clima de medo, a tensão, os silêncios angústiantes, apesar de básica a história serve perfeitamente o filme e as situações estão muito bem ligadas numa estrutura de puzzle, tem uma criancinha fantasma absolutamente arrepiante, tem muito poucos efeitos especiais e tudo é construído com base na atmosfera.
Contra: não se afasta dos clichés habituais do cinema de terror oriental.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=e8R1dODSbzU

   

Comprar
Existem óptimas edições nacionais, que poderão encontrar ainda em toda a parte. Inclusive nos cestos de promoções em hipermercados ou nas FNAC espalhadas pelo país.

IMDB
Ju-On -  http://www.imdb.com/title/tt0330500/
Ju-On 2 - http://www.imdb.com/title/tt0367913/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters  

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Riri Shushu no subete (All About Lily Chou-Chou) Riri Shushu (2001) Japão

7, Maio 2008 - No Responses
Eu não recomendaria este filme ao meu pior inimigo.
Agora que já disse isto, é melhor avisar que vão achar esta review completamente confusa e totalmente contraditória.
 
 
Este filme é absolutamente experimentalista a um nível próximo da mais detestável  - instalação “Artística” - (com “A” grande), deprimente, negativista, e a uma primeira visão chato, confuso e loooooongo como o #$%&.
["All About Lily Chou-Chou"], chega ao ponto de nos fazer pensar que aquele cinema de autor ultra-pretencioso á boa e velha maneira portuga se calhar até nem será mau de todo.
Como tal e começando anormalmente desta vez logo pelo fim, ["All About Lily Chou-Chou"],  leva uma excelente classificação de cinco tigelas de noodles na boa porque as merece plenamente.
 
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CLASSIFICAÇÃO:
 
Por mais que eu não queira, tenho que reconhecer que o filme não só é extremamente original, está muito bem feito, tem uma atmosfera única, um grafismo ainda melhor e realmente torna-se numa obra bem curiosa que vale a pena ser vista. Duas vezes.
 
           
 
Duas vezes, porque da primeira vai acontecer-lhes o mesmo que a mim e a primeira reacção vai ser pegar no dvd e jogá-lo fora não antes sem o triturar na batedeira e colocá-lo a gratinar no micro-ondas.
Acontece que se depois virem o filme uma segunda vez, já sabendo com o que contam, as coisas parece que subitamente ganham uma nova dimensão e ficam bem mais claras e apelativas. Isto claro, se estiverem mesmo com pachorra para aturar cinema-de-autor com pretenções de ser Arte Digital moderna.
Na verdade por debaixo de tanta Arte, até que existe um bom núcleo e ["All About Lily Chou-Chou"],  bem vistas as coisas se calhar nem será tão pretencioso assim quanto aparenta á primeira vista e provavelmente mereceria mesmo um Gold Award e tudo.
 
 
Mas atenção, o facto de eu atribuir uma excelente classificação de cinco tigelas de noodles a esta …coisa, não significa que o esteja propriamente a recomendar ou a sugerir que vão imediatamente ver este filme.
Não comparem estas cinco tigelas de noodles com uma outra classificação semelhante que eu tenha atribuído a outro filme neste blog, pois no caso de ["All About Lily Chou-Chou"],  isto segue mesmo uma outra lógica de classificação á parte.
No entanto seria extremamente injusto se eu não lhe desse uma boa nota. A verdade é que este é um daqueles raros exemplos de cinema-de-autor tão desconcertante que se torna absolutamente hipnótico e mal ou bem não nos esquecemos do filme tão cedo.

A favor: provavelmente o estilo crú digital é a solução visual perfeita para contar esta história sobre violência adolescente que envolve não só bullying juvenil como aborda o problema da alienação social dentro dos frios liceus japoneses.
Como tal o tema da imersão virtual no mundo da net está fantásticamente retratado neste filme, o que o torna hipnótico e perturbante ao mesmo tempo.
Os actores são excelentes. Alguns enquadramentos e imagens contêm uma beleza única que contrasta com o tom frio e desumano da própria história. Todo o conceito do filme é muito bom e se calhar só poderia funcionar tão bem sendo o filme que é.  Vai agradar ao fãs de música estilo Bjork.

Contra: esta “instalação Artistica Digital” tem 140 minutos que nos parecem 6 horas quando vemos o filme pela primeira vez se não estivermos á espera do que nos vai cair em cima.
A meio do filme quando os personagens vão de férias para uma ilha, o realizador resolve mostrar-nos durante mais de quarenta minutos o filme das suas férias e o filme muda abruptamente de estética para algo que se assemelha ao pior video de familia que vocês alguma vez possam ser obrigados a ver e que se arrasta por um tempo infinito sem haver propriamente uma justificação narrativa para pregar tamanha seca ao espectador.
A fragmentação narrativa pode ser um pesadelo para o espectador mais desprevenido, pois os flash-backs podem ser extremamente confusos ao inicio, até porque os personagens ás vezes falam do ponto de vista dos seus nicks  de internet e outras com o seu nome próprio. Ainda por cima os nomes japoneses têm uma sonoridade semelhante e  a certa altura se não tivermos cuidado já nem sabemos quem é quem.
Algumas músicas da banda sonora enervam-me profundamente. Por outo lado quem gosta do estilo Bjork vai adorar tanto a música como o filme, pois este é quase um videoclip de duas horas para o seu tipo de sonoridade.
 
 
E pronto agora que estão avisados, deixem-me parafrasear por momentos o site oficial e contar-lhes algo sobre o filme.
Ao contrário do que costumo fazer vou dar bastante detalhes sobre o argumento, mas não precisam agradecer-me, pois até o site oficial faz exactamente o mesmo.
E não se preocupem com os *spoilers* porque se calhar é melhor partirem para isto com uma ideia mínima do que vão ver no ecran no meio de tanta Arte.
Se não quiserem saber exactamente sobre o que trata esta história e quiserem experimentar ver o filme sem saber nada sobre ele podem parar de ler este texto, aqui.
 
["All About Lily Chou-Chou"],
 
Yuichi Hasumi vive com a sua mãe, o namorado dela e o filho deste numa aldeia rural do interior do japão.
Na escola é atacado constantemente pelos colegas e para escapar dos seus problemas, refugia-se no seu mundo próprio ao som da sua cantora favorita, uma super-estrela nipónica ao estilo de Bjork de seu nome Lily Chou-Chou, que é venerada quase como uma deusa pela sua legião de fãs.
Yuichi vive fechado no seu quarto uma existência paralela online no site dos fãs de Lily Chou-Chou que ele criou e do qual é o webmaster comunicando através do nick  - “Philia”.
Um dia “Philia” encontra no site outro fã de Lily, chamada “Blue Cat” e nesses espaço virtual nasce uma amizade.

Seguidamente o filme volta atrás um ano.
Yuichi Hasumi ainda nao conhece a musica de Lily Chou-Chou e vive um bom periodo da sua infância,
entrou para o liceu e um dos seus colegas é Hoshino um excelente aluno. Ambos ficam amigos quando aderem ao clube de esgrima-kendo e depois de muitas peripécias políticamente incorrectas decidem fazer uma viagem até Okinawa onde pretendem passar umas férias á beira mar onde tudo corre bem até ao dia em que Hoshino quase se afoga e o ambiente parece mudar de um momento para o outro. Como se não bastasse os dois são depois espectadores de um trágico e sangrento acidente de automóvel que se torna num prenúncio dos tempos negros que se aproximam.

Começa um novo ano e todos estão mais velhos.
Hoshino mudou de personalidade , derrota o fanfarrão agressor da escola e torna-se ele o chefe de um gang desprezando a sua antiga amizade com Yuichi pois abusa psicológicamente dele constantemente também.
Chega o ano 2000 e ambos fazem 14 anos.
Yuishi está no 8º ano mas ainda tem que dar constantemente dinheiro a Hoshino a troco dele não o tratar mal e para isso rouba diariamente, comentendo pequenos furtos por onde pode.
Isto porque Hoshino controla tudo e todos á sua volta com a sua crueldade adolescente. Um dia ordena A Yuishi que siga Shiori Tsuda, uma adolescente da escola que também há muito é uma vitima de Hoshino sendo forçada por este a aceitar “compensated-dating” com homens mais velhos a troco de dinheiro.

Yuishi é portanto encarregado por Hoshino de a vigiar e controlar o dinheiro que a adolescente ganha nesta forma semi-legítima de prostituição juvenil no Japão.
Apesar da sua submissão á crueldade de Hoshino, a rapariga Shiori Tsuda é tambem uma aluna excelente e optima pianista mas no entanto com um passado obscuro pois tambem já tinha sido antes abusada por outro colega anterior ao estilo de Hoshino.

 
A solidao e os dias de escola sufocantes são o dia-a-dia destes adolescentes maltratados pelos próprios colegas e aos poucos a realidade torna-se sofucante. Apenas no website dos fãs de Lily Chou-Chou anónimamente e por detrás dos seus nicks virtuais estes jovens conseguem falar do que lhes aflige e confessar os seus problemas.
Yuishi/”Philia” confessa que se tentou matar um dia mas não foi capaz e “Blue Cat” diz que também passou por isso. Em comum o facto da música de Lili Chou-Chou os ter ajudado a curar a dor e ambos tal como a restante legião de fãs da cantora veneram-na de uma forma religiosa quase doentia afirmando que ela é a personificação do “Ether”, algo indistinto mas divino que simboliza tudo o que é belo e perfeito e que segundo os fãs está presente nas músicas da cantora, sendo a única coisa que os faz ainda querer viver.
 

Dezembro, vai haver um concerto especial de Lily Chou-Chou próximo da localidade e todos os fãs se encaminham para lá em profundo extase religioso, incluíndo “Philia” e “Blue Cat” sem saberem que a tragédia os aguarda.

 
["All About Lily Chou-Chou"],   Fim dos *Spoilers*
 
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Resumindo, é isto que poderão acompanhar em ["All About Lily Chou-Chou"],  embora o filme e a história contenha muito mais e seja um argumento extremamente detalhado.
Essencialmente isto é cinema-de-autor japonês e como já disse poderá ser algo que vocês irão detestar profundamente, mas por outro lado, se entrarem no espírito a verdade é que encontrarão aqui uma obra única dentro do cinema mundial e que ilustra como nunca o problema do bullying, da solidão juvenil no japão moderno e da alienação do mundo exterior.

["All About Lily Chou-Chou"],  tem não só um conceito diferente para um filme sobre adolescentes, como ainda por cima a origem deste projecto não podia ter sido mais original.
Senão vejamos, a certa altura o realizador do filme, muito antes do projecto sequer estar totalmente pensado, em jeito de experiência criou na internet um website para uma cantora fictícia chamada Lily Chou-Chou que incluia música composta por uma incógnita artista real japonesa.
Fazendo-se passar por vários utilizadores, o realizador começa a deixar na página várias mensagens de fãs ficticios da cantora inexistente.
A coisa inesperadamente pegou, e de um dia para o outro o site recebe inúmeras mensagens de adolescentes reais que discutem tudo á volta de uma personagem que aparentemente ninguém consegue descobrir quem é ou porque supostamente será tão famosa.
Por acaso um dia surge numa das mensagens reais a palavra “Ether” e logo toda a gente começa a discutir o seu significado, a sua ligação á cantora, ás suas vidas, etc. Exactamente como é apresentado no filme que conta precisamente com as verdadeiras mensagens reais enviadas para o site ilustrando a veneração por Lily Chou-Chou.
Eis que o realizador do filme, continuando a fazer-se passar por mais um fã, introduz na conversa outro facto fictício dizendo que uma fã foi assassinada e imediatamente todos os users começam a especular sobre quem terá sido o responsável e de que forma isso afectará a cantora.

 
E lembrem-se, tudo isto á volta de uma pessoa que nunca existiu. Nesta altura já o realizador daquilo que viria a ser o filme ["All About Lily Chou-Chou"],  tinha uma boa mão cheia de ideias para a sua história sobre adolescentes e o rumo que esta tomou acabou precisamente por ser ditado pelas narrativas dos verdadeiros fãs que compulsivamente frequentavam o site mesmo sem nunca ninguém ter tido na mão qualquer prova que a cantora existisse.
Subitamente o message board foi fechado pelo realizador, deixando toda a gente no Japão á deriva.

Com o material obtido nesta experiência verdadeiramente sociológica, foi criado o primeiro esboço do argumento do filme, mas apenas ainda na forma de uma novela que depois acabou por ser publicada ao longo de trés meses numa revista japonesa criando uma enorme publicidade á volta do conceito, o que depois levou a que o message board do site “oficial” de Lily Chou-Chou fosse re-aberto e as histórias de experiências traumáticas adolescentes voltassem a aparecer o que permitiu que o argumento fosse depois escrito á volta de tudo isto, dando origem ás situações que encontram agora no filme e que segundo consta são perfeitamente baseadas em narrativas reais.

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A Lily Chou-Chou mania chegou ao ponto de quando durante a produção do filme, o realizador precisou de encher um estádio para um concerto da cantora que nunca existiu, todos os figurantes presentes nessas cenas foram escolhidos precisamente entre os utilizadores do website da cantora ficticia que inicialmente foi criado pela produção.
E muitos deles pensando ainda inclusivamente que a cantora existia mesmo, tendo-se tornado inclusive verdadeiro Otaku em redor de uma artista que nunca existiu.
É caso para dizer, só no Japão meus amigos !
Resta só dizer que o filme apesar de todo o seu experimentalismo foi um sucesso não só de público no Japão como principalmente de crítica a nível mundial onde é quase tão venerado pelos críticos como Lily Chou-Chou o é pelos seus Otaku hoje em dia.
 
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NOTAS ADICIONAIS
 
Trailer
Á falta de um trailer, podem espreitar o início do filme pois dá perfeitamente a ideia do seu estilo.
http://www.youtube.com/watch?v=OJFYDTFQHlo

Comprar
A edição que eu tenho é esta.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-all+about+lily-70-cmv.html
Não trás mais nada além do filme, mas técnicamente está muito boa e além do grafismo da capa ser elegante trás ainda um pequeno folheto com as notas explicativas que puderam ler reproduzidas acima nesta review.

Site oficial
http://www.lily-chou-chou.jp/

 
 
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E se gostaram deste não vão querer perder:
 
 
 
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Gwoemul (The Host) Joon-ho Bong (2006) Coreia do Sul

5, Maio 2008 - No Responses

Já que da última vez recomendei de seguida trés histórias de amor, agora para equilibrar as coisas vamos lá falar sobre um excelente filme com montes de pessoas muito bem mastigadas e também engolidas vivas.
Bem-vindos a ["The Host"].

Este filme tem sido comparado a “Jaws“, o clássico “Tubarão” de Steven Spielberg e embora na minha opinião não esteja de forma alguma ao mesmo nível é num entanto um excelente filme de monstros. Provavelmente mesmo o melhor filme de monstros desde o primeiro “Tubarão” e muito acima de qualquer outra coisa que tenha surgido vinda de Hollywood dentro do estilo Godzilla.
Já agora será melhor avisa-los desde já que também ["The Host"] vai ter em breve um remake made-in-usa por isso têm mais um motivo para se despacharem a ver este original o quanto antes.
Até porque ["The Host"] não é de forma nenhuma mais um “Godzilla” ao estilo Rolland Emerich e sim um filme bem mais original do que aparenta ser no trailer.

Para começar, se calhar é melhor avisar logo que o trailer pode enganar muita gente. ["The Host"], não é de forma alguma o filme de acção frenética ao estilo blockbuster americano para mastigarmos pipocas que aparenta ser na apresentação.
Nem sequer o monstro é o centro da narrativa e logo isso vai ser suficiente para desiludir todos aqueles que esperam encontrar aqui algo semelhante a um puro filme de efeitos especiais á americana.
["The Host"], não é um filme sobre um monstro que aterroriza uma cidade ou sobre um heroi que salva o mundo porque é o personagem principal do filme.  Este filme é essencialmente sobre uma familia como tantas outras e sobre a forma como esta se une para conseguir salvar um dos seus membros mais jovens das garras do monstro.
["The Host"], deve ser o primeiro filme de monstros, cheio de efeitos especiais, que mantém uma característica muito intimista, pois acima de tudo é sobre os efeitos que uma tragédia pode ter numa família disfuncional e sobre aquilo que os seus membros fazem para se manterem unidos e com esperança quando o mundo á sua volta não lhes liga absolutamente nenhuma.

Um perigoso químico é negligentemente lançado ao rio que atravessa uma grande cidade da Coreia do Sul e provoca uma mutação numa das criaturas que lá habitam ao ponto desta crescer até um tamanho gigantesco e começar a alimentar-se dos habitantes locais.  De um dia para o outro estes dão por si a viver paredes meias junto a uma espécie de lula gigante com pernas e extremamente carnívora que ninguém consegue capturar por esta ser incrivelmente ágil e ninguém saber onde habita.
Mas como já disse, ["The Host"], não é sobre o monstro, pois este é apenas a razão para os personagens ganharem vida e como tal o filme conta a história de uma pequena família que tem um pequeno quiosque de comes & bebes junto ás margens do rio. 
Essa familia é composta pelo avô, os seus trés filhos e uma neta adolescente filha de um deles. Neste caso, filha de um rapaz que tem uma clara limitação de inteligência e anda bem próximo do atraso mental.
Por causa dessa deficiência a sua esposa, mãe da adolescente um dia abandonou a familia e nunca mais ninguém soube nada dela.

Uma manhã, o monstro invade as margens do rio e rapta a miuda levando-a para o seu covil deixando não só a população da cidade em estado de sítio, como também a familia em desespero pois recusam-se a acreditar que a miuda tenha sido comida apesar de todas as autoridades o garantirem.
O resto do filme, é sobre a forma como toda a familia se une para procurar a miuda, sobre como o pai contorna a sua deficiência mental e se torna um heroi e como a sociedade se pode tornar num inimigo bem mais perigoso do que qualquer monstro quando uma pessoa tenta apenas fazer o que acha certo.
E se pensam que já viram tudo, só lhes posso dizer que pelo menos o final deste filme podem ter a certeza que não viram.
Aliás, aposto tudo o que quiserem em como a versão americana de ["The Host"], vai ter um final diferente.
E mais não conto.

Apesar deste filme não ser propriamente o filme de aventuras com monstros ao estilo americano, isto não quer dizer que não tenha possivelmente algumas das melhores sequências com bichos que vocês viram até hoje.
Ao contrário do que é habitual na formula Hollywood, aqui a maior sequência de acção deste filme, está não no seu final cheio de pirotécnia digital, mas no início do filme.
["The Host"], contém definitivamente a melhor sequência de pânico nas ruas dos ultimos anos dentro do cinema catástrofe. A longa cena de acção em que o monstro invade as ruas quando sai pela primeira vez do rio é simplesmente inesquecível para quem gosta de ver grandes massas humanas em pânico e a serem mastigadas, espezinhadas e comidas vivas a cada segundo.
E não pensem que isto é filmado ao estilo politicamente correcto de filmes de monstros para a familia, afinal isto ainda é um filme oriental ! Em ["The Host"], o que não falta é sangue e violência gráfica que leva este filme por caminhos a que não estamos habituados a ver e o dá um tom ainda mais realistico.
Afinal se isto fosse verdade e existisse mesmo um monstro assim a comer pessoas pelas ruas, certamente que sangue e tripas seria coisa que não iria faltar e nisto o filme está de parabéns, pois se tem que mostrar tripas e sangue, mostra mesmo.

A partir dessa longa sequência de acção inicial, o filme alterna entre o tom intímista com inúmeros momentos de comédia e drama ao melhor estilo coreano e o filme de suspanse típico dentro do género, até chegar depois á habitual sequência final que mesmo assim ainda contêm um par de coisas que ainda ninguém tinha visto e que os vão deixar tão enojados quanto divertidos.
["The Host"], está polvilhado de pequenas cenas de acção, mas não é um filme-tipo do género. Não é um filme linear com um heroi central, mas sim um puzzle de personagens muito bem construidos e onde não existe o heroi típico a que estamos habituados a seguir nos filmes americanos. Todos os personagens são herois e todos têm o seu momento que contribui totalmente para o final único e original deste filme sem nunca perder a coerência.

["The Host"], tem cenas emocionantes, cenas cómicas, cenas dramáticas, cenas nojentas com muita baba gelatinosa e efeitos digitais quanto baste obtendo com isso um resultado excelente. 
O que não deixa de ser surpreendente porque o filme nem sequer tem um grande orçamento.
Perto das grandes produções americanas, ["The Host"], é um verdadeiro série-B sem dinheiro. De tal forma que até o filme teve muita poucas cenas em estúdio e foi quase todo filmado em localizações reais porque não havia dinheiro para grandes construções. Como resultado disto, até foram filmar para uma rede de esgotos real onde toda a produção teve de apanhar vacinas contra o tétano  e inclusive os actores filmavam metidos no meio dos dejectos com ratos mortos a lhes passarem por debaixo das pernas.
Está tudo no making off e vale a pena ser visto.

No entanto, olhando para o filme, ninguém diria que ["The Host"], não é a grande super-produção que aparenta ser. Os cenários são mágnificos (porque são reais), a fotografia não podia ser melhor dando um tom fantástico ás cenas passadas nos esgotos e os efeitos digitais são mesmo muito, muito bons contendo inclusivamente muitos pormenores originais.
Acima de tudo, é a prova de que o cinema comercial pode no entanto ser cinema a sério sem precisar de entrar pelos facilistimos plásticos que habitualmente vemos nos filmes-pipoca americanos.
["The Host"], tem não só estilo, como ainda por cima tem alma. E segundo os actores que entraram nele, tem muito cheiro também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Cinco tigelas de noodles completamente á vontade.
Se calhar estou a cometer uma injustiça não lhe atribuíndo também um Gold Award, mas a verdade é que acho que apesar de ser um filme excelente faltou-lhe ainda qualquer coisa que não sei bem explicar. A verdade é que apesar de me ter divertido, a parte dramática não me emocionou particularmente e por isso este nem sequer seja um daqueles filmes que me apetece sempre rever. Portanto se não é um daqueles que quando penso nele não me apetece reve-lo de imediato então não lhe atribuo um Gold Award.
Mas só por isso, porque de resto recomenda-se vivamente e é definitivamente indispensável para quem gosta de filmes com monstros e cenas de multidão em pânico no meio de muito sangue.
Por outro lado, também não vão á espera de um puro filme de terror, pois este é essencialmente um filme de monstros.

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A favor: as cenas de pânico iniciais são fantásticas, o monstro, os actores e os seus personagens, as situações em que se envolvem, o tom de comédia negra por vezes hilariante mesmo quando não deveriamos rir (a cena do funeral), as cenas de acção, o estilo visual do filme, a realização, a fotografia, é um blockbuster com alma, o final original e inesperado do filme.
Contra: não me ocorre nada, embora ache que lhe falta qualquer coisa que me faça ter vontade de estar sempre a revê-lo.
Quem espera o típico filme de acção á americana também pode sair desiludido, pois o estilo do filme é bem mais intimista do que aparenta no trailer.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer Coreano
http://www.youtube.com/watch?v=bNbZE8NX0nk
Trailer Internacional
http://www.youtube.com/watch?v=hJnq9sm4Zxk&feature=related

Comprar
Eu tenho esta excelente edição Uk, em dois discos com excelente qualidade de imagem e som a condizer e muitos extras sobre todo o making of do filme.
http://www.amazon.co.uk/Host-2-DISC-Kang-Ho-Song/dp/B000KRNMVC/ref=sr_1_2?ie=UTF8&s=dvd&qid=1209927118&sr=8-2
No entanto este parece ser um daqueles raros filmes orientais que por acaso até tem uma excelente edição portuguesa, que aliás, parece ser idêntica á edição inglesa que eu tenho.
Podem encontrá-la aqui.
http://www.precos.com.pt/filmes-dvd-c3452/the-host-a-criatura-p22313582.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0468492/

 

 

2046 (2046) Wong-Kar-Wai (2004) China

4, Maio 2008 - No Responses

Bem-vindos ao terceiro filme de uma trilogia que por acaso até nem existe.

Se ["2046"] fosse cinema Lusitano seria um filme sobre Fado. Um filme sobre vielas escuras, candeiros á meia luz, almas em câmera-lenta, destinos errantes, amores perdidos e muita Saudade.
["2046"] pode não ser um filme Português, Wong Kar Wai pode até nunca ter ouvido falar de Amália Rodrigues mas esta história podia ter saído perfeitamente de um poema português presente num dos Fados dela.
Isto apesar deste argumento ser também em grande parte uma narrativa de ficção-científica que não fica nada a dever ao universo de Blade Runner.

Aliás, se alguma vez houve uma “sequela” inesperada para um drama romântico, ["2046"] ganha esse prémio sem sombra de dúvida, pois a última coisa que se esperava era que Wong Kar Wai fosse continuar não só a história de ["In The Mood For Love"] como ainda por cima o fizesse usando um cenário futurista que mete cyborgs ao melhor estilo “replicant” e tudo.
A primeira vez que li a notícia dizendo que ["2046"] daria continuidade a “In The Mood For Love“ pensei que seria uma piada de 1 de Abril, pois por mais que tentasse não conseguia conceber como raio se pegava num filme tão classicamente romântico para o transformar numa história com contornos de ficção-cientifica.
Mal sabia eu que afinal ["2046"] não só, era uma continuação não oficial de “In The Mood For Love” como ainda por cima também uma “sequela” para ["Days of Being Wild"] um dos filmes mais antigos do realizador e que por sua vez, também já tinha servido de base para “In The Mood For Love“.
Confusos ?
Ainda não viram nada, mas para saberem mais detalhes sobre tudo isto, recomendo que depois leiam sem falta a minha review sobre - ["Days of Being Wild"], o “primeiro” filme desta “trilogia”. 
Por agora voltemos a  ["2046"].

Lembram-se da famosa cena romântica de Blade Runner em que Rick Deckard  seduz a Rachel ao som da fabulosa música de saxofone criada por Vangelis ?
Pois bem, em ["2046"] é como se Wong Kar Wai, o realizador, tivesse pegado nesse ambiente que em Blade Runner dura pouco mais de cinco minutos e tivesse criado um filme de duas horas com o mesmo estilo de atmosfera romântica, onde não só as imagens importam, mas principalmente a música é absolutamente essencial para traduzir em emoções um argumento que não precisa de diálogos para ser intensamente poético.

Mas afinal,  ["2046"] é uma sequela para “In The Mood For Love” porquê ?
Tal como em “Days of Being Wild“ conhecemos a juventude da personagem interpretada pela actriz Maggie Cheung tanto nesse filme como em “In The Mood For Love“, também agora aqui em  ["2046"], ficamos a saber de que forma foi afectada a vida do personagem interpretado por Tony Leung após ter encontrado o amor da sua vida nesse “segundo” filme.
Em  ["2046"] ele é um novo homem. Passaram-se alguns anos desde “In The Mood For Love“, estamos a meio dos anos 60 em Hong-Kong e longe vão os tempos do jornalista tímido e recatado completamente apaixonado por alguém que sabia nunca poder vir a ter nos seus braços.

Agora toda a sua vida não passa de uma sucessão de mulheres, casas de alterne, casinos e clubes nocturnos por onde ele se cruza com outras almas tão perdidas quanto a dele, vivendo a vida e a noite ao sabor da saudade, da recordação de amores perdidos e da constante procura desse amor antigo sempre numa nova pessoa errada. Numa constante solidão colectiva que Wong Kar Wai filma como ninguém e faz deste filme uma experiência cinematográfica inesquecível para todos aqueles que já gostavam de “In The Mood For Love” e querem voltar a encontrar aqueles dois personagens.

Só que desta vez, Maggie Cheung, já não está presente. Apenas a sua breve imagem aparece quase como um sonho que percorre alma do personagem de Tony Leung acentuando a eterna saudade que o move por todo este filme e o leva a escrever um conto de ficção-cientifica, que na realidade é o espelho do que ele sente mas nunca demonstra a nenhuma das mulheres que agora em  ["2046"] percorrem a sua vida.
Nesse conto, passado precisamente no ano 2046, a humanidade conseguiu criar cyborgs extremamente avançados que se assemelham a humanos em tudo menos numa coisa.
São incapazes de reconhecer emoções de uma forma imediata.

Nesse ano futuro, cujo a data é precisamente baseada no número do quarto onde em “In The Mood For Love” o personagem interpretado por Leung se encontrava com a mulher da sua vida, um rapaz encontra-se apaixonado por um cyborg feminino ao melhor estilo replicant e essa máquina a pouco e pouco também se vai apercebendo que o ama. Mas existe um grave problema, pois a replicant tem uma característica especial e todas as suas emoções contêm um atraso temporal.
Só várias horas depois de viver um acontecimento é que ela reage emocionalmente a esse momento.

O que provoca um dilema romântico na relação com o jovem humano que não reconhece esse facto e julga que está a desperdiçar o seu amor numa máquina que jamais será capaz de lhe corresponder não sabendo no entanto que esta também o ama embora só consiga reagir ao seu amor muitas horas depois quando os dois já não se encontram juntos.

Quem conhece bem “In The Mood For Love” já está aqui a ver o parelelismo entre o amor platónico da “segunda” parte e esta história que o personagem interpretado por Tony Leung tenta agora metafóricamente passar para o papel como forma de confessar secretamente as suas verdadeiras emoções e a saudade pela personagem de Maggie Cheung.
Isto enquanto é incapaz de viver um novo amor com as mulheres que o rodeiam, que o amam agora de verdade e tal como ele estão condenadas a viver presas á saudade de um amor que nunca poderá existir.

E basicamente esta é a história de  ["2046"]. Não esperem um filme de ficção-cientifica com aventura, vilões e perseguições mas sim a continuação de uma inesquecível história de amor vista de uma perspectiva completamente inesperada, atmosférica e muito original.
Wong Kar Wai, filma essencialmente a saudade e de que forma esse sentimento pode impedir que um novo amor surja na nossa vida.
Neste campo, uma nota especial, para os trés novos interesses românticos de Tony Leung neste filme. Nomeadamente para as actrizes Bai Ling, Zhang Ziyi (que desta vez não anda envolvida em combates de artes-marciais) e Carina Lau que regressa ao universo desta história. Todas com interpretações emocionalmente extraordinárias que quase fazem esquecer a ausência de Maggie Cheung embora esta esteja sempre presente no tema da saudade que percorre o filme. 
Carina Lau, inclusive retoma a personagem que foi anteriormente o centro de “Days of Being Wild” o que liga de forma genial todos os trés filmes desta trilogia.
Um trilogia, que segundo o próprio Kar Wai nem se pode considerar oficial pois simplesmente aconteceu e nunca foi minimamente planeada.
E quem conhece o cinema do realizador e a forma como ele trabalha, não tem qualquer dificuldade em acreditar nisto.
A verdade é que o resultado mais uma vez não podia ter sido melhor e Kar Wai voltou a criar um filme romântico completamente original que vale por si próprio embora não seja para todos os públicos.

Na verdade não é obrigatório que se conheçam “os filmes anteriores” para poderem apreciar  ["2046"], mas podem ter a certeza que se os conhecerem e principalmente se gostarem deles, esta “terceira parte” ganha nova vida e torna-se ainda mais um filme indispensável a quem gosta de cinema verdadeiramente romântico com alma e poesia.

Agora atenção, tal como em relação aos “filmes anteriores”, também  ["2046"] é puro cinema-de-autor ao melhor estilo Art-House. É muito sofisticado, é certo, mas não é de forma alguma cinema comercial romântico ao estilo de um “The Classic“, por isso pode não ser um filme para todas as audiências.
Mas se gostarem de filmes românticos e quiserem ter a experiência de ver uma história verdadeiramente única dentro do cinema do género, não podem de forma alguma deixar de ver pelo menos “In The Mood For Love” e este  ["2046"]. Até mesmo quem procura um bom filme de ficção-científica tem aqui uma boa proposta pois esse segmento embora seja relativamente secundário dentro da história é no entanto absolutamente fascinante e a actriz que faz de cyborg é simplesmente perfeita  na composição da replicant que perde o seu primeiro amor porque não consegue demonstrar os seus sentimentos quando seria a altura certa.

E claro depois disto, terão obrigatóriamente de querer ver “Days of Being Wild” porque a “primeira parte” tornar-se-á verdadeiramente indispensavel.
Mas só a devem ver quando virem a “segunda” e esta “terceira” pelo menos uma vez. Antes não.
Se já estão completamente confusos tudo está explicado na review de ["Days of Being Wild"].

Agora que estreou o fantástico, ["My Blueberry Nights"] do mesmo realizador, se gostarem desse filme não tenham medo de arriscar ver “In The Mood For Love” e  ["2046"], pois o estilo visual é o mesmo, embora “My Blueberry Nights” seja ligeiramente mais comercial, isto falando cinematográficamente pois na verdade, se virem os filmes sem ideias pré-concebidas contra o estilo de cinema-de-autor, se calhar vão descobrir uma trilogia de filmes românticos únicos e inesquecíveis, que podem divertir não pelas explosões mas sim pelas emoções, especialmente se vocês se identificarem com a alma dos personagens.
E mais uma vez, tal como aconteceu com “In The Mood For Love” depois de verem isto, nunca mais vão deixar de associar Nat-King-cole ao universo de Wong Kar Wai. A maneira como ele usa em ["2046"], “The Christmas Song” cria uma atmosfera nostálgica única é um verdadeiro mini-videoclip para a emoção dessa canção.
Aliás, ainda não falei da banda sonora, mas mais uma vez esta é um personagem á parte dentro do filme, pois a forma como é usada para contar a história é um exemplo perfeito do génio deste realizador e da sua forma única de fazer cinema onde a música é tão indispensável quanto a camera de filmar.

Mais uma vez, e tal como acontece também no novo filme “My Blueberry Nights“, também em ["2046"], o espectador assiste a toda a história como se fosse a passar e por acaso vislumbrasse sem querer uma cena entre duas pessoas ou ouvisse uma conversa que não deveria ouvir e neste filme esse estilo é verdadeiramente fascinante criando algumas das mais belas imagens que poderão encontrar num moderno filme romântico seja onde for.

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CLASSIFICAÇÃO:

Excelente filme de autor que ganha uma nova dimensão extraordinária se conhecerem as histórias de “In The Mood For Love” e “Days of Being Wild“.
Se gostaram do mais recente filme de Wong Kar Wai, “My Blueberry Nights” têm aqui algo que muito provavelmente irão gostar também.
Quanto a mim este é mais um daqueles filmes perfeitos, embora não seja um filme fácil. Mas todo o seu experimentalismo Art-House recompensa plenamente o espectador pelo romântismo que ilustra. Possivelmente um dos melhores filmes sobre a Saudade que jamais foram feitos.
Com uma banda sonora extraordinária e uma fotografia absolutamente perfeita que junto com a fantástica e intimista realização de Wong Kar Wai, elevam este filme a um patamar único dentro do cinema romântico e até mesmo dentro da ficção-científica.
Por tudo isto, só podia levar mesmo, cinco tigelas cheias de noodles e um Golden Award a brilhar reluzentemente.
noodle2.jpg   noodle2.jpg   noodle2.jpg   noodle2.jpg   noodle2.jpg   gold-award.jpg

Para conhecerem tudo sobre a trilogia de que este filme (não) faz parte, leiam a minha review de Days of Being Wild

A favor: tudo, poesia, personagens, ambiente, banda sonora, romantismo, fotografia, realização e argumento, a maneira como a música é usada, a estética das imagens, o design de produção, as partes de ficção cientifica intimistas, alguns discretos mas inesperados momentos de humor que equilibram a carga dramática do filme, o trabalho das actrizes é fantástico. 
Contra:  absolutamente nada ! Embora para muita gente este possa ser um daqueles filmes “pa intelectuais” onde não se passa népia e tudo anda muito devagar sem tiros.

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Trailer
Nota:
por qualquer motivo, o pop-up automático deste blog poderá dizer que o filme já não se encontra disponível no YouTube, mas se clicarem no link e o abrirem numa outra janela poderão ver o trailer normalmente.
http://www.youtube.com/watch?v=yCKTVcBFQrc

Comprar
A edição que eu tenho é a de Hong Kong em dois discos.
Excelente som e imagem e um making of muito interessante. Recomendo totalmente.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-2-49-en-15-2046-70-fjy.html
ou
http://www.amazon.co.uk/2046-Tony-Leung-Chiu-Wai/dp/B0007NBJ00/ref=pd_bxgy_d_h__img_b?ie=UTF8&qid=1209567025&sr=1-2

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0212712/

Curta metragem (publicitária) inédita de Wong-Kar-Wai para quem quiser ver mais um trabalho deste autor que não se encontra editado em lado nenhum.
http://www.youtube.com/watch?v=gBsbEopulOM&feature=related

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E se gostaram deste não vão querer perder

       

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Fa yeung nin wa (In the Mood For Love) Wong Kar Wai (2000) China

4, Maio 2008 - No Responses

Este segundo filme da trilogia romântica de Wong Kar Wai, é um excelente exemplo do quanto as audiências orientais têm uma relação com o cinema bem diferente das americanas (e das americanizadas) aqui no ocidente.
O facto de ["In The Mood For Love"], ter sido no oriente um enorme sucesso junto do público adolescente, é algo verdadeiramente extraordinário.
É quase inacreditável poder dizer a alguém aqui no nosso lado do planeta que este filme, esgotou salas no oriente com sessões repletas durante semanas a fio, principalmente com público adolescente.

Os adolescentes orientais inesperadamente, adoptaram como sua esta nostálgica e poética história de amor adulta e de alguma forma identificaram-se plenamente com as emoções presentes neste filme tendo-o elevado a um estatuto que certamente será muito dificil de compreender para o nosso típico teenager, especialmente se pensarmos a nível de Portugal.
O que só me pode levar a concluír que se calhar por muito alucinados que os teens orientais nos pareçam, lá bem no fundo terão um nível de maturidade  emocional superior a muito adulto ocidental americanizado, alimentado a plástico á base de dietas blockbusters made-in-Hollywood.
No ocidente mostrem ["In The Mood For Love"],  a muita gente e ninguém aguentará olhar para ele sequer meia hora, pois certamente irá dizer de imediato que o filme não tem história, que não se passa nada, que é uma seca descomunal e que só pode ser um filme para intelectuais.

Aliás, notou-se bem isso quando o filme saiu nos videoclubes em Portugal. Cheguei assistir a um cliente dizer ao dono da loja que nunca mais voltava lá porque este lhe tinha impingido um filme “pa intelectuais” que nem gravado todo no dvd estava (?!) e tudo, porque segundo a pessoa, ["In The Mood For Love"], em português ["Disponível para Amar"], acabava de repente a meio e não se percebia nada.
Está mais que claro que nem precisamos ir junto dos adolescentes consumidores de filmes do Michael Bay para obter este tipo de comentários. Mostrem ["In The Mood For Love"], a um português adulto consumidor geral de cinema da moda e imediatamente ele remeterá este filme para aquela categoria dos filmes para intelectuais.

No entanto, a popularidade deste filme no oriente junto do público que geralmente consome cinema comercial, foi absolutamente extraordinária, ao ponto dos seus actores terem atingindo com esta obra um estatuto de estrelas de rock ao nível de uns Rolling Stones ou uma Madonna. 
Foi tal a histeria que provocavam a cada aparição pública para promover este filme, que os seus personagens se tornaram desde então verdadeiras figuras de culto dentro do cinema romântico, ao ponto de Wong Kar Wai o realizador, as ter ido buscar de novo para o seu filme seguinte, o também extraordinário “2046“, segundo o próprio, a melhor não-sequela que poderia ter feito de ["In The Mood For Love"]. Certamente foi a mais inesperada. Talvez uma das “sequelas” mais inesperadas de sempre em qualquer género, mas isto fica para a review de “2046” noutro texto.

Na verdade Kar Wai começou a gravar coisas para “2046” ainda durante as filmagens de ["In The Mood For Love"], mas mesmo ele nem sequer sabia para que serviriam os takes abstractos sem qualquer lógica que foi filmando na altura. Isto ao ponto de chegar a desesperar os actores e a equipa técnica que nunca percebeu que raio de filme é que estariam a fazer e só viram o resultado quando Kar Wai apresentou a primeira montagem no festival de Cannes tendo deixado toda a gente de queixo caído perante a beleza de cada imagem e a poesia que mostrou no ecrã onde cada textura se liga com a musica criando um ambiente românticamente assombrado único e original.

Como resultado limpou basicamente os prémios mais importantes de Cannes nesse ano.
O que tornou ["In The Mood For Love"],  num filme ainda mais extraordinário, até porque Kar Wai raramente tem um script minimamente completo ou sequer pensado quando faz algum filme, pois é famoso por ir inventado á medida que filma e os takes que não servem, aproveita-os para o filme seguinte num processo onde nada se perde e tudo se transforma.
Aliás é por esta razão que muitas das cenas cortadas no dvd do ["In The Mood For Love"], parecem na realidade pertencer mais ao filme seguinte “2046“,  que ainda nem sequer existia na cabeça do realizador do que a ["In The Mood For Love"], o que não deixa de ser engraçado.

Mas a verdade é que este filme por muito inacreditável que isto pareça a muita gente, tornou-se um éxito comercial em quase todo o lado. O que é ainda mais estranho pois deve ter sido o primeiro filme completamente ligado ao chamado Cinema-de-Autor a ter feito não só muito dinheiro como ainda a ter transformado o seu realizador e actores em verdadeiras estrelas.
Claro que foi um éxito comercial em todo o lado, menos na Europa e nos EUA, onde óbviamente também teve sucesso mas apenas dentro daquele circuito fechado das salas que apenas passam cinema-de-autor pois seria pedir muito que um filme como este pudesse ser apreciado pelas audiências que habitualmente levam com overdoses de blockbusters a 200 á hora e consomem milho á mesma velocidade enquanto falam ao telémovel durante as projecções quando “não se passa nada” nos filmes. Mas passemos á frente.

Não há muito que se possa dizer sobre ["In The Mood For Love"], pois este é um daqueles filmes em que realmente não se passa nada e portanto não há muito para contar sobre a sua história, porque o cinema de Wong-Kar-Wai não depende de histórias, mas sim de detalhes.
Na verdade, se há algo em que Wong-Kar-Wai é realmente bom, será a fazer filmes “sobre nada”.
O verdadeiro conteúdo dos seus filmes não está nas histórias, mas sim nas emoções que este consegue transmitir e fazer o espectador sentir apenas com as coisas mais simples.
Alguém disse um dia que nos filmes de Wong-Kar-Wai até o fumo é belo e transmite mais emoção e poesia do que horas intermináveis de diálogos pseudo-românticos nas supostas love-stories americanas. 
É realmente uma boa definição das extraordinárias capacidades deste autor em fazer transparecer emoções através das coisas mais simples e nisto ["In The Mood For Love"],  é um dos seus exemplos mais perfeitos.

Correndo o risco de fazer fugir as pessoas, a história de ["In The Mood For Love"], é a seguinte.
No início dos anos 60, em Hong Kong, um casal aluga um quarto numa pensão familiar. A mulher é secretária numa empresa de exportações, o marido trabalha agora na marinha mercante e passa practicamente meses a fio sem vir a casa.
Como resultado, o casamento dos dois, é algo quase inexistente e de conveniência pois naquela época, especialmente na China da altura o divórcio era a maior desonra que poderia cair em cima de uma jovem mulher a seguir ao adultério.
No mesmo dia em que este casal aluga o seu quarto, também outro casal, um jovem jornalista e a sua mulher, alugam o quarto ao lado. Este trabalha para um jornal, mas o seu verdadeiro sonho é ser escritor de pulp-ficition ao melhor estilo de artes marciais, algo que segundo o filme seria bem popular na altura em Hong-Kong.

Também ele se sente sózinho pois desconfia que a sua mulher o trai e por vias do destino, encontra-se com a sua solitária vizinha de quarto ocorrendo óbviamente uma enorme atracção entre os dois.
Uma atracção com base numa amizade criada pelo facto de ambos gostarem de romances de artes marciais e de se sentirem absolutamente sózinhos.
Um dia descobrem por acaso, que a mulher do jovem jornalista é na verdade amante do marido da jovem secretária e que este não faz apenas longas viagens em trabalho mas principalmente usa-as como desculpa para trair a mulher com a esposa do jornalista.
E esta é a história inteira do filme.
Não se passa absolutamente mais nada em ["In The Mood For Love"], que possa ser descrito.
E perguntam vocês - então mas onde raio está o interesse nesta telenovela banal ?…

O mais extraordinário é que Wong Kar Wai pega nesta simples ideia de argumento e transforma-a numa verdadeira sinfonia de emoções músicais, onde cada imagem é um poema visual e onde a música aliada a enquadramentos absolutamente inesperados transporta o espectador para uma posição quase de espectador casual fazendo-o entrar no filme como se tivesse sem querer escutado uma conversa que não deveria ouvir mas de que não consegue deixar de querer saber mais porque ficou a gostar das pessoas que ouviu.
É esta a grande força narrativa do filme, e Kar Wai, usa-a para criar um suspanse poético como nunca tinha acontecido numa história de amor. Todo o filme gira á volta do facto de obviamente os dois protagonistas se amarem e serem realmente almas gémeas que nunca se poderão tocar.

Não podem arriscar uma relação carnal entre eles, pois num meio tão pequeno onde todos saberiam imediatamente o que se passava os dois são obrigados a viver de aparências enquanto têm uma relação platónica que também tem de ser mantida secreta porque senão a reputação da rapariga poderia ficar manchada para sempre naqueles austeros anos 60 onde o divórcio nem sequer era opção.
No meio de tudo isto, eles chegam a encontrar-se num quarto de hotel , precisamente o número “2046” onde Wong kar Wai nos deixará para sempre na dúvida se algo mais realmente aconteceu entre os dois, pois esse número é precisamente o centro da “sequela” no filme “2046“,  cujo o título se refere precisamente á saudade que o protagonista tem do quarto onde por uma vez na vida viveu um amor de verdade e que é relatado agora em ["In The Mood For Love"].

Tudo isto é colocado em imagens musicadas pelo génio de Wong Kar Wai de uma forma que é realmente muito dificil de ser descrita em palavras pois todo o filme é um bailado de imagens e enquandramentos indo buscar poesia até ao mais comum dos objectos.
["In The Mood For Love"], é como um filme musical onde ninguém canta, mas onde a música está sempre presente e é essencial para contar a história e transmitir emoções. É como um videoclip absolutamente romântico que dura hora e meia e que não precisa de muitos diálogos para contar uma história, fazer-nos sentir e acima de tudo identificarmo-nos com aquelas duas pessoas que poderiam ser qualquer um de nós.

Uma coisa vos garanto, depois deste filme, nunca mais vão ouvir uma música de Nat-King-Cole da mesma maneira, pois será impossível não pensarem em ["In The Mood For Love"] e nesta história de amor.
E quem pensa que não gosta de Nat-King-cole passa a gostar.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma das melhores histórias de amor de todos os tempos e provavelmente uma das mais simples.
Um filme onde até o fumo é algo que poderiamos ficar a olhar durante sequências a fio sem nos aborrecermos e um dos objectos cinematográficos mais visualmente poéticos de todos os tempos.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala.
Uma obra prima do cinema romântico e a prova de que se calhar isto do cinema-de-autor ser só para intelectuais se calhar está mais na cabeça das pessoas do que na realidade é um dado adquirido.

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A favor: a poesia, a história e a maneira como foi trabalhada, a extraordinária banda sonora, os personagens inesquecíveis, o trabalho dos actores, a realização é absolutamente notável em todos os sentidos, a fotografia fabulosa, os enquadramentos subliminares, a paixão, a alma do filme, o melhor filme-de-autor “comercial” de todos os tempos ponto final.
Contra: não será um filme propriamente para o típico frequentador de salas de cinema de centros comerciais, apesar de as ter esgotado no oriente durante semanas a fio. Mas, afinal estamos